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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Centenário de Mazzaropi

Era uma entediante tarde de domingo, há MUITOS anos (se é que se pode dizer “há MUITOS anos” quando se tem apenas 18 de idade) e eu decidi assistir a um filme que estava começando. O artista era Mazzaropi, sobre quem eu já havia lido em um almanaque. Não lembro o nome do filme, sequer o enredo, mas a lembrança do riso ficou. Riso compartilhado com milhares de outras pessoas que tiveram a sorte de vê-lo na tela grande e que também não esqueceram a comicidade deste artista cujo centenário será comemorado em breve.
Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo em 9 de abril de 1912, filho de um italiano com uma descendente de portugueses, e recebeu o mesmo nome do avô, Amazzio. Mas seria o outro avô sua maior inspiração, pois era tocador de viola e dançarino. Os pais passaram a trabalhar em uma companhia de tecelagem em Taubaté, onde ele mais tarde também trabalharia. Era bom aluno, sempre declamava poemas em festas escolares e foi aos 10 anos, num monólogo, que pela primeira vez interpretou um caipira.
Assim como outros astros do cinema brasileiro, Mazzaropi começou no circo, juntando-se a uma trupe aos 14 anos e contando piadas entre as apresentações de um faquir. Três anos depois, ele se viu obrigado a voltar para casa sem emprego, mas a efervescência trazida pela Revolução de 32 reacendeu sua vontade de atuar. Não demoraria para que ele transformasse o mais famoso grupo itinerante do interior de São Paulo, a Troupe Olga Crutt, na Troupe Mazzaropi, inclusive levando seus pais para trabalharem com ele.
Quase dez anos depois, Mazzaropi recebeu boas críticas por sua peça “Filho de sapateiro, sapateiro deve ser”. Com o sucesso veio em 1946 o convite para o programa Rancho Alegre, da Rádio Tupi, em que ele contava piadas e cantava ao som de uma sanfona. Só na primeira semana, ele recebeu 2000 cartas de fãs, que lotavam os espetáculos que ele fazia pelo país.
Mazzaropi teve o privilégo de se apresentar na estreia da TV Tupi tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, respectivamente em 1950 e 1951. Seu programa Rancho Alegre seria a primeira atração da televisão brasileira a contar com um patrocinador.
Ao contrário de tantos outros artistas, o cinema foi o último território a ser desbravado por Mazzaropi. Em 1951 ele assinou contrato com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde faria seus três primeiros filmes, passando por diversas outras produtoras até fundar a sua própria em 1958: Produções Amácio Mazzaropi, a PAM Filmes. Para produzir as primeiras películas, ele vendeu tudo o que tinha. Valeu a pena: fez mais sucesso, ganhou seu próprio programa de variedades e comprou uma fazenda para construir seu estúdio.
Em 1960 ele fez o filme Jeca Tatu, repetindo o papel de caipira em mais nove produções. No mesmo ano estreia na direção, com “As aventuras de Pedro Malasartes”. E o pioneirismo não parou por aí: “Tristeza do Jeca”, do mesmo ano, seria o primeiro filme nacional colorido em Eastmancolor, tendo sido editado no México. E, por fim, em 1973 sairia o primeiro de seus dois filmes rodados no exterior: “Um caipira em Bariloche”.
Mazzaropi ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Seu filme “No paraíso das solteironas” rendeu, em um ano, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros. Rodou um filme autobiográfico, “Betão ronca ferro”, em 1970, e dois anos depois se encontrou com o presidente Emílio Garrastazu Médici, pedindo maiores verbas para o cinema brasileiro. Ele se encontraria com mais dois presidentes, sempre falando sobre a sétima arte.
Sucesso garantido
O artista nunca se casou, mas, segundo alguns depoimentos, criou ao longo de sua vida cinco meninos, embora em algumas biografias conste que ele teve apenas um filho adotivo, de nome Péricles. Mazzaropi faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos, de septicemia (infecção generalizada), dois anos antes da morte da mãe. Fez ao todo 32 filmes e contracenou com grandes nomes, como Hebe Camargo, Odete Lara, Luís Gustavo e Tarcísio Meira, tendo estes últimos estreado sob a tutela do mestre. Ensinou gerações a rirem com sua personagem caipira, mas na vida real era ambicioso, perspicaz e gostava de se vestir com elegância. Caipira esperto, uai!  

18 comentários:

Marcelo C,M disse...

Os filmes de Mazzaropi, foram os primeiros filmes que eu assisti em 1995, quando meu pai comprou o primeiro VHS.
Nunca me esquecerei das sessões.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Conheci o Mazzaropi na tevê. Fiquei impressionado. Um humor ingênuo e hilário.

O Falcão Maltês

Nadine Granad disse...

Aaaaaaa

Adorei!!!

Excelente lembrança!

Beijos =)

Carmen disse...

Adorei seu blog, voltarei muiiiiitas vezes em busca de bons filmes! Bacana lembrar-se do Mazzaropi, grande artista, assiti muitos filmes dele por influência de meu vô. Parabéns!!!

Grande beijo,

Carmen

RedApple Pin-ups disse...

Muito me admira esses 18 aninhos,
seu bom gosto é surpreendente!

Sempre ótimas dicas por aqui Lê!!!

Bjos
Amanda Fernandes
www.redapplepinups.blogspot.com

Kamila Sensei disse...

