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quinta-feira, 30 de maio de 2013

What’s my Line?

A fórmula é muito simples: adivinhar o que a pessoa faz podendo fazer apenas perguntas a serem respondidas com “sim” ou “não”. Essa brincadeira simples e até infantil de adivinhação deu origem a um dos mais duradouros a amados programas de televisão: o original “What’s my Line?” ficou no ar por 17 anos, entre 1950 e 1967, não sem passar por algumas situações curiosas e trágicas.
A televisão ainda era um meio de comunicação jovem e raro quando surgiu o programa de meia hora nas noites de domingo. Quatro pessoas sentadas em um painel deveriam adivinhar a profissão do convidado. Quando vinha o convidado misterioso, alguém facilmente reconhecível, os competidores usavam máscaras e o travesso convidado disfarçava a voz. Quanto mais diferente a profissão ou quanto mais o convidado enganasse os competidores, melhor para o público. Eu, pessoalmente, adoro quando os competidores não acertam!


Vários esportistas, em especial do mundo do beisebol, foram direto do campo, onde haviam jogado minutos antes, para o estúdio, aparecendo ao vivo no programa. Com certeza os mais divertidos são os artistas convidados, e eu recomendo que vocês vejam os clipas das participações de Yul Brynner e Rosalind Russell.
Uma das principais competidoras no painel era a jornalista Dorothy Kilgallen, que foi morta em 1965. Horas antes, ela havia aparecido ao vivo no episódio em que Tony Randall participa do painel. Tendo várias informações sobre o caso entre Marilyn e John Kennedy, e também havendo a possibilidade de ela saber algo sobre a morte do presidente, a morte de Dorothy foi considerada uma queima de arquivo. Mesmo assim, havia rumores de que ela sofrera uma overdose, pois não eram poucos os boatos de que Dorothy tinha problemas com drogas e bebida, e algumas pessoas garantem que ela aparece um pouco bêbada em alguns episódios. Em todo caso, Dorothy não era a competidora mais querida, uma vez que era muito competitiva e preferia acertar logo a satisfazer o público.
Arlene Francis talvez seja a competidora mais querida e, muitas vezes, a mais divertida. Ela ficou do segundo ao último programa, e só o apresentador John Daly apareceu em mais episódios do que ela.

Ao assistir a esse adorável programa de TV, temos a mesma sensação de ver filmes antigos, e podemos até falar o mesmo: os programas não são mais como antigamente!  

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Crescendo em frente às câmeras: Roddy & Dean

