} Crítica Retrô: May 2019

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Páginas

Sunday, May 26, 2019

As muitas faces de Bafo, o vilão da Disney


The many faces of Pete, Disney villain



Ao longo dos anos, ele incomodou o Mickey, o Donald, o Pateta e outros tantos personagens. Ao redor do mundo, seu nome muda: nos EUA, ele é simplesmente Pete, no Brasil ele é João Bafo de Onça, ou apenas Bafo, nos Países Baixos ele é Boris Boef (Boris Canalha) e na Turquie ele é Barut (Pólvora). Seu nome verdadeiro, revelado em uma HQ de 1960, é Clodovil P. Pedrosa. E tem mais: ele é detentor de alguns recordes da animação, mudou muito através dos anos e, mesmo sendo um cara do mal, ainda tem muitos fãs.

Over the years, he has bullied Mickey Mouse, Donald Duck, Goofy and their loved ones. Around the world, his name changes: in the US, he is simply Pete, in Brazil he is João Bafo de Onça (John Jaguar-Breath) or only “Bafo” for short, in the Netherlands he is Boris Boef (Boris Crook) and in Turkey he is Barut (Gunpowder). His full name is revealed in a comic book from 1960: Percy P. Percival. There is more: he holds a few cartoon records, changed a lot through years and, even being a bad guy, still has a lot of fans.


Aqui vem a primeira descoberta chocante: Bafo é um gato. E esta é a segunda descoberta chocante: Bafo é mais velho que o Mickey – na verdade, ele é o mais velho personagem da Disney ainda em uso. Bafo foi criado como um urso antagonista para um curta-metragem de 1925 que misturava animação e uma atriz de verdade: “Alice Solves de Puzzle”. Nele, Bafo, um colecionador de palavras cruzadas, quer roubar uma palavra cruzada da pequena Alice, que então precisa da ajuda de Julius, um gato preto que é igualzinho ao gato Félix, para se salvar. Eu devo dar spoilers do final? Acho que sim: no final, Bafo é, bem, empalado. Mas esta não seria a última vez que nós o veríamos.

Here comes the first shocking discovery: Pete is a cat. And this is the second shocking discovery: Pete is older than Mickey – actually, he is the oldest Disney character still in use. Pete was developed as a bear for a 1925 short film that mixed animation and live-action, “Alice Solves the Puzzle”. In it, Pete, a crossword puzzle collector, wants to steal a puzzle from little Alice, who then needs the help of Julius, a black feline who looks exactly like Felix the cat. Should I spoil the end? I guess so: in the end, Pete is, well, impaled. But it wouldn’t be the last time we’d see him.


Pete não atazanava apenas a Alice nos seus primeiros anos: em 1927 ele começou a aparecer como vilão nas aventuras de Osvaldo, o Coelho Sortudo, iniciando por “The Ocean Hop”, no qual Bafo trapaceia para chegar primeiro a Paris de avião em uma corrida atravessando o Atlântico. Em “Hungry Hobos” (1928), entretanto, Osvaldo e Bafo são dois amigos mendigos perseguidos por um policial – e Bafo não pensará duas vezes para sacrificar Osvaldo e escapar.

Pete not only bothered Alice in his initial years: in 1927 he also started appearing as the villain in Oswald the Lucky Rabbit’s adventures, starting with “The Ocean Hop”, in which Pete cheats to arrive first in Paris by plane after crossing the Atlantic. In “Hungry Hobos” (1928), however, Oswald and Pete are two hobo pals persecuted by a cop – and Pete won’t think twice to sacrifice Oswald to escape.


Em algum momento em 1928, Bafo mudou de urso para gato preto, símbolo do azar. Faz todo sentido um gato incomodar um rato, não? Por isso Bafo estava lá, na estreia do Mickey em “O Vapor Willie” (1928), para atrapalhar a vida de Mickey e Minnie no barco. Outro curta-metragem com Mickey e Bago, “O Gaucho Galopante”, uma paródia de Douglas Fairbanks, foi feito antes de Willie, mas só estreou depois deste. Bafo pode não ter conseguido o que queria em suas primeiras tentativas, mas nas décadas seguintes ele continuaria importunando nossos heróis.

