} Crítica Retrô: Jean Dujardin

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Saturday, February 15, 2014

Com a palavra, os vencedores

A noite da entrega do Oscar cria novas estrelas, alavanca a carreira de outras e sempre acaba cheia de momentos memoráveis. Quando o vencedor é anunciado, ele geralmente corre emocionado até o palco, segura as lágrimas e agradece a todos, desde à mãe até o maquiador do filme. Alguns discursos, entretanto, fogem à regra e se tornam memoráveis, por serem importantes, emocionantes, ou simplesmente engraçados. Estes são alguns deles:

Hattie McDaniel, Melhor Atriz Coadjuvante por “E o Vento Levou”, 1940: A primeira negra a ganhar o Oscar sequer pôde ir à estreia de seu filme em Atlanta devido às leis segregacionistas. Seu discurso no Oscar, em contrapartida, foi uma bonita premonição:
Humphrey Bogart, Melhor Ator por “Uma Aventura na África”, 1953: Bogie é simples ao agradecer o diretor John Huston e Katharine Hepburn, mas o destaque é o que acontece ao redor: quando seu nome é anunciado, o público vibra e a apresentadora Greer Garson fica muito feliz, tocando no ombro do astro ao lhe dar o Oscar.

Rex Harrison, Melhor Ator por “Minha Bela Dama”, 1965: Sua colega de cena, Audrey Hepburn, ficou em êxtase ao anunciar Rex como vencedor. Ele fez o discurso abraçado a ela, e no final agradeceu às duas “belas damas” (two fair ladies), referindo-se a Audrey e a Julie Andrews, que contracenou com Rex na Broadway e que ganharia o prêmio de Melhor Atriz naquela mesma noite por Mary Poppins.

Ruth Gordon, Melhor Atriz Coadjuvante por “O Bebê de Rosemary”, 1969: Como ela mesma fez questão de citar, ela começou a trabalhar em 1915 como extra. Depois de trabalhar no teatro e escrever roteiros inspirados com o marido, ela se tornou uma velhinha Cult e fez filmes inesquecíveis.

Ingrid Bergman, Melhor Atriz Coadjuvante por “Assassinato no Expresso do Oriente”, 1975: Surpresa por ter vencido mais uma vez, a bela e modesta Ingrid elogiou outra indicada ao prêmio que também estava ótima: Valentina Cortese.

Louise Fletcher, Melhor Atriz por “Um estranho no Ninho”, 1976: Quase todo mundo sabe que Louise fez parte do discurso em língua de sinais para que seus pais deficientes entendessem a emoção do momento. Mas antes ela foi muito sincera e surpreendentemente divertida.

Barbara Stanwyck, Oscar Honorário, 1982: Depois de seguir o protocolo e agradecer a todos que trabalhavam atrás das câmeras, Missy fala com emoção de William Holden, morto no ano anterior, que sempre quis que ela ganhasse o Oscar (seu “Golden Boy”, que é o filme que eles estrelaram em 1939).

Shirley MacLaine, Melhor Atriz por “Laços de Ternura”, 1984: Shirley não economizou nas palavras. Falante e muito divertida, ela elogiou seus companheiros de cena e fez todos rirem muito.

Kate Winslet, Melhor Atriz por “O Leitor”, 2009: Depois de dizer que treinava o discurso desde criança em um pote de xampu, Kate pediu que seu pai assobiasse, agradeceu aos produtores mortos do filme e terminou com uma piada amigável com a sempre indicada Meryl Streep.

Christopher Plummer, Melhor Ator Coadjuvante por “Toda Forma de Amor”,2012: Plummer é o mais velho ganhador do Oscar. Ele decidiu fazer piada sobre isso perguntando à estatueta: “você só é dois anos mais velha que eu. Onde você esteve toda minha vida?”.  

