} Crítica Retrô: 1976

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Friday, December 22, 2023

A Cicatriz (1976) / The Scar (1976)

 

Alguns nomes são incontornáveis quando estudamos a História do Cinema - sim, com letras maiúsculas. Um destes nomes é difícil de escrever: Krzysztof Kieslowski. Já havia assistido à sua Trilogia das Cores - “A Liberdade é Azul” é meu favorito dos três – mas eu não havia tido acesso a seu trabalho anterior... até agora.

There are some names that you must stumble upon when studying Film History - yes, with capital letters.
One of these names is hard to spell: Krzysztof Kieslowski. I had already watched his Three Colors trilogy - being “Blue” my favorite from the trio - but I hadn’t got access to his earlier work… until now.

Uma nova fábrica vai ser instalada na cidade de Olecko e Stefan Bednarz (Fransciszek Pieczka) será o chefe. Mas não é sua primeira vez em Olecko: ele já esteve lá vinte anos antes, quando se envolveu em um incidente com sua esposa e um homem chamado Stasiu Lech. Ele encontra Lech novamente, trabalhando na fábrica.


A new factory is going to be installed in the city of Olecko and Stefan Bednarz (Fransciszek Pieczka) will be the boss. But it’s not his first time in Olecko: he had been there twenty years earlier, when he got involved in an incident with his wife and a man named Stasiu Lech. He finds Lech again, working at the factory.

Em Olecko, sem a esposa, Stefan é visitado pela filha Eva (Joanna Ozerskkowska), uma jovem adulta de quem ele não é muito próximo. Para adicionar conflito, muitas pessoas em Olecko são contra a construção da fábrica, dizendo que as cidades e seus habitantes ficarão muito melhor sem ela.


In Olecko, without his wife, Stefan is visited by his daughter Eva (Joanna Ozerszkowska), a young adult with whom he is not very close. To add to the conflict, many people in Olecko are against the building of the factory, claiming that the city and its inhabitants are better off without it.

Este filme é baseado em um livro escrito pelo próprio Kieslowksi, junto com Romuald Karas. Kieslowski já tinha muita experiência com documentários em curta-metragem, enquanto Romuald era conhecido como escritor – na verdade, “A Cicatriz” é o principal crédito de Karas no cinema.


This movie is based on a novel written by Kieslowski himself, together with Romuald Karas. Kieslowski had already a lot of experience in documentary shorts, while Romuald was known as a writer – in fact, “The Scar” is the main film credit for Karas.

“A Cicatriz” recebeu dois prêmios no Festival de Cinema Polonês: Melhor Ator e Prêmio Especial do Júri. Tem atualmente 86% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes, com 68% de aprovação dos usuários do mesmo site.

 

“The Scar” received two awards at the Polish Film Festival: Best Actor and the Special Jury Award. It holds an 86% Fresh rating from critics on Rotten Tomatoes, with a 68% audience score.

Kieslowski uma vez disse que “A Cicatriz” é um filme de contradição, comprometimento e hipocrisia, e estes podem ser algumas das várias cicatrizes às quais o título se refere. Outra possível cicatriz pode ser o conflito entre o pessoal e o profissional sentido pelo protagonista ao voltar para uma cidade onde ele viveu uma situação desagradável no passado – algo que, apesar de nunca explicado, certamente deixou nele uma cicatriz.

 

Kieslowski once said that “The Scar” is a film of contradiction, compromise and hypocrisy, and these can be some of the many of the scars that the title refers to. Another possible scar may be the conflict between personal and professional that the lead feels when he gets back to a town where he lived an unpleasant situation in the past – one that, although never explained, certainly left him “scarred”.

“A Cicatriz” é o filme mais fraco de Kieslowski que vi até agora – além da Trilogia das Cores, também assisti este ano a “Amador” (1979). Este também foi o primeiro longa do diretor a estrear nos cinemas. Bem, nem todos os diretores são como Orson Welles e podem dizer que estrearam com uma obra-prima.

 

 “The Scar” is the weakest Kieslowski film I’ve seen - besides the Three Colors trilogy, I also watched this year “Amador” (1979). It’s also his first feature to receive a theatrical release. Well, not all directors are like Orson Welles and can claim that they debuted with a masterpiece.

