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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mais estrelas que há no céu... em um mesmo filme


O que faz um bom filme? Elenco, enredo, diretor, fotografia? Se for o elenco, sem dúvida os outrora famosos all-star movies tinham de tudo para ser sucesso absoluto. É inegável que muitos nomes conhecidos chamam a atenção do público. Mas nem sempre vêm as boas críticas. Se já é tarefa hercúlea reunir tantos astros e estrelas numa mesma produção, imagine como é difícil evitar guerras de egos e aproveitar o melhor de cada um, dando-lhes igual oportunidade para brilhar. É por isso que grandes elencos estrelaram em filmes não tão grandiosos assim... Mas deixemos esse assunto para depois!

Ben-Hur (1925): Protagonizado pelo charmoso Ramon Novarro, a segunda versão do livro de Lew Wallace (a primeira é de 1907) traz uma selação invejável de extras. Os grandes nomes não são personagens, mas sim participam a multidão na suntuosa corrida de quadrigas, tão longa quanto e menos perigosa que a da versão de 1959. Para quem quiser se aventurar a procurá-los, na plateia estão Lillian Gish, Dorothy Gish, Gary Cooper, Myrna Loy, Clark Gable, Joan Crawford, Carole Lombard, Janet Gaynor, Fay Wray, John Barrymore, Lionel Barrymore, John Gilbert, Douglas Fairbanks, Harold Lloyd, Collen Moore, Marion Davies, Mary Pickford e outros menos conhecidos.

Paramount on Parade (1930): O som havia recém-chegado ao cinema, os primeiros filmes falados eram de gosto duvidoso e nesse cenário a Paramount decidiu realizar uma extravaganza dando voz às suas maiores estrelas. Em diversos esquetes aparecem Maurice Chevalier, Jean Arthur, Clara Bow, Nancy Carroll, Gary Cooper, Kay Francis, Fredrich March e Fay Wray.

Grande Hotel / Grand Hotel (1932): “Grande Hotel. Sempre o mesmo. Pessoas vêm e vão. Nada acontece.” Como nada pode acontecer com gente tão ilustre passando pelo hotel? Nele se hospedam Greta Garbo, John Barrymore, Joan Crawford, Lionel Barrymore, Wallace Beery e Lewis Stone. Ganhador do Oscar de Melhor filme, é considerado o exemplo máximo de all-star cast.  

Jantar às Oito / Dinner at Eight (1933): As maiores estrelas da MGM foram convidadas para um jantar que tem tudo para dar errado. As vidas particulares e os desentendimentos pessoais de Jean Harlow, Marie Dressler, John Barrymore, Wallace Beery, Lionel Barrymore e Billie Burke têm todos os requisitos para ser um empecilho.

Hollywood Party (1934): Em uma trama que envolve filmes e leões, encontramos estrelas como Jimmy Durante, Stan Laurel, Oliver Hardy, Lupe Velez e... Mickey Mouse!
Seis Destinos / Tales of Manhattan (1942): Cinco histórias diferentes são contadas através da entrada do mesmo fraque na vida dos personagens, interpretados por Rita Hayworth, Charles Laughton, Ginger Rogers, Henry Fonda, Edward G. Robinson, Paul Robeson, Charles Boyer e Ethel Waters. Só mesmo um fraque mágico para reunir tantos talentos.

A Conquista do Oeste / How the West was Won (1952): Foi necessário um time de primeira para recontar a saga da expansão para o oeste. Entre os escalados para dar vida aos desbravadores estão Debbie Reynolds, James Stewart, John Wayne, Gregory Peck, Carroll Baker, Henry Fonda, Karl Malden, Lee J. Cobb, Carolyn Jones, George Peppard, Richard Widmark, Walter Brennan, Agnes Moorehead, Russ Tamblyn e Thelma Ritter. O filme teve quatro diretores diferentes e é narrado por Spencer Tracy. Ufa! 
A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in 80 Days (1956): David Niven e seu assistente Cantinflas topam uma aposta de dar a volta ao mundo em menos de três meses. No caminho eles resgatam Shirley MacLaine e encontram os ilustres Frank Sinatra, Marlene Dietrich, Peter Lorre, George Raft, John Carradine, Buster Keaton e Hermione Gingold. São centenas de extras, mais ou menos famosos.


