} Crítica Retrô: Woody Allen

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Sunday, February 9, 2020

Os laços de família de Mia Farrow


Mia Farrow's family ties


Você já ouviu falar dos seis graus de separação? Essa teoria diz que qualquer pessoa está conectada com qualquer outra pessoa na Terra através de seis ligações. O mesmo jogo de seis graus pode ser jogado no mundo do cinema – sempre há alguém que trabalhou com outro alguém, ou que foi casado com alguém, ou... acho que você entendeu. E se Mia Farrow entra no jogo, ligar os pontos fica ainda mais fácil – afinal, ela se relacionou com muitas figuras de Hollywood.

Have you heard of six degrees of separation? This theory says that anyone is connected with any other person on Earth through six connections. The same game of six degrees can be played in the film world – there's always someone who worked with someone else, or who was married to someone or... I think you get the idea. And if Mia Farrow enters the game, connecting the dots gets even easier – after all, she had relationships with many Hollywood big figures.


Muitas pessoas se lembram dos relacionamentos de Mia com três nomes importantes das artes – Frank Sinatra, André Previn e Woody Allen – mas ignoram que ela era parte da realeza de Hollywood desde que nasceu. A filha de uma estrela de cinema e de um diretor, ela esteve sempre destinada aos holofotes. Vamos analisar seus laços de família:

Many people remember Mia's relationships with three important names in the arts – Frank Sinatra, André Previn and Woody Allen – but ignore that she was Hollywood royalty from birth. The daughter of a movie star and a director, she was always meant for the limelight. Let's see her family ties:

Mãe: Maureen O'Sullivan (1911-1998)

Nascida na Irlanda, a mãe de Mia é mais conhecida hoje por ter interpretado Jane em uma série de filmes de Tarzan protagonizados por Johnny Weissmuller nos anos 1930 e 40. Ex-colega de escola de Vivien Leigh, Maureen começou no cinema como mocinha, e a partir de meados dos anos 40 apareceu em muitos dos filmes de seu marido, até a morte dele, quando ela prosseguiu atuando no cinema e no teatro. Ela sofreu um duro golpe quando seu filho mais velho faleceu em 1958, e encontrou na atuação a força para prosseguir.


Mother: Maureen O'Sullivan (1911-1998)

Born in Ireland, Mia's mother is best known today for playing Jane in a series of Tarzan movies starring Johnny Weissmuller in the 1930s and 1940s. A former school classmate of Vivien Leigh, Maureen was first cast as an ingenué, and from the mid-1940s onwards appeared mainly in her husband's films up until his death, when she continued her career in film and theater. She suffered a hard blow when her oldest son died in 1958, and found in acting the strength to carry on.
Maureen and Mia, 1963


Pai: John Farrow (1904-1963)

John Villiers Farrow foi um diretor de cinema mais conhecido por filmes noir como “Trágico Destino” (1950) e “O Relógio Verde” (1948), um filme estrelado por Maureen. Ele também ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956).
Nascido na Austrália, ele chegou em Hollywood como roteirista, e deveria trabalhar em um filme do Tarzan em 1936, mas o contrato não se materializou e ele se tornou diretor. Ele se alistou na Marinha canadense na Segunda Guerra, mas teve tifo em 1942 e foi dispensado. Depois de curado, ele trabalhou para a Paramount, RKO e como diretor freelancer.
John e Maureen se casaram em 1936 e tiveram sete filhos. Maria de Lourdes Villiers Farrow, ou Mia Farrow, é a mais velha do gênero feminino.

Father: John Farrow (1904-1963)

John Villiers Farrow was a film director best known for noirs like “Where Danger Lives” (1950) and “The Big Clock” (1948), a film starring O'Sullivan. He also won an Oscar for Best Adapted Screenplay for “Around the World in Eighty Days” (1956). Born in Australia, he entered Hollywood as a screenwriter, and was supposed to work in a Tarzan picture in 1936, but the deal didn't happen and he started directing. He enlisted the Canadian Navy during WWII, but had typhus in 1942 and had to leave the Navy. Once healthy again, he worked for Paramount, RKO and as a freelance director.
Farrow and O'Sullivan married in 1936 and had seven children. Maria de Lourdes Villiers Farrow, or Mia Farrow, is the oldest surviving child.