Sometime in 1928, Pete changed from a bear to a black cat, the symbol of bad luck. It makes total sense to have a cat bullying a mouse, doesn’t it? That’s why Pete was there, in Mickey’s debut, “Steamboat Willie” (1928), to make Mickey and Minnie’s lives in the boat miserable. Another short with Mickey and Pete, “The Gallopin’ Gaucho”, a Douglas Fairbanks spoof, was developed before Willie, but only opened after it. Pete may not have succeeded in his first attempts, but in the coming decades he kept on trying to bother our heroes.


No começo dos anos 30, o animador Norman Ferguson decidiu remodelar Bafo para fazê-lo se parecer mais com o ator Wallace Beery. Bafo estreou o novo estilo em “The Klondike Kid” (1932), baseado no filme de Chaplin de 1925, “Em Busca do Ouro” - um curta-metragem que também tem uma breve aparição do Pateta. Neste e em muitos curtas dos anos 30, a função do Bafo é tentar sequestrar Minnie... e falhar.

In the early 1930s, animator Norman Ferguson decided to re-stylize Pete in order to make him look more like screen heavy Wallace Beery. Pete’s new look was first seen in “The Klondike Kid” (1932), based on Chaplin’s “The Gold Rush”, from 1925 – a short that also has a cameo by Goofy. In this and many of the 1930s shorts, Pete’s function was to try to kidnap Minnie… and fail.
 
Wallace Beery

Entretanto, Bafo não estava incomodando só o Mickey. No final dos anos 20 e começo dos anos 30, Bafo aparecia tanto nos curtas da Disney quanto nos de Osvaldo, produzidos por Charles Mintz. Nos curtas de Osvaldo, Bafo permaneceu com seu velho estilo, e uma vez até teve a aparência de um coelho! Dirigidos por Walter Lantz, estes desenhos do estúdio Universal com Osvaldo e Bafo eram mais nonsense e desafiam mais a ciência do que a Disney.

But Pete wasn’t only bothering Mickey. In the late 1920s and the early 1930s, Pete appeared in both Disney shorts and Charles Mintz-produced Oswald shorts. In those shorts he remained with his earlier look, and once even appeared as a rabbit! Directed by Walter Lantz, those Universal studios cartoons with Oswald and Pete had even more nonsense and science-defying gags than the Disney ones.


A perna de pau do Bafo sempre foi curiosa: em alguns curtas de Alice e de Osvaldo, a perna de pau ou não aparecia ou mudava de perna, enquanto em “O Vapor Willie” ela sequer apareceu. Na minha opinião, nos seus primeiros anos, mais magro e com a perna de pau, Bafo se parecia com Arthur Bannister (Everett Sloane), em “A Dama de Xangai” (1947).

Pete’s peg-leg was always a curious thing: in some Alice and Oswald shorts the peg-leg either didn’t appear or changed legs, while in “Steamboat Willie” it didn’t appear at all. In my opinion, Pete, in his earlier years, skinnier and with the peg-leg, looked like Arthur Bannister (Everett Sloane) in “The Lady from Shanghai” (1947).


Já na era dos desenhos coloridos, Bafo foi um vilão enquanto Donald era policial em “Officer Duck”- e Donald teve de se vestir de bebê para prendê-lo, provando que Bafo tem na verdade um coração mole. Depois ele apareceu em mais alguns “curtas normais” no começo dos anos 40 e seis curtas feitos para o esforço de guerra entre 1942 e 1943. Neles, Bafo era o mal-humorado superior de Donald no exército.

Already in the color cartoon era, Pete was a villain to Donald’s police officer in “Officer Duck” (1939) – and Donald had to dress as a baby to arrest him, proving that Pete is actually a soft guy. He then appeared in more “regular shorts” in the early 1940s and six shorts made for the war effort between 1942 and 1943. In these, Pete was Donald’s grumpy superior at the army.


