} Crítica Retrô: David Lean

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Saturday, November 9, 2024

Uma Mulher do Outro Mundo (1945) / Blithe Spirit (1945)

 Uma discussão recente causou frisson entre os cinéfilos do Twitter porque um usuário disse que filmes antigos eram displicentes quanto ao uso das cores. Esta pessoa poderia mudar sua visão caso assistisse a qualquer filme em Technicolor feito na Inglaterra nos anos 1940 – os mais notáveis exemplos sendo os filmes de Powell e Pressburger “Narciso Negro” (1947) e “Os Sapatinhos Vermelhos” (1948). De 1945 vem outra maravilha do Technicolor: “Uma Mulher do Outro Mundo”, baseado na obra de Noël Coward.  

A recent discussion caused frisson on Film Twitter because an user said that old movies didn’t put an effort when the issue was color. This person could have his/her mind changed if he/she watched any Technicolor marvel made in 1940s England – the most notorious examples being Powell and Pressburger’s movies such as “Black Narcissus” (1946) and “The Red Shoes” (1948). From 1945 comes another Technicolor marvel: Noël Coward’s “Blithe Spirit”.

Charles Condomine (Rex Harrison) é um autor prestes a iniciar a escrita de seu novo livro – mas primeiro ele precisa fazer uma pesquisa. Ele e a esposa Ruth (Constance Cummings) convidam para jantar um casal de amigos e também uma médium chamada Madame Arcati (Margaret Rutherford). O objetivo é ver que o transe da Madame não passa de charlatanismo, mas algo acontece: a primeira esposa de Charles, Elvira (Kay Hammond), que havia morrido sete anos antes, é invocada. Mas apenas Charles pode vê-la e ouvi-la!

Charles Condomine (Rex Harrison) is a writer ready to start his new book – but first he needs to do some research. He and his wife Ruth (Constance Cummings) invite over for dinner a couple of friends and also a psychic named Madame Arcati (Margaret Rutherford). The goal was to see how Madame’s trance was nothing but charlatanism, but something happens: Charles’ first wife, Elvira (Kay Hammond), who died seven years before, is summoned. But only Charles can see and hear her!

A materialização de Elvira, obviamente, traz todo tipo de problema. Ao falar com ela, é como se Charles dissesse ofensas para Ruth. Quando Elvira começa a interagir com os objetos da casa, Ruth se apavora, como seria esperado na presença de um fantasma. E que fantasma: com pele pálida e unhas e lábios de um vermelho vivo, Elvira deveria aparecer em todas as listas de mais memoráveis fantasmas do cinema.

Elvira’s materialization, of course, brings all sorts of troubles. When talking to her, Charles is perceived as saying offenses to Ruth. When Elvira starts interacting with the things in the house, Ruth freaks out, as one does in the presence of a ghost. And what a ghost: with pale skin and bright red lispstick and nail polish, Elvira should figure in all the lists of most memorable ghosts of cinema.

É interessante notar que muito do diálogo entre Charles e Ruth acontece ao redor da mesa, conforme consomem suas refeições. Isto destaca as origens teatrais de “Uma Mulher do Outro Mundo” e também adiciona a empregada Edith (Jacqueline Clarke) à ação.

It’s interesting to notice that much of Ruth and Charles’ dialogue happens around the table where they are sharing meals. This highlights the theatrical origins of “Blithe Spirit” while also adding the maid Edith (Jacqueline Clarke) to the action.

O visual de Elvira foi criado misturando roupas e maquiagem verde-fluorescente com truques de iluminação – e os efeitos especiais ganharam um Oscar. Kay Hammond literalmente brilha como Elvira, um papel que foi pensado para Myrna Loy – e ela escreveu que havia “nascido para interpretar o papel” – mas a atriz não foi emprestada pela MGM. Filha dos atores Guy Standing e Dorothy Hammond, Kay encontrou sucesso no teatro, onde deu origem à personagem Elvira em 1941, e fez 38 filmes entre 1930 e 1961.

