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sábado, 25 de maio de 2019

Jeanne Crain: pintora / Jeanne Crain: painter


Eu amo, amo, amo Jeanne Crain. Eu amo o cabelo dela – quero imitar aqueles penteados! - o sorriso dela, os olhos dela, o rosto dela. Eu amo os filmes dela. Eu amo a persona doce dela em seus filmes, e as personagens mais distantes dessa doçura em filmes ousados como “O que a Carne Herda” (1949), o primeiro filme que vi com ela. E eu amo o fato de ela ter muitos talentos. Além de ser uma boa – e subestimada – atriz, Jeanne também foi uma ótima pintora.

I love, love, love Jeanne Crain. I love her hair – goals! - her smile, her eyes, her face. I love her movies. I love her sweet on screen persona, that could be changed and challenged in risky movies like “Pinky” (1949), the first I've watched with her. And I love the fact that she had many talents. Besides being a fine – and underrated – actress, Jeanne was also a very good painter.


De acordo com um artigo de 1992 do Chicago Tribune, Jeanne Crain amava arte desde cedo. Na adolescência, ela começou a fazer peças no sul da Califórnia, e logo procurou trabalho como modelo e participou de concursos de beleza para ser notada, com a esperança de se tornar atriz em Hollywood. Funcionou: aos 17 anos ela assinou seu primeiro contrato, e dois anos depois seu primeiro filme estreou.

According to a 1992 Chicago Tribune article, Jeanne Crain loved art since she was young. In her teen years, she started appearing in plays in Southern California, and soon she sought work as a model and participated in beauty contests to be noticed, in the hopes of becoming a Hollywood actress. It worked: at 17 she signed her first contract, and two years later her first film was released.


Jeanne Crain passou a se dedicar ao cinema e à família, pois ela teve, pasmem, sete filhos! Seu amor pela arte, pelo desenho e pela pintura, entretanto, não desapareceu. Em 1953 seu marido construiu um estúdio em casa para Jeanne poder pintar. Ela só pôde se dedicar mais à pintura a partir dos anos 70, quando deixou de fazer filmes e apenas esporadicamente fazia televisão. Jeanne pintava principalmente retratos.

Jeanne Crain then dedicated herself to films and to family, as she had astounding seven children! Her love for art, drawing and painting, however, didn't disappear. In 1953 her husband built a studio in their house for Jeanne to exercise her passion. She was only really able to paint more starting in the 1970s, when she stopped making films and only sporadically appeared on TV. Jeanne painted mainly portraits.


Nos anos 80, muitas de suas pinturas foram exibidas em galerias como a Mascagni diItaly e as galerias da Westwood Art Association. Mesmo Jeanne Crain não podendo explorar a paixão pela pintura o tempo todo, ela foi capaz de se tornar uma ótima pintora. Infelizmente, não é possível encontrar muito sobre suas pinturas na internet desde o fechamento do seu site oficial, mas ao menos foi possível ver, com essa pequena amostra, que Jeanne era uma verdadeira artista em mais de um sentido.

In the 1980s, many of her paintings were exhibited in galleries such as the Mascagni diItaly and the Westwood Art Association Galleries. Although Jeanne Crain never explored her passion for painting full-time, she was able to become a fine painter. The worst part is that there is not much about her paintings on the internet since her official website was shut down, but at least we could see, by the small sample, that Jeanne was a true artist in more than one way.


This is my contribution to the Jeanne Crain blogathon, hosted by Christine at Overture Books and Film.


sábado, 18 de maio de 2019

Sós no Mundo (1934) / Two Alone (1934)


Uma história de Cinderela – mas feita antes do Código Hays. Isso significa que não há quase nada “de fadas” neste “conto”. Para começar, “Sós no Mundo” é uma história rural de uma órfã que é adotada por fazendeiros para trabalhar para eles. Seu Príncipe Encantado é na verdade um adolescente que fugiu do reformatório. Sua Fada Madrinha é um velho bêbado que todos consideram louco. E seu malvado Padrasto quer mais dela do que apenas seu trabalho...

A Cinderella story – but made in the pre-Code era. This means that there is too little of “fairy” in this “tale”. To begin with, “Two Alone” is a rural tale of an orphan who is adopted by farmers only to work for them. Her Prince Charming is actually a teenager running away from Reform School. Her Fairy Godmother is a drunken old man everyone considers to be crazy. And her evil Stepfather wants more of her than only her ability to work…


A família Slag vive em uma fazenda. O Sr. Slag (Arthur Byron) e a senhora Slag (Beulah Bondi) têm dois filhos, um garoto e uma garota, e o Sr. Slag adotou uma órfã, Mazie (Jean Parker).  Mas seu objetivo não era dar para Mazie o amor e o carinho que ela nunca recebeu na vida, mas sim fazê-la trabalhar para a família.

