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Saturday, May 21, 2022

Santos Dumont vai ao cinema / Santos Dumont goes to the movies

 

Vamos direto ao ponto: aqui no Brasil consideramos que o Pai da Aviação – isto é, o inventor do avião – é Alberto Santos Dumont. Porque ele era brasileiro. E por outros motivos: por exemplo, o Aeroclube Francês, mais importante instituição da aviação no começo do século XX, só considerava “máquinas voadoras” as geringonças que conseguiam levantar voo sozinhas e fossem completamente controladas pelo piloto. Os irmãos Wright criaram uma máquina em 1903 que não levantava voo sozinha, por isso o Aeroclube Francês considerou que o 14-Bis de Santos Dumont foi a primeira máquina voadora mais pesada que o ar. Vale também mencionar que a máquina de Dumont voou, em 1906, uma distância maior que a dos irmãos Wright percorreu três anos antes, e também era mais rápida – tinha três vezes a velocidade da máquina dos irmãos.

First things first: here in Brazil we consider the Father of Aviation – aka the inventor of the airplane – to be Alberto Santos Dumont. Because he was Brazilian. And because of other causes: for instance, the French Aero Club, the most important flying institution in the early 20th century, only considered to be “flying machines” the objects that could take off on their own and were completely controlled by the pilot. The Wright brothers created a machine in 1903 that couldn’t take off on its own, so the French Aero Club considered Santos Dumont’s 14-Bis the first flying machine that was heavier than air. It’s worth noticing that Dumont’s machine flew, in 1906, further than the Wright brothers’ tool did three years before, and it was also quicker – three times the brothers’ speed.

Agora que esclarecemos este pequeno detalhe, posso falar mais sobre Santos Dumont. Conhecido na França como “petit Santos” (pequeno Santos), Alberto Santos Dumont era um homem pequeno com grandes sonhos. Filho de um engenheiro, desde a infância Dumont mostrou ser um carinha curioso e um leitor voraz, sendo grande fã dos livros de aventura de Júlio Verne. Em vez de cuidar os negócios da família, Dumont teve a permissão do pai para estudar mecânica em Paris.

Now that this tiny detail was clarified, I can tell more about Santos Dumont. Known in France as “petit Santos” (little Santos), Alberto Santos Dumont was a short man with big dreams. The son of an engineer, since his childhood Dumont showed that he was a curious fellow and an avid reader, being a huge fan of Jules Verne’s adventure books. Instead of taking care of the family’s business, Dumont was allowed by his father to study mechanics in Paris.

E foi em Paris que a criatividade de Dumont floresceu. Vamos nos lembrar de que aquela era a Belle Époque, época logo antes da Primeira Guerra Mundial quando Paris era o centro do mundo, cheia de artistas e inventores. Dumont era um deles. Inspirado por Thomas Edison, ele inventou várias coisas, incluindo o relógio de pulso para monitorar o tempo de voo em seus dirigíveis. Sim, é verdade: se você tem um relógio de pulso, agradeça a Santos Dumont.

And it was in Paris that Dumont’s creativity flourished. Let’s remember that this was the Belle Époque, the time right before World War I when Paris was the center of the world, full of artists and inventors. Dumont was one of the latter kind. Inspired by Thomas Edison, he invented several things, including the wrist watch to keep track of how long his flights in dirigibles lasted. Yes, that’s true: if you have a wrist watch, you can thank Santos Dumont.

Dumont nunca patenteou suas criações; ele acreditava que o conhecimento deveria ser de domínio público. Ele também mostrava suas invenções em público e as testava, e isso incluía suas várias máquinas voadoras, também em público, ao contrário dos irmãos Wright. Fracassos aconteciam com frequência, mas o sucesso veio no final.

Dumont never patented any of his creations: he believed that knowledge should be public domain. He also showed his inventions in public and tested them, including the many flying machines he created, also in public, something the Wright brothers didn’t do. Failures happened constantly, but success eventually came.

