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segunda-feira, 31 de março de 2014

Tudo que sei sobre beisebol, eu aprendi no cinema

Nelly Kelly loved baseball games,
Knew the players, knew all their names.
You could see her there ev'ry day,
Shout "Hurray"
When they'd play.
Her boyfriend by the name of Joe
Said, "To 
Coney Isle, dear, let's go",
Then Nelly started to fret and pout,
And to him, I heard her shout:
Take me out to the ball game,
Take me out with the crowd;
buy me some 
peanuts and Cracker Jack,
I don't care if I never get back.
Let me root, root, root for the home team,
If they don't win, it's a shame.
For it's one, two, three strikes, you're out,
At the old ball game.
Antes de tudo: eu não entendo nada de esportes. Seguindo o bom e velho estereótipo nerd, eu detesto esportes. Por isso, não é de se espantar que eu saiba muito pouco sobre beisebol. E, estando no Brasil, isso talvez não fizesse muita falta para mim, afinal, eu sei um pouco sobre futebol, o esporte favorito da nação. Mas o beisebol é parte importante da cultura americana, e aparece em muitos filmes. Para entendê-los, é necessário saber um mínimo sobre o beisebol. E foi graças a esses filmes que eu aprendi um pouquinho sobre o esporte. Não a ponto de me tornar a Nelly Kelly da música acima, mas...

Gene Kelly e Frank Sinatra interpretaram jogadores de beisebol que eram também artistas de vaudeville em “A Bela Ditadora / Take me out to the ball game” (1949). E foi esse filme que me ensinou que, além de O’Brien, Ryan e Goldberg, citados na música, há outros seis jogadores num time, totalizando nove. E essa música em particular me ensinou também que um jogo de beisebol é dividido em innings. Mas “O’Brien to Ryan to Goldberg” não é a música mais importante do filme. A mais importante é a que dá título ao filme, composta em 1908. A história de Gene e Frank como jogadores de beisebol se passa entre 1909 e 1911, mas a letra que eles cantam para “Take me out to the ball game” é de 1927. Incongruências à parte, essa música é o hino do beisebol.


Também de 1908 é o poema “Casey at the bat” (a letra original de “Take me out...” apresentava Katie Casey, e não Nelly Kelly), adaptado para as telas do cinema mudo e animado pelos estúdios Disney em 1946. A rima divertida não acabou por aí, pois em 1954 Disney atacou de novo com “Casey bats again”, mostrando desta vez o time de beisebol formado pelas filhas de Casey. 

Além de Gene Kelly, havia outros fãs de beisebol em Hollywood. Um dos mais notáveis é Joe E. Brown (segundo meus avós, o apelido dele aqui no Brasil era “boca larga”), mais conhecido pelo papel de Osgood Fielding III em “Quando mais quente melhor / Some like it hot” (1959). Antes de se apaixonar por Jack Lemmon em roupas de mulher, Joe protagonizou filmes sobre beisebol: “De bom tamanho / Elmer the Great” em 1933 e “Alibi Ike” em 1935. Ambos foram adaptados para o rádio poucos anos depois, e Joe reprisou seu papel.


Joe E. Brown fez outro filme sobre beisebol, “Fumo e Fumaça / Fireman, save my children” (1932), mas seu fanatismo pelo esporte ia além das telas: na vida real, ele serviu muitas vezes como radialista em dias de transmissão de jogos. O filho de Joe também era fanático pelo esporte e foi empresário do time Pittsburgh Pirates por mais de 20 anos.

Por falar em comediantes e beisebol, há também a famosíssima sequência “Who’s on First?”, retirada do filme de Abbott e Costello “The Naughty Nineties”, de 1945. Embora eles já tenham feito essa cena anteriormente, aqui ela aparece por completo:

Vamos voltar um pouco no tempo, para o cinema mudo. A comédia era o gênero que mais usava o beisebol, embora o esporte tivesse seu lugar até mesmo nas cinebiografias do período, como “The Babe Ruth Story” (1920), em que o próprio jogador encena sua vida de maneira bem fantasiosa. Já na comédia, Buster Keaton, interpretando um nerd, tenta com muita atrapalhação aprender a jogar beisebol em “Amores de Estudante /College” (1927). E podemos ir um pouco mais longe, com “The Busher” (1919), divertido filme sobre beisebol que traz John Gilbert como antagonista (!).

Se estes filmes todos foram informação demais para você, leitor, não se preocupe. Um único filme é suficiente para transformar qualquer um em perito no esporte. Em menos de oito minutos você pode aprender tudo sobre beisebol... com a Disney:
 This is my contribution to the Big League Blogathon, hosted byTodd at Forgotten Films. Nelly Kelly loved baseball games…

quinta-feira, 20 de março de 2014

Casal 20 / Hart to Hart e o ilustre Ray Milland

Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de “Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.

Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards, o pai de Jennifer.


No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra, Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o próximo da lista.

O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar, de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle” (1969).   

Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.


Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema: Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic” (1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias / The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph Cotten e Fernando Lamas.

Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos, participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).      

Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born” (1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste” (1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to Hart.

Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland faleceu em 1986.

Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart, entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal, de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só se poderia esperar um bom toque clássico.

