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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Minha vida com Liberace / Behind the Candelabra (2013)

Espere um momento: o blog não é sobre cinema clássico? O que um telefilme de 2013 está fazendo aqui? “Behind the Candelabra” pode ser uma produção moderna, mas tem todo um toque retrô, e inclusive cita muitos filmes e celebridades do cinema clássico, ao tratar de um período importante na vida do primeiro e único pianista showman: o extravagante Liberace.
É 1977, e Liberace (Michael Douglas), já um consolidado criador de espetáculos para os olhos e ouvidos, está com 58 anos. Ele é apresentado ao jovem Scott Thorson (Matt Damon), garoto relativamente carente que sonha em ser veterinário. Começa então um relacionamento que vai mudar para sempre a vida de ambos. Scott, que tinha apenas 18 anos quando conheceu Liberace e que foi criado em orfanatos, é apresentado a um mundo de luxo, riqueza, joias e vaidade.     
Liberace começou a tocar piano aos quatro anos, mas começou a fazer sucesso só na década d 1940. Do filme “À Noite Sonhamos / A Song to Remember” (1945) ele tirou a ideia de colocar um candelabro em cima do piano, o que se tornou sua marca registrada. Subvertendo o jeito sisudo dos pianistas, deixando o instrumento mais dinâmico e animado, Liberace conquistou os palcos, os clubes e as telas da televisão. Suas roupas eram exageradas, seu carisma, inigualável, e seu talento, imbatível. Conversava com a plateia enquanto tocava e seus shows eram garantia de ingressos esgotados.
Michael Douglas está fantástico como Liberace. Ele realmente mereceu ganhar todos os prêmios da temporada. Exagerada, mas humana, sua interpretação chega a dar um recado para os muitos preconceituosos de Hollywood. Explicando: o filme deveria ser distribuído comercialmente nos cinemas em 2008, mas todos os produtores com quem o diretor Steven Soderbergh conversou se recusaram a financiar e distribuir o filme, dizendo que era “demasiado gay”. E chega a cena em que Liberace conta como sobreviveu a uma grave doença nos rins. A frase é impactante:

“I knew my life would not have been spared if being gay was the sin the Church said it was”.

Mesmo com 42 anos, Matt Damon está bem como o jovem Scott (a idade dele não é revelada no filme). Outro que se destaca é Rob Lowe, com a aparência mais bizarra possível para viver um cirurgião picareta, ao mesmo tempo cômico e trágico. Muita maquiagem foi necessária para caracterizar os dois atores. O filme foi distribuído nos cinemas europeus, o que rendeu a Matt uma indicação ao Bafta de Melhor Ator Coadjuvante. Por falar em coadjuvante, outra que tem boas cenas é Debbie Reynolds, irreconhecível como a mãe de Liberace. Debbie chegou a conhecer o cantor e sua família, inclusive participando de especiais dele para a TV. E as coincidências não param por aí: o único ator de Hollywood presente no funeral de Liberace era ninguém mais ninguém menos que Kirk Douglas.
O filme é tão bom que até o cachorro ganhou um prêmio, mesmo estando presente em uma só cena: Baby Boy, o poodle cego de Liberace, ganhou o Palm Dog Award no Festival de Cannes. O telefilme também foi o grande vencedor do Emmy, com prêmios em categorias técnicas e também de atuação. De fato, o cuidado com os detalhes é incrível, e os cenários são de deixar qualquer um boquiaberto. Se todo o luxo durante o filme não fosse suficiente, há também os lindos pianos em miniatura que aparecem nos créditos finais. Eu queria comprar todos eles!
Baseado no livro de Scott Thorson, “Behind the Candelabra” pode ser o último trabalho de Steven Soderbergh, responsável pela trilogia dos “11 homens e um segredo” (Ocean’s 11), “Erin Brockovich” e “Sexo, Mentiras e Videotape”, além de produtor de sucessos como “Precisamos falar sobre o Kevin”. Em uma entrevista enigmática, ele disse que vai se retirar por um tempo e voltará se tiver se reinventado como diretor. Esperamos que, assim como fazia Liberace, ele volte de maneira triunfal.


This is my contribution to the Steven Soderbergh Blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimar – Diary of a Movie Lover.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

E se... Skyfall fosse protagonizado por Sean Connery?

O ano é 1965. Já estreou “007 contra o satânico Dr No / Dr No” em 1962, Bond já fez seu esforço anti-soviético em “Moscou contra 007 / From Russi with Love” em 1963 e já surgiu nas telas talvez o mais icônico filme do agente, “007 contra Goldfinger / Goldfinger” em 1964. Imagine que os livros de Ian Fleming não são mais interessantes e a ideia é criar uma história original com o personagem. Sim, porque o roteiro de “007 – Operação Skyfall / Skyfall”, de 2012, é original, e com certeza muitos saudosistas assistiram a esse filme pensando: “Sean Connery foi o melhor James Bond!”. Bem , e se Skyfall fosse feito em 1965?

