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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Homem-Mosca / Safety Last! (1923)

Por maior que seja o número de filmes que um cinéfilo veja, sempre haverá algo por descobrir. No meu caso, uma das lacunas que faltavam é referente à obra do grande comediante do cinema mudo Harold Lloyd. Para descobri-lo, precisei do incentivo de Kate do Tumblr TheFilmWriter, uma grande fã do cinema silencioso, e também da Laura do blog Laura’s Miscellaneous Musings, que fez uma lista de 10 clássicos que ela verá pela primeira vez em 2013. “Safety Last!” é o primeiro da lista, e ela incentivou outros blogueiros a acompanhá-la nessa descoberta e depois escreverem o que acharam dessa empreitada.
Ah, se você ficou curioso ao ver “A invenção de Hugo Cabret / Hugo” e quer saber por que aquele homem de chapéu estava pendurado em um relógio no filme que Hugo e Isabelle viam, aqui está a resposta.
De Harold Llloyd, tinha assisido apenas ao curta “Just Neighbors”, de 1919, que também tem no elenco Bebe Daniels. Por essa pequena experiência já pude perceber como Harold é inventivo e tem o dom de fazer rir.
Um garoto (Harold) vai para a cidade grande em busca de uma vida melhor e também de dinheiro suficiente para se casar com sua namorada (Mildred Davis). Desde o começo temos surpresas, pois a maneira como a estação de trem é filmada, junto com o texto dos intertítulos, nos dá a impressão de que o personagem está preso e pronto para ser enforcado. Cena muito semelhante abre o curta “O Enrascado / Cops”, feito um ano antes e estrelado por Buster Keaton. Em menos de vinte minutos de filme, Keaton tenta transportar uma mobília logo depois de ser dispensado pela filha do prefeito, e acaba virando alvo de uma perseguição. Nada muito criativo, ao contrário do filme de Lloyd.
O único trabalho que o garoto consegue é o de vendedor de tecidos em uma loja de departamento, ocupação cansativa e até perigosa, em especial nos dias de liquidação. No entanto, ele escreve para sua garota dizendo que está muito bem e ganhando muito dinheiro. Isso a incentiva a fazer-lhe uma visita surpresa. Tendo de se passar por gerente, ele enfrenta vários problemas, sempre arquitetando as mais criativas saídas. Quando ouve seu chefe dizer que daria mil dólares para quem tivesse uma ideia para atrair mais compradores para a loja, o garoto encontra sua grande oportunidade.
A ideia é justamente escalar o prédio da loja sem nenhum equipamento de segurança, atraindo uma grande multidão de curiosos. Quem faria essa proeza seria o colega de quarto do garoto (Bill Strother), pois a ideia veio exatamente de uma escalada similar, em que o amigo literalmente subiu pelas paredes para fugir de um policial. Lloyd também teve a ideia não somente para a escalada, mas para todo o filme, ao ver Bill fazer tal ato enquanto dublê. Harold ficou escondido, com medo de que Strother caísse, mas ao vê-lo são e salvo, logo lhe propôs a parceria para o filme.
Ora, se Harold fica pendurado no relógio é porque ele escalou o prédio! Na verdade, o policial volta a perseguir o amigo, restando a Lloyd a tarefa de cumprir com a promessa e atrair o público. Por muito tempo se especulou como a escalada foi filmada e muitos acreditaram que de fato Harold Lloyd desafiou a morte em frente às câmeras. Só depois de seu falecimento que os truques foram revelados: embora o ator tivesse feito ele mesmo a maior parte das cenas, em alguns momentos ele contou com a ajuda de um dublê, como quando o personagem fica sacudindo a perna para um rato sair de sua calça.
Para a famosa cena do relógio, tudo foi filmado com ângulos sensacionais que davam a impressão de altura. Mesmo sem grande perigo, Harold testou a resistência dos ponteiros com um boneco que se estatelou no chão. O próprio astro se dependurou, após os devidos acertos, e segurou os ponteiros com apenas oito dedos: em 1919, um acidente com uma bomba que deveria ser cenográfica decepou os dedos polegar e indicador da mão direita do ator e ele passou a usar luvas que dessem a impressão de uma mão perfeita nas telas. 
O título, seja em inglês. português ou espanhol, se justifica pela sequência final. Embora o termo “homem-mosca” exista em outras línguas e possa ser traduzido como “human fly “para o inglês, significando alguém com a habilidade de escalar paredes, eu acredito que seria bem melhor o termo “homem-lagartixa”, réptil habilidoso que, além de subir pelas paredes, tem a capacidade de assustar minha avó. Saindo dessa reflexão, preciso ressaltar que Mildred Davis, estrela feminina do filme, casou-se com Lloyd ainda em 1923, abandonando o cinema e ficando ao lado do ator até que a morte os separasse, em 1969. Eles tiveram um casal de filhos e adotaram mais uma menina.
E o que tudo isso, mostrado em apenas uma hora e treze minutos de filme representaram para alguém que vê um longa-metragem de Harold Lloyd pela primeira vez? Só posso dizer que, embora a escalada seja o clímax, todo o caminho construído para chegar lá é muito feliz, cheio de excelentes momentos cômicos para fazer qualquer um gargalhar. O que mais posso dizer? Três vivas para Harold Lloyd!    

