} Crítica Retrô: 1987

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Monday, August 19, 2024

Ensina-me a Querer (1987) / Surrender (1987)

 

Em se tratando de comédias românticas, há pessoas que dizem que, se você viu uma, viu todas. Do primeiro contato tempestuoso até o triunfo do amor ao final, o gênero é comumente previsível… mas ainda entretém. Filmes como “Ensina-me a Querer” (1987) não trazem exatamente frescor ao gênero da comédia romântica, pois não acrescentam nada de novo. Mas, mais uma vez, são bom entretenimento.


When it comes to romantic comedies, there are people who say that if you’ve seen one you’ve seen them all. From the tempestuous first encounter to the triumph of love in the end, the genre is often predictable… but still enjoyable. Films like “Surrender” (1987) aren’t exactly a breath of fresh air in the romantic comedy movie genre, as they bring nothing new to it. But, again, it’s still an enjoyable ride.

Sean (Michael Caine) viu alguns relacionamentos terminando mal, em audiências perante a um tribunal – afinal, ele é um escritor que usou como inspiração suas companheiras e por causa disso estas mulheres mereciam parte dos lucros com as vendas dos livros. Daisy (Sally Field) é uma pintora que trabalha numa espécie de linha de produção, criando pinturas que são todas iguais para clientes não muito exigentes. Ele não quer um novo relacionamento, enquanto ela está presa em um sem futuro. Eles se conhecem numa festa beneficente que acaba mal, com uma invsão de bandidos armados que mantêm os convidados reféns. Sean e Daisy são amarrados juntos pelados, no mais ridículo primeiro encontro de todos os tempos.


Sean (Michael Caine) has had a few failed relationships that ended in settlements in court – after all, he is a writer who took inspiration from his partners and therefore these women deserved a share of the profits from the novels. Daisy (Sally Field) is a painter who works in a kind of art assembly line, creating paintings that are all equal for non-demanding clients. He doesn’t want another relationship, she is currently stuck in one that has no future. They meet at a fundraiser party gone incredibly wrong, as it is invaded by armed bandits who hold the partygoers hostage. Sean and Daisy are tied together naked, in the most ridiculous meet-cute ever.

Sean se apaixona à primeira vista – isso vai acontecer logo com ele, que preferia entrar num elevador com um cão bravo a entrar num com qualquer mulher. Ele vai atrás de Daisy e eles fazem tudo rapidamente: têm um encontro, se beijam, transam, fazem planos para o futuro. Duas semanas incríveis se passam até que o velho namorado de Daisy, Marty (Steve Guttenberg) volta de uma missão. Detalhe: durante essas duas semanas, para testar Daisy e ver se ela não é egoísta, Sean diz a ela que está falido, quando na verdade é um autor best-seller.


Sean falls in love at first sight – this happening to him, who would rather ride an elevator with an angry dog than with any woman. He goes after Daisy and they do it all quickly: they go on a date, kiss, make love, make plans for their future. Two amazing weeks go by until Daisy’s old boyfriend Marty (Steve Guttenberg) comes back from a mission. Detail: during these two weeks, to test to see if Daisy is selfish, Sean tells her he’s broke, when in reality he is a best-selling author.

Ensina-me a Querer” nos faz pensar sobre as vidas e dificuldades de pessoas criativas. Sean diz que está sofrendo de bloqueio criativo, enquanto Daisy não consegue sobreviver vendendo sua arte. Sean diz que praticamente desistiu de escrever, enquanto Daisy não consegue terminar nenhuma de suas pinturas autorais. Sabemos que é tudo mentira de Sean, mas coisas como bloqueio criativo devem ser discutidos no cinema – como já aconteceu em “Poderia Me Perdoar?” (2018) e mesmo em “O Iluminado” (1980). Outro assunto interessante neste filme é a inspiração artística: no final, Sean percebe que não foi roubado por suas mulheres, mas sim as roubou, no sentido de que ele se inspirou nas mulheres de sua vida e só foi pagá-las por essa inspiração após determinação de um juiz.


Surrender” makes us think about the lives and difficulties of creative people. Sean says is suffering from writer’s block, while Daisy can’t survive by selling her art. Sean says he has virtually quit writing, while Daisy can’t finish a single painting of her own. We know it’s all bullshit with Sean, but things like writer’s block should be discussed in movies – as it has been in “Can You Ever Forgive Me?” (2018) and even in “The Shining” (1980). Other interesting issue found in this film is artistic inspiration: in the end, Sean realizes he wasn’t robbed by women, but he has robbed them, in the sense that he took inspiration from the women in his life and wasn’t willing to pay them until this was decided by a judge.



