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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Redimida / Letty Lynton (1932)

Em 2013, o responsável pela programação do canal TCM Charlie Tabesh nos revelou que um dos filmes mais solicitados pelo público é “Redimida” (1932). E foi por esta recomendação indireta que eu procurei o filme, e não me decepcionei. Porque é Joan Crawford. E é pre-Code.

In 2013, TCM’s vice-president of programming Charlie Tabesh said that one of the most requested films to be shown on the channel is “Letty Lynton” (1932). And it was because of this indirect recommendation that I looked for the movie, and wasn’t disappointed. Because it has Joan Crawford. And it is a pre-Code!
Letty (Joan Crawford) está em Montevidéu com seu amante, Emile (Nils Asther), mas está decidida a embarcar em um navio de volta para casa. Nas cenas com ele, Joan se comporta de maneira afetada e com ares aristocráticos, lembrando Greta Garbo. E isso não é de se espantar, se considerarmos que o diretor de “Letty Lynton”, Clarence Brown, dirigiu sete filmes com Garbo, incluindo o maravilhoso “A Carne e o Diabo” (1926). E Nils Asther, por sua vez, foi criado na Suécia, descoberto por Mauritz Stiller, mentor também de Garbo, e trabalhou com Greta em dois filmes de 1929.

Letty (Joan Crawford) is in Montevideo with her lover, Emile (Nils Asther), but she has made up her mind and will board a ship back home. In her scenes with Emile, Joan behaves in an affected manner and has an aristocratic look, reminding us of Greta Garbo. And this is something to notice, considering that the director Clarence Brown directed Garbo in seven films, including the wonderful “Flesh and the Devil” (1926). And Nils Asther, in turn, was raised in Sweden, discovered by Mauritz Stiller, also Garbo’s mentor, and worked with Greta in two films from 1929.
No navio, ela conhece Jerry (Robert Montgomery), e os dois conversam. Letty é agora autêntica e risonha, do jeito que estamos acostumados a ver Joan Crawford no começo dos anos 30.

In the ship, she meets Jerry (Robert Montgomery) and they chat. Letty is now authentic and all smiles, in the way we are used to see the early 1930’s Joan Crawford.

Jerry a pede em casamento, na proposta mais simples da história do cinema, e ela aceita. Entretanto, chegando em Nova York, ela reencontra Emile, que a ameaça. E este não é o único problema de Letty: ela precisa retomar a relação com a mãe, de quem se afastou para viver com Emile.

Jerry asks her to marry him, in the simplest proposal in all film history, and she says yes. However, when they arrive in New York, she meets again with Emile and is blackmailed by him. And this is not Letty’s only problem: she needs to fix her relationship with her mother. They are estranged since Letty left home to live with Emile.
Algo que me encanta no pre-Code e que não foi totalmente recuperado até hoje é a ausência de falsos moralismos. Só porque Letty viveu uma relação com um canalha abusivo, significa que ela não merece ser feliz? Uma mulher que “peca” não merece uma segunda chance? No cinema pre-Code, ela merece. No mundo real, na sociedade hipócrita, nem sempre.

Something that pleases me in the pre-Code era (and something that was not yet totally recovered) is the absence of fake moralism. Only because Letty had an abusive relationship with an asshole, does it mean that she will never deserve to be happy?  A woman who sins doesn’t deserve a second chance? In pre-Code cinema, she does. In the real world, in the hypocritical society, not always.  
O filme fica excitante em sua última meia hora. São estes minutos, em especial os finais, que atestam que o filme foi feito na era pre-Code. O final levou o filme a ser banido na Inglaterra, mas esta não foi a maior punição de “Letty Lynton”.

The film becomes exciting in its last half hour. Those minutes, especially the last ones, guarantee that we are watching a pre-Code. The ending made the film be banished in England, but this was not the biggest punishment for “Letty Lynton”.
Em 1936, uma decisão judicial tirou o filme de circulação devido a uma acusação de plágio por parte dos autores da peça “Dishonored Lady”. Desde então o filme é difícil de encontrar: não foi restaurado ou lançado em VHS, DVD ou Blu-Ray, e as cópias disponíveis na internet têm som e imagem de baixa qualidade. “Dishonored Lady” foi legalmente adaptada para o cinema em 1947, em um filme estrelando Hedy Lamarr.