A Maior História de Todos os Tempos / The Greatest Story Ever Told (1965): Um épico bíblico com Max Von Sydow no papel de Jesus Cristo, Dorothy McGuire como Maria, Charlton Heston como João Batista, além de Carroll Baker, Marin Landau, Van Heflin, Angela Lansbury, Pat Boone, Sal Mineo, Sidney Poitier, John Wayne, Claude Rains, Telly Savalas e Shelley Winters.

Assassinato no Expresso do Oriente / Murder at Orient Express (1974): São muitos os suspeitos do assassinato do Sr Cassetti, ou melhor, Ratchett, nesta adaptação do romance de Agatha Christie. Alguns dos investigados são Ingrid Bergman (ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), Anthony Perkins, Lauren Bacall, Sean Connery, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave e outros. Albert Finney dá vida ao detetive Hercule Poirot.

Era uma Vez em Hollywood / That’s Entertainment! (1974): Em formato de documentário, este alegre filme comemora os 50 anos da MGM, estúdio que começou (feliz coincidência!) com Ben-Hur, em 1925. Apresentado por Gene Kelly, Frank Sinatra, Fred Astaire, Elizabeth Taylor, Mickey Rooney, Liza Minneli, Bing Crosby, Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Peter Lawford e James Stewart; conta ainda com dezenas de outras estrelas nas sequências mostradas. Sucesso de público, deu origem a uma trilogia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Navegando com as estrelas clássicas

Baseado em um post da Lorena do blog Burburinho de Outrora sobre o TCM Classic Film Festival

O canal TCM americano está organizando um evento que promete ser o plano de férias perfeitas para qualquer cinéfilo: um cruzeiro com o tema cinema clássico! De 8 a 12 de dezembro, partindo de Miami e chegando a Cozumel (México), o cruzeiro será uma experiência inesquecível que contará com a exibição de diversos clássicos e a ilustre presença de apresentadores do TCM americano e alguns atores remanescentes da velha Hollywood.
Ernest Borgnine
Entre os filmes exibidos, os destaques ficam por conta de “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935), dos irmãos Marx, com uma sequência antológica e muito divertida envolvendo uma multidão espremida em uma cabine de navio; “Tarde Demais para Esquecer / An Affair to Remember” (1957), um romance com Cary Grant e Deborah Kerr, que será exibido à beira da piscina. Outras atrações são “Key Largo” (1948), com o casal Humphrey Bogart e Lauren Bacall, exibido durante a passagem do navio pela cidade homônima na Flórida, e “Speedy” (1928), filme mudo estrelado por Harold Lloyd com acompanhamento musical da (banda de três músicos) Alloy Orchestra. Um luxo!
Será que vai ser assim?
 Os anfitriões do canal TCM, Robert Osborne e Ben Mankiewicz, serão responsáveis pelo comentário antes das atrações e servirão como mediadores para esperadas conversas. Entre os convidados mais que especiais estão as duas loiras geladas hitchcockianas sobreviventes, Tippi Hedren (estrela de “Marnie” e “Os Pássaros”, este a ser exibido no evento) e Eva Marie Saint (protagonista de “Intriga Internacional”), que falarão sobre suas memórias de trabalho com Hitchcock, além do simpático nonagenário Ernest Borgnine, convidado para um bate-papo.    
Eva Marie Saint
Outras atrações bem divertidas incluem a exibição de “Casablanca” (1942) em uma noite temática de gala e um baile elegante como mostrado no filme “Ritmo Louco / Swing Time” (1936). Além, é claro, de todas as mordomias possíveis em um luxuoso navio. É muita coisa para se fazer em apenas quatro dias!
Milhões de fãs ficaram animados com a notícia do evento. Em poucas semanas todos os lugares esgotaram e muita gente ficou a ver navios. A lista de espera já é enorme e certamente esta incrível viagem aparecerá na lista de desejos de inúmeros cinéfilos mundo afora. Todo mundo que adora filme não perderia essa oportunidade. Você perderia?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Western, John Wayne e a guerra dos sexos


