} Crítica Retrô: 1982

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Saturday, August 8, 2026

O Desespero de Veronika Voss (1982) / Veronika Voss (1982)

 

Por muitos anos, se alguém me perguntasse qual meu filme preferido de Fassbinder, eu responderia sem pensar duas vezes: “O Desespero de Veronika Voss”, seu último filme. Mas nunca me perguntaram isso. E recentemente, este ano, quando revi o filme, não vi o brilhantismo que meu cérebro adolescente viu tantos anos atrás. Vamos mergulhar no desespero de Veronika Voss para ver o que aconteceu.

For many years, if anyone asked me what was my favorite Fassbinder film, I’d answer without thinking twice: “Veronika Voss”, his last film. But nobody ever asked me that. And recently this year, when I rewatched the film, I didn’t see the brilliance my teen brain saw so many years ago. Let’s dive deeper in Veronika’s longing to see what happened.

O ano é 1955. Veronika Voss (Rosel Zech) se perturba assistindo a um de seus velhos filmes, ao estilo Norma Desmond. Ela sai da sessão abruptamente e sai na chuva, chorando. Lá fora ela conhece o bondoso Robert Krohn (Hilmar Thate), que lhe oferece um guarda-chuva e um casaco. Ele não a reconhece e ela gosta disso. No dia seguinte, ela o convida para um drink, conversa sobre o mundo do cinema, e lhe pede dinheiro.

The year is 1955. Veronika Voss (Rosel Zech) is distressed while watching one of her old films, like Norma Desmond. She leaves the session abruptly and goes out in the rain, crying. Outside she meets the kind Robert Krohn (Hilmar Thate), who offers her an umbrella and a coat. He doesn’t recognize her and she is thankful for this. The following day, she invites him for a drink, talks about filmmaking and asks him for money.

Robert decide descobrir mais sobre Veronika através de uma pesquisa nos arquivos do jornal local. Ele ouve de outra jornalista, Grete, que “atores são tolos, perdidos e vaidosos”. Mas ele enxerga humanidade em Veronika. Sua busca o leva até a clínica super branca da neurologista Marianne Katz (Annemarie Düringer), de quem Veronika é paciente. Mas ela não é uma paciente comum: a atriz está sob a influência e o controle da médica, numa relação realmente abusiva. 

Robert decides to learn more about Veronika by researching her at the local newspaper files. He hears from a fellow journalist, Grete, that “actors are foolish, lost and vain”. But he sees humanity in Veronika. His search takes him to the über-white practice of the neurologist Marianne Katz (Annemarie Düringer), who Veronika is seeing. She is not only a common patient: the actress is under the influence and control of the doctor, in a truly abusive relationship.

Veronika Voss está naquele momento crítico da carreira de uma atriz em que ela está perdendo papéis para mulheres mais jovens, mais belas e menos talentosas. Ela poderia ter uma rival na namorada de Robert, mas a moça não se preocupa com o interesse, quase obsessão, dele pela velha atriz. 

Veronika Voss is in that critical moment of an actress’ career when she is losing roles for younger, prettier and less talented women. She could have a rival in Robert’s girlfriend, but the lady has a no-nonsense attitude about his infatuation, basically an obsession, with the old actress.

Veronika Voss foi inspirada por uma figura real: Sybille Schmitz. Assim como Veronika, ela foi uma estrela dos estúdios da UFA no período nazista. Aos 18 Sybille começou a atuar no grupo de teatro de Max Reinhardt e papéis no cinema foram o caminho natural, incluindo em “O Vampiro” (1932), de Dreyer. Mesmo relegada aos papéis de femme fatales e mulheres estrangeiras, ela trabalhou sem parar no governo nazista, o que a levou a ser ostracizada após o fim da guerra. Ela cometeu suicídio aos 45 anos em Munique, onde estava vivendo numa clínica de uma médica que lhe fornecia morfina para aliviar as dores. 

Veronika Voss was inspired by an actual figure: Sybille Schmitz. Like Veronika, she was a star at UFA studios during the Nazi period. At 18 Sybille got her start in Max Reinhardt’s theater group and soon film roles followed, including in Dreyer’s “Vampyr” (1932). Even though she was relegated to roles of femme fatales or foreign women, she worked nonstop during Nazi rule, which contributed to her being ostracized once WWII was over. She committed suicide at age 45 in Munich, where she was living in a private clinic owned by a doctor who offered her morphine to ease the pains.  

Há alguns flashbacks no filme. Neles, tudo é luz e brilho. Há luz nos sets de filmagem de Veronika e na casa onde ela vivia com o marido. Eram tempos mais brilhantes, com certeza. O efeito foi obtido pelo diretor de fotografia Xaver Schwarsenberger, que trabalhou em mais de 100 filmes e dirigiu 53 títulos. 

