} Crítica Retrô: China

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Saturday, August 23, 2014

Império do Sol / Empire of the Sun (1987)

Eu estava vendo as notícias semana passada, quando tive uma estranha sensação de déjà vu. O que passava na televisão era a entrega de comida para as vítimas dos bombardeios em Gaza. Fardos e mais fardos de alimentos eram jogados de helicópteros e as pessoas, famintas e desesperadas, corriam para garantir a refeição. Eu tive a sensação de que já havia visto esta cena antes e, como eu nunca estive em uma zona de guerra, concluí que havia visto a cena no cinema. Não demorou para que eu me lembrasse: eram John Malkovich e o pequeno Christian Bale que corriam para pegar os donativos em campo aberto em “Império do Sol”.
Jamie Graham (Christian Bale) é um garoto inglês que está em Xangai com seus pais. A Segunda Guerra Mundial ainda está para chegar àquela parte do mundo, mas isso não significa que haja paz: desde 1937 o Japão e a China estão em guerra. Quando acontece o ataque a Pearl Harbor, os estrangeiros precisam sair da China, mas Jamie é separado de seus pais durante um tumulto na estação de trem. Aconselhado pela mãe desesperada, ele volta para casa e passa alguns dias, mas logo decide se aventurar pelas ruas chinesas...

Nas ruas ele encontra um grupo de soldados americanos, entre eles Basie (John Malkovich). Num primeiro momento, os soldados não querem a companhia do garoto, mas Jamie (apelidado de Jim por Basie) diz que sabe onde há comida para todos. Voltando para sua grande casa, Jim e os soldados são surpreendidos pelos japoneses que ocuparam o local. Jim e Basie são levados para um campo de prisioneiros.
As cenas no campo muitas vezes lembram “Inferno Nº 17 / Stalag 17” (1953), filme de Billy Wilder sobre um campo de prisioneiros de guerra onde, felizmente, não havia nenhuma criança. Mas, se esta criança está destinada a crescer e se tornar o Batman, não há nada a temer, certo? Errado. A experiência como prisioneiro no campo japonês não é fácil para Jim, mas por vezes parece ser parte de uma traumática brincadeira de um garotinho fascinado por aviões que vira o mascote de soldados americanos presos. Ah, e por falar em campo de prisioneiros, aquele que mais influenciou Spielberg para fazer o filme foi o de “A ponte do Rio Kwai” (1957), filme favorito de Steven na infância e cujo diretor, David Lean, estava contratado para dirigir “Império do Sol” antes de Spielberg se juntar ao projeto.
Spielberg usou o tema da guerra em muitas de suas produções. Ele revisitaria a Segunda Guerra Mundial por outro ângulo naquele que é talvez seu mais famoso filme, “A Lista de Schindler / Schindler's List” (1993). A Primeira Guerra é o conflito que muda a vida de homens e animais em “Cavalo de Guerra / War Horse” (2011), filme que conta com a tocante cena de dois soldados de lados opostos que se unem por um momento para salvar o cavalo protagonista.
Pôster polonês
Trabalhar com crianças que se tornariam ícones do cinema também não era novidade para Spielberg. Quem pode se esquecer da mini Drew Barrymore em “ET” (1982)? Aqui Christian Bale, aos 12 anos, tem seu primeiro papel de destaque no cinema, e isso graças à então esposa de Spielberg, a atriz Amy Irving, que contracenava com Christian na minissérie “Anastasia” (1986), e que convenceu Spielberg a chamar o garoto para um teste. Foram mais de 4 mil pequenos atores testados, e fica claro desde o começo que Christian Bale foi a escolha certa.
Bale, Spielberg, Malkovich
Muitas vezes, “Império do Sol” passa despercebido na grande e variada filmografia de Spielberg, mas não deveria. A canção-tema melancólica e bela, “Suo Gân”, é do País de Gales e combina perfeitamente com o filme. Porque, acima de tudo, uma história de guerra é uma história triste, e ninguém passa pela guerra impune. Por isso o próprio Spielberg classificou este como o melhor filme sobre a perda da inocência que ele fez na carreira. Só isso já é motivo suficiente para ver “Império do Sol”. Além, é claro, do meu déjà vu do começo, que mostra como, sempre, a vida imita a arte. Ou seria o contrário?