Elvira’s look was created by a mix of fluorescent green clothes and make-up and lighting tricks – and the special effects won an Oscar. Kay Hammond literally shines as Elvira, a role that was intended for Myrna Loy – and one she said she was “born to play” – but the actress wasn’t loaned by MGM. The daughter of actors Guy Standing and Dorothy Hammond, Kay found success in the theater, where she originated the role of Elvira in 1941, and made 28 movies between 1930 and 1961.

Não podemos falar da história das cores no cinema sem mencionar a supervisora de Technicolor Natalie Kalmus. De acordo com o IMDb, ela é creditada em quase 400 filmes feitos entre 1928 e 1950, com dezenas de créditos todos os anos. Esposa de Herbert T. Kalmus, inventor do processo Technicolor, Natalie contribuiu com a invenção e era inserida nos sets de filmagem para supervisionar o uso das câmeras de Tehcnicolor, que eram sensíveis e caras, e decidir as melhores cores para cenários e figurinos. Problemas com as cores fizeram com que as filmagens de “Uma Mulher do Outro Mundo” se prolongassem, e no final Margaret Rutherford estava reclamando que as filmagens duraram seis meses e não as doze semanas previstas.

We can’t talk about the history of color in film without mentioning Technicolor supervisor Natalie Kalmus. According to IMDb, she is credited in almost 400 movies made between 1928 and 1950, with dozens of credits every year. The wife of Herbert T. Kalmus, the inventor of the Technicolor process, Natalie contributed to the invention and was put in film sets to oversee the use of Technicolor cameras, that were both sensitive and expensive, and to decide the colors in sets and clothes. Issues with color made the production of “Blithe Spirit” drag, and in the end Margaret Rutherford was complaining that they were shooting for six months instead of the twelve weeks planned. 

A peça de Noël Coward foi escrita em 1945 e o autor – também produtor do filme – não vendeu os direitos para Hollywood porque as adaptações de seu trabalho feitas por norte-americanos não haviam lhe agradado. Mesmo assim, com as mudanças feitas pelo roteirista e diretor David Lean – que incluíram mudar o final, impossível nos palcos – Coward declarou que a melhor peça que ele havia escrito foi arruinada.

Noël Coward’s play was written in 1941 and the author – also producer of the movie – didn’t sell the rights to Hollywood because he disliked the adaptations of his work made by North Americans until then. Nevertheless, with the changes made by screenwriter and director David Lean – including changing the end, adding one that would be impossible on stage –, Coward declared that they ruined the best play he’d ever written.


Nós, como humanos, amiúde pensamos e imaginamos o que acontece depois que morremos. Há um Paraíso ou uma vida após a morte? O cinema tentou responder à questão de muitas maneiras e em muitas ocasiões. Elvira volta do além mas conta pouco do que acontece por lá. Temos visões mais elaboradas da próxima vida em filmes como “Neste Mundo e no Outro” (1946), da já mencionada dupla Powell e Pressburger. O assunto é tão presente e pertinente que não apenas filmes sobre isso são sucesso mas também médiuns como a Madame Arcati têm sua clientela para conversar com o além.

We, as humans, often think and imagine what happens after we die. Is there a Heaven or an afterlife? Cinema tried to answer the question in many ways and occasions. Elvira comes back from beyond but tells little about what happens there. Wa have more elaborate views of the next life in films such as “A Matter of Life and Death” (1946), by the aforementioned duo Powell and Pressburger. The issue is so present and pertinent that not only movies about it are a success but also psychics such as Madame Arcati have their clientele to talk to the beyond.

“Uma Mulher do Outro Mundo” foi um fracasso de bilheteria, por causa de erros na escalação de elenco, de acordo com o roteirista Anthony Havellock-Allan. Ele disse que precisavam de um homem de meia-idade – e não Rex Harrison – e uma primeira esposa atraente – Constance Cummings era mais bonita que Kay Hammond, Anthony declarou. Mesmo assim, o filme sobreviveu ao teste do tempo e agora é considerado um clássico, e um clássico muito divertido!