There are some flashbacks in the movie. In them, everything is light and brightness. There are the lights in Veronika’s movie sets and in her house shared with her husband. Brighter times, for sure. The effect was achieved by cinematographer Xaver Schwarzenberger, who worked in more than 100 films and directed 53 titles.

A trilha sonora é por vezes brincalhona, por vezes sexy. Certamente nos envolve numa atmosfera. Mas não é o tipo de música associada com um filme sobre uma ex-estrela viciada em morfina. O compositor foi Peer Raben, que produziu alguns dos primeiros filmes de Fassbinder - os dois foram amantes por um tempo - antes de se tornar compositor. A música norte-americana também pode ser encontrada na trilha sonora, incluindo “Memories are made of this”, cantada de maneira sedutora por Rosel Zech.

The soundtrack is sometimes playful, sometimes sexy. It certainly involves us in an atmosphere. But it’s not the kind of music associated with a movie about a has-been star addicted to morphine. The composer was Peer Raben, who produced some of Fassbinder’s early movies - the two were lovers for a while - before becoming a composer. North American music can also be found on the soundtrack, including a rendition of “Memories are made of this” sung by Rosel Zech seductively.

A performance de Rosel Zech é esplêndida. Seus gestos, a maneira como ela fala e se move com rapidez, tudo aponta para uma Veronika que está à beira de um ataque de nervos. Zech marcou presença no teatro e na televisão, e no cinema é mais associada com o Novo Cinema Alemão. Ela também tem um papel em “Lola” de Fassbinder, feito um ano antes de “O Desespero de Veronika Voss”.  

Rosel Zech’s performance is splendid. Her mannerisms, the way she talks and moves quickly, all point out to her Veronika being on the verge of a nervous breakdown. Zech had a strong presence on theater and television, and in cinema is more associated with New German Cinema. She also appeared in Fassbinder’s “Lola”, made one year before “Veronika Voss”.

Num flashback o marido de Veronika diz que ela “precisa estar sempre produzindo”. O mesmo foi verdade para o diretor Rainer Werner Fassbinder. Eu disse anteriormente que este foi seu último filme. Bem, o último que estreou quando estava vivo. Ele faleceu em 1982 de uma overdose, aos 37 anos, depois de fazer mais de 40 filmes, além de 24 peças de teatro, dois seriados de TV, três curtas e quatro videoclipes!

In a flashback Veronika’s husband says she “needs to be always producing”. The same was true for director Rainer Werner Fassbinder. I told before that this is his last film. Well, the last released during his lifetime. He died in 1982 from an overdose, aged 37, after making more than 40 films, plus 24 plays, two television serials, three short films and four video productions!

“O Desespero de Veronika Voss” ganhou o Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim e com certeza é um bom filme,  mas não o melhor. O único problema após rever o filme é esse: agora eu não sei o que dizer quando alguém me perguntar qual é meu filme favorito de Fassbinder! 

“Veronika Voss” won the Golden Bear at the Berlin International Film Festival and for sure it’s a good movie, not only the best. The only problem after this rewatch was this: now I don’t know what to say when someone asks me what is my favorite Fassbinder movie!

This is my contribution to the It Grew on Me blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room.


Saturday, December 21, 2024

Blade Runner (1982)

 No último ano e meio, fiz um curso online sobre cinema de ficção científica, focando em como o cinema previu a Inteligência Artificial e o Metaverso décadas antes de estas coisas existirem. Por causa desta aula decidi finalmente assistir a “Blade Runner - Caçador de Androides”, mesmo tendo recebido um imenso spoiler durante a aula. Como acredito que o mais importante não é o final, mas a jornada, decidi seguir com meu plano de ver o filme. Aqui estão minhas opiniões:

 

For the past year and a half, I’ve been taking an online course about sci-fi cinema, focusing on how movies predicted Artificial Intelligence and the Metaverse decades before those things appeared. Because of this class I decided to finally watch “Blade Runner”, even though in the class I received a massive spoiler. Believing that the most important isn’t the outcome, but the journey, I decided to nevertheless watch the movie. Here are my thoughts:




O ano é 2019. Há carros voadores em Los Angeles e o ser humano está colonizando outros planetas. Uma companhia vem criando Replicantes, androides que são similares às pessoas na aparência, força e inteligência, para serem usados como escravos. Depois de uma rebelião, fica acertado que Replicantes podem ficar só em outros planetas. Se um Replicante é encontrado na Terra, é eliminado por um caçador de androides.