Nos anos 50, Bafo foi por pouco tempo rival do Pateta e de Tico e Teco. Então 30 anos se passaram até “Um Conto de Natal do Mickey”, como o Fantasma do Natal por Vir. Ele também apareceu em alguns episódios de Ducktales como vários personagens.

In the 1950s, Pete was briefly a rival to both Goofy and Chip and Dale. Then 30 years passed until “Mickey’s Christmas Carol” (1983), as the Ghost of Christmas Yet to Come. He also appeared in the first Ducktales as several characters.


Nos anos 90, Bafo se tornou um cara quase legal em uma das minhas animações favoritas da época: “A Turma do Pateta”. Nela, Bafo era vizinho do Pateta e vítima constante das trapalhadas dele. Bafo não era mau nessa versão, mas sim estressado e um pouco arrogante. Ele tinha uma loja de carros usados e vivia com a família.

In the 1990s, Pete became an almost nice guy in one of my favorite cartoon series of the time: “Goof Troop”. In it, he was Goofy’s neighbor and a constant victim of Goofy’s clumsiness. Pete was not bad in this iteration, but rather nervous and a bit arrogant. He had a used cars dealership and lived with his family.


Está na hora de conhecer a família do Bafo, não é? Em um jogo de xadrez com as peças no formato dos personagens, Bafo tinha uma irmã chamada Penélope, vestida como cantora de saloon. Eu me pergunto se ela morreu de cólera. Por um lado mais feliz, Bafo tinha uma linda família na série “A Turma do Pateta”: a esposa Peg, o filho BJ e a filha Matraca. A mãe e a avó de Bafo apareceram em um episódio de “O Clube do Mickey”.

It is time to get to know Pete’s family, right? In a chess game with the characters as pieces, Pete had a sister named Penelope, dressed as a saloon singer. I wonder if she died from cholera. In happier notes, Pete has a whole family in the series “Goof Troop”: wife Peg, son PJ and daughter Pistol. His mother and grandmother also appeared in one episode of “House of Mouse”.

Vovó Bafo / Gram-Gram Peg-Leg

O recente novo design dos principais personagens da Disney foi polêmico, e fãs ficaram divididos. Começando em 2014, Bafo quase voltou às origens, ganhando sua perna de pau de volta e sendo retratado como um vilão com sentimentos. Muitas pessoas odiaram o novo estilo, mas todos concordamos com uma coisa: com ou sem sua perna de pau, Bafo – o mais velho personagem da Disney e o único personagem animado a “trabalhar” em dois estúdios ao mesmo tempo – é um dos mais importantes vilões da história da animação.

The recent redesign of the main Disney characters was a polemic one, and fans were divided. Starting in 2014, Pete almost comes full circle, getting his peg-leg back and being portrayed as a villain with feelings. Many people hated the redesign, but we all agree with a thing: with or without his peg-leg, Pete – the oldest Disney character and the only animated character to “work” at two studios at the same time – is one of the most important villains in the history of animation.  


This is my contribution to the Great Villain blogathon, hosted by Ruth, Kristina and Karen at Silver Screenings, Speakeasy and Shadows and Satin.


Saturday, May 25, 2019

Jeanne Crain: pintora / Jeanne Crain: painter


Eu amo, amo, amo Jeanne Crain. Eu amo o cabelo dela – quero imitar aqueles penteados! - o sorriso dela, os olhos dela, o rosto dela. Eu amo os filmes dela. Eu amo a persona doce dela em seus filmes, e as personagens mais distantes dessa doçura em filmes ousados como “O que a Carne Herda” (1949), o primeiro filme que vi com ela. E eu amo o fato de ela ter muitos talentos. Além de ser uma boa – e subestimada – atriz, Jeanne também foi uma ótima pintora.

I love, love, love Jeanne Crain. I love her hair – goals! - her smile, her eyes, her face. I love her movies. I love her sweet on screen persona, that could be changed and challenged in risky movies like “Pinky” (1949), the first I've watched with her. And I love the fact that she had many talents. Besides being a fine – and underrated – actress, Jeanne was also a very good painter.