Irmã: Prudence Farrow (nascida em 1948)

Você pode não conhecer esta irmã de Mia, mas já deve ter ouvido uma música sobre ela: “Dear Prudence”, dos Beatles. Ela conheceu a banda enquanto estudava Meditação Transcendental na Índia e eles se tornaram amigos, embora ela preferisse se isolar e meditar em vez de socializar com eles. Ela também trabalhou no departamento de arte de “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985).


Sister: Prudence Farrow (born 1948)

You may not know Mia's sister Prudence, but you have heard a song about her: “Dear Prudence”, by The Beatles. She met the band while in India studying Transcendental Meditation and they became friends, although she preferred to isolate and meditate instead of socializing with them. She also worked in the art department of “The Purple Rose of Cairo” (1985).

Esposo: Frank Sinatra (casados 1966-1968)

Quando Mia nasceu, em 1945, a Sinatramania estava no auge. Frank Sinatra se tornou uma superestrela no começo dos anos 40, sendo um cantor fantástico e um jovem bonito. Nos anos seguintes ele também mostrou seu talento como ator, inclusive ganhando um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “A Um Passo da Eternidade” (1953).
Mia e Frank se conheceram em 1964 na cafeteria dos estúdios da Twentieth Century Fox, onde ele gravava um filme e ela, uma série de TV. Eles se casaram em 1966 em uma cerimônia privada e foram, desde o começo, alvo de muitas críticas da imprensa, de comediantes e atores e também das fãs de Sinatra. Diz-se que Sinatra queria que Mia abandonasse sua carreira no cinema, o que ela recusou, e eles acabaram concordando que ela poderia fazer um filme por ano. Em 1968, quando ela estava gravando “O Bebê de Rosemary”, Sinatra pediu o divórcio. Mia esteve a ponto de abandonar o filme, mas preferiu a atuação ao casamento. Mesmo que eles parecessem um casal estranho, Mia mais tarde confessou que Sinatra foi o amor da vida dela.


Husband: Frank Sinatra (married 1966-1968)

When Mia was born, in 1945, Sinatramania was in full swing. Frank Sinatra became a superstar in the early 1940s, as both a fantastic crooner and a handsome young fellow. In the following years he also showed his talent in acting, and even won a Best Supporting Actor Oscar for “From Here to Eternity” (1953).
Mia and Frank met in 1964 at the cafeteria of Twentieth Century Fox studios, where he was making a film and she was acting in a TV series. They married in 1966 in a private ceremony and were from the start the target of much criticism from the press, fellow comedians and actors and also from Sinatra’s fans. It’s said that Sinatra wanted Mia to abandon her film career, which she refused, and they ended up agreeing that she could make one film per year. In 1968, when she was shooting “Rosemary’s Baby”, Sinatra filled for divorce. Mia was tempted to abandon the project, but chose acting over marriage. Even though they seemed a mismatched pair, Mia later confessed that Sinatra was the love of her life.


Esposo: André Previn (casados 1970-1979)

O músico André Previn conheceu Mia, que era 16 anos mais nova que ele, quando ainda estava casado com sua segunda esposa. André se separou da esposa quando Mia descobriu que estava grávida de gêmeos. Eles se casaram em 1970, tiveram três filhos e adotaram mais três. Previn, que era alemão, ganhou 11 Grammys e quatro Oscars por “Gigi” (1958), “Porgy & Bess” (1959), “Irma La Douce” (1963) e “Minha Bela Dama” (1964) – e ele foi indicado a outros nove Oscars. André foi também o primeiro músico a gravar um álbum de jazz que vendeu mais de um milhão de cópias.


Husband: André Previn (married 1970-1979)

Musician André Previn met Mia, who was 16 years his junior, when he was still married to his second wife. André divorced his wife when Mia found out she was pregnant with twins. They married in 1970, had three children and adopted three more. German-born Previn won 11 Grammys and four Oscars for “Gigi” (1958), “Porgy and Bess” (1959), “Irma La Douce” (1963) and “My Fair Lady” (1964) – and he was nominated for nine more Oscars. André was also the first musician to have a jazz album that sold over one million copies.


Companheiro: Woody Allen (juntos 1979-1992)

Não sou fã de Woody Allen e há muita polêmica sobre ele. Mesmo assim, ele fez seus melhores filmes tendo Mia como protagonista. Muito mais do que uma musa, ela foi a força que fez com que filmes como “A Rosa Púrpura do Cairo” e “Hannah e suas Irmãs” (1986) funcionassem. Juntos, Allen e Mia fizeram 12 filmes.


