Algumas parcerias não apenas
começam bem, mas também terminam bem. William Holden fez quatro filmes com
Billy Wilder, incluindo aquele que deu ao ator seu único Oscar, e o último
desta parceria foi “Fedora”, de 1978. Pouco elogiado e pouco visto, “Fedora” de
muitas maneiras ecoa uma das obras-primas de Wilder.
Some partnerships not only start
well, but also end well. William Holden worked in four films with Billy Wilder,
including the film that gave the actor his only Oscar, and the last one in this
partnership is 1978’s “Fedora”. Underrated and underseen, “Fedora” in many ways
echoes one of Wilder’s masterpieces.
Fedora (Marthe Keller), a atriz de
origem polonesa, está morta. Ela caiu ou se jogou em frente a um trem. Ela
tinha entre 60 e 70 anos, dependendo da fonte. Uma das centenas de pessoas em
seu funeral é o produtor de cinema independente Barry Detweiler (William
Holden), que começa a nos contar uma história.
Fedora (Marthe Keller), the
Polish-born actress, is dead. She either fell or jumped in front of a train.
She was either 60 or 70, depending on the source. One of the hundreds of people
at her funeral is independent movie producer Barry Detweiler (William Holden),
who starts telling us a story.
O flashback nos leva a apenas duas
semanas antes, na Grécia. Barry está lá para fazer negócios com Fedora, que
vive reclusa no Mediterrâneo. Ela não quer recebê-lo em sua Villa, então ele
segue o carro dela até arranjar uma brecha para falar com ela. Ela não o reconhece,
então mais tarde no hotel ele escreve uma carta para refrescar a memória da
atriz.
The flashback brings us to only
two weeks before, in Greece. Barry is there to talk business with Fedora, who
is living as a recluse at the Mediterranean. She doesn’t want to receive him in
her Villa, so he follows her car until he gets a chance to talk to her. She
doesn’t recognize him, so later at his hotel he writes a letter to refresh her
memory.
Estamos agora num flashback dentro
de um flashback. O ano é 1947, o ápice do Sistema de Estúdio. Fedora já é uma
estrela, enquanto Barry (agora interpretado por Stephen Collins) é apenas
diretor assistente. Mesmo assim, eles passam a noite juntos. O flashback acaba
aqui, é breve. Mas haverão outros.
It’s now a flashback within a
flashback. We’re in 1947, the apex of the Studio System. Fedora is already a
star, while Barry (now played by Stephen Collins) is just second assistant
director. Nevertheless, they spend the night together. The flashback ends here,
it’s a brief one. But there will be others.
Fedora vive sob a influência da
Condessa (Hildegard Knef), uma velha rica e excêntrica que abertamente condena
a volta de Fedora às telas. Para ser mais precisa, a Condessa, uma empregada e
o doutor Vando (José Ferrer) estão mantendo Fedora basicamente em cárcere
privado.
Fedora lives under the influence
of The Countess (Hildegard Knef), a rich and eccentric old woman who openly
disapproves when Fedora shows she’s eager for a comeback. To be more precise,
the Countess, a maid and doctor Vando (José Ferrer) are keeping Fedora
basically incarcerated.
O doutor afirma que o diagnóstico
de Fedora é paranoia. Ela apareceu depois de um colapso nervoso, quando ela
tentou se matar porque amava um ator muito mais jovem, Michael York, e não era
correspondida. Não era bem assim. Mas isso não é motivo para manter uma mulher
numa camisa-de-força.
The doctor says the diagnosis for
Fedora is paranoia. It appeared after a nervous breakdown, when she attempted
suicide for loving a much younger actor, Michael York, and not being loved
back. It was not exactly like this. But this is no reason to keep a woman in a
straight jacket.
Numa conversa entre Fedora e
Barry, ele diz a ela que a MGM vendeu seus estúdios e leiloou todas as peças,
incluindo móveis onde ela fez amor para as câmeras com Robert Taylor. A MGM
vinha diminuindo em tamanho e importância desde o início dos anos 70 e o
último filme rodado no seu famoso set foi o documentário “Era uma Vez em
Hollywood” de 1974.
In a talk between Fedora and
Barry, he tells her that MGM sold the backlot and auctioned everything,
including some furniture where she made love for the cameras with Robert
Taylor. MGM had been downsizing since the early 1970s and the last movie shot
in the famous backlot was the documentary “That’s Entertainment!” from 1974.
A trilha sonora ficou a cargo de
Miklos Rozsa, que fez músicas grandiosas para filmes épicos mas também
trabalhou em projetos “menores”. Para “Fedora”, sua trilha injeta suspense e
inclusive aumenta o drama no incrível plot twist.
The soundtrack was by Miklos
Rozsa, who made grand music for epic films but also worked on “smaller”
projects. For “Fedora”, his soundtrack adds suspense and even enhances the
drama in the amazing plot twist.
Eu tenho certeza de que você está
pensando nisso e é verdade: é impossível assistir a “Fedora” e não se lembrar
de e comparar com “Crepúsculo dos Deuses” (1950): Podemos comparar Fedora com
Norma Desmond e com a atriz que interpreta Norma, Gloria Swanson. Swanson soube
envelhecer longe das telas, mantendo-se dinâmica, escrevendo sua autobiografia
e advogando pela nutrição saudável. Neste sentido, a reclusa Fedora não se
parece em nada com ela e se assemelha mais a Greta Garbo. Na verdade, Garbo é
mencionada em “Fedora”, pela Condessa que diz que Garbo fez Anna Karenina duas
vezes, e Fedora não estaria interessada em fazer o mesmo papel. Outras atrizes
do cinema clássico são mencionadas, como Joan Crawford, Monroe e
Harlow.
I’m sure you’re thinking this and it’s true: it’s impossible to watch “Fedora” and not remember and compare it with “Sunset Boulevard” (1950). We can compare Fedora to Norma Desmond and the actress who plays Norma, Gloria Swanson. Swanson knew how to get older out of the screens, remaining a dynamic force, writing her biography and advocating for healthy nutrition. In this sense, the recluse Fedora is nothing like her and more like Greta Garbo. In fact, Garbo is mentioned in “Fedora”, by the Countess who says Garbo did Anna Karenina twice, so Fedora wouldn’t be interested in a new version. Other classic film actresses are also mentioned, such as Joan Crawford, Monroe and Harlow.
“Fedora” é muito mais que um filme
que acompanha “Crepúsculo dos Deuses”. É uma produção surpreendente, um
comentário sobre a queda do Sistema de Estúdio e a busca pela juventude eterna.
Billy Wilder faria mais um filme, mas “Fedora” foi uma maneira perfeita, ainda
que agridoce, de terminar sua bem-sucedida parceria com o grande William
Holden.
“Fedora” is much more than a
companion piece to “Sunset Boulevard”. It’s a surprising movie, a comment on
the fall of the Studio System and the search for eternal youth. Billy Wilder
would make one more film, but “Fedora” was a perfect, yet bittersweet, way to
end his successful partnership with the great William Holden.
This is my contribution to the 7th
Golden Boy blogathon - a William Holden celebration, hosted by Virginie and
Emily at The Wonderful World of Cinema and The Flapper Dame.