Com a expansão de um novo nicho literário e cinematográfico chamado “chick lit” (os famosos livros e filmes “de mulherzinha”) muitos se voltam para o sexo oposto e tentam redefinir o mercado de entretenimento para atrair o público masculino. Nesse ínterim, filmes de guerra e ação são presença garantida. Mas sem dúvida o gênero masculino por excelência é o western, ou faroeste, e seu astro-símbolo é o durão John Wayne.
Ambientados em terras sem lei, os westerns mostram um curioso mundo onde, por mais difíceis que sejam as condições de vida impostas pelo meio, há sempre um código de ética seguido pelo cowboy. Aparentemente frio e calculista, talvez até negligente à primeira vista, um bom mocinho de faroeste só atira quando é estritamente necessário e não mede esforços para salvar uma donzela em apuros.
O western é um gênero norte-americano por excelência e cheio de testosterona. Com histórias passadas em uma época em que as mulheres tinham pouco ou nenhum papel social, são os homens devidamente adereçados com botas, esporas e chapéus que têm destaque. A mulher é normalmente a cantora do saloon, a cozinheira da estalagem, a mulher ou filha do protagonista ou a moça indefesa que deve ser salva. O duelo, a troca de tiros, toda a bebida consumida: partes de um mundo extremamente masculino, talvez perigoso demais para as mulheres. O exemplar do gênero que subverte essa ordem, presente inclusive na sociedade mundial de 1950, é “Johnny Guitar”, protagonizado por duas mulheres fortes e decididas, interpretadas por Joan Crawford e Mercedes McCambridge, que ofuscam o elenco masculino.
 Os westerns mais antigos não são muito violentos. Apesar do constante tiroteio e lançamento de flechas, os conflitos não derramavam muito sangue. Sempre contando com personagens cômicos ou pouco corajosos, é verdade que esses filmes tinham na batalha seu clímax, mas jamais impressionavam as plateias. Com o Código Hays vigente, sangue e sexo eram temas proibidos. Corpos dilacerados só passariam a ser exibidos à exaustão a partir dos anos 1960, quando os westerns se tornaram menos coloridos e mais sombrios. E dsagradaram seu mais famoso protagonista.
Nascido Marion Morrison (uhm, Marion, um nome feminino! Vejam só!), John Wayne personifica o ideal de homem durão, apesar de, segundo relatos, ter pés e mãos bastante delicados. Seu andar hesitante, porém firme, sua voz grossa e seu 1,93m de altura tornaram-no um perfeito mocinho de westerns. Durante sua longa carreira, John protagonizou 142 filmes, fez par romântico com Maureen O´Hara em várias ocasiões, disparou inúmeros tiros, matou muitos vilões e, é claro, morreu algumas vezes.
 Tendo seu trabalho creditado desde o início da década de 1930, Wayne foi um dos poucos que sobreviveu fazendo filmes até a década de 70. Seus contemporâneos do início da carreira foram morrendo ou migrando sem sucesso para a televisão, mas John, firme e forte, se manteve como um dos atores mais bem pagos até 1974, cinco anos antes de morrer de câncer de pulmão. De espírito e ideias conservadores, ele repudiava a nova safra de filmes cheios de violência.
John sabia atirar na hora certa, provocar um fora-da-lei, derrubar um homem com um soco e ainda ser charmoso para conquistar as garotas. Sabia também quando tomar o crédito para si e quando deixar que outros levem o crédito, o que acontece em “O Homem que matou o Facínora / The Man Who shot Liberty Valance” (1962). Sabia quando deveria lutar por um amor, como em “Depois do Vendaval / The Quiet Man” (1952). Sabia liderar tropas e fingir que acreditava nos mais lunáticos comandantes até decidir a hora certa de se rebelar, o que faz com Henry Fonda em “Sangue de Herói / Fort Apache” (1948).
Cheios de virilidade, os heróis do western talvez despertem uma fantasia masculina que mistura sobrevivência às agruras do meio, aventuras emocionantes, conflitos justos como forma de resolver pendências, e, é claro, uma bela moça a ser conquistada. Mais do que virar herói de guerra matando centenas de inimigos ou mocinho que salva a mocinha da torre do castelo, é esse o ideal máximo para boa parte dos indivíduos que possuem cromossomos XY. Isso não impede, obviamente, que as mulheres também apreciem os westerns. Mesmo em menor número, é bom ressaltar que há várias fãs entusiasmadas dos filmes de bang-bang. Só que talvez elas não queiram ser como John Wayne. Para isso, felizmente há personagens como as de Joan e Mercedes na produção de 1954: para mostrar que o Velho Oeste não era terra só de machões.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Alta Sociedade / High Society (1956)

