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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um dia nas corridas / A day at the races (1937)

Como um cavalo pode ajudar a salvar um sanatório? Ganhando uma importante corrida. E se os envolvidos nessa corrida forem um trio tão maluco quanto os divertidos irmãos Marx?
O médico veterinário Hugo Z. Hackenbush (Groucho Marx) é chamado para trabalhar como médico psiquiatra (!) no sanatório de Judy (Maureen O’Sullivan), que está à beira da falência. Na instituição o caso mais grave é o da senhora Emily Upjohn (Margaret Dumont), uma rica mulher que aparentemente não sofre de doença alguma. E é esse o problema: ela quer que os médicos encontrem algo errado nela e Judy também deseja que isso aconteça, ou vai perder sua mais rica paciente. O namorado de Judy, o cantor Gil (Allan Jones) é dono do cavalo Hi-Hat, que se torna a grande esperança quando surge uma corrida com um bom prêmio. Stuffy (Harpo Marx) será o jóquei.
Este segundo filme deles na MGM repete uma tendência vista no primeiro: a inserção de um romance e números musicais em meio à anarquia dos irmãos. A saída de Zeppo do grupo deixou espaço para que fosse inserido um personagem menos maluco, papel aqui de Allan Jones, que também atuou e cantou em “Uma noite na ópera” e “Show Boat” (1936).

Mesmo antes de “Uma noite na ópera / A night at the opera” (1935) chegar aos cinemas, os roteiristas da MGM já estavam trabalhando neste filme. Depois de serem escritos 18 roteiros, finalmente o produtor Irving G. Thalberg permitiu que a produção começasse. Mas, duas semanas depois, ele faleceu aos 37 anos, causando caos no estúdio e selando o destino dos Irmãos Marx, que eram como protegidos dele. Groucho chegou a afirmar que com a morte de Irving ele perdeu a vontade de fazer filmes.  
A corrida de cavalos é o clímax do filme, e uma longa e divertida sequência se passa no jóquei clube: quando Chico passa uma mensagem em código para Groucho, de modo a ajudá-lo a ganhar dinheiro apostando nas corridas. No entanto, quem fica um pouco mais rico ao longo da cena é Chico, que vende vários livros para Groucho decifrar o código que ele havia lhe dado.

Meu favorito entre os irmãos sempre será Groucho, que tem excelentes momentos e frases hilárias. Com um raciocínio que me causa inveja, ele sempre pensa numa resposta para sair das mais complicadas situações. E olhe que o estúdio teve de enfrentar uma dessas situações: no início da produção, o nome da personagem de Groucho era Dr. Quackenbush. No entanto, havia 37 veradeiros doutores Quackenbush que podiam processar a MGM, que teve de mudar o nome da personagem. Groucho acabou por gostar da mudança, tanto que até assinava cartas como Hugo Z. Hackenbush de vez em quando.
No filme há bons momentos de Chico e Harpo, em especial durante o grande concerto de Gil, em que eles fazem uma grande confusão. Numa das melhores cenas cômico-musicais, Harpo vai destruindo um piano até transformá-lo em uma harpa. A MGM, berço dos maiores musicais do cinema, inclui números musicais longos no filme. O segundo deles conta com uma multidão de negros, incluindo a então desconhecida Dorothy Dandrige. Anos depois, esta sequência foi cortada para a exibição do filme na televisão, devido ao racismo.
É o mais longo filme dos irmãos Marx, embora não chegue nem às duas horas de duração. Foi também a única produção deles a receber uma indicação ao Oscar, de Direção de Dança, sendo que 1938 foi o último ano em que existiu esta categoria. E para completar as honras, foi o filme dos irmãos que arrecadou mais dinheiro da bilheteria: quatro milhões de dólares.
Provando o que Chico disse no filme anterior, de que não há cláusula de sanidade (“There ain’t no sanity clause!”) também no cinema, os irmãos fazem mais uma comédia inspirada e divertidíssima, terminando o filme com uma frase que logo se tornaria antológica na história cinematográfica: “Tomorrow is another day.”. 

This entry is part of the very first Horseathon, hosted by the lovely Page at My Love of Old Hollywood

19 comentários:

Ohanninha disse...

Hey Lê, sou a blogueira do Cherry Blow. Como você pediu, passei por aqui e adorei! Amo cinema. Também amo Glee e sou de Poços de Caldas *-*

Obrigada pela visita e pelos elogios. Beijinho beijinho.

http://cherry-blow.blogspot.com.br/

silentbeauties disse...

Nossa! Eu amo os irmãos Marx, meu filme favorito deles é Uma Noite Na Ópera. Impressionante como os filmes deles são leves e dá vontade de ver um atrás do outro e como eles sempre distraem, não importa o quanto são antigos. Infelizmente não assisti muitos filmes deles ainda, mas ando bem interessada nos filmes americanos da década de 30, principalmente os "pre codes" e as comédias. Assim que der pretendo começar a assistir, vale muito a pena.
Parabéns pela pesquisa, como sempre seu post foi ótimo e nos ajuda a conhecer melhor a era clássica.

Page disse...

Le,
You can tell that A Day at the Races is one of your favorite Marx Brother films as you've written a very heartfelt review on it.
I get the giggles just reading "Harpo would be the jockey!" The piano scene is great isn't it?
I love that you've included so much backstory/trivia on this classic.

Thanks so much for signing on for my Horseathon Le. I'm honored.
Page

Gilberto Carlos disse...

Nossa, que vergonha... Nunca assisti a nenhum filme com os irmãos Marx. Eles parecem ser muito engraçados!

As Tertulías disse...

Os irmaos Marx sao um clássico. Adoro este filme e acima de tudo Groucho! Ele simboliza TUDO de bom e comico no Americano e no Cinema ("I'd hate to belong to a club that'd accept me as a member!"). Amo MESMO!!!!!! Foi bom voce me lembrar deste filme - amanha vou reve-lo... ou no feriado de segunda-feira! Beijos

FlickChick disse...

Horses and Groucho just seem to go together! I really like this film - besides the brothers, it has a great supporting cast. Great post!

whistlingypsy disse...

Hi Leticia, may I begin by saying how nice it is to see you are part of the horseathon. I remember enjoying your contribution to the dogathon in February, “A Dog’s Life” with Charlie Chaplin. I’m a huge fan of The Marx Brothers and I have seen “A Day at the Races”, as well as their other films, too many times to count. The backstory on Irving Thalberg and the brothers’ admiration for him is important in understanding their careers and touching insight into their lives. I couldn’t have imagined a horse race would make a good subject for a comedy, but The Marx Brothers proved any scenario is hilarious with their inspired anarchy.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

uma comédia super divertida. Adoro a irreverência dos irmãos Marx.

O Falcão Maltês

Hugo disse...

Os irmãos Marx eram sensacionais.

Este é um dos filmes que ainda vi.

Abraço

Tsu disse...

Oi Lê!
Hey, esse filme parece mesmo ser bem engraçado! Fiquei super interessada.
Valeu por ter curtido meu Top 7 musical! Sim, há sempre músicas que realmente fazem a trilha sonora de nossa vida...e quando uma música nos ensina algo como foi o seu caso, melhor ainda! Eu tinha uma música que era relacionada com uma pessoa do passada que foi uma confusão ahsahs chamava-se Tainted Love do Soft Cell.
]bjs

Meire disse...

Oi Lê,

conheço pouco os irmãos Marx, sou doida com os três patetas e o gordo e o magro.
Gostei de saber mais sobre eles.

bejim.

Mary disse...

já li bastante críticas e comentários bons sobre os irmãos Marx, mas ainda não assisti nenhum filme deles.. pelo teu post já pude ter uma boa idéia dos filmes, agora vou ir atrás deles aqui em minha cidade, filmes antigos são complicados de encontrar, mas acho que valerá a pena.. amei as dicas.. beijos mil amiga e ótima semana..

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Olá.

O melhor destes filmes,
é ver que o seu sucesso
dependia do talento
e não apenas
dos efeitos especiais.

Que os sonhos te acompanhem sempre.

Ivan G. Shreve, Jr. disse...

Leticia:

I found it so interesting that you decided to tackle A Day at the Races for the Horseathon in light of my taking the poor man's "Day at the Races" (though it's actually more like the homeless man's), Crazy Over Horses with the Bowery Boys. But Day at the Races is still the king--yeah, it's got a slow spot or two and those musical numbers are strictly from hunger...but the Marx Brothers' comedy is still incredible, featuring some of their greatest routines.

Iza disse...

Sabe que nunca assisti um filme dos irmãos Marx? Mas gostaria muito de assistir (infelizmente o único canal que passa filmes antigos na minha casa é o Telecine Cult). Lê, a dica já está anotada. Grande beijo e boa semana <3

RedApple Pin-ups disse...

Batendo cartão por aqui! Também não posso deixar de ver as suas dicas! ;)

Ah! O quadro da Marilyn Hoje foi feita com tinta óleo mesmo, só a aplicação que é feita em gotas.

Bjos
Amanda Fernandes
www.redapplepinups.blogspot.com

Rubi disse...

Sou suspeita pra falar dos irmãos Marx (tenho até meu favorito dos 4; o meu querido Groucho) e esse filme, sem dúvida alguma é um clássico indispensável.

*Quando puder, assista La Cabalgata del Circo, tenho certeza que vai gostar!

Beijos.

Cris •♥• disse...

E sim é a betty
linda néh
beijos

Rafa Amaral disse...

Os Irmãos Marx são malucos, anárquicos, maravilhosos, com aquela liberdade que a Depressão, por mais paradoxal que possa parecer, permitia. Valeu pela lembrança! Rafael cinemavelho.com

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