“Blith Spirit” was a box-office failure, due to a mistaken casting, according to screenwriter Anthony Havellock-Allan. He said the need was for a middle-aged man – not Rex Harrison – and an attractive first wife – Constance Cummings was more attractive than Kay Hammond, Anthony noticed. Nevertheless, the film stood the test of time and now is righteously considered a classic, and a very enjoyable one!

 

This is my contribution to A Haunting Blogathon: In the Afterlife, by the Classic Movie Blog Association.

Monday, July 31, 2017

Papai é do Contra (1954) / Hobson's Choice (1954)

A música que acompanha os créditos iniciais dá um tom de brincadeira. Logo depois do final dos créditos, muda o tom: há uma tempestade,e uma bota suspensa que me fez pensar que um homem havia acabado de ser enforcado. Mas o tom não permanece sério por muito tempo: a bota é, felizmente, apenas parte da decoração da loja do Sapateiro Hobson. Dentro da loja, diversos sapatos das eras Vitoriana e Eduardiana. Algumas folhas de árvore batem nas janelas, a porta da loja abre de repente, o próprio Hobson entra, e ele arrota.

The music that accompanies the opening credits is extremely playful. Right after the credits end, things change: there is a storm, and a boot that made me believe was from a man who had just been hanged. But things don't get serious for too long: the boot is, thankfully, only part of the marquise of the Hobson Boot Maker shop. Inside of it, lots of Victorian / Edwardian shoes. Some tree leaves hit the window, the door opens suddenly, enters Hobson himself, and he burps.
Henry Hobson (Charles Laughton) gosta de bebida alcoólica, é viúvo e tem três filhas: Alice, Vicky e Maggie. Ele decide encontrar maridos para as duas mais novas, porque 'Maggie é útil demais para se deixar ir' – mas ele realmente quer dizer que a) ela é como uma figura materna, que cuida dele, e b) ela é velha demais para se casar (meu Deus, afinal, ela jé tem 30 anos!). Ah, e os maridos que ele quer para as filhas devem ser abstêmios – eles não podem beber.

Henry Hobson (Charles Laughton) likes to drink, is a widower and has three daughters: Alice, Vicky and Maggie. He decides to find husbands for the two younger girls, because 'Maggie is too useful to part with'- nah, he actually means that a) she is like a mother figure, taking care of him, and b) she's too old to get married (OMG, she is 30!). Oh, and the husbands he wants for his daughters must be temperance men – they can't drink.
Hobson rapidamente desiste do plano de casamento quando ele descobre que organizar o casamento de uma filha é um negócio caro. Ele prefere ver as filhas solteironas e infelizes. Mas Maggie (Brenda De Banzie) não vai aceitar este destino: sendo uma mulher esperta e prática, ela decide se casar com Willie Mossop (John Mills), o simplório homem que fabrica botas para Hobson – mas ele é o melhor artesão de calçados da cidade. O plano de Maggie é abrir com o marido um negócio para fazer concorrência à loja de seu pai.

Hobson is quickly dissuaded from his marrying plan when he learns that marrying a daughter is too expensive a business. He prefers to see his daughters as old maids, unhappy. But Maggie (Brenda De Banzie) won't accept this fate: as a clever and practical woman, she decides to marry Willie Mossop (John Mills), the simple man who works for the Hobsons' as a boot maker – the best boot maker in town, to be precise. Maggie's plan is to start a business with her husband to rival her father's shop.
Henry Hobson não seria considerado um bom pai nos dias de hoje – e eu imagino se ele sequer foi considerado um bom pai em 1954. Ele explora suas filhas, fazendo-as trabalhar para ele sem receber salário. Ele até ameaça e bate em seu funcionário Willie. Sim, posso ver que se trata de uma comédia e Hobson pode ser uma figura caricata, mas eu me pergunto se ainda não há homens que pensam e se comportam como ele – e com certeza estes ogros existem.

