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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Sherlock Holmes (1922)

Sherlock Holmes é um dos personagens literários mais famosos do mundo. Criado por Arthur Conan Doyle em 1887, Holmes foi protagonista de 60 obras do autor e, até o presente momento, de mais de 300 filmes. Começando em 1900, Sherlock se tornou o personagem mais prolífico nas telas, segundo o livro Guinness, e já foi interpretado por mais de 70 atores. O grande John Barrymore interpretou Sherlock Holmes apenas uma vez, em 1922, mas que interpretação!
Temos no filme um elenco primoroso, liderado por John Barrymore. Uma filmagem aérea de Londres. Um professor Moriarty que é a combinação de Abraham Lincoln com o Doutor Caligari. Um Nick Charles embrionário. Cinematografia belíssima. Todos os ingredientes juntos criam uma película imperdível.
Era uma vez um estudante de Cambridge chamado Sherlock Holmes (John Barrymore). Seu amigo Watson (Roland Young) indica-o para resolver um problema que aflige o príncipe Alexis (Reginald Denny): vossa alteza está sendo acusado de roubar dinheiro da sociedade atlética da universidade. Este primeiro caso leva Holmes a se encontrar com o professor Moriarty (Gustav von Seyffertitz, que aterrorizou Mary Pickford em "Sparrows", de 1926), e então nosso amigo Sherlock encontra sua vocação: trabalhar como detetive para livrar o mundo de todo o mal representado por gente como Moriarty, e então se estabelece na 221 Baker Street.
Anos depois, estamos diante do Sherlock Holmes que conhecemos e amamos. O príncipe Alexis se tornou herdeiro do trono, desistiu do casamento com Rose Faulkner (Peggy Bayfield) e agora está sendo chantageado por Moriarty. Holmes não se importa muito com a reputação do príncipe, mas não vai perder a chance de rever Alice Faulkner (Carol Dempster), por quem se apaixonou.
Sherlock apaixonado
O diretor Albert S. Parker não teve como inspiração as histórias originais de Conan Doyle, mas sim uma peça de 1899 escrita e protagonizada por William Gillette, o maior Sherlock Holmes do teatro. Gillette levou a peça para o cinema em 1916, e por muitos anos seu Sherlock cinematográfico foi considerado perdido, mas felizmente o filme foi encontrado e restaurado agora em 2015.
A restauração também faz parte da história do Sherlock de 1922, pois o filme também ficou durante décadas desaparecido. Nos anos 70, uma cópia foi encontrada, mas com os takes fora de ordem. O trabalho de detetive ficou por conta do próprio diretor Albert S. Parker, que instruiu os restauradores sobre a ordem dos takes. Com falhas de memória, Parker morreu antes de o trabalho ser completado, e coube ao historiador Kevin Brownlow reconstruir a película da melhor forma possível. A restauração foi financiada por Hugh Hefner – sim, o editor da revista Playboy.
Se o filme fosse perdido, além da interpretação de Barrymore, o mundo também ficaria para sempre sem ver uma jovem Hedda Hopper em um papel secundário (Madge Larrabee) e seria perdida também a estreia de William Powell no cinema, sem bigode, interpretando um estudante de Cambridge que depois se torna um mordomo. A imagem a seguir, senhores, é a primeira vez que o mundo viu nosso querido Powell:
Ao final, o que temos é um veículo que faz Barrymore brilhar, desde que Sherlock aparece pela primeira vez embaixo de uma árvore, aos oito minutos de projeção. A sequência de Moriarty invadindo a casa de Holmes é orquestrada com muito suspense, mas seu desfecho é rápido demais para a tensão que foi criada (a impressão é de que estariam ainda faltando cenas). Pode ser meio estranho encontrar um estudante universitário de 40 anos de idade, mas Barrymore é um Sherlock Holmes perfeito: alto, elegante, charmoso, inteligente e habilidoso.
Watson (sentado), Holmes (em pé) e uma caveira decorando o ambiente
Se você gosta de Benedict Cumberbatch, Basil Rathbone ou qualquer outro Sherlock da história, perceba como todos eles devem a Barrymore a aura cavalheiresca e intelectual do personagem. William Gillette pode ter introduzido a frase “Elementar, meu caro Watson”, mas foi John Barrymorre, em sua única aventura como Sherlock Holmes, que nos mostrou o que é realmente elementar para incorporar um personagem tão icônico.

"Sherlock Holmes" (1922) está disponível no YouTube.

This is my contribution to the Barrymore Trilogy Blogathon, hosted by Ethel Barrymore connoisseur Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood. 

13 comentários:

Pedrita disse...

eu vi vários. adoro. até os mais recentes. o robert downey junior deu um ótimo sherlock. tb gosto do sherlock filme do jô soares. eu tenho 3 posts com sherlocks homes, só um é antigo http://mataharie007.blogspot.com.br/search?q=sherlock

Caftan Woman disse...

Charming review of the 1922 film. William Powell certainly makes his role outstanding and I greatly enjoy Roland Young as Watson. The casting of John Barrymore was genius!

Dan Day Jr. disse...

John Barrymore was an excellent Sherlock Holmes. It's too bad he never got the chance to play Holmes in a sound film....with, say, bother Lionel as Dr. Watson?

FlickChick disse...

Oh, I want so badly to see this! Thanks for a lovely review of a must-see film. JB as Sherlock puts a little romance in the great detective.

Silver Screenings disse...

It would be interesting to see Hedda Hopper in this film, along with the (very) young William Powell.

But the best reason to see this film, I bet, is John Barrymore. I really liked your analysis of his performance. I'm a big fan of Benedict Cumberbatch's Sherlock, but I think I'd like John Barrymore the best.

Leah Williams disse...

I just ate up all of the Cumberbatch series on Netflix, and am so curious to see where it all began, thanks to this great review! And Powell:) How interesting that Hefner is such a classic movie fan. Didn't know that.

Summer Reeves disse...

Thanks for referring us to the film on YouTube, I cant believe I have not seen this film!

Red Team disse...

What a lovely review and yes, thank you for pointing out the debt of gratitude that all the other Holmeses owe to Barrymore! Thank you also for the YouTube link!!

I really loved this post!!

Warmest wishes,

Sister Celluloid

badblokebob disse...

Great review. It didn't even bother me that Barrymore was a 40-year-old playing a student, which I think shows how good his performance was!

John disse...

Will have to check this out. I was completely unaware of this version.

girlsdofilm disse...

The enduring appeal of Holmes is fascinating. I wonder if Arthur Conan Doyle knew what he was creating when he wrote the originals. Although I've seen a lot of the modern versions I haven't seen this one - look forward to tracking it down and comparing how perceptions and interpretations of the character have developed. I can imagine Barrymore plays the role well

Judy disse...

It's a while since I saw this but I remember being a bit disappointed by it- partly feeling that it had too many title cards interrupting the flow. All the same, John Barrymore makes an appealing Holmes and must agree it is a thrill to see William Powell so early in his career. Great piece, Le.

Mayh Nepomuceno disse...

Sou apaixona pelo Holmes, o melhor personagem já feito, já li os livros e vi os filmes

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