No pequeno papel de Ace Morgan temos o ex-ator mirim Jackie Cooper. Ele conseguiu seu primeiro papel no cinema em 1929, aos sete anos, e naquele mesmo ano passou a fazer parte da turminha dos Little Rascals de Hal Roach. Seu papel mais lembrado dessa época foi em “O Campeão”, de 1931. Aos trinta e poucos anos de idade ele começou a dirigir principalmente para a televisão, mas ainda atuava em papéis pequenos em filmes como “Ensina-me a Querer”, seu último papel como ator.


In the small role of Ace Morgan we have former child star Jackie Cooper. He got his first acting job in 1929, aged seven, and at that very same year he got a spot in Hal Roach’s Little Rascals. His best remembered juvenile role was in 1931’s “The Champ”. In his thirties he started directing especially for television, but still played small parts in movies such as “Surrender”, his last role as an actor.

Ensina-me a Querer” foi produzido pelo lendário produtor Aaron Spelling. No IMDb podemos encontrar mais de 200 créditos para Aaron como produtor, numa carreira que durou cinquenta anos, mais 22 créditos como escritor / criador. Seus programas de TV mais populares incluem “Dinastia”, “O Barco do Amor”, “Casal 20” e, obviamente, “As Panteras”. Seus programas de TV geralmente tinham personagens femininas fortes, algo que só acontece em “Ensina-me a Querer” perto do final, quando o jogo vira para Daisy.


Surrender” was produced by the legendary producer Aaron Spelling. IMDb has more than 200 credits for Aaron as producer in a career that lasted fifty years, plus 22 credits as writer / creator. His most popular produced TV shows are “Dynasty”, “The Love Boat”, “Hart to Hart” and, of course, “Charlie’s Angels”. His television shows often had strong female characters, something that happens in “Surrender” only near the end, when tides turn for Daisy.

O título em português – “Ensina-me a Querer” – é sem dúvida inspirado no título brasileiro para “Harold and Maude” (1971), que é “Ensina-me a Viver”. Na Espanha, o título do filme é “Uma Namorada para Dois” (“Una Novia para Dos”) e na Alemanha Ociental o título dado foi “Agora Não, Querido” (“Nicht Jetzt, Liebling”).


The title in Portuguese - “Teach Me How to Desire” - is without a doubt inspired by the Brazilian title for “Harold and Maude” (1971), that is “Teach Me How to Live”. In Spain, the film is titled “A Girlfriend for Two” (“Una Novia para Dos”) and in West Germany it got the title “Not Now, Darling” (“Nicht jetzt, Liebling”).

A comédia romântica que melhor tratou de problemas com dinheiro e casamentos morganáticos – isto é, casamentos entre duas pessoas de classes sociais diferentes – é “Irene, a Teimosa” (1936). Comparado a esta obra-prima com Carole Lombard, “Ensina-me a Querer” tem como único elementos comum a diferença monetária entre os dois protagonistas. A Variety comparou o filme a produções como “Confidências à Meia-Noite” (1959), declarando que “os problemas são de alguma forma atualizados, mas os personagens ainda pensam como Doris Day e Rock Hudson”. Um grande elogio, diga-se de passagem.


The romantic comedy that best dealt with money issues and morganatic marriages – that is, marriages between two people from different social groups – is “My Man Godfrey” (1936). Compared to this masterpiece with Carole Lombard, “Surrender” finds as only common element the money differences between the leads. Variety compared the film to the likes of “Pillow Talk” (1959), stating that “the issues are somewhat updated, but the characters still think like Doris Day and Rock Hudson”. A huge compliment, if you ask me.


This is my contribution to the (Aaron) Spellingverse blogathon, hosted by Gill at Realweegiemidget Reviews.

Thursday, May 18, 2023

Raymond Burr como Perry Mason / Raymond Burr as Perry Mason

 

Perry Mason é um personagem criado por Erle Stanley Gardner em 1933. Gardner escreveu 82 romances e quatro contos estrelando o advogado fictício. A última vez que vimos Perry Mason, ele era interpretado por Matthew Rhys na série da HBO que investiga a história de origem do personagem numa Los Angeles proto-noir no começo da década de 1930. Mas Perry Mason foi imortalizado na telinha da televisão por Raymond Burr, que interpretou o personagem numa série que durou nove temporadas - 271 episódios! - e depois em 26 filmes feitos para a TV. Embora o personagem tenha sido interpretado por outros atores no cinema, rádio e TV, ele sempre será associado a Burr, e é sobre um destes filmes feitos para a TV que falaremos hoje.

