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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Feitiço do Rio / Blame it on Rio (1984)

Não existe pecado do lado de baixo do Equador. Esta é a visão que Hollywood sempre teve do país em que eu vivo: o Brasil. Um lugar muito sensual, com praias, mulheres lindas, muita música, festas religiosas e alguns animais exóticos. Trinta anos atrás, quando Michael Caine visitou o Rio de Janeiro, a ideia era a mesma. Mas as roupas eram mais bregas.
Matthew (Caine) está em São Paulo (repare no sotaque fofo com que eles falam “São Paolo”) com sua família. A esposa dele, Karen (Valerie Harper), vai passar as férias na Bahia, enquanto Matthew, a filha Nikki (Demy Moore), o melhor amigo Victor (Joseph Bologna) e a filha do amigo, Jennifer (Michelle Johnson) vão todos para uma casa no Rio de Janeiro. Victor está no meio do processo de divórcio, Jennifer é uma aspirante a Lolita e Matthew está sem a esposa. Preciso falar o que acontece a seguir?
Bem, em pouco tempo Victor descobre que sua “garotinha” está apaixonada, e fica maluco, agredindo todos os homens que parecem demonstrar interesse por Jennifer. Ele mal imagina o que seu melhor amigo está escondendo...
O filme está cheio dos clichês sul-americanos, apresentando coisas que você NUNCA verá nas cidades brasileiras: casas com flores em todas as paredes, mulheres sem roupa na praia de Ipanema, aves exóticas na sala de estar e um lagarto do tamanho de um jacaré. Outro ponto muito explorado do Brasil, a mistura de religiões, também está presente. Há mães-de-santo que falam inglês perfeitamente e são responsáveis tanto por um casamento na praia quanto por um ritual para atrair a pessoa amada. E não, definitivamente não são todas as festas de casamento no Brasil que terminam com todo mundo correndo nu para o mar.
O Brasil pode parecer o paraíso dos sonhos de qualquer estrangeiro, mas se mostrou um pequeno inferno para as equipes de filmagem. “Blame it on Rio” foi o primeiro filme rodado sob as novas regras do cinema brasileiro, e o diretor Stanley Donen ficou decepcionado com o excesso de burocracia (e, Stanley querido, 30 anos depois nada mudou). Para piorar, a chuva atrapalhou as filmagens (ainda chove muito no verão) e houve atraso na chegada de vários produtos comprados (pontualidade nunca foi nossa maior característica).
"Fruta do conde afrodisíaca"
Michael Caine está muito diferente no filme, desconfortável até. Seus momentos de breve monólogo são muito diferentes do revolucionário “Alfie” (1966) “breaking the fourth wall”. Muitas vezes, suas neuroses (e sua aparência) o aproximam de um personagem de Woody Allen. Pensando bem, este seria um filme que bem poderia ter sido feito por Woody, em um caso irônico de vida (quase) imitando a arte.
Michelle Johnson tinha 17 anos quando fez o filme, o que tornou necessária uma autorização por escrito de seus pais para que ela pudesse mostrar seu (belo) corpo nas telas. Como muitas das atrizes que começam como sex-symbol absoluto (Sue Lyon em “Lolita”, 1962, e Mena Suvari em “Beleza Americana”, 1999), Michelle não teve muitos papéis de destaque, e não aparece em um filme desde 2004. Vendo “Blame it on Rio”, poderíamos pensar que ela teria uma carreira brilhante pela frente, mas foi a outra adolescente, Demi Moore, que conseguiu uma carreira mais sólida e duradoura.
Michelle em foto recente
Como estamos passando as férias no Brasil, não poderiam faltar... brasileiros! Além dos cantores e dançarinos que são apenas extras, há duas presenças importantes made in Brazil: Lupe Gigliotti (1927-2010), atriz e humorista que aparece brevemente no papel da senhora Botega, e o grande José Lewgoy (1920-1983). Lewgoy estudou atuação em Yale e participou de mais de cem filmes, geralmente interpretando vilões. Ele também trabalhou em "Fitzcarraldo" (1982), "O beijo da mulher aranha" (1985) e "Cobra Verde" (1987). Aqui ele é Eduardo Marques, o cicerone de Matthew e Victor no Brasil, e fala inglês com perfeição.
Este foi o último filme dirigido por Stanley Donen (provando que quem começou com “Um dia em Nova York / On the Town” em 1949 pode muito bem terminar a carreira com um fiasco), e em 1985 Donen se divorciou da quarta esposa, Yvette Mimieux, que o incentivou a fazer o filme como um remake da produção francesa “One Wild Moment” (1977). Ah, e para provar que Donen perdeu o talento que tinha com musicais, basta prestar atenção na música-tema, uma pseudo-lambada horrorosa. Mas há um momento musical que faz tudo valer a pena: a inserção de um trecho do filme “Voando para o Rio / Flying Down to Rio” (1933)... Valeu a pena ver um filme tão brega!
This is my contribution for the 1984-a-thon, hosted by Todd at Forgotten Films. Big Brother is watching, and so should you!