Desde 1895, quando foi rodado “Le repas de bébé”, estrelando o filho de Auguste Lumiére, crianças fazem parte do cinema, com maior ou menor grau de profissionalismo em suas interpretações. Nenhuma década ficou sem seu ator ou atriz mirim para abrilhantar as telas e retira exclamações de fofura das plateias. Na década de 1940, dois meninos protagonizaram filmes de igual sucesso, mas com o tempo cada um seguiu caminhos muito diferentes.
Dean Stockwell como Nick Charles Jr em uma imagem estranha
Roderick Andrew McDowall nasceu na Inglaterra em 1928. Seu pai era da Marinha e sua mãe sempre quis ser atriz, e viu no filho a oportunidade de realizar esse sonho. O menino fez sua estreia no cinema aos dez anos, como o irmão de Jessica Tandy em “Murder in the Family”. Com a Segunda Guerra Mundial, toda sua família foi para os Estados Unidos, onde ele conseguiu um papel que equivalia ao de um protagonista como o narrador mirim de “Como era verde o meu vale / How green was my valley” (1941). Da produção desse filme surgiu uma amizade com a atriz Maureen O’Hara que duraria décadas. Também nesse período Roddy conheceu duas outras importantes amigas, as também atrizes infantis Peggy Ann Garner e Elizabeth Taylor que, curiosamente, contracenaram em “Jane Eyre” (1943).  
Robert Dean Stockwell nasceu nos Estados Unidos em 1936. Seu pai foi, no ano seguinte, o dublador do príncipe encantado no longa pioneiro de animação “Branca de Neve e os sete anões”, e sua mãe trabalhava no teatro com o nome de Betty Veronica. Com cara de anjo e sangue artístico na família, ele estreou aos nove anos em "O vale da decisão / The valley of decision" (1945), um filme cheio de estrelas (incluindo Jessica Tandy), e nos mesmo ano esteve ao lado de Gene Kelly, Frank Sinatra e Kathryn Grayson em "Marujos do Amor / Anchors Aweigh". Em dois anos ele voltaria a trabalhar com Gregory Peck, o astro de seu primeiro filme, no excelente "A luz é para todos / Gentlemen's Agreement" (1948) e, antes disso, viveu Nick Charles Jr. em "A canção dos acusados / Song of the thin man" (1946), o último filme do charmoso casal Nick & Nora.
Com o tempo, ambos diversificaram seus ramos de atuação. Aos 20 anos Roddy já era produtor associado de vários filmes, ao mesmo tempo em que atuava na Broadway. Tanto Dean quanto Roddy colecionaram vários papéis na televisão enquanto eram jovens. Antes dos 30 Dean Stockwell conquistou dois prêmios de melhor ator no Festival de Cannes, dividindo ambos com seus colegas de elenco nas maravilhosas produções "Estranha Compulsão / Compulsion" (1959) e "Longa jornada noite adentro / Long day's journey into night" (1962). Nos anos 80, esteve nas aclamadas produções "Paris, Texas" (1984) e "Veludo Azul / Blue velvet" (1986).
Os maiores papéis de Roddy vieram na década de 1960. Em 1963, reunindo-se mais uma vez com sua amiga Liz Taylor, ele interpretou Otávio em "Cleópatra" e só não recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por um erro da Fox, que indicou seu nome como ator principal. O estúdio se desculpou publicamente pelo erro. Cinco anos foram necessários para ele ir do Império Romano ao futuro surpreendente de "O planeta dos macacos / Planet of the apes" (1968), em que ele interpreta o cientista símio Cornelius. A partir daí, a caracterização de macaco virou uma constante em sua vida, participando de mais quatro filmes sobre o planeta dos macacos, nenhum deles à altura do original. Antes disso, ele fez várias séries na televisão.
Esses dois atores não têm em comum apenas o fato de terem sido estrelas infantis bem-sucedidas na idade adulta. Entre 1957 e 1958, McDowall fez na Broadway o papel de Artie Straus em "Estranha compulsão", contracenando justamente com Dean. Quando a história foi adaptada para o cinema, Bradford Dillmann ficou com o papel de Roddy, que estava já em outras peças da Broadway. Os dois também estavam ligados ao mundo da fotografia. Enquanto Roddy publicou cinco livros com suas fotografias, Dean se concentra em montagens digitais e exposições por todo o território americano. O acervo fotográfico da Academia responsável pelo Oscar foi batizado em homenagem a Roddy em 1998. Na atuação, as carreiras dos dois atores voltariam a se cruzar na série de TV "Quantum Leap" (1989-1993), em que Roddy fez uma participação especial e pela qual Dean ganhou um Globo de Ouro.
Roddy continuou muito ligado às artes, inclusive sendo atuante na questão de preservação de filmes. Com 261 trabalhos no currículo, ele faleceu em 1998, aos 70 anos, vítima de câncer de pulmão. Dean não chegou a completar o curso universitário na Califórnia, foi agente imobiliário e até ajudante de padeiro, mas a carreira artística falou mais alto. Com quase 200 trabalhos no currículo, ele continua atuando. Contemporâneos e com muitas coisas em comum, Roddy e Dean são dois bons e raros exemplos de crianças que não se deslumbraram com a fama.
This is my contribution to the Children on Film blogathon, hosted by Jessica at Comet over Hollywood. Come see all the cuteness!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Howard Hawks: o rei do riso

Alguns diretores ficaram conhecidos por se especializar em um gênero de filme. Assim, Hitchcock é o mestre do suspense, mesmo tendo feito a incomum comédia “Um casal do barulho / Mr and Mrs. Smith” (1941); John Ford é o rei dos westerns, mas não ganhou nenhum de seus quatro Oscar de Melhor Diretor dirigindo caubóis; e Frank Capra sempre esteve pronto para nos fazer rir e refletir. Howard Hawks, como muitos outros, se aventurou em mais de um gênero, mas não importa se eram comédias ou westerns, ele sempre usou muito humor em suas produções.