In 1936, a court decision took the film out of circulation because of a plagiarism accusation made by the authors of the play “Dishonored Lady”. Since then the film is hard to find: it wasn’t restored nor released in VHS, DVD or Blu-Ray, and the copies available in the internet have low quality sound and image. “Dishonored Lady” was legally adapted to the screen in 1947, in a film starring Hedy Lamarr.
E toda essa confusão impediu que várias gerações conhecessem o famoso vestido feito por Adrian para Joan em “Letty Lynton’’. Ela o usa quando Jerry a pede em casamento, e o vestido causou uma corrida às lojas. Adrian quis devolver a feminilidade aos figurinos, e conseguiu isto com enormes mangas de organza e uma cintura bem marcada.

And all this confusion prevented several generations from knowing the famous dress made by Adrian to Joan in “Letty Lynton”. She wears it when Jerry proposes, and the dress caused a race to stores in search for copies. Adrian wanted to give femininity back to outfits, and succeeded with huge organza sleeves and a very marked waist.
É uma pena que “Letty Lynton” não esteja disponível para todos. Passados os primeiros minutos monótonos, é um bom filme, com Joan magnífica. Seria ótimo se, à moda pre-Code, a velha lei fosse revista e este filme voltasse a ser exibido.

It is a shame that “Letty Lynton” is not availabe for us all. After the first monotonous minutes, the film becomes good, with a magnificent Joan. It’s be great if, in pre-Code fashion, the old law was reconsidered and this film was once again shown.

This is my contribution to the Joan Crawford Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 9 de julho de 2016

Monstros / Freaks (1932)

O ano era 2009, e eu era uma recém-chegada no mundo do cinema. Tinha 16 anos e era fácil de impressionar. Não sei por que abri uma lista com o título “os 10 filmes mais impressionantes da história”. Lá, na 10ª posição, uma imagem já me assustou: o Homem-Torso de “Monstros”, um estranho filme de 1932 que eu desconhecia. Era um filme sobre um circo de horrores, feito com membros do circo de horrores. Eu fui perseguida por aquela imagem durante um bom tempo – e, claro, resolvi não assistir ao filme quando ele passou na televisão.

The year was 2009, and I was a newcomer to the film world. I was 16 and easily impressed. I don’t know why I opened a list with the title “the 10 most horrifying films ever”. There was, in the 10th place, an image that scared me: the Living Torso from “Freaks”, a weird 1932 film I hadn’t heard about until then. It was a film about a freak show, with real freak show attractions as actors. I was haunted by that image for a good time – and, of course, I decided not to watch the film when it was on TV.
Mas chega uma hora em que temos de enfrentar nossos medos – mesmo que eles estejam na figura de um filme de mais de 80 anos e apenas uma hora de duração. De 2009 até hoje, enfrentei outros medos – e inclusive vi American Horror Story: Freak Show, que se passa em um show de horrores com muito sangue.

But there comes a time when we have to face our fears – even if they appear to us as an 80 year-old, 60 minute-long film. From 2009 until today, I faced other fears – and even watched American Horror Story: Freak Show, that is set in a circus with a lot of blood.
Em geral, os mais assustadores filmes de terror não têm nenhum monstro ou atividade paranormal: o horror surge quando nos damos conta do que um ser humano é capaz de fazer com o outro. O que o diretor Tod Browning queria que assustasse o público é a maneira fria como a trapezista Cleopatra (Olga Baclanova) e seu parceiro Hercules (Henry Victor) planejam ficar com a fortuna do anão Hans (Harry Earles), que está apaixonado por Cleopatra.

