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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Marcello Mastroianni: fatos rápidos



  • Nasceu Marcello Vincenzo Domenico Mastroianni em Fontana Liri, Itália, em 28/09/1924 e faleceu em Paris em 19/12/1996, de câncer no pâncreas . Seu pai tinha uma loja de carpintaria e sua mãe era uma imigrante judia.
  • Atuou em 143 filmes ao longo de mais de 40 anos e produziu um filme, “Contro la legge”, de 1950.
  • Casou-se com a atriz Flora Clarabella em 1950, com quem teve uma filha, Barbara. Separaram-se na década seguinte. Teve romances com Faye Dunaway, Catherine Deneuve (com quem teve a segunda filha, Chiara) e a cineasta Anna Maria Tatò. Rumores diziam que tinha romances com todas as mulheres com que contracenava. Ela achava graça da fama de Don Juan.
Com a filha Chiara

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, foi capturado por nazistas e levado a um campo de trabalhos forçados, de onde conseguiu fugir, passando o resto do conflito escondido em Veneza.
  • Depois da guerra, entrou para a Universidade de Roma, para estudar Economia e Comércio, e começou a fazer teatro. Luchino Visconti notou seu talento e o convidou para fazer papeis shakesperianos e também a peça “Um bonde chamado desejo”, no papel de Mitch.
  • Após alguns papeis como extra, estreou em 1948 com a adaptação do romance “Os Miseráveis”.
  • Fez o papel de Rodolfo Valentino em uma comédia musical no teatro em 1966.
  • Trabalhou com Fellini em cinco produções: “A Doce Vida” (1960), “8 ½” (1963), “Cidade das Mulheres” (1980), “Ginger & Fred” (1986) e “Intervista” (1987). A atriz Anouk Aimée disse em uma entrevista que os dois se entendiam muito bem e confiavam plenamente no trabalho um do outro.

  • Seu irmão Ruggero, cinco anos mais novo, editou vários de seus filmes.
  • Contracenou com Sophia Loren em 14 filmes ao longo de 20 anos.
  • Ganhou duas vezes o Prêmio de Melhor Ator em Cannes, em 1970 e 1987. Só três atores têm esse recorde (os outros dois são Jack Lemmon e Dean Stockwell).
  • Ganhou o Globo de Ouro em 1962 e dois BAFTAS de Melhor Ator Estrangeiro em 1963 e 1964. Foi indicado ao Oscar em três ocasiões (1962, 1977 e 1987).
  • Ganhou o Prêmio de Melhor ator no Festival de Veneza em 1989 e um César Honorário em 1993.
  • “Eu acredito na natureza, no amor, na afeição, em amizades, em meu trabalho e meus amigos. Eu amo as pessoas e amo a vida. Talvez seja por isso que a vida tenha me amado em troca. Acredito que eu tenha sido um homem muito sortudo”.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Esther Williams e a moda praia

O século XX foi de rápidas mudanças em diversas áreas. Uma delas foi a moda. Dos vestidos longuíssimos e ternos sisudos aos shorts, camisetas e looks despojados. Isso tudo em meros cem anos. De fundamental importância foi o cinema para ditar a moda, uma vez que era a mais popular forma de arte. O endeusamento de suas estrelas fez milhões de espectadoras sonharem com os figurinos pomposos que viam nas telas. Muitas delas foram atrás dessas roupas, copiando no dia-a-dia o visual das estrelas.

Ainda hoje as roupas dos filmes clássicos continuam a encantar. O comentado e atualíssimo figurino de Audrey Hepbrun em “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany´s” acaba de completar, quem diria, 50 anos! Audrey, aliás, é um ícone fashion da sétima arte.

Mas não é dela que vou falar hoje. É de alguém com muito menos roupa. (!) Esther Williams, a sereia da MGM, foi também influente para a moda nas praias e piscinas do mundo todo. Nascida em 1921, a mais nova de cinco filhos, Esther foi campeã de natação e modelo antes de estrear nos cinemas. Antes dela, ninguém teve a grande sacada de glamourizar ainda mais o musical usando números aquáticos. E, por isso mesmo, ninguém tinha experiência para desenvolver maiôs para serem usados nas filmagens.
Em um de seus primeiros filmes “Paixão em Jogo / Thrill of a Romance” (1945), Esther teve de usar maiôs de flanela. Eles encharcavam e pesavam, puxando-na para o fundo da piscina. A saída era, segundo a própria atriz, descer o zíper da peça, retirá-la e voltar nua para a superfície.

