} Crítica Retrô: January 2015

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Thursday, January 29, 2015

Espelho D'Alma (1946) / The Dark Mirror (1946)

Se você gosta de um bom drama, seja em filmes, livros, novelas ou outra mídia, já deve ter encontrado pela frente o clichê da gêmea boa e da gêmea má. Essa fórmula de duas pessoas iguais fisicamente, mas com personalidades diferentes, de modo que uma delas odeia a outra, já foi usada dos mais diversos jeitos, em atrações interessantes ou como um grande atentado à inteligência humana. O truque pode ser conhecido hoje, mas era relativamente novo em 1946. Era a época de filmes noir, dos assassinatos em preto e branco, das femme fatales. Mas e quando não é uma, mas duas femme fatales, uma delas vítima e quiçá cúmplice da outra?

If you like a good melodrama, in film, books, soap operas or any other media, you might have met with the good twin / bad twin cliché. The formula of two people physically identical, but with different, clashing personalities, was already used in many ways, in interesting works of art or as a poor last resource. The trick can be well-known today, but it was relatively new in 1946. Tey were the times of film noir, black and white murders and femme fatales. But what happens when we have not one, but two femme fatales, and one of them is a victim and maybe the accomplice of the other one?

O Doutor Peralta foi encontrado morto. Esfaqueado, assassinado. Dois de seus vizinhos e a secretária apontam como assassina Teresa Collins (Olivia de Havilland), a moça que vende revistas e com quem o doutor planejava se casar. De sorriso amplo e olhos brilhantes, Teresa fica surpresa ao saber da morte do doutor. E mais: tem três álibis que a viram muito longe do local do crime naquela noite.

Doctor Peralta was found dead. He was stabbed, he was murdered. Two of his nwighbors and his secretary believe the killer is Teresa Collins (Olivia de Havilland), a magazine seller with whom the doctor wanted to get married. With a big smile and bright eyes, Teresa is shocked to learn about the doctor’s death. And more: there are three people who can prove she was very far from the place the crime happened that night.

Mas o caso é mais complicado do que parece: Teresa tem uma irmã gêmea idêntica, Ruth, e ambas se revezavam na banca de revistas, de modo que ninguém no edifício sabia que se tratavam de duas irmãs. Isso frustra o tenente Stevenson (Thomas Mitchell) e o jovem Rusty (Richard Long), que estava apaixonado pela moça. As irmãs se recusam a falar qualquer coisa, de modo que fica impossível provar qual é culpada e qual é inocente.

But the case is more complicated than it looks like: Teresa has an identical twin sister, Ruth, and both worked at the magazine shop, and nobody at the building knew there were two sisters running the shop. This frustrates Lieutenant Stevenson (Thomas Mitchell) and young Rusty (Richard Long), who was in love with the girl. The sisters refuse to say anything, and it becomes impossible to prove who is guilty and who is innocent.

Ainda há uma esperança: o doutor Scott Elliott (Lew Ayres), médico no mesmo edifício e, conveniente e coincidentemente, especialista em gêmeos. Elas aceitam participar de uma pesquisa com o doutor, e logo a situação fica óbvia demais: a gêmea má se volta contra a gêmea boa e tenta fazê-la passar por louca.

There is still hope: Doctor Scott Elliott (Lew Ayres), a physician at the same building is, conveniently, an expert in twins. The girls accept to take part in a research with the doctor, and soon the situation becomes too obvious: the bad twin turns against the good twin and tries to make people believe the good twin is crazy.

É um pouco óbvio para o espectador quem é a gêmea boa e quem é a má. Isso é o ponto frustrante do filme. Entretanto, é interessante notar como de fato a polícia estava de mãos atadas com este caso. Com a tecnologia de hoje, provavelmente seria muito mais fácil identificar a gêmea criminosa. Mas não se preocupe: apesar desta fraqueza, o filme tem bons momentos e um excelente clímax, capaz de deixar qualquer um boquiaberto e com os neurônios retorcidos.

It is a little obvious for the audience who is the the good twin and who is the bad twin. This is the most frustrating thing in the film. However, it’s interesting to see how the police was really clueless with the case. With today’s technology, it’d probably be much easier to find out who is the guilty twin. But don’t worry: disconsidering this low point, the film has good moments and an excellent climax, that lets anyone breathless and with confused neurons.

