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segunda-feira, 28 de março de 2011

A Rainha do Mar / Million Dollar Mermaid (1952)

Quem seria mais adequada para viver uma nadadora pioneira do que Esther Williams? Nessa cinebiografia, na pele da campeã australiana Annette Kellerman (uau, quantas letras dobradas! Só perde para Tennessee Williams!), Esther conta a vida de uma pioneira nos trajes de banho de uma única peça e nos filmes, sem deixar de realizar acrobacias e nos entreter.

Com vocês, a biografada: Annette Marie Sarah Kellerman (1886 – 1975) foi uma nadadora australiana, campeã juvenil, artista do Hipodrome de Nova York em seu tempo de glória e estrela de cinema, tendo protagonizado o primeiro nu feminino total da história da sétima arte. Tentou atravessar o Canal da Mancha por três vezes, sem sucesso. Foi presa por atentado ao pudor ao usar uma única peça de banho na praia.
Felizes Coincidências: Esther Williams ganhou como apelido o título desse filme (nos EUA: a sereia de um milhão de dólares).
Tanto Williams quanto Kellerman fabricavam suas próprias roupas de banho, pois as de suas respectivas épocas não eram adequadas para a natação em frente às câmeras.
ALERTA DE SPOILER: Quando há o acidente (fictício) com o tanque, Annette estaria gravando “A Filha de Netuno” (1914). Em 1949, Esther Williams fez um filme com o mesmo título.
A Crítica Retrô: Nenhum dos “aqua musicais” de Esther Williams figura como obra-prima ou filme essencial. São, sim, bons exemplos de entretenimento e, é claro, de uma bela mulher com força física e talento atlético. “A Rainha do Mar” tem bons momentos de romance, um grandioso balé aquático e um final, para mim, tenso: o que esperar quando o filme está acabando e uma tragédia é iminente?

Para Sempre Liz Taylor

Ser fã de cinema clássico implica admirar vários artistas que já não estão mais entre nós. É não ver notícias e entrevistas recentes ou não ter a chance de encontrá-los em uma visita a Hollywood. Talvez isso nos poupe do sofrimento de perder nossos ídolos. No entanto, muitos dos representantes dessa era ainda estão entre nós, e sua perda é inevitável.
Nesses quase dois anos de iniciação à cinefilia clássica, vi perdermos muitos grandes nomes. Mas talvez Jennifer Jones, Jean Simmons, Lena Horne, Dennis Hopper, Blake Edwards, Betty Garrett ou Jane Russel não tenham doído tanto. O triste acontecimento desta semana significou o fim da época em que o cinema era mais inteligente e as estrelas eram mais interessantes.
Curiosamente, vários de seus filmes apresentam mortes iminentes. A pequena órfã tem uma pneumonia fatal em “Jane Eyre” (idem, 1944). A Rebecca de “Ivanhoé” (idem, 1952), acusada de bruxaria, está prestes a ser condenada à fogueira. A apaixonada sulista sofre de uma loucura que põe em risco a vida de toda a sua família em “A Árvore da Vida” (Raintree County, 1957). O patriarca tem uma doença terminal em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat in a Hot Tin Roof, 1958). A única testemunha da morte do primo é atormentada pelas lembranças em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959). Na vida real, ela foi uma batalhadora, uma sobrevivente, uma mulher maior que a vida.
Quando ela nasceu,em 1932, outras grandes lendas já estavam há tempos na ativa, como Mary Pickford, Lillian Gish, Greta Garbo e Katharine Hepburn. Mas Elizabeth Taylor não perdeu tempo: aos dez anos estrelava seu primeiro filme: “A Mocidade é Assim Mesmo” (National Velvet), ao lado de Mickey Rooney. Nos anos seguintes, foi dona de Lassie, jovem comportada do século XIX e uma garotinha encantadora. Aos 17 fez um ensaio nua. A garotinha estava crescendo.
E cresceu, transformando-se numa das mais belas mulheres do cinema. Ganhou dois Oscars, por “Butterfield 8”, em 1961, após três indicações infrutíferas consecutivas, e por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”em 1968.Casou-se oito vezes, teve sete maridos, enviuvou aos 27 anos, roubou o marido de Debbie Reynolds, encontrou o amor de sua vida em Richard Burton. E tudo isso fez dela uma lenda.
Não digo que o cinema ficou órfão, mas, sim, viúvo: quem nunca se enamorou com o rosto de Liz Taylor? 

terça-feira, 22 de março de 2011

Sede de Viver / Lust for Life (1956)

Minha iniciação artística se deu com as pinturas de Van Gogh. E dá-lhe cópias de sua biografia e versões do quadro “O Quarto de Van Gogh em Arles”. Essas atividades ficaram em minha memória, e voltaram com força total assistindo à “Sede de Viver”, cinebiografia dirigida por Vincente Minnelli e estrelada por Kirk Douglas.

Com vocês, o biografado: Vincent Willen van Gogh (1853 – 1890) foi um pintor holandês que fez muito mais do que pintar girassóis e cortar a orelha esquerda. Foi um ativo pintor durante apenas cinco anos, deixando centenas de telas. Nome importante do pós-impressionismo (corrente preocupada em transmitir emoções nas pinturas), ao lado de Cézanne e de seu amigo Paul Gauguin, cada mudança nas pinceladas de suas obras representava uma mudança em sua conturbada vida. De gênio difícil, sempre atormentado e sofrendo com problemas mentais como outros membros da família, o pintor suicidou-se aos 37 anos, sem constituir família ou alcançar fama e fortuna.
Licença Cinematográfica: Algumas poucas notas referentes a detalhes (por exemplo, não é mostrado que Van Gogh enviou sua orelha cortada para uma mulher, embora esta apareça no filme). Isso mostra a perfeição do filme, uma biografia fidedigna do grande pintor.

A Crítica Retrô: “Sede de Viver” é uma obra-prima. Kirk Douglas, como Van Gogh, e Anthony Quinn, como seu amigo Gauguin, estão ótimos como homens de pavio curto e personalidade difícil, o que é um empecilho para a amizade deles. Quinn ganha o Oscar, merecido, é verdade, e talvez pela semelhança de temperamentos das personagens, a Academia tenha tirado o prêmio merecidíssimo de Kirk e dado para Yul Brinner em “O Rei e Eu”. Mesmo assim, fica a glória de Vincente Minnelli ter dirigido um belo drama e uma cinebiografia nota 10.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mata Hari (1931)

A mais famosa espiã da história interpretada por uma das melhores e mais belas (entre outros elogios) atrizes de todos os tempos. Greta Garbo empresta seu ar misterioso à Mata Hari em uma jornada por seus últimos dias, cá entre nós, bem movimentados, com direito a um romance tórrido com Ramon Novarro e uma condenação à morte por fuzilamento depois de ser presa e julgada.

Com vocês, a biografada: Margeretha Geertruida Zelle (1876 – 1917) foi uma boa moça holandesa até o seu divórcio. Quando se separou do marido, um capitão em terras coloniais, voltou da ilha de Java e foi viver em Paris. Adotou o nome Mata Hari, que em malaio significa “olho da manhã” e passou a trabalha como cortesã e dançarina. Tendo vários clientes militares, se envolveu na Primeira Guerra Mundial, trabalhando como agente dupla, espionando tanto para a França quanto para a Alemanha. Presa em meados de 1917 e executada em outubro do mesmo ano, muito de sua vida permanece obscuro: foi espiã responsável pela morte de 50 mil franceses ou um bode expiatório sensual e livre demais para sua época?

Licença cinematográfica: Em nada Greta Garbo e Mata Hari se pareciam. Só na aura de mistério que sugeriam. A espiã tinha traços orientais, era morena e ... bem, não era tão perfeita quanto a atriz.
A maioria dos eventos retratados no filme são fictícios.
A Crítica Retrô
Mata Hari está aquém dos maiores sucessos de Greta Garbo, como Dama das Camélias ou Ninotchcka. Esse filme é, sobretudo, uma sinfonia da imagem. A dança sensual, o flerte, o caminho para a execução: são imagens que ficam em nossa mente, não a trama. Mesmo que não seja fidedigna, é para esse propósito que veio a escolha de Garbo para o papel principal: construir a imagem misteriosa e sensual da mítica espiã. E, mais uma vez, Garbo desempenha perfeitamente seu papel.

domingo, 13 de março de 2011

Ed Wood (1994)

Se há controvérsias sobre quem é o melhor diretor de cinema de todos os tempos, o nome de Ed Wood é unanimidade quando se trata do pior diretor. Seus filmes trash dos anos 50, no entanto, se tornaram Cult e hoje são reverenciados. Tim Burton, em 1994, com um elenco conhecido e boa dose de talento, filmou a biografia em preto-e-branco desse homem que, ao que o filme indica, sonhava em ser o próximo Orson Welles.
Com vocês, o biografado: Edward Davis Wood Jr (1924 – 1978) dirigiu ou escreveu 30 filmes, em sua maioria de baixíssimo orçamento, o que o obrigava a improvisar e reutilizar cenários, figurinos e materiais de efeitos especiais. Trabalhava com atores de feições caricatas e foi responsável pelos últimos filmes de Bela Lugosi, seu grande ídolo.

Licença Cinematográfica: Ed Wood nunca conheceu Orson Welles. No filme, é depois de ouvir algumas palavrinhas de incentivo de Welles que Wood decide fazer seu mais famoso filme: Plano 9 do Espaço Sideral.
Descobrimos que Wood se encontrou com Bela Lugosi pela primeira vez quando este tinha 74 anos. No entanto, Bela faleceu aos 73.
Coisa de cinema: Assim como mostrado no filme, Ed Wood gostava de se vestir de mulher. Ele dizia que estava usando lingerie feminina durante uma importante missão da Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro casamento jamais foi consumado, pois sua mulher descobriu que ele usava sutiã na noite de núpcias.
Mais um ponto para Tim Burton: Ed sempre foi um grande otimista!
Ed dizia que Plano 9 do Espaço Sideral era seu maior orgulho, mas Glen ou Glenda? era um relato de sua vida.
Para terminar, um pequeno vídeo de Ed Wood. Divirtam-se!

terça-feira, 8 de março de 2011

Cinema & Carnaval

Talvez nem todo cinéfilo goste de carnaval. Eu, pessoalmente, prefiro procurar um bom filme a cair na folia. Mas este ano minha paixão pessoal misturou-se a uma das paixões nacionais com muito estilo. No desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro (um espetáculo à parte ao qual eu nunca  tenho paciência de assistir) duas escolas homenagearam o cinema. Enquanto a Unidos da Tijuca, campeã de 2010, lidou com os filmes de terror e causou espanto com sua comissão de frente, o Salgueiro falou sobre o cnema no Rio, sem deixar de ser um pouco internacional. Logo no início do desfile desta, muitas pessoas vieram vestidas de personagens notáveis, que os comentaristas não foram capazes de identificar para os telespectadores, como Barbra Streisand em Funny Lady e Geraldine Chaplin em Dr Jivago.

Por outro lado, em São Paulo, as escolas homenagearam os teatros. A Unidos do Peruche teve como tema o centenário do Teatro Municipal de São Paulo e a Unidos de Vila Maria fez seu enredo sobre o Teatro Amazonas, de Manaus.
Uma ótima prova de diálogo entre as diferentes manifestações artísticas! 

domingo, 6 de março de 2011

A Canção da Vitória / Yankee Doodle Dandy (1942)

James Cagney, mais adorável do que nunca, na pele de um ator de vaudeville, astro da Broadway e, como pedia a época, um patriota exemplar. A interpretação de George M. Cohan lhe valeu um Oscar e a redenção após anos carregando a imagem do gangster durão e incorrigível. Mas será que tudo aconteceu como mostrado no filme?
Com vocês, o biografado: George Michael Cohan (1878 – 1942) foi um compositor, ator, dançarino, produtor... enfim, um faz-tudo da Broadway. Sua famosa frase de agradecimento nos tempos do vaudeville era: “Senhoras e senhores, meu pai agradece, minha mãe agradece, minha irmã agradece e eu agradeço”. Há uma estátua em tamanho real dele na Broadway.

Licença Cinematográfica:
A canção mais famosa diz “Sou um sobrinho de verdade do Tio Sam / Eu nasci no dia 4 de julho” ("I'm a real nephew of my Uncle Sam / I was born on the 4th of July"). Cohan não nasceu no dia do aniversário da independência das Treze colônias, mas sim no dia 3 de julho. Sua irmã Josie, no filme mais nova que ele, era na verdade dois anos mais velha.
O próprio mote do filme é falso: George não recebeu a Medalha de Honra do presidente, mas sim uma Medalha de Honra do congresso

George foi casado duas vezes, embora no filme só exista uma esposa, Mary. No entanto, nenhuma das cônjuges de Cohan se chamava Mary! Entretanto, uma das filhas dele tinha esse nome. No filme não são mostrados seus filhos.
Após a morte do pai,em 1917, George é tido como o último Cohan. No entanto, sua mãe ainda estava viva na época, só vindo a falecer em 1928.
Muitas peças são mostradas como produções contemporâneas entre si, sobrepondo os sucessos e fracassos do ator e produtor e desrespeitando a distância de tempo entre elas. Na verdade, se fosse como mostrado na sequência de letreiros, o cara usaria a Broadway toda só pra ele.
Após ver o filme em uma sessão privativa, o ilustre biografado teria dito: “Gostei do filme. Sobre quem era?”.  
Até a próxima! Lê ^_^

sábado, 5 de março de 2011

É tudo verdade? – Especial Cinebiografias

Todos nós já vimos pelo menos um filme biográfico. Seja a realista autobiografia de Bob Fosse em “O show deve continuar”, ou as vidas de santos e personalidades históricos, como Joana D’Arc, Robin Hood,Lutero, Jesus, reis e rainhas, como “A Rainha”de Helen Mirren ou Elizabeth de Cate Blanchett. Alguns filmes biográficos me chamaram a atenção, pois contam apenas parte da vida dos biografados, deixando a platéia com um gostinho de “quero mais” e uma curiosidade latente. Neste mês, portanto, será a vez de um especial sobre cinebiografias. Preparados? Alguma sugestão?
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