E agora encontramos a relação entre Santos Dumont e o cinema – afinal, este é um blog de cinema, certo? Dumont foi filmado em 1901 por William K-L Dickson e o filme, que durava menos de um minuto, fo exibido no Palace Theatre de Londres. O filme é intitutlado “Santos Dumont Explaining His Air Ship to the Hon. C.S. Rolls” (“Santos Dumont Explicando sua Máquina Voadora para o Honorável C.S. Rolls”). Nele, Dumont simplesmente mostra alguns papéis, notas, ferramentas e desenhos para Charles Rolls, que iria, anos mais tarde, criar a Rolls-Royce.

And now we find the relationship between Santos Dumont and cinema – after all, this is a film blog, isn’t it? Dumont was filmed in 1901 by William K-L Dickson and the movie, that lasted less than one minute, was exhibited in the Palace Theatre in London. The movie is titled “Santos Dumont Explaining His Air Ship to the Hon. C.S. Rolls”. In it, Dumont simply shows some papers, notes, tools and drawings to Charles Rolls, who would, years later, create Rolls-Royce.

Este pequeno filme foi exibido em 1901, quando Dumont estava em Londres para receber uma homenagem do Aeroclube Britânico por ter ganhado o Prêmio Deutsch – isto é, o prêmio dado a quem conseguisse circumnavegar a Torre Eiffel com uma máquina voadora. Por mais de um século, o filme de Dumont foi considerado perdido.

This little film was exhibited in 1901, when Dumont was in London to receive a homage at the British Aero Club for winning the Deutsch Award in Paris – that is, the award given to anyone who could use a flying machine to circumnavigate the Eiffel Tower. For more than one century, Dumont’s film was considered lost.

Em 2002, o pesquisador Carlos Adriano encontrou no Museu Paulista da Universidade de São Paulo um kinetoscópio contendo diversas imagens do filme. Com as imagens, foi possível basicamente restaurar o filme à sua forma original... e você pode vê-lo abaixo:

In 2002, researcher Carlos Adriano found in the Museum Paulista from the University of São Paulo a kinetoscope containing several images of the movie. From the images, the movie could basically be restored to its original form... and you can see it below:

Esta não foi a única vez em que Santos Dumont apareceu num filme. Ele e suas invenções foram constantemente filmados para newsreels, para a companhia Pathé, ou para os filmes documentais dos irmãos Lumière. O 14-Bis é comumente considerado o principal invento da carreira de Santos Dumont, mas nestes newsreels ele é celebrado por seus muitos dirigíveis e outras máquinas voadoras.

This wasn’t the only time Santos Dumont appeared in a film. He and his inventions were constantly filmed for newsreels, for the Pathé company, or for the documental films by the Lumière brothers. The 14-Bis is usually considered the crowning jewel in Santos Dumont’s career, but in those newsreels he is celebrated by his many dirigibles and other airships. 

Infelizmente, Dumont viu com horror que sua invenção se tornou uma máquina de matar na Primeira Guerra Mundial e, algo que lhe causou ainda mais dor, na Revolução Constitucionalista de 1932 no Brasil. Desolado, Santos Dumont cometeu suicídio em 1932, poucos dias após seu 59º aniversário.

Unfortunately, Dumont saw with horror that his invention became a killing machine in World War I and, what caused him more pain, in the 1932 Constitutional revolution in Brazil. Desolated, Santos Dumont committed suicide in 1932, days after his 59th birthday.

Mas Santos Dumont nunca foi esquecido – nem mesmo pelo cinema. Ele foi assunto de diversos documentários ao longo dos anos. Em 2019, a vida de Santos Dumont foi contada na brilhante minissérie de TV “Santos Dumont: Mais Leve que o Ar”, co-produzida pela HBO. Mais que o Pai da Aviação e um inventor engenhoso, Santos Dumont, que nunca parou de sonhar, é uma inspiração.

But Santos Dumont was never forgotten – not even by cinema. He was the subject of several documentaries over the years. In 2019 Santos Dumont’s life was told in the brilliant TV minisseries “Santos Dumont: Lighter than Air”, co-produced by HBO. More than the Father of Aviation and an ingenuous inventor, Santos Dumont, who never stopped dreaming, is an inspiration.

This is my contribution to the Aviation in Film blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room. Fasten your seatbelts for the landing, please.