The Slag family lives in a farm. Mr. Slag (Arthur Byron) and Mrs. Slag (Beulah Bondi) have two children, a guy and a girl, and Mr. Slag has adopted an orphan, Mazie (Jean Parker). But his goal was not to shower Mazie with the love and care she never had in her life, but rather make the girl work for them.


Um dia, um adolescente fugindo do reformatório aparece na fazenda. Ele, um garoto chamado Adam (Tom Brown), rouba comida de Mazie, mas ela é bondosa o suficiente para tratar das feridas no rosto do rapaz. Naquela noite, Mazie sai de casa para dar algumas roupas para Adam, mas o Sr. Slag os flagra. O Sr. Slag, em vez de entregá-lo para a polícia, decide fazer do garoto também empregado da sua fazenda.

One day, a runaway teenager from Reform School shows up at the farm. He, a boy named Adam (Tom Brown), steals food from Mazie, but she is kind enough to tend to his facial wounds. That night, Mazie leaves the house to give some clothes to Adam, but Mr. Slag catches them. Mr. Slag, instead of turning the boy to the police, decides to make him work at the farm as well.


Alguns meses se passam, e a filha do Sr. Slag vai se casar – com a pior orquestra do mundo tocando na cerimônia. Mazie é humilhada quando tenta parabenizar a noiva, o que a entristece. Adam, agora um empregado da fazenda, diz que um dia ambos estarão livres e felizes longe dali. Sozinhos em casa, eles comem e conversam com Sandy Roberts (Charley Grapewin), um homem considerado louco pela população. Adam beija Mazie, mas depois se sente culpado.

A few months pass, and Mr. Slag’s daughter is going to be married – with the world’s worst orchestra playing at the ceremony. Mazie is humiliated when she tries to congratulate the bride, and that makes her sad. Adam, now working at the farm, tells that one day they both will be free and happy far from there. Home alone, they eat and chat with Sandy Roberts (Charley Grapewin), a man considered crazy by the people. Adam kisses Mazie, but then feels ashamed.


Algum tempo depois, Adam confessa para Mazie que a ama – e, felizmente, ela também o ama! Mas temos mais problemas: quando Adam pede ao Sr. Slag para deixá-lo casar com Mazie, o velho rabugento diz não – porque ele não quer perder dois empregados, e também porque ele está interessado em Mazie, agora quase uma mulher. Amedrontada, Mazie diz a Adam que eles deveriam fugir – e é isso que eles fazem.

A while later, Adam confesses to Mazie that he loves her – and, luckily, she loves him back! But problems arise once more: when Adam asks Mr. Slag to let him marry Mazie, the old man says no – because he doesn’t want to lose two employers, and also because he is interested in Mazie, now almost a woman. Afraid, Mazie tells Adam they should escape – and so they do.


Adam e Mazie querem chegar à casa do antigo empregado de Slag, o bondoso George Marshall (Willard Robertson), que, coincidentemente, também está procurando por Mazie. Muitas reviravoltas acontecem, e temos suspense... e sexo!

Adam and Mazie want to reach the house of Slag’s former employee, the good George Marshall (Willard Robertson), who, coincidentally, is also looking for her. A lot of plot twists happen and there is suspense… and sex!


Os anos 30 foram uma boa década para crianças e adolescentes do cinema. As crianças da série “Our Gang” (“Os Batutinhas”) continuaram com o sucesso que tinham na era muda. Shirley Temple, Judy Garland e Mickey Rooney cresceram em frente às câmeras. Os garotos da turma “Dead End Kids” apareceram no teatro e também no cinema em filmes como “Anjos de Cara Suja” (1938). Adolescentes fugitivos eram uma triste realidade durante a Grande Depressão, e foram o foco de “Idade Perigosa” (1933), um filme interessante de William A. Wellman.

The 1930s were a nice decade for kids and teens at the movies. The kids from “Our Gang” kept the success from the silent era. Shirley Temple, Judy Garland and Mickey Rooney grew up in front of the cameras. The “Dead End Kids” appeared at the stage and made it to the screen in films like “Angels with Dirty Faces” (1938). Runaway teens were a sad reality in the Depression Era, and they were the subject of “Wild Boys of the Road” (1933), an interesting little film by William A. Wellman.
 
Idade Perigosa / Wild Boys of the Road
“Sós no Mundo” é um filme B feito pelos estúdios RKO. De acordo com os arquivos do estúdio, o filme foi um fracasso na bilheteria, provavelmente por causa da falta de grandes estrelas no elenco e também por causa da trama complexa. A pobre ZaSu Pitts, interpretando Esthey Roberts – filha de Sandy Roberts – é completamente desperdiçada, pois só aparece em duas cenas.

