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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Julie (1956)

Nós estamos acostumados a ver Doris Day feliz – e às vezes um pouco irritada com Rock Hudson. Por isso, a maioria das pessoas nunca imaginaria que ela fez um filme noir – mas ela fez, e em sua própria produtora. Com orçamento apertado, mas grande impacto, “Julie” é um filme em que, assim como em “A Teia de Renda Negra” (1960), Doris está em perigo, e o perigo está mais próximo do que ela imagina.

We're used to seeing Doris Day happy – and sometimes playfully angry with Rock Hudson. So, most people would never imagine that she did a noir – but she did, and in her own production company. Made cheaply but with a good impact, “Julie” was a film in which, just like in “Midnight Lace” (1960), Doris is in danger and the danger is nearer than she thought.
Você sabe que um relacionamento é tóxico ao passar dois minutes com o casal e ver a mulher reclamando que o homem fica com ciúmes quando ela conversa com outros homens, e a reação dele é pisar no acelerador e fazer com que o carro que ela dirija dispara em alta velocidade pela estrada. Ele toma o volante, para o carro, ela sai correndo, ele corre atrás dela e diz que sente muito. Eles se beijam. E é assim que somos apresentados a Julie (Doris Day) e Lyle Benton (Louis Jourdan).

You know a relationship is toxic when, spending two minutes with the couple, you see the woman complaining that the man is jealous because she was talking to other men, and his reaction is to step in the accelerator and make the car she is driving go dangerously fast through the road. He grabs the wheel, stops the car, she runs, he runs after her and says he's awfully sorry. They kiss. This is how we're introduced to Julie (Doris Day) and Lyle Benton (Louis Jourdan).
Julie é viúva. Seu primeiro marido, Bob, cometeu suicídio por causa de problemas financeiros. Mas o amigo de Julie, Cliff Henderson (Barry Sullivan) acredita que o corpo de Bob tenha sido movido para criar uma cena de suicídio – ele pode ter sido estrangulado e só então uma corda foi colocada em seu pescoço.

Julie is a widow. Her first husband, Bob, killed himself because of financial troubles. But her friend, Cliff Henderson (Barry Sullivan) believes Bob's death may have been staged to look like a suicide – he could have been strangled and then a rope was put around his neck.

De maneira cínica, Lyle confessa durante a noite que matou Bob, e que não pensaria duas vezes para matar Julie. Ela foge na manhã seguinte, e chega a uma delegacia em uma cidade vizinha – porque o casal Benton vive à beira-mar. Lá, os policiais dizem que uma esposa não pode testemunhar contra o marido – uma lei bizarra que ainda existe hoje nos EUA –, que se todas as ameaças que os maridos fazem às esposas fossem considerados crimes, as cadeias teriam de ser gigantescas, e ainda dizem a Julie e Cliff que acreditam que Julie é apenas uma esposa histérica em busca de vingança, sem evidências para o que acusa. São todas falas machistas, mas que infelizmente ainda hoje são repetidas.

In a cynical way, Lyle confesses during the night that he killed Bob, and he wouldn’t think twice to kill Julie. She runs away the next morning, and arrives to a police station in a neighboring town – because the Bentons live by the seashore. There, the policemen remind her that a wife can't testify against her husband – which is still a thing in 2017 –, that if all threats against wives were considered crimes, the prisons would have to be huge, and tell Julie and Cliff that they believe Julie is just a hysterical wife looking for revenge without evidences. All very sexist statements, but unfortunately they are still repeated today.
Ninguém pode negar que Louis Jourdan é charmoso – mas com seus olhos sem vida e parados no filme, ele é sinistro. Um motif recorrente é a música que Lyle toca ao piano. Depois de sua discussão com Julie, a música se torna mais macabra e é tocada com mais força. Mais tarde, ele grava a música para atormentar Julie.

Nobody can deny that Louis Jourdan is handsome – but with his lifeless, crazy eyes in this film, he is more of a creeper. One recurring motif is the piano music Lyle plays. After his first argument with Julie, his music becomes more macabre and it’s played with more strength. Later, he records the song in order to torment her.
O filme grita noir. Nós temos a fotografia em preto e branco, cheia de sombras e contrastes e a narração  - desta vez feita pela própria Julie, e devemos nos lembrar de que mulheres como narradoras no noir era coisa rara.

This film screams noir. We have the shadowy black and white photography and the voiceover narration – this time by Julie herself, and we must remember that women as noir narrators were the exception.
Nos primeiros minutes, o filme me fez lembrar “Rebecca – A mulher inesquecível” (1940). “Julie” também tem um casal problemático vivendo em uma mansão isolada, e o primeiro marido Bob é como a primeira esposa Rebecca – sempre mencionado, nunca visto, e fundamental para a trama. A única diferença é que Bob é uma figura menos sinistra e enigmática que Rebecca.