Henry Hobson would not be considered a good father today – and I wonder if he was considered good back in 1954. He explores his daughters, making them work for him without receiving a wage. He even threatens and beats his employee Willie. Yes, I can see that the film is a comedy and Hobson may be a caricature, but I wonder if there are men who still think and behave like Hobson – and for sure there are ogres like him in the world.
Willie tem olhos esbugalhados, está sempre surpreso e seu corte de cabelo me faz lembrar um dos Três Patetas. Tanto Laughton quanto Mills têm ótimos momentos mostrando habilidades na comédia física: Laughton quando está bêbado e tenta “pisar na Lua”, e Mills quando está se despindo para sua incomum noite de núpcias.

Willie has his eyes wide open, very surprised, and a weird, Stooge-like haircut. Both Laughton and Mills have great moments showcasing physical comedy: Laughton when he is drunk and tries to “step on the moon”, and Mills when he is undressing for his uncommon wedding night.
Você deve ter visto Brenda De Banzie como a sequestradora em “O Homem que Sabia Demais” (1956). A atuação dela em “Papai é do Contra” não podia ser mais diferente do que apresenta no suspense. Maggie é uma mulher esperta que manipula as situações para que tudo ocorra como ela deseja. Ela pode ser a “grande mulher por trás de um (aparente) grande homem”, mas este era o único modo que, durante séculos, as mulheres espertas tinham de conseguir o que queriam. Aliás, seria Maggie sufragista?

You may know Brenda De Banzie only as a child kidnapper in “The Man who Knew Too Much” (1956). Her performance in “Hobson' Choice” can't be more different than that. Maggie is a smart woman who manipulates situations in order to make things go the way she wants. She may be the “great woman behind a (seemingly) great man”, but this was the only way that, for centuries, smart women could get what they wanted. By the way, could Maggie be a suffragette?
Na língua inglesa, e especialmente no Reino Unido, a expressão “Hobson's choice” significa “uma escolha aparentemente livre em que na verdade não há alternativa”, de acordo com o dicionário Merriam-Webster. A origem da expressão é encontrada no final do século XVI, quando um homem que alugava cavalos chamado Thomas Hobson decidiu que seus clientes deveriam escolher entre alugar o cavalo que ele tinha disponível ou ficar sem cavalo. A expressão se tornou popular com o passar dos anos e deu o nome à peça de 1915 que serviu de base para o filme.

In the English language, and especially in the UK, the expression “Hobson's choice” means “an apparently free choice when there is no real alternative”, according to the Merriam-Webster dictionary. The origin of the expression is found at the late 16th century, when a horse rental man called Thomas Hobson decided that his costumers should choose between renting the horse he had available for them, or no horse at all. The expression became popular with time and named the 1915 comedy play that was the basis for this film.
David Lean é mais lembrado pelos grandes épicos que ele fez em Hollywood e filmou em locação: “Lawrence da Arábia” (1962) e “Doutor Jivago” (1965). De seu período inglês, o filme mais conhecido é o sensível drama “Desencanto” (1945), e por isso muitas pessoas podem ter dificuldade em imaginar Lean fazendo comédia. Mas ele podia fazê-la muito bem. Sim, o texto, a fotografia de uma Londres não romântica e o ótimo elenco ajudam, mas não podemos negar que “Papai é do Contra” é outra grande obra da carreira de Lean.

David Lean is best remembered by the big epics he did in Hollywood and filmed on location: “Lawrence of Arabia” (1962) and “Doctor Zhivago” (1965). From his English period, the best known movie is the sensitive drama “Brief Encounter” (1945), and that's why many people have a hard time imagining Lean doing comedy. But he could do it very well. Of course, the text, the cinematography of a non-romantic London and the great cast help a lot, but we can't deny that “Hobson's Choice” was another great achievement in Lean's career.


This is my contribution to the 4th Annual British Invaders Blogathon, hosted by Terence at A Shroud of Thoughts.