De acordo com um artigo de 1992 do Chicago Tribune, Jeanne Crain amava arte desde cedo. Na adolescência, ela começou a fazer peças no sul da Califórnia, e logo procurou trabalho como modelo e participou de concursos de beleza para ser notada, com a esperança de se tornar atriz em Hollywood. Funcionou: aos 17 anos ela assinou seu primeiro contrato, e dois anos depois seu primeiro filme estreou.

According to a 1992 Chicago Tribune article, Jeanne Crain loved art since she was young. In her teen years, she started appearing in plays in Southern California, and soon she sought work as a model and participated in beauty contests to be noticed, in the hopes of becoming a Hollywood actress. It worked: at 17 she signed her first contract, and two years later her first film was released.


Jeanne Crain passou a se dedicar ao cinema e à família, pois ela teve, pasmem, sete filhos! Seu amor pela arte, pelo desenho e pela pintura, entretanto, não desapareceu. Em 1953 seu marido construiu um estúdio em casa para Jeanne poder pintar. Ela só pôde se dedicar mais à pintura a partir dos anos 70, quando deixou de fazer filmes e apenas esporadicamente fazia televisão. Jeanne pintava principalmente retratos.

Jeanne Crain then dedicated herself to films and to family, as she had astounding seven children! Her love for art, drawing and painting, however, didn't disappear. In 1953 her husband built a studio in their house for Jeanne to exercise her passion. She was only really able to paint more starting in the 1970s, when she stopped making films and only sporadically appeared on TV. Jeanne painted mainly portraits.


Nos anos 80, muitas de suas pinturas foram exibidas em galerias como a Mascagni diItaly e as galerias da Westwood Art Association. Mesmo Jeanne Crain não podendo explorar a paixão pela pintura o tempo todo, ela foi capaz de se tornar uma ótima pintora. Infelizmente, não é possível encontrar muito sobre suas pinturas na internet desde o fechamento do seu site oficial, mas ao menos foi possível ver, com essa pequena amostra, que Jeanne era uma verdadeira artista em mais de um sentido.

In the 1980s, many of her paintings were exhibited in galleries such as the Mascagni diItaly and the Westwood Art Association Galleries. Although Jeanne Crain never explored her passion for painting full-time, she was able to become a fine painter. The worst part is that there is not much about her paintings on the internet since her official website was shut down, but at least we could see, by the small sample, that Jeanne was a true artist in more than one way.


This is my contribution to the Jeanne Crain blogathon, hosted by Christine at Overture Books and Film.


Saturday, May 18, 2019

Sós no Mundo (1934) / Two Alone (1934)


Uma história de Cinderela – mas feita antes do Código Hays. Isso significa que não há quase nada “de fadas” neste “conto”. Para começar, “Sós no Mundo” é uma história rural de uma órfã que é adotada por fazendeiros para trabalhar para eles. Seu Príncipe Encantado é na verdade um adolescente que fugiu do reformatório. Sua Fada Madrinha é um velho bêbado que todos consideram louco. E seu malvado Padrasto quer mais dela do que apenas seu trabalho...

A Cinderella story – but made in the pre-Code era. This means that there is too little of “fairy” in this “tale”. To begin with, “Two Alone” is a rural tale of an orphan who is adopted by farmers only to work for them. Her Prince Charming is actually a teenager running away from Reform School. Her Fairy Godmother is a drunken old man everyone considers to be crazy. And her evil Stepfather wants more of her than only her ability to work…


A família Slag vive em uma fazenda. O Sr. Slag (Arthur Byron) e a senhora Slag (Beulah Bondi) têm dois filhos, um garoto e uma garota, e o Sr. Slag adotou uma órfã, Mazie (Jean Parker).  Mas seu objetivo não era dar para Mazie o amor e o carinho que ela nunca recebeu na vida, mas sim fazê-la trabalhar para a família.