“Two Alone” is a B-movie made by RKO. According to studio’s records, it was a huge box-office flop, probably due to the lack of A-listers in the cast and the very complex story. Poor ZaSu Pitts, playing Esthey Roberts – Sandy Roberts’s daughter – is completely wasted as she appears in only a couple of scenes.


Jean Parker, então com 19 anos e no começo da carreira, foi emprestada pela MGM, e ela é a melhor em cena em “Sós no Mundo”. Ela interpreta a doce e pobre Mazie de maneira convincente, e seus olhos são brilhantes e expressivos. O belo Tom Brown, com apenas 21 anos na época, já havia sido modelo na infância e feito alguns filmes mudos. Como namorados, Mazie e Adam nos fazem torcer por eles.

Jean Parker, then 19 and in the beginning of her career, was borrowed from MGM, and she is the best in scene in “Two Alone”. She plays sweet and helpless Mazie in a believable way, and her eyes are bright and expressive. Handsome Tom Brown, playing Adam, only 21 at the time, had already been a model in his childhood and appeared in a couple of silent films. As sweethearts, Mazie and Adam are worth rooting for.


“Sós no Mundo” foi dirigido por Elliott Nugent. O nome não parece familiar, né? No começo dos anos 30 Elliott era ator, e logo se tornou também roteirista e diretor. Seu filme mais famoso como diretor provavelmente é a versão de 1939 de “O Gato e o Canário”, com Paulette Goddard e Bob Hope.

“Two Alone” was directed by Elliott Nugent. The name doesn’t sound familiar, does it? In the early 1930s Elliott was actually a leading man, and soon he became also a screenwriter and director. His most famous endeavor as a director is probably the 1939 version of “The Cat and the Canary”, with Paulette Goddard and Bob Hope.

Jean Parker, Elliott Nugent, Tom Brown

“Sós no Mundo” se torna mais emocionante quando nos lembramos de que ainda há muitas crianças e adolescentes órfãos vivendo como Mazie. Adotar crianças para ter empregados sem salário não é coisa do passado. Abuso, tráfico humano, cárcere privado e escravidão de crianças ainda existem. Se o Código Hays não tivesse sido implantado, será que teríamos mais consciência sobre estes temas? Eu não sei, mas ao menos fico feliz que um filme como “Sós no Mundo” exista para nos mostrar como avançamos tão pouco nos últimos 85 anos.

“Two Alone” becomes more poignant as we remember that there are still many orphaned children and teens living like Mazie. Adopting kids to have them as unpaid maids is not a thing from the past. Abuse, human trafficking, false imprisonment and child slavery still exist. If the Hays Code wasn’t implanted, would we be more aware of themes like those? I don’t know, but at least I’m happy a film like “Two Alone” exists to show us we haven’t come very far in the last 85 years.

This is my contribution to the It’s a Young World – Teen Movie Blogathon, hosted by Robin and Crystal at Pop Culture Reverie and In the Good Old Days of Classic Hollywood.



quarta-feira, 15 de maio de 2019

TOP 5 - Meus filmes favoritos dos anos 1950


TOP 5 - My favorite films of the 1950s


Se você me perguntasse se eu queria viver na década de 1950, eu responderia “claro que NÃO” instantaneamente. Os anos 50 foram péssimos para a diversidade. O racismo e o sexismo eram escancarados, havia segregação racial, a “Ameaça Vermelha” e o McCarthismo. As mulheres podiam apenas ser esposas e mães - havia poucas mulheres trabalhando fora. E você tinha de se conformar com as convenções sociais e jamais se destacar, ou você seria considerado estranho e poderia inclusive ser perseguido. Bem, considerando a última parte, eu poderia dizer que os anos 50 foram exatamente como minha época no ensino médio.

If you asked me if I wanted to live in the 1950s, I’d answer “hell, NO” instantly. The 1950s were not a very diverse decade. Racism and sexism were blatant, there was racial segregation, the Red Scare and the McCarthism. Women could only be wives and mothers - there were few who worked outside of the home. And you had to conform to society norms and not stand out, or you would be considered weird and could even be persecuted. Well, thinking about that last part, I could say that the 1950s were exactly like my high school years.


Mas uma coisa é inegável: os filmes feitos nos anos 50 foram incríveis. Praticamente todos os gêneros estavam em seu auge, e no mundo todo excelentes filmes eram feitos. E Hollywood estava no ápice de sua Era de Ouro. É por isso que o Dia do Cinema Clássico de 2019 será celebrado por blogueiros que escolherão seus cinco filmes favoritos dos anos 50.

But one thing is undeniable: the films made in the 1950s were amazing. Basically all genres were at their peak, and all over the world great movies were being made. And Hollywood was in the height of its Golden Age. That’s why the 2019 Classic Movie Day Will be celebrated by classic film bloggers who will choose their top five films from the 1950s.