Wednesday, May 18, 2022

A Conquista da Beleza (1934) / Search for Beauty (1934)

 

O verão sempre foi sinônimo de beleza e também de saúde. Muitas pessoas começam a malhar na primavera em busca de um “corpo de verão” ideal. Quando pensamos no verão, pensamos em belos corpos na praia, e também corpos sadios, hidratados, bronzeados. A beleza sempre foi mostrada no cinema, mas nunca tão livremente quanto na era pre-Code. E existe um filme pre-Code que mistura beleza e saúde: “A Conquista da Beleza”, de 1934.

Summer has always been synonyms of beauty and also with health. Many people start working out during the spring in order to have an ideal “summer body”. When we think about summer, we think about beautiful bodies on the beach, and also healthy, hydrated, sunbathed bodies. Beauty has always been displayed on cinema, but never so freely than in the pre-Code era. And there is a pre-Code film that brings together beauty and health: “Search for Beauty”, from 1934.  

Larry Williams (Robert Armstrong) e Jean Strange (Gertrude Michael) são um casal de vigaristas que, junto a Dan Healy (James Gleason), criam o mais estranho esquema para enriquecer já visto: eles compram uma revista sobre esportes e contratam como editores dois atletas olímpicos, Don Jackson (Buster Crabbe) e Barbara Hilton (Ida Lupino). Os cabeças dessa ideia enchem a revista de conteúdo de gosto duvidoso - porque sexo vende, diz Larry - e esperam que a revista seja comprada pela população, mais interessada em esportes por causa das Olimpíadas de 1932, sediadas em Los Angeles.

Larry Williams (Robert Armstrong) and Jean Strange (Gertrude Michael) are a couple of con artists who, teamed with Dan Healy (James Gleason), come up with the weirdest get-rich-quickly scheme ever: they buy a sports magazine and hire as editors two Olympic athletes, Don Jackson (Buster Crabbe) and Barbara Hilton (Ida Lupino). The minds behind the idea fill the magazine with salacious content – because sex sells, Larry says – and wait for the magazines to be bought by the people, who are more interested in sports because of the 1932 Olympics, held in Los Angeles.

Don Jackson percebe que Lerry está tentando montar uma “garota perfeita” editando várias fotos de garotas diferentes, literalmente construindo um Frankenstein com uma característica bela de cada uma. Don então sugere que eles façam algo diferente: por que eles não promovem um concurso para encontrar as pessoas mais belas e saudáveis do mundo?

Don Jackson sees that Larry is trying to build a “perfect girl” by editing several photos of different girls, literally building a Frankenstein with a beautiful piece from each girl. Don than suggests they do something else: why don’t they promote a contest to find the most beautiful, healthiest people in the planet?

Barbara começa a desaprovar as “histórias da vida real” que Larry vem publicando. Por causa disso, ela e Don decidem dar o controle criativo da revista para Larry, desde que em troca ele dê a eles os “Health Acres”, uma imensa fazenda que veio junto com a compra da revista. Lá, eles pretendem criar a Meca da saúde, com todos os ganhadores do concurso de beleza como educadores físicos. Jean também se separa de Larry e cai com Don e Barbara para a fazenda, despertando o ciúme de Barbara.

Barbara starts to dislike the “real-life stories” that Larry has been publishing. Because of this, she and Don decide to give Larry creative control of the magazine, as long as he gives them the “Health Acres”, a huge farm that came in with the purchase of the magazine. There, they intend to create a Meca for health, with all the winners of the beauty contest as health instructors. Jean also splits with Larry and follows Don and Barbara to the farm, making Barbara jealous.

Quando as pessoas bonitas chegam ao Health Acres, há uma adorável e inesperada sequência inspirada em Busby Berkeley para promover o exercício físico como forma de ser saudável. Entretanto, os hóspedes do local estão mais interessados em festejar do que em suar a camisa.

When the beautiful people reach Health Acres, there is a lovely, unexpected Busby Berkeley-inspired sequence to promote exercise as the way to stay healthy. However, the guests at Health Acres are more interested in partying than in sweating.

