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Saturday, February 29, 2020

Mendigos da Vida (1928) / Beggars of Life (1928)


Um dia, um mendigo (Richard Arlen) chega a um chalé e vê um café da manhã apetitoso em cima de uma mesa. Ele bate na porta, entra e pede um pouco de comida para o homem sentado à mesa. O homem não responde. Ele pede de novo e de novo, até que percebe que o homem está morto – com uma bala na cabeça. Ele derruba e quebra um pote, e o assassino aparece: uma garota (Louise Brooks) confessa que ela matou o homem, seu padrasto, depois que ele tentou estuprá-la. A sequência em que ela rememora os fatos é brilhante, com imagens superimpostas dos acontecimentos e do rosto expressivo de Louise conforme ela se lembra.

One day, a hobo (Richard Arlen) arrives at a cottage and sees an appetizing breakfast on a table. He knocks on the door, enters and asks the man sitting on the table for some food. The man doesn’t answer. He asks again and again, until he realizes the man is dead – shot in the head. He drops and breaks a pot and the shooter appears: a girl (Louise Brooks) confesses she killed the man, her stepfather, after he tried to rape her. The sequence in which she recounts the facts is brilliant, with superimposed images of the happenings and of her expressive face as she remembers the things.


O mendigo decide ajudar a garota. Agora usando calças e escondendo seu cabelo com uma boina, a garota perde o trem que vai para o Este, mas embarca, com o mendigo, no trem que vai para o Oeste – embarcam como clandestinos, é claro. Eles são logo expulsos do trem, e têm de passar a noite num monte de feno, onde têm um diálogo profundo.

The hobo decides to help the girl. Now dressed in pants and hiding her bobbed hair with a bonnet, the girl misses the train that goes East, but embarks, with the hobo, on the train that goes West – both the girl and the hobo as stowaways, of course. They are quickly thrown out of the train, and have to spend the night under a haystack, where they have a deep conversation.


Na manhã seguinte, a polícia está procurando pela menina, e uma recompensa de mil dólares está sendo oferecida. O mendigo e a garota chegam a uma reunião de mendigos e o mais violento deles, Oklahoma Red (Wallace Beery), reconhece a garota do pôster da recompensa. Oklahoma Red deixa a menina pegar o trem com eles, mas ele quer a garota para si.

The next morning, the police is looking for the girl, and a thousand-dollar reward has been set for her. The hobo and the girl arrive at a reunion of hoboes and the most violent of them, Oklahoma Red (Wallace Beery), recognizes her from the reward poster. Oklahoma Red lets the girl catch the train with them, but he wants the girl for himself.


William A. Wellman é um dos meus diretores subestimados favorites. Trabalhando sem parar desde 1923 atrás das câmeras – ele primeiro foi ator em 1919 após ser descoberto por Douglas Fairbanks – Wellman fez sucesso com filmes mudos e falados, e em gêneros muito distintos. Para citar alguns de seus excelentes filmes: o filme de guerra “Asas” (1927, primeiro ganhador do Oscar de Melhor Filme), o de gângster “Inimigo Público” (1931), o de romance “Nasce uma Estrela” (1937), a screwball comedy "Nada é Sagrado" (1937), o faroeste único “Consciências Mortas” (1942) e o filme de desastre de aviação “Um Fio de Esperança” (1954).

William A. Wellman is one of my favorite underrated directors. Working steadily since 1923 behind the cameras – he first had an acting gig in 1919 after being discovered by Douglas Fairbanks – Wellman excelled in silents and talkies, and in very different genres. To name a few of his great movies: war movie “Wings” (1927, first Best Picture Oscar winner), gangster flick “The Public Enemy” (1931), the romantic “A Star is Born” (1927), screwball comedy “Nothing Sacred” (1937), unique western “The Ox-Bow Incident” (1942) and the plane disaster movie “The High and the Mighty” (1954).


Você sabe o que mais torna William A. Wellman tão interessante? Ele nasceu no dia 29 de fevereiro. Isso é bem raro – a chance de nascer no dia 29 de fevereiro é de 1 em 1416, ou 0,068% - mas não TÃO raro – a chance de ser atingido por um raio é de 1 em 3000. Entretanto, alguns matemáticos contestam esse número, e baixam a chance de nascer em 29 de fevereiro para 0,00066%!

Do you know what else makes William A. Wellman so interesting? He was born on Leap Day, February 29th. This is pretty rare – the odds of being born on Leap Day are 1 in 1,416, or .068 per cent – but not THAT rare – the odds of being struck by lightning are 1 in 3,000. However, some mathematicians challenge this number, and put the odds of being born on Leap Day down to .00066%!


William A. Wellman – o A é de Augustus – voltaria ao tema de pessoas pobres pegando trens clandestinamente em “Idade Perigosa”, de 1933. Desta vez, Wellman contou a história de adolescentes que eram ou órfãos ou vinham de famílias empobrecidas pela Grande Depressão. Estes adolescentes, em sua maioria meninos mas também meninas vestidas de meninos, pegavam carona nos trens para chegar à cidade mais próxima e procurar vagas de emprego que, obviamente, não existiam. “Idade Perigosa” é um drama da Grande Depressão pouco comentado, mas muito eficaz.