This is my contribution for the Steven Spielberg blogathon, hosted by Kellee at Outspoken & Freckled, Aurora at Citizen Screenings and Michael at It Rains… You Get Wet.

Sunday, April 17, 2011

A Morada da Sexta Felicidade (1958) / The Inn of the Sixth Happiness (1958)

A difícil tarefa de transportar um grupo de 100 crianças durante a Guerra Sino-Japonesa de uma cidade destruída para um local seguro, atravessando as montanhas, só poderia ter sido realizada por uma alma boa como Gladys Aylward. Se sabemos por essa sinopse que a missionária inglesa foi bela por dentro, a presença de Ingrid Bergman como seu alter-ego cinematográfico não nos deixa dúvida da beleza exterior da benfeitora inglesa - e do talento da estrela sueca.

 

The hard task of transporting a group of 100 children during the Chinese-Japonese War, from a destroyed town to a safe place, crossing the mountains, could only have been made by a good soul like Gladys Aylward. If we know by this synopsis that the English missionary was beautiful on the inside, Ingrid Bergman’s presence as her filmic alter-ego leaves no doubts about the exterior beauty of the English benefactor – and the talent of the Swedish actress.


Com vocês, a biografada: Gladys Aylward (1902 – 1970) foi uma empregada doméstica que se tornou missionária na China. Trabalhando principalmente com crianças, seu mais famoso feito foi a travessia das 100 crianças pelas montanhas em 1940, época em que ela estava doente. Em 1958 ela fundou um orfanato em Taiwan. Sobre o filme, Gladys sentiu-se envergonhada com o relato de seu romance com um soldado chinês, que, apesar de verídico, foi muito rápido.

The biopic is about: Gladys Aylward (1902-1970) was a domestic worker who became a missionary in China. Working maily with children, her most famous deed was the crossing of 100 children through the mountains in 1940, while she was sick. In 1958 she founded na orphanage in Taiwan. About the movie, Gladys felt ashamed because of the portrayal of her romance with a Chinese soldier that, although real, was too brief.

Licença Cinematográfica: Gladys não foi apelidada de “Jan-Ai”, como mostrado no filme. Ela recebeu a alcunha de “Ai-weh-deh”, que significa “a virtuosa” e se tornou uma heroína para os chineses.

Filmic license: Gladys didn’t receive the nickname “Jan-Ai”, as show non the movie. She received the nickname “Ai-weh-deh”, that means “the virtuous one” and became a heroine for the Chinese people.

É bom saber: A música cantada pelas crianças durante a travessia ficou muito famosa nos Estados Unidos quando o filme foi lançado, sendo depois incorporado ao folclore local. Ela pode ser encontrada com os nomes “The Children’s Marching Song”e “This Old Man” e, por acaso, me foi apresentada durante um curso de inglês, sendo comumente usada para aprendizagem do idioma.

Esse foi o último filme de Robert Donat. Curiosamente, ele diz para Ingrid Bergman que “Essa pode ser a última vez que nós nos veremos” ao se despedir dela.


It’s good to know: The song sung by the children during the crossing became very famous in the USA when the film was released, and then it was incorporated to the national floklore. It can be found under the names “The Children’s Marching Song” and “This Old Man” and, by chance, it was introduced to me during an English class, as it’s commonly used as teaching material.

This was Robert Donat’s last film. Curiously, he tells Ingrid Bergman “This may be the last time we see each other” when he says goodbye.



A pergunta que não quer calar: As outras cinco felicidades são riqueza, longevidade, boa saúde, virtude, uma velhice pacífica e uma morte sem sofrimento. Sinistro, mas sábio.

The burning question: The other five happinesses are richness, longevity, good health, virtue, a peaceful old age and a death without suffering. Sinister, but wise.

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