Há um pouco de didatismo no filme. A psique humana ainda era um enigma para a maioria das pessoas. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, havia morrido fazia apenas sete anos, e o público precisava ser doutrinado. Mas não se preocupe: não é o estilo “palestra do subconsciente” que Ingrid Bergman, Gregory Peck e Alfred Hitchcock fizeram um ano antes, em “Quando Fala o Coração” (1945). A novidade psicológica do filme fica por conta do teste Rorschach, em que o paciente diz o que vê em uma folha com um borrão de tinta. Este teste, motivo de piada em diversos filmes e seriados desde então, foi considerado ineficaz por estudiosos em 1965. 

There is a little didaticism in the film. Human psique was still an enigma for most people. The father of psychoalysis, Sigmund Freud, had died seven years before, and the audience needed to be doctrinated. But don’t worry: this is not the kind of “lecture about the subconscious” that Ingrid Bergman, Gregory Peck and Alfred Hitchcock did one year before, in “Spellbound” (1945). The big psychological novelty in the film is the Rorschach test, in which the patient describes what he or she sees in a paper with a paint stain. This test, center of many jokes in movies and series since then, was considered ineffective by academics in 1965.

É curioso ver o diálogo sobre rivalidade entre irmãs ser feito justamente para Olivia de Havilland, que teve uma longa rixa com a irmã também atriz Joan Fontaine. Os detalhes dessa rivalidade que vem desde a infância não foram tornados públicos (ao menos não todos os detalhes), mas sem dúvida é impossível dizer quem estava certa ou errada na disputa De Havilland contra Fontaine.

It is curious to see the dialog about sibling rivalry being acted exactly by Olivia de Havilland, who had a long feud with her sister (and also actress) Joan Fontaine. The details of this rivalry that comes since childhood were never made public (at least not ALL details), but without a doubt it’s impossible to say who was right or wrong in the De Havilland against Fontaine case.

Para Olivia de Havilland, 1946 foi um grande ano. Ela ficou dois anos afastada do cinema enquanto lutava para se livrar do abusivo contrato de sete anos da Warner Brothers. Por ter rejeitado vários papéis ruins, Olivia foi informada de que ficaria mais seis meses exclusiva da Warner, como forma de punição. Ela foi aos tribunais e ganhou o caso, mas, graças à influência da Warner em Hollywood, nenhum estúdio lhe ofereceu trabalho entre 1944 e 1946. Lew Ayres também estava afastado do cinema, porque deixou Hollywood em 1942 para trabalhar como médico e capelão durante a guerra no Pacífico. Protagonista de “Sem Novidade no Front” (1930), Ayres era um grande pacifista e perdeu a simpatia dos colegas durante a guerra porque se opunha ao conflito.

For Olivia de Havilland, 1946 was a fantastic year. She was far from movies for two years, fighting to get rido f Warner Brothers’s abusive seven-year contract. Because she rejected several bad roles, Olivia was informed that she would be a Warner exclusive for six more months as a punishment. She went to court and won the case, but, thanks to Warner’s influence in Hollywood, no studio offered her work between 1944 and 1946. Lew Ayres was also far from the movie business, because he left Hollywood in 1942 to work as doctor and chaplain during the war in the Pacific. The lead of “All Quiet on the Western Front” (1946), Ayres was a pacifist and lost the sympathy of his movie colleagues because he was against the war. 

Este não é o melhor filme de nenhum de seus atores. Não é o melhor filme do diretor Robert Siodmak (de “Os Assassinos”, 1946) nem do produtor Nunnally Johnson (de “Um Retrato de Mulher”, 1944). Mas é um filme muito bom, como o são todos os clássicos.

This is not the best film for nwither Olivia now Lew. It is not the best film by director Robert Siodmack (who did “The Killers” also in 1946) nor by producer Nunnally Johnson (from “The Woman in the Window”, 1944). But it is a very good classic film nonetheless.

This is my contribution to the Fourth Annual Dueling Divas blogathon, hosted by Lara at Backlots.