The year is 2019. There are flying cars in Los Angeles and mankind is colonizing other planets. A company has created Replicants, androids that are similar to people in appearance, strength and intelligence, to be used as slaves. After a rebellion, Replicants need to stay only on other planets. If a Replicant is found on Earth, it is destroyed by the Blade Runners.



Um dos caçadores de androides é Deckard (Harrison Ford, apenas cinco anos depois de “Star Wars”), que descobre que memórias estão sendo implantadas nos Replicantes para deixá-los ainda mais parecidos com humanos. A missão dele é destruir quatro Replicantes - sem criar laços com eles, o que se mostra impossível.


Such a Blade Runner is Deckard (Harrison Ford, only five years after “Star Wars”), who finds out that memories are being implanted in the Replicants to make them even closer to humans. His mission is to destroy four Replicants - without creating bonds with them, which proves impossible.


Filmes ambientados no futuro costumam ser demasiado otimistas quanto às coisas que alcançaremos até que o futuro se torne presente. Filmes e séries de TV de ficção científica como “Blade Runner” previram que teríamos carros voadores no século XXI, assim como prédios ultra-altos, chamadas de vídeo e equipamentos que respondem a comandos de voz - pelo menos nestes eles acertaram! Outra coisa que o filme acertou foi no multiculturalismo: há pessoas de todo lugar e etnia na Los Angeles de 2019. Eles não previram, entretanto, a xenofobia que infelizmente viria junto.


Films set in the future usually are over-optimistic with all the things that will be accomplished until the future becomes present. Sci-fi movies and TV shows like “Blade Runner” predicted that we’d have flying cars in the 21st century, as well as ultra-high buildings, video calls and equipments that answer to voice commands - at least these they got right! Another thing that the movie got right was multiculturalism: there are people from all places and ethnicities in 2019 Los Angeles. They didn’t predict, however, the xenophobia that would unfortunately come with it.



“Blade Runner” foi produzido por Run Run Shaw, que viveu até os 106 anos e em sua longuíssima vida produziu 380 filmes. O diretor Ridley Scott considerou rodar o filme em Hong Kong, onde Shaw mantinha seus negócios, mas teve de se contentar em filmar em Hollywood. O filme estourou o orçamento e o clima no set era tenso, especialmente entre Scott e o astro Harrison Ford.


“Blade Runner” was produced by Run Run Shaw, who lived to be 106 and in his long long life produced 380 films. The director Ridley Scott considered shooting the movie in Hong Kong, where Shaw had his enterprises, but had to film in Hollywood nevertheless. The movie ended up being over-budget and the mood on the set was tense, especially between Scott and the star Harrison Ford.



O roteiro é de Hampton Fancher e David Peoples, baseado no romance “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, de Philip K. Dick, de 1968. O filme começou a ser planejado em 1975. O autor do romance aprovou e elogiou a escolha de elenco, dizendo que tanto Harrison Ford quanto Rutger Hauer eram perfeitos para os papéis. Infelizmente, Philip K. Dick nunca viu o filme completo, pois faleceu no começo de 1982, ano de estreia do filme.


The screenplay is by Hampton Fancher and David Peoples, based on the novel “Do androids dream of electric sheep?” by Philip K. Dick, from 1968. The film started being planned in 1975. The author of the novel approved and highly praised the casting, claiming that both Harrison Ford and Rutger Hauer were perfect for their roles. Unfortunately, Philip K. Dick never saw the completed film, as he died in early 1982, the year the movie was released.



“Blade Runner” inaugurou a tendência de um filme ter mais de uma versão final. Aqui há duas: uma com e outra sem narração, e os finais também diferem. Em 2007 o público viu a “versão do diretor”, vinda de um negativo que não foi apresentado ao público em 1982.


“Blade Runner” inaugurated the tendency to have more than one final version. There are two: the one with and the one without narration, and they have different endings. In 2007 the audience saw the “director’s cut”, coming from a negative that was not presented to the public back in 1982.



A música foi “composta, arranjada, executada e produzida por” Vangelis, um mestre da música eletrônica. Devemos agradecer a ele pela criação de um clima perfeito durante o assassinato de um Replicante - ou, como é dito dentro do filme, uma “aposentadoria”. Há também ótima música quando Rachael (Sean Young) desfaz seu penteado - que foi inspirado em Joan Crawford!-, antes de beijar Deckard. Surpreendentemente, a cena mais emocionante da morte de Batty (Rutger Hauer) não é acompanhada de música.


The music was “composed, arranged, performed and produced by” Vangelis, a master in electronic music. We should thank him for the moody music during the assassination of a Replicant - or, as it’s called within the film, a “retirement”. There is also great music when Rachael (Sean Young) undoes her hair - that was inspired by Joan Crawford! -, before kissing Deckard. Surprisingly, the more emotional scene of  Batty’s (Rutger Hauer) death has no soundtrack.