Saturday, February 22, 2020

Assassinato por Morte (1976) / Murder by Death (1976)


Sempre que um crime é cometido em filmes de mistério, nós costumamos suspeitar do mordomo. Em “Assassinato por Morte”, uma deliciosa comédia de mistério, esta ideia é subvertida desde o início, porque o mordomo, Jamesir Bensonmum (Alec Guinness), é cego. E a nova cozinheira, Yetta (Nancy Walker), também não é suspeita, porque ela não pode ouvir ou falar. Ah, e eu disse que se trata de suspeitos de um crime que ainda não foi cometido?

Whenever a crime occurs in a whodunit film, we're taken to suspect the butler. In “Murder by Death”, a delightful whodunit comedy, this idea is subverted since the beginning, because the butler, Jamesir Bensonmum (Alec Guinness), is blind. And the new cook, Yetta (Nancy Walker), is not a suspect either, because she can't hear or speak. Oh, and have I said that we're talking about suspects of a crime that hasn't yet occurred?


O maluco Sr Twain convida os maiores detetives do mundo para um “jantar e assassinato”. Seus convidados são Dick (David Niven), Dora Charleston (Maggie Smith) e seu cãozinho terrier, Sam Diamond (Peter Falk) e sua secretária, Sidney Wang (Peter Sellers) e seu filho adotivo, Milo Perrier (James Coco) e seu motorista, e Jessica Marbles (Elsa Lanchester) e sua enfermeira.

The twisted Mr Twain invites the world's top detectives for “dinner and murder”. His guests are Dick (David Niven), Dora Charleston (Maggie Smith) and their pet terrier, Sam Diamond (Peter Falk) and his secretary, Sidney Wang (Peter Sellers) and his adopted son, Milo Perrier (James Coco) and his chauffeur, and Jessica Marbles (Elsa Lanchester) and her nurse.


Se você gosta de histórias de detetive tanto quanto eu, já deve ter percebido que os personagens têm nomes parecidos com os de detetives famosos: Dick e Dora Charleston são um tributo a Nick e Nora Charles – interpretados por William Powell e Myrna Loy na série de filmes “The Thin Man” -, Sam Diamond é uma homenagem ao Sam Spade de Dashiell Hammett, Sidney Wand faz menção a Charlie Chan, Milo Perrier é uma alusão ao Hercule Poirot de Agatha Christie, e a Sra Marbles também vem da obra de Christie, da Sra Marple. Fãs de cinema clássico ouvirão algumas frases famosas, e também um grito familiar: o toque da campainha é o grito de Fay Wray em “King Kong” (1933).

If you love detective stories as much as I do, you must have realized that the characters are named after famous fictional detectives: Dick and Dora Charleston are a tribute to Nick and Nora Charles – played by William Powell and Myrna Loy in the “Thin Man” movie series -, Sam Diamond refers to Dashiell Hammett's Sam Spade, Sidney Wang is a nod to Charlie Chan, Milo Perrier is an allusion to Agatha Christie's Hercule Poirot, and Mrs Marbles also comes from Christie's work, but from Mrs Marple. Classic film fans will hear a few famous quotes, as well as a familiar scream: the “ring” of the doorbell is Fay Wray’s scream from “King Kong” (1933).


A performance de Peter Sellers como um homem asiático, completada com quimono, pode gerar algum debate. Ele estava fazendo yellow-face? Ou talvez ele estivesse criticando a prática do yellow-face – porque todos os atores que interpretaram Charlie Chan eram brancos, e o mais famoso deles, Warner Oland, era, de todas as nacionalidades possíveis, sueco? O que sabemos é que Sidney Wang é um personagem visto sob uma lente positiva, sendo inteligente e criativo. Uma piada constante é que ele fala inglês errado, algo que enfurece o anfitrião Lionel Twain (ninguém menos que Truman Capote) – mas Wang pode ser entendido com perfeição! No final das contas, a performance de Sellers pode ser um pouco embaraçosa, mas não o suficiente para “cancelar” o filme inteiro.