 

Perry Mason is a character created by Erle Stanley Gardner in 1933. Gardner wrote 82 novels and four short stories starring the fictional lawyer. We last saw Perry Mason played by Matthew Rhys in the HBO series that investigates the character’s origin story in a proto-noir Los Angeles in the early 1930s. But Perry Mason was immortalized on the small screen by Raymond Burr, who played the character in a TV show that lasted nine seasons - 271 episodes! - and subsequently in 26 films made for TV. Although the character was portrayed by other actors on film, radio and TV, he’ll be forever associated with Burr, and it’s about one of these made-for-TV movies that we talk about today.

 


Seis filmes de Perry Mason foram feitos pela Warner Brothers em 1930, três deles com Warren William, um com Ricardo Cortez e um com Donald Woods como o justo advogado. Nascido em 1917, Raymond Burr já estava atuando no começo dos anos 30, em tour com um grupo de teatro canadense. Em 1940 Burr fez sua estreia na Broadway, e em 1946 fez seu primeiro filme. Burr esteve em 50 filmes entre 1946 e 1957, o mais conhecido deles sendo “Janela Indiscreta” (1954), de Alfred Hitchcock. Seu papel em “Um Lugar ao Sol” (1951), numa cena de julgamento, chamou a atenção da atriz Gail Patrick, que estava trabalhando atrás das câmeras como produtora de uma nova versão das histórias de Gardner - desta vez, para a TV.

 

Six Perry Mason movies were made by Warner Brothers in 1930, three of them with Warren William, one with Ricardo Cortez and another with Donald Woods as the rightful lawyer. Born in 1917, Raymond Burr was already acting in the early 1930s, touring with a Canadian theater group. In 1940 Burr made his Broadway debut, and in 1946 he made his first movie. Burr appeared in 50 films from 1946 to 1957, the most famous of them being Alfred Hitchcock’s “Rear Window” (1954). His role in “A Place in the Sun” (1951), in a courtroom scene, called the attention of fellow thespian Gail Patrick, who was working behind the cameras as a producer for a new iteration of Gardner’s work - this time, on TV.


A série de TV, começando em 1957, ficou muito popular e rendeu a Raymond Burr dois prêmios Emmy de Melhor Ator em Série Dramática. Barbara Hale, como Della Street, também ganhou um Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática. O trio não estaria completo sem Paul Drake, interpretado por William Hopper. Hopper fez um teste para o papel de Perry Mason, mas os produtores consideraram que ele era perfeito para o papel de Paul Drake. Por falar em escolha de elenco, o IMDb nos conta que outros atores considerados para o papel de Perry Mason foram William Holden, Richard Carlson, Mike Connors, Efrem Zimbalist Jr e Fred MacMurray.

 

The TV show, starting in 1957, became widely popular and earned Raymond Burr two Primetime Emmy Awards for Outstanding Leading Actor in a Drama Series. Barbara Hale, playing Della Street, also won an Emmy as Outstanding Supporting Actress in a Drama Series. The trio wouldn’t be complete without Paul Drake, played by William Hopper. Hopper first auditioned for the role of Perry Mason, but the producers thought he was perfect for the Paul Drake character. Talking about casting, IMDb tells us that other actors considered for the role of Perry Mason were William Holden, Richard Carlson, Mike Connors, Efrem Zimbalist Jr and Fred MacMurray.


Entre os filmes feitos para a TV de Perry Mason disponíveis no YouTube, eu escolhi ver “The Case of the Sinister Spirit” (1987) para poder conferir como era Raymond Burr como o personagem. Também de volta da série original temos Barbara Hale como Della Street.

 

Among the made-for-TV Perry Mason movies available on YouTube, I chose to watch “The Case of the Sinister Spirit” (1987) to see what’s the deal with this fellow Raymond Burr. Also returning from the original TV show is Barbara Hale as Della Street.



Em “The Case of the Sinister Spirit”, nós primeiro vemos Perry Mason em um tipo de mansão, andando cuidadosamente num ambiente pouco iluminado. Ele para debaixo de um lustre chique e a peça pesada cai sobre sua cabeça. Um telefone toca. Era tudo apenas um sonho para o advogado, que estava dormindo em cima de uma pilha de livros. Do outro lado da linha está Jordan White (Robert Stack), editor do livro que Mason estava lendo, “The Resort”. Jordan está indo encontrar o autor do livro, David Hall (Matthew Faison).