É preciso um trio de peso para fazer frente aos protagonistas da primeira versão da história, levada às telas em 1940 com o título “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story”: Katharine Hepburn, James Stewart e Cary Grant. O elenco foi, de fato, esplêndido: Grace Kelly, Frank Sinatra e Bing Crosby. Embora charmosos ao extremo, eles não conseguiram chegar ao nível das três lendas das décadas de 30 e 40, embora façam um espetáculo digno de nota.
A socialite Tracy Lord (Grace) está prestes a trocar alianças pela segunda vez. Seu casamento é de interesse público, por isso dois repórteres (Frank e Celeste Holm) são enviados para cobrir a cerimônia contra a vontade da noiva. O charme do personagem de Frank, Mike Connor (interpretado por James Stewart no original), desperta a paixão de Tracy, que tem mais alguns empecilhos: o ex-marido C. K. Dexter Haven (Bing aqui, Cary Grant em 1940) e sua irmãzinha palpiteira Caroline (Lydia Reed). Tracy fica dividida entre Dexter, Mike e seu futuro marido que, de longe, é o que tem menos chances de conquistar o coração da moça.
Frank e Bing emprestam todo seu carisma e suas belas vozes para dar um toque todo especial aos seus galantes personagens, chegando muito perto das interpretações de Stewart e Grant, igualmente adoráveis, mas nem um pouco afinados. Veja e ouça, por exemplo, como James Stewart entoa “Over the Rainbow” na versão original, bêbado e carregando Kate Hepburn no colo.
A música e o colorido são grandes destaques, pois não estavam presentes na primeira versão. Com músicas de Cole Porter que ajudam a dar fluidez à trama sem atrapalhá-la, o filme abusa dos talentos musicais. Além de Crosby e Sinatra, há a ilustre presença de Louis Armstrong, um gigante da música americana que interpreta a música homônima ao filme. Fica a cargo de Bing a romântica “True Love” com Grace e Sinatra brilha em um dueto com Celeste Holm no empolgante número “Who wants to be a millionaire”. 

A interpretação de Grace Kelly, de malas prontas para tomar seu posto como princesa de Mônaco, tem várias falas e momentos idênticos aos de Hepburn. Usando seu real anel de noivado, ela assume um papel pensado inicialmente para Elizabeth Taylor. É a segunda vez que ela trabalha com Bing Crosby, tendo sido a primeira o filme pelo qual ganhou seu Oscar, “Amar é Sofrer / The Country Girl” (1954). Elegante e bela como sempre, Grace não consegue, no entanto e em minha humilde opinião, se aproximar da performance de Katharine. Ambas viveram de certo modo a realidade de Tracy Lord, mas é a ruiva que incorpora melhor sua personalidade (ou talvez lhe empresta sua própria personalidade?).   
A história surgiu como uma peça de Philip Barry e foi estrelada nos palcos da Broadway por Katharine Hepburn, que comprou os direitos da peça e mais tarde vendeu-os para a MGM com a condição de que ela fosse a protagonista, tornando o filme de 1940 o pontapé inicial para o renascimento de sua carreira. Neste ano o filme levou os prêmios Oscar de Melhor Roteiro e Melhor Ator para James Stewart. Com diálogos afiados, talvez o original seja de fato bem superior ao seu remake, mas justiça seja feita: “Alta Sociedade” é entretenimento de altíssima qualidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Myra & Anna Karenina: de Tolstoi à Ponte de Waterloo