E, puxa, essa não é tarefa fácil. Milhares de filmes foram feitos naquela década, e algumas centenas deles são realmente ótimos, ou ao menos filmes bons que têm um lugar especial no coração dos cinéfilos. Para fazer minha lista, levei em consideração ambos: qualidade e valor emocional.

And, wow, this is not an easy task. Thousands of films were made in that decade, and a few hundred are very, very good ones, or at least nice films that have a special place in cinephiles’ hearts. To write my list, I considered both: quality and emotional value.


Primeiro, algumas menções honrosas: Dizem que é Pecado (1951), A Lenda dos Beijos Perdidos (1954), Um Corpo que Cai (1958).

First, a few honorable mentions: People Will Talk (1951), Brigadoon (1954), Vertigo (1958).


Crepúsculo dos Deuses (1950): Como uma pessoa muito racional, eu tenho um filme favorito e um filme que considero o melhor já feito. Meu filme favorito é “Nasce uma Estrela” (1937), enquanto o filme que eu considero o melhor é “Crepúsculo dos Deuses” - coincidentemente, ambos são filmes sobre filmes. Tudo em “Crepúsculo dos Deuses” é perfeito: o roteiro, as atuações (Gloria Swanson está brilhante), os cenários, a trilha sonora, as participações especiais. Há poucos filmes mais icônicos que “Crepúsculo dos Deuses”, e não há diretor tão versátil quanto Billy Wilder.

Sunset Boulevard (1950): As a very rational person, I have one favorite movie and one movie that I consider to be the best ever made. My favorite movie is “A Star is Born” (1937), while the film I consider the best is “Sunset Boulevard” - as a coincidence, both are movies about movies. Everything in “Sunset Boulevard” is perfect: the screenplay, the acting (Gloria Swanson is superb), the sets, the soundtrack, the cameos. There are few movies more iconic as “Sunset Boulevard”, and there is no director as versatile as Billy Wilder.


Pacto Sinistro (1950): Meu filme preferido de Hitchcock também é um filme perfeito. Começando com a maneira como os personagens principais se conhecem e terminando no clímax no carrossel, tudo é perfeito. Eu particularmente adoro duas sequências: uma em que um assassinato é refletido em um par de óculos, e a partida de tênis. Tudo neste filme é ótimo: a fotografia, o roteiro - baseado em um livro de Patricia Highsmith, o roteiro foi escrito por uma assistente de Ben Hecht chamada Czenzi Ormonde - e a performance eletrizante de Robert Walker.

Strangers on a Train (1951): My favorite Hitchcock film also happens to be a perfect film. From the way the two main characters meet until the climax in a merry-go-round, everything is perfect. I’m particularly fond of two sequences: the one in which a murder is seen reflected in a pair of glasses, and the tennis match. Everything in this film is great: the cinematography, the screenplay- based on a novel by Patricia Highsmith, the screenplay was written by Ben Hecht’s assistant, a woman named Czenzi Ormonde - and a chilling performance by Robert Walker.


Europa ‘51 (1952): Dezenas de outros filmes italianos poderiam ser mencionados como melhores representantes do Neorrealismo Italiano, mas este foi o que mais me tocou - porque ele é tão atual. Ingrid Bergman protagoniza “Europa ‘51” como uma mulher que, ao perder seu filho, decide só fazer o bem, e é considerada louca pelos seus amigos da alta sociedade. Ela é alguém que começa a seguir os ensinamentos de Jesus - e, como acontece sempre, os cristãos decidem silenciá-la. Como alguém que estudou em um colégio de freitas, que vive em um país profundamente desigual e que tem um forte senso de justiça, eu fiquei muito mexida com este filme. Eu escrevi sobre “Europa ‘51” AQUI.

Europa ‘51 (1952): Dozens of other Italian films could be mentioned as more representative of the Italian Neorealism movement, but this was the one that spoke to me - because it is so timely. Ingrid Bergman stars in “Europa ‘51” as a woman who, after losing her son, decides only to do good, and is considered crazy by her high society friends. She is someone who starts to follow what Christ has taught us - and, as it always happens, Christians quickly decide to silence her. As a person who studied in a Catholic school as a child, who lives in a profoundly unequal country and who has a strong sense of justice, I was deeply moved by this film. I wrote about “Europa ‘51” HERE.


Cantando na Chuva (1952): Até eu começar a fazer esta lista, eu não havia percebido como 1952 foi um bom ano para o cinema - ou pelo menos para mim. Eu pensei em colocar “A Lenda dos Beijos Perdidos” (1954) como meu musical favorito na lista, mas eu estaria tentando enganar a mim mesma. “Cantando na Chuva” é um filme que me deixa feliz, e mais do que isso: ele é muito bem feito, com ótimas canções antigas, coreografias bacanas e até uma história coisa - algo que nem todos os musicais tinham. Eu já escrevi sobre meuamor por “Cantando na Chuva” AQUI.