In general, the scariest horror films don’t have any monster or supernatural activity: the source of horror is what a human being is willing to do with another human being. The one thing director Tod Browning wanted to cause repulsion in the audience was the way trapeze girl Cleopatra (Olga Baclanova) and her partner Hercules (Henry Victor) plan to get the money from the dwarf Hans (Harry Earles), who is in love with Cleopatra.
O filme sofre um pouco por não ter atores profissionais nos papéis de Hans e Daisy. Entretanto, as lágrimas de Daisy na cena do casamento compensam todos os erros, e dão início à cena mais emblemática do filme. Como Pauline Kael disse, “Monstros” é ótimo, mas teria sido ainda melhor e mais poderoso se fosse um filme mudo.

The film suffers a little because Hans and Daisy are not played by Professional actors. However, Daisy’s tears in the wedding scene compensate all the mistakes, and mark the beginning of the most emblematic scene in the film. As Pauline Kael said, “Freaks” is great, but would have been better and more powerful had it been a silent film.
Como um longo texto que precede o filme nos conta, a humanidade sempre amou a beleza – e talvez você, cinéfilo, conhece alguém que se recusa a ver um filme que “não seja bonito”. Mas o que pode ser considerado “bonito”? A beleza não está nos olhos de quem a vê?

As a long text before the movie tells us, the humanity has always loved beauty – and maybe you, cinephile, know some people who won’t watch a movie because “it’s not beautiful”. But what can be considered “beautiful”? Isn’t beauty in the eyes of the beholder?

O problema é que as pessoas normalmente não conseguem ver além das aparências. Esta é a lição do filme: algumas pessoas podem ser lindas por fora, mas são podres por dentro.

The problem is that people can’t usually see through the appearance. This is the lesson of the film: some people can be beautiful on the outside, but rotten inside.
Mas o público e o alto escalão da MGM ficaram chocados com as “aberrações”. Há, sim, situações chocantes, como por exemplo o casamento de uma das irmãs siamesas, sendo que a outra não gostava do noivo... mas teria de dividir a cama com ele e sentir as mesmas coisas que a irmã.

But the audience and MGM’s high chiefs were shocked only with the “freaks”. There are shocking moments, indeed, like when one of the conjoined twins gets married and the other twin, who doesn’t like her sister’s groom, has to share the bed with him and feel everything the sister does with him.
O resultado do escândalo foi um longo corte no filme, com 30 minutos extras hoje considerados perdidos, e que certamente fariam toda a diferença na narrativa. Mais uma vez, a intolerância e a hipocrisia ganharam. Não duvido que as pessoas que mais reclamaram do filme não estavam enojadas com as “aberrações”, mas sim consigo mesmas e com seu comportamento em relação àqueles deficientes.

The result of the scandal was a long second cut, with 30 extra minutes that today are considered lost, and that certainly would shine a new light in the storytelling. Once again, intolerance and hypocrisy won. I have no doubt that the people who complained the most about the film weren’t disgusted by the “freaks”, but by themselves and their behavior towards those handicapped people.
Se você já sofreu bullying, ou se já foi chamado de aberração, este filme será doloroso de assistir. Em 2009, ano em que ouvia falar pela primeira vez deste filme, estava no pior momento da minha vida. Infelizmente, eu não tinha um grupo de amigos com um código de honra, prontos a se vingarem por mim. Foi bom eu não ter visto o filme naquela época. E, quando finalmente o vi, não precisei aprender a lição: eu já sabia que o segredo da vida é tolerância, sempre.

If you’ve ever been bullied, if you’ve been ever called a freak, this film will be painful to watch. In 2009, the year I first heard about this film, I was in the lowest point of my life. Unfortunately, I didn’t have a group of friends with an honor code to avenge me. It was good that I didn’t watch the film back then. And, when I finally saw it, I didn’t have to learn the lesson: I already knew that the secret of a good life is tolerance, always.

This is my contribution to the Hot and Bothered: the films of 1932 blogathon, hosted by Aurora and Theresa at Once Upon a Screen and CineMaven’s Essays from the Couch.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Helena de Troia / Helen of Troy (1956)

Páris (Jacques Sernas) é um sujeito orgulhoso. Ele tem a missão de fazer um acordo para que não haja exploração econômica entre Esparta e Troia. Além disso, ele diz não adorar nenhum deus (apenas “admira” Afrodite), mesmo vivendo dentro de uma cultura politeísta, e acredita que mulher alguma será capaz de interferir em seu destino. Só sua predileção por Afrodite mostra que Páris prefere o romance à razão, e logo todas as suas convicções serão destruídas.

