} Crítica Retrô: séries

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Saturday, March 24, 2018

Série Retrô: Combat! - Self-Inflicted Wound (S.I.W.)


Eu fiz faculdade à distância – e mais ou menos ao mesmo tempo, comecei a escrever este blog. Depois de uma época difícil no ensino médio, de repente me vi com liberdade e tempo livre na faculdade. Eu não tinha mais que acrodar às cinco da manhã, não tinha apenas uma hora para ir para casa, almoçar e voltar para a escola, eu tinha finalmente tempo para descansar e respirar. E eu tinha as manhãs livres!

I got a college degree online – at about the same time, I started writing on this blog. After a hard time in high school, I suddenly found myself with freedom and free time in college. I didn't have to wake up at 5 a.m., I didn't have one hour to go home, eat lunch and go back to school, I actually had time to rest and to breathe. And I had free mornings!
Eu usava estas manhãs para assistir à TV. Havia diversas sitcoms no canal Sony – Seinfeld, The Nanny, Married… With Children, Mad About You, Will & Grace e outras – e o TCM brasileiro também exibia algumas séries antigas.  Eu me lembro de que o horário das 10 era ocupado por uma rara série em preto e branco, Combate!, que eu via de vez em quando.

I spent those mornings watching TV. There were several sitcoms at the Sony channel – Seinfeld, The Nanny, Married… with Children, Mad About You, Will & Grace and others – and Brazilian TCM  also had a few TV series. I remember the 10 a.m. time slot on TCM had a rare black and white TV series, Combat!, that I would watch every now and then.
Obviamente, a primeira coisa que chama a atenção quando você vê Combate! é o nome de Vic Morrow. Na época, eu já havia lido sobre o terrível e fatal acidente envolvendo Vic, um helicóptero e duas crianças nas filmagens de “No Limite da Realidade” em 1982. A morte de Vic ganhou mais destaque que sua vida e seu legado – e por falar em legado, você sabia que uma das filhas de Vic Morrow é a atriz Jennifer Jason Leigh? Eu só descobri isso enquanto escrevia este artigo. Mesmo assim, ele foi um ator popular e também diretor, e Combate! é seu trabalho mais famoso.

Of course, the first thing that calls your attention when you watch Combat! is Vic Morrow's name. At the time, I had already read about his terrible fatal accident involving a helicopter and two children while filming “Twilight Zone: The Movie” in 1982. Morrow's death overshadowed his life and legacy – talking about legacy, did you know that one of Vic Morrow's daughters is the actress Jennifer Jason Leigh? I only got to know that when writing this article. Nevertheless, he was a successful and popular actor and director, and Combat! is his best remembered work.
Dos poucos episódios que eu vi, me lembro de dois claramente: um deles tinha uma enfermeira interpretada por uma atriz que se parecia muito com Greta Garbo – eu fiquei longo tempo pensando se ela ERA Garbo, mesmo sabendo que isso era impossível porque Garbo se aposentou em 1941, e Combate! estreou em 1962. O outro episódio de que me lembro bem é “S.I.W.” – que significa “Self-Inflicted Wound”, ou ferida autoprovocada.

From the few episodes I watched, I remember two clearly: one of them had a nurse played by an actress who looked a lot like Greta Garbo – I kept wondering if she was Garbo, even knowing that it was impossible because Garbo retired in 1941, and Combat! started airing in 1962. The other episode I remember well is “S.I.W.” – or Self-Inflicted Wound.
“S.I.W.” é o terceiro episódio da quarta temporada, e foi ao ar originalmente em 28 de setembro de 1965. Nele, o soldado Kalb (John Cassavetes) tem uma má reputação: ele foi acusado de se acovardar e fugir, deixando todos os seus companheiros de batalhão morrer em duas missões diferentes. Agora ele é um substituto no esquadrão do sargento Saunders (Vic Morrow). Um dia, ele é ferido em uma vila abandonada, e todos acreditam que ele mesmo se feriu para poder ser liberado do combate. O tenente Hanley (Rick Jason) é aquele que mais firmemente acredita que Kalb está mentindo.

