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domingo, 22 de maio de 2016

A Nós a Liberdade / A Nous La Liberté (1931)

Todos os dias eu durmo e acordo com um poster de “A Nós a Liberdade” em cima da cabeceira da minha cama. Dos oito posters que enfeitam o meu quarto, este é o mais esquisito, o mais diferente, o que representa o filme mais desconhecido de todos ali. Escolhi-o não pela estética (embora a ilustração seja adorável), mas pelo meu grande amor por este filme, sem dúvida meu favorito de todo o maravilhoso cinema francês.

Every day I go to sleep and wake up with an “À Nous La Liberté” poster over my bed. I have eight movie posters in my bedroom, and this one is the weirdest, the most different, the only one from an obscure movie. I chose it not because of esthetical issues (OK, the illustration IS adorable), but because I love this film a lot, and it is without a doubt my favorite French film of all time.
Vi o filme pela primeira vez apenas com o intuito de riscá-lo da lista dos “1001 filmes para ver antes de morrer”. Mas ele me pegou de jeito, me conquistou, me surpreendeu, e se tornou inesquecível. A primeira e óbvia surpresa foi a semelhança com “Tempos Modernos” (1936), o que resultou até em um processo do estúdio francês em cima de Charles Chaplin.

I watched the film for the first time only because I wanted to check it out from the list of the “1001 movies you should see before you die”. But the film grabbed me, conquered me, surprised me, and became unforgettable. The first and most obvious surprise was how it resembles “Modern Times” (1936), and this fact led the French studio to sue Charles Chaplin.
Dois amigos estão na cadeia, e fazem juntos um plano de fuga. Na hora de executar o plano, apenas um deles, Louis (Raymond Cordy) consegue escapar. O outro amigo, Émile (Henri Marchand) vai ficar mais algum tempo na cadeia. Louis consegue um emprego em uma fábrica e aos poucos vai subindo de posto, até se tornar gerente. E é aí que o amigo volta a cruzar sua vida: Émile consegue um emprego na linha de montagem da fábrica, e Louis passa a temer que a verdade sobre seu passado seja descoberta.

Two friends are in jail, and make a plan to escape. When they plan their plan to work, only one of them, Louis (Raymond Cordy) escapes. The other pal, Émile (Henri Marchand) stays in he jail a little longer. Louis gets a job in a factory and little by little he gets promotions and becomes the manager. And then his friend returns: Émile gets a job at the assembly line in the factory, and Louis fears that his criminal past is discovered.
Mas a última coisa que Émile, um homem de bom coração, quer fazer é chantagem. Seu desejo é conquistar Jeanne, secretária da fábrica. E a animosidade entre Émile e Louis não dura muito: o tempo não mudou a amizade dos dois.

But Émile has a heart of gold, and he doesn't want to blackmail his old friend. His desire is to conquer Jeanne, a secretary at the factory. And any hostility between Émile and Louis is not something to last: time hasn't changed their friendship.
Você já deve conhecer a ousadia de “Os Guarda-Chuvas do Amor”, de 1964, um filme em que tudo é dito através de música. Não há diálogos, só música. Diferente? Sim! Inovador? Não. “A Nós a Liberdade” também usa este recurso, e sua música é muito simples e repetitiva. Mas isso não é um problema: o cinema no mundo todo estava aprendendo a falar, e a canção dá uma cadência especial à obra – como a repetição de ações em uma linha de montagem. Posso dizer sem medo que “A Nós a Liberdade” é o primeiro musical de altíssima qualidade da história.

You must already have heard about “The Umbrellas of Cherbourg” (1964), a film in which everything is said through music. There is no dialog, only music. Different? Yes! Groundbreaking? No. “À Nous la Liberté” also used this resource, and its music is very simple and repetitive. But this is not all: cinema all over the world was learning how to talk, and the song gives a special rhythm to the film – like the repeated actions done in the assembly line. I can say with no fear that “À Nous la Liberté” is the first top-notch musical in film history.
René Clair
René Clair não estava nem um pouco satisfeito com a chegada do som ao cinema. Em seus primeiros filmes falados, ele fez muitas experimentações, como a deste filme envolvendo supostas flores cantantes e um toca-discos. Se os filmes mudos de René Clair usavam muito da fantasia, seus primeiros filmes falados tinham também um toque fantástico no uso do som, que era tudo, menos realista. E o mais interessante em “A Nós a Liberdade” é o fato de a fábrica onde Louis e Émile trabalham ser um local que fabrica justamente vitrolas – ou seja, a nova vida dos amigos gira em torno do som.

René Clair wasn't happy with the arrival of sound. In his first sound films, he did many experiences, and in this film here we have one involving singing flowers and a phonograph. If René Clair's silent films had a lot of fantasy, his early talkies had a fantastical touch in the use of sound, that was never used realistically. And the most interesting thing to notice in “À Nous la Liberté” is that Louis and Émile work in a phonograph factory – their lives now are built around sound.
“A Nós a Liberdade” é um filme que me faz sentir bem. Sempre paro para ver quando ele está na televisão. Há comédia, romance, crítica social, ação, amizade e música em apenas 82 minutos de filme. E, o que mais me atrai, é um filme com um desfecho não previsível (a imagem do pôster foi inspirada nas cenas finais). É um filme lindo, inovador, e meu favorito de toda a história do cinema francês. J'aime “À Nous la Liberté”!

“À Nous la Liberté” is a feel-good movie to me. I always stop and watch it when it's on TV. There is comedy, romance, social issues, action, friendship and music in only 82 minutes. And something that always atracts me: it is not a film with a predictable ending (the image in the poster is inspired by the final scenes). It is a beautiful, innovative movie, and my personal favorite of all French cinema. J'aime “À Nous la Liberté”!

This is my contribution to the Classic Movie Ice Cream Social, hosted by Fritzi at Movies, Silently.

6 comentários:

Pedrita disse...

parece muito interessante. beijos, pedrita

Virginie Pronovost disse...

Oh this sounds like an awesome film. I've heard about it but never saw it. I love classic French films. Thanks for the great review!

Don't forget to read my entry as well :)


https://thewonderfulworldofcinema.wordpress.com/2016/05/19/oh-but-you-must-see-give-us-the-moon/

Joe Thompson disse...

Hi Lê. You are right, À Nous la Liberté is the first top-notch musical film. I always feel happy watching it. Good essay.

cinematicfrontier disse...

Nice review. I hope to see this on the big screen some day!

Flapper Dame 16 disse...

really interesting choice Le! I like how you mentioned what the film means to you- I like the story you wrote about the poster- so insightful about why you love this film! Great job

odestodust disse...

Such interesting background of the film! I'm definitely adding it to my watchlist.

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