Sim, Hawks estava por trás de “Levada da Breca / Bringing Up Baby” (1938) e “Jejum de amor / His girl Friday” (1940), mas também foi o responsável por levar às telas “A girl in every port” (1928), “Scarface” (1932), “Sargento York” (1941) e “À beira do abismo / The big sleep” (1946). Com Cary Grant trabalhou em quatro comédias: além das duas já citadas, Hawks e Cary fizeram “A noiva era ele / I was a male war bride” (1949) e “O inventor da mocidade / Monkey Businness” (1952). Seu grande amigo e colaborador, entretanto, foi John Wayne, com quem trabalhou em cinco ocasiões. John foi o responsável pelo discurso no funeral de Hawks, no final de 1977.    
Se “Rio Vermelho” (1948) tem seu momento de subtexto homossexual, “Onde começa o inferno / Rio Bravo” (1959) é o western mais divertido de Hawks. John Wayne e um xerife de pequena cidade que prende o irmão de um homem poderoso e deve mantê-lo na cadeia até a chegada de um juiz. Para essa perigosa tarefa, ele conta com qyatro companheiros muito divertidos: um amigo bêbado e abandonado por uma mulher (Dean Martin), um velho manco (Walter Brennan), um jovem cantor (Ricky Nelson) e uma cantora de saloon (Angie Dickinson). Este filme divertido foi uma resposta venenosa a “Matar ou morrer / High Noon” (1952), pois ambos, Wayne e Hawks, não apreciaram a história do xerife que roda a cidade em busca de ajuda para liquidar três bandidos, sendo que o resultado final em nada agradou Gary Cooper. 
Outra parceria com Walter Brennan que rendeu momentos memoráveis foi em “Uma aventura na Martinica / To have and have not” (1944), em que o personagem de Brennan rouba a cena sempre que aparece, em especial quando pergunta: “você já foi picado por uma abelha morta?” (Was you ever bit by a dead bee?).
“O rio da aventura / The big sky” (1952) também tem seus momentos divertidos, em especial com o inesquecível índio Pobre Coitado (“Poordevil” em inglês, interpretado por Hank Worden) que se junta a Kirk Douglas para transportar uma carga rio acima. A cena da amputação, que é mais engraçada do que se pode imaginar, foi idealizada por Hawks para o filme “Rio Vermelho”, mas John Wayne não aceitou fazê-la. Ao ver como a cena saiu, aqui executada por Kirk Douglas, Wayne se arrependeu de não tê-la feito.

“Hatari” (1962) é uma das poucas produções de Hollywood que se passa na África e, novamente, John Wayne é a estrela. Aqui fica claro desde o começo que havá humor, embora aconteça um grave acidente de caça logo nos primeiros minutos. A chegada da fotógrafa belga Dallas (Elsa Martinelli) causa alvoroço em um grupo de homens que capturam animais para zoológicos. Dallas acaba se tornando a mãe postiça de três adoráveis elefantinhos.  
Algumas das melhores interpretações de Cary Grant vieram em filme de Hawks. Por duas vezes sob a câmera do diretor, Grant se travestiu: com um roupão feminino em “Levada da Breca / Bringing Up Baby” e com todo o uniforme militar feminino e uma peruca em “A noiva era ele / I was a male war bride”.  Charmoso, Grant teve a valiosa ajuda dos excelentes diálogos, marca registrada de vários filmes de Hawks, para criar alguns personagens inesquecíveis.
Um criador de estrelas que deixava atores e atrizes participarem do processo criativo, um galanteador, cunhado de Norma Shearer nos anos 1930. O homem que deixou "Casablanca" (1942) nas mãos de Michael Curtiz para dirigir "Sargento York", Hawks foi ousado, inteligente e alguém a quem os cinéfilos devem vários bons momentos.
This is my contribution to the Howard Hawks blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimaar-Diary of a Movie Lover. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 2

E lá vamos nós!

Diabo da Tasmânia: a vida rápida e furiosa de Errol Flynn: Errol viveu apenas 50 anos, mas foi intensamente. Seus amores, escândalos, muitos sucessos e diversas curiosidades estao nesse documentário. Você sabia, por exemplo, que, pouco antes de morre, ele entrevistou Fidel Castro durante a Revolução Cubana?

Hitchcock, Selznick e o fim de Hollywood (1998): Quando David Selznick trouxe Alfred Hitchcock da Inglaterra, o sistema de estúdio estava no auge em Hollywood. Ele assinou contrato com Selznick e fez vários filmes medíocres neste período. Seu apogeu só chega com a decadência do sistema de estúdio.

Um perfil de “Os Sapatinhos Vermelhos” / A profile of “The Red Shoes” (2000): Meia hora é muito pouco para tratar de um filme tão mágico e revolucionário quanto este musical de 1948.

Fellini: eu sou um grande mentiroso (2002): Os colaboradores ainda vivos de Fellini na época foram os destaques deste documentário. Com entrevistas menores dos envolvidos já falecidos, como Mastroianni, Giulietta Masina e o próprio Fellini.