sábado, 23 de agosto de 2014

Império do Sol / Empire of the Sun (1987)

Eu estava vendo as notícias semana passada, quando tive uma estranha sensação de déjà vu. O que passava na televisão era a entrega de comida para as vítimas dos bombardeios em Gaza. Fardos e mais fardos de alimentos eram jogados de helicópteros e as pessoas, famintas e desesperadas, corriam para garantir a refeição. Eu tive a sensação de que já havia visto esta cena antes e, como eu nunca estive em uma zona de guerra, concluí que havia visto a cena no cinema. Não demorou para que eu me lembrasse: eram John Malkovich e o pequeno Christian Bale que corriam para pegar os donativos em campo aberto em “Império do Sol”.
Jamie Graham (Christian Bale) é um garoto inglês que está em Xangai com seus pais. A Segunda Guerra Mundial ainda está para chegar àquela parte do mundo, mas isso não significa que haja paz: desde 1937 o Japão e a China estão em guerra. Quando acontece o ataque a Pearl Harbor, os estrangeiros precisam sair da China, mas Jamie é separado de seus pais durante um tumulto na estação de trem. Aconselhado pela mãe desesperada, ele volta para casa e passa alguns dias, mas logo decide se aventurar pelas ruas chinesas...

Nas ruas ele encontra um grupo de soldados americanos, entre eles Basie (John Malkovich). Num primeiro momento, os soldados não querem a companhia do garoto, mas Jamie (apelidado de Jim por Basie) diz que sabe onde há comida para todos. Voltando para sua grande casa, Jim e os soldados são surpreendidos pelos japoneses que ocuparam o local. Jim e Basie são levados para um campo de prisioneiros.
As cenas no campo muitas vezes lembram “Inferno Nº 17 / Stalag 17” (1953), filme de Billy Wilder sobre um campo de prisioneiros de guerra onde, felizmente, não havia nenhuma criança. Mas, se esta criança está destinada a crescer e se tornar o Batman, não há nada a temer, certo? Errado. A experiência como prisioneiro no campo japonês não é fácil para Jim, mas por vezes parece ser parte de uma traumática brincadeira de um garotinho fascinado por aviões que vira o mascote de soldados americanos presos. Ah, e por falar em campo de prisioneiros, aquele que mais influenciou Spielberg para fazer o filme foi o de “A ponte do Rio Kwai” (1957), filme favorito de Steven na infância e cujo diretor, David Lean, estava contratado para dirigir “Império do Sol” antes de Spielberg se juntar ao projeto.
Spielberg usou o tema da guerra em muitas de suas produções. Ele revisitaria a Segunda Guerra Mundial por outro ângulo naquele que é talvez seu mais famoso filme, “A Lista de Schindler / Schindler's List” (1993). A Primeira Guerra é o conflito que muda a vida de homens e animais em “Cavalo de Guerra / War Horse” (2011), filme que conta com a tocante cena de dois soldados de lados opostos que se unem por um momento para salvar o cavalo protagonista.
Pôster polonês
Trabalhar com crianças que se tornariam ícones do cinema também não era novidade para Spielberg. Quem pode se esquecer da mini Drew Barrymore em “ET” (1982)? Aqui Christian Bale, aos 12 anos, tem seu primeiro papel de destaque no cinema, e isso graças à então esposa de Spielberg, a atriz Amy Irving, que contracenava com Christian na minissérie “Anastasia” (1986), e que convenceu Spielberg a chamar o garoto para um teste. Foram mais de 4 mil pequenos atores testados, e fica claro desde o começo que Christian Bale foi a escolha certa.
Bale, Spielberg, Malkovich
Muitas vezes, “Império do Sol” passa despercebido na grande e variada filmografia de Spielberg, mas não deveria. A canção-tema melancólica e bela, “Suo Gân”, é do País de Gales e combina perfeitamente com o filme. Porque, acima de tudo, uma história de guerra é uma história triste, e ninguém passa pela guerra impune. Por isso o próprio Spielberg classificou este como o melhor filme sobre a perda da inocência que ele fez na carreira. Só isso já é motivo suficiente para ver “Império do Sol”. Além, é claro, do meu déjà vu do começo, que mostra como, sempre, a vida imita a arte. Ou seria o contrário?