Fiquei surpresa ao notar que “Blade Runner” não é um filme muito longo. Com quase duas horas de projeção (118 minutos), é muito mais curto que outras ficções científicas feitas mais ou menos na mesma época, como “2001: uma Odisseia no Espaço” (149 minutos de duração), e até mesmo a sequência “Blade Runner 2049”, que tem 164 minutos de duração!


I was surprised that “Blade Runner” isn’t a very long movie. Clocking in at nearly two hours of projection (118 minutes), it’s much shorter than other sci-fi movies made around the same time, such as “2001: a Space Odyssey” (149 minutes long), and even the sequel “Blade Runner 2049”, that is 164 minutes long!



Deckard diz que Replicantes são como quaisquer outras máquinas: podem ser benéficas ou uma ameaça. O mesmo pode ser dito sobre todas as novas tecnologias, incluindo a IA e o Metaverso. Não é a tecnologia que é inerentemente boa ou ruim, é nosso uso delas. Se tivermos que tirar uma lição de “Blade Runner”, esta é uma boa.


Deckard says that Replicants are like any other machine: either a benefit or a hazard. The same can be said about all new technologies, including AI and the Metaverse. It’s not the technology that is inherently good or bad, it’s how we use them. If we have to come up with a lesson from “Blade Runner”, this is as good as any other.


Wednesday, March 13, 2013

Variações sobre um mesmo tema: Sangue de Pantera (1942 e 1982)

Esqueça a simpática e divertida pantera cor-de-rosa; hoje falaremos sobre os membros assustadores dessa charmosa espécie. Felinos sempre estiveram de uma maneira ou de outra associados com misticismo. No Egito Antigo, por exemplo, eles eram considerados animais sagrados. Na Idade Média, começaram a ser associados com bruxaria, causando o sacrifício de muitos gatos e, em consequência, proliferando a população de ratos que causaram uma epidemia de peste negra (bem feito!). Essa imagem negativa dos gatos ainda persiste em alguns lugares e culturas pouco esclarecidas (desculpe-me, gosto muito de gatos para deixar de atacar quem os considera criaturas demoníacas).
As várias lendas sobre felinos não poderiam ficar de fora do imaginário cinematográfico. Embora existam mais filmes com cachorros ou mesmo cavalos como protagonistas, não há motivos para deixar os gatos fora das telas. A imaginação falou mais alto que a realidade e a pantera se tornou o símbolo de um filme de terror fabuloso da década de 1940, que foi refilmado com mudanças substanciais 40 anos depois.
Em 1942, Irena Dubrovna (Simone Simon) era uma artista sérvia vivendo em Nova York que conhece, em uma visita ao zoológico, o arquiteto Ollie Reed (Kent Smith) e os dois logo se apaixonam e se casam. Quem apoia o casal é a colega de trabalho de Ollie, Alice (Jane Randolph), uma mulher moderna que, na verdade, está apaixonada por Ollie. Irena tem medo que uma emoção muito forte, como o desejo ao consumar o casamento ou o ciúme de Alice, transforme-a em pantera, como diz a velha lenda de seu povoado, que associa os felinos ao paganismo combatido por um rei fictício. Para acabar com os problemas da esposa, Ollie pede ajuda a Alice, que lhe indica o psiquiatria Louis Judd (Ton Conway).

Em 1982, Irena Gallier (Nastassja Kinski, um dos nomes mais difíceis do cinema) vai a New Orleans morar com o irmão Paul (Malcolm MacDowell), que não vê há muitos anos. Ela começa a trabalhar no mesmo zoológico que o irmão e se envolve com o diretor do local. Eles não se casam, mas mantêm relações sexuais, o que desperta a pantera dentro dela. A origem da maldição desta vez tem outra explicação: Irena e Paul vêm de uma família que costumava cruzar mulheres com panteras. Como depois de se tornarem panteras, eles devem matar para voltar ao normal, eles só poderiam transar um com o outro.  
O filme mais antigo é filmado com maestria em preto-e-branco pelo famoso diretor Jacques Torneur. Com a limitação de cores, o destaque fica para os jogos de luz e sombra e destaco especialmente a iluminação no rosto de Irena durante sua sessão de hipnose. Quarenta anos depois, tudo era liberado e, além de muitas cenas fortes com Nastassja nua, o diretor também abusou dos tons de vermelho e laranja. A pantera continua sendo vista apenas após a metamorfose, não sendo mostrada a transformação de Irena. Mesmo assim, em 1982 ela faz muito mais vítimas, incluindo um pacato guarda do zoológico que acaba sem braