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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 1

Nós adoramos ver o que os atores fazem em frente às câmeras, mas atrás delas às vezes a vida pessoal de astros e estrelas de cinema pode ser tão ou mais interessante que um filme. Por isso os documentários se tornam tão populares e são um deleite para qualquer fã. Feitos em sua maioria após a morte do assunto do documentário, eu selecionei várias produções que recomendo:

That’s Entertainment!: Em comemoração aos 50 anos da MGM, esta produção reuniu um dos mais espetaculares elencos já vistos pelo olho humano. A missão desses astros era apresentar clipes que reviviam a época de ouro do estúdio e de seus alegres musicais. Com o sucesso do primeiro, lançado em 1974, teve origem uma trilogia e um spin-off, “That’s Dancing!”.
Bette Davis, um magnânimo vulcão / Bette Davis: a basically benevolent volcano (1983): A própria Bette nos narra sua trajetória, desde a infância em Boston até o estrelato em Hollywood, demonstrando o que todos os seus fãs já sabiam: que era uma mulher forte e decidida. Um dos deleites é um clipe de “Fashions of 1934”, em que ela se veste de Greta Garbo. O documentário está disponível em oito partes no YouTube.
Rita Hayworth: Dancing into the dream (1990): Sim, nossa querida Rita começou como dançarina fazendo para com seu pai, e foi dançando que ela entrou em Hollywood. Neste interessante documentário, o destaque é para a filha Yasmin, uma verdadeira princesa e a única das duas filhas de Rita a aparecer no vídeo.

Bacall on Bogart (1988): Lauren nos acompanha pelos estúdios em uma viagem pela vida e carreira de seu primeiro marido. Com clipes interessantes e ótimas histórias, ela traz ainda várias entrevistas, e eu destaco a de Katharine Hepburn. Assista-o sem legendas AQUI.
Além dos maiorais: ítaloamericanos e o cinema (2008): Se a versão assistida não contar com a identificação dos entrevistados, o documentário pode ficar um pouco confuso. Caso contrário, a sensação que fica é que ele é curto demais para tantas informações interessantes.
Aprendendo a falar: Um dos mais primorosos documentários cinematográficos mostra que o desejo de adicionar som às imagens em movimento é tão antigo quanto o cinema, assim como o são as experiências feitas para esse intento. 
A década que mudou o cinema / A decade under the influence (2003): Os próprios cineastas responsáveis por esta revolução na maneira de fazer cinema comentam as influências que tiveram, as histórias por trás de seus filmes e o impacto deles na época e hoje. Destaque para a camisa florida de Francis Ford Coppola

Essas sombras assombrosas / These amazing shadows (2011): Uma obra obrigatória para todos que amam cinema clássico. A preservação de uma série de películas escolhidas anualmente para fazer parte do arquivo do American Film Institute é o tema, e a melhor abordagem é sem dúvida apresentar quem batalhou para que cada filme entrasse nesta seleta lista. Veja esta pérola AQUI.
Clark Gable: Tall, Dark and Handsome: O rei de Hollywood ganhou um documentário à altura em 1996. Seu filho, que ele nao conheceu, e a filha com Loretta Young, que foi escondida a vida toda, têm alguns dos depoimentos mais reveladores. Veja um trecho:
François Truffaut: uma autobiografia (2004): Uma autobiografia feita décadas após a morte do biografado, algo que só seria capaz com Truffaut. A cena de “Os incompreendidos”, em que os meninos roubam fotos de Cidadão Kane de um cinema, é refeita com fotos dos filmes de Truffaut no lugar, em uma emocionante homenagem. As palavras de Woody Allen e a música final também são destaques.


Terror Universal (1998): Narrado por Kenneth Branagh, faz uma viagem por duas décadas em que a Universal reinou com seus filmes de terror (1920-1940). Além de analisar as produções, há também trechos de filmes europeus que influenciaram essa generosa safra do terror. Além disso, é a oportunidade de desvendar efeitos especiais que impressionaram os cinéfilos.
Teen Spirit: Adolescentes em Hollywood (2009): De James Dean a High School Musical, passando por Ferris Bueller e o Clube dos Cinco. A imagem do adolescente passou por diversas mudanças ao longo dos últimos cinquenta anos, e tudo isso graças à sétima arte.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Variações sobre um mesmo tema: Nosferatu (1922 e 1979)

Eu não sou uma pessoa (muito) medrosa, mas há coisas no cinema clássico que me deixam de cabelo em pé, conforme escrevi nesse post. Uma delas é Nosferatu, o vampiro feioso de sombra aterrorizante. Como se não bastasse haver um vampirob estranho, há outro: o Nosferatu de Klaus Kinski, menos feio e horripilante que o de Max Schreck. Foi só depois de ver Kinski que resolvi encarar a versão original que, já aviso, é muito melhor.
Nosferatu nada mais é que o Conde Drácula na versão alemã. Como os herdeiros de Bram Stoker, criador de Drácula, não deixaram o diretor F. W. Murnau usar o nome do personagem, ele apenas mudou os nomes para fazer o filme. Claro que depois teve de enfrentar uma ação judicial, mas valeu a pena: esse clássico de 1922 é um dos melhores filmes mudos da história.

Assustadoramente romântico
Todos conhecemos a história: um agente imobiliário vai até o castelo de um aparentemente respeitável conde, e lá descobre que ele gosta de beber sangue. O agente não volta para contar a história (calma! Ele só está preso no castelo), mas o conde vai para a cidade atrás da esposa do agente, uma moça por quem ele se apaixonou após ver uma foto. O filme de 1922 é contado através de um diário de bordo, do mesmo jeito que Stoker escreveu seu livro.


O jogo de luz e sombras, muitas sombras, ajuda a criar o clima de filme de terror. As películas mudas lidam com nosso medo mais primitivo e quase todas as crianças têm medo de sombras e ruídos desconhecidos. Demorei algum tempo até criar coragem para ver o filme, mas não pensem que foi só comigo que isso aconteceu: na Suécia, o filme foi até banido por excesso de horror e só liberado em 1970! Apesar de Nosferatu ficar apenas nove minutos em cena, ele aproveita cada segundo para nos assustar.
Klaus Kinski não era bonito (mesmo assim ele ficava quatro horas fazendo a maquiagem de vampiro), mas a figura de Schreck beirava a bizarrice, pelo menos no filme. Um ator de teatro, Max estreou no cinema em 1920 e trabalhou em 45 filmes até sua morte, em 1936, aos 56 anos. O filme “Shadow f the Vampire” (2000), com Willem Dafoe, inclusive sugere que Schreck era um vampiro de verdade, que concordou trabalhar com Murnau em troca da protagonista feminina de Nosferatu, Greta Schröder. Greta tinha história em filmes de terror: ela é a moça que segura uma rosa em uma cena de “O Golem” (1920) e, quatro anos antes, havia adaptado “O fantasma da ópera” para o cinema alemão. Apesar de atuar nesse grande clássico, Greta não atingiu o estrelato e, claro, não se casou com Schreck.
Max sem maquiagem
Outras teorias, estas menos fantasiosas, sugerem que Nosferatu é uma grande alegoria anticomunista. Nosso querido Nosfie seria a figura de Lênin, que traria o perigo vermelho junto com várias pragas, simbolizadas pelos ratos que seguem o conde até a cidade, espalhando a peste negra. No filme de 1979, aliás, não são mostrados os ratos entrando no caixão em que o conde viaja, de modo que fica subentendido que ele trouxe a praga.
Klaus Kinski
O Nosferatu de Herzog conta também com muitas sombras, tomadas escuras e música de suspense. Isabelle Adjani, a donzela indefesa e única a acreditar que o conde é um vampiro, está excelente e muito pálida. Já sentimos um frio na espinha com as múmias ao começo do filme e cada ataque do vampiro é um novo momento prendendo a respiração. 
Klaus Kinski e Isabelle Adjani
Herzog fez uma bela homenagem ao original, e utilizando-se de uma equipe técnica de apenas 16 pessoas (a versão original contava com 24 pessoas mais o elenco, segundo o IMDb). Mas, a exemplo de 99% dos remakes, não superou a primeira versão. Graças a Murnau, temos um dos filmes mudos mais aterrorizantes já feitos e a ideia errônea de que os vampiros não suportam a luz do dia. Fique avisado: se você estiver face a face com um vampiro, siga os ensiamentos do Drácula de Bela Lugosi e finque-lhe uma estaca no peito!

Nosferatu (1922) está disponível no YouTube, Internet Archive e no VideoLog.
This is my contribution to the Terrorthon, hosted by Page at My Love of Old Hollywood and Rich at Wide Screen World. BOO! 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

James Cagney: memórias (vlog)

Eu adoro participar de blogagens coletivas (blogathons) e fiquei em êxtase quando descobri que haveria uma em homenagem a meu ator favorito de todos os tempos: James Cagney. Aí surgiu o problema: eu não sabia sobre o que escrever. Já havia escrito críticas sobre vários de seus filmes, de diferentes gêneros, e também já abordei a vida do ator. Foi quando surgiu a ideia de falar de Jimmy de maneira mais intimista e, literalmente, “falar” sobre ele: hoje o post é em vídeo.
Como a blogathon é internacional, gravei um vídeo em português, para meus leitores brasileiros habituais, e um em inglês. Já me desculpo com quem fala outra língua, mas creio que estas duas opções já ajudam a mensagem a chegar a um público bem grande.
Luzes, câmera, ação!
Versão em português:

Versão em inglês: 

Crítica de “A canção da vitória / Yankee Doodle Dandy” (1942): http://criticaretro.blogspot.com/2011/03/cancao-da-vitoria-yankee-doodle-dandy.html
Crítica de “Cupido não tem bandeira / One, two, three” (1960): http://criticaretro.blogspot.com/2011/05/cupido-nao-tem-bandeira-one-two-three.html
P.S.1: Por coincidência, esse vídeo foi gravado no 27º aniversário de morte de James Cagney, 30 de março de 2013. Uma data bem propícia para uma homenagem.
Obrigado, Letícia, não precisava!
P.S.2: Se você e uma pessoa bem-informada e acompanha diversos blogs, deve estar sabendo que o Google Reader encerrará suas atividades no dia primeiro de julho. Para não perder nenhuma atualização do blog Crítica Retrô e de seus outros blogs favoritos, transfira agora sua lista de leitura para o Bloglovin, é fácil e rápido. Você pode começar a tarefa seguindo o blog pelo Bloglovin através do botão na barra lateral.

Leia as outras contribuições para James Cagney Blogathon aqui.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Movie Icons: um presente para os olhos

O que mais encanta um cinéfilo são as imagens mágicas que passam na tela. Não é à toa que muitos livros sobre cinema usam e abusam das imagens em suas páginas, às vezes apresentando menos textos que figuras. A coleção “Movie Icons” não foge à regra, mas apresenta com maestria imagens belíssimas dos mais cultuados astros do cinema. 

A editora Taschen publica livros de vários assuntos e foca seus trabalhos em coletâneas de fotografias. Além da série “Movie Icons”, ela publica a coleção “Music Icons”, que já homenageou Bob Dylan, Michael Jackson e John Lennon. A editora foi fundada em 1980 na Alemanha e surgiu para publicar a coleção de quadrinhos de seu fundador, Benedikt Taschen. Sua linha aumentou e encobre desde bizarrices até arquitetura, pintura e, claro, cinema.

Foram publicados até agora 26 livros com a trajetória de diversos astros e estrelas do cinema, sendo que os primeiros vinte homenageados foram escolhidos em votação pelos leitores. As últimas adições à coleção são personalidades ainda vivas, como Woody Allen, Robert De Niro, Clint Eastwood, Al Pacino Sean Connery e Johnny Depp. Não gosto muito de livros sobre carreiras de pessoas ainda vivas, porque ficam desatualizados rapidamente.
Entre as outras estrelas homenageadas estão Elizabeth Taylor, Grace Kelly, Audrey Hepburn (que com certeza deram origem a belíssimos livros), Chaplin, os irmãos Marx, Cary Grant, Frank Sinatra, Marlon Brando, James Dean, Humphrey Bogart, Marlene Dietrich e Mae West. Eu tenho apenas dois livros da coleção, com imagens de Greta Garbo e Katharine Hepburn.     
My babies 
A maioria das imagens foi retiradada da Koball Collection. Eu nunca havia visto muitas delas até comprar os livros. Isso inclui cenas de bastidores, artigos de jornal, retratos, fotos publicitárias, pôsteres e capas de revistas. Elas são de encher os olhos, maravilhosas mesmo em preto-e-branco. Os textos que as acompanham vêm em três línguas: italiano, espanhol e português. Como a tradução segue a gramática de Portugal, vez ou outra surge um termo diferente para os leitores brasileiros, como “ecrã” ao invés de “tela”.
Por dentro do livro de Ingrid Bergman
E da Liz
E da Marilyn
Muito trabalho é necessário para criar um desses livrinhos de 192 páginas. Além da escolha cuidadosa de imagens, a bibliografia é extensa, como se pode observar pelos créditos na última página. Para recolher detalhes de dentro e fora das telas, além de várias citações, é preciso que o autor percorra páginas e mais páginas de escritos sobre cada um desses ícones. Paul Duncan é o editor da maioria dos livros e tem uma extensa obra publicada pela Taschen.
Nas lojas americanas, como a Barnes & Noble, cada livro sai por menos de dez dólares. No Brasil, os preços variam de 29 a 40 reais. Comprei meus dois exemplares por 29,90 cada. Apesar de pequenos no formato, os livros são um pouco pesados e o papel é de ótima qualidade. Pela análise do título “Movie Icons” fica claro que ainda faltam muitos ícones a serem inseridos nessa série que é, sobretudo, um trabalho de amor às imagens eternas das lendas do cinema.

P.S.: Como muitas pessoas ficaram interessadas pelo filme analisado no último post, deixo aqui o link de “Modas de 1934”, completo e legendado, no YouTube:  http://www.youtube.com/watch?v=qyEoWkmYqWY
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