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sábado, 2 de abril de 2016

Três... Ainda é Bom / Three on a Match (1932)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia a superstição que dizia que, se três pessoas acendessem seus cigarros no mesmo fósforo, uma delas morreria em pouco tempo. Uma justificativa era que um fósforo aceso durante vários segundos chamaria a atenção do exército inimigo, e os três fumantes seriam bombardeados. Mais tarde, descobriu-se que essa superstição era só uma jogada de marketing para vender mais fósforos! Mas este filme da Warner Brothers de 1932 mostra que o melhor mesmo é acreditar nas superstições...
O ano é 1919. Vivian Revere, Mary Keaton e Ruth Westcott estudam juntas na Escola Pública número 62. Vivian é popular, Ruth é aplicada, e Mary desobedece às regras. Seis anos depois, Vivian (Ann Dvorak) está no colégio interno sonhando com romance, Ruth (Bette Davis) estuda datilografia e Mary (Joan Blondell) foi parar em um reformatório. O ano agora é 1930, e as três mulheres se reencontram.
Vivian, apesar de ter uma vida considerada perfeita, está infeliz. Ela tem um marido rico e compreensivo, Robert Kirkwood (Warren William), um filho fofo e vive com luxo e conforto. Mesmo assim, ela confessa ter inveja das ex-colegas, que precisam trabalhar duro para conseguir o que querem.
Deprimida, Vivian vai fazer uma viagem internacional de navio e leva o filho consigo. Mary está no mesmo navio, se despedindo de um amigo. Mary apresenta seus conhecidos a Vivian que, depois de beber e dançar com um deles, Loftus (Lyle Talbot), ela decide que não vai mais viajar. Vivian vai viver com Loftus, e leva seu filho junto. Não vai demorar para que Mary e Ruth interfiram na situação, e tudo fica mais difícil quando criminosos aparecem para cobrar uma dívida de Loftus. Preste atenção: em um pequeno, mas importante, papel como criminoso está Humphrey Bogart!
O filme tem apenas 63 minutos, e o foco é na personagem de Ann Dvorak. Seria interessante, entretanto, haver um aprofundamento na personagem de Joan Blondell, que certamente teria várias nuances e poderia nos surpreender. Bette Davis tem muito pouco a oferecer como a nerd da turma que precisa trabalhar duro e acaba se tornando... babá. Bette ainda estava no início da carreira, sofreu com a antipatia do diretor Mervin LeRoy e, embora tenha trabalhado em vários filmes pre-Code, são suas colegas de cena que ficaram mais associadas com esta época da história do cinema.
Ann Dvorak, recém-saída de sua maior atuação em “Scarface – a Vergonha de uma Nação” (1932), está muito bem como protagonista. O filme funciona, obviamente, como uma lição de moral para as mulheres. Nos pre-Codes, é normal que mulheres casadas e com filhos sejam punidas quando traem o marido e abandonam a família. O mesmo não acontece com as mulheres solteiras que seduzem homens casados, e o exemplo mais contundente disso é Jean Harlow em “Red Headed Woman”, também de 1932.
Muitos filmes pre-Code são escandalosos mesmo para quem os vê no século XXI. “Três... Ainda é Bom / Three on Match”, entretanto, será melhor apreciado se olharmos para ele com a mentalidade de 1932. Há detalhes muito sutis que podem escapar a uma plateia acostumada a receber tudo muito bem explicado (exemplo: no GIF acima, o fato de Ann coçar repetidamente o nariz sugere que ela estava usando drogas. Você percebeu isto?). Outros fatos também ressoam com mais força para o público de 1932, como o sequestro de Junior que lembra o de Charles Lindbergh Jr, e também a própria moral da história de que uma vida boêmia e louca, a la Gatsby, leva à autodestruição. Veja, sim, este filme – mas usando seu cérebro como uma máquina do tempo.


This is my contribution to the Bette Davis Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

6 comentários:

Pedrita disse...

nossa, não conhecia. beijos, pedrita

Summer Reeves disse...

This movie sounds lovely, and I love Joan Blondell! You make a great point here, "The movie will be better appreciated if we look at it with the mindset of 1932". It is fascinating how movies are made for a specific audience, and you have to put yourself in the mindset to understand the choices of the characters.

I will check this film out.

Ciao!

Summer
serendipitousanachronisms.wordpress.com

Silver Screenings disse...

You know, I just discovered this film in a DVD set I've owned for a few years. I'm not sure how I overlooked this one, but your review has prompted me to see it ASAP!

It sounds like a shame that Joan Blondell's character wasn't more fully developed...

And thanks for the reminder that when watching these films, we have to remember they were made for a Depression-era audience. Valuable advice!

Judy disse...

I like this film a lot - Ann Dvorak is fantastic in it, although it's a shame Blondell and Davis don't get more screen time too. I also like Bogart in his small part - I remember the scene where he says "Boo hoo". Good post, Le!

Carol Saint Martin disse...

Artigo muito bom! Ainda tenho de ver o filme, esta na minha lista ha anos!

Carol

Ediana Ramos disse...

O que falar desse post e desse blog?? Foi uma grata surpresa conhece-lo.
Pode ter certeza que a partir de hoje ganhou mais uma visitante assídua!
Parabéns pelo trabalho!!!!

Enrolados: your blog about everything

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