Peter Sellers's turn as an Asian man complete with kimono may raise some debate. Was he doing yellow-face? Or maybe he was mocking the practice of yellow-face – because all actors that played Charlie Chan were white, and the most famous of them, Warner Oland, was, of all nationalities, Swedish? What we know is that Sidney Wang is a character portrayed on a positive light, as intelligent and resourceful. A running joke is that he speaks broken English, something that infuriates the host Lionel Twain (no other than Truman Capote) – but Wang can be understood perfectly! In the end, Sellers’s performance is a bit cringe-worthy here and there, but not enough to “cancel” the whole film.


E aqui está outra questão: o personagem Bensonmum está zombando de pessoas com deficiência? Eu não acho. O personagem funciona graças ao absurdo que é alguém contratar um cego para ser mordomo – e Wang responde que isso é uma jogada esperta porque o mordomo jamais saberá quanto ele ganha. Muitas das falas mais engraçadas de Bensonmum não têm a ver com sua cegueira, e gags fáceis porém estúpidas são evitadas.

And here’s another question: is the character Bensonmum making fun of people with disabilities? I don’t think so. This character works thanks to the absurdity of someone hiring a blind man as a butler – and Wang answers that this is clever because the butler won’t know how much he gets paid. Many of Bensonmum’s funniest lines have nothing to do with him being blind, and easy but stupid gags are avoided.


Um Peter Falk vesgo faz sua melhor imitação de Humphrey Bogart como Sam Diamond, enquanto sua esperta companheira Tess Skeffington é interpretada por Eileen Brennan. Enquanto isso, o motorista de Milo Perrier, Marcel (James Cromwell), parece mais esperto que seu patrão glutão. Nesse sentido – e também considerando Bensonmum e Yetta – os ajudantes roubam a cena em “Assassinato por Morte”, e são geralmente mais engraçados do que os detetives.

A cross-eyed Peter Falk tries his best Humphrey Bogart impression as Sam Diamond, while his clever girl Tess Skeffington is played by Eileen Brennan. Meanwhile, Milo Perrier's chauffeur Marcel (James Cromwell) seems smarter than his glutton boss. In this sense – and also considering Bensonmum and Yetta – the helpers steal the scene in “Murder by Death”, and are often funnier than the detectives.


Considerando o elenco, “Assassinato por Morte” pode ser colocado entre os filmes all-star que eram mais comuns na Era de Ouro de Hollywood – sendo “Grande Hotel” (1932) e “Jantar às Oito” (1933) os filmes mais famosos desta categoria. Duas outras estrelas deveriam estar no elenco: Myrna Loy foi a primeira opção para Dora Charleston, e Katharine Hepburn faria a personagem Abigail Christian, uma paródia de Agatha Christie. As duas desistiram, por isso Maggie Smith foi escolhida para ser Dora e a personagem Abigail foi eliminada e a Sra Marbles foi criada em seu lugar.

Considering the cast, “Murder by Death” can be put among the all-star films that were more common during the Golden Age of Hollywood – being “Grand Hotel” (1932) and “Dinner at Eight” (1933) the most famous all-star movies. Two more stars were supposed to appear: Myrna Loy was the first choice for Dora Charleston, and Katharine Hepburn was supposed to be a parody of Agatha Christie called Abigail Christian. Both dropped, and thus Maggie Smith was cast as Dora and the character of Abigail was erased and Mrs Marbles was created instead.


Neil Simon escreveu “Assassinato por Morte” diretamente para o cinema, ao contrário de sucessos anteriores, como “Descalços no Parque” (1967) e “Um Estranho Casal” (1968), que foram concebidos como peças e depois adaptados para o cinema. Desde a primeira leitura o elenco amou o roteiro, e o clima durante as gravações era ótimo – mesmo que às vezes um ataque de riso arruinasse uma tomada. Bem, nós compreendemos as risadas incontroláveis.

Neil Simon wrote “Murder by Death” directly for the cinema, unlike his earlier successes, as “Barefoot in the Park” (1967) and “The Odd Couple” (1968), that were conceived as plays and then adapted to movie. Since the first table read the cast loved the screenplay, and  the mood during filming was great – even though sometimes the cast laughed so much that a shot was ruined. Well, we can understand the uncontrollable laughter.