The Slag family lives in a farm. Mr. Slag (Arthur Byron) and Mrs. Slag (Beulah Bondi) have two children, a guy and a girl, and Mr. Slag has adopted an orphan, Mazie (Jean Parker). But his goal was not to shower Mazie with the love and care she never had in her life, but rather make the girl work for them.


Um dia, um adolescente fugindo do reformatório aparece na fazenda. Ele, um garoto chamado Adam (Tom Brown), rouba comida de Mazie, mas ela é bondosa o suficiente para tratar das feridas no rosto do rapaz. Naquela noite, Mazie sai de casa para dar algumas roupas para Adam, mas o Sr. Slag os flagra. O Sr. Slag, em vez de entregá-lo para a polícia, decide fazer do garoto também empregado da sua fazenda.

One day, a runaway teenager from Reform School shows up at the farm. He, a boy named Adam (Tom Brown), steals food from Mazie, but she is kind enough to tend to his facial wounds. That night, Mazie leaves the house to give some clothes to Adam, but Mr. Slag catches them. Mr. Slag, instead of turning the boy to the police, decides to make him work at the farm as well.


Alguns meses se passam, e a filha do Sr. Slag vai se casar – com a pior orquestra do mundo tocando na cerimônia. Mazie é humilhada quando tenta parabenizar a noiva, o que a entristece. Adam, agora um empregado da fazenda, diz que um dia ambos estarão livres e felizes longe dali. Sozinhos em casa, eles comem e conversam com Sandy Roberts (Charley Grapewin), um homem considerado louco pela população. Adam beija Mazie, mas depois se sente culpado.

A few months pass, and Mr. Slag’s daughter is going to be married – with the world’s worst orchestra playing at the ceremony. Mazie is humiliated when she tries to congratulate the bride, and that makes her sad. Adam, now working at the farm, tells that one day they both will be free and happy far from there. Home alone, they eat and chat with Sandy Roberts (Charley Grapewin), a man considered crazy by the people. Adam kisses Mazie, but then feels ashamed.


Algum tempo depois, Adam confessa para Mazie que a ama – e, felizmente, ela também o ama! Mas temos mais problemas: quando Adam pede ao Sr. Slag para deixá-lo casar com Mazie, o velho rabugento diz não – porque ele não quer perder dois empregados, e também porque ele está interessado em Mazie, agora quase uma mulher. Amedrontada, Mazie diz a Adam que eles deveriam fugir – e é isso que eles fazem.

A while later, Adam confesses to Mazie that he loves her – and, luckily, she loves him back! But problems arise once more: when Adam asks Mr. Slag to let him marry Mazie, the old man says no – because he doesn’t want to lose two employers, and also because he is interested in Mazie, now almost a woman. Afraid, Mazie tells Adam they should escape – and so they do.


Adam e Mazie querem chegar à casa do antigo empregado de Slag, o bondoso George Marshall (Willard Robertson), que, coincidentemente, também está procurando por Mazie. Muitas reviravoltas acontecem, e temos suspense... e sexo!

Adam and Mazie want to reach the house of Slag’s former employee, the good George Marshall (Willard Robertson), who, coincidentally, is also looking for her. A lot of plot twists happen and there is suspense… and sex!


Os anos 30 foram uma boa década para crianças e adolescentes do cinema. As crianças da série “Our Gang” (“Os Batutinhas”) continuaram com o sucesso que tinham na era muda. Shirley Temple, Judy Garland e Mickey Rooney cresceram em frente às câmeras. Os garotos da turma “Dead End Kids” apareceram no teatro e também no cinema em filmes como “Anjos de Cara Suja” (1938). Adolescentes fugitivos eram uma triste realidade durante a Grande Depressão, e foram o foco de “Idade Perigosa” (1933), um filme interessante de William A. Wellman.

The 1930s were a nice decade for kids and teens at the movies. The kids from “Our Gang” kept the success from the silent era. Shirley Temple, Judy Garland and Mickey Rooney grew up in front of the cameras. The “Dead End Kids” appeared at the stage and made it to the screen in films like “Angels with Dirty Faces” (1938). Runaway teens were a sad reality in the Depression Era, and they were the subject of “Wild Boys of the Road” (1933), an interesting little film by William A. Wellman.
 