In the first few minutes, this film reminded me of “Rebecca” (1940). “Julie” also has a problematic couple in a far-away mansion, and first husband Bob is like first wife Rebecca – always mentioned, never seen, and fundamental to the plot. The only difference is that Bob is a less sinister and enigmatic figure.
O filme espelhava um pouco a vida de Doris Day. Ela estava reticente em aceitar o papel porque Lyle a lembrava de seus dois primeiros maridos. O problema é que seu terceiro marido, Martin Melcher, que também co-produziu o filme, mostrou o mesmo ciúme quando Doris conversava com Louis Jourdan nos intervalos das gravações. Além disso, ele não se importou com a saúde de Doris e, seguindo a doutrina da ciência cristã, disse para ela “ter fé” para ser curada de um mal-estar que depois foi descoberto ser um tumor maligno.  

The film mirrored Doris's real life a bit. She was reticent about accepting the part because Lyle reminded her of her two first husbands. The problem was that her third husband, Martin Melcher, who also co-produced the film, behaved with the same jealousy when Doris got along well with Louis Jourdan during shooting. Besides that, he didn't care for her sickness and, in Christian Science fashion, told her to “have faith” to be cured of an ailment that was later discovered to be a cancerous tumor.
Com toda a perseguição acontecendo na tela, há chances de que você não tenha visto o nome ‘Mae Marsh’, o último na lista de créditos iniciais. A donzela do cinema mudo Mae Marsh tem a honra de interpretar a ‘passageira histérica’ em “Julie”. Ela foi figurante em diversos filmes dos anos 40 e 50, e encontrá-la na tela se tornou um passatempo para mim.

With all the cat and mouse game going on onscreen, there are chances you missed the name ‘Mae Marsh’, the last one in the credits. Silent screen damsel Mae Marsh had the honor to play the “’hysterical passenger’ in “Julie”. She was an extra in several talkies from the 1940s and 1950s, and spotting her has become a favorite game of mine.
“Julie” é um filme tenso, embora longo demais, e os últimos 15 minutos são um pouco chatos – ou assustadores, dependendo da sua experiência com aviões. Eu diria que os últimos 15 minutos são desnecessários, mas o filme é interessante e pode ser considerado um noir singular.

“Julie” is a very tense film, although it is a bit too long and the final 15 minutes are kinda boring – or terrifying, depending on your experience with airplanes. I’d just say that the last 15 minutes are unnecessary, but the film is enjoyable as a singular noir.


This is my contribution to the ‘Till Death Us Do Part blogathon, hosted by Theresa at CineMaven’s Essays from the Couch.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O Prisioneiro de Zenda / The Prisoner of Zenda (1937)

A “visão dupla” é uma das técnicas mais ricas, mais exploradas e mais comentadas na mídia filmada. Até hoje, quando um ator interpreta dois papéis em um só filme ou programa de TV, é gerada uma curiosidade e surgem alguns artigos em sites e revistas sobre como o efeito foi criado. Com técnicas de edição, pintura mate e o uso de sombras, não é muito difícil ter “dublês” em filmes. E, em 1937, a técnica foi usada com perfeito realismo em “O Prisioneiro de Zenda”.

“Seeing double” is one of the richest, more commonly explored and more talked about techniques in filmmaking. Until today, when an actor plays two roles in the same movie or TV production, there is curiosity and a few articles in sites and magazines about how the effect was achieved. With editing, matte paintings and the use of shadows, it isn't really that difficult to have doubles in a film. And in 1937, the technique was used with perfect realism in “The Prisoner of Zenda”.
O entusiasta da pesca inglês Rudolf Rassendyll (Ronald Colman) chega em um país europeu fictício perto da Áustria e da Romênia e chama a atenção de todos. Há uma razão para isso: ele é um sósia do príncipe do lugar, que será coroado rei no dia seguinte.

English fishing enthusiast Rudolf Rassendyll (Ronald Colman) arrives in a fictional European country near Austria and Rumania and calls everybody's attention. There is a reason for that: he looks exactly like the prince of the place, who will be crowned king the following day.
Não demora muito até que o príncipe Rudolf (também Ronald Colman) encontra 0 inglês Rudolf e o convida para celebrar o encontro em uma taverna – porque o príncipe tem um probleminha com a bebida. Logo seus companheiros, Rudolf e Fritz (David Niven) caem no sono, e o príncipe decide fazer um último brinde – com um vinho que foi envenenado por seu irmão usurpador, Michael (Raymond Massey).