“A Conquista da Beleza” estreou em 1934, por isso pode ser chamado de pre-Code tardio, mas é muito pre-Code. Os atletas são filmados de costas, nus no chuveiro, e no começo do filme Jean usa um binóculo para dar uma olhada nas pernas e partes íntimas de Don. Larry diz que “não há nada de errado com o sexo, desde que ele leve a... aquilo que ele leva” - uma frase impensável de ser pronunciada sob o Código Hays. Há mulheres dançando com pouca roupa... e o filme acaba com o close de uma bunda.

“Search for Beauty” was released in 1934, so it’s a late pre-Code, but it is the most pre-Code a film could be. The athletes are shot from their backs, naked in the shower, and early in the film Jean uses a binocular to take a look at Don’s legs and private parts. Larry says “there’s nothing wrong with sex, as long as it leads to... what it leads to” – an unthinkable line to be used under the Hays Code. There are women dancing in tiny clothes… and the film ends with the close-up of a butt.

Ida Lupino tinha apenas 16 anos quando “A Conquista da Beleza” estreou. Este foi seu primeiro papel em Hollywood - ela já havia participado de sete filmes na sua Inglaterra natal - e é curioso vê-la tão jovem e tão loira. Lupino não ficou feliz em fazer “A Conquista da Beleza”, pois ela estava interessada em papéis mais dramáticos. Outra loira pre-Code que aparece no filme é Toby Wing, interpretando Sally, prima de Barbara e secretária faz-tudo na revista de esportes.

Ida Lupino was only 16 when “Search for Beauty” premiered. This was her first Hollywood role – she had already appeared in seven movies in her native England – and it’s curious to see her so young and so blonde. Lupino was not happy about making “Search for Beauty”, as she was interested in more dramatic roles. Another pre-Code blonde who appears in the film is Toby Wing, playing Sally, Barbara’s cousin and the do-it-all secretary at the sports magazine.

Em geral pensamos em Johnny Weissmuller quando falamos sobre atletas que se tornaram atores, mas Buster Crabbe também foi campeão olímpico de natação antes de ir para Hollywood. Na verdade, Buster Crabbe também interpretou Tarzan, uma só vez: no seriado de 1933 “Tarzan, o Destemido”. Ele também interpretou Flash Gordon e Buck Rogers, e era inclusive amigo próximo de Weissmuller.

We often think about Johnny Weissmuller when we talk about athletes who became actors, but Buster Crabbe was also an Olympic swimming champion before going to Hollywood. In fact, Buster Crabbe also played Tarzan, yet only once: in the 1933 serial “Tarzan the Fearless”. He also played Flash Gordon and Buck Rogers, and was actually good friends with Weissmuller. 

No começo do filme, uma cartela de texto nos informa que o filme apresenta os 30 ganhadores do Concurso de Beleza Internacional - um concurso “internacional” que contou com a participação apenas de Inglaterra, Escócia, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá e EUA. Antes da sequência de balé, Don esclarece que as pessoas belas foram escolhidas apenas entre os EUA e o Império Britânico - mas não há pessoas negras, pessoas de ascendência asiática ou indígenas entre as mais belas. Claro que deve ter sido divertido para os vencedores do concurso se verem nas telas, mas atualmente, com a busca por mais diversidade no cinema, o filme é um pouco decepcionante. Uma curiosidade que vale a pena mencionar é que uma das vencedoras, que pode ser vista baixo, é ninguém menos que a futura estrela Ann Sheridan.

In the beginning of the film, a title card says that the film presented the 30 winners in the International Beauty Contest – an “international” contest held only with people from England, Scotland, Ireland, Australia, New Zealand, South Africa, Canada and the US. Before the ballet sequence, Don clarifies that the beautiful people were chosen from the US and the British Empire – but there are no black people, no people of Asian descent nor Native Americans among the most beautiful. Of course it must have been fun for the contest winners to see themselves on the screen, but right now, when we ask for more diversity on screen, the film is a bit disappointing. One curiosity worth mentioning is that one of the winners, seen below, is none other than future star Ann Sheridan. 

Na praia, o verão é a época em que belos corpos desfilam - isto é, corpos magros de roupas de banho. Comerciais de cerveja estão cheios de mulheres magras e homens fortes, vendendo a bebida e o sol. Felizmente, as coisas vêm mudando nos últimos anos, com um movimento para maior aceitação corporal: agora todos podem desfilar seus belos corpos durante o verão - porque todos os corpos são bonitos. E você: está pronto para o verão?

On the beach, summer is the time when beautiful bodies parade – that is, skinny bodies in bathing suits. Commercials for beers are full of skinny women and strong men, advertising the beverage and the sun. Luckily, things have changed in the past few years, with a movement for broader body acceptance: now everybody can parade their beautiful bodies during summer - because all bodies are beautiful. How about you: are you ready for summer? 

“A Conquista da Beleza” pode ser visto (sem legendas) no Internet Archive.

“Search for Beauty” can be seen at the Internet Archive.

This is my contribution to the Fun in the Sun blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

Sunday, May 15, 2022

Quatro filmes noir que eu amo / Four favorite noirs

 

Feliz Dia do Cinema Clássico! O Rick do blog Classic Film & TV Café adora propor para nós, blogueiros, um desafio para celebrar este dia. Este ano ele pediu para nós elencarmos nossos quatro filmes noir favoritos... espere, só quatro? Sim, só quatro, e “favoritos” é modo de dizer. Ele pediu para indicarmos quatro noirs de que gostamos, ou que achamos subestimados, ou que devem ser vistos muitas vezes...Você entendeu. Então aqui estão, os quatro noirs que eu gostaria de indicar:

Happy National Classic Movie Day! Rick from the blog Classic Film & TV Café loves to give us, bloggers, a challenge to celebrate this day. This year he asked us for our four favorite noirs... wait, only four? Yes, only four, and “favorites” is a way of saying. He asked us to highlight four noirs that we like, or we think are underseen, or are worth watching several times... You get it. So here they are, the four noirs I want to highlight: 

A Dama de Xangai (1947): Não apenas um dos meus noirs favoritos, mas também um dos meus filmes favoritos da vida. Lindamente fotografado, ele conta a malfadada história de Michael O’Hara (Orson Welles, que também foi diretor, produtor e roteirista), contratado por um advogado manco, Arthur Bannister (Everett Sloane). Michael se envolve com a esposa de Bannister, Elsa (Rita Hayworth, em processo de divórcio de Welles na época) e... bem, há derramamento de sangue. Eu adora a parte sobre os tubarões brasileiros vistos em Frotaleza por um jovem Michael, e também o clímax numa sala de espelhos. Leia mais sobre “A Dama de Xangai” AQUI.

Lady from Shanghai (1947): Not only one of my favorite noirs, also one of my favorite movies ever. Beautifully shot, it tells the ill-fated story of Michael O’Hara (Orson Welles, who also directed and produced the film and wrote the screenplay), hired by a lawyer with a limp, Arthur Bannister (Everett Sloane). Michael becomes involved with Bannister’s wife Elsa (Rita Hayworth, divorcing Welles at the time) and…well, there’s blood. I love the bit about the Brazilians sharks seen in the city of Fortaleza by a younger Michael, and also the climax in a room full of mirrors. Read more about “The Lady from Shanghai” HERE.

A Sombra da Guilhotina (1949): O filme noir é parte da História, mas este é ainda mais histórico que a maioria. Ambientado nos anos 1790, no Período do Terror da Revolução Francesa, em inglês ele é conhecido pelos títulos “Reign of Terror” e “The Black Book”. O tal livro negro é onde estão escritos todos os nomes dos “inimigos da França”, um livro que precisa ser recuperado por Robespierre (interpretado por Richard Basehart). Se Robespierre conseguir o livro, ele terá tudo de que precisa para se tornar um ditador, por isso uma rede de resistência é formada por toda a França, e entre os membros desta rede temos Madelon (Arlene Dahl). O uso de sombras e a iluminação são os destaques deste noir histórico. Leia mais sobre “A Sombra da Guilhotina” AQUI.