Idade Perigosa / Wild Boys of the Road
“Sós no Mundo” é um filme B feito pelos estúdios RKO. De acordo com os arquivos do estúdio, o filme foi um fracasso na bilheteria, provavelmente por causa da falta de grandes estrelas no elenco e também por causa da trama complexa. A pobre ZaSu Pitts, interpretando Esthey Roberts – filha de Sandy Roberts – é completamente desperdiçada, pois só aparece em duas cenas.

“Two Alone” is a B-movie made by RKO. According to studio’s records, it was a huge box-office flop, probably due to the lack of A-listers in the cast and the very complex story. Poor ZaSu Pitts, playing Esthey Roberts – Sandy Roberts’s daughter – is completely wasted as she appears in only a couple of scenes.


Jean Parker, então com 19 anos e no começo da carreira, foi emprestada pela MGM, e ela é a melhor em cena em “Sós no Mundo”. Ela interpreta a doce e pobre Mazie de maneira convincente, e seus olhos são brilhantes e expressivos. O belo Tom Brown, com apenas 21 anos na época, já havia sido modelo na infância e feito alguns filmes mudos. Como namorados, Mazie e Adam nos fazem torcer por eles.

Jean Parker, then 19 and in the beginning of her career, was borrowed from MGM, and she is the best in scene in “Two Alone”. She plays sweet and helpless Mazie in a believable way, and her eyes are bright and expressive. Handsome Tom Brown, playing Adam, only 21 at the time, had already been a model in his childhood and appeared in a couple of silent films. As sweethearts, Mazie and Adam are worth rooting for.


“Sós no Mundo” foi dirigido por Elliott Nugent. O nome não parece familiar, né? No começo dos anos 30 Elliott era ator, e logo se tornou também roteirista e diretor. Seu filme mais famoso como diretor provavelmente é a versão de 1939 de “O Gato e o Canário”, com Paulette Goddard e Bob Hope.

“Two Alone” was directed by Elliott Nugent. The name doesn’t sound familiar, does it? In the early 1930s Elliott was actually a leading man, and soon he became also a screenwriter and director. His most famous endeavor as a director is probably the 1939 version of “The Cat and the Canary”, with Paulette Goddard and Bob Hope.

Jean Parker, Elliott Nugent, Tom Brown

“Sós no Mundo” se torna mais emocionante quando nos lembramos de que ainda há muitas crianças e adolescentes órfãos vivendo como Mazie. Adotar crianças para ter empregados sem salário não é coisa do passado. Abuso, tráfico humano, cárcere privado e escravidão de crianças ainda existem. Se o Código Hays não tivesse sido implantado, será que teríamos mais consciência sobre estes temas? Eu não sei, mas ao menos fico feliz que um filme como “Sós no Mundo” exista para nos mostrar como avançamos tão pouco nos últimos 85 anos.

“Two Alone” becomes more poignant as we remember that there are still many orphaned children and teens living like Mazie. Adopting kids to have them as unpaid maids is not a thing from the past. Abuse, human trafficking, false imprisonment and child slavery still exist. If the Hays Code wasn’t implanted, would we be more aware of themes like those? I don’t know, but at least I’m happy a film like “Two Alone” exists to show us we haven’t come very far in the last 85 years.

This is my contribution to the It’s a Young World – Teen Movie Blogathon, hosted by Robin and Crystal at Pop Culture Reverie and In the Good Old Days of Classic Hollywood.



Wednesday, May 15, 2019

TOP 5 - Meus filmes favoritos dos anos 1950


TOP 5 - My favorite films of the 1950s


Se você me perguntasse se eu queria viver na década de 1950, eu responderia “claro que NÃO” instantaneamente. Os anos 50 foram péssimos para a diversidade. O racismo e o sexismo eram escancarados, havia segregação racial, a “Ameaça Vermelha” e o McCarthismo. As mulheres podiam apenas ser esposas e mães - havia poucas mulheres trabalhando fora. E você tinha de se conformar com as convenções sociais e jamais se destacar, ou você seria considerado estranho e poderia inclusive ser perseguido. Bem, considerando a última parte, eu poderia dizer que os anos 50 foram exatamente como minha época no ensino médio.