This is my contribution for the Steven Spielberg blogathon, hosted by Kellee at Outspoken & Freckled, Aurora at Citizen Screenings and Michael at It Rains… You Get Wet.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Resenha: “Na Sala Escura”, de Chico Lopes

Cada novo filme que estreia recebe um parágrafo de sinopse e uma nota, baseada em sabe-se lá qual critério. A boa e velha crítica de cinema reflexiva está quase morta. Digo “quase” porque ela sobrevive nos livros, como neste “Na Sala Escura” de Chico Lopes. Se você quer ir além do simples press-release e explorar artigos longos e cheios de detalhes sobre o melhor do cinema, este livro é para você.
Há um desfile de produções para todos os gostos, de todas as épocas: de Garbo a Herzog, de Hitchcock a Bertolucci, do terror ao cinema nacional, dos épicos aos filmes de ficção científica. E cada capítulo (seria melhor dizer “cada artigo”) se divide em subcapítulos, e lá estamos nós analisando várias obras de David Lean em sequência.
Concordo com muitas coisas que Chico escreve, em especial sobre o esquecimento de algumas estrelas, sobre o novo significado que damos a um filme favorito de infância / juventude quando o vemos mais maduro e, sobretudo, sobre a bestialização do público: em um mercado em que só os lucros importam, não é necessário se dedicar muito para fazer um filme artístico, sendo que um medíocre dá mais lucros. Nas palavras do autor: “[...] tem-se a impressão – que o passar do tempo só confirmou – que o público se tornou uma horda de dementes com um QI de passarinho e uma fúria homicida e auto-punitiva sem limites.” (pág. 115)
Percebeu como o texto é ácido? Isso faz com que em alguns momentos nós discordemos com veemência das opiniões do escritor. Para mim, foi um pouco difícil de engolir o capítulo sobre Hitchcock, em que alguns vilões são analisados sob a óptica psicanalítica e a conclusão é que o tio Charlie (Joseph Cotten em “Sombra de uma Dúvida”, 1943) e Bruno Anthony (Robert Walker em “Pacto Sinistro / Strangers on a Train”, 1951) têm em comum algum tipo de tara sexual!
Quando um livro é formado por artigos escritos em épocas diferentes da vida do autor (e olhe que a opinião de alguém pode mudar em questão de meses ou anos), um problema pode ser a incongruência. Por exemplo: achei estranho Chico falar que tem entre seus filmes favoritos “A ponte de Waterloo” (1940) no começo do livro e, no final, chamá-lo de “lixo sentimental”. Ora, a preferência de um cinéfilo tem razões que a própria razão desconhece!
Conheço Chico Lopes desde sua época pré-Jabuti, e posso dizer que sua escrita é surpreendentemente distinta de sua personalidade. Quem lê o sombrio “O estranho no corredor” ou as partes mais cáusticas deste “Na Sala Escura” pode imaginá-lo como uma pessoa ranzinza e muito séria, muito diferente do verdadeiro senhor sorridente que dava gargalhas ao rever, com o público cinéfilo do Instituto Moreira Salles, as performances de Jack Lemmon. Essa metamorfose literária é, ao mesmo tempo, desconcertante e curiosa.
Livro por dentro: repare no foco de luz que lembra a lente de uma câmera
(o marcador de filme foi por minha conta)
Mas minha leitura não foi feita só de discórdias: também concordei com muitos pontos e fiquei feliz ao ser lembrada de outros. Fui à procura imediata de um dos filmes analisados, “Stroszek” (1973), e me senti satisfeita ao reencontrar Bruno S. e Werner Herzog. Tive vontade de rever dez vezes seguidas “Um corpo que cai / Vertigo” (1958) apenas para apreender todos os detalhes descritos no livro (como houve uma época em que me esqueci da cena “I look up, I look down”?) e me senti transportada novamente para a festa-clímax de “O Leopardo” (1963).
Com prefácio de Ignácio de Loyola Brandão e acabamento perfeito da Editora Penalux, “Na Sala Escura” é um ótimo convite a descobrir, brigar, debater e reviver a paixão pelo cinema. 