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was. 


domingo, 16 de março de 2014

William Powell: nosso detetive favorito

Com seu cabelo preto repartido no meio, seu bigode impecável, seus olhos claros cristalinos na película e seu charme inconfundível, William Powell dominou a década de 1930. Ele foi um dos grandes abençoados com a chegada do som, pois sua voz foi prontamente considerada “afrodisíaca” pelo público feminino. Seu personagem mais famoso do período é o detetive movido a álcool Nick Charles, mas foi outro detetive que solidificou a carreira de Powell.

Assim como muitos homens da lei que foram da literatura para o cinema (I’m looking at you, Sam Spade), Nick Charles fez o mesmo caminho. O livro “A ceia dos acusados / The Thin Man”, de Dashiell Hammett, foi publicado em 1934. Antes disso, entretanto, surgiram as histórias do detetive Philo Vance, de autoria de S. S. Van Dine. Foram ao todo doze livros, publicados de 1926 a 1939, todos com o título genérico “The ? Murder Case”, em que a interrogação era sempre substituída por uma palavra de seis letras. O sucesso dos livros foi tanto que logo eles foram adaptados para o cinema.   


Em “The Canary Murder Case”, Philo Vance aparece para investigar a morte da showgirl apelidada de Canary (Louise Brooks), embora seu nome verdadeira seja Margareth O’Doe. Ela havia anunciado seu noivado com o herdeiro de uma fortuna, Jimmy Spottswoode (James Hall) o que desagradou ao pai dele, Charles (Charles Lane) e aos vários amantes de Canary.

Este primeiro filme de Philo foi gravado como um filme mudo. Bill Powell fez sua estreia no cinema mudo, em 1922, e foi conseguindo papéis cada vez melhores, porém quase sempre como coadjuvante. Pouco antes do lançamento, os executivos da Paramount decidiram transformar a obra em um filme falado, e todo o elenco foi recrutado para dublar suas próprias falas. Louise Brooks não voltou para a dublagem, pois havia se mudado para a Europa, e a atriz Margaret Livingston foi contratada para o serviço. Embora seja difícil de notar que os diálogos foram dublados, pois a sincronização é muito bem feita, é verdade que a voz de Canary não combina muito com sua imagem de flapper interesseira (a pronúncia “dahling” em especial).


O segundo filme, também de 1929, é “The Greene Murder Case”. Aqui, Vance chega a uma casa que vê uma tragédia acontecer no ano novo: o patriarca é morto e uma de suas filhas, baleada. Ele havia acabado de ler seu testamento para os três filhos, a esposa inválida e o médico da família, disputado pelas duas irmãs, Ada (Jean Arthur) e Sibella (Florence Eldridge). Há também os excêntricos empregados, entre eles uma viúva alemã e uma mulher que anuncia o apocalipse. Este filme se destaca pelos incríveis travellings e tomadas aéreas.

Jean Arthur, cujo sobrenome verdadeiro era, por coincidência, Greene, esteve nestes dois primeiros filmes, tendo um papel de menor destaque em “The Canary...”. Além de William Powell, outra presença constante na série de Philo Vance é Eugene Pallette como o sargento Ernest Heath, um policial cheio de teorias ruins para os crimes, mas que sempre busca levar o crédito quando o mistério é solucionado. Isso não torna o personagem antipático, mas sim divertido. Aliás, a adaptação dos livros de S. S. Van Dine foi bem generosa ao tornar também Philo Vance mais simpático.

William Powell apareceu, em 1930, em um esquete de “Paramount on Parade” como Philo.

O terceiro filme não foi feito pela Paramount, mas sim pela MGM, que comprou os direitos de “The Bishop Murder Case” e transformou-o em filme em 1930, com Basil Rathbone como protagonista. Vale lembrar que Rathbone mais tarde faria 15 filmes como Sherlock Holmes. O terceiro da série com William Powell é “The Benson Murder Case”, que, infelizmente, só está disponível em um Box de DVDs.  Neste filme, o acaso faz com que Philo esteja na cena do crime quando um homem que trabalhava na bolsa de valores é assassinado.

A última vez que Powell encarnou Philo Vance foi em “The Kennel Murder Case”, de 1933. Aqui, Philo desiste de uma viagem à Europa com seu cachorro de estimação após saber que um colecionador de antiguidades, que ele vira na tarde anterior em uma competição de cães, cometera suicídio. Sem acreditar em suicídio, hipótese que o sargento Heath abraça de corpo e alma, Philo decide investigar o caso, que envolve inimigos dentro da família e a venda de vasos antigos. O filme conta com a excelente presença de Mary Astor e com a direção do ótimo Michael Curtiz (Malcolm St. Clair dirigiu o primeiro filme da série e Frank Tuttle, seu assistente, os outros dois). Este é considerado o melhor da série de Philo Vance, embora eu também tenha gostado muito de “The Greene Murder Case”.

“The Kennel Murder Case” marca também a tomada de território de William Powell na Warner Brothers, estúdio para o qual havia se mudado em 1931 e que continuaria a série de Philo Vance com Warren William e Eugene Pallette em uma última participação. Powell mudaria de estúdio mais uma vez, e encontraria um lugar ao sol na MGM, onde Nick Charles foi criado. Mas isso já é outra história...



This is my contribution to the Sleuthathon, hosted by the adorable Fritzi at Movies, Silently.
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