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sexta-feira, 5 de março de 2010

Variações sobre um mesmo tema

Olá! Hoje trago um pouco de literatura para vcs!
Em várias ocasiões, poetas modernistas retomaram temas já consagrados e fizeram sátiras e críticas bem-humoradas. Um bom exemplo é Oswald de Andrade, que satiriza, em pequenos poemas, trechos da carta de Pero Vaz de Caminha e fatos da história do Brasil. Aqui está outro bom exemplo:

Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Este famoso soneto de Olavo Bilac, poeta Parnasiano de tendência romântica, foi satirizado na versão de Bastos Tigre, que trata do cinema da época:

“Ora, direis, ouvir estrelas!Vejo
Que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
Que mais eu gozo se escabroso é o tema. Uma boca de estrela dando beijo
É, meu amigo, assunto pra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? Que sentido
Têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.


Muito irreverente, não é mesmo?
Até a próxima,
Le^_^
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