Partner: Woody Allen (together 1979-1992)

I’m not particularly fond of Woody Allen and there is a lot of polemic surrounding him. Nevertheless, he made his best movies with Mia as his lead. Much more than a muse, she was the force that made films like “The Purple Rose of Cairo” and “Hannah and her Sisters” (1986) work. Together, Allen and Mia made 12 films.


Filho: Ronan Farrow (nascido em 1987)

Poucos jornalistas tiveram o mesmo impacto em Hollywood que Ronan Farrow. Uma das vozes denunciando Harvey Weinstein como predador sexual, a série de artigos de Ronan gerou um livro, um podcast e deram a ele e ao seu time um prêmio Pulitzer. No mundo do cinema, ele dublou dois personagens coadjuvantes nos filmes do estúdio Ghibli “Da Colina Kokuriko” (2011) e “Vidas ao Vento” (2013).
Tendo sido batizado com o sobrenome O'Sullivan de sua avó, Ronan se formou na universidade Bard College aos 15 anos, foi porta-voz da UNICEF, foi conselheiro de Obama e Hillary Clinton – e parece que este é só o começo de sua impressionante carreira.


Son: Ronan Farrow (born 1987)

Very few journalists had the same impact in Hollywood as Ronan Farrow. One of the voices denouncing Harvey Weinstein as a sexual predator, Ronan's series of articles generated a book, a podcast and gave him and his team a Pulitzer prize. In the film world, he voiced two minor characters in Studio Ghibli movies “From Up on Poppy Hill” (2011) and “The Wind Rises” (2013).
Carrying his grandmother's O'Sullivan last name, Ronan graduated Bard College at only 15, was a spokesperson for UNICEF, advised both Obama and Hillary Clinton – and looks like this is just the beginning of his impressive career.


E agora chegamos à própria Mia. Sobrevivente de poliomielite – ela tinha nove anos quando contraiu a doença – mãe de 14 filhos – quatro biológicos e dez adotivos – atriz, filantropa, embaixatriz da UNICEF. Mia foi indicada a sete Globos de Ouro e elogiada por seu trabalho com a caridade. Tendo perdido três de seus filhos adotivos, mostrou força para se reerguer e continuar fazendo o bem, sendo esta mulher notável que nem sempre tem a total admiração que merece.


And now we get to Mia herself. A polio survivor – she was nine when she got the disease – a mother of 14 – four biological, ten adoptive children – actress, philanthropist, UNICEF ambassador. Mia was nominated for seven Golden Globes and was praised by her charity work. Having lost three of her adoptive children, she showed strength to carry on and keep on doing good, being this notable woman who not always has the admiration she deserves.

This is my contribution to the Magnificent Mia Farrow blogathon, hosted by Gabriela at Pale Writer.

Thursday, May 30, 2013

What’s my Line?

A fórmula é muito simples: adivinhar o que a pessoa faz podendo fazer apenas perguntas a serem respondidas com “sim” ou “não”. Essa brincadeira simples e até infantil de adivinhação deu origem a um dos mais duradouros a amados programas de televisão: o original “What’s my Line?” ficou no ar por 17 anos, entre 1950 e 1967, não sem passar por algumas situações curiosas e trágicas.
A televisão ainda era um meio de comunicação jovem e raro quando surgiu o programa de meia hora nas noites de domingo. Quatro pessoas sentadas em um painel deveriam adivinhar a profissão do convidado. Quando vinha o convidado misterioso, alguém facilmente reconhecível, os competidores usavam máscaras e o travesso convidado disfarçava a voz. Quanto mais diferente a profissão ou quanto mais o convidado enganasse os competidores, melhor para o público. Eu, pessoalmente, adoro quando os competidores não acertam!