Reign of Terror (1949): Film noir is part of History, but this one is more historic than most. Set in the 1790s, the time of the Reign of Terror in the French Revolution, it is also known by the title “The Black Book”. That book is where all the names of the “enemies of France” are written, a book that needs to be recovered by Robespierre (played by Richard Basehart). If Robespierre gets the book, he will have everything needed to become a dictator, so a resistance network is formed all over France, and among the members of this network we have Madelon (Arlene Dahl). The use of shadows and the lighting are the highlights of this historical noir. Read more about “Reign of Terror aka The Black Book” HERE.

Na Senda do Crime (1954): Este noir brasileiro é uma mistura de “O Segredo das Joias” (1950) com “A Força do Mal” (1947) – filme este que é evocado no tensto clímax. “Na Senda do crime” conta a história do bancário Sergio (Miro Cerni), que roba uma mansão com três amigos. Sergio coloca o dinheiro roubado numa conta que pertence à garota que gosta dele, mas ao mesmo tempo Sergio está saindo com uma cantora e decide que é uma boa ideia presenteá-la com uma joia roubada. O diretor de teatro Flaminio Bollini Cerri dirigiu apenas este filme no Brasil antes de voltar para a Itália, sua terra natal.

Na Senda do Crime (1954): This Brazilian noir is a mix of “The Asphalt Jungle” (1950) with “Force of Evil” (1948) – a film evoked in the tense climax. Translated as “Road to Crime”, it tells the story of bank clerk Sergio (Miro Cerni), who robs a mansion with three friends. Sergio puts the stolen money in an account that belongs to a girl who likes him, but at the same time Sergio goes out with a singer and decides it’s a good idea to give her a stolen jewel as a gift. Theater director Flaminio Bollini Cerri only made this movie in Brazil before going back to his native Italy.

Los Tallos Amargos (1956): Este noir argentino nos ensina que o jornalismo pode ser mortal – mas não como em “A Montanha dos Sete Abutres” (1951). Em “Los Tallos Amargos”, dois homens começam um esquema corrupto vendendo cursos de jornalismo por correspondência. Esses dois homens são o desiludido Alfredo (Carlos Cores) e o imigrante grego Liudas (Vassili Lambrinos), ambos interpretados por dois atores extremamente populares na Argentina na época. Um noir incomum, ele não tem femme fatales, mas sim um pobre coitado como protagonista – Alfredo – e muita paranoia e mentiras – e até uma fantástica sequência de sonho! É um filme único, que todos os amantes de filmes noir devem assistir. Mais sobre ele e um neo-noir argentino AQUI.

Los Tallos Amargos (1956): This Argentinian noir teaches us that journalism can be deadly – but not like “Ace in the Hole” (1951). In “Los Tallos Amargos” (translated as “The Bitter Stems”), two men start a corrupt scheme by selling courses of journalism by mail. These two men are the disillusioned Alfredo (Carlos Cores) and the Greek expatriate Liudas (Vassili Lambrinos), both played by extremely popular actors of the time in Argentina. An uncommon noir, it has no femme fatales, but a poor devil as a lead – Alfredo – and a lot of paranoia and lies – and even a fantastic dream sequence! It’s a unique film, one that all lovers of film noir should watch. Read more about “Los Tallos Amargos” and also an Argentinian neo-noir HERE.


Friday, May 6, 2022

O Mordomo Trapaceiro (1967) / Fitzwilly (1967)

 

Foi no Letterboxd que eu vi que um dos meus amigos havia assistido a “O Mordomo Trapaceiro” (1967) – naquele momento, eu já adicionei o filme à minha lista para assistir mais tarde, afinal, seus protagonistas são duas estrelas que eu adoro: Dick Van Dyke e Barbara Feldon. Não me lembro de qual amigo viu “O Mordomo Trapaceiro”, mas eu lembro bem de que, poucos dias após adicionar o filme à minha lista, minha amiga Paddy escreveu sobre ele em seu blog Caftan Woman (em inglês). Foi o que faltava para eu me animar a vê-lo logo, afinal, Paddy tinha ótimo gosto e só recomendava bons filmes. Este texto é para Paddy.