James Bond (Daniel Craig): Sean Connery
M (Judi Dench): Marlene Dietrich
Silva (Javier Barden): Anthony Perkins
Eve Moneypenny (Naomie Harris): Rita Moreno
Gareth Mallory (Ralph Fiennes): Bing Crosby
Q (Ben Whishaw): Dean Stockwell

Na década de 1960, eram poucas as atrizes que chegavam à meia-idade e continuavam com bons papéis. Ou era interpretar a vovozinha ou aposentadoria. Mas não para Marlene Dietrich. A alemã nunca se curvou aos estereótipos de Hollywood e continuou com papéis marcantes, como em “Testemunha de Acusação / Witness for the Prosecution” (1957) e “O Julgamento de Nuremberg / Judgement in Nuremberg” (1960). Ela seria perfeita para o papel de M, a chefe meio mãe de 007.
E que clichê temos aqui? Considero Anthony Perkins um ator muito versátil, mas que não conseguiu escapar do fantasma de Norman Bates. E, se pensarmos bem, o vilão Silva tem algo em comum com Norman...
Hoje 007 tem uma companheira mulata, mas isso seria pouco provável na década de 1960. Mesmo assim, o papel de fica com Rita Moreno, cuja carreira estava no auge após receber o Oscar em 1962.
Mallory, personagem de Ralph Fiennes, é o presidente do Comitê de Inteligência e Segurança, e está cotado para ficar no lugar de M. Acredito que Fiennes tem uma pequena semelhança com Bing Crosby. E quem não gostaria de ver Bing e Marlene Dietrich brigando pelo cargo de chefe do MI6?
Dean Stockwell, um dos poucos atores mirins que prosperaram na carreira, seria o jovem gênio do MI6, Q, o responsável pelas geringonças mirabolantes usadas por Bond.
Sean Connery teria muitas oportunidades para mostrar seu físico e seu peito peludo nas mesmas situações que Daniel Craig o fez. Passando pela China, Turquia e pela velha propriedade da família Bond, o 007 original teria árias cenas de ação a serem filmadas.
Ah, antes que eu me esqueça: a música ganhadora do Oscar, Skyfall, seria cantada por Dusty Springfield.

Seria ou não um sucesso?

domingo, 12 de janeiro de 2014

1925: um ano inesquecível

AVISO: este post é muito, muito longo. Mas vale a pena ser lido / assistido.

1925 não foi um ano bom para o cinema. Foi um ano ótimo. Excelente. Sensacional. Os três grandes nomes da comédia muda estrelaram longas-metragens (Buster Keaton estrelou dois!), o filme mais caro do cinema mudo foi feito depois de muito atraso (Ben-Hur), uma obra de referência para aspirantes a cineastas e revolucionários surgiu na URSS (O encouraçado Potemkin), Garbo fez o filme que a traria para a América (Rua das Lágrimas) e uma obra-prima sacudiu o mundo (O Grande Desfile).
Technicolor em "O Fantasma da Ópera"

Muitos dos futuros astros e estrelas fizeram suas primeiras participações. Myrna Loy, Clark Gable, Carole Lombard estavam lá, como extras irreconhecíveis na multidão. Mas por pouco tempo. Outros tantos futuros astros nasceram em 1925: Jack Lemmon, Julie Harris, Paul Newman, Dorothy Malone, Lee Van Cleef, Joan Leslie, Farley Grangr, Peter Sellers, Angela Lansbury, Richard Burton, Tony Curtis, Rock Hudson, Sammy Davis Jr, Dick Van Dyke...

Mas quais os melhores filmes de 1925? Se houvesse Oscar naquele ano, quem ganharia? Para responder isso, eu criei meu próprio Oscar, disponível no vídeo abaixo:


E agora, uma breve sinopse de 19 filmes de 1925 que eu vi para escrever este post:

Chess Fever: Uma cidade russa recebe um campeonato de xadrez, fazendo com que todos os habitantes se tornem entusiastas do jogo. Mas um deles exagera.

Em busca do ouro / The Gold Rush: Charles Chaplin é o adorado vagabundo no Klondike, onde ele espera encontrar ouro para dar uma vida melhor à mulher que ama (Georgia Hale).

Vaqueiro Avacalhado / Go West: Um homem sem amigos (Keaton) vai para o Oeste e começa uma história de amor e amizade com uma vaca.

O Calouro / The Freshman: Harold Lamb (Harold Lloyd) está ansioso para ir para a faculdade. Ele acredita que poderá ser popular se agir como o personagem de um filme, o que inclui fazer uma dancinha e jogar futebol americano.