Vários esportistas, em especial do mundo do beisebol, foram direto do campo, onde haviam jogado minutos antes, para o estúdio, aparecendo ao vivo no programa. Com certeza os mais divertidos são os artistas convidados, e eu recomendo que vocês vejam os clipas das participações de Yul Brynner e Rosalind Russell.
Uma das principais competidoras no painel era a jornalista Dorothy Kilgallen, que foi morta em 1965. Horas antes, ela havia aparecido ao vivo no episódio em que Tony Randall participa do painel. Tendo várias informações sobre o caso entre Marilyn e John Kennedy, e também havendo a possibilidade de ela saber algo sobre a morte do presidente, a morte de Dorothy foi considerada uma queima de arquivo. Mesmo assim, havia rumores de que ela sofrera uma overdose, pois não eram poucos os boatos de que Dorothy tinha problemas com drogas e bebida, e algumas pessoas garantem que ela aparece um pouco bêbada em alguns episódios. Em todo caso, Dorothy não era a competidora mais querida, uma vez que era muito competitiva e preferia acertar logo a satisfazer o público.
Arlene Francis talvez seja a competidora mais querida e, muitas vezes, a mais divertida. Ela ficou do segundo ao último programa, e só o apresentador John Daly apareceu em mais episódios do que ela.

Ao assistir a esse adorável programa de TV, temos a mesma sensação de ver filmes antigos, e podemos até falar o mesmo: os programas não são mais como antigamente!  

Monday, February 27, 2012

Oscar 2012

A grande festa da Academia, em sua edição número 84, continua a atrair milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja pelos ganhadores, por torcer por alguém ou algum filme em particular ou mesmo para conferir os elegantes trajes do tapete vermelho, há sempre um público cativo para o Oscar.
Alguns ganhadores eram quase certeza, devido aos prêmios que vieram antes na temporada de premiação, como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante para Christopher Plummer e Octavia Spencer. Plummer, aliás, estabeleceu um novo recorde como o mais velho ganhador, aos 82 anos. Alguns prêmio técnicos também não eram novidade, como Melhor Figurino e Trilha Sonora para “O Artista”.
Os prêmios principais, últimos a serem apresentados, ficaram com Michel Hazanavicious (Diretor), Jean Dujardin (Ator), Meryl Streep (Atriz) e “O Artista” (Filme), quebrando outro recorde ao ser o primeiro filme mudo a ganhar a honra máxima desde a primeira cerimônia, em 1929. E, por falar em recordes, Meryl juntou-se a Ingrid Bergman com a marca de três Oscars, dois como Atriz Principal e um como Coadjuvante.
O grande ganhador da noite foi “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese que, contudo, não levou o prêmio de Melhor Diretor. O filme ganhou cinco Oscars (empatado com “O Artista”), destacando-se em categorias técnicas, como Melhores Edição e Mixagem de Som, Montagem, Direção de Arte e Efeitos Especiais
Com a volta de Billy Cristal como apresentador pela nona vez, alguns risos foram garantidos. Achei bastante simpático o número inicial, em que ele apresentou os concorrentes a Melhor Filme com paródias de algumas famosas músicas americanas. Embora ele não seja um astro do humor contemporâneo (um de seus maiores sucessos é uma comédia da geração passada, “Harry e Sally”, de 1989) foi uma boa aposta. Afinal, a Academia tenta a cada ano chamar o público mais jovem para ver o show armado.   
Mais uma vez o Brasil ficou a ver navios, perdendo a estatueta de Melhor Canção Original para “Man or Muppet”. E a glória de Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano “A Separação”. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi para “Os Descendentes” e o de Roteiro Original, para “Meia-Noite em Paris” e, é claro, Woody Allen não apareceu. 
E, quanto a mim, percebi que preciso estudar mais estatística ou ao menos melhorar minha capacidade de chute. Do bolão feito, acertei 15 das 24 categorias. Para o próximo ano, pretendo melhorar assistindo aos indicados ou ao menos me informando melhor sobre eles se, é claro, perder a magia que vem junto com essa incrível festa do Oscar, celebração máxima do poder do cinema. Ah, e viva os primórdios da sétima arte!