domingo, 3 de agosto de 2014

A Caixa Mágica / The Magic Box (1951)

Na minha opinião, o melhor cineasta ainda em atividade é Martin Scorsese. Não apenas porque os filmes dele são de excelente qualidade, mas principalmente porque ele ama os filmes antigos. Scorsese é um admirador e apoia as campanhas de conservação de filmes. Ele tem até uma pequena coluna no site do canal TCM. Scorsese é uma pessoa especial. E o filme que o convenceu a tornar-se cineasta tem de ser mais especial ainda: “A Caixa Mágica”.

In my opinion, the best filmmaker still working is Martin Scorsese, not only because his films are usually great, but mainly because he loves old movies. Scorsese is a movie buff and supports film preservation campaigns. He even has a small monthly column at the TCM website. Scorsese is a special person. And the film that made him want to be a filmmaker ought to be even more special: “The Magic Box”. 




Esta é a história do mais desconhecido pioneiro da sétima arte. Qualquer um conhece Méliès, Thomas Edison e os irmãos Lumière, e só os cinéfilos mais dedicados sabem quem foram Segundo de Chomón ou Eadweard Muybridge. Mas o mais obscuro dos pais do cinema ainda é William Friese-Greene (1855 – 1921), que eu mesma desconhecia até ver o filme.

This is the story of the most unknown film pioneer. Any person knows Méliès, Thomas Edison and the Lumière brothers, and only the biggest cinephiles know Segundo de Chomón or Eadweard Muybridge. But the most obscure of all film fathers still is William Friese-Greene (1855-1921), one even I didn't know until I watched his biopic.



William Friese-Greene revive em flashback sua trajetória. Ele se encontra agora em uma convenção de industriais para decidir o futuro do cinema e ele próprio, um pioneiro no negócio, é desconhecido e incompreendido. Em sua juventude, William (Robert Donat) é um jovem fotógrafo cheio de ideias inovadoras que desagradam seu patrão, Maurice Guttenberg (Frederick Valk). Demitido, William começa seu próprio negócio de fotografia com a esposa Helena (Maria Schell). Mas o sonho do fotógrafo sempre foi outro: dar movimento às imagens.

William Friese-Greene tells his story in a flashback. He is now in a industrial convention to decide the future of cinema and he, a film pioneer, is unknown and misunderstood there. In his youth, William (Robert Donat) is a young photographer full of innovative ideas that displease his boss, Maurice Guttenberg (Frederick Valk). Fired, William starts his own photography business with his wife, Helena (Maria Schell). But his real dream was to make moving images. 



Ele passa então a se encontrar com John Arthur Roebuck Rudge e a se interessar pelas lanternas mágicas, que eram as avós do cinema (isso não é mostrado no filme) e usavam fotografias capturadas em chapas de vidro, que impediam a adição de movimento. William queria mais, e tirou dinheiro do próprio bolso para construir uma câmera que, finalmente, colocou imagens em movimento, ainda que fossem apenas 8 fotos por segundo (os filmes de hoje projetam 24 imagens por segundo). Quem assiste a essa primeira exibição histórica sem entender nada é um policial interpretado por Laurence Olivier, em uma participação muito especial (atenção: ele é um dos muitos cameos!). Mas a história nos conta algo diferente: sim, Friese-Greene conseguiu colocar imagens em movimento... em 1889, menos de um ano depois de “Roundhay Garden Scene”, de Le Prince, que contava com 10 a 12 imagens por segundo. Le Prince também “filmou” um homem virando uma esquina em 1887, e os negativos foram organizados em um pequeno filme.

He then starts meeting John Arthur Roebuck Rudge and becomes interested in magical lanterns, the precursors to cinema (something not shown in the film) that used static photographies in glass supports. William wanted more, and used his own savings to build a camera that, finally, put images in movement, even though he could only show 8 pictures per second (the modern films show 24 pictures per second). The only spectator of Friese-Greene's historical first exhibition is a police officer played by Laurence Olivier, who understands nothing that is going on (pay attention: Olivier is only one of the many cameos!). But history tells us something different: yes, Friese-Greene managed to put images in moviment... in 1889, less than a year after “Roundhay Garden Scene”, by Le Prince, that had from 10 to 12 images per second. Le Prince also “filmed” a man walking around a corner in 1887, and the negatives were organized in a small film.


Depois de ganhar um prisma da esposa, William decide que seus próximos esforços serão para adicionar cor às imagens em movimento! Quem conta essas desventuras, também em flashback, é a segunda esposa de William. Na vida real, ele desenvolveu o “Biocolour”, mas não foi adiante devido ao bizarro fato de os inventores ingleses do processo “Kinemacolor” terem patenteado os filmes coloridos... Sendo que eles próprios “roubaram” a ideia do falecido Edward Raymond Turner! Mas William lutou nos tribunais e, em 1914, recebeu o “direito” de usar seu sistema Biocolour, que na década seguinte foi melhor desenvolvido por seu filho Claude.

After he gets a prism from his wife, William decides that his next efforts will be to add color to the images in movement! The person telling these efforts, also in flashback, is William's second wife. In real life, William developed the Biocolour process, but he didn't go ahead because the Englishmen who invented the Kinemacolor process patented color films... And in reality they stole the idea from the deceased Edward Raymond Turner! But William fought in the courts and, in 1914, he received the right to use his Biocolour system, and in the following decade it was better developed by his son Claude.


No filme, William Friese-Greene tem todas as características estereotipadas do grande inventor: ele não se conforma com seu pequeno emprego, briga com o chefe cabeça-dura, é um visionário e um sonhador (o chefe chega a perguntar: “Do you think people really want to see moving pictures?”). Ele gasta tudo em seus inventos, mas não recebe o merecido reconhecimento. E tudo isso por um golpe de azar, tão comum aos pioneiros do cinema: o filme de Friese-Greene de 1889 não existe mais. Entretanto, ele conseguiu repetir o experimento em 1910, em uma disputa legal contra Thomas Edison para decidir quem era o inventor do cinematógrafo. William não apenas filmou e projetou as imagens em movimento, mas também o fez com fitas de celulose.

In the film, William Friese-Greene has all the stereotyped characteristics of a great inventor: he doesn't like his simple small job, fights with a stubborn boss, is a visionary and a dreamer (his boss even asks: “Do you think people really want to see moving pictures?”). He spends everything in his inventions, but does not receive the recognition he deserves. And all that because of the kind of bad luck that strikes many film pioneers: Friese-Greene'd 1889 film doesn't exist anymore. However, he managed to repeat his experiment in 1910, in a legal dispute against Thomas Edison to decide who invented the cinematograph. William not only filmed and exhibited the moving images, but he did that in celulose tapes. 



Mas foi Friese-Greene o real, pioneiro inventor do cinema, como ambos o filme e sua família advogam? Não exatamente. É impossível saber quem teve a ideia primeiro, em especial porque muitos documentos foram perdidos e não havia a rapidez das comunicações que temos hoje. Sim, Le Prince filmou em seu jardim em 1888, Edison (mais empresário que inventor) estava fazendo experiências em 1891, e em 1895 os irmãos Lumière faziam a primeira exibição pública de um filme. A verdade é que o cinema tem muitos pais, mas é imperdoável retirar o nome de William Friese-Greene da certidão de nascimento da sétima arte. 

Was William Friese-Greene the real, the pioneer, the inventor of cinema, as both “The Magic Box” and his family say? Not exactly. It's impossible to know who had the idea first, because many documents were lost and there weren't fast means of communication as the ones we have today. Yes, Le Prince filmed his garden in 1888, Edison (more a businessman than an inventor) was making experiences in 1891 and in 1895 the Lumière brothers made the first public exhibition of a movie. The truth is that cinema has a lot of fathers, but we can't remove William Friese-Greene's name from cinema's birth certificate.


This is my contribution to the British Invaders Blogathon, hosted by Terry Towles Canote from the blog A Shroud of Thoughts. Yes, sir!


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