Creditada como “supervisora de edição” temos Margaret Booth, uma editora fantástica que trabalhou em alguns dos maiores clássicos, como “O Grande Motim” (1935), “A Dama das Camélias” (1936), “O Mágico de Oz” (1939) e “Ben-Hur” (1959). Ela começou em Hollywood em 1921, foi também produtora e redatora, e viveu até os 104 anos.

Credited as “supervising film editor” we have Margaret Booth, a legendary editor that has worked in some of the biggest classic films, including “Mutiny on the Bounty” (1935), “Camille” (1936), “The Wizard of Oz” (1939) and “Ben-Hur” (1959). She started in Hollywood in 1921, was also a producer and writer, and lived to be 104.


“Assassinato por Morte” certamente influenciou “Os Sete Suspeitos” (1985), um filme de mistério baseado em um jogo. Eileen Brennan está em ambos os filmes. O final de “Assassinato por Morte” me lembrou de “Charada” (1963), mas com mais reviravoltas. Depois destes filmes, o cinema se cansou de mistérios, e agora eles são bem mais raros (embora os recentes “Assassinato no Expresso do Oriente” (2017) e “Entre Facas e Segredos” (2019) possam assinalar uma voltas do gênero) – o que é uma pena porque, além de serem divertidos, estes filmes sempre podem terminar com a revelação de que o mordomo é o culpado.

“Murder by Death” certainly influenced “Clue” (1985), a film based on a game that is also a whodunit. Eileen Brennan stars in both. The ending of “Murder by Death” reminded me of “Charade” (1963), but with more plot twists. After those films, cinema got a bit tired of whodunits, and now they’re much rarer (although the recent “Murder on the Orient Express” (2017) and “Knives Out” (2019) may signal a genre comeback)  – which is a shame because, besides being entertaining, these films can always end with the reveal that the butler did it.

This is my contribution to the Butlers and Maids blogathon, hosted by Patricia and Rich at Caftan Woman and Wide Screen World.


Sunday, October 19, 2014

Variações sobre um mesmo tema: “O Pássaro Azul” (1918, 1940 e 1976)

Maurice Maeterlinck foi um filósofo belga. Pode parecer estranho que um filósofo tenha deixado como principal legado um conto de fadas, mas, quando conhecemos “O Pássaro Azul”, percebemos que a situação é lógica. Só um filósofo poderia criar uma obra tão poderosa e brilhante sobre o sentido da vida, e foi isto que Maurice fez em 1908, quando escreveu a peça “O Pássaro Azul”, adaptada para o cinema dois anos depois como curta-metragem, e servindo de ponto de partida para três longa-metragens aqui discutidos (e também um desenho animado de 2011). Maurice ganhou o Nobel de Literatura em 1911, e atrevo-me a dizer que talvez seu “Pássaro Azul” seja mais bonito e inspirador que “O Pequeno Príncipe”.

Maurice Maeterlink was a Belgian philosopher. It may seem odd that a philosopher left as his main legacy a fairy tale but, when we get to know “The Blue Bird”, we see that this is only logical. Only a philosopher could create such a powerful and brilliant work about the meaning of life, and it was exactly this that Maurice did in 1908, when he wrote the play “The Blue Bird”, adapted to the screen two years later as a short film. It was also the source for three feature films discussed here (and also an animated film from 2011). Maurice won the Nobel Prize of Literature in 1911, and I dare to say that maybe his “The Blue Bird” is more beautiful and inspiring than “The Little Prince”.
Durante a noite, os irmãos Tyltyl e Mytyl são acordados pela fada Berylune, que tem uma missão para eles: encontrar o raro pássaro azul da felicidade. Claro que eles não partem nesta jornada sozinhos: as almas de todas as coisas ao redor também entram na aventura! Tyltyl, que até então gozava do quem pensava que as coisas tinham alma, fica maravilhado ao descobrir a alma do Leite, do Fogo, da Água, do Ar, do Açúcar, da Luz, do Gato e do Cão. Procurando pelo pássaro, eles passam pelo Castelo da Noite, pela casa dos avós das crianças (que já estão mortos!), por um Palácio de Luxos e pela Morada do Tempo.

During the night, the siblings Tyltyl e Mytyl are waken up by the fairy Berylune, who has a mission for them: to find the rare blue bird of happiness.Of course they don't go alone: the souls of all the things laying around also go on the adventure! Tyltyl, who used to make fun of people who thought things had a soul, is marvelled to find out about the souls of Milk, Fire, Water, Air, Sugar, Light, Cat and Dog. Looking for the vird, they go through the Night Castle, their grandparents' house (even though granny and grandpa are already dead!), through a Palace of Luxury and through the House of Time.
Passei a maior parte do tempo boquiaberta vendo a versão de 1918. Meus olhos viram poucas coisas tão belas quanto este filme. Maurice Tourneur era um excelente artesão das telas e fez filmes muito bonitos visualmente, mas não seria exagero classificar este “O Pássaro Azul” (1918) como sua obra-prima. São vários os momentos em que as lágrimas poderiam rolar, e destaco aqui um: o reencontro das crianças com seus avós e com os irmãozinhos mortos (são SETE irmãozinhos mortos. Esta é a cena mais importante sobre mortalidade infantil na história do cinema).

I spent most part of the time watching the 1918 version without words to describe it. My eyes have seen few things as beautiful as this movie. Maurice Tourneur was an excellent artisan of the screen and made very beautiful movies, but it's not an exaggeration to classify “The Blue Bird” (1918) as his masterpiece. There are many moments in which tears could drop, and I highlighht one: when the children meet again their grandparents and dead siblings (there are SEVEN dead siblings. This is the most important scene about child mortality in film history).
Todos os efeitos especiais desenvolvidos de Méliès a D.W. Griffith são usados no filme, e com resultados estupendos. Tudo é crível: as roupas que voam e se ajeitam nas crianças, o jogo de luz e sombra, as mudanças de ambiente. Ajuda muito o fato de Tula Belle (intérprete de Mytyl), Lillian Cook (fada Berylune) e Gertrude McCoy (alma da Luz) serem lindas como anjos. Lillian Cook morreria logo após as filmagens, com apenas 19 anos. Quem também faleceu em 1918 foi John van der Broek, o genial cinegrafista responsável pelo visual mágico do filme (sério, ele merecia o Oscar de Melhor Fotografia!).

All the special effects developed from Méliès to D.W. Griffith are used in the film, and with stupend results. Everything is believable: the clothes that fly and fit the children, the chiaroscuro, the setting changes. It helps that Tula Belle (who plays Mytyl), Lillian Cook (fairy Berylune) and Gertrude McCoy (the sould of the Light) are as beautiful as angels. Lillian Cook would die rigt after filming ended, she was just 19. Who also died in 1918 was John van der Broek, the genius cinematographer who is responsible by the look of the film (really, he deserved the Best Cinematography Oscar!).
A versão de 1940 foi o que sobrou para Shirley Temple depois do sucesso de “O Mágico de Oz” na MGM. Este filme conta inclusive com uma sequência de passagem (abrupta, é bem verdade) das cenas em preto e branco para o Technicolor mágico. Assim, quando Mytyl (Shirley) e Tyltyl (Johnny Russel) são acordados pela fada, é como se eles entrassem em sua terra de Oz particular. Os cenários são maravilhosos e os efeitos especiais, apesar de terem envelhecido pior que os de Oz, são bem utilizados. Mas parece que os gastos foram muitos, porque tivemos um corte nas almas: aqui, os irmãos são acompanhados somente pela Luz (Helen Ericson), pelo cão Tylo (Eddie Collins) e pela gata Tylette (Gale Sondergaard). Também fica de fora a sequência no Castelo da Noite, e no lugar temos árvores iradas.

The 1940 version was what had left for Shirley Temple after “The Wizard of Oz” was a success at MGM. This film also has a transition scene (a very abrupt one) from black and white scenes to the ones in magical Technicolor. So, when Mytyl (Shirley) and Tyltyl (Johnny Russel) are awaken by the fairy, it is ifthey had entered their particular land of Oz. The sets are wonderful and the special effects, even aging worse than the ones from Oz, are well used. But it looks like the budget was huge, because we have a cut in the souls: here, the siblings have only the company of Light (Helen Ericson), the dog Tylo (Eddie Collins) and the cat Tylette (Gale Sondergaard). The Night Castle was also cut, and in its place we have angry trees.
O que mais me chamou a atenção nesta versão de 1940 é a presença da garotinha Caryll Ann Ekelund, que tenta nascer antes da hora pela terceira vez na sequência do futuro. Este foi o único filme de Caryll. Pouco depois das filmagens, ela morreu queimada em um acidente durante o Halloween.