“S.I.W.” is the third episode of season four, and it first aired on September 28th, 1965. In it, Soldier Kalb (John Cassavetes) has already been accused of cowardice and of letting all his comrades die in two different missions. Now he is a replacement at Sgt Saunders’ (Vic Morrow) squad. One day, he is wounded in an abandoned village, and everybody believes he wounded himself so he could leave the front. Lt. Hanley (Rick Jason) is the one who believes the most in the lie hypothesis.
Kalb insiste que foi um soldado alemão de óculos que o feriu durante uma luta, o que parece improvável – quem vai para a guerra usando óculos pouco práticos? Se sua ferida foi autoprovocada, Kalb será punido.

Kalb insists that a German soldier wearing glasses wounded him during a physical fight, which seems improbable – who goes to war wearing impractical glasses? If his wound in self-inflicted, he'll be punished.
Quando eu assisti a “S.I.W.” pela primeira vez, eu não usava óculos. Agora eu uso. Óculos são estes maravilhosos pedacinhos de vidro que ajudam você a enxergar melhor. E se eles já ficam embaçados com neblina ou um pouquinho de chuva, você pode imaginar como é ir para a guerra, com lama e poeira e gás, e ter de usar óculos para lutar pela sua vida?

When I watched “S.I.W.” for the first time, I didn't wear glasses. Now I do. Glasses are those wonderful, literal pieces of glass that help you see better. And if they get blurry with the fog or a little bit of rain can you imagine going to war, full of mud and powder and gas, and have to wear glasses to fight for your life?
Felizmente, eu não sou a única que pensou em quão absurdo é ir para a guerra usando óculos. Esta questão (em inglês) do Quora traz alguns veteranos do Vietnã contando como eles lidaram com seus problemas de visão durante a guerra. Mas nós estamos considerando, assim como é mostrado na série, o que um soldado de óculos experimentaria na Segunda Guerra Mundial, e para este caso temos um esclarecedor artigo (também em inglês) sobre o assunto, provando que podemos encontrar quase tudo na internet.

Fortunately, I'm not the only one who thought about the absurdity of going to war wearing glasses. In this Quora thread, some Vietnam veterans talk about how they coped with their bad eyesight during combat. But we are considering, as the series did, what a soldier with glasses would go through in the Second World War, and for this we have this enlightening blog post about the issue, proving that you can find almost anything in the Internet.
Actual footage of me imagining how it is
to go to war wearing glasses
“S.I.W.” é um episódio tenso sobre julgamento e tomada de decisões sob pressão – um dos muitos desafios que o sargento Saunders teve de enfrentar durante a guerra. O episódio também mostra que John Cassavetes era um ótimo ator, embora hoje ele seja mais lembrado por seu trabalho como diretor.

“S.I.W.” is a tense episode about judgment and making decisions under pressure – one of the many challenges Saunders had to face during the war. It also shows how good John Cassavetes was as an actor, although he is best remembered by his work as a director.
Combate! foi uma série muito popular. Ela era muito elogiada pelo realismo das cenas de batalha. Combate! inclusive deu origem a um livro de colorir e a um jogo de tabuleiro. “S.I.W.” está apenas na trigésima quarta posição no ranking de episódios da série no IMDb. Mesmo assim, foi o episódio que nunca saiu da minha cabeça.

Combat! was a very popular series. It was often praised by the realism of the battle scenes. Combat! even generated a coloring book and a board game. “S.I.W.” was just in number 34 in the IMDb episodes ranking for the series. Yet, it was the one that never left my mind.

This is my contribution to the 4th Annual Favourite TV Show Episode Blogathon, hosted by Terence at A Shroud of Thoughts.

Wednesday, March 22, 2017

“A Gata e o Rato” e a paródia de Casablanca / Moonlighting and the Casablanca parody

Nos anos 80 e 90, era comum que as séries de TV, em especial sitcoms, tivessem “episódios de antologia”. Estes episódios não faziam a trama avançar e podiam até ser ignorados pelo público. Alguns deles eram simples coleções de clipes de episódios anteriores. Outros eram paródias de filmes famosos. Vamos falar de um episódio deste último tipo.

