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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Amores de Estudante / College (1927)

No ano em que o cinema falado nascia, Buster Keaton foi para a faculdade. Isso não quer dizer que o ator de 32 anos desejava obter um diploma universitário porque já sabia que o som iria causar danos ao cinema mudo, mas sim que o enredo de mais uma de suas comédias brilhantes se passa em uma universidade.
O jovem Ronald (Keaton) está saindo do Ensino Médio e não escapa de passar vergonha nem na formatura. Após ter um problema com seu guarda-chuva, ele fica perto de um aquecedor e sua roupa encolhe, atrapalhando seu adorável discurso nerd, com o qual eu concordo, sobre como os livros são mais importantes que os esportes. Ao virar motivo de piada de todos, inclusive de Mary (Anne Cornwall), garota por quem ele está apaixonado, Ronald decide mudar seus planos. Ele vai para a mesma faculdade de Mary, trabalha para pagar os estudos e tenta virar atleta. Tudo sem sucesso, mas com muito humor.
Ronald não tem nenhuma habilidade que não seja intelectual. Muitas vezes sua inteligência e êxito nos estudos são citados, mas isso não faz com que ele fique mais de um dia em um emprego. No primeiro, como balconista de um bar, ele se atrapalha ao fazer malabarismos para preparar um refresco, e ainda tenta impressionar Mary, sem deixá-la saber que ele é funcionário do local. O outro emprego é como garçom num restaurante onde só trabalham negros. Para conseguir ser contratado, ele pinta o rosto e as mãos e, obviamente, essa sua estratégia não vai dar certo durante muito tempo.
Nos esportes Ronald também é um desastre. Ele tenta de tudo dentro da universidade: futebol americano, beisebol, corrida, lançamento de dardo e de disco, salto em altura e com vara. Surpreendo-me por eu própria saber os nomes de todos esses esportes e ser capaz de identificá-los na tela! Só quando Ronald conta sobre seus sentimentos para o “deão” (espécie de reitor) da universidade, interpretado pelo baixinho Snitz Edward, é que ele encontra, a conselho do próprio deão, um esporte perfeito: o remo.
Um “efeito especial” muito interessante é o slow motion presente na cena em que Buster é jogado para cima por seus colegas de faculdade e, em posse de um guarda-chuva, demora a cair. Enquanto está no ar, ele observa uma senhora gorda, de camisola, pela janela.
Sigo o estereótipo de que nerds não são bons em esportes. Educação física sempre foi, para mim, uma bobagem, uma chatice e uma tortura. Por isso me identifiquei em parte com a personagem de Keaton neste filme. Com certeza defendo os livros ao invés de elogiar os esportes e felizmente nunca tive de virar esportista para impressionar alguém. Isso, inclusive, me lembra do episódio da série The Big Bang theory, “The Rothman Desintegration”, em que, quando os físicos Sheldon (Jim Parsons) e Kripke (John Ross Bowie) são perguntados em que atividade eles são igualmente ruins, ambos respodem “esportes”.
Além do próprio Keaton, outro nome que me chamou a atenção nos créditos foi o de Florence Turner, a “Vitagraph Girl”. Logo que os estúdios de cinema nasceram, seus donos não creditavam os astros do filme, mas os ligavam a cada estúdio. Assim surgiu a primeiríssima estrela, a “Biograph Girl”, cujo nome verdadeiro era Florence Lawrence. Turner foi a resposta da Vitagraph e teve uma carreira interessante no cinema mudo, inclusive produzindo e escrevendo alguns curtas. Aqui, um de seus últimos trabalhos, ela aparece por pouco tempo como a mãe zelosa de Ronald. Curiosamente, Florence era apenas 10 anos mais velha que Buster Keaton.
Anos mais tarde, Keaton confessaria duas coisas sobre esta produção: James W. Horne, creditado como diretor juntamente com Buster, pouco esforço teve durante a realização da película. A segunda revelação foi que Buster usou um dublê para a cena, perto do final, em que ele salta com a vara para dentro de uma janela, em um dos raros momentos em que o comediante não fez ele mesmo uma de suas acrobacias perigosas.
Com intertítulos divertidos e um final curioso, “Amores de Estudantre” em muito se parece com “O Calouro / The Freshman”, filmado dois anos antes e protagonizado por Harol Lloyd. Feito como um veículo que agradasse ao público para compensar o fracasso do hoje cultuado “A General / The General”, o filme apostou na moda colegial da época, mas foi outro fracasso para Keaton. Neste penúltimo filme antes de “cometer o maior erro de sua vida” e ir para a MGM, Keaton mostra, mais do que nunca, seus dotes atléticos. E também como os nerds são legais desde 1920. 
“Amores de Estudante / College” está disponível no YouTube e no Internet Archive.

11 comentários:

Fê Falleiro disse...

oie!!
Eu adoro ele! Acho inclusive que ele é melhor do que o Chaplin, pois dá pra ver muita influencia dele nas criações do Claplin.
Bjoss ótimo post!

Iza disse...

Ai Buster Keaton era ótimo. Assisti esse filme com minha vó numa tarde de domingo: mais vintage impossível hehehehe. Achei o filme muito engraçado, além de baita clássico. Beijão pra você, Lê <3

ajanelaencantada disse...

Estranhamente nunca vi um único filme completo de Buster Keaton, e já vi quase todos os de Chaplin (curtas-metragens incluídas). Terei que colmatar essa falha. Quem sabe farei um ciclo no meu blog.

Cumprimentos pelo blog, vou seguir.

Tsu disse...

Oi Liza!
Estou meio por fora desses filmes clássicos...mas ainda irei ver!
Obrigada pelo comentário e elogio ao meu blog..e vamos trocando ideias!
bjs

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Ótima análise, Letícia!!
Seu texto me deixou com uma vontade enorme de ver este filme.
E assim como vc e o personagem de Keaton, eu também sempre fui nerd e na escola era péssima nos esportes. Sempre sobrava nos times pois ninguém me queria. Eu era muito ruim mesmo! rsrsrsrsrs!!!!
Bjinhos!
Dani

Regi disse...

Nossa, ficar sem internet é um desastre. Não que eu ligue muito para tecnologia, mas porque perco maravilhosos posts dos meus blogs preferidos.

Devo confessar que não conhecia o desenho citado em seu post anterior e que me chamou bastante a atenção, já que um dos meus próximos temas é falar justamente da Hana Barbera.

Sobre o Buster Keaton, minha lista com filmes dele aumentam cada dia mais. Agora que já vi os que queria do Harold Lloyd, pretendo acompanhar mais as (des)aventuras desse grande comediante. Até agora meu preferido é Sherlock Jr. Beijos.

Rubi disse...

Meu filme preferido do Buster. Claro que eu sou suspeita pra falar dele, mas em College, Keaton fez um trabalho brilhante. Uma comédia romântica que não envelhece. O desfecho desse filme me encanta profundamente, me emociono sempre. E a cracterística do Buster de permanecer sempre sério faz do filme algo ainda mais peculiar. Parabéns pela escolha Lê. Eu como fã do Buster, adorei o seu texto e a escolha do filme.

Beijos!
*Você estava certa quando disse que eu ia gostar das postagens desse mês HAHAHAHA

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