Sunday, January 25, 2015

A Lei da Fronteira / Frontier Marshal (1939)

1939 foi um grande ano para o gênero western. Durante a década de 1930, os filmes ambientados no Velho Oeste estavam quase sempre relegados à categoria B: eram curtos (por volta de uma hora de duração), feitos sem grande orçamento e destinados a ser a atração menor nas matinês e “double features”. Os westerns B eram o que garantiam o emprego do pobre John Wayne nos anos 30, mas tudo iria mudar: em 1939, John Ford e John Wayne levaram o western de volta à lista de gêneros mais prestigiados com “No tempo das diligências / Stagecoach”.
Também em 1939 foi feito “A Lei da Fronteira / Frontier Marshal”, o primeiro filme a contar a história de Wyatt Earp, Doc Holliday e o tiroteio no O.K. Corral. E um dos velhos conhecidos do western B foi escolhido como protagonista. Enquanto John Wayne fazia filmes ruins na Warner, Randolph Scott era o caubói rústico da Paramount. Na década de 1930, ele também participou de filmes de horror, aventura e até de um musical com Fred Astaire e Ginger Rogers! Mas ele voltaria às origens do Velho Oeste. Era só uma questão de tempo.
A cidade de Tombstone foi povoada por oportunistas que queriam ficar ricos explorando prata. Logo Tombstone se transformou em um lugar ideal para bandidos, e o xerife local (Ward Bond), com medo de morrer e deixar mulher e filhos desamparados, não queria combater o crime. Foi então que Wyatt Earp (Randolph Scott), descendo por um cano, afirmou que os bandidos precisavam ser detidos. E assim ele se tornou xerife de Tombstone.
O primeiro contato de Wyatt com Doc Holiday (Cesar Romero) não é nem um pouco amistoso: ele decide atirar em Wyatt depois que o novo xerife joga a cantora de saloon Jerry (Binnie Barnes) na água. Mas Wyatt é bem mais sensato que Doc porque, apesar de ser um perigoso pistoleiro, Doc sofre com a tuberculose e com seu vício pela bebida, duas coisas que também preocupam a enfermeira apaixonada Sarah (Nancy Kelly).
Aqui Doc Holliday é a grande estrela. Cesar Romero era nove anos mais novo que Randolph Scott, e até então havia sido estereotipado em Hollywood. Sim, ele contracenou com grandes estrelas, como William Powell, Shirley Temple e Carole Lombard, mas sempre interpretando algum tipo exótico ou estrangeiro, embora ele próprio tenha nascido em Nova York.
A confusão no filme começa quando o bandido Ben Carter (John Carradine) e seus capangas levam a força o comediante Eddie Foy (interpretado por seu filho Eddie Foy Jr) para se apresentar em um bar. Mas o tempo todo Doc Holliday é o verdadeiro alvo de Ben Carter.
“A Lei da Fronteira / Frontier Marshal” está longe de ser um western de primeira classe. Tem bons momentos, sim, incluindo a operação que Doc precisa fazer para salvar a vida de um garotinho. Randolph Scott não erra nenhum tiro e já constrói a persona de seus xerifes futuros. Para Scott, o melhor ainda estava por vir.

This is my contribution to The Blogathon for Randolph Scott , hosted by Toby at 50 Westerns from the 50s. Yipee!

Tuesday, January 20, 2015

Inferno entre Nuvens / The Woman I Love (1937)

O cinema clássico está cheio de tesouros. Tesouros são aqueles filmes, atores, atrizes e diretores que por um motivo ou outro ficaram esquecidos no tempo, e o público atual franze a testa quando eles são citados. Aqui temos dois grandes esquecidos: Miriam Hopkins, loira e sedutora, e o sempre maravilhoso Paul Muni (faça um favor a si mesmo e veja dois grandes filmes de Muni: “Scarface”, de 1932” e “O Fugitivo / I am a Fugitive from a Chain Gang”, de 1933).
O filme é conhecido por dois títulos: "The Woman I Love" e "The Woman Between"
Sabemos que é possível perder o amor da sua vida durante um bombardeio, mas que tal encontrá-lo pela primeira vez numa situação destas? É durante um bombardeio em um teatro que o tenente Jean Herbillion (Louis Hayward) conhece Denise (Miriam Hopkins). Ela até desmaia durante o ataque aéreo, mas logo se recupera e os dois jantam juntos e dançam. Denise é misteriosa, e não quer que Jean a siga até em casa, mas ela vai se despedir quando ele vai para a guerra.
São necessários quase vinte minutos para Paul Muni aparecer com uma barba sexy. Ele é o tenente Claude Maury, metódico, valente e... amaldiçoado. Seus observadores, colegas de missão no avião que ele pilota, morrem como moscas. Ninguém quer lutar com Maury. Ou melhor, ninguém queria lutar com Maury até Herbillion chegar e se tornar amigo do piloto maldito.
Agora melhores amigos, Jean Herbillion e Claude Maury dividem as missões, as alegrias, os desafios, confidências e memórias... E você já deve estar imaginando certo: dividem também a mesma mulher! “Denise” é na verdade Helene Maury, esposa de Claude, que agora está confusa em Paris pensando em seus dois homens: aquele que ela ama (Claude) e aquele por quem está apaixonada (Jean). Sim, vai dar xabu.
Há uma montagem espetacular: dezenas de rostos tristes de mulheres, crianças, velhos e jovens são mostrados conforme parte da estação o trem que está levando os soldados para a guerra. É uma sequência linda e que infelizmente ainda se repete na vida real, mas que no cinema tem sua emoção multiplicada e compartilhada.
O irmão mais novo de Jean, Georges (Wally Albright) rouba todas as cenas em que aparece. Tagarela, inteligente, precoce, ele vive falando com animação sobre a guerra e sobre as proezas do irmão do amigo Philipe, que é soldado. Wally participou da série de curtas-metragens Our Gang e também do filme “Treze Mulheres” (1932).
Jan não se mostra muito surpreso ao descobrir que Denise é Helene. Talvez um ator melhor que Louis Hayward expressasse suas emoções com mais convicção e arte. Não podemos, entretanto, reclamar de Miriam Hopkins, tão sutil em seu sofrimento que é impossível julgá-la como uma leviana, ou de Paul Muni, sempre espetacular. Muni é passivo durante quase todo o filme, e fico imaginando que seria uma boa ideia trocar de personagem com Louis Hayward... ou que tal substituir Hayward por, por exemplo, Fredric March? Aí sim, o filme ficaria fantástico.
Os espectadores de 1937 concordaram comigo, e o filme deu prejuízos ao estúdio RKO. Mas não foi todo mundo que ficou no prejuízo: Miriam Hopkins se casou com o diretor do filme, Anatole Litvak, divorciando-se dois anos depois. Muni não se preocupou com a bilheteria: no início de 1937, ele havia ganhado seu primeiro (e único) Oscar.
Então “Inferno entre Nuvens / The Woman I Love” (1937) é um filme ruim? Muito pelo contrário! É melhor que 99% dos filmes que chegam às telas de cinema atualmente. Paul Muni é a força vital do filme, que pulsa e pensa e age na surdina. Aprecie o belo casal Hopkins e Hayward. Mas preste atenção na genialidade de Muni.

This is my contribution to the Miriam Hopkins blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and newcomer Maedez at Font and Frock.

Friday, January 16, 2015

Precisamos falar sobre Marilyn

Ela está em todos os lugares. É ícone da cultura pop e talvez o mais conhecido rosto do século XX. Mas eu me atrevo a dizer: Marilyn Monroe é superestimada. Podia ser uma grande atriz – mas não foi. Pouco aproveitada, era mais um pedaço de carne a ser exibido nas telas. Sua imagem sempre veio antes do seu talento – e tinha talento: foi uma das melhores alunas do Actor’s Studio.

Olhe para a foto acima. Marilyn lê! Sim, ela não é apenas um belo rosto! Mas ela precisava ser exibida em frente à estante usando apenas uma lingerie muito sexy? Não.

Como símbolo sexual e diva do cinema, Marilyn acaba atraindo a atenção de muitas pessoas (olhe como ela está nos cartazes de todos os seus filmes, mesmo tendo um papel pequeno!). São milhões de fãs no mundo inteiro, sendo que uma boa parte desses fãs não assistiram a nenhum filme com Marilyn. Eu não sou exatamente uma fã, mas já vi quase todos os filmes da estrela. E vou dizer: eles são ótimos, mas não por causa de Miss Monroe...

Loucos de Amor / Love Happy (1949)

Preste atenção em: Harpo Marx.

Por quê?: Groucho Marx pode ter muito tempo em cena com seu papel de detetive, mas é Harpo, adorável como nunca, que rouba todas as cenas em que aparece.

A Malvada / All About Eve (1950)

Preste atenção em: todo o elenco feminino.

Por quê?: Marilyn aparece em cena por menos de um minuto, e a loira está longe de ser a razão principal para ver este grande filme. Bette Davis e Anne Baxter brigando pelo lugar de diva máxima do teatro, com Thelma Ritter e Celeste Holm como coadjuvantes. Precisa pedir mais?

O Segredo das Joias / The Asphalt Jungle (1951)

Preste atenção em: Jean Hagen.