William A. Wellman – the “A” stands for Augustus – would come back to the theme of poor people catching freight trains in 1933’s “Wild Boys of the Road”. This time, Wellman told the story of poor teens who were either orphans or came from houses impoverished by the Great Depression. Those teens, mostly boys but also some girls dressed as boys, would catch trains to arrive in the next town and look for jobs that, obviously, weren’t there. “Wild Boys of the Road” is an underrated and gripping Depression drama.


“Mendigos da Vida” é considerado o melhor filme que Louise Brooks fez nos EUA. Não foi, entretanto, uma experiência agradável para ela, que foi ofendida por um dublê – leia a história completa AQUI – e também por Richard Arlen, que disse que ela não sabia atuar. Mais tarde,  Wellman, que foi frio com ela nas gravações de “Mendigos da Vida”, lhe ofereceu um papel em “Inimigo Público”, e ela o recusou. O papel fez de Jean Harlow uma superestrela. Na última vez em que Brooks e Wellman se viram, ele compreendeu a maior verdade sobre ela: ela odiava Hollywood.

“Beggars of Life” is considered to be the best film Louise Brooks made in the US. It wasn’t, however, a pleasant experience for her, who was shamed by a stunt double – read the full story HERE – and was offended by Richard Arlen, who said she couldn’t act. Later, Wellman, who was cold towards her while making “Beggars of Life”, offered her a role in “The Public Enemy”, and she refused it. The role ended up making a superstar of Jean Harlow. The last time Brooks and Wellman met, he understood the biggest truth about her: she hated Hollywood.


Você deve se lembrar de Richard Arlen em “Asas”. Arlen havia feito parte da Aeronáutica do Canadá na Primeira Guerra Mundial, mas nunca chegou a combater. Depois da guerra, ele se tornou mensageiro para um laboratório de filme, levando e trazendo filme em uma motocicleta. Um dia, ele bateu a moto no portão da Paramount. Impressionados com sua beleza, os executivos lhe ofereceram um contrato – e chamaram um médico para cuidar da perna quebrada dele. Quando o cinema falado chegou, Richard trabalhou em filmes B, especialmente de aventura e faroeste, e também na TV. Richard Arlen e William A. Wellman fizeram três filmes juntos.

You might remember Richard Arlen from “Wings”. Arlen had been part of the Canadian Air Corps in WWI, but never saw combat. After the war, he became a motorcycle messenger for a film laboratory. One day, he crashed his motorcycle at the Paramount Studios gate. Impressed with his looks, the executives offered him a contract – and called a doctor for his broken leg, of course. When talkies came, Richard worked in B-movies, mainly adventures and westerns, and also on TV. Richard Arlen and William A. Wellman made three films together.


Vamos falar sobre as falhas de “Mendigos da Vida”. Há uma parte racista com um mendigo negro que é retratado como pouco esperto. O ator que interpreta esse papel, Blue Washington, trabalhava como policial quando não estava atuando, e era amigo de infância de Frank Capra.

Let’s talk about the flaws of “Beggars of Life”. There is a racist bit with a black hobo who is portrayed as not very smart. The actor who plays this part, Blue Washington, worked as a cop when he was not acting, and was a childhood friend of Frank Capra.


Há muitas cartelas de títulos, provavelmente mais do que a média, e isso às vezes prejudica o fluxo do filme, em especial quando todos os mendigos estão debatendo dentro do trem. Oklahoma Red é o mendigo mais verborrágico que eu já vi. “Mendigos da Vida” também foi distribuído com efeitos sonoros e uma sequência que incluía Wallace Beery cantando – Wellman detestou essa adição. Esta sequência hoje está perdida.

There are lots of title cards, probably more than the average, and this sometimes harms the flow of the picture, in special when all beggars are talking inside the train. Oklahoma Red is the most talkative hobo I’ve ever seen. “Beggars of Life” was also released as a film with sound effects and with a sequence that included Wallace Beery singing – Wellman hated this addition. This sequence is now considered lost.


Eu queria ter gostado mais de “Mendigos da Vida”. É um filme com uma bela fotografia – a sequência com os montes de feno poderia ter sido tirada de um filme de Borzage ou de Murnau – e Louise sabia SIM atuar. A redenção de Oklahoma Red foi um pouco forçada, mas o adorável diálogo dentro dos montes de feno, sob as estrelas, mostra quão sensível o bom e velho “Wild Bill” Wellman podia ser.

I wish I had liked “Beggars of Life” more than I did. It was beautifully shot – the haystack sequence could have come from a Borzage or a Murnau movie – and Louise DID know how to act. The redemption ark for Oklahoma Red felt a bit forced, but the lovely dialogue inside the haystack, under the stars, shows how much heart the good old “Wild Bill” Wellman had.


This is my contribution to the Leap Year blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room. See you in four years!