Paris (Jacques Sernas) is a proud guy. He has the mission to make an economical agreement between Sparta and Troy. Besides that, he has the petulancy to not adore any god (he only “admires” Aphrodite), even though he lives in a polytheistic society, and he also believes that no woman can interfere in his destiny. His love of Aphrodite alone shows that Paris prefers heart to brains, and soon all his convictions will be destroyed.
Páris é atingido por um raio durante uma tempestade e, desacordado vai parar em uma praia. Lá ele é resgatado por Helena (Rossana Podestà), que ele logo associa à figura de Afrodite. Helena se apaixona à primeira vista, mas mente, dizendo que é uma escrava e não a rainha de Esparta. Ela aconselha Páris a voltar para Troia, mas ele está decidido a ir ao palácio.

Paris is struck by lightning during a thunderstorm and, unconscious, he goes on to wake up in an island. There he is greeted by Helen (Rossana Podestà), who he thinks not only resembles Aphrodite, but is the goddess herself. It’s love at first sight for Helen, but she lies saying she is a slave, and not the queen of Sparta. She tells Paris to go back to Troy, but he is affirmative about talking to the king at the palace.
Páris se torna prisioneiro no palácio, e consegue escapar com a ajuda de Helena e da escrava dela, Andraste (Brigitte Bardot).  Mas Páris não volta sozinho para Troia: apaixonada, Helena o acompanha. E o marido de Helena, o rei Menelau (Niall MacGinnis), se revolta ao saber que a esposa foi “levada” pelo troiano, e declara guerra à Troia.

Paris becomes prisoner at the palace, and manages to escape with the help of Helen and her slave, Andraste (Brigitte Bardot). But Paris doesn’t return alone to Troy: infatuated, Helen joins him. And Helen’s husband, king Menelaus (Niall MacGinnis), becomes mad when he finds out that his wife was “taken” by the Trojan, and then the war is declared.
É a história da guerra de Troia, que talvez você já conheça bem por ter estudado na escola ou, se for mais maluco (tipo eu), por ter lido a Ilíada. Mas o mais interessante é o foco nos perdedores, algo que quase nunca acontece nos filmes de guerra. Ora, a própria história normalmente se encarrega de apagar e menosprezar os perdedores das guerras, então por que um filme vai focar no ponto de vista deles?

It is the story of the Trojan War, one that you might already know well because you studied about it at school or, if you were a bit crazier (like me), because you read The Iliad. But the most interesting point is the focus on the losers, something that almost never happens in war movies. Well, history itself manages to erase and underestimate the ones who lose the war, so why would a movie focus on a loser point of view?
Simples: porque o filme é sobre Helena de Troia, a mulher que causou uma guerra apenas porque teve vontade própria e abandonou seu marido para fugir com Páris. Em momento algum perguntaram para Helena se ela foi raptada ou acompanhou Páris de livre e espontânea vontade. E, por acreditarem que uma mulher não deve ter vontade própria, milhares de vidas foram perdidas, incluindo a do herói Aquiles (Stanley Baker).

Simple: because the film is about Helen of Troy, the woman who caused a war just because she had her own will and left her husband to run away with Paris. Nobody asked Helen if she was kidnapped or if she went with Paris because she just wanted to. And, because it was believed that a woman couldn’t have desires or opinions, thousands of lives were lost, including the hero Achilles (Stanley Baker).
Sem o apelo de outros épicos, o filme ainda consegue ser interessante e tem breves, mas grandiosas, cenas de batalha. Ajudando Robert Wise na direção estavam Raoul Walsh e um jovem italiano chamado... Sergio Leone. Versátil, Wise já havia editado “Cidadão Kane” (1941) e ficaria mais conhecido por dirigir “Amor, Sublime Amor” (1961) e “A Noviça Rebelde” (1965).