“O Homem-Mosca / Safety Last!” está disponível no YouTube. 

13 comentários:

Raquel Stecher disse...

Aplausos! Gostei muito de seu comentario sobre Safety Last. E obrigado pelo el YouTube link!

Laura disse...

Leticia, I'm delighted that you joined me in watching SAFETY LAST! this month. How wonderful to think that Harold Lloyd was enjoyed by another classic film fan who lives so far away. I love that the Internet makes the world smaller so we could each enjoy Harold Lloyd and share our thoughts with each other this month. I loved you calling him a "man lizard"!

Thank you for participating!

Best wishes,
Laura

Regi disse...

Um grande filme, sem dúvida, e que este ano completa 90 anos sem cair no esquecimento.

A cena da escalada, não importa quantas vezes eu assista, ainda me dá calafrios.

ajanelaencantada disse...

Tive a sorte de, há muitos anos, ver na TV um especial Harold Lloyd, que durante alguns dias passou muitos dos seus filmes. Tornou-se um dos meus ídolos. As soluções atléticas, e fugas imaginativas, sempre cheias de humor tornaram-se clássicos. Mesmo hoje é difícil fazer melhor.

FlickChick disse...

Oh, I am so glad you love the wonderful Harold Lloyd! Safety Last is genius and the thing about Harold is that is just so darn funny!! Wonderful post!

Camila Mancio. disse...

Eu amo seu blog estou sempre acompanhando.

Iza disse...

A invenção de Hugo Cabret é um filme maravilhoso. Gosto muito. Com certeza assistirei Safety Last. Adorei o post.
Beijos <3

P.S: Um filme de 90 anos? O mais velho que assisti é de 1927. Você já assistiu O Nascimento de Uma Nação? Eu to ensaiando pra ver, mas sei lá....

Maxwell Soares disse...

Olá, Lê.Mais uma vez nos brindando com mais uma des suas preciosidades. A imagem do homem, postado em seu blogger, dependurado faz muito lembra "Hugo Cabret". A verdade é que sempre que passo aqui percebo que preciso, urgentemente, mergulhar nos universo dos Clássicos. No mais uma abraço...

Ruby disse...

Eu simplesmente adoro os filmes do Harold Lloyd, divertidíssimos, adoro filmes antigos, mas da década de 20 conheço poucos e me limito mais a Harold Lloyd e Chaplin. Bom domingo.

Gilberto Carlos disse...

Também tenho uma dívida com o cinema mudo. Conheço poucos filmes, a maioria deles do Chaplin. Abraços.

Patricia Baleeira disse...

Fofurissima Lê,

Adorei o texto.
Cena do relógio é um clássico né?
Assim, como vc e muitos tbm sou fã do cinema mudo.

Um beijo grande

Patt

Iza disse...

Tem meme pra você lá no blog *.*

Michelle disse...

Taí, preciso ver alguma coisa do Harold Lloyd. Dica anotada ;)
bjo

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