Em 1948, ela passou a ser garota-propaganda da marca Cole. Feitos de látex e sem zíper, os maiôs da marca proporcionaram muito mais conforto à estrela. Em 1952, ela desenvolveu um maiô especialmente para as mulheres da Marinha americana.   

Nesse mesmo ano ela filmava “A Rainha do Mar / Million Dollar Mermaid” (1952), cinebiografia da nadadora australiana Annette Kellerman. Um dos pontos altos do filme é o escândalo causado pela roupa de banho usada por Annette em 1900. De peça única, ela quase foi presa por atentado ao pudor.
Depois da aposentadoria das telas, Esther se dedicou, entre outras coisas, a criar roupas de banho com estilo retrô. Ela ainda possui essa linha. Seus maiôs certamente influenciaram uma geração de banhistas. Talvez a influência não tenha sido tão acentuada quanto foram outros ícones do cinema, mas certamente várias cinéfilas já se imaginaram nadando em uma de suas extravagantes roupas de banho.  

"I can’t remember a time when I wasn’t in a swimsuit. There were all those hours and weeks and years of competitive swimming – and ‘magic movie swimming’!"














P.S.: A todos os leitores que, além de cinema, gostam de TV, leiam um artigo que escrevi para o Cinebulição sobre a legendária série FRIENDS: http://cinebuli.blogspot.com/2011/03/diario-de-um-cinefilo-2-bimestre2011.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Alice nas Cidades (1974)

Vamos às definições: “road movie” é um filme cujo enredo se passa “na estrada” e a viagem do (s) protagonista (s) serve de metáfora para um aprendizado.  Wim Wenders é um cineasta alemão responsável por vários filmes que tratam de questões existenciais, como “Paris, Texas” (1984), pelo qual ganhou a Palma de Ouro em Cannes.

Em meados da década de 1970, ele realizou uma trilogia de “road movies” estrelados pelo ator Rüdiger Vogler. “Alice nas Cidades” é o primeiro deles. Vogler interpreta Philip Winter, um jornalista alemão sem inspiração na América. Com um punhado de fotos tiradas por ele mesmo e nenhum assunto para escrever, ele decide voltar para a Alemanha. Isso não será tão fácil como parece: um problema no sistema aeroviário impede a viagem já planejada. No aeroporto, Philip conhece Lisa e sua filha Alice (Yella Rottländer), também prestes a ir para a Alemanha. Mais por necessidade que por afinidade, eles travam amizade e dividem um quarto de hotel. Na manhã seguinte, Philip descobre que Lisa foi embora, deixando Alice sob seus cuidados. Ela promete reeencontrá-los em Amsterdã, o que não acontece, levando homem e menina a cruzarem a Europa em busca da avó de Alice.

Se nos Estados Unidos Philip sentia-se sozinho, durante a viagem ele e Alice experimentam uma curiosa solidão a dois. Sim, estão sós, pois, mesmo perseguindo um mesmo objetivo (encontrar a avó de Alice), não iniciaram essa jornada por vontade própria. Philip não se sente confortável com a companhia da criança. Talvez sinta-se tão perdido dentro do mundo adulto que mesmo sua própria infância é incapaz de voltar-lhe à mente como algo plausível e do qual ele poderia retirar alguma simpatia para com Alice. Talvez ele esteja tão descrente que precisa das fotos (de uma documentação) para provar a si mesmo o que viu da vida.

A importância da imagem para Philip é evidente. Ele tira fotos incessantemente, mesmo elas não representando a realidade, como ele conclui e confessa. O que seria, então, uma representação do mundo melhor e mais evoluída que a fotografia? O cinema. E, talvez, a televisão. Mesmo quebrando um televisor e revoltando-se com as imagens veiculadas pelas propagandas norte-americanas, mais tarde é a TV assistida pela menina que se torna símbolo do início da mudança de Philip. E Alice, por sua vez, retoma o contato com sua identidade e com o mundo através de uma foto da casa da avó.

Aos nove anos de idade, Alice parece mais madura que seu acompanhante perdido. Ela traduz o cardápio escrito em holandês, sabe se cuidar e é a causa da mudança de Philip. Séria, porém carismática, ela não se torna jamais frágil ou dramaticamente sentimental. Procurar a avó da menina é uma metáfora para Philip se procurar, ou procurar sentido em sua vida. Quando se vê responsável por uma criança, percebe finalmente que tem de assumir novas responsabiliades típicas da idade adulta. Contagiado por Alice, ele acaba mostrando que não odeia realmente a cultura norte-americana que não o inspirou. Por fim, Alice e Philip estão se divertindo, tirando fotos em uma cabine.