If you asked me if I wanted to live in the 1950s, I’d answer “hell, NO” instantly. The 1950s were not a very diverse decade. Racism and sexism were blatant, there was racial segregation, the Red Scare and the McCarthism. Women could only be wives and mothers - there were few who worked outside of the home. And you had to conform to society norms and not stand out, or you would be considered weird and could even be persecuted. Well, thinking about that last part, I could say that the 1950s were exactly like my high school years.


Mas uma coisa é inegável: os filmes feitos nos anos 50 foram incríveis. Praticamente todos os gêneros estavam em seu auge, e no mundo todo excelentes filmes eram feitos. E Hollywood estava no ápice de sua Era de Ouro. É por isso que o Dia do Cinema Clássico de 2019 será celebrado por blogueiros que escolherão seus cinco filmes favoritos dos anos 50.

But one thing is undeniable: the films made in the 1950s were amazing. Basically all genres were at their peak, and all over the world great movies were being made. And Hollywood was in the height of its Golden Age. That’s why the 2019 Classic Movie Day Will be celebrated by classic film bloggers who will choose their top five films from the 1950s.


E, puxa, essa não é tarefa fácil. Milhares de filmes foram feitos naquela década, e algumas centenas deles são realmente ótimos, ou ao menos filmes bons que têm um lugar especial no coração dos cinéfilos. Para fazer minha lista, levei em consideração ambos: qualidade e valor emocional.

And, wow, this is not an easy task. Thousands of films were made in that decade, and a few hundred are very, very good ones, or at least nice films that have a special place in cinephiles’ hearts. To write my list, I considered both: quality and emotional value.


Primeiro, algumas menções honrosas: Dizem que é Pecado (1951), A Lenda dos Beijos Perdidos (1954), Um Corpo que Cai (1958).

First, a few honorable mentions: People Will Talk (1951), Brigadoon (1954), Vertigo (1958).


Crepúsculo dos Deuses (1950): Como uma pessoa muito racional, eu tenho um filme favorito e um filme que considero o melhor já feito. Meu filme favorito é “Nasce uma Estrela” (1937), enquanto o filme que eu considero o melhor é “Crepúsculo dos Deuses” - coincidentemente, ambos são filmes sobre filmes. Tudo em “Crepúsculo dos Deuses” é perfeito: o roteiro, as atuações (Gloria Swanson está brilhante), os cenários, a trilha sonora, as participações especiais. Há poucos filmes mais icônicos que “Crepúsculo dos Deuses”, e não há diretor tão versátil quanto Billy Wilder.

Sunset Boulevard (1950): As a very rational person, I have one favorite movie and one movie that I consider to be the best ever made. My favorite movie is “A Star is Born” (1937), while the film I consider the best is “Sunset Boulevard” - as a coincidence, both are movies about movies. Everything in “Sunset Boulevard” is perfect: the screenplay, the acting (Gloria Swanson is superb), the sets, the soundtrack, the cameos. There are few movies more iconic as “Sunset Boulevard”, and there is no director as versatile as Billy Wilder.


Pacto Sinistro (1950): Meu filme preferido de Hitchcock também é um filme perfeito. Começando com a maneira como os personagens principais se conhecem e terminando no clímax no carrossel, tudo é perfeito. Eu particularmente adoro duas sequências: uma em que um assassinato é refletido em um par de óculos, e a partida de tênis. Tudo neste filme é ótimo: a fotografia, o roteiro - baseado em um livro de Patricia Highsmith, o roteiro foi escrito por uma assistente de Ben Hecht chamada Czenzi Ormonde - e a performance eletrizante de Robert Walker.