It was on Letterboxd that I saw that one of my friends had watched “Fitzwilly” (1967) - in that moment, I added the film to my watchlist, after all, it stars two actors I adore: Dick Van Dyke and Barbara Feldon. I don’t remember which friend had logged “Fitzwilly”, but I do remember well that, a few days after I added the film to my watchlist, my friend Paddy wrote about the movie in her blog Caftan Woman. I was sold, after all, Paddy had great taste and recommended only the best movies. This review is for Paddy.

Claude R. Fitzwilliam, mais conhecido como Fitzwilly (Dick Van Dyke) trabalha como mordomo para a senhorita Victoria Woodworth (Edith Evans), ou Miss Vicki, uma senhora excêntrica que atualmente está escrevendo um dicionário para pessoas que não sabem soletrar – um dicionário com todas as maneiras erradas de se soletrar uma palavra. Para este trabalho ela precisa de uma secretária, e aí entra Juliet Nowell (Barbara Feldon), uma jovem estudante que é contratada por Miss Vicki. Desde o começo, Fitzwilly e Juliet não se dão bem, mas ela é contratada do mesmo jeito.

Claude R. Fitzwilliam, better known as Fitzwilly (Dick Van Dyke) works as a butler for miss Victoria Woodworth (Edith Evans), or Miss Vicki, an eccentric old woman who is currently writing a dictionary for people who can’t spell – a dictionary with all the wrong ways to spell the words. For this endeavor she needs a secretary, and then enters Juliet Nowell (Barbara Feldon), a young student who is hired by Miss Vicki. From the beginning, Fitzwilly and Juliet don’t get along, but she is hired anyway.

O problema com Miss Vicki é que ela costumava ser rica, mas não é mais. Entretanto, para manter o estilo de vida dela e suas constantes doações para a caridade, seus empregados, comandados por Fitzwilly, se envolvem em uma série de esquemas. Isso faz de Fitzwilly um tipo diferente de Robin Hood: ele rouba dos ricos para dar para quem não é mais rica – melhor ainda: só companhias de seguro são lesadas no processo! A chegada de Juliet, no entanto, coloca em perigo todos os esquemas.

The issue with Miss Vicki is that she used to be rich, but she isn’t anymore. But, to maintain her lifestyle and her constant donations to charity, her employees, commanded by Fitzwilly, are involved in a series of schemes. This makes Fitzwilly a different kind of Robin Hood: he steals from the filthy rich to give to someone who isn’t rich anymore – better yet: only insurance firms are harmed in the process! Juliet’s arrival, however, puts all the schemes in jeopardy. 

Com o tempo, Juliet passa a gostar de Fitzwilly e até a admirá-lo. Ela acha que Fitzwilly é inteligente demais para ser um mordomo, uma profissão que não é estimulante o suficiente, na opinião dela, e assim Juliet decide convencer Fitzwilly a encontrar um trabalho mais adequado. Ao mesmo tempo, Fitzwilly não vê outra saída a não ser fazê-la desistir do trabalho como secretária, pois sua interferência com os negócios de Miss Vicki está crescendo demais – por exemplo, ela faz um dos empregados, Albert (John McGiver), se arrepender de fazer parte dos esquemas.

With time, Juliet starts liking Fitzwilly, and this liking grows into admiration. She thinks Fitzwilly is too intelligent to be a butler, a profession that is not exciting enough in her opinion, and she decides to convince Fitzwilly to find a more suitable job. At the same time, Fitzwilly sees no other way out than making her quit her job as a secretary, as her interference with Miss Vicki’s businesses is becoming too big – for instance, she makes one of the employees, Albert (John McGiver), repent for taking part in the schemes.

Assim como eu, você deve conhecer Barbara Feldon como a Agente 99 da série de TV “Agente 86”. Ela já estava interpretando a esperta agente na TV – afinal, “Agente 86” estreou em 1965 – e “O Mordomo Trapaceiro” foi seu primeiro papel no cinema. Não é um papel desafiador, mas Barbara está bonita e é um bom contraponto, mais pé no chão, para o trapaceiro Fitzwilly.