Singin’ in the Rain (1952): Up until I started making this list, I hadn’t realized how 1952 was a good year for film - or at least for me. I thought about adding “Brigadoon” (1954) as my musical of choice to the list, but I’d be trying to deceive myself. “Singin’ in the Rain” is a film that makes me happy, and more than that: it’s beautifully done, with great vintage songs, nice choreography and even a smart storyline- something not all musicals had. I previously wrote about my love for “Singin’ in the Rain” HERE.


 O Rato que Ruge (1959): Quando tanto a cinéfila quanto a historiadora em mim apreciam um filme, você pode apostar que é uma película excelente. Esta comédia britânica lida com geopolítica ao contar a história de um pequeno país que decide invadir os EUA, declarar guerra, rapidamente perder a guerra e receber ajuda monetária. O problema é que eles ganham a guerra quando sequestram um cientista que possui uma bomba de hidrogênio. O melhor do filme é Peter Sellers interpretando três papéis: um soldado, um Primeiro-ministro... e uma Rainha.


The Mouse that Roared (1959): When both the movie nerd and the history nerd in me are pleased by a film, you can bet it is an outstanding production. This British comedy deals with geopolitics as it tells the story of a tiny country that decides to invade the US, declare war, quickly lose the war and then receive monetary help. The problem is that they win the war by kidnapping a scientist that has a hydrogen bomb. The best thing in this film is Peter Sellers playing three roles: a soldier, a Prime Minister... and a Queen.


This is my contribution to the “5 Favorite Films ofthe ‘50s” blogathon to celebrate National Classic Movie Day, hosted by Rick at Classic Film & TV Café.


domingo, 12 de maio de 2019

Um Rosto de Mulher (1941) / A Woman's Face (1941)

Durante a Era de Ouro dos estúdios, sempre que um artista tinha liberdade para interpretar um personagem diferente do que estava acostumado – em geral depois de muita insistência e luta – o resultado era quase sempre maravilhoso. Por exemplo: quando a MGM deixou Joan Crawford arriscar e interpretar uma personagem marcada – em vez de mais uma mulher glamourosa – em “Um Rosto de Mulher”, ela nos legou uma performance incrível.

During the Studio Era, whenever a performer was allowed to play against type – usually after a lot of insistence and fighting – the result was almost always wonderful. For instance: when MGM let Joan Crawford take a risk and play a scarred character – instead of another glamorous woman – in “A Woman's Face”, she delivered an outstanding performance.




Em um tribunal em Estocolmo, o julgamento de Anna Holm (Joan Crawford) começa. Anna é acusada de assassinato. As testemunhas são chamadas e contam a história em flashback. Anna e seus “amigos” trabalhavam em um restaurante, mas este trabalho era só de fachada: eles atuavam de verdade no ramo da chantagem.

In a tribunal in Stockholm, the judgment of Anna Holm (Joan Crawford) begins. Anna is accused of murder. The witnesses are called and they tell the story in flashback. Anna and her “friends” worked in a restaurant, but this job was just a disguise: they were really active in the blackmail market.




A vítima de chantagem que vai mudar toda a história é Vera Segert (Osa Massen), cujas cartas de amor para um amante foram parar nas mãos erradas. Enquanto negocia com Vera, Anna conhece o esposo dela, Gustaf (Melvyn Douglas), quese interessa pela grande cicatriz que Anna tem no rosto. Gustav então se oferece para operar Anna e remover a cicatriz. Ao mesmo tempo, Anna se apaixona por Torsten Barring (Conrad Veidt), que a quer para executar seu próprio plano maligno.

The blackmail victim that will change everything is Vera Segert (Osa Massen), whose love letters to a lover ended up in wrong hands. While negotiating with Vera, Anna meets her husband, Gustaf (Melvyn Douglas), who gets interested in the big scar Anna has in her face. Gustav then offers to operate Anna and remove the scar. At the same time, Anna falls in love with Torsten Barring (Conrad Veidt), who wants her for an evil plan of his own.




A cicatriz de Anna é decorrente de um incêndio ao qual ela sobreviveu na infância. Por causa da cicatriz, ela não conseguiu arranjar trabalho quando era adolescente e então se tornou criminosa. Anna lidava com canalhas, e em geral desconfiava de todos – não porque eles eram canalhas, mas porque ela achava que eles estavam sempre zombando de seu rosto. Toda a vida e todas as atitudes de Anna foram pautadas em sua cicatriz.