Strangers on a Train (1951): My favorite Hitchcock film also happens to be a perfect film. From the way the two main characters meet until the climax in a merry-go-round, everything is perfect. I’m particularly fond of two sequences: the one in which a murder is seen reflected in a pair of glasses, and the tennis match. Everything in this film is great: the cinematography, the screenplay- based on a novel by Patricia Highsmith, the screenplay was written by Ben Hecht’s assistant, a woman named Czenzi Ormonde - and a chilling performance by Robert Walker.


Europa ‘51 (1952): Dezenas de outros filmes italianos poderiam ser mencionados como melhores representantes do Neorrealismo Italiano, mas este foi o que mais me tocou - porque ele é tão atual. Ingrid Bergman protagoniza “Europa ‘51” como uma mulher que, ao perder seu filho, decide só fazer o bem, e é considerada louca pelos seus amigos da alta sociedade. Ela é alguém que começa a seguir os ensinamentos de Jesus - e, como acontece sempre, os cristãos decidem silenciá-la. Como alguém que estudou em um colégio de freitas, que vive em um país profundamente desigual e que tem um forte senso de justiça, eu fiquei muito mexida com este filme. Eu escrevi sobre “Europa ‘51” AQUI.

Europa ‘51 (1952): Dozens of other Italian films could be mentioned as more representative of the Italian Neorealism movement, but this was the one that spoke to me - because it is so timely. Ingrid Bergman stars in “Europa ‘51” as a woman who, after losing her son, decides only to do good, and is considered crazy by her high society friends. She is someone who starts to follow what Christ has taught us - and, as it always happens, Christians quickly decide to silence her. As a person who studied in a Catholic school as a child, who lives in a profoundly unequal country and who has a strong sense of justice, I was deeply moved by this film. I wrote about “Europa ‘51” HERE.


Cantando na Chuva (1952): Até eu começar a fazer esta lista, eu não havia percebido como 1952 foi um bom ano para o cinema - ou pelo menos para mim. Eu pensei em colocar “A Lenda dos Beijos Perdidos” (1954) como meu musical favorito na lista, mas eu estaria tentando enganar a mim mesma. “Cantando na Chuva” é um filme que me deixa feliz, e mais do que isso: ele é muito bem feito, com ótimas canções antigas, coreografias bacanas e até uma história coisa - algo que nem todos os musicais tinham. Eu já escrevi sobre meu amor por “Cantando na Chuva” AQUI.

Singin’ in the Rain (1952): Up until I started making this list, I hadn’t realized how 1952 was a good year for film - or at least for me. I thought about adding “Brigadoon” (1954) as my musical of choice to the list, but I’d be trying to deceive myself. “Singin’ in the Rain” is a film that makes me happy, and more than that: it’s beautifully done, with great vintage songs, nice choreography and even a smart storyline- something not all musicals had. I previously wrote about my love for “Singin’ in the Rain” HERE.


 O Rato que Ruge (1959): Quando tanto a cinéfila quanto a historiadora em mim apreciam um filme, você pode apostar que é uma película excelente. Esta comédia britânica lida com geopolítica ao contar a história de um pequeno país que decide invadir os EUA, declarar guerra, rapidamente perder a guerra e receber ajuda monetária. O problema é que eles ganham a guerra quando sequestram um cientista que possui uma bomba de hidrogênio. O melhor do filme é Peter Sellers interpretando três papéis: um soldado, um Primeiro-ministro... e uma Rainha.


The Mouse that Roared (1959): When both the movie nerd and the history nerd in me are pleased by a film, you can bet it is an outstanding production. This British comedy deals with geopolitics as it tells the story of a tiny country that decides to invade the US, declare war, quickly lose the war and then receive monetary help. The problem is that they win the war by kidnapping a scientist that has a hydrogen bomb. The best thing in this film is Peter Sellers playing three roles: a soldier, a Prime Minister... and a Queen.


This is my contribution to the “5 Favorite Films ofthe ‘50s” blogathon to celebrate National Classic Movie Day, hosted by Rick at Classic Film & TV Café.