Jean Dujardin, Melhor Ator por “O Artista”, 2012: Na chance que aparece uma vez só na vida, Jean se tornou o primeiro francês a ganhar um Oscar de Melhor Ator. Ele agradeceu à sua inspiração e fundador da Academia, Douglas Fairbanks, e depois extravasou a emoção gritando: merci!

Daniel Day-Lewis, Melhor Ator por “Lincoln”, 2013: O Oscar é o momento em que podemos ver um pouco como os astros são na vida real. Julgando pelo discurso, deve ser ótimo ter Day-Lewis como companhia. Engraçado e adorável, ele arrancou risos da plateia e da apresentadora, Meryl Streep.

P.S. 1: Apenas os que foram receber o Oscar pessoalmente estão nesta lista. Por mais que tenha sido lindo Cary Grant aceitar por Ingrid Bergman em 1957, ele não pôde entrar na lista. E isso também exclui o episódio bizarro de Marlon Brando e sua falsa índia em 1973.

P.S. 2: Apenas atores ganhadores do Oscar entraram na lista. Outros tantos discursos foram lindos e emocionantes, mas o melhor de todos é ESTE.


This is my contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Wonder girls Kellee, Aurora and Paula at Outspoken & Freckled, Once Upon a Screen and Paula’s Cinema Club.

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Monday, February 27, 2012

Oscar 2012

A grande festa da Academia, em sua edição número 84, continua a atrair milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja pelos ganhadores, por torcer por alguém ou algum filme em particular ou mesmo para conferir os elegantes trajes do tapete vermelho, há sempre um público cativo para o Oscar.
Alguns ganhadores eram quase certeza, devido aos prêmios que vieram antes na temporada de premiação, como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante para Christopher Plummer e Octavia Spencer. Plummer, aliás, estabeleceu um novo recorde como o mais velho ganhador, aos 82 anos. Alguns prêmio técnicos também não eram novidade, como Melhor Figurino e Trilha Sonora para “O Artista”.
Os prêmios principais, últimos a serem apresentados, ficaram com Michel Hazanavicious (Diretor), Jean Dujardin (Ator), Meryl Streep (Atriz) e “O Artista” (Filme), quebrando outro recorde ao ser o primeiro filme mudo a ganhar a honra máxima desde a primeira cerimônia, em 1929. E, por falar em recordes, Meryl juntou-se a Ingrid Bergman com a marca de três Oscars, dois como Atriz Principal e um como Coadjuvante.
O grande ganhador da noite foi “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese que, contudo, não levou o prêmio de Melhor Diretor. O filme ganhou cinco Oscars (empatado com “O Artista”), destacando-se em categorias técnicas, como Melhores Edição e Mixagem de Som, Montagem, Direção de Arte e Efeitos Especiais
Com a volta de Billy Cristal como apresentador pela nona vez, alguns risos foram garantidos. Achei bastante simpático o número inicial, em que ele apresentou os concorrentes a Melhor Filme com paródias de algumas famosas músicas americanas. Embora ele não seja um astro do humor contemporâneo (um de seus maiores sucessos é uma comédia da geração passada, “Harry e Sally”, de 1989) foi uma boa aposta. Afinal, a Academia tenta a cada ano chamar o público mais jovem para ver o show armado.   
Mais uma vez o Brasil ficou a ver navios, perdendo a estatueta de Melhor Canção Original para “Man or Muppet”. E a glória de Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano “A Separação”. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi para “Os Descendentes” e o de Roteiro Original, para “Meia-Noite em Paris” e, é claro, Woody Allen não apareceu. 
E, quanto a mim, percebi que preciso estudar mais estatística ou ao menos melhorar minha capacidade de chute. Do bolão feito, acertei 15 das 24 categorias. Para o próximo ano, pretendo melhorar assistindo aos indicados ou ao menos me informando melhor sobre eles se, é claro, perder a magia que vem junto com essa incrível festa do Oscar, celebração máxima do poder do cinema. Ah, e viva os primórdios da sétima arte!
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