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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Cabiria (1914)

Uma única frase resumiria o filme Cabiria, de 1914: não é fácil. Não foi fácil fazê-lo, há quase cem anos, e não são todos os espectadores, nem mesmo todos os cinéfilos, que apreciariam este filme. Com uma trama dividida em cinco episódios e passado no terceiro século antes de Cristo, este, que é um dos primeiros épicos do cinema, tem sua carga de patriotismo, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, e muitas referências históricas.

Cabiria é uma jovem princesa da Sicília, interpretada durante metade do filme por Carolina Catena, atriz infantil que atuou até 1910 e cuja biografia é tão obscura quanto um buraco negro. Quando ocorre uma erupção do vulcão Etna, ela está com sua babá, Croessa (Gina Marangoni), que faz de tudo para salvar a própria vida e a vida da menina. Junto com outros serviçais, Croessa e Cabiria escapam, mas chegam perto demais de um barco e são capturadas e levadas para Cartago para serem vendidas como escravas.

Cabiria e outras 99 crianças escravas são escolhidas como oferenda a um deus, e, portanto, devem ser queimadas na boca de uma imensa estátua em um templo igualmente impressionante. Croessa pede ajuda ao romano disfarçado Fulvius Axilla (Umberto Mozato) e ao escravo dele, Maciste (Bartolomeo Pagano), para resgatar Cabiria. Enquanto tudo isso acontece com as pessoas normais, um ataque a Roma vem sendo planejado por Aníbal (Emilio Vardanes), que aparece cruzando os Alpes, e Asdrúbal (Edoardo Davesnes), pai da princesa Sofonisba (Italia Almirante), cobiçada por muitos.
Fulvius e Maciste
Cabiria dá o nome ao filme, mas serve apenas de elo para a história. Ela liga os personagens e as situações reais, como as Guerras Púnicas (Roma contra Cartago). Mal se vê o rosto dela quando menina, e já moça, interpretada por Lidia Quaranta, também não está presente na tela durante muito tempo. Dependendo da origem do filme (como acontece na versão do YouTube), a atriz aparece creditada como Letizia Quaranta, irmã de Lidia.
Uma escada humana
Muitos dos personagens representados aqui são figuras históricas verdadeiras, como todos os reis, cônsules e princesas envolvidos na guerra. Até o intelectual Arquimedes faz uma ilustre participação, criando uma engenhoca que destrói os navios romanos em uma sequência impressionante, difícil de imaginar que tenha sido filmada há quase cem anos (e tenha sido posta em prática há mais de dois mil anos!).

Italia Almirante (também creditada como Italia Almirante-Manzini), intérprete da rainha Sofonisba, provavelmente a personagem feminina mais importante no enredo, tem ares de Theda Bara e não há palavras suficientes para elogiar sua atuação. Tinha como primos três atores e um diretor de cinema, e seus pais trabalhavam no teatro, mas traçou sua carreira de sucesso sem nepotismo. “Cabiria” consolidou sua carreira e transformou-a em diva do cinema mudo italiano. Aposeantando-se após apenas um filme falado, em 1934, Italia fez uma turnê pela América do Sul, vindo a falecer em São Paulo em 1941, vítima de uma picada de inseto.

O personagem Maciste teve vida longa, apesar de um dos intertítulos do filme prever que ele não escaparia com vida. Em 1915, seguindo o sucesso do coadjuvante no épico, o diretor Giovanni Pastrone produziu um filme em que ele era o protagonista, dando origem a uma série de 26 filmes muito loucos estrelando Maciste e, por consequência, Bartolomeo Pagano. Nestas películas, o personagem foi sonâmbulo, policial, turista e atleta. Ele poderia aparecer em qualquer época e lugar. Nessas odisseias também ficamos sabendo que Pagano era um ator branco que era maquiado para parecer negro. O absurdo só aumentou com o tempo e, com o renascimento de Maciste nos anos 50 e 60 (quase todos os filmes do período estão disponíveis na Internet), somos informado de que ele se materializa em qualquer lugar que seja necessário a partir de pedras. Segundo Gabriele D’Anunzio, que colaborou no roteiro de “Cabiria”, Maciste é um dos nomes do herói Hércules, daí a força descomunal do personagem que, por sinal, nunca conquistava a protagonista. Mas nem tudo é bobagem no mundo do personagem: foi o filme “Maciste no Inferno”, de 1925, que influenciou Fellini a tornar-se cineasta. 
  
Prefiro os filmes da década de 1920 aos da década de 1910, e com esse não foi diferente. Se por um lado o enredo é bastante denso, devido ao excesso de detalhes históricos, as inovações que maravilharam D. W. Griffith e o inspiraram a filmar “Intolerância” (1916) são dignas de nota. O diretor Giovanni Pastrone cria cenas surpreendentes, aglomera multidões em frente às câmeras, comanda cenas perigosas até mesmo para dublês, reconstitui um passado distante e luxuoso e não dispensou muita ação, sendo pioneiro no uso de luzes artificiais e da movimentação de câmera (travelling).   
O custo de dois milhões de liras (250 mil dólares na época) compensou. Além do sucesso internacional, “Cabiria” conquistou a honra de ser o primeiro filme a ser exibido na Casa Branca. Vindo de uma série recém-nascida de épicos, como Quo Vadis? e “Os últimos dias de Pompeia”, ambos de 1913, este filme consolidou o gênero, sendo suficiente para Scorsese afirmar que Pastrone inventou o gênero épico. E não foi à toa que os melhores épicos foram filmados justamente na Itália, ou melhor, na Cinecittà.

“Cabiria” (1914) está disponível no YouTube e no Internet Archive (neste, sem trilha sonora).

This is my second contribution to the Italian Film Culture Blogathon, hosted by the Nitrate Diva. In the banner, Italia Almirante and Anna Magnani.



P.S.: Deixem nos comentários a opinião geral de vocês sobre os filmes mudos. Ela será usada como pesquisa para um futuro post. 

11 comentários:

Iza disse...

Um filme histórico com muita história. Adorei a dica, Lê.
Baita clássico.
Beijos <3

Pedrita disse...

ah, esse eu não vi. está na minha lista há anos. beijos, pedrita

Auto Surf Surfando Mais disse...

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ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Belo texto, Lê. Tenho esse épico na minha coleção, mas ainda não o vi.

O Falcão Maltês

Carol Caniato disse...

Oi Letícia! Acabei de descobri seu blog e estou AMANDO. Tem vários filmes aqui que nunca nem tinha ouvido falar! :D
Acabei de começar meu blog e meu foco também vai ser cinema. Vou adorar se uma experiente na área passasse por lá! hahaha
Beijão!
Carol

FlickChick disse...

Le - you are to be congratulated on sitting through this film. Thank you for noting its historical importance. Great review, my friend!

Suzane Weck disse...

Ola querida amiga,este filme eu não vi,mas ouvi muito á respeito.Está brilhante a postagem.Meus cumprimentos e meu abraço.SU

Rubi disse...

Sinceramente Lê... não tenho o que falar dessa obra prima do cinema mundial. Era incrível o que os produtores de antigamente faziam mesmo sem recursos. Fico encantada e até emocionada com esses filmes antigos. É bonito ver o cinema em seus primórdios com tanta qualidade.

Excelente post!
Beijos.

Gilberto Carlos disse...

Não tenho muita experiência com o cinema mudo, mas parece ser um filme bastante interessante.

Elisa T. Campos disse...

Oi Lê

Já ouvi falar desse filme. Mas ainda não assisti.
Suas dicas são muito interessantes.
Bjs.

Jefferson C. Vendrame disse...

Ainda não vi Cabiria mas já li muito sobre ele. Preciso adquirir mais títulos de filmes mudos em minha coleção pois tenho a impressão que estou perdendo grandes filmes dessa época.
Parabéns pelos texto,rico em informações Lê.

Abração

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