Saturday, February 22, 2020

Assassinato por Morte (1976) / Murder by Death (1976)


Sempre que um crime é cometido em filmes de mistério, nós costumamos suspeitar do mordomo. Em “Assassinato por Morte”, uma deliciosa comédia de mistério, esta ideia é subvertida desde o início, porque o mordomo, Jamesir Bensonmum (Alec Guinness), é cego. E a nova cozinheira, Yetta (Nancy Walker), também não é suspeita, porque ela não pode ouvir ou falar. Ah, e eu disse que se trata de suspeitos de um crime que ainda não foi cometido?

Whenever a crime occurs in a whodunit film, we're taken to suspect the butler. In “Murder by Death”, a delightful whodunit comedy, this idea is subverted since the beginning, because the butler, Jamesir Bensonmum (Alec Guinness), is blind. And the new cook, Yetta (Nancy Walker), is not a suspect either, because she can't hear or speak. Oh, and have I said that we're talking about suspects of a crime that hasn't yet occurred?


O maluco Sr Twain convida os maiores detetives do mundo para um “jantar e assassinato”. Seus convidados são Dick (David Niven), Dora Charleston (Maggie Smith) e seu cãozinho terrier, Sam Diamond (Peter Falk) e sua secretária, Sidney Wang (Peter Sellers) e seu filho adotivo, Milo Perrier (James Coco) e seu motorista, e Jessica Marbles (Elsa Lanchester) e sua enfermeira.

The twisted Mr Twain invites the world's top detectives for “dinner and murder”. His guests are Dick (David Niven), Dora Charleston (Maggie Smith) and their pet terrier, Sam Diamond (Peter Falk) and his secretary, Sidney Wang (Peter Sellers) and his adopted son, Milo Perrier (James Coco) and his chauffeur, and Jessica Marbles (Elsa Lanchester) and her nurse.


Se você gosta de histórias de detetive tanto quanto eu, já deve ter percebido que os personagens têm nomes parecidos com os de detetives famosos: Dick e Dora Charleston são um tributo a Nick e Nora Charles – interpretados por William Powell e Myrna Loy na série de filmes “The Thin Man” -, Sam Diamond é uma homenagem ao Sam Spade de Dashiell Hammett, Sidney Wand faz menção a Charlie Chan, Milo Perrier é uma alusão ao Hercule Poirot de Agatha Christie, e a Sra Marbles também vem da obra de Christie, da Sra Marple. Fãs de cinema clássico ouvirão algumas frases famosas, e também um grito familiar: o toque da campainha é o grito de Fay Wray em “King Kong” (1933).

If you love detective stories as much as I do, you must have realized that the characters are named after famous fictional detectives: Dick and Dora Charleston are a tribute to Nick and Nora Charles – played by William Powell and Myrna Loy in the “Thin Man” movie series -, Sam Diamond refers to Dashiell Hammett's Sam Spade, Sidney Wang is a nod to Charlie Chan, Milo Perrier is an allusion to Agatha Christie's Hercule Poirot, and Mrs Marbles also comes from Christie's work, but from Mrs Marple. Classic film fans will hear a few famous quotes, as well as a familiar scream: the “ring” of the doorbell is Fay Wray’s scream from “King Kong” (1933).


A performance de Peter Sellers como um homem asiático, completada com quimono, pode gerar algum debate. Ele estava fazendo yellow-face? Ou talvez ele estivesse criticando a prática do yellow-face – porque todos os atores que interpretaram Charlie Chan eram brancos, e o mais famoso deles, Warner Oland, era, de todas as nacionalidades possíveis, sueco? O que sabemos é que Sidney Wang é um personagem visto sob uma lente positiva, sendo inteligente e criativo. Uma piada constante é que ele fala inglês errado, algo que enfurece o anfitrião Lionel Twain (ninguém menos que Truman Capote) – mas Wang pode ser entendido com perfeição! No final das contas, a performance de Sellers pode ser um pouco embaraçosa, mas não o suficiente para “cancelar” o filme inteiro.

Peter Sellers's turn as an Asian man complete with kimono may raise some debate. Was he doing yellow-face? Or maybe he was mocking the practice of yellow-face – because all actors that played Charlie Chan were white, and the most famous of them, Warner Oland, was, of all nationalities, Swedish? What we know is that Sidney Wang is a character portrayed on a positive light, as intelligent and resourceful. A running joke is that he speaks broken English, something that infuriates the host Lionel Twain (no other than Truman Capote) – but Wang can be understood perfectly! In the end, Sellers’s performance is a bit cringe-worthy here and there, but not enough to “cancel” the whole film.


E aqui está outra questão: o personagem Bensonmum está zombando de pessoas com deficiência? Eu não acho. O personagem funciona graças ao absurdo que é alguém contratar um cego para ser mordomo – e Wang responde que isso é uma jogada esperta porque o mordomo jamais saberá quanto ele ganha. Muitas das falas mais engraçadas de Bensonmum não têm a ver com sua cegueira, e gags fáceis porém estúpidas são evitadas.