Quando Alice é informada de que sua avó foi localizada, assim como sua mãe, acaba também a viagem de Philip: ele se reencontrou. Não podemos deixar de nos deliciar com a jornada comparada, de maneira ao mesmo tempo óbvia, simplória e genial, de Alice e o Chapeleiro Louco (ou seria o próprio Lewis Carroll?) e imaginar que, finalmente, Philip encontrou em Alice um assunto para sua história.

"Encontrei com Alice nas Cidades a minha própria caligrafia no cinema. Muito mais tarde, tornou-se-me claro que, nestes anos que passaram, o meu trabalho oscilara entre dois pólos: os filmes a preto e branco sobre temas pessoais e os filmes a cores, adaptações de obras literárias."
Wim Wenders

sábado, 10 de setembro de 2011

Top Five – Péssimas traduções de títulos

Nós, amantes do cinema clássico, vira-e-mexe nos deparamos com títulos esdrúxulos. Muitas vezes encontramos termos pomposos da época do lançamento, como “Marujo Intrépido”, “Idílio em Dó Ré Mi”, “Bravura Indômita” e “Os Bravos Morrem de Pé”. Outras vezes, gírias da época foram usadas, como em “Levada da Breca” e “Essa pequena é uma parada”, sendo, aliás, o segundo uma refilmagem do primeiro (só trocam o leopardo que causa toda a confusão por uma maleta). Porém, algumas traduções descaracterizam totalmente o título e dão uma idéia errada ao espectador. Vamos a uma pequena lista desse último caso:

5.       Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977): Título ótimo para um filme sobre um casamento... coisa que certamente nunca passou pelas cabeças das personagens de Woody Allen e Diane Keaton
4.       Jules e Jim – Uma mulher para dois (Jules et Jim, 1962): Regra básica da língua portuguesa: aposto é uma explicação ou restrição de um termo já citado. Pois bem, o subtítulo “uma mulher para dois” é o aposto, mas “Jules e Jim” são os dois para quem é a mulher, logo, nada têm a ver com o subtítulo. Confuso.
3.       Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story , 1940): Não haveria perda se o filme tivesse o nome de “Uma história da Filadélfia” (“A história”pareceria algo sério demais). Só que o nome pelo qual ficou conhecido recentemente (na época da péssima dublagem para exibição original, o nome era “Casamento Grã-Fino”. Hoje ninguém mais usa esse adjetivo) nos leva a crer que não é uma comédia, mas sim um drama, ou talvez algo mais picante.
2.       Daunbailó (Down by Law, 1986): Provavelmente um tradutor em crise criativa precisou dar conta desse título. Leu em inglês e copiou a pronúncia exata. Esse título não dá nenhuma interpretação errada, mas, convenhamos: é péssimo.
1.       Uma Rua chamada Pecado (A Streetcar named Desire, 1951): Estava me esquecendo desta que é, sem dúvida, a PIOR TRADUÇÃO já feita! Pode até ser que, pelo enredo pesado e pelas situações-limite mostradas, o nome pareça adequado, não fosse um pequeno detalhe: Blanche chega à casa de sua irmã, que não fica na “rua Pecado”,  ao tomar um bonde (a streetcar) chamado (named) desejo (desire)!!!  

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sindicato de Ladrões / On the Waterfront (1954)

“As docas de Nova York” já é o título de um filme de 1928. Se não fosse, seria um ótimo nome para este filme que ganhou oito Oscars, revelou uma jovem atriz, teve seus bastidores permeados pelo espírito caça-comunista e apresentou um dos monólogos inesquecíveis da sétima arte.
O ainda belo Marlon Brando já era sex-symbol popularizado por “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire” (1951) e “O Selvagem / The wild one” (1953). Aqui vive Terry Malloy, ex-lutador fracassado que cria pombos e está à mercê do chefe do sindicato John Friendly (Lee J. Cobb), a mando de quem participa de um assassinato. Tudo se complica quando ele se apaixona pela irmã do estivador que ajudou a matar, a bela Edie Doyle (Eva Marie Saint), moça que vai à luta e convence o padre Barry (Karl Malden, com quem Brando já trabalhara em “Uma rua Chamada Pecado”) a agir contra a corrupção.
“Sindicato de Ladrões” é uma história de traição, dentro e fora das telas. Terry foi traído pelo irmão advogado, Charlie (Rod Steiger). O garotinho (Arthur Keegan) que admirava Terry, ao descobrir em seu ídolo também um assassino, mata seus pombos. É impossível falar do filme sem citar a história por trás dele, correndo em paralelo no Comitê de Atividades Antiamericanas no Congresso. Elia Kazan, diretor também de outros clássicos, ex-membro ativo do Partido Comunista, ao ver-se acusado, decidiu apontar seus antigos camaradas e colocou-os em maus lençóis. O dramaturgo Arthur Miller, marido de Marilyn Monroe, trabalhava no roteiro do filme e decidiu abandoná-lo, passando a escrever uma peça que fazia referência à caça às bruxas que acontecia em Washington. Miller abandonou o projeto quando os chefes do estúdio exigiram que os gangsters, vilões do filme, fossem comunistas. Kazan escalou então o amigo Budd (vejam só, “amigo” em inglês!) Schulberg para escrever o roteiro, baseando-se em uma série de 24 artigos de jornal que garantiram o Prêmio Pulitzer para o jornalista Malcolm Johnson. Mais tarde Kazan tornou pública sua identificação com Terry, dividido sem saber a quem ser leal. Conflitos à parte, o diretor tornou-se persona non grata no meio artístico, da mesma forma como foram excluídos aqueles que ele delatou. Em 1999, ao receber um Oscar honorário, Elia Kazan viu a Academia dividir-se entre contentes e indiferentes, criando um clima pesado inédito na festa do Oscar (pelo menos na entrega do prêmio honorário).



Apesar de sua atuação ter lhe rendido seu primeiro Oscar, Marlon Brando não queria aceitar o papel. John Garfield era a primeira escolha, mas faleceu antes de começarem as filmagens. Frank Sinatra já havia aceitado e estava louco para atuar revivendo parte de sua juventude em Hoboken, New Jersey, mas os produtores persuadiram Brando, pois queriam um nome que chamasse mais a atenção do público. Mesmo com um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante ganhado no mesmo ano, Frank foi descartado. Para convencer Brando, foi feito um teste falso: um jovem ator do Actor’s Studio foi chamado para simular a leitura do papel e despertar a competitividade de Brando. Funcionou. O jovem ator chamado para a farsa mais tarde ganharia destaque: Paul Newman.
Durante as filmagens, Brando ia diariamente a um analista que o ajudava a lidar com a recente morte da mãe. Isso obrigava toda a equipe a se adequar aos compromissos do ator. Um exemplo é o famoso diálogo entre os irmãos no banco do táxi. Marlon começou a improvisar suas falas, dizendo trivialidades, e enfureceu o diretor Elia Kazan. Então seguiu o roteiro, gravou sua parte e saiu para a consulta. O ator Rod Steiger teve de gravar seus closes sem ter com quem contracenar. Isso tornou ainda mais profunda sua expressão de desolação, visto que ele ficou bastante chateado com a saída de Brando durante a gravação.

Vinda de sete anos de trabalho na televisão, Eva Marie Saint estreou no cinema aos 30 anos já ganhando um Oscar. As outras opções eram Grace Kelly e Elizabeth Montgomery. Grace optou por filmar “Janela Indiscreta / Rear Window”. Elizabeth foi descartada por não convencer como uma garota criada no cais de Nova York. Anos mais tarde ela alcançaria imortalidade como protagonista da série “A Feiticeira / Bewitched”. Apesar de ter um papel de destaque e várias falas e cenas memoráveis, Eva foi indicada como Atriz coadjuvante, pois o produtor Sam Spiegel achou que assim seria mais fácil ela ganhar das demais concorrentes. Deu certo. E, dois dias depois da cerimônia, nasceu seu primeiro filho.
Sério, sombrio e realista, “Sindicato de Ladrões” trouxe elementos do neorrealismo italiano para Hollwood e 
conquistou com isso grande sucesso e boas críticas. Mais do que isso, consolidou o método usado pelos novos talentos que vinham despontando. E, como não podia deixar de ser, mexeu com uma legião de cinéfilos, seja pelo enredo de romance e dilemas éticos, pelas atuações, por seus oito Oscars ou pela significativa história dos bastidores.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Assim caminha a humanidade / Giant (1956)


Em enquete feita pelo blog sobre os filmes de James Dean, os leitores escolheram (surpresa!) “Assim caminha a humanidade / Giant”, épico de 1956 baseado no romance homônimo de Edna Ferber e que conta com um grandioso elenco. Dividem a tela com Dean: Rock Hudson, Elizabeth Taylor, Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (seu primeiro papel no cinema foi em “Juventude Transviada”, também com James Dean), Carroll Baker e Sal Mineo.

Jordan “Bick” Benedict (Rock Hudson) vai até Maryland,na casa da família de Leslie (Elizabeth Taylor) para comprar um cavalo premiado. Acaba saindo de lá com o equino e uma esposa geniosa. Quem não gosta das novas aquisições é a irmã solteira de Bick, Luz (Mercedes McCambridge), responsável pela propriedade da famíla, o rancho Reata no Texas. Além de causar desconfiança em Luz, Leslie desperta a paixão de Jett Rink (James Dean), trabalhador que herda de Luz um pequeno pedaço de terra. Ao longo de três horas e 17 minutos (um filme realmente “gigante”) vemos as mudanças causadas pelo petróleo encontrado por Jett e como isso afeta Leslie, Bick e seus descendentes.

O petróleo é o principal tema do filme. Jett fica rico com sua companhia JetTexas e tem o mundo a seus pés para divertir-se, namorar, aproveitar a vida e tentar compensar o amor não-correspondido que tem por Leslie. Jett domina as cenas em que aparece, seja indo coberto de petróleo esnobar a família Benedict ou afundando no alcoolismo com o passar dos anos.No “futuro”, já bem mais velho, Jett tem um breve romance com Luz Benedict II (Carroll Baker), avoada filha caçula dos vizinhos e ex-patrões. Bick se recusa a explorar petróleo, apesar de ser quase certo que há ouro negro também em sua propriedade. Ele quer manter a tradição rancheira de Reata, tendo ainda atitudes conservadores em relação ao futuro dos filhos.

Outro tema é o preconceito com relação aos mexicanos. Na propriedade dos Benedict trabalham muitos mexicanos. Em contraste com a opulência dos patrões, eles vivem em condições precárias em uma vila próxima ao rancho. Isso decepciona Leslie, uma mulher forte e decidida. Ela se preocupa com os imigrantes, chegando a “apadrinhar” Angel Obregon (vivido por Sal Mineo, quando adulto), que ela ajuda a salvar ainda bebê e recebe entusiamada em uma festa de Natal anos mais tarde, dando-lhe um relógio. A tensão só aumenta quando Jordy (Dennis Hopper) decide se casar com uma mexicana, para desespero do pai. O caminho não é fácil para o casal inter-racial e será com a aceitação de Bick e a luta deste pela igualdade da nora e dos netos que Leslie afirmará, encerrando esta odisseia cinematográfica, que ela o respeita e que a família deles é um orgulho.

O resultado da equação grande elenco + boa história + temática social só podia ser sucesso. É um filme que assusta pela duração, mas que prende a atenção do início ao fim, não deixando o espectador sequer bocejar. É uma reconstrução precisa do período entreguerras em um local quase inóspito e muito conservador, feito em uma época em que os movimentos pela igualdade ainda não tinham estourado.

É bom saber: Do fim das filmagens até sua estréia, o filme gastou um ano na sala de edição. Valeu a pena: além de ganhar o Oscar de Melhor Direção e ser indicado em mais 8 categorias, também foi a maior bilheteria da Warner por 22 anos.

George Stevens, diretor com mão-de-ferro, queria Alan Ladd no papel de Jett. Sua esposa não gostou da ideia. James Dean foi escalado no lugar e teve de suar para mostrar o método de atuação improvisado que usava.

Lace a Liz, Rock!
Grace Kelly foi a primeira opção para o papel de Leslie. Rock Hudson preferiu Elizabeth Taylor, que mais tarde tornou-se sua amiga íntima. Grace foi filmar “Janela Indiscreta / Rear Window”. Audrey Hepburn também foi considerada. Para o papel de Bick, algumas opções foram John Wayne, William Holden, Sterling Hayden, Robert Mitchum e Forrest Tucker.

Tudo entre amigos: outra opção para o papel de Jett era Montgomery Clift, também amicíssimo de Elizabeth Taylor.

Carrol Baker, apesar de interpretar a filha de Elizabeth Taylor, é um ano mais velha que a estrela de olhos violeta.

Em uma noite, no início das filmagens, Taylor e Hudson saíram para beber e conversar. A confraternização acabou depois das três da manhã. Às cinco horas eles estavam no estúdio gravando a cena do casamento, felizmente sem falas. Ficaram tão concentrados tentando não parecer bêbados que levaram muitos membros da equipe às lágrimas, emocionados com a expressão de paixão no rosto dos atores.

Jett Rink foi inspirado em uma figura real: o magnata do petróleo Glenn McCarthy. A autora Edna Ferber o conheceu no Shamrock Hotel, propriedade do ricaço que serviu de inspiração para a parte final da trama.

James Dean faleceu oito dias após a filmagem de sua última cena. Ele recebeu uma nomeação póstuma ao Oscar de Melhor Ator. 
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