Recentemente, assistindo à versão de 1997 de “Anna Karenina”, reportei-me a dois filmes clássicos. Um deles foi “Doutor Jivago / Dr. Zhivago” (1965), devido à paisagem russa coberta de neve. O outro foi “A Ponte de Waterloo / The Waterloo Bridge” (1940), por conta do final em comum. Se o destino da aristocrata Anna e da bailarina Myra se cruzam, não podemos dizer o mesmo de suas trajetórias. Afinal, como duas personagens tão diferentes vieram a ter o mesmo desfecho?
Myra é uma bailarina inglesa que tem sua vida mudada durante a Primeira Guerra Mundial. Durante um bombardeio, ela conhece Roy Cronin (Robert Taylor), um militar que está de folga. Eles vivem dias apaixonados entre espetáculos de balé e bailes elegantes, até que o sossego do casal é interrompido pelo conflito. Myra promete esperá-lo, mas sua vida não está fácil. Depois de ser expulsa do grupo de balé ao ir se despedir de Roy e chegar atrasada ao espetáculo, ela e a amiga Kitty (Virginia Field) afundam cada vez mais. É quando recebe seu maior golpe: a notícia da morte do amado. Deseperada e desiludida, ela vê como única saída tornar-se garota de programa para sobreviver.

Anna Karenina é uma mulher da elite russa, casada e com um filho, que se apaixona pelo charmoso conde Vronsky. Ela não disfarça sua paixão e passa a ser muito malvista pela sociedade conservadora e hipócrita e, ao se divorciar, tem a guarda de seu filho tomada pelo marido. Indo viver com o amante e sofrendo um aborto, ela fica viciada em ópio e vê seu amado cada vez mais preocupado com a carreira e o trabalho, deixando-a de lado.
Anna e Myra sofrem e morrem por amor, cada uma a seu modo. Anna é passional em suas atitudes e não tem vergonha de demonstrar seus sentimentos. Myra só toma uma decisão drástica ao pensar que lhe aconteceu uma tragédia e se envergonha do caminho que sua vida tomou. Anna é condenada por ter encontrado o amor de sua vida e ido para junto dele, abandonando tudo: sua sanidade, sua família, sua saúde. Myra inicia sua derrocada após pensar ter perdido o homem que amava e agarra-se ao único trabalho possível porque já não tem mais nada para abrir mão.
“Anna Karenina” foi publicado entre 1873 e 1877. Sua primeira livre adaptação para o cinema aconteceu em 1927, intitulado “Love”, estrelando Greta Garbo e John Gilbert. As demais adaptações são mais fiéis ao original. Seguiram-se ‘Annas Kareninas’ em 1935, com Fredrich March e novamente Garbo, em 1948, com (surpresa!) Vivien Leigh e Ralph Richardson, e 1997, com Sophie Marceau e Sean Bean. Há boatos de que uma nova versão está sendo produzida, com Keira Knightley no papel-título.
“A Ponte de Waterloo” surgiu como uma peça de teatro da autoria de Robert E. Sherwood, sendo adaptada pela primeira vez para o cinema em 1930, com Mae Clarke no papel principal, contando ainda com Bette Davis fazendo uma ponta. E, vejam só, há duas telenovelas brasileiras homônimas, feitas em 1959 e 1967 pela TV Tupi.
Unidas por seu trágico destino, Myra e Anna foram, coincidentemente, interpretadas por Vivien Leigh em tempos mais hipocritamente puritanos, em que uma mulher peca e é, automaticamente, condenada. Seja como a aristocrata russa, a malfadada bailarina inglesa ou (não dá para não citar) a mimada mocinha sulista, Viv empresta seu charme e seu talento para dar vida a personagens tão tragicamente cativantes.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Charada / Charade (1963)