And here’s another question: is the character Bensonmum making fun of people with disabilities? I don’t think so. This character works thanks to the absurdity of someone hiring a blind man as a butler – and Wang answers that this is clever because the butler won’t know how much he gets paid. Many of Bensonmum’s funniest lines have nothing to do with him being blind, and easy but stupid gags are avoided.


Um Peter Falk vesgo faz sua melhor imitação de Humphrey Bogart como Sam Diamond, enquanto sua esperta companheira Tess Skeffington é interpretada por Eileen Brennan. Enquanto isso, o motorista de Milo Perrier, Marcel (James Cromwell), parece mais esperto que seu patrão glutão. Nesse sentido – e também considerando Bensonmum e Yetta – os ajudantes roubam a cena em “Assassinato por Morte”, e são geralmente mais engraçados do que os detetives.

A cross-eyed Peter Falk tries his best Humphrey Bogart impression as Sam Diamond, while his clever girl Tess Skeffington is played by Eileen Brennan. Meanwhile, Milo Perrier's chauffeur Marcel (James Cromwell) seems smarter than his glutton boss. In this sense – and also considering Bensonmum and Yetta – the helpers steal the scene in “Murder by Death”, and are often funnier than the detectives.


Considerando o elenco, “Assassinato por Morte” pode ser colocado entre os filmes all-star que eram mais comuns na Era de Ouro de Hollywood – sendo “Grande Hotel” (1932) e “Jantar às Oito” (1933) os filmes mais famosos desta categoria. Duas outras estrelas deveriam estar no elenco: Myrna Loy foi a primeira opção para Dora Charleston, e Katharine Hepburn faria a personagem Abigail Christian, uma paródia de Agatha Christie. As duas desistiram, por isso Maggie Smith foi escolhida para ser Dora e a personagem Abigail foi eliminada e a Sra Marbles foi criada em seu lugar.

Considering the cast, “Murder by Death” can be put among the all-star films that were more common during the Golden Age of Hollywood – being “Grand Hotel” (1932) and “Dinner at Eight” (1933) the most famous all-star movies. Two more stars were supposed to appear: Myrna Loy was the first choice for Dora Charleston, and Katharine Hepburn was supposed to be a parody of Agatha Christie called Abigail Christian. Both dropped, and thus Maggie Smith was cast as Dora and the character of Abigail was erased and Mrs Marbles was created instead.


Neil Simon escreveu “Assassinato por Morte” diretamente para o cinema, ao contrário de sucessos anteriores, como “Descalços no Parque” (1967) e “Um Estranho Casal” (1968), que foram concebidos como peças e depois adaptados para o cinema. Desde a primeira leitura o elenco amou o roteiro, e o clima durante as gravações era ótimo – mesmo que às vezes um ataque de riso arruinasse uma tomada. Bem, nós compreendemos as risadas incontroláveis.

Neil Simon wrote “Murder by Death” directly for the cinema, unlike his earlier successes, as “Barefoot in the Park” (1967) and “The Odd Couple” (1968), that were conceived as plays and then adapted to movie. Since the first table read the cast loved the screenplay, and  the mood during filming was great – even though sometimes the cast laughed so much that a shot was ruined. Well, we can understand the uncontrollable laughter.


Creditada como “supervisora de edição” temos Margaret Booth, uma editora fantástica que trabalhou em alguns dos maiores clássicos, como “O Grande Motim” (1935), “A Dama das Camélias” (1936), “O Mágico de Oz” (1939) e “Ben-Hur” (1959). Ela começou em Hollywood em 1921, foi também produtora e redatora, e viveu até os 104 anos.

Credited as “supervising film editor” we have Margaret Booth, a legendary editor that has worked in some of the biggest classic films, including “Mutiny on the Bounty” (1935), “Camille” (1936), “The Wizard of Oz” (1939) and “Ben-Hur” (1959). She started in Hollywood in 1921, was also a producer and writer, and lived to be 104.


“Assassinato por Morte” certamente influenciou “Os Sete Suspeitos” (1985), um filme de mistério baseado em um jogo. Eileen Brennan está em ambos os filmes. O final de “Assassinato por Morte” me lembrou de “Charada” (1963), mas com mais reviravoltas. Depois destes filmes, o cinema se cansou de mistérios, e agora eles são bem mais raros (embora os recentes “Assassinato no Expresso do Oriente” (2017) e “Entre Facas e Segredos” (2019) possam assinalar uma voltas do gênero) – o que é uma pena porque, além de serem divertidos, estes filmes sempre podem terminar com a revelação de que o mordomo é o culpado.

“Murder by Death” certainly influenced “Clue” (1985), a film based on a game that is also a whodunit. Eileen Brennan stars in both. The ending of “Murder by Death” reminded me of “Charade” (1963), but with more plot twists. After those films, cinema got a bit tired of whodunits, and now they’re much rarer (although the recent “Murder on the Orient Express” (2017) and “Knives Out” (2019) may signal a genre comeback)  – which is a shame because, besides being entertaining, these films can always end with the reveal that the butler did it.

This is my contribution to the Butlers and Maids blogathon, hosted by Patricia and Rich at Caftan Woman and Wide Screen World.