Sete Oportunidades / Seven Chances: Buster Keaton herdará sete milhões de dólares se se casar até as sete horas de seu vigésimo sétimo aniversário. Ele então sai em busca de uma noiva.

O encouraçado Potemkin: Com um bocado de glamour, o filme conta como os marinheiros do Potemkin se rebelaram contra as condições terríveis do navio e assim iniciaram um levante que contagiou a cidade de Odessa.

Variety / Varieté: Um acrobata (Emil Jannings) e sua amante (Lya de Putti) têm a chance de se apresentar em um grande espetáculo, mas o dono do show começa a flertar com a moça, despertando ciúmes.

O Fantasma da Ópera / Phantom of the Opera: A ópera de Paris é surpreendida por rumores de que uma estranha criatura (Lon Chaney) mora no subsolo e faz de tudo para ajudar a cantora Christina (Mary Philbin) a prosperar na carreira.  

O Mundo Perdido / The Lost World: O professor Challenger (Wallace Beery) organiza uma expedição para a Amazônia com o objetivo de provar a existência de dinossauros vivos. No grupo estão o repórter Ed Malone (Lloyd Hughes), o rico aventureiro Lorde Roxton (Lewis Stone) e Paula White (Bessie Love), filha de um explorador morto na expedição anterior.

Body and Soul: O criminoso “Big Carl” foge da prisão e passa a se apresentar como reverendo Jenkins (Paul Robeson em seu filme de estreia). Na cidade em que ele prega vive a carola Martha Jane (Mercedes Gilbert), que deseja que a filha Isabelle se case com o perigoso reverendo.

O Águia / The Eagle: Valentino é um oficial da guarda da czarina que deserta ao saber que o pai está morrendo. Ele então decide se vingar do homem que roubou o patrimônio da família, adotando a identidade de Águia Negra.

Sua vida pelo seu amor / Little Annie Rooney: Em um de seus últimos papéis de criança, Mary Pickford é Annie, uma garota pobre que se apaixona pelo amigo do irmão, membro de uma gangue.

Rua das Lágrimas aka Joyless Street / Die Freudlose Gasse: Greta (Greta Garbo) e Marie (Asta Nielsen) vivem na pobreza em Viena em 1921. Enquanto Marie foge de casa e cai na prostituição, Greta tem dificuldades para pagar as dívidas do pai e vê como única saída dançar em um cabaré.

Ben-Hur: A Tale of the Christ: Judah Ben-Hur (Ramon Novarro) quer se vingar do velho amigo Messala (Francis X. Buschman), que se tornou um soldado romano preconceituoso. Em sua jornada, Ben-Hur conhece Jesus e decide então seguir e defender o Messias.      

The Pleasure Garden: Neste “primeiro” filme dirigido por Hitchcock (ele dirigiu outros antes, mas considerava este o primeiro), as coristas Patsy (Virginia Valli) e Jill (Carmelita Geraghty) precisam tomar uma decisão quando seus namorados vão para a América. Jill promete esperar para se casar, enquanto Patsy se casa rapidamente com homem que é infiel.

O grande desfile / The big parade: O jovem e rico Jim Apperson (John Gilbrt) vai para a Primeira Guerra Mundial e faz amizade com o operário Slim (Karl Dane) e o barman Bull (Tom O’Brien). Com a divisão do exército treinando em vila francesa, Jim conhece a adorável Melisande (Renée Adorée), mas precisa deixá-la para ir ao front.

A viúva alegre / The merry widow: O príncipe Danilo Petrovich (John Gilbert) se apaixona pela dançarina Sally O’Hara (Mae Murray), mas sua posição e sua família impedem o casamento. Devastada, Sally se casa com velho banqueiro que sustenta a família real.
Ação, ciúme, pancadaria!

O feiticeiro de Oz / The wizard of Oz: Esta versão muito louca da história de L. Frank Baum mostra Dorothy (Dorothy Dwan) como a rainha perdida de Oz, que foi levada ainda bebê para o Kansas. Já crescida, ela desperta a paixão de um fazendeiro (Larry Semon, o faz-tudo do filme). Oliver Hardy interpreta outro fazendeiro.

O leque da lady Margarida / Lady Windermere’s Fan: Oscar Wilde é o autor da história de lady Margaret Windermere (May McAvoy), ou melhor, da mãe dela, Mrs Erlynne (Irene Rich), que foi uma mulher de vida desregrada. Depois de muitos anos, Mrs Erlynne volta a Londres mas, para evitar que Margaret, que pensa que a mãe morreu, tenha uma surpresa desagradável, o Lorde Windermere paga uma quantia para Mrs Erlynne deixá-los em paz.  

Wow! This is my contribution for the Film History Project Blogathon, hosted by Fritzi, Aurora and Ruth, respectively at Movies, Silently, Once Upon a Screen and Silver Screenings.
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