It doesn't take long until the prince Rudolf (also Ronald Colman) finds the Englishman Rudolf and invites him to a tavern to celebrate their meeting – because the prince has a little problem with alcohol. Soon his companions, Rudolf and Fritz (David Niven) are asleep, and the prince decides to take one last toast – with a wine that happens to have been poisoned by his envious brother, Michael (Raymond Massey).
No dia seguinte, o príncipe está em coma. A única solução encontrada pelo coronel Zapt (C. Aubrey Smith), conselheiro do príncipe, é colocar Rudolf no lugar do príncipe durante a coroação para evitar um escândalo. Rudolf faz isso, e algo mais: ele se apaixona pela noiva do príncipe, a princesa Flavia (Madeleine Carroll). Mas a mentira terá de durar mais que o esperado, porque o capanga de Michael, conde Rupert de Hentzau (Douglas Fairbanks Jr) encontrou e raptou o príncipe.

The next day, the prince is comatose. The only solution found by Colonel Zapt (C. Aubrey Smith), the prince's counselor, is for Rudolf to replace the prince in the coronation to avoid a scandal. Rudolf does this, and more: he falls in love with the prince's fiancée, Princess Flavia (Madeleine Carroll). But the lie will have to last longer than intended, because Michael's minion, Count Rupert of Hentzau (Douglas Fairbanks Jr) have found and kidnapped the real prince.
“O Prisioneiro de Zenda” tem um grande elenco. Você acabou de ver: Colman, Carroll, Massey, Fairbanks Jr, Niven, C. Aubrey Smith – um dos meus favoritos – e Mary Astor como Antoinette, uma garota apaixonada por Michael. Douglas Fairbanks Jr havia feito teste para o duplo papel protagonista, mas Colman foi escalado, o que devastou o jovem atlético. Seu pai, o ídolo Douglas Fairbanks, disse que o papel de Rupert era, na verdade, “uma bênção disfarçada”.

“The Prisoner of Zenda” has a great cast. You just read: Colman, Carroll, Massey, Fairbanks Jr, Niven, C. Aubrey Smith – a personal favorite – and Mary Astor as Antoinette, the girl in love with Michael. Douglas Fairbanks Jr had tested for the double leading role, but Colman got it instead, which devastated the young athletic man. His father, the swashbuckling idol Douglas Fairbanks, said that the role of Rupert was actually “a blessing in disguise”.
E o velho Fairbanks tinha razão. Embora Rudolf seja a estrela e Colman seja ao mesmo tempo charmoso, brincalhão e destemido – Rupert é também um ótimo personagem – e talvez até mais interessante. Rupert é esperto e leal apenas a si mesmo. Ele é ambicioso, corajoso e ousado. E ele se envolve em uma luta de esgrima fantástica e climática contra Rudolf – uma sequência que só ficou completa com vívidas sombras dos dois duelando.

And the old Fairbanks was right. Although Rudolf is the star and Colman is at the same time charming, playful and daring, Rupert is also a great – if not more interesting – character. Rupert is smart and loyal only to himself. He's ambitious, daring and fearless. And he engages in a fantastic climatic swordfight against Rudolf – a sequence that was made complete by vivid shadows of them fencing.
Se você esperava uma produção com cenários maravilhosos, não ficará desapontado. As duas personagens femininas no filme têm menos substância que as masculinas, com Mary Astor se saindo melhor que Madeleine Carroll. A atenção de Selznick ao detalhe ajudou o visual do filme a ser surpreendente – incluindo as três cenas em que Ronald Colman contracena com “ele mesmo”.

If you expected a production with lavish sets, you won't be disappointed. The two female characters in the film have less substance than their male counterparts, with Mary Astor performing better than Madeleine Carroll. Selznick's attention to detail helped the visuals of the film to be wonderful – including the three scenes in which Ronald Colman shares the screen with himself.
“O Prisioneiro de Zenda” teve diversas adaptações para o cinema, começando em 1913. Esta é a primeira da era falada, e também a versão definitiva. Ronald Colman adicionou uma tonelada de carisma aos dois papéis que interpretou, mas são as cenas de ação e o clímax tenso que tornam o filme extremamente divertido.

“The Prisoner of Zenda” had several adaptations to the screen, starting in 1913. This one is the first of the sound era, and also the definitive one. Ronald Colman injected a ton of charisma in his two roles but the action scenes and the tense climax are the elements that make the film extremely enjoyable.