Without the appeal of other epic movies, this one still can be interesting and has brief, yet huge, battle scenes. Helping Robert Wise direct were Raoul Walsh and a young Italian man called… Sergio Leone. The versatile Wise had already been the editor in “Citizen Kane” (1941), but would be better remembered for directing “West Side Story” (1961) and “The Sound of Music” (1965).
Hoje, é estranho imaginar que não seja a estonteante Brigitte Bardot a interpretar Helena de Troia. O diretor Robert Wise considerou diversas belas atrizes, incluindo Ava Gardner, mas escolheu a italiana Rossana Podestà, relativamente desconhecida em Hollywood. Rossana é linda e exibe belas tranças ao longo do filme. Brigitte, no mesmo ano, seria revelada para o mundo com o filme “E Deus Criou a Mulher”, também sobre uma moça cheia de vontade própria.

Today, it’s hard to believe that gorgeous Brigitte Bardot didn’t play the leading role. Director Robert Wise considered several beautiful actresses for the role, including Ava Gardner, but he at last chose the relatively unknown (at least in Hollywood) Italian actress Rossana Podestà. Rossana is gorgeous and has a strong braid game throughout the movie. In the same year, Brigitte would be revealed to the world with the movie “And God Created Woman”, also about a lady who has her own free will.
No começo do filme, a irmã sacerdotisa de Páris, Cassandra (Janette Scott), o aconselha a não fazer a viagem para Esparta. Ninguém acredita na visão dela, e ela é tomada como louca. Mais tarde no filme, ela aconselha os troianos a não aceitarem o grande cavalo de madeira deixado pelos espartanos. Eles novamente a ignoram – e você já sabe o que acontece. Se há uma coisa que aprendemos com “Helena de Troia”, é “nunca subestime as mulheres”.

At the beginning of the movie, Paris’s sister, Cassandra (Janette Scott), advises him not to travel to Sparta. Nobody believes that she had foreseen something bad, and she is considered crazy. Later in the movie, she advises the Trojans to not bring inside the city the huge wooden horse left by the Spartans. They once again ignore her – and you already know what happens. If there is one lesson we learn from “Helen of Troy”, it is “never underestimate women”.

This is my contribution to The Sword and Sandal blogathon, hosted by Debra at Moon in Gemini.

sábado, 2 de julho de 2016

Uma Loira com Açúcar / The Strawberry Blonde (1941)