Anna got her scar after she survived a fire in her childhood. Because of the scar, she couldn't find a job as a teen and turned to crime. Anna was dealing with crooks, and she was often suspicious of everybody – not because they were crooks, but because she thought they were always mocking her appearance. All her life and her actions have been dictated by that scar.



“Um Rosto de Mulher” nos leva a refletir sobre as aparências e sobre como julgamos as pessoas pela aparência. Isso vai além das noções de bonito ou feio: aqui estamos falando de uma pessoa marcada, na mesma situação de pessoas que adquiriram uma deficiência depois de um acidente. Eu pensei muito nas pessoas que lutaram em guerras e ficaram para sempre marcadas ou deficientes porque não havia  tratamento ou cirurgia plástica na época. Estas são as vítimas do fogo, de bombas e de ataques com gás que tiveram de conviver com pessoas que não acreditavam que alguém “diferente” merecia respeito.

A Woman's Face” leads us to think about appearances and how we judge people by their looks. This goes way beyond the notions of beautiful and ugly: here we are talking about someone scarred, in the same situation as people who were left handicapped by some accident. I thought a lot about people who had fought in wars and left permanently scarred or disabled because there was no treatment or plastic surgery in that time. These are the victims of fires, bombs, gas attacks, who then had to live among people who didn't see someone “different” as someone worth respecting.




Hollywood, desde sempre, fez remakes de sucessos internacionais, e neste caso não foi diferente. “Um Rosto de Mulher” é o remake de “A Mulher que Vendeu a Alma”, filme sueco de 1938 que revelou ao mundo uma jovem de 23 anos chamada Ingrid Bergman. Enquanto Crawford está bem no remake, não há comparação com a personagem amarga interpretada por Ingrid no original.

Hollywood, since the beginning, remade international successes, and this case was no exception. “A Woman's Face” is the remake of “En kvinnas ansikte”, a Swedish film from 1938 that introduced to the world a young 23-year-old girl named Ingrid Bergman. While Crawford is good in the remake, there is no comparison to the embittered character played by Ingrid in the original.




Em uma única cena no sótão, Conrad Veidt consegue ser incrivelmente assustador e sombrio – muito diferente de quando ele está dançando com Joan Crawford. Como Vera, Osa Massen ou é uma péssima atriz ou uma ótima atriz interpretando uma personagem insuportável. Alguns coadjuvantes brilham, em especial Marjorie Main e Donald Meek.

In a single scene in an attic, Conrad Veidt manages to be incredibly scary and somber – very different from when he's dancing with Joan Crawford. As Vera, Osa Massen is either a very bad actress or a very good one playing an annoying character. Some supporting players shine, in special Marjorie Main and Donald Meek.




Do ponto de vista técnico, há algumas coisas a se destacar em “Um Rosto de Mulher”. Há uma cena muito interessante com diversos espelhos. Há duas sequências muito tensas e sem música – apenas com os barulhos do ambiente, e esta escolha foi muito eficiente para aumentar o suspense. E, claro, o departamento de maquiagem fez maravilhas não apenas com a criação da cicatriz de Anna, mas também com a maneira como mostram o efeito do fogo no olho dela.

From the technical point of view, there are a few things to point out about “A Woman's Face”. There is a very interesting shot with a lot of mirrors. There are a couple of very tense scenes that have no music – only the noises of the place, and this choice proved to be very effective to increase the suspense. And, of course, the make-up department did wonders not only conceiving Anna's scar, but also showing how the fire also affected her eye.




Antes do doutor Gustaf ver o resultado da cirurgia de Anna, ele diz ter medo de que ela se torne “um belo rosto sem coração”. A mudança no rosto de Anna vem junto com uma mudança no coração, e assim o filme reforça o estereótipo de Hollywood de que tudo que é belo é bondoso. “Um Rosto de Mulher” é um ótimo filme, mas eu gostaria mais dele se a aparência de Anna não tivesse mudado. Afinal, se o Corcunda de Notre Dame podia ser um cara legal mesmo sendo considerado “feio”, por que o mesmo não poderia acontecer com Anna Holm?

Before Dr. Gustaf sees the result of Anna's surgery, he says he's afraid of her ending up having “a beautiful face and no heart”. As Anna's change in her face comes with a change of heart, we see another picture that reinforces the Hollywood stereotype that beautiful equals kind. “A Woman's Face” is a great film, but I'd love it more if the Anna's appearance didn't change. After all, if the Hunchback of Notre Dame could be a great guy even being considered “ugly”, why couldn't Anna Holm be the same?


This is my contribution to the Joan Crawford blogathon, hosted by Pale Writer and Poppity Talks Classic Films.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Quando Paris Alucina (1964) / Paris When It Sizzles (1964)


Dez anos depois de sua última parceria, “Sabrina” (1954), William Holden e Audrey Hepburn se encontraram novamente em um estúdio de cinema – ou melhor, em dois estúdios de cinema. “Quando Paris Alucina” (1964) é um filme metalinguístico, ou seja, é um filme sobre fazer filmes, e ele tem um filme dentro de outro filme. Pode parecer confuso, mas a película é na verdade muito boa para ajudar as pessoas a compreenderem como os filmes são feitos – e como esse processo pode ser caótico.