Monday, January 16, 2012

Globo de Ouro 2012

Funcionando como uma espécie de prévia para o Oscar, televisionado dias antes das indicações para o maior prêmio do cinema, o Globo de Ouro atrai cada vez mais atenção, desde sua primeira edição, em 1943. Reunindo grandes produções do cinema e da televisão, os vencedores são escolhidos pela Hollywood Foreign Press Association e, como em toda premiação, os acertos e as injustiças dão o que falar.
Os indicados para este prêmio diferem um bocado daqueles nomeados para o Emmy (prêmio exclusivo para as produções televisivas) e o próprio Oscar. Um dos motivos é a união de seis categorias do Emmy em apenas duas, Melhor Ator e Atriz Coadjuvantes, valendo tanto para séries cômicas quanto dramáticas. Outras indicações mesmo existindo categorias idênticas em ambas as premiações, resultaram em vencedores diferentes, como Melhor Atriz em Série Dramática para Claire Danes (por “Homeland”, também escolhida como Melhor Série Dramática), Melhor Atriz e Ator de Comédia, para Laura Dern por “Enlightened” e Matt LeBlanc por “Episodes”. Esse foi, aliás, um prêmio de retornos, pois, além de LeBlanc (o inesquecível Joey da série FRIENDS), Kelsey Grammer (o Dr. Frasier Crane das séries “Cheers” e “Frasier”) ganhou como Melhor Ator em Série Dramática.
Alguns resultados, no entanto, foram idênticos ao Emmy, como Melhor Atriz em Minissérie para Kate Winslet (por “Mildred Pierce”), Melhor Ator em Série Dramática para Peter Dinklage (por “Game of Thrones”); além de Melhor Série de Comédia para “Modern Family” e Melhor Minissérie para “Downtown Abbey”.
Se na TV já havia algumas certezas, o mesmo não pode ser dito do cinema, pois esta é a primeira da série de premiações que culminará no dia 26 de fevereiro. Ele serve como um morno termômetro para o prêmio principal, pois os filmes cômicos e dramáticos são julgados em categorias diferentes. O resultado disso foi a vitória de Michelle Williams por “Minha semana com Marilyn” e Meryl Streep por “A Dama de Ferro”, ambas Melhores Atrizes.
Entre as boas surpresas da noite, houve o reconhecimento do veterano Christopher Plummer como Melhor Ator Coadjuvante (a Melhor Atriz Coadjuvante foi Octavia Spencer) e do filme iraniano “Uma Separação”. Nem tão surpreendente assim, pois já havia sido anunciado, foi a reverência a Morgan Freeman, recebendo o prêmio Cecil B. DeMille, apresentado por Helen Mirren e Sidney Poitier.
Como esperado, alguns favoritos levaram o troféu, a exemplo de Madonna, Melhor Canção Original por W.E., Woody Allen, Melhor Roteiro por “Meia-Noite em Paris”, George Clooney, Melhor Ator por “The Descendants” (também Melhor Filme), e Martin Scorsese, Melhor Diretor por “A invenção de Hugo Cabret”. O filme mais comentado do momento, “O Artista”, ganhou nas categorias Melhor Trilha Sonora (Kim Novak está se remoendo por dentro agora), Melhor Ator para Jean Dujardin e Melhor Filme de Comédia ou Musical. Será que vai dar filme mudo pela primeira vez no Oscar desde 1928? É esperar para ver!