Hoje todos os olhares e homenagens estão voltados para ela. Não são todas as talentosas lendas de Hollywood que chegam aos 100 anos, mas Olivia de Havilland conseguiu, e no meio do caminho ainda ganhou dois Oscars e lutou pelos direitos dos atores.
Today, all the eyes and tributes are for her. Not all talented Hollywood legends live to be 100, but Olivia de Havilland made it, and also won two Oscars and fought for actors’ rights.
O filme escolhido, “Uma loira com açúcar”, tem James Cagney no papel principal e Olivia como segunda mais importante nos créditos. Já é difícil superar Cagney em tela, e Olivia tem uma rival ainda mais perigosa: Rita Hayworth, com uma personagem exuberante que atrai todos os olhares para si, deixando a personagem de Olivia em segundo plano. Mas às vezes (ou talvez quase sempre?) escolher a moça menos cobiçada compensa.
The film I chose, “The Strawberry Blonde”, has James Cagney in the lead and Olivia as second billed. It is already difficult to shine more than Cagney in a film, and Olivia has a much more dangerous rival: Rita Hayworth, playing an exuberant character that attracts all the attention to her, leaving Olivia behind. But sometimes (or maybe almost all the time?) it is rewarding to choose the less sought-after girl.
Virginia Brush (Hayworth) é uma mulher comum da Era Vitoriana. Sua amiga Amy Lind (Olivia) é a mulher batalhadora e inconformada que amamos: trabalha como enfermeira, é sufragista e luta pela igualdade entre os sexos. Não tem vergonha de flertar e detesta qualquer hipocrisia disfarçada de bons modos.
Virginia Brush is a regular Edwardian woman. Her friend Amy Lind (Olivia) is the strong and independent kind of woman we love: she works as a nurse, is a suffragette and fights for gender equality. She is not ashamed to flirt and hates any kind of hypocrisy that can pass as good manners.
Virginia é a moça dos sonhos de todos os homens. Amy é a moça que causa escândalo na sociedade do começo do século XX: independente, com ideias modernas, fuma, flerta e sabe que as mulheres gostam de sentir prazer tanto quanto os homens. Ela assusta Biff (Cagney), mas ao final mostra como é de verdade o encanta (e me decepciona um pouco).
Virginia is the girl all men dream of. Amy is the girl that causes scandal in the turn-of-the-century society: she is independent, has modern ideas, smokes, flirts and knows that women like to have pleasure as much as men. She scares Biff (Cagney), but in the end she shows how she really is and he is charmed (and I felt a little deceived).
Mas Virginia é uma moça caprichosa, que gosta de coisas e atrações caras. E Biff é um pobre aprendiz de dentista, que além do mais vive se metendo em brigas, algo que ele herdou do pai. E Virginia decide se casar com o velho amigo de Biff, Hugo Barnstead (Jack Carson). Hugo é empreendedor, mas não é honesto, e acaba envolvendo Biff em um esquema ilegal.
But Virginia is a frivolous woman who likes expensive gifts and dates. And Biff is a poor guy studying to be a dentist, who also is always getting into fights, just like his father. And Virginia decides to marry Biff’s old friend, Hugo Barnstead (Jack Carson). Hugo is an entrepreneur, but he’s not honest, and gets Biff involved in an illegal scheme.
Isso tudo descrito acima é contado em flashback, quando Biff está prestes a reencontrar Hugo após cinco anos na prisão. O que mais esperar de Raoul Walsh? Como ator, seu mais importante papel foi o de John Wilkes Booth, o assassino do presidente Lincoln, em “O Nascimento de uma Nação” (1915). Como diretor, seu mais famoso trabalho também é ao lado de James Cagney: “Fúria Sanguinária” (1949).
Everything narrated above is told in flashback, when Biff is about to meet Hugo again, after spending five years in prison. What else could be expected from Raoul Walsh? As an actor, his most important role was the one of John Wilkes Booth, the man who killed President Lincoln, in “The Birth of a Nation” (1915). As a director, his most famous work is also with James Cagney: “White Heat” (1949).
Uma Loira com Açúcar” é o remake de “A Mulher Preferida” (1933), em que Gary Cooper interpreta Biff, Fay Wray é Virginia e a pouco conhecida Frances Fuller fica com o papel de Amy. O remake ganhou um novo nome em homenagem à mãe de Cagney, que visitou o set um dia e se lembrou de uma ocasião relacionada à música principal, “(Casey would waltz with a strawberry blonde) And the band playedon!”. Raoul Walsh dirigiu também o segundo remake do filme, em 1948.
The Strawberry Blonde” is the remake of “One Sunday Afternoon” (1933), in which Gary Cooper plays Biff, Fay Wray is Virginia and little-known Frances Fuller plays the role of Amy. The remake got a new name in a tribute to Cagney’s mother when she, a strawberry blonde herself, visited the set one day and remembered one occasion in her youth linked to the theme song, “(Casey would waltz with a strawberry blonde) And the band played on!”. Raoul Walsh also directed the second remake of the film, in 1948.
É um papel bom, mas nem tanto, para Cagney. É um papel que alçou Hayworth ao estrelato, e nos proporcionou ouvir brevemente sua verdadeira voz ao cantar. É um papel um pouco ingrato para Olivia, mas com ótimos momentos cômicos. O filme, no geral, serve como uma fábula ou um ode à nostalgia, divertindo muito e ensinando pouco.
It is a good role, yet not ideal, for Cagney. It is a role that made Rita Hayworth to be noticed, and made possible for us to hear her real singing voice briefly. It is an ungrateful role for Olivia, but with great comic moments. The film, after all, works as a fable or an ode to nostalgy, entertaining a lot and teaching very little.
This is my contribution to the Olivia de Havilland Centenary blogathon, hosted by Crystal and Laura at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Phyllis Loves Classic Movies. Hooray for Livvie! 

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