 

In “The Case of the Sinister Spirit”, we first see Perry Mason in some kind of mansion, walking around carefully in the dimly lit scenario. He stops under a fancy chandelier and the heavy piece falls on his head. A phone rings. It was all just a dream for the lawyer who was sleeping laying his head on a pile of books. On the line with Mason is Jordan White (Robert Stack), the editor of the book “The Resort” that Mason was reading. Jordan is on his way to meet the author of the book, David Hall (Mathew Faison).



O local de encontro é um resort exatamente como aquele do livro. Além de Jordan, outras pessoas foram convidadas: pessoas que inspiraram personagens do livro. Depois de um jantar frustrado e piadas sádicas, David liga para o quarto de Jordan e pede que ele vá para o bar, e daí para a torre do resort. Antes que Jordan chega, há uma briga entre David e outra pessoa, e David cai do alto da torre. Jordan se torna, como esperado, o principal suspeito do assassinato.

 

The meeting place is a resort just like the one in the book. Besides Jordan, other people were invited: people who inspired characters in the book. After a failed dinner and sadistic practical jokes, David calls Jordan’s bedroom and asks him to go to the bat, then to the resort tower. Before Jordan arrives, there is a fight between David and someone else, and David falls from the tower. Jordan becomes, as expected, the main suspect on the murder.



Tudo fica mais complicado para Jordan quando a polícia encontra uma foto partida em dois pedaços: um pedaço com o corpo de David e o outro no terno de Jordan. A foto é de Janet, amante de Jordan. Jordan liga para seu advogado - nosso Perry Mason - e lá vai ele para o resort, onde os quatro suspeitos estão à espera de uma solução para o crime. Enquanto isso, a única testemunha do crime, a herdeira do local, Susan Warrenfield (Kim Delaney), está sendo perseguida pelo real assassino, que quer levá-la à loucura.

 

Things get more complicated for Jordan when the police finds a picture in two pieces: one piece with David’s body and the other in Jordan’s suit. The picture is of Janet, Jordan’s mistress. Jordan calls his lawyer - our Perry Mason - and there he goes to the resort, where the four suspects are also waiting for the solution of the crime. Meanwhile, the only witness to the crime, the heiress of the place, Susan Warrenfield (Kim Delaney), is being persecuted, as the real murderer tries to drive her crazy.


Com 70 anos em 1987, quando “The Case of the Sinister Spirit” foi ao ar pela primeira vez, Raymond Burr está excelente, em especial nas cenas de tribunal. Barbara Hale como Della Street também merece elogios, pois ela é bem mais que “o amuleto da sorte” de Mason, como ele a chama. Della também faz parte da investigação, e se juntando à dupla temos Paul Drake Jr (William Katt), que também se garante como ótimo investigador.

 

Aged 70 in 1987, when “The Case of the Sinister Spirit” first aired, Raymond Burr is excellent, in special in courtroom scenes. Barbara Hale as Della Street must be highlighted, as she is much more than Mason’s “good luck charm”, as he calls her. Della investigates together, and joining the duo is Paul Drake Jr (William Katt), another great investigator on his own.

 


Eu nunca consegui ver a série original de Perry Mason, mas assisti ao reboot da HBO - e adorei - e, claro, assisti a “The Case of the Sinister Spirit”. O filme para a TV é muito bem feito, com ótimas performances do elenco e uma trama intrigante. Eu gostei muito da experiência e espero um dia poder encontrar episódios da série original de Perry Mason para conferir.

 

I wasn’t able to watch the Perry Mason original series, but I watched the HBO reboot - loved it - and of course “The Case of the Sinister Spirit”. The TV movie is very well-done, with great performances by the cast and an intriguing plot. I was mostly pleased with the experience and hope to catch episodes of the original Perry Mason somewhere one day.


Numa entrevista, Sam White, produtor associado da série Perry Mason, disse que Raymond Burr confessou a ele: “Se você não gostar de mim como Perry Mason, eu mudo e interpreto o papel do promotor de justiça, Hamilton Burger.” Nós com certeza nos alegramos por Burr ter sido um ótimo e icônico Perry Mason.

 

In an interview, Sam White, associate producer of the Perry Mason series, said that Burr told him: “If you don't like me as Perry Mason, then I'll go along and play the part of the district attorney, Hamilton Burger." We certainly are glad he made a wonderful iconic Perry Mason.

 

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association in support of the National Classic Movie Day.



Saturday, August 23, 2014

Império do Sol / Empire of the Sun (1987)

Eu estava vendo as notícias semana passada, quando tive uma estranha sensação de déjà vu. O que passava na televisão era a entrega de comida para as vítimas dos bombardeios em Gaza. Fardos e mais fardos de alimentos eram jogados de helicópteros e as pessoas, famintas e desesperadas, corriam para garantir a refeição. Eu tive a sensação de que já havia visto esta cena antes e, como eu nunca estive em uma zona de guerra, concluí que havia visto a cena no cinema. Não demorou para que eu me lembrasse: eram John Malkovich e o pequeno Christian Bale que corriam para pegar os donativos em campo aberto em “Império do Sol”.
Jamie Graham (Christian Bale) é um garoto inglês que está em Xangai com seus pais. A Segunda Guerra Mundial ainda está para chegar àquela parte do mundo, mas isso não significa que haja paz: desde 1937 o Japão e a China estão em guerra. Quando acontece o ataque a Pearl Harbor, os estrangeiros precisam sair da China, mas Jamie é separado de seus pais durante um tumulto na estação de trem. Aconselhado pela mãe desesperada, ele volta para casa e passa alguns dias, mas logo decide se aventurar pelas ruas chinesas...

Nas ruas ele encontra um grupo de soldados americanos, entre eles Basie (John Malkovich). Num primeiro momento, os soldados não querem a companhia do garoto, mas Jamie (apelidado de Jim por Basie) diz que sabe onde há comida para todos. Voltando para sua grande casa, Jim e os soldados são surpreendidos pelos japoneses que ocuparam o local. Jim e Basie são levados para um campo de prisioneiros.
As cenas no campo muitas vezes lembram “Inferno Nº 17 / Stalag 17” (1953), filme de Billy Wilder sobre um campo de prisioneiros de guerra onde, felizmente, não havia nenhuma criança. Mas, se esta criança está destinada a crescer e se tornar o Batman, não há nada a temer, certo? Errado. A experiência como prisioneiro no campo japonês não é fácil para Jim, mas por vezes parece ser parte de uma traumática brincadeira de um garotinho fascinado por aviões que vira o mascote de soldados americanos presos. Ah, e por falar em campo de prisioneiros, aquele que mais influenciou Spielberg para fazer o filme foi o de “A ponte do Rio Kwai” (1957), filme favorito de Steven na infância e cujo diretor, David Lean, estava contratado para dirigir “Império do Sol” antes de Spielberg se juntar ao projeto.
Spielberg usou o tema da guerra em muitas de suas produções. Ele revisitaria a Segunda Guerra Mundial por outro ângulo naquele que é talvez seu mais famoso filme, “A Lista de Schindler / Schindler's List” (1993). A Primeira Guerra é o conflito que muda a vida de homens e animais em “Cavalo de Guerra / War Horse” (2011), filme que conta com a tocante cena de dois soldados de lados opostos que se unem por um momento para salvar o cavalo protagonista.
Pôster polonês
Trabalhar com crianças que se tornariam ícones do cinema também não era novidade para Spielberg. Quem pode se esquecer da mini Drew Barrymore em “ET” (1982)? Aqui Christian Bale, aos 12 anos, tem seu primeiro papel de destaque no cinema, e isso graças à então esposa de Spielberg, a atriz Amy Irving, que contracenava com Christian na minissérie “Anastasia” (1986), e que convenceu Spielberg a chamar o garoto para um teste. Foram mais de 4 mil pequenos atores testados, e fica claro desde o começo que Christian Bale foi a escolha certa.
Bale, Spielberg, Malkovich
Muitas vezes, “Império do Sol” passa despercebido na grande e variada filmografia de Spielberg, mas não deveria. A canção-tema melancólica e bela, “Suo Gân”, é do País de Gales e combina perfeitamente com o filme. Porque, acima de tudo, uma história de guerra é uma história triste, e ninguém passa pela guerra impune. Por isso o próprio Spielberg classificou este como o melhor filme sobre a perda da inocência que ele fez na carreira. Só isso já é motivo suficiente para ver “Império do Sol”. Além, é claro, do meu déjà vu do começo, que mostra como, sempre, a vida imita a arte. Ou seria o contrário?

This is my contribution for the Steven Spielberg blogathon, hosted by Kellee at Outspoken & Freckled, Aurora at Citizen Screenings and Michael at It Rains… You Get Wet.

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