Tuesday, December 6, 2011

Woody Allen: seu segredo é simplicidade

Fãs de carteirinha são os mais fiéis seguidores e admiradores do trabalho de um artista. Alguns conseguem reunir um séquito considerável de tietes mundo afora. Os segredos para tal façanha podem ser carisma, beleza, saber falar com as massas ou satisfazer o ego do público. A fórmula mágica de Woddy Allen, no entanto, não envolve nada disso. Seu segredo é a simplicidade.
Simplicidade que lhe permite fazer um filme por ano, com orçamento relativamente baixo e lucros relativamente altos. Que já lhe fez trabalhar com algumas das maiores estrelas de cada época e eleger uma série de musas memoráveis. Que o fez ganhar três prêmios Oscar, um de diretor (“Annie Hall”) e dois de roteiro (“Annie Hall” e “Hannah e suas Irmãs”). Que fez surgir nas telas filmes tocantes e criativos.
Woody começou aos 15 anos como escritor de colunas para jornais e programas de rádio. Em 1965, já famoso comediante, ele escreveu e estrelou em “Que é que há, gatinha? / What’s new, pussicat?”. No ano seguinte ele dirigiria seu primeiro filme, “O que é que há, tigresa / What’s up, Tiger Lily?”. Mas ainda demoraria para que Woody sentisse o gostinho da fama. Seu maior reconhecimento veio com a simpática comédia “Annie Hall”, em 1977, que conta com Allen e Diane Keaton nos papéis principais. Keaton ganhou o Oscar de Melhor Atriz na ocasião e seu estilo, levado às telas como parte do figurino da personagem, virou moda. E, mais do que isso: este filme inaugurou a história de amor de Woody Allen com Nova York.
A paixão pela Big Apple se viu refletida, mais ou menos explícita, em obras subsequentes, como “Manhattan” (1979), “A Era do Rádio / Radio Days” (1982) e “Hannah e suas Irmãs / Hannah and her Sisters” (1986). Outra marca registrada do diretor é seu alter-ego que se torna personagem. Muitas vezes foi ele mesmo que deu vida ao seu outro eu cinematográfico, um judeu baixinho, neurótico, irônico e com problemas de relacionamentos.
Em minha opinião, entretanto, não são esses filmes tão típicos de Woody Allen os seus melhores. Para mim, as honras cabem a seus dois filmes mais criativos: “Zelig” (1983) e “A Rosa Púrpura do Cairo / The Purple Rose of Cairo” (1985). Zelig, também o nome do personagem principal, é um documentário fictício em preto-e-branco sobre um estranho homem que, sendo muito inseguro, mimetiza a forma física e a personalidade de quem se encontra ao seu redor. “A Rosa Púrpura”, sem Allen atuando, é sobre uma modesta dona-de-casa (Mia Farrow) que tem como único prazer ir ao cinema. Após ver cinco vezes um filme, um personagem sai da tela para conhecê-la. Que cinéfilo não gostaria de estar no lugar dela?
A prova maior da simplicidade de Allen é a maneira como seus filmes são feitos. Os créditos iniciais e finais, ao contrário de outras produções contemporâneas e até mesmo anteriores, são apenas listas de nomes escritos em branco sobre fundos negros, ao som de jazz de primeira qualidade. Ele é, aliás, também clarinetista, apresentando-se com frequência em um clube nova-iorquino.

Woody Allen é um homem de diversas facetas. Combinando todas elas, criou filmes que entraram para a História do cinema, homenageando, em diversos deles, seus cineastas favoritos, como Bergman e Fellini. Simples e criativo, ele continua na ativa, deixando seus fãs sempre ansiosos por seus novos projetos.

Thursday, August 11, 2011

Brilhando em frente e por trás das câmeras

Gosto de pessoas polivalentes. Que se desdobram. Multitarefa. São muitos os termos, recentes ou já empoierados pelo uso, que podem descrever algumas das grandes personalidades do cinema; personalidades que não se contentaram em causar sensação apenas à frente das câmeras, mas também demonstraram garra e talento para a direção e a criação de roteiros – e muito mais o que a imaginação deixava.

George Méliès:  Não é de se espantar que no começo do cinema um homem desempenhasse tantas funções. Sem divisão de tarefas, Méliès conseguiu dirigir mais de 600 filmes, atuar, escrever, produzir, editar, fazer efeitos especiais e até mesmo compor música e ser maquiador. Prestidigitador antes de tudo isso, ele foi responsável por “Viagem à Lua / Voyage dans la Lune” (1902), em que também atua como o professor que idealiza a aventura.

Erich Von Stroheim: O astro austríaco fez muito em terras americanas. Ainda no cinema mudo, foi ator, diretor, roteirista, produtor, editor e até figurinista. Entre seus sucessos estão “Esposas Ingênuas / Foolish Wives” (1922), “Ouro e Maldição / Greed” (1924) e “aquele papel do mordomo” em “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1951).  

Charles Chaplin: Hoje Chaplin é sucesso garantido e talento indiscutível. Mas para chegar a esse patamar ele teve de suar a camisa. Diferente de seu mais famoso personagem, ele não foi nada vagabundo e deu duro como roteirista, ator, diretor e compositor. Mesmo sem saber teoria musical, acabou compondo uma das mais belas melodias do século, “Smile”, presente em “Tempos Modernos / Modern Times” (1936). Nada mal para o pobre menino inglês que passou a infância em orfanatos.

Buster Keaton: A expressão em seu rosto era imutável, mas Buster vivia mudando de função. Ele escreveu, produziu, dirigiu e protagonizou várias comédias memoráveis dos anos 1920. Entre elas podemos destacar “Sherlock Jr.” (1924), “Sete Oportunidades / Seven Chances” (1925) e “A General / The General” (1926). Ajudou a criar situações cômicas também em “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935) e “A Bela Ditadora / Take me out to the Ballgame” (1949).  “Buster” é uma gíria para valente na língua inglesa. Keaton provou que podia ser também polivalente.