What called the most my attention in this version is the presence of the little girl Caryll Ann Ekelund, who tries to be born before time by the third time in the future sequence. This was Caryll's only film. A little after filming wrapped, she died from burns in a Halloween accident.
Bastidores / Backstage
Em 1976, voltam as almas de todas as coisas, e com acréscimo: agora elas falam em rimas, têm efeitos sonoros e sotaque (porque alguns atores eram soviéticos). Com a volta do Palácio da Noite como cenário, temos a oportunidade de ver críticas pontuais às doenças e às guerras. Isso tudo é muito interessante, mas não chega perto do interesse despertado pelo star cast: Elizabeth Taylor (em QUATRO papéis), Jane Fonda, Ava Gardner e Robert Morley (o rei Luís XVI de “Maria Antonieta”, 1938). Katharine Hepburn e Shirley MacLaine recusaram o convite para fazer parte do elenco.

In 1976, all the souls of the things are back, and with a plus: now they talk in rhymes, have sound effects and accents (because some actors were Russian). With the comeback of the Night Castle, we have the opportunity to see some criticism to disease and wars. Everything is very interesting, but not as interesting as the all star cast: Elizabeth Taylor (in FOUR roles), Jane Fonda, Ava Gardner and Robert Morley (king Louis XVI from “Marie Antoinette”, 1938). Katharine Hepburn and Shirley MacLaine refused roles in the film.
A melhor parte da versão de 1976 sem dúvida é o ballet do pássaro azul (você não leu errado). Aliás, há bastante música nesta versão, e também um ballet performático abstrato envolvendo o Fogo e a Água. E, embora ninguém tenha morrido logo após o filme, os sets estavam cheios de problemas: George Cukor e toda a equipe foram mandados para filmar na União Soviética. Jane Fonda queria discutir o comunismo com a população local. James Coco, que interpretaria o cachorro, só comia pão e engordou tanto que o figurino não servia mais. Cukor acusou a atriz Cicely Tyson (a gata) de usar vudu para atrapalhar as filmagens.

The best part in the 1976 version is without a doubt the blue bird ballett (you didn't read it wrong). There is plenty of music in this version, and also an abstract performatic ballett with Fire and Water. And, even though nobody died right after filming ended, the sets were full of trouble: George Cukor and his crew were sent to shoot in Soviet Union. Jane Fonda wanted to discuss communism with the local population. James Coco, who would play the dog, only ate bread and got too fat for his canine outfit. Cukor accused Cicely Tyson (the cat) of using voodoo to  disturb the shooting.
Do do that voodoo that you do so well
Os filmes de 1940 e 1976 contam com uma sequência em que as árvores atacam as crianças, o que faz muito sentido, pois o pai de Tyltyl e Mytyl é lenhador. Em 1940, há um incêndio digno de Rhett e Scarlett. Ambos têm efeitos especiais um pouco datados. A versão de 1940, entretanto, conta com cenários maravilhosos, enquanto a de 1976 é mais... campestre. Com exceção de Jane Fonda que, de acordo com um usuário do IMDb, parece “Darth Vader travestido”.

The versions from 1940 and 1974 have sequences in which the trees attack the children, which makes sense, because Tyltyl's and Mytyl's dad is a lumberjack. In 1940, there is a fire that would please Rhett and Scarlett. Both have dated special effects. The 1940 version has wonderful sets, while the 1976 one is more... country-ish. Only Jane Fonda doesn't look country: according to an IMDb user, she looks like “Darth Vader in drag”.
Todas as versões de “O Pássaro Azul” foram um fracasso de bilheteria. Entretanto, todas as pessoas que viram um desses filmes quando crianças se lembram deles com carinho e nostalgia. Fica óbvio que foram produções pensadas para crianças... e também para aquele adulto especial que ainda tem uma criança dentro de si e que sabe que o mais importante na vida pode ser o mais banal.