This is my contribution to the Swashaton – The Swashbuckler Blogathon, hosted by Fritzi at Movies, Silently.

domingo, 2 de julho de 2017

Somos do Amor / It's Love I'm After (1937)

Você pode imaginar Bette Davis fazendo comédia? E Olivia de Havilland e Leslie Howard? Se isto é difícil de imaginar, sem problemas: você pode ver o trio com seus próprios olhos na comédia “Somos do Amor”.

Can you think about Bette Davis doing a screwball comedy? How about Olivia de Havilland and Leslie Howard? If this is hard to imagine, no problems: you can see the trio with your own eyes in “It's Love I'm After”.
Marcia West (Olivia de Havilland) é uma super fã que ama o ator shakespeariano Basil Underwood (Leslie Howard). Este amor incomoda o noivo dela, Henry Grant Jr (Patrick Knowles). Henry confronta Basil na véspera de Ano Novo, e tem uma ideia quando Basil cita uma peça.

Marcia West (Olivia de Havilland) is a super fan who loves Shakespearian actor Basil Underwood (Leslie Howard). This love bothers her fiancé, Henry Grant Jr (Patrick Knowles). Henry confronts Basil on New Year's Eve, and is inspired by a play Basil mentions.
Henry pede que Basil encontre Marcia e faça-a cair na real e deixar de amar o ator. Basil vê o plano como uma chance de se tornar uma pessoa melhor. Mas, para isso, ele tem de adiar mais uma vez o casamento com sua co-estrela dos palcos, Joyce Arden (Bette Davis).

Henry asks Basil to meet Marcia and make her fall out of love with the actor. Basil sees the plan as a chance to become a better person. But, for this, Basil has to postpone once more his marriage to his co-star of the stages, Joyce Arden (Bette Davis).
Fingindo ser um verdadeiro canalha, Basil chega à casa dos West no meio da noite, pensando que este incômodo será suficiente para completar sua missão. Porém, ele reconhece Marcia: ele é a doce garota que foi até seu camarim e confessou seu amor e admiração por ele, tudo com muita educação. Ele fica triste por ter de destruir a imagem que Marcia tem dele, mas ela é mais rápida e mente, dizendo à família que convidou o ator para passar o fim de semana.

Pretending to be a real asshole, Basil arrives at the West house in the middle of the night, thinking it'd be enough to complete his mission. But he recognizes Marcia: she is the sweet girl who went to his dressing room after Romeo and Juliet and confessed her love and admiration for him, in the most polite way. He is sad to have to disappoint Marcia, but she is quicker and lies, telling her family she has invited him to stay for the weekend.
No dia seguinte, Basil faz de tudo para parecer uma diva antipática – e até usa algumas falas de peças clássicas para isso. Mas a cada atitude horrível dele, Marcia fica mais encantada.

The following day, Basil does everything to be seen as a diva – and even uses some lines from classic plays along the way. But with each awful deed he does, Marcia gets more enchanted by him.
Nada é sagrado na screwball comedy, nem mesmo Shakespeare. Nas primeiras cenas, Basil e Joyce estão interpretando a cena da morte de Romeu e Julieta. Cheios de animosidade, eles se insultam em um tom de voz mais baixo, para que o público não os ouça. É uma cena hilário.

Nothing is sacred in screwball (see what I did here?), not even Shakespeare. In the opening sequence, Basil and Joyce are doing Romeo and Juliet's death scene. Full of animosity, they insult one another in a lower tone of voice, so the audience can't hear them. It's a hilarious scene.
Na primeira metade, Bette Davis é quase esquecida interpretando uma mulher que se torna insegura quando o assunto é amor. Ela já sofreu muitas vezes por causa de Basil, e agora esconde seus sentimentos reais e apenas o insulta. Na segunda metade, entretanto, ela volta a interpretar a forte Bette Davis que conhecemos e amamos.

In the first half, Bette Davis is practically wasted playing a woman who becomes insecure when the subject is love. Because she was disappointed so many times by Basil, now she hides her feelings and only treats him with insults. In the second half, however, she is back to the strong Bette Davis we all know and love.
O excelente coadjuvante Eric Blore é o melhor como Digges, estilista e melhor amigo de Basil. Ao fazer cenas teatrais, ele atua junto com Basil, fazendo até os papéis femininos, e mostrando que ele sabe todas as falas de diversas peças. Ah, e Digges é perito na arte de fazer e desfazer as malas.

Amazing character actor Eric Blore is the best as Digges, Basil's dresser and best friend. When performing scenes, he acts alongside Basil, doing even female roles and showing that he knows all the lines from several plays. Oh, and Digges is an expert on the art of packing and unpacking.
Leslie Howard está incrivelmente bom em um papel cômico que exige que ele esteja em cena o tempo todo. Um ponto negativo é Bonita Granville interpretando uma garotinha irritante que nem faria falta no filme. Bem, nem todos os atores mirins podem ser engraçados como Virginia Weidler em “Núpcias de Escândalo” (1940).

Leslie Howard is incredibly good in a comic role, and he is on the screen for most of the movie. On a negative note, we have a very young Bonita Granville playing an obnoxious child who doesn't even add to the plot. Well, not all kid actors can be funny like Virginia Weidler in “The Philadelphia Story” (1940).
Não podemos negar que Bette e Olivia foram escolhas estranhas – mesmo percebendo que elas se saem bem com seus papéis, em especial Olivia, que tinha apenas 21 anos. Eu fiquei imaginando como este filme poderia ter sido melhor com um roteiro mais sólido e duplas diferentes: tipo, Jean Harlow como Marcia e Myrna Loy como Joyce, ou Carole Lombard como Marcia e Jean Arthur como Joyce.

We can't deny that Bette and Olivia were odd choices – even though they played their parts well, especially Olivia, who is just 21 here. I kept imagining how this film could have been better with a more solid screenplay and different duos: like, Jean Harlow as Marcia and Myrna Loy as Joyce, or Carole Lombard as Marcia and Jean Arthur as Joyce.
É uma pena que “Somos do Amor” não seja tão conhecida. Pode não ser uma das melhores screwball comedies de todos os tempos, mas é uma farsa charmosa com uma performance adorável de Olivia, uma boa de Bette, uma divertida de Leslie e mais uma inesquecível de Eric Blore.

It's a shame that “It's Love I'm After” isn't better known. It may not be among the best screwball comedies of all times, but it is a charming farce and has a lovely performance by Olivia, a nice one by Bette, a funny one by Leslie and another unforgettable one by Eric Blore.


This is my contribution to the Second Annual Olivia de Havilland + Errol Flynn blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Laura at Phyllis Loves Classic Movies.

sábado, 24 de junho de 2017

Oito razões para admirar Anthony Perkins / Eight reasons to admire Anthony Perkins

O que a maioria das pessoas sabe sobre Anthony Perkins é que ele interpretou Norman Bates na obra-prima “Psicose” (1960) e em três sequências esquecíveis. De fato, quando buscamos por seu nome no Tumblr, a maior parte dos resultados são GIFs de Psicose.

What most people know about Anthony Perkins is that he played Norman Bates in the masterpiece “Psycho” (1960) and in three other not-so-good sequels. Indeed, when we look for his name on Tumblr, most of the content is about Psycho.
Outras pessoas, interessadas em tanatologia ou fofocas, devem saber que ele morreu de AIDS em 1992. E eu acho incrivelmente triste que este grande homem seja lembrado por estas duas coisas. Por isso fiz uma lista com oito razões para admirar meu crush alto, magro e fofo Anthony Perkins:

Other people, who are interested in thanatology or gossip, may know that he died of AIDS in 1992. And I think it's incredibly sad that this great guy is remembered by these two things. That's why I made this list with eight reasons to admire the tall, thin and cute man who I have a crush on, Anthony Perkins:
1- O sorriso: Fala sério, olha para essa coisinha fofa. Quando Tony sorri, você pode perceber um tom de brincadeira e timidez em seu rosto – como se ele tivesse vergonha de demonstrar sua felicidade. Eu considero timidez algo fofo, mas entendo que deve ter sido um problema para ele durante toda a vida – em especial em Hollywood.

1- His SMILE: Come on, look at that cuteness. When Tony smiles, you can see some goofiness and shyness in his face – as if he was ashamed to be showing happiness. I find his shyness cute, but I understand it must have been a problem for him during his life – especially in Hollywood.
2- Um grande talento para atuar: Anthony Perkins fez dramas, westerns, filmes românticos e, claro, filmes de terror. Ele trouxe humanidade a todos os personagens que interpretou, e fez todos críveis. Bem, ele até fez o público se importar com um psicopata!

2- The man had a great acting range: Anthony Perkins did dramas, westerns, romantic movies and, of course, horror films. He brought warmth to all the characters he played, and made them believable. Well, he even made the public care for a psycopath!

Ele trabalhava bem ao lado de atores já famosos, como Henry Fonda e Ingrid Bergman, sem ser obscurecido por eles. Ele até ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes por “Mais uma vez, adeus”, um filme maravilhoso de 1961 em que contracena com Bergman.

He could hold up well next to established actors, like Henry Fonda and Ingird Bergman, without being overshadowed by them. He even won the best actor award at Cannes for “Goodbye Again”, a marvelous 1961 film in which he acts with Bergman.
3- Ele também trabalhou como diretor: Seguindo os passos de Orsons Welles, quem ele admirava imensamente, Perkins também trabalhou como diretor. Infelizmente, ele dirigiu apenas dois filmes: “Psicose III” (1986) e “Lucky Stiff” (1988). Eu fico imaginando que outros filmes ele poderia ter dirigido se tivesse vivido mais!

3- He also worked as a director: Following the footsteps of Orson Welles, who he great admired, Perkins also worked as a director. Unfortunately, he only directed two movies: “Psycho III” (1986) and “Lucky Stiff” (1988). I wonder what else he could have done if he had lived longer!
4- Ele também foi roteirista: Perkins e o amigo Stephen Sondheim escreveram o roteiro que se tornou o filme “O Fim de Sheila” (1973). Herbert Ross, o diretor, foi quem convenceu a dupla a transformar os “jogos de mistério e assassinatos” que eles jogavam em uma história.

4- He ALSO wrote a screenplay: Perkins and his friend Stephen Sondheim wrote a screenplay that became the 1973 film “The Last of Sheila”. Herbert Ross, who directed the film, was the one who encouraged the duo to turn their usual “murder mystery parlor games” into a story for the screen.
5- Ele falava francês: Você deve saber, por experiência própria ou pelas sábias palavras de Maurice Chevalier, que francês é a língua da paixão – l'amour!

5- He spoke French: You must know, through your own experience or through the wise words of Maurice Chevalier, that French is the language of romance – l'amour!

Nos anos 60, Perkins fez alguns fimes na Europa, deu entrevistas em Cannes e gravou algumas músicas em francês.

In the 1960s, Perkins made a few films in Europe, gave interviews while in Cannes and recorded some songs in French.
6- Ele lutou contra os estereótipos: Ele conseguiu apenas papéis estereotipados, ao estilo Norman Bates, depois de “Psicose”, mas ele procurou maneiras de mostrar seu talento em outros trabalhos que não fossem dentro do gênero horror.

6- He fought typecasting: He was forever typecast in movies after “Psycho”, but he looked for ways to show his talent in other works that did not belong to the horror genre.

Perkins foi o protagonista de duas comédias da Broadway nos anos 60, e na década seguinte esteve na montagem original de Equus substituindo Anthony Hopkins no papel principal. Seu trabalho na Europa também foi uma tentativa de escapar dos estereótipos.

Perkins was the lead in two Broadway comedies in the 1960s, and on the following decade he was on the original production of Equus replacing Anthony Hopkins as the lead. His work in Europe was also an attempt to escape typecasting.
With Sophia Loren in 1962
7- Ele sabia cantar: Nem todo mundo sabe disso, mas Anthony Perkins amava música e até gravou alguns CDs! Ele não era nenhum Sinatra, mas acho que era um cantor muito bom. Ouça:

7- He could SING: Not everybody knows about this, but Anthony Perkins loved music and even recorded a few CDs! He was no Sinatra, but I think his singing was pretty decent. Listen:
8- Ele lutou corajosamente contra a AIDS: A mídia não é nojenta? O preconceito não é horrível? Nos anos 50, Perkins não podia se assumir homossexual e tinha de ir a encontros arranjados com jovens atrizes para convencer os tabloides de que ele era hétero – esta prática, inclusive, ainda é comum entre as estrelas de TV brasileiras.

8- He fought AIDS with courage: Isn't the media disgusting? Isn't prejudice horrible? In the 1950s, Perkins couldn't be his true homosexual self and had to go on arranged dates with starlets to make tabloids convinced that he was straight – this practice is still common with Brazilian television stars now.

Perkins começou a se odiar e tentou encontrar uma cura para sua “doença”. Ele acabou se casando com Berry Berenson, e com ela teve dois filhos. Mas não seriam felizes para sempre: em 1990, um tabloide teve acesso a um exame de sangue de Perkins e publicou que o ator tinha AIDS. Sim, Tony e a família ficaram sabendo do diagnóstico através de um jornal.

Perkins went on to hate himself and try to find a cure for his “disease”. He ultimately married Berry Berenson and had two sons with her. But there would be no happily ever after: in 1990, a tabloid got access to his blood exam records and published that he had AIDS. Yes, Tony and his family found out through a newspaper.
Dali em diante, os jornalistas cercavam a casa deles o tempo todo, e seguiam os funcionários da família para tentar descobrir mais sobre a doença de Tony. Apesar deste inferno, Perkins continuou trabalhando até sua morte, em 12 de setembro de 1992.