Ten years after their previous collaboration, “Sabrina” (1954), William Holden and Audrey Hepburn met again on a movie set – or better, at two movie sets. “Paris When It Sizzles” (1964) is a metalinguistic film, that is, a film about making films, and it has a film inside other film. It may sound confusing, but the movie is actually a very good one to make people understand how films are made – and how chaotic this process can be.


Richard Benson (William Holden) é um roteirista que está trabalhando no roteiro do seu próximo filme, chamado “A Garota que Roubou a Torre Eiffel”. Ou ele deveria estar trabalhando: ele passou cinco meses se divertindo, bebendo, tomando sol e procrastinando e agora ele só tem dois dias para entregar um roteiro de 130 páginas.

Richard Benson (William Holden) is a screenwriter who is working on the screenplay for his next film, called “The Girl who Stole the Eiffel Tower”. Or he should be working: he spent five months partying, drinking, sunbathing and procrastinating, and now he only has two days to deliver a 130-page script.


Uma datilógrafa, Gabrielle Simpson (Audrey Hepburn), é enviada para ajudá-lo a digitar o roteiro. Ele confessa para ela que não tem nada pronto, embora ele descreva o filme com grandiosidade, como uma mistura gloriosa de gêneros. Gabrielle fica surpresa com a situação incomum, mas mesmo assim eles começam a trabalhar juntos, com Richard jogando cara ou coroa para tomar decisões sobre o filme – como, por exemplo, se a cena inicial se passará durante o dia ou à noite.

A typist, Gabrielle Simpson (Audrey Hepburn), is sent to help him type his script. He confesses to her that he has nothing ready, although he describes his film with grandiosity as glorious a mix of genres. Even though Gabrielle is surprised with the uncommon situation, they start working together, with Richard tossing a coin to decide some things about his movie – like if the opening scene will be set by day or at night.


As coisas não vão bem. Chateado, Richard começa a conversar com Gabrielle e decide usar a história dela como inspiração. “A Garota que Roubou a Torre Eiffel” será sobre uma jovem trabalhadora festejando o Dia da Bastilha depois que seu amigo, Maurice, cancela o encontro que eles tinham. Conforme Richard imagina a ação, ela se desenrola na frente dos nossos olhos. É o filme dentro do filme.

Things are not going well. Upset, Richard starts talking to Gabrielle and decides to use her story as an inspiration. “The Girl who Stole the Eiffel Tower” will be about a working girl spending the Bastille Day festivities after her date, Maurice, dumps her. As Richard envisions the action, it develops in front of our eyes. It's the film within the film.


A garota, Gabby, também é interpretada por Audrey Hepburn. Maurice, seu amigo narcisista, é interpretado por Tony Curtis em uma participação hilária. Mas um homem misterioso, Rick, interpretado por William Holden, decide levá-la para passar um dia divertido com ele. Agora eles precisam decidir o que acontecerá a seguir. “A Garota que Roubou a Torre Eiffel” será um filme de romance? De aventura? De suspense? De horror? Ou talvez de comédia?

The girl, Gabby, is played by Audrey Hepburn as well. Maurice, her narcissistic date, is played by Tony Curtis in an hilarious cameo. But a mysterious man, Rick, played by William Holden, decides to take her out for a fun day. Now they have to decide what will happen next. Will “The Girl who Stole the Eiffel Tower” be a romantic movie? An adventure? Spy thriller? Horror film? Or maybe a comedy?


Filmes metalinguísticos são meu tipo de filme favorito. Além de apreciar “Quando Paris Alucina”, eu também me vi retratada em muitas situações. Primeiro, Richard é um procrastinador. Assim como ele, eu também estou acostumada a fazer minhas tarefas quando a data limite está próxima. Como eu não gosto da palavra “procrastinação”, eu prefiro dizer que não sou boa em administrar meu tempo, mas não importa qual termo eu uso: o resultado é o mesmo.

Metalinguistic films are my favorite kind of film. Besides enjoying “Paris When It Sizzles”, I also saw myself in many situations. First, Richard is a procrastinator. Like him, I am also used to doing my things when the deadline is approaching. As I don't like the world “procrastinating”, I prefer to say that I'm not good at managing my time, but no matter the term I use: the result is the same.