In the 1980s and 1990s, it was common for TV series, in special sitcoms, to have some “anthology episodes”. These episodes didn't advance the plot and could even be skipped by the public. Some of them were a collection of clips from previous episodes. Others were parodies of famous movies. We're talking about an example of the later.
Os personagens principais da série romântica / de suspense / de comédia “A Gata e o Rato” eram Madelyn ‘Maddie’ Hayes (Cybill Shepherd) e David Addison (Bruce Willis), os dois principais investigadores da agência de detetives Blue Moon, da qual Maddie é proprietária. Entre os personagens coadjuvantes recorrentes estava a secretária atrapalhada e adorável, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).

The main characters in the romantic / thriller / comedy Moonlighting were Madelyn 'Maddie' Hayes (Cybill Shepherd) and David Addison (Bruce Willis), the two main detectives in the Blue Moon agency, that Maddie also owns. Among the recurrent characters there was the clumsy secretary with a heart of gold, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).
O público aprendeu a amar Agnes DiPesto. Ela ganhou mais tempo em cena, um par romântico – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – e alguns episódios focados só nela. Bem, isso aconteceu porque ela era popular, obviamente, mas também porque aconteceram alguns atrasos nas gravações quando Bruce Willis machucou o ombro e Cybill Shepherd deu à luz gêmeos. Curiosamente, os dois episódios mais marcantes para mim têm tudo a ver com filmes clássicos.

The public learned to love Agnes DiPesto. She got more screen time, she got a romantic interest – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – and she got some episodes focused on herself. Well, this happened because she was popular, sure, but also because there were some delays when Willis broke his shoulder and Shepherd had twins. Curiously, the two episodes I remember best have everything to do with classic movies.
Um deles é “In ‘N Outlaws” (temporada 5, episódio 11), uma espécie de “12 Homens e uma Sentença” com um toque romântico. Nele Agnes é parte de um júri e é a única que acredita na inocência do réu. Ela então conta sua teoria e narra suas experiências com a relação complicada de Maddie e David para convencer os outros jurados da inocência do réu.

One of them, “In ‘N Outlaws” (S5E11), is some kind of romantic “12 Angry Men”. In it Agnes is part of a jury and is the only one who believes in the man's innocence. She then tells her theories and her experience with the on-again off-again couple Maddie and David to convince the other jurors of his innocence.
O outro episódio também foi romântico, e lidou com a relação de Agnes e Herbert. Eles eram ambos tímidos, loucamente apaixonados um pelo outro, mas não tinham coragem para dizer o que realmente sentiam, nem para dar grandes passos e avançar o relacionamento. No episódio “Here’s Living with You, Kid” (temporada 4, episódio 13), Herbert sugere que ele e Agnes vão morar juntos. Bert meio que recebe um não como resposta, e a partir daí tem fantasias envolvendo filmes clássicos.

The other episode was romantic as well, and dealt with Agnes and Herbert's relationship. They were both shy people, madly in love with each other, but without the necessary courage neither to tell what they really felt nor to take risks in the relationship. In the episode “Here’s Living with You, Kid” (S4E13), after asking if Agnes wants to move in with him and kind of receiving “no” as an answer, Herbert has fantasies involving classic films.
Primeiro Bert fantasia com “O Sheik” (1921), provavelmente o primeiro filme da história a glorificar a síndrome de Estocolmo. O sonho acordado é um filme mudo completo, sem diálogos mas com intetítulos.

First Bert fantasizes with “The Sheik” (1921), probably the first film to glorify the Stockholm syndrome in the history of movies. The daydream is a complete silent movie without dialog and with intertitles.
Então Bert fantasia com Casablanca. Herbert é Rick, Agnes é Ilsa. De todos os bares de todas as cidades do mundo, ela teve de entrar logo no dele. Este devaneio é mais longo, e também mais divertido, pois zoa com as cenas mais famosas de Casablanca. Veja abaixo, com legendas:

Then Bert fantasizes with Casablanca. Herbert is Rick, Agnes is Ilsa. Of all the gin joints in all the towns in all the world, Agnes walks into his. This daydream sequence is longer, and also funnier, because of the way it mocks with the most famous scenes in Casablanca. See below, with Portuguese subtitles:



“A Gata e o Rato” teve cinco temporadas, de 1985 a 1989. Eu assistia às reprises no canal TCM a partir de 2011. Eu adorava a série, em especial as paródias, os momentos em que a quarta parede era quebrada e as deliciosas situações em que os personagens demonstravam que sabiam que faziam parte de um programa de TV.