Thursday, February 20, 2020

Fantasias de 1980 (1930) / Just Imagine (1930)


Imagine como o mundo vai ser daqui a 50 anos. Veículos voadores são obrigatórios em todas as previsões futurísticas, mas queremos mais: como as pessoas vão se vestir? Que tipo de música estará na moda? As pessoas serão conhecidas pelo nome ou por um número? Como será o namoro? Nós visitaremos outros planetas? Todas estas questões são respondidas em “Fantasias de 1980” – mas quase nenhuma projeção deste estranho filme se concretizou.

Just imagine how the world will be 50 years from now. Flying vehicles are a must in all futuristic predictions, but we want more: how will people dress? Which kind of music will be in vogue? Will people be called by names or numbers? How will dating be like? Will we visit other planets? All these questions are answered in “Just Imagine” – but almost nothing predicted by this strange film became true.


Nós não sabemos o porquê, mas o filme previu que em 1980 o governo diria às pessoas com quem elas deveriam se casar. Ah, e as pessoas teriam letras e números para identificá-las ao invés de nomes. E é assim que somos apresentados a LN-18 (Maureen O’Sullivan) e J-21 (John Garrick), dois apaixonados que, de acordo com o governo, não foram feitos um para o outro. Ele gosta dela porque ela é uma “garota à moda antiga”, como aquelas de 1930 – como a avó de J-21, ele diz! Ele até canta uma canção sobre garotas à moda antiga...

We don't know why, but the film predicted that in 1980 the government would tell people who they must marry. And, oh, people would have letters and numbers to identify them, not names. So this is how we're introduced to LN-18 (Maureen O'Sullivan) and J-21 (John Garrick), two lovebirds who, according to the government, weren't made for each other. He likes her because she's an “old-fashioned girl”, like the ones from the 1930s – like J-21's grandmother, he says! He even sings about the old-fashioned gals...


Depois da música, J-21 ainda está triste porque não pode se casar com LN-18, mas seu colega de quarto o convida para ver um cientista tentar um feito extraordinário: trazer um homem de volta à vida! Em um laboratório cheio de luzes e equipamentos, o experimento é um sucesso, e um homem (El Brendel) que foi atingido por um raio e morto durante uma partida de golfe em 1930 é ressuscitado. O cientista liberta sua cobaia, e o pobre homem é recebido por J-21 e seu amigo RT-42 (Frank Albertson), que apresentam o novo mundo a ele, e ele escolhe o “nome” Single-O.

After the song, J-21 is still sad because he can't marry LN-18, but his roommate invites him to see a fellow scientist try something astounding: to bring a dead man back to life! In a laboratory full of lights and paraphernalia, the experiment is successful, and a man (El Brendel) who was struck by lightning and killed during a game of golf in 1930 is resurrected. The scientist sets his experiment free, and the poor man is greeted by J-21 and his friend RT-42 (Frank Albertson), who present the new world to him, and he chooses the “name” Single-O.


A comida e a bebida foram substituídas por pílulas saborizadas. Bebês são feitos e entregues por máquinas após o casal depositar uma moeda e escolher o gênero da criança. Por causa destas mudanças, Single-O diz sem parar “Dê-me os velhos tempos de volta”, e seus amigos modernos acham graça do saudosismo dele.

Food and drinks were replaced by flavored pills. Babies are made and delivered by machines after the couple puts a coin and selects the gender of the kid. Because of these changes, Single-O keeps repeating “Give me the good old days”, which amuses his modern-day pals.


A amiga de LN-18, D-6 (a adorável Marjorie White), decide ajudá-la e organiza um encontro com J-21. Quando este encontro é interrompido pelo noivo que o governo escolheu para LN-18, J-21 fica com o coração partido. Entretanto, um estranho o chama e o leva até um cientista que oferece a ele... uma viagem para Marte! J-21 aceita a missão, porque assim ele mostrará seu valor e o tribunal terá de deixá-lo se casar com LN-18.

LN-18’s friend D-6 (the lovely Marjorie White) helps her and stages a meeting with J-21. When this meeting is interrupted by LN-18’s government-assigned fiancé, J-21 is left heartbroken. However, a stranger approaches him and takes him to a scientist who offers him… a trip to Mars! J-21 accepts the mission, because this will show how distinguished he is, and the tribunal will have to let him marry LN-18.


J-21, RT-42 e Single-O – como clandestine – vão a Marte num foguete. Depois de um mês – um intervalo de tempo ridículo, eu sei – eles chegam a Marte, e aqui algumas cópias do filme passam a ser em tons de sépia. Nossos heróis sépia – com trajes especiais vagabundos e nenhum capacete – encontram marcianos em tons de sépia com roupas minúsculas e linguagem difícil – eles só se comunicam através de gestos e gritos – e todos têm um gêmeo do mal! Isso é muito diferente de, digamos, como os marcianos foram retratados em “Himmelskibet” (1918), onde eram vegetarianos e pacifistas.

J-21, RT-42 and Single-O – as a stowaway – go to Mars on a rocket. After one month – a ridiculous amount of time, I know – they get to Mars, and here some copies of the film become sepia-toned. Our sepia heroes – with lousy special suits and no helmet at all – meet sepia-toned Martians with minimum clothing and poor language skills – they only communicate through gestures and screams – and everybody has an evil twin! This is very different from, let’s say, the Martians in “Himmelskibet” (1918), who were vegetarians and pacifists.


Como esse filme tão ruim chega a ser bom? Primeiro, é um musical sem músicas interessantes. Claro, John Garrick é um bom cantor, mas nos anos 30 havia muitos como ele em Hollywood. Segundo, é uma comédia, e com El Brendel como alívio cômico. Brendel é pouquíssimo lembrado atualmente, e algumas de suas piadas são tão bobas que são engraçadas. “Fantasias de 1980” é o filme mais conhecido de Brendel, mas ele também pode ser visto em um pequeno papel cômico em “Asas” (1927).

What makes this movie so bad it’s actually good? First, it’s a musical without any memorable tunes. Sure, John Garrick is a fine singer, but back at the 1930s there were many like him in Hollywood. Second, it’s a comedy, and with El Brendel as comic relief. Brendel is hardly remembered nowadays, and some of his jokes and gags are so silly that they become entertaining. “Just Imagine” is Brendel’s best known film, but he can also be seen in a small comic relief role in “Wings” (1927).


Mesmo sendo um filme bobinho, “Fantasias de 1980” tem um estilo impressionante. Ele foi indicado ao Oscar de Direção de Arte, e a metrópole de 1980 realmente se parece com, bem, a cidade de “Metrópolis” (1927). Além disso, o filme tem a honra de ser o primeiro filme de ficção científica sonoro – e também o primeiro musical de ficção científica! – feito em Hollywood. E ele também foi o último filme de ficção científica de grande orçamento feito por um grande estúdio – no caso a Fox – até os anos 50. Todas as outras tentativas de se fazer ficção científica nas décadas de 30 e 40 foram de estúdios pequenos, e algumas sequências, tomadas e cenários de “Fantasias de 1980” foram reciclados por estes estúdios em suas produções.

Even though it’s a silly movie, “Just Imagine” has an impressive look. It was nominated for an Art Direction Oscar, and the 1980 metropolis really looks like, well, the city from “Metropolis” (1927). Besides that, the film has the honor of being the first science fiction talkie – and also the first science fiction musical! – made in Hollywood. And it was also the last big-budget sci-fi made by a big studio – Fox here – until the 1950s. All other attempts of doing sci-fi in the 30s and 40s were by poverty row studios, and some sequences, shots and sets from “Just Imagine” were recycled by those studios in their productions.


Como é dito no começo do filme, muitas coisas podem mudar em 50 anos. Os cineastas certamente não contaram com mais uma guerra mundial, nem mesmo com mudanças na música e na moda. Mesmo assim, algumas previsões se mostraram corretas. Há telas que mostram o lado de fora para quem está dentro de um apartamento, como as câmeras de monitoramento que temos agora. Um vestido formal se transforma em camisola, em um momento muito pre-Code. Em 1930, o filme foi uma curiosa previsão do futuro, mas hoje, em 2020, é um também curioso vislumbre do passado.

Like it's said in the beginning of the film, a lot of things can change in 50 years. The filmmakers certainly didn't count on another world war, not even with the changes on music and fashion. Nevertheless, they predicted some things right. There are screens that show the outdoors to people indoors, like the monitoring cameras we have now. A dinner dress transforms itself into a nightgown, in a moment that screams pre-Code! In 1930, the film was a curious prediction of the future, but now, in 2020, it’s an equally curious glimpse of the past.

This is my contribution to the Second So Bad It’s Good blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room.

"Just Imagine" can be found on YouTube.


Sunday, February 9, 2020

Os laços de família de Mia Farrow


Mia Farrow's family ties


Você já ouviu falar dos seis graus de separação? Essa teoria diz que qualquer pessoa está conectada com qualquer outra pessoa na Terra através de seis ligações. O mesmo jogo de seis graus pode ser jogado no mundo do cinema – sempre há alguém que trabalhou com outro alguém, ou que foi casado com alguém, ou... acho que você entendeu. E se Mia Farrow entra no jogo, ligar os pontos fica ainda mais fácil – afinal, ela se relacionou com muitas figuras de Hollywood.

Have you heard of six degrees of separation? This theory says that anyone is connected with any other person on Earth through six connections. The same game of six degrees can be played in the film world – there's always someone who worked with someone else, or who was married to someone or... I think you get the idea. And if Mia Farrow enters the game, connecting the dots gets even easier – after all, she had relationships with many Hollywood big figures.


Muitas pessoas se lembram dos relacionamentos de Mia com três nomes importantes das artes – Frank Sinatra, André Previn e Woody Allen – mas ignoram que ela era parte da realeza de Hollywood desde que nasceu. A filha de uma estrela de cinema e de um diretor, ela esteve sempre destinada aos holofotes. Vamos analisar seus laços de família:

Many people remember Mia's relationships with three important names in the arts – Frank Sinatra, André Previn and Woody Allen – but ignore that she was Hollywood royalty from birth. The daughter of a movie star and a director, she was always meant for the limelight. Let's see her family ties:

Mãe: Maureen O'Sullivan (1911-1998)

Nascida na Irlanda, a mãe de Mia é mais conhecida hoje por ter interpretado Jane em uma série de filmes de Tarzan protagonizados por Johnny Weissmuller nos anos 1930 e 40. Ex-colega de escola de Vivien Leigh, Maureen começou no cinema como mocinha, e a partir de meados dos anos 40 apareceu em muitos dos filmes de seu marido, até a morte dele, quando ela prosseguiu atuando no cinema e no teatro. Ela sofreu um duro golpe quando seu filho mais velho faleceu em 1958, e encontrou na atuação a força para prosseguir.


Mother: Maureen O'Sullivan (1911-1998)

Born in Ireland, Mia's mother is best known today for playing Jane in a series of Tarzan movies starring Johnny Weissmuller in the 1930s and 1940s. A former school classmate of Vivien Leigh, Maureen was first cast as an ingenué, and from the mid-1940s onwards appeared mainly in her husband's films up until his death, when she continued her career in film and theater. She suffered a hard blow when her oldest son died in 1958, and found in acting the strength to carry on.
Maureen and Mia, 1963


Pai: John Farrow (1904-1963)

John Villiers Farrow foi um diretor de cinema mais conhecido por filmes noir como “Trágico Destino” (1950) e “O Relógio Verde” (1948), um filme estrelado por Maureen. Ele também ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956).
Nascido na Austrália, ele chegou em Hollywood como roteirista, e deveria trabalhar em um filme do Tarzan em 1936, mas o contrato não se materializou e ele se tornou diretor. Ele se alistou na Marinha canadense na Segunda Guerra, mas teve tifo em 1942 e foi dispensado. Depois de curado, ele trabalhou para a Paramount, RKO e como diretor freelancer.
John e Maureen se casaram em 1936 e tiveram sete filhos. Maria de Lourdes Villiers Farrow, ou Mia Farrow, é a mais velha do gênero feminino.

Father: John Farrow (1904-1963)

John Villiers Farrow was a film director best known for noirs like “Where Danger Lives” (1950) and “The Big Clock” (1948), a film starring O'Sullivan. He also won an Oscar for Best Adapted Screenplay for “Around the World in Eighty Days” (1956). Born in Australia, he entered Hollywood as a screenwriter, and was supposed to work in a Tarzan picture in 1936, but the deal didn't happen and he started directing. He enlisted the Canadian Navy during WWII, but had typhus in 1942 and had to leave the Navy. Once healthy again, he worked for Paramount, RKO and as a freelance director.
Farrow and O'Sullivan married in 1936 and had seven children. Maria de Lourdes Villiers Farrow, or Mia Farrow, is the oldest surviving child.


Irmã: Prudence Farrow (nascida em 1948)

Você pode não conhecer esta irmã de Mia, mas já deve ter ouvido uma música sobre ela: “Dear Prudence”, dos Beatles. Ela conheceu a banda enquanto estudava Meditação Transcendental na Índia e eles se tornaram amigos, embora ela preferisse se isolar e meditar em vez de socializar com eles. Ela também trabalhou no departamento de arte de “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985).


Sister: Prudence Farrow (born 1948)

You may not know Mia's sister Prudence, but you have heard a song about her: “Dear Prudence”, by The Beatles. She met the band while in India studying Transcendental Meditation and they became friends, although she preferred to isolate and meditate instead of socializing with them. She also worked in the art department of “The Purple Rose of Cairo” (1985).

Esposo: Frank Sinatra (casados 1966-1968)

Quando Mia nasceu, em 1945, a Sinatramania estava no auge. Frank Sinatra se tornou uma superestrela no começo dos anos 40, sendo um cantor fantástico e um jovem bonito. Nos anos seguintes ele também mostrou seu talento como ator, inclusive ganhando um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “A Um Passo da Eternidade” (1953).
Mia e Frank se conheceram em 1964 na cafeteria dos estúdios da Twentieth Century Fox, onde ele gravava um filme e ela, uma série de TV. Eles se casaram em 1966 em uma cerimônia privada e foram, desde o começo, alvo de muitas críticas da imprensa, de comediantes e atores e também das fãs de Sinatra. Diz-se que Sinatra queria que Mia abandonasse sua carreira no cinema, o que ela recusou, e eles acabaram concordando que ela poderia fazer um filme por ano. Em 1968, quando ela estava gravando “O Bebê de Rosemary”, Sinatra pediu o divórcio. Mia esteve a ponto de abandonar o filme, mas preferiu a atuação ao casamento. Mesmo que eles parecessem um casal estranho, Mia mais tarde confessou que Sinatra foi o amor da vida dela.


Husband: Frank Sinatra (married 1966-1968)

When Mia was born, in 1945, Sinatramania was in full swing. Frank Sinatra became a superstar in the early 1940s, as both a fantastic crooner and a handsome young fellow. In the following years he also showed his talent in acting, and even won a Best Supporting Actor Oscar for “From Here to Eternity” (1953).
Mia and Frank met in 1964 at the cafeteria of Twentieth Century Fox studios, where he was making a film and she was acting in a TV series. They married in 1966 in a private ceremony and were from the start the target of much criticism from the press, fellow comedians and actors and also from Sinatra’s fans. It’s said that Sinatra wanted Mia to abandon her film career, which she refused, and they ended up agreeing that she could make one film per year. In 1968, when she was shooting “Rosemary’s Baby”, Sinatra filled for divorce. Mia was tempted to abandon the project, but chose acting over marriage. Even though they seemed a mismatched pair, Mia later confessed that Sinatra was the love of her life.


Esposo: André Previn (casados 1970-1979)

O músico André Previn conheceu Mia, que era 16 anos mais nova que ele, quando ainda estava casado com sua segunda esposa. André se separou da esposa quando Mia descobriu que estava grávida de gêmeos. Eles se casaram em 1970, tiveram três filhos e adotaram mais três. Previn, que era alemão, ganhou 11 Grammys e quatro Oscars por “Gigi” (1958), “Porgy & Bess” (1959), “Irma La Douce” (1963) e “Minha Bela Dama” (1964) – e ele foi indicado a outros nove Oscars. André foi também o primeiro músico a gravar um álbum de jazz que vendeu mais de um milhão de cópias.


Husband: André Previn (married 1970-1979)

Musician André Previn met Mia, who was 16 years his junior, when he was still married to his second wife. André divorced his wife when Mia found out she was pregnant with twins. They married in 1970, had three children and adopted three more. German-born Previn won 11 Grammys and four Oscars for “Gigi” (1958), “Porgy and Bess” (1959), “Irma La Douce” (1963) and “My Fair Lady” (1964) – and he was nominated for nine more Oscars. André was also the first musician to have a jazz album that sold over one million copies.


Companheiro: Woody Allen (juntos 1979-1992)

Não sou fã de Woody Allen e há muita polêmica sobre ele. Mesmo assim, ele fez seus melhores filmes tendo Mia como protagonista. Muito mais do que uma musa, ela foi a força que fez com que filmes como “A Rosa Púrpura do Cairo” e “Hannah e suas Irmãs” (1986) funcionassem. Juntos, Allen e Mia fizeram 12 filmes.


Partner: Woody Allen (together 1979-1992)

I’m not particularly fond of Woody Allen and there is a lot of polemic surrounding him. Nevertheless, he made his best movies with Mia as his lead. Much more than a muse, she was the force that made films like “The Purple Rose of Cairo” and “Hannah and her Sisters” (1986) work. Together, Allen and Mia made 12 films.


Filho: Ronan Farrow (nascido em 1987)

Poucos jornalistas tiveram o mesmo impacto em Hollywood que Ronan Farrow. Uma das vozes denunciando Harvey Weinstein como predador sexual, a série de artigos de Ronan gerou um livro, um podcast e deram a ele e ao seu time um prêmio Pulitzer. No mundo do cinema, ele dublou dois personagens coadjuvantes nos filmes do estúdio Ghibli “Da Colina Kokuriko” (2011) e “Vidas ao Vento” (2013).
Tendo sido batizado com o sobrenome O'Sullivan de sua avó, Ronan se formou na universidade Bard College aos 15 anos, foi porta-voz da UNICEF, foi conselheiro de Obama e Hillary Clinton – e parece que este é só o começo de sua impressionante carreira.


Son: Ronan Farrow (born 1987)

Very few journalists had the same impact in Hollywood as Ronan Farrow. One of the voices denouncing Harvey Weinstein as a sexual predator, Ronan's series of articles generated a book, a podcast and gave him and his team a Pulitzer prize. In the film world, he voiced two minor characters in Studio Ghibli movies “From Up on Poppy Hill” (2011) and “The Wind Rises” (2013).
Carrying his grandmother's O'Sullivan last name, Ronan graduated Bard College at only 15, was a spokesperson for UNICEF, advised both Obama and Hillary Clinton – and looks like this is just the beginning of his impressive career.


E agora chegamos à própria Mia. Sobrevivente de poliomielite – ela tinha nove anos quando contraiu a doença – mãe de 14 filhos – quatro biológicos e dez adotivos – atriz, filantropa, embaixatriz da UNICEF. Mia foi indicada a sete Globos de Ouro e elogiada por seu trabalho com a caridade. Tendo perdido três de seus filhos adotivos, mostrou força para se reerguer e continuar fazendo o bem, sendo esta mulher notável que nem sempre tem a total admiração que merece.


And now we get to Mia herself. A polio survivor – she was nine when she got the disease – a mother of 14 – four biological, ten adoptive children – actress, philanthropist, UNICEF ambassador. Mia was nominated for seven Golden Globes and was praised by her charity work. Having lost three of her adoptive children, she showed strength to carry on and keep on doing good, being this notable woman who not always has the admiration she deserves.

This is my contribution to the Magnificent Mia Farrow blogathon, hosted by Gabriela at Pale Writer.

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