Por quê?:Mais uma vez, a participação de Marilyn é restrita a um minuto. Por outro lado, quem mostra muito talento (e uma bela voz) é Jean Hagen. Não reconhece o nome? Ela interpretou, no ano seguinte, a cômica vilã Lina Lamont em “Cantando na Chuva”!

Sempre Jovem / As Young as You Feel (1951)

Preste atenção em: Monty Woolley, Thelma Ritter e Constance Bennett.

Por quê?: Monty Woolley é o mais desconhecido de todos os indicados ao Oscar (ele foi indicado DUAS VEZES e ainda assim poucos o conhecem). Mas ele e as sempre ótimas Thelma e Constance dão um show com um roteiro muito divertido: para evitar a aposentadoria, John R. Hodges (Woolley) finge ser o presidente da própria empresa em que trabalha, enganando os funcionários.

Só a mulher peca / Clash by Night (1952)

Preste atenção em: Barbara Stanwyck, a rainha subestimada do cinema.

Por quê?: Marilyn está OK no filme, mas ele pertence à sempre excelente Barbara Stanwyck. Pense em um filme meio noir, passado à beira do mar, com uma femme fatale de meia-idade e dirigido pelo mesmo homem que dirigiu Metrópolis!

O Segredo das Viúvas / The Love Nest (1952)

Preste atenção em: Frank Fay.

Por quê?: Este filme está muito longe de ser especial. Se você puder evitá-lo, não perderá nada. Apenas me surpreendi com Frank Fay, já no final da carreira. Frank foi o primeiro marido de Barbara Stanwyck e parece já bem velho e judiado.

O Inventor da Mocidade / Monkey Business (1952)

Preste atenção em: Cary Grant e Ginger Rogers.

Por quê?: Junte dois dos melhores atores da época, Cary e Ginger. Eles são muito bons na comédia e têm uma ótima química. Prepare-se para muitas gargalhadas durante toda a projeção (meu momento favorito é quando Cary decide brincar de índio).

Travessuras de Casados / We’re not married (1952)

Preste atenção em: qualquer coisa.

Por quê?: Três casais descobrem que a união deles não é válida porque o juiz ainda não tinha uma licença. Há o casal do rádio que vive brigando, mas mantém as aparências quando está no ar, há a miss que pode competir agora que está solteira, e a moça que fica preocupada por seu filho nascer no “pecado”. Qual o problema do filme? É curto demais, cada caso poderia ser explorado melhor!

Almas Desesperadas / Don't bother to knock (1952)

Preste atenção em: Anne Bancroft em seu primeiro papel no cinema... e preste atenção também em Marilyn.

Por quê?: Sem dúvida este é o melhor filme de Marilyn, ou pelo menos aquele em que ela mostra todo seu potencial como atriz dramática. Uma deliciosa surpresa e uma atuação muito intensa!

Torrente de Paixão / Niagara (1953)

Preste atenção em: Joseph Cotten (e nos cenários).

Por quê?: Este é um filme noir em Technicolor. As salas fumacentas dão lugar ao ar puro das cataratas do Niágara, e Joseph Cotten ressuscita seu lado “tio Charlie” para ficar assustador. Imperdível.

Como agarrar um milionário / How to marry a millionaire (1953)

Preste atenção em: Lauren Bacall e Betty Grable.

Por quê?: Betty Grable tem um figurino maravilhoso no filme (ta, os óculos de Marilyn também são muito bonitos), mas o destaque vai para a linda e talentosa Lauren Bacall em seus momentos cômicos.

Os homens preferem as louras / Gentlemen prefer blondes (1953)

Preste atenção em: Jane Russell.

Por quê?: os homens podem preferir as louras, mas é a bela morena que comanda o espetáculo. Ela é mais exuberante em todos os números musicais e ainda faz uma maravilhosa imitação da personagem de Marilyn no tribunal.

O Mundo da Fantasia / There is no business like show business (1954)

Preste atenção em: Donald O’Connor

Por quê?: Este é um dos grandes momentos de O’Connor no cinema. Sua dança com as estátuas, quando ele percebe que está apaixonado, é o equivalente ao Cantando na Chuva de Gene Kelly.

O Rio das Almas Perdidas / River of No Return (1954)

Preste atenção: nas roupas! No cenário! Nas forças da natureza!

Por quê?: Marilyn é uma cantora de saloon com belas roupas, mas o verdadeiro protagonista do filme é o rio, que ameaça Robert Mitchum, seu filho pequeno e a nossa loira favorita.