Moonlighting lasted five seasons, from 1985 to 1989. I watched the reruns from 2011 onwards. I really, really loved the show, and I adored their spoofs, whenever they broke the fourth wall and the amazing tongue-in-cheek moments when the characters made clear they knew it was only a show.
Agora as séries não têm mais episódios de antologia. Agora as séries transmitidas na TV têm entre 22 e 23 episódios por temporada, enquanto as séries via streaming têm 13 ou 10 episódios ou até menos. Eu também aprecio a maneira moderna de se fazer séries, mas fico pensando: como minhas séries atuais favoritas lidariam com episódios de antologia e quais clássicos eles se atreveriam a parodiar?

Now the series have no more anthology episodes. Now the series airing on TV have about 22 or 23 episodes per season, while the ones on streaming have 13, 10 or even fewer. I like the modern model as well, but sometimes I wonder how some of my favorite series would tackle anthology episodes and which classics they could spoof.

You can watch the full “Here’s Living with You, Kid” episode on Dailymotion.

This is my contribution to the 3rd Annual Favourite TV Show Episode Blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts.

Sunday, May 31, 2015

Estudando cinema (escandinavo) sem sair de casa

Eu uso qualquer desculpa para ver mais filmes. Se for possível ver muitos filmes, aprender um bocado e ainda conseguir um certificado (com honras!!!) de uma universidade internacional, pode ter certeza de que eu aproveitarei a chance. E de fato fiz isso, através do curso Scandinavian Film & TV, oferecido pela Universidade de Copenhagen no portal Coursera. E eu não poderia ter ficado mais feliz com o resultado.

Logo no começo pude aprender mais sobre meu período favorito: o cinema mudo dos países escandinavos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca). Os primeiros filmes foram apresentados nestes países em 1896 e o cinema mudo dinamarquês e sueco tinham grande destaque na década de 1910... até a UFA, produtora e distribuidora alemã, monopolizar o mercado europeu.
Os grandes mestres escandinavos mereciam um tópico só deles, e por isso estudamos Carl Theodor Dreyer (cujo nome aprendi a pronunciar com um sotaque autêntico) e Ingmar Bergman separadamente. Na vez de Dreyer, pude me encantar com seu primeiro longa-metragem, o fantástico “O Presidente” de 1919. Bergman e eu somos velhos conhecidos! Tanto Dreyer quanto Bergman filmavam as chamadas “chamber plays”: histórias que se passavam em cenários restritos (muitas vezes até desérticos) e com poucos personagens. É o drama psicológico à moda sueca.
Você tem medo de filmes antigos? Quer saber mais sobre Lars Von Trier e sua “Ninfomaníaca”? Não se preocupe: boa parte do curso é dedicada à nova onda de bons filmes dinamarqueses, incluindo ganhadores do Oscar, mulheres diretoras e o homem que hoje é Hannibal Lecter na TV. Há também tópicos como a “New Wave escandinava” e o polêmico e curioso Dogma 95 (manual de regras para ser levado a sério ou apenas uma jogada de marketing para atrair atenção para o cinema escandinavo?).
Algo muito interessante e curioso neste curso é que cada tópico tem um professor diferente (quando eu fiz o curso, em 2014, eram 10 temas em 10 semanas. Em 2015 o curso foi oferecido novamente com os mesmos 10 temas, mas condensados em cinco semanas). É como assistir semanalmente a pequenas lições com palestrantes distintos. Essa foi a primeira e única vez que isso aconteceu em um curso online que eu fiz até agora.
O curso acabou e eu consegui um certificado (com honras!!!) e ainda aumentei minha lista de filmes que quero ver (Asta Nielsen dos anos 1910, você é a próxima). Para conseguir o certificado, foi necessário fazer alguns teste fáceis de múltipla escolha e dois textos, um sobre o filme “A Palavra / Ordet”, de Dreyer, e outro sobre as causas do recente sucesso de séries de TV escandinavas em outros países.
Claro que nem todo mundo queria receber um certificado. É também possível se matricular e ver as lições apenas de um tema que mais lhe interesse.  E é esse caráter democrático que mais me fascina nos cursos online de cinema.

Por falar nisso, em 1º de junho começa o cursoInto the Darkness: Investigating Film Noir”. O canal TCM apoia o curso e, além de mim, dezenas de amigos meus da internet vão fazer o curso. E aí, nos encontramos na sala de aula?

Thursday, November 27, 2014

Nasce uma Cinéfila / A cinephile is born

Já falei sobre muita coisa aqui no blog: sobre meu filme favorito, “Nasce uma Estrela / A Star is Born” (1937), meu ator favorito (James Cagney), minha atriz favorita (Katharine Hepburn), meu diretor favorito (Orson Welles) e muito mais. Falei sobre listas, cinebiografias, curiosidades e ótimos filmes mudos. Mas ainda não falei sobre uma coisa muito importante: como eu comecei a gostar tanto de cinema?

I’ve talked about a lot of things here in the blog: about my favorite movie, “A Star is Born” (1937), my favorite actor (James Cagney), my favorite actress (Katharine Hepburn), my favorite diretor (Orson Welles) and much more. I talked about lists, biopics, trivia and a lot of excelente silente movies. But I didn’t talk about a very importante thing: how did I start loving movies so much?

Primeira revelação assustadora: na maior parte da minha infância e juventude, não gostava exatamente de filmes. Sim, gostava das fitas de vídeo VHS da Disney (ah, os anos 90!), via desenhos de curta-metragem até decorar as falas e era fã número um de Pateta (Goofy), Pato Donald, Timão e Pumba. Tenho poucas lembranças de minha infância, mas todas relacionadas àqueles filmes: via “A Pequena Sereia” (o caranguejo Sebastião era meu personagem favorito) de mãos dadas com minha mãe até eu adormecer. Já tinha personalidade diferente e torcia pelos vilões: o final de “A Bela Adormecida” sempre me entristeceu, porque eu queria que a madrasta-dragão tivesse um final feliz.

First appaling revelation: by the most part of my first years, as a child and teen, I didn’t like movies. Yes, I liked the Disney VHS tapes (oh, the 90s!), I watched shorts until I memorized the lines and was a number one fano f Goofy, Donald Duck, Timon and Pumbaa. I have few memories of my childhood, but all of them are related to those movies. For instance, I watched “The Little Mermaid” (Sebastian the crab was my favorite character) holding my mom’s hand until I fell asleep. I was already a weirdo and rooted for the villains: the ending of “The Sleeping Beauty” Always got me, because I wanted the stepmother/dragon to have a happy ending. 

Digo com vergonha que entrei em uma sala de cinema pela primeira vez em 2002, para ver “A Era do Gelo / Ice Age”. Algo curioso aconteceu então: tive vontade de escrever sobre o filme. Então a primeira crítica cinematográfica saiu em um jornalzinho pessoal que fiz para a escola (abaixo). Quem diria que, mais de 10 anos depois, essa voltaria a ser minha atividade principal?

I confess, fully ashamed, that I entered a movie theater for the first time in 2002, to watch “Ice Age”. Something curious then happened: I decided to write about the movie. Then my first film critic was published at my school’s newspaper (below). Who would have sais that, a decade later, this would be my profession? 


Nos primeiros anos da minha adolescência, prestei mais atenção às séries. Tudo começou quando minha mãe me apresentou às sitcoms “The Nanny” e “Will & Grace”. Depois delas vieram outras, todas reprisadas pelo canal Sony, e que normalmente eu só podia ver ou na sexta-feira à tarde ou nas férias. Aos poucos fui descobrindo séries antigas, como “Família Adams”, “A Feiticeira / Bewitched”, “Jeannie é um Gênio / I Dream of Jennie” e as favoritas “Agente 86 / Get Smart” e “Mork & Mindy”.