Laurence Olivier : O ator shakesperiano por excelência também se aventurou como diretor e produtor. Ganhou o Oscar como Melhor Ator e também Melhor Diretor por “Hamlet” (1948). Outros de seus sucessos incluem “Henrique V / Henry V” (1944), “O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl” (1953) e várias peças de teatro. Além de fazer isso tudo, foi casado com Vivien Leigh, uma das poucas coisas em que não atingiu sucesso absoluto.

Orson Welles:  Em seu primeiro filme, Welles foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, Diretor e Roteiro. Levou o último. Mas seu trabalho não parou por aí. Ele também foi responsável pela iluminação de “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) e assinou outras grandes obras como “O Estranho / The Stranger” (1946), “A Dama de Xangai / The Lady from Shangai” (1947) e “A Marca da Maldade / Touch of Evil” (1958). Foi também narrador, figurinista, editor (não em todos os filmes, infelizmente), produtor e, mesmo obeso com o passer dos anos, soube usar bem seu sobrepeso para construir personagens interessantíssimos. 

Vittorio de Sica: Ele inaugurou o neorrealismo italiano com “Ladrões de Bicicleta / Ladri di Biciclette” (1948), filme que escreveu e dirigiu. E ele não parou (ou não começou) por aí. De Sica foi também produtor e ator, começando adolescente no cinema mudo. Em “Começou em Nápoles / It started in Naples” (1960), ele rouba a cena de um nédio Clark Gable.

François Truffaut: O pai da Nouvelle Vague foi ator, roteirista, produtor e diretor, mas começou como crítico na famosa revista Cahiers du Cinéma. Sua meta era dirigir 30 filmes e depois se aposentar para escrever livros. Não deu tempo: dirigiu apenas 25, entre eles as obras-primas “Os Incompreendidos / Les quatre cents coups” (1959), “Jules e Jim / Jules et Jim” (1961) e “A Noite Americana / La Nuit Américaine” (1973) e atuou em “Contatos Imediatos do Terceiro Grau / Close Encounters of the Third Kind” (1977).

Ida Lupino: A representante dos dois cromossomos X nessa lista é mais conhecida como atriz, mas também foi produtora, roteirista e diretora. Dirigiu e estrelou o filme “O Bígamo / The Bigamist” (1953) e esteve no comando de episódios de célebres séries de TV, como “A Feiticeira”, “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Além da Imaginação”, “A Ilha dos Birutas” e “Dr. Kildare”.

Woody Allen: Woody escreveu e dirigiu comédias que inevitavelmente são consideradas novos clássicos. Além disso, o protagonista normalmente é seu alter ego. Em alguns casos, ele mesmo se encarrega de dar vida a esse outro eu cinematográfico. Suas mais famosas produções são “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa / Annie Hall” (1977), “Manhattan” (1979), “Hannah e suas Irmãs / Hannah and her Sisters” (1986) e “Vicky Cristina Barcelona” (2005).


Clint Eastwood: Este homem durão é um bem sucedido ator, diretor, produtor e, vejam só, compositor. O ganhador de quatro Oscars pôs suas mãozinhas em sucessos como “Três Homens em Conflito / Il buono, il brutto, il cattivo” (1966), “Josey Wales, o fora da lei / Josey Wales, the outlaw” (1976), “Os Imperdoáveis / The Unforgiven” (1992) e “Menina de Ouro / Million Dollar Baby” (2004). E, para aumentar minha admiração por ele, seu ator favorito é o mesmo que o meu: James Cagney.

Warren Beatty: Além de irmão da Shirley MacLaine e intérprete de Clyde em “Bonnie & Clyde, uma rajada de balas” (1967), Warren aventura-se como produtor, diretor, roteirista e andou até escrevendo músicas. Ele mostrou sua versatilidade em filmes como “Shampoo” (1975), “O Céu pode Esperar / Heaven can Wait” (1978) e “Segredos do Coração /Love Affair” (1994).

Menção honrosa para Alfred Hitchcock, que dirigiu, produziu, escreveu muitos clássicos e, mesmo não sendo ator, rouba a atenção do público com suas aparições como extra.

Menção mais do que honrosa para Lillian Gish, que, do que eu tenho notícia, foi a primeira mulher a dirigir e escrever um filme, “Remodeling her Husband” (1920), estrelando sua irmã Dorothy Gish. Isso é que é garra e pioneirismo.
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