Segundo, Richard é um escritor que gosta de visualizar as cenas que ele está criando. Eu, sempre que escrevo ficção, também gosto de visualizar a ação se desenvolvendo na minha mente, por isso eu escolho alguns atores, vivos ou mortos, e às vezes até pessoas que eu conheço, para imaginá-los interpretando as cenas na minha cabeça. É mais fácil ver se o que você escreveu é verossímil se você pode, bem, ver a ação se desenrolar na sua mente.

Second, Richard is a writer who likes to visualize the scenes he's creating. I, whenever I write fiction, also like to visualize the action developing in my mind, so I “cast” some actors, dead or alive, and sometimes even people I know, to imagine them playing the scenes in my head. It's easier to see if what you wrote is believable if you can, well, see it unfolding in your mind.


Há muitas, muitas piadas envolvendo o mundo do cinema. Para começar, Gabrielle conta a Richard que seu último trabalho foi com um cineasta em cujos filmes a coisa mais importante era a ação que NÃO estava acontecendo – e eu logo pensei em Buñuel e filmes europeus experimentais.

There are many, many jokes involving the film world. To begin with, Gabrielle tells Richard that she last worked for a filmmaker in whose films the important thing was what was NOT going on – and I instantly thought about Buñuel and experimental European flicks.
 
Tony Curtis and Audrey Hepburn
Depois, Richard zomba dos atores que seguem o Método. Assim que Richard começa a visualizar o filme dentro do filme, os créditos rolam e neles está escrito “little person” no lugar dos nomes de profissionais como diretor de arte e decorador. No filme dentro do filme, Gabby diz não gostar dos filmes da Nouvelle Vague (chamados de New Wave pelos norte-americanos) porque nada acontece neles. Há algumas referências a “Bonequinha de Luxo” (1961), outro filme de Audrey. E há algumas participações especiais, incluindo Marlene Dietrich, Mel Ferrer e as participações vocais de Frank Sinatra e Fred Astaire!

Next, Richard mocks Method actors. As Richard starts envisioning the film-within-the-film, the credits appear and they have “little person” written for behind-the-cameras professionals like art director and set decorator. In the film-within-the-film, Gabby says that she doesn't like those New Wave movies because nothing happens in them. There are a few hints to Audrey’s movie “Breakfast at Tiffany's” (1961). And there are a few cameos, including Marlene Dietrich, Mel Ferrer and the vocal cameos of Frank Sinatra and Fred Astaire!


Mais do que isso, “Quando Paris Alucina” é uma lição na arte de fazer filmes. Os novatos aprendem o significado de fade in, fade out e do efeito de dissolver (“dissolve”). Nós literalmente vemos um roteiro ganhar vida na nossa frente. Nós testemunhamos o processo de brainstorm que gera um filme, e podemos ter certeza de que muitos dos, se não todos, filmes que vimos e apreciamos surgiram através deste exercício de imaginação.

More than that, “Paris When It Sizzles” is a filmmaking lesson. Beginners get to know the meaning of fade in, fade out and the dissolve effect. We literally see a script becoming alive in front of us. We witness the brainstorm process that gives birth to a movie, and we can be sure that many, if not all, flicks we've seen and enjoyed came to be through this exercise of imagination.


Audrey adiciona um toque infantil à sua Gabrielle que bem pode ser chamado de “serendipidade”, uma palavra ensinada a ela por Richard. Como Gabby, a heroína do filme dentro do filme, ela é como uma moleca, parecendo ingênua mas usando sua sagacidade sempre que precisa fugir de problemas – ela é feita do mesmo material das heroínas de cinema mudo interpretadas por Ossi Oswalda. Audrey parecia estar se divertindo muito enquanto gravava o filme.

Audrey adds a childlike touch to her Gabrielle that can be called “serendipity”, a word Richard teaches her. As Gabby, the heroine of the film-within-the-film, she is like a gamine, looking naïve but using her brains whenever she needs to escape some trouble – she is made from the same material of silent film heroines played by Ossi Oswalda. Audrey really seemed to be having a lot of fun while doing  the film.


“Quando Paris Alucina” não foi um sucesso entre os críticos. Mesmo hoje, muitos fãs de cinema não gostam muito do filme. Eu, por outro lado, acho-o bastante divertido – e, mais importante, um retrato em forma de paródia da indústria do cinema e do processo criativo.

“Paris When It Sizzles” was not a success among critics. Even nowadays, many film fans are not very fond of the film. I, on the other hand, find it very entertaining – and, more important, a tongue-in-cheek portrait of the film industry and the creative process.

This is my contribution to the Audrey at 90: The Salute to Audrey Hepburn blogathon, hosted by Janet at Sister Celluloid.


As our friend Kate Gabrielle mentioned, Audrey would have loved if, as a birthday gift, we donated some money – any quantity – to UNICEF. You can donate HERE.


Holden deu a Audrey esta joia charmosa depois do final das filmagens
Holden gave Audrey this charming jewel after the film wrapped

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