From them on, journalists would be in front of their house 24/7 and follow their employees, wanting to know details about Tony's disease. Nevertheless, Perkins kept on working until his death, on September 12th, 1992.

Não posso deixar de pensar em quantas outras coisas Anthony Perkins poderia ter feito com seu talento se o mundo tivesse sido mais bondoso com ele. E eu imagino quantas pessoas como Tony não conseguem atingir seu potencial e têm de viver atormentados porque, todos os dias, o mundo não é bondoso com eles.

I can't avoid but wonder how much more Anthony Perkins could have accomplished if the world had been kinder to him. And I wonder how many people like Tony can't fulfill their potential and have to live tormented lives because the world isn't kind to them every day.


This is my contribution to the Reel Infatuation blogathon, hosted by Silver Screenings and Font and Frock.

sábado, 17 de junho de 2017

#TheResistance at the movies: Presenting Cine Suffragette

Are you scared about the future? Are you disillusioned? Do you get nauseous when you watch the news? Did you answer YES to all the questions? Now comes the most important question of all: are you ready and willing to fight back and resist? If once again you answered YES, you'll be welcome to Cine Suffragette.


Since he-who-must-not-be-named was elected president of the US, I started feeling once again the burden that being a woman is. Not only a woman. Nowadays, being anything but a white-male-cisgender-straight-christian is dangerous and wrong. And it shouldn’t be.

That's why me and my fabulous internet friends decided to do what we know best: watch movies. And then analyze the movies and bring up valuable discussions about being a female, working in the movie businnes as a woman, and the representation of LGBT individuals, black, disabled and older people at the movies.


And that's why we created Cine Suffragette: an online, multilingual publication about empowerment and representativeness in film. We publish texts in English, Brazilian Portuguese, Spanish and French on the Medium platform. We also have an Instagram, Twitter, Facebook fanpage and YouTube channel.

You, members of #TheResistance, are more than welcome to read our texts and even contribute with us! Our first guest post was published this month and we will published versions in all languages. If you want to contribute, get in touch with us!

I must leave a big THANK YOU here to my partners in crime in this project: Rafaella from the blog Império Retrô and Jessica from the website Cine Espresso. <3 o:p="">



Find us at:





sexta-feira, 9 de junho de 2017

Judy e Liza: de mãe para filha / Judy and Liza: from mother to daughter

O talento é algo hereditário? Pesquisadores dizem que talento é 50% herdado nos genes e 50% desenvolvido com a prática. Nós não vamos nos aprofundar no campo da genética hoje, apenas apresentaremos um caso que, considerado sozinho, provaria que talento pode ser herança de família: o caso de Judy Garland e Liza Minnelli.

Is talent hereditary? Researchers say that talent is 50% a matter of genes, and 50% a matter of hard work. We won't dive deeper into the genetics field today, we'll simply show a case that, considered isolated, would prove that talent can run in the family: the case of Judy Garland and Liza Minnelli.
Liza Minnelli, quando jovem, tinha a aparência e a voz da mãe. Agora que está mais velha, ela se parece mais com o pai, Vincente Minnelli. Um caso semelhante ao de outra filha de uma rainha do cinema: Isabella Rossellini, que se parecia com a mãe, Ingrid Bergman, quando era mais jovem, e agora lembra mais o pai, Roberto Rossellini.

Liza Minnelli, at a younger age, looked and sounded a lot like her mother. Now that she is older, she resembles more her father, Vincente Minnelli. A similar thing happened to another daughter of cinema royalty: Isabella Rossellini, who looked like her mother, Ingrid Bergman, in her earlier years, and now looks more like her father, Roberto Rossellini.
Liza and Vincente Minnelli
Liza fez sua estreia no cinema in utero – ou quase isso. Judy, então com 23 anos de idade, estava grávida de Liza durante as filmagens de “Quando as Nuvens Passam” (1946), mas sua barriga ainda não é evidente o bastante. A garotinha que nasceu da união de Judy e Vincente foi batizada com o nome de Liza, uma canção de Ira Gershwin, seu padrinho. Com catorze meses de idade, Liza Minnelli fez sua estreia de fato no cinema, na sequência final de “A Noiva Desconhecida” (1949), protagonizado por sua mãe.

Liza first appeared on film in the womb – or almost. Judy, then 23 years old, was pregnant with Liza during shooting “Till the Clouds Roll By” (1946), but her bump is not big enough to be seen onscreen. The little girl she gave birth to was named after her godfather’s Ira Gershwin song Liza. At the age of fourteen months, Liza Minnelli did her real film debut, in the final sequence of “In the Good Old Summertime” (1949), in which her mother was the lead.
Na infância, Liza era comumente fotografada ao lado dos pais no estúdio. Quando sua mãe saía em turnê, ela a acompanhava, e por isso passava muito tempo em hotéis. Este fato fez de Liza a inspiração para a protagonista do livro Eloise, escrito por Kay Thompson, madrinha de Liza. Judy e Vincente se divorciaram em 1951, quando Liza tinha cinco anos, e Judy se casou novamente em 1952. Quando tinha 13 anos, Liza cantou “Over the Rainbow” no rádio. Escute a gravação AQUI.

During her childhood, Liza was often photographed with her parents at the studio. When her mother was on tour, she would go with her, that's why she spent a lot of time in hotels. This fact made Liza the inspiration for the character Eloise from the book of the same name, written by Liza's godmother, Kay Thompson. Her parents divorced in 1951, when she was five, and Judy remarried in 1952. When Liza was 13, she was featured on radio singing “Over the Rainbow”. Listen to her recording HERE.
Liza and Gene Kelly
Depois disso, Liza apareceria com frequência na TV, começando com “Tonight Starring Jack Paar” e “The Gene Kelly Show”, respectivamente de 1958 e 1959. Ela foi cantora convidada em “The Judy Garland Show” em duas ocasiões em 1963. Com 17 anos, ela já mostrava que tinha uma voz poderosa e muito carisma. Assistindo aos clipes do programa, é possível perceber como Liza e Judy se amavam. Foi também durante estas apresentações em seu programa que Judy percebeu que sua garotinha era agora uma mulher crescida que tinha sua própria carreira artística.

Next, Liza would appear on TV regularly, starting in “Tonight Starring Jack Paar” and “The Gene Kelly Show”, respectively from 1958 and 1959. She was a guest at “The Judy Garland Show” twice in 1963. At 17, she already showed a powerful voice and a lot of charisma. By watching the clips, you can see how mother and daughter loved each other. It was also during this show that Judy realized that her little girl was a grown up pursuing her own career.
Quando falava sobre Liza, Judy a descrevia como “muito esperta” e “com os pés no chão o tempo todo”. Muitos anos depois, Liza disse que Judy era a melhor mãe do mundo. Ela diz também que herdou seu senso de humor da ‘mama’.

While talking about Liza, Judy called her “very wise” and “with her feet on the ground all the time”. Many years later, Liza said Judy was the best mother in the world. She says she inherited her sense of humor from her mama.
Nem tudo eram flores entre mãe e filha, obviamente. Liza vivia com Judy, seu padrasto Sid Luft e seus meios-irmãos Lorna e Joe durante os anos 50 e 60. Os papéis de mãe e filha eram muitas vezes trocados, porque Liza muitas vezes tinha de cuidar da mãe quando Judy tinha suas crises e problemas com abuso de remédios. Judy tinha pouco contato com a família, segundo a minissérie “Eu e Minhas Sombras” (2001), quando faleceu em 1969. Liza fez todos os trâmites para o funeral da mãe. Ela continuou próxima do pai, Vincente Minnelli, até ele morrer em 1986, e ela é próxima de Lorna até hoje.


Not everything was wonderful between mother and daughter, of course. Liza lived with Judy, her stepfather Sid Luft and her half-siblings Lorna and Joe during the 50s and 60s. The roles of mother and daughter were often reversed, because she often looked after her mother when Judy had her on-and-off problems with mental health and pill addiction. Judy was estranged from her kids, according to the miniseries “Me and My Shadows” (2001), when she died in 1969. Liza arranged everything for her mother's funeral. She remained friends with her father, Vincente Minnelli, until he died, in 1986, and is close to her sister Lorna until today.
Judy among her children
Liza não canta as músicas da mãe, alegando que “elas já foram cantadas”. Quando perguntam a ela sobre Judy, ela só tem coisas boas para contar. Liza tinha apenas 23 anos quando Judy faleceu – a mesma idade que eu tenho hoje e não consigo imaginar minha vida sem minha mãe. O tempo de Judy e Liza juntas foi relativamente curto, mas Liza prova que o impacto de uma mãe na vida de alguém é para sempre.

Liza doesn't sing her mother's song, saying that “they have already been sung”. When asked about Judy, she only has good things to say. Liza was only 23 when Judy died – the same age I am now and I couldn't imagine how it would be losing my mom. Their time together was not long, but Liza proves that a mother's impact in someone's life lasts forever.


This is my contribution to the Judy Garland Blogathon, hosted by Crystal at her blog In the Good Old Days of Classic Hollywood.

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