Oi Lê!
Que bom que gostou do meu blog. Eu também confesso que tenho uma queda pelos vilões. Ganhar eu sei que é difícil, mas eu adoro essas batalhas infindáveis. Obrigada pela visita e espero que volte mais vezes.
E põe caipira esperto, heim? Quando a pessoa faz o que quer e gosta, dá nisso. Não sabia que ele que havia feito a música "Tristeza do Jeca" (eu a toco bastante ^^), na verdade, não conhecia nada a respeito dele. Depois de ler seu texto, me interessei muito. Ele conquistou muita coisa, e aposto que não vai nos decepcionar com todo seu trabalho e esforço. Pena que já partiu.
Abraços
http://suinguken.blogspot.com.br/

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Lê parabéns por se lembrar e por prestar esse maravilhoso tributo a nosso Chaplin do Brasil. Gosto muito de Mazzaropi, como todo mundo também conheci seus filmes muuuuuito antes de sonhar em ser fã do cinema clássico. Lembro-me que em 1991 eu com pouco mais de sete anos fui ao cinema com meus pais, (um extinto cinema de minha cidade, enorme e que foi demolido anos depois)eles foram ver UM CAIPIRA EM BARILOCHE, na ocasião se comemorava aniversário da morte do ator. Eu claro dormi o filme todo, sei que era esse pois anos mais tarde minha mãe me lembrou.
É Lamentável porém que no Brasil não existam empresas ou empresários dispostos a remasterizar esses filmes tão importantes da nossa cultura, não irá muito tempo e eles acabaram desaparecendo, feliz de quem tem suas cópias originais em casa, bem guardadas...

Parabéns pelo post,ótimo como sempre..

Grande abraço

Leonardo disse...

Olá! Obrigado pela visita :D
Gostei muito do conteúdo do seu blog, vou seguir e passar aqui de vez em quando.
Eu lembro de ter visto vários filmes do mazzaropi quando era criança, pois meu pai assistia. A algum tempo atras eu ja tinha lido um pouco sobre a história dele, mas nos ultimos tempos acabei não assistindo nenhum dos seus filmes. Preciso pegar alguns pra ver. A lembrança que eu tenho dele é de ser realmente um cara muito engraçado.
Até mais, beijO

Rubi disse...

Lê, mas que post fantástico!
Eu sempre gostei muito do Mazzaropi, e fui influenciada por meu bisavô, que vez ou outra me contava sobre os filmes e cantarolava as suas canções. O primeiro filme que vi foi Sai da Frente, mas de todos, Tristeza do Jeca é o meu Preferido.

Parabéns pelo post!

intratecal disse...

Ta aí uma falha no meu currículo cinematográfico... preciso ir atrás.

Belo texto!

Ruby disse...

Tinha um canal que passava os filmes do Mazzaropi, não lembro, era criança, mas eram, divertidos! Acho que deveria ser mais lembrado.

Gabriel França disse...

Não o conhecia porque não sou dessa época, nasci em 1996! Mas adorei conhece-lo em seu post.

Mary disse...

olá amiga letícia, adorei sua visita em meu blog, não podia deixar de retribuir e vir conferir teu blog tb.. adorei tudo, tb adoro filmes, assisto de tudo, mas confesso que os filmes mais atuais não costumam ser meus prediletos, os melhores filmes pra mim, pararam na década de 90, hehehe.. alguns amigos reclamam do meu gosto, mas não consigo mudar..

não cheguei a assistir nenhum filme completo do Mazzaropi, mas minha mãe sim, vários e vira e mexe conta alguma história que viu em algum filme.. lendo teu post agora me deu a maior vontade de procurar alguns filmes pra assistir, farei isso essa semana.. a história de Mazzaropi é mesmo bastante interessante..

bjos mil e ótima semana..

silentbeauties disse...

Adoro filmes clássicos e tb fico bastante feliz em encontrar mais uma fã. Meu foco no blog é mais os filmes mudos, mas tb adoro os clássicos em geral. Esses filmes ajudam muito a entender a cultura de massas de hoje em dia. Certos personagens, como Betty Boop e o Gato Félix ainda estão em nosso imaginário. E não dá para deixar de notar a influência da grande Clara Bow sobre Betty.

M. disse...

MUito legal! Mazzaropi deixou um legado para o cinema nacional. Como ele, só ele mesmo.

Kamila Sensei disse...

Olá Lê!
Que bom que gostou do poema. Ah, e vc tem meu total apoio e insentivo para escrever. É um caminho muito bom a ser seguido. Quanto ao sentido do livro, não se preocupe, pelo que penso, acho que os livros ficam felizes ao serem lidos ao menos uma vez. No caso do poema, eu quis transpassar que ninguém ainda se interessou em ler minha história, como se eu fosse o livro, isso num âmbito romântico. Se vc já leu seus livros, com certeza eles não se sentirão só.
Abraços
http://suinguken.blogspot.com.br/

Gilberto Carlos disse...

Adorava o Mazaroppi. Vi quase todos os seus filmes. Ele era o mais autêntico de nossos caipiras e até hoje não encontrou um substituo à altura.

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog!

Gostaria de recomendar entre os filmes do Mazzaropi que assistam "As Aventuras de Pedro Malasartes". É maravilhoso, considerado por muitos sua obra prima. Nele ele funde as tradições folclóricas europeias e brasileira mesclando a problemas que o Brasil atravessava *e ainda atravessa*, como a relação desigual entre as classes sociais e a falta de acesso da juventude a educação pública de qualidade. Um clássico, dos melhores do cinema nacional. Ele está completo neste link http://www.youtube.com/watch?v=2TLUgKg78Q0

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