Like me, you might know Barbara Feldon as Agent 99 from the TV series “Get Smart”. She was already playing the clever agent on TV – after all, “Get Smart” premiered in 1965 – and “Fitzwilly” was her first movie role. It’s not a challenging role, but Barbara looks cute and is a good down-to-Earth counterpoint to Van Dyke’s schemer.

Dick Van Dyke está ótimo como o personagem principal, mas ele não foi a primeira escolha para o papel. De acordo com fontes da época, Alec Guinness e Cary Grant foram cotados para o papel protagonista antes de Van Dyke ser escalado. Guinness teria sido uma escolha bem interessante, e Cary Grant também seria fantástico no papel, considerando seu carisma e persona cinematográfica elegante.

Dick Van Dyke is excellent as the title character, but he wasn’t the first choice for the role. According to sources from the time, Alec Guinness and Cary Grant were considered for the main role before Van Dyke was cast. Guinness would have been quite an interesting choice, and Cary Grant would also be great in the role, considering his charisma and debonair screen persona.

O Mordomo Trapaceiro” foi dirigido por Delbert Mann e produzido por Walter Mirisch. Mann foi o diretor de “Marty” (1955), um dos filmes mais ternos a ganhar o Oscar de Melhor Filme e o filme mais curto até hoje a ganhar na categoria principal – e também o primeiro filme de Mann como diretor. Walter Mirisch, com seus irmãos Marvin e Harold, produziu muitos e variados filmes, como “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), “Amor, Sublime Amor” (1961) e “No Calor da Noite” (1967). Embora os anos 60 tenham sido sua era de ouro como produtor, Walter continua trabalhando, aos 100 anos de idade.

Fitzwilly” was directed by Delbert Mann and produced by Walter Mirisch. Mann was the Oscar-winner director of “Marty” (1955), one of the tenderest Best Picture Oscar winners and the shortest film to date to win in the main category – and also Mann’s first film as a director. Walter Mirisch, together with his brothers Marvin and Harold, produced many varied films, such as “Some Like It Hot” (1959), “West Side Story” (1961) and “In the Heat of the Night” (1967). Although the 1960s were his golden years as producer, Walter is still working at age 100.

Eu fiquei surpresa ao descobrir – lendo o texto da Paddy – que a trilha sonora de “O Mordomo Trapaceiro” foi composta por ninguém menos que o grande John Williams, então no comecinho da carreira. Ele é até creditado como “Johnny” Williams! No começo do filme, a música é mais solene, depois se torna mais brincalhona, conforme assistimos aos esquemas de Fitzwilly e torcemos por ele e, finalmente, no golpe final, a música é triunfante. Há também uma canção composta por Williams, “Make Me Rainbows”, com letra de Marilyn e Alan Bergman, que é ouvida brevemente.

I was surprised to learn – through Paddy’s review – that the soundtrack for “Fitzwilly” was composed by none other than the great John Williams, then in the very beginning of his career. He is even credited as “Johnny” Williams! In the very beginning of the film, the music is more solemn, then it becomes more playful as we watch Fitzwilly’s schemes and root for him, and finally, in their final caper, the music becomes triumphant. There is also a song composed by Williams, “Make me Rainbows”, with lyrics by Marilyn and Alan Bergman, that is heard briefly.

O Mordomo Trapaceiro” é um filme da MGM que se parece com um filme da Disney dos anos 60, por causa do tema leve e principalmente por causa da presença de Dick Van Dyke. É um filme bem divertido, embora previsível. Ambientado na época do Natal, o filme é uma boa pedida para assistir no final do ano. É um filme que eu gostei muito de ter visto. Obrigada por mais essa recomendação, Paddy.

Fitzwilly” is a MGM movie that looks like a Disney movie from the 1960s, because of the light, family-friendly theme, and mainly because of Dick Van Dyke’s presence. It’s a quite funny movie, although predictable. Set during Christmastime, the movie is a good choice to watch during the holidays and a film I really enjoyed watching. Thanks for another recommendation, Paddy.

This is my contribution to the Caftan Woman blogathon, hosted by Patricia and Jacqueline at Lady Eve’s Reel Life and Another Old Movie Blog.



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