Romance, comédia, aventura, suspense, mistério, tudo ao mesmo tempo agora! É isso que é “Charada”, um filme instigante do começo ao fim, estrelado por duas das mais charmosas criaturas que já apareceram no cinema: Audrey Hepburn e Cary Grant.
Audrey é a rica e elegante Regina Lampert, que descobre logo no início que seu marido foi assassinado e alguns de seus ex-colegas de trincheira estão atrás de uma fortuna roubada por eles durante a Segunda Guerra Mundial. Sem saber o paradeiro do dinheiro, mas ainda assim correndo perigo, ela contará com a não muito confiável ajudo de Peter Joshua (Grant), um homem que troca de identidade como quem troca de roupa. 
O filme começa com psicodélicos créditos feitos pelo sempre criativo Saul Bass, bem anos 1960, ao som de “Charade”, composta por Henry Mancini. Logo de cara, um corpo é jogado para fora de um trem. Depois de um corte, vemos, num momento de tensão, Audrey ameaçada por uma arma de fogo que logo se revela ser apenas um brinquedo que espirra água. Daí já sabemos o que se pode esperar do filme: muitas surpresas e reviravoltas.
A direção fica por conta de Stanley Donen, mais conhecido por seu trabalho junto a Gene Kelly em “Um dia em Nova York” e “Cantando na Chuva”, entre outros. O diretor dá ao filme toques de suspense hitchcockiano, aproveitando-se da presença de Grant, que já trabalhara com o mestre do suspense em algumas ocasiões (“Interlúdio”, “Ladrão de Casaca”, “Intriga Internacional”). Stanley também faz uma ponta, não com o corpo, mas com a voz, dublando o homem que sai do elevador. No entanto, as seguidas surpresas no andamento do filme dão a esse falso clima de mistério uma ironia fina, só conseguida na época dourada da sétima arte.

Ironia e elegância que muito se devem ao casal protagonista. Imaginados antes como Natalie Wood e Warren Beatty, Regina e Peter não podiam encontrar intérpretes mais carismáticos que Audrey e Cary. Além de usarem belas roupas, os dois atores têm uma química única. Cary Grant, a princípio, ficou preocupado em interpretar, aos 59 anos, um homem que se envolve com uma garota como Audrey, na época com 33 anos. Por isso o roteirista Peter Stone fez com que as falas mais sugestivas passassem para ela, dando a entender que a jovem Audrey é que se interessara por ele. O resultado agradou a todos. Cary Grant disse, inclusive, que tudo o que queria de Natal era fazer outro filme com Audrey, desejo que, infelizmente, Papai Noel nenhum conseguiu realizar.  
Hepburn volta neste filme a trabalhar com velhos conhecidos: o compositor Henry Mancini, o estilista Givenchy, o diretor Stanley Donen (que fez “Cinderela em Paris”) e a própria Cidade Luz. No mesmo ano a atriz filmou “Quando Paris alucina”, mesclando, mais uma vez, seu charme com a magia parisiense.
Entre danças com laranjas, banhos com roupas, perseguições malucas e lutas no telhado, o casal esbanja sintonia. Mas não podemos nos esquecer de que nem só de protagonistas vive uma película: aqui também os coadjuvantes são destaque, a exemplo de Walter Matthau e James Coburn.
Talvez um pouco esquecido, mas ainda assim muito divertido, “Charada” está em domínio público, pronto para ser redescoberto por milhares de cinéfilos, amantes de moda, boa música, suspense, comédia e romance. Em suma, um filme para agradar a todos!
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