Saturday, August 23, 2014

Império do Sol / Empire of the Sun (1987)

Eu estava vendo as notícias semana passada, quando tive uma estranha sensação de déjà vu. O que passava na televisão era a entrega de comida para as vítimas dos bombardeios em Gaza. Fardos e mais fardos de alimentos eram jogados de helicópteros e as pessoas, famintas e desesperadas, corriam para garantir a refeição. Eu tive a sensação de que já havia visto esta cena antes e, como eu nunca estive em uma zona de guerra, concluí que havia visto a cena no cinema. Não demorou para que eu me lembrasse: eram John Malkovich e o pequeno Christian Bale que corriam para pegar os donativos em campo aberto em “Império do Sol”.
Jamie Graham (Christian Bale) é um garoto inglês que está em Xangai com seus pais. A Segunda Guerra Mundial ainda está para chegar àquela parte do mundo, mas isso não significa que haja paz: desde 1937 o Japão e a China estão em guerra. Quando acontece o ataque a Pearl Harbor, os estrangeiros precisam sair da China, mas Jamie é separado de seus pais durante um tumulto na estação de trem. Aconselhado pela mãe desesperada, ele volta para casa e passa alguns dias, mas logo decide se aventurar pelas ruas chinesas...

Nas ruas ele encontra um grupo de soldados americanos, entre eles Basie (John Malkovich). Num primeiro momento, os soldados não querem a companhia do garoto, mas Jamie (apelidado de Jim por Basie) diz que sabe onde há comida para todos. Voltando para sua grande casa, Jim e os soldados são surpreendidos pelos japoneses que ocuparam o local. Jim e Basie são levados para um campo de prisioneiros.
As cenas no campo muitas vezes lembram “Inferno Nº 17 / Stalag 17” (1953), filme de Billy Wilder sobre um campo de prisioneiros de guerra onde, felizmente, não havia nenhuma criança. Mas, se esta criança está destinada a crescer e se tornar o Batman, não há nada a temer, certo? Errado. A experiência como prisioneiro no campo japonês não é fácil para Jim, mas por vezes parece ser parte de uma traumática brincadeira de um garotinho fascinado por aviões que vira o mascote de soldados americanos presos. Ah, e por falar em campo de prisioneiros, aquele que mais influenciou Spielberg para fazer o filme foi o de “A ponte do Rio Kwai” (1957), filme favorito de Steven na infância e cujo diretor, David Lean, estava contratado para dirigir “Império do Sol” antes de Spielberg se juntar ao projeto.
Spielberg usou o tema da guerra em muitas de suas produções. Ele revisitaria a Segunda Guerra Mundial por outro ângulo naquele que é talvez seu mais famoso filme, “A Lista de Schindler / Schindler's List” (1993). A Primeira Guerra é o conflito que muda a vida de homens e animais em “Cavalo de Guerra / War Horse” (2011), filme que conta com a tocante cena de dois soldados de lados opostos que se unem por um momento para salvar o cavalo protagonista.
Pôster polonês
Trabalhar com crianças que se tornariam ícones do cinema também não era novidade para Spielberg. Quem pode se esquecer da mini Drew Barrymore em “ET” (1982)? Aqui Christian Bale, aos 12 anos, tem seu primeiro papel de destaque no cinema, e isso graças à então esposa de Spielberg, a atriz Amy Irving, que contracenava com Christian na minissérie “Anastasia” (1986), e que convenceu Spielberg a chamar o garoto para um teste. Foram mais de 4 mil pequenos atores testados, e fica claro desde o começo que Christian Bale foi a escolha certa.
Bale, Spielberg, Malkovich
Muitas vezes, “Império do Sol” passa despercebido na grande e variada filmografia de Spielberg, mas não deveria. A canção-tema melancólica e bela, “Suo Gân”, é do País de Gales e combina perfeitamente com o filme. Porque, acima de tudo, uma história de guerra é uma história triste, e ninguém passa pela guerra impune. Por isso o próprio Spielberg classificou este como o melhor filme sobre a perda da inocência que ele fez na carreira. Só isso já é motivo suficiente para ver “Império do Sol”. Além, é claro, do meu déjà vu do começo, que mostra como, sempre, a vida imita a arte. Ou seria o contrário?

This is my contribution for the Steven Spielberg blogathon, hosted by Kellee at Outspoken & Freckled, Aurora at Citizen Screenings and Michael at It Rains… You Get Wet.

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