In the first years as a teenager, I paid more attention to the TV series. It all started when my mother introduced me to the sitcoms “The Nanny” abd “Will & Grace”. Then others came, all broadcasted by the Sony Channel – I could only watch them on Sunday evenings or during my vacation from school. Little by little I got to know older series, such as “The Addams Family”, “Bewitched”, “I Dream of Jeannie” and the favorites “Get Smart” and “Mork & Mindy”.


E com as séries antigas veio o TCM Brasil. Quando assinamos um novo pacote de TV a cabo, meus avós viam TCM direto. O primeiro filme que vi no canal foi “As Sete Faces do Dr. Lao” (1964), e o segundo foi “Marujo Intrépido / Captains Courageous” (1937), ambos vistos apenas porque eu estava entediada. Eu preferia me concentrar nas séries do canal (novamente Maxwell Smart me influenciava) e, pasmem, detestava musicais e filmes mudos na época.

And with older TV shows came the Brazilian TCM. When we signed a new cable pack, my grandparents started watching TCM constantly. The first film I watched at the channel was “The 7 Faces of Dr Lao” (1964) and the second one was “Captain Courageous” (1937), both watched only because I was bored. I preferred to concentrate on the series in the channel (once again influenced by Maxwell Smart) and, surprise, I loathed musicals and silente movies at the time. 

Sim, eu era boba. Demorei 16 anos para descobrir o maravilhoso mundo do cinema clássico. Gostaria de tê-lo descoberto antes, de ter aproveitado mais quando a programação do TCM Brasil era boa, de ter tido mais apoio cinéfilo e cinematográfico nos meus momentos difíceis. Mas encontrei o maravilhoso mundo do cinema. E agradeço todos os dias por isso.

Yes, I was silly. It took me 16 years to discover the wonderful world of classic movies. I wish I had discovered it sooner, I wish I had took advantage of when the schedule of Brazilian TCM was good, I wish I had more filmic support in my difficult times. But I did discover the wonderful world of cinema. And I thank God every day for this. 


This is my contribution to the My First Movie Blogathon, hosted by Jenna and Allie at Flick Chicks.

Sunday, August 15, 2010

Dos musicais para as séries de TV

Olás a todos!! Nós já estamos mais do que acostumados a associar determinados atores e atrizes a determinados gêneros. Isso ocorre com grande freqüência nos musicais. Ruby Keeler, Dick Powell, Fred Astaire, Ginger Rogers, Judy Garland, Gene Kelly, Donald O´Connor, Leslie Caron e tantos outros fizeram história cantando e dançando. Tanto é que alguns trabalhos deles são quase desconhecidos. Vamos nos deter nas surpresas na carreira dos dois mais conhecidos dançarinos do cinema clássico: Kelly e Astaire.

Gene Kelly ficou mundialmente famoso dançando na chuva com febre e um forte resfriado. Mesmo quem nunca viu um filme clássico normalmente se lembra de ter visto a famosa cena, que entrou para a cultura popular. O que quase ninguém sabe é que, em uma série americana chamada “O Bom Pastor”(Going My Way, 1962/63), ele fazia o papel de um padre. Durante um ano, semanalmente, Gene usava uma batina e se comportava religiosamente bem. Mas não se iludam: houve um episódio em que ele ensinou um menininho a dançar, podendo, assim, voltar a sacudir seu esqueleto cheio de fé.

Já Fred Astaire, que desde os anos 30 sapateava e rodopiava com Ginger Rogers pelos ares, passou seus últimos anos de carreira dedicando-se a dramas. Um deles, “Inferno na Torre”, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Ele também participou da série “O Rei dos Ladrões” (It Takes a Thief, 1968/70), na qual fazia pontas como o pai do personagem principal, Alexander Mundy, interpretado por Robert Wagner. A série era inspirada no filme “Ladrão de Casaca”, de Hitchcock, e é bem parecida com a atual “White Collar”. Também participou de “Galactica – Astronave de Combate” (Battlestar Galactica) e “Dr Kildare”.
Mais uma prova irrefutável de que algumas pessoas nasceram para brilhar em qualquer território.
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