All the versions of “The Blue Bird” were box-office failures. However, everybody who has seen one of those films as a child rememvers them with happiness and nostalgia. It is obvious that they were movies targeted to children... and also to that special adult who still has a child inside and knows that the most important in life can be the simplest thing.

P.S.: Para uma análise mais profunda e bem-escrita da versão de 1918, leia este post maravilhoso da Nitrate Diva.

P.S.: To a deeper and better-written analysis of the 1918 version, read this marvellous post from The Nitrate Diva.

This post is my contribution to the Stage to Screen blogathon, hosted by Rosie and Rachel at The Rosebud Cinema and Rachel’s Theatre Reviews.  

Wednesday, November 21, 2012

Todos os homens do presidente: investigações e reflexões

O escândalo do Watergate foi responsável pela renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon nos anos 1970. Fato bem conhecido dos americanos, mas não tão famoso no Brasil. Ele é tão importante na história americana que não poderia deixar de virar filme. “Todos os homens do presidente” torna o Watergate e todo seu processo mais acessíveis aos não-americanos e também gera no espectador uma série de questionamentos e reflexões.
Bob Woodward (Rober Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) são os dois jornalistas do Washington Post que veem no roubo de documentos da sede do comitê de reeleição algo além de um simples furto. Com algum esforço eles convencem o chefe (Jason Robards, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) a deixá-los investigar o caso, embora em muitas ocasiões o chefe se oponha a publicar as matérias deles por falta de provas concretas. Mal sabia ele que o jornal tinha nas mãos o furo do século.
Ė muito interessante observar como a investigação era feita nas redações de jornal antes da era digital. Bob fica longo tempo no telefone, consulta listas telefônicas e tenta montar uma rede de pessoas ligadas ao caso. De conversa em conversa percebe que muitos documentos de conteúdo indesejado foram sumindo. Carl, por sua vez, é um homem de ação, que sai às ruas para procurar os envolvidos, sem medo de baterem a porta em sua cara.
O trabalho de detetive dos dois é emocionante, embora hoje possamos todos nós ser um pouco detetives. Com a explosão das redes sociais e de mecanismos de busca é possível encontrarmos antigos colegas, parentes distantes ou qualquer outra pessoa de nosso interesse. Basta termos uma informação, um nome que seja, e temos acesso imediato a mais toneladas de outras informações. Hoje quase todas as pessoas usam a Internet e é praticamente impossível utilizá-la sem deixar rastros.
Woodward e Bernstein, os originais
É muito interessante ver como os dois repórteres não fazem sua investigação incógnitos. Eles sempre se apresentam como funcionários do Washington Post, seja em um encontro com um figurão ou em uma conversa telefônica. Não conheço a fundo o funcionamento das investigações jornalísticas, mas acredito que pelo menos atualmente as buscas para reportagens importantes sejam feitas com mais discrição. 
Em 2000 foi feito um making-off do filme com todos os envolvidos que ainda estavam vivos, incluindo Woodward e Bernstein, e Redford disse que se o Watergate ocorresse hoje, ele teria um desdobramento muito diferente. Com certeza o poder da mídia aumentou, mas as grandes reportagens investigativas não são comuns, aparecendo vez ou outra em programas jornalísticos ou livros escritos por jornalistas. O certo é que, independente de como é feita uma investigação, é a pressão da opinião pública que leva um político como Nixon a renunciar e, em uma época em que acompanhamos praticamente na íntegra a alguns julgamentos pela televisão, a opinião do povo deveria servir cada vez mais como um décimo terceiro jurado.
Para concluir, já que estamos tratando de assuntos virtuais, quem tem boa memória deve se lembrar de um post feito lá em meados de maio e intitulado “Hitchcock, cinema mudo, perda e restauração” que, entre outras coisas, falava sobre a redescoberta de fragmentos de um dos primeiros esforços de Hitch no cinema, “The White Shadow” (1924). Esse post foi parte de uma blogagem coletiva que deu resultado: conseguimos o suficiente para restaurar a cópia, inserir trilha sonora e, o melhor de tudo, exibir o filme! Até o dia 15 de janeiro esta pequena joia estará disponível de graça para qualquer cidadão no site do National Film Preservation. Eu já conferi e posso dizer que quase nem se nota que o filme está incompleto. Não percam essa chance que só a Internet nos proporciona!
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