Testemunha imaginária: Hollywood e o Holocausto (2004): O tema é promessa certa de lágrimas nas plateias. Já existente durante o Holocausto mas, como o resto do mundo, alheia a ele, Hollywood produziu filmes incríveis aqui discutidos, entre os quais “A escolha de Sofia” (1982) e “A lista de Schindler” (1993).

A era de ouro da música no cinema: 1965/1975: O cinema como um todo se renovou nos anos 1960 e 1970. Não poderia ter sido diferente com as trilhas sonoras, gerando músicas muito originais e inesquecíveis.

Enfim, o cinema (2011): Aqui os irmãos Lumiére não são o começo, mas o fim da jornada. As técnicas de ilusionismo e animação foram desenvolvidas ao longo do século XIX por grandes cérebros hoje esquecidos, mas que foram fundamentais para a criação do cinema.

O som de Hollywood (2009): Se hoje os filmes são coroados por trilhas sonoras e compositores têm emprego garantido em Hollywood, devemos agradecer ao austríaco Max Steiner. A influência deste brilhante compositor, assim como as características e desafios da profissão, são analisados neste documentário.

Stardust: A história de Bette Davis (2006): Narrado por Susan Sarandon, conta com depoimentos em vídeo e em voz de diversos ícones que conheceram e trabalharam com Bette. Sua vida pessoal também é abordada, com forte presença do filho adotivo Michael e da ex-babá que se casou com seu terceiro marido. Polêmicas à parte, o documentário fica mais rápido e menos detalhado a partir dos acontecimentos da década de 1950.

O possesso Peter Finch (2011): Usando como título a icônica frase que Howard Bale, personagem que rendeu um Oscar a Finch, manda os telespectadores de seu programa gritarem (“Estou possesso e não vou mais aguentar isso!”), o documentário colhe depoimentos de colegas e, em especial, dos familiares para desvendar esse ator australiano com altos e baixos na vida e na carreira.

Olhar Estrangeiro (2006): Este documentário brasileiro mostra como nosso país é visto lá fora. Boa parte dessa visão é refletida nos filmes feitos por estrangeiros sobre nosso país, sempre com uma boa dose de estereótipos. Vários atores e diretores são entrevistados, embora a quantidade de filmes antigos citados seja bem reduzida.

Truffaut, Godard e a Nouvelle Vague (2008): Jovens críticos da Cahiers du Cinéma, descontentes com as produções da época, resolvem começar um tipo diferente de cinema que lhes agrade. Fica latente que Truffaut foi o principal cérebro do movimento e eu, em particular, fiquei morrendo de vontade de colocar minhas mãos em algum exemplar dessa revista histórica.

Para terminar, respondo às 11 perguntas que me foram feitas pela Samy do blog Meu diário vintage:

1. Por que você gosta do seu blog?
Meu blog me aproxima do mundo, das pessoas que gostam das mesmas coisas de que eu gosto ou que estão dispostas a aprender sobre elas. Através dele conheci pessoas excelentes. 
2. Qual foi a intenção ao criá-lo?
Compartilhar curiosidades sobre o mundo do cinema antigo, pois às vezes as partes mais interessantes de um filme são as histórias dos bastidores.
3. Você tem segredos de beleza?
Nunca saio sem batom!
4. Qual ou quais são os livros que você esta lendo no momento?
“O Processo”, de Franz Kafka, e “Max e os felinos”, de Moacyr Scliar
5. Uma música para o presente momento?
Minha música sempre será “My Way”, na voz de Frank Sinatra
6. Você tem alguma historia interessante sobre o seu namoro/noivado/casamento para contar?
Sou solteira.
7. Qual foi o melhor momento pra você, até agora, desse ano de 2013?
A Feira do Livro que aconteceu recentemente (acabou semana passada) foi muito proveitosa. Também fui escolhida para fazer parte de duas coletâneas internacionais de contos. Mas, como sou otimista, acredito que o melhor momento ainda está por vir! : )
8. Como planeja o seu futuro?
Minuciosamente.
9. O que tem sobrando no seu armário no momento?
Coisas que, infelizmente, não posso usar porque está frio.
10. Você acha que se conhece mais ou os outros te conhecem melhor que si mesma?
Eu me conheço mais que os outros, mas mesmo assim ainda me surpreendo.
11. Se fosse outra época, outro lugar, outro espaço... Diga em qual você viveria?
Hollywood nos anos 20 ou Hollywood hoje, durante o TCM Classic Film Festival.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Romance of the Underworld (1928)

Quem se lembra de Mary Astor? Normalmente ligada a seu papel mais famoso, Brigid O’Shaugnessy (um dos melhores nomes de personagem) em “O Falcão Maltês” (1941), Mary foi muito além, ou melhor, muito aquém: esta coadjuvante de luxo foi uma importante protagonista nos anos finais do cinema mudo, contracenando com nomes da importância de John Barrymore. Popular e talentosa, embora com alguns problemas familiares, Mary é a força motriz de “Romance of the Underworld”.


Judith “Judy” Andrews (Mary Astor) trabalha em um speakeasy, um bar que vendia bebidas e armas na época da Lei Seca e era frequentado por pessoas de reputação duvidosa (Judy é uma espécie de Sweet Charity de 1928). Logo após perder a mãe, ela decide abandonar o emprego e o namorado que lhe tira todo o dinheiro, Derby Dan Manning (Ben Bard). Embora ele próprio esteja mais interessado na garota do chefe, Champagne Joe (Oscar Apfel), ele não aceita ser abandonado. Joe é preso e Judy tenta ganhar a vida honestamente, estudando e trabalhando como passadeira e depois garçonete, mas seu passado volta sempre para atormentá-la, até mesmo quando ela conhece um homem rico e bondoso, Stephen Ransome (John Boles).
Um filme centrado no então presente momento, com a Lei Seca em vigor, era bastante oportuno. Antes da invenção oficial dos filmes de gângster, três anos depois, em 1931, com Edward G. Robinson em “Alma no Lodo / Little Ceasar” e James Cagney em “Inimigo Público / The Public Enemy”, este filme já apresenta um fora-da-lei memorável, que bem lemra o Tom Powers de Cagney, embora este não tenha uma moça boazinha como contraponto.
Em 1928 já havia filmes falados, poucos, é verdade, mas este sequer tem trilha sonora em sua versão online. Originalmente, havia alguns efeitos sonoros. Mary, estrela popular na época, ganhava 3750 dólares por semana durante as filmagens, uma pequena fortuna.

Mary Astor nasceu Lucile Vasconcellos Langhanke, filha de pai alemão e mãe de ascendência portuguesa e irlandesa. Assim como tantos pais de reality shows atuais, os pais de Mary começaram a inscrevê-la em diversos concursos de beleza, até que um deles teve como prêmio levar a linda menina de 14 anos para Hollywood. O ano era 1920 e os sonhos dos pais aproveitadores dela estavam para se tornar realidade.
O filme foi baseado em uma peça homônima de Paul Armstrong e é um remake. A primeira versão foi rodada dez anos antes. O próprio título, e aqui me refiro ao original e não à tradução para o português, talvez seja um pouco errôneo por o romance de maneira alguma se desenvolver no submundo, ou entre dois personagens do submundo. Algumas vezes, o filme também é chamado de "Romance and bright lights".

Seus colegas de cena não são muito conhecidos. Ben Bard, interpretando normalmente personagens obscuros, tem como trabalhos notáveis "Sétimo céu" (1927) e duas contribuições com o diretor Val Lewton na década de 1940. John Bowles contracenou com Shirley Temple e seu papel mais famoso é o do curioso Victor em "Frankenstein" (1931). Oscar Apfel, o gângster-mor da película, é o mais famoso, tendo sido um prolífico diretor no cinema mudo, cuja maioria de atuações não foi creditada. O próprio diretor, Irving Cummings, também havia sido ator anos antes.
A estrela do cinema mudo que não podia ser protagonista de sua própria história sobreviveu à chegada do som, mas passou a fazer papéis coadjuvantes, e entre eles destaco o de mãe de Judy Garland em “Agora seremos felizes / Meet me in St. Louis” (1944). Graças a sua amiga Bette Davis, foi escalada para o filme “The Great Lie” em 1943, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Mary trabalharia até 1964. Em sua aposentadoria, escreveu uma autobiografia apenas sobre sua vida pessoal, um livro sobre seus filmes e cinco romances.

Esta pérola do último suspiro do cinema silencioso, além de mostrar a beleza e capacidade de Mary Astor, relativamente novas pra mim, fez também um grande favor, e espero que o faça a vocês também: lembrou-me de todas as maravilhas escondidas nos filmes mudos.

“Romance of the Underworld” (1928) está disponível no YouTube.


This is my contribution to the Mary Asthor blogathon, hosted by Dorian at Tales of the Easily Distracted and Ruth at Silver Screenings. Awesome job, gals!
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