O pecado mora ao lado / The Seven Year Itch (1955)

Preste atenção: nos diálogos.

Por quê?: este é o filme com a famosa cena do vestido. Mas nem por isso é especial dentro da filmografia brilhante de Billy Wilder. Sim, há bons momentos do humor característico de Wilder, e apenas eles fazem o filme valer a pena. Ah, tem também “o bife” ("chopsticks"):

Nunca fui Santa / Bus Stop (1956)

Preste atenção: no figurino de Marilyn. Só isso salva o filme.

Por quê?: Não sei quanto a você, mas eu considero este filme muito, muito chato, em especial por causa do protagonista sem carisma, Don Murray, que resolve sequestrar a personagem de Marilyn, a bela cantora Chérie, e levá-la para viver com ele. Marilyn foi tratada como um objeto neste filme!

O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl (1957)

Preste atenção em: Laurence Olivier.

Por quê?: Olivier podia fazer tudo, da comédia ao drama de Shakespeare. Entretanto, aqui a história dos bastidores é tão interessante quanto o filme final, como podemos ver em “Sete Dias com Marilyn / My week with Marilyn” (2011).

Quanto mais quente melhor / Some like it hot (1959)

Preste atenção em: Jack Lemmon... e Joe E. Brown.

Por quê?: Como Gerald / Daphne, Jack Lemmon dá total vazão a seu lado feminino e parece realmente aproveitar todo o tempo em que está vestido de mulher. O problema começa quando o rico Osgood (Joe E. Brown) se apaixona por Daphne. Uma pena que Lemmon não ganhou o Oscar de Melhor Ator!

Adorável Pecadora / Let's Make Love (1960)

Preste atenção em: participações especiais (“cameos”) de Bing Crosby, Gene Kelly e Milton Berle.

Por quê?: Bing, Gene e Berle aparecem no filme apenas para descobrir algum talento no personagem de Yves Montand – um homem rico que, ao descobrir que é motivo de piada em uma peça de teatro, resolve entrar no elenco (o que é um ótimo enredo!).

Os Desajustados / The Misfits (1961)

Preste atenção em: Clark Gable.

Por quê?: Se Clark Gable tivesse feito apenas esse filme, já mereceria um lugar de destaque entre as maiores estrelas do cinema. Em sua atuação mais brilhante, Gable mostra que não era só um sex symbol dos anos 30. Repare na frustração quando ele não encontra os filhos do lado de fora do bar. É, sem dúvida, o momento em que sua estrela brilhou mais alto em frente às câmeras.

Marilyn era diva? Era. Tinha tudo para ser uma grande atriz? Provavelmente. Foi produto e vítima de Hollywood. Apesar de ainda ser muito lembrada, certamente foi uma das estrelas mais tristes da constelação da era de ouro.

This is my contribution to the Contrary to Popular Opinion Blogathon, hosted by Sister Celluloid!

Thursday, January 8, 2015

Resoluções Cinematográficas

Ano Novo, filmes novos. Ou melhor: Ano Novo, 365 oportunidades para descobrir clássicos que eu nunca vi. Embora eu me empenhe, são muitos os filmes neste mundão, e ainda faltam muitos para ver (inclusive tenho vergonha de admitir que desconheço alguns dos maiores clássicos). Minhas amigas virtuais queridas Laura e Raquel costumam fazer uma lista de 10 filmes que elas querem ver pela primeira vez no ano que se inicia, e aos poucos elas estão contaminando os outros blogueiros de cinema clássico. Minha lista contém 15 filmes (porque estamos em 2015, e também porque eu tenho um bom tempo livre para preencher com a magia do cinema) e aqui está meu compromisso selado com vocês. Em 2015 vou assistir a:
Você nunca viu Jezebel?   :O
Civilização / Civilization (1916)
Harold, Neto Mimado / Grandma's Boy (1922)
It (1927)
A Paixão de Joana D’Arc (1928)
White Zombie (1932)
Nada é Sagrado / Nothing Sacred (1937)
Jezebel (1938)
Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again (1939)
O Dragão Relutante / The Reluctant Dragon (1940)
Aniki Bóbó (1942)
Os Melhores Anos de Nossas Vidas / The Best Years of Our Lives (1946)
Festim Diabólico / Rope (1948)
Era uma vez em Tóquio / Tokyo Story (1953)
Hiroshima, Mon Amour (1959)
Cleo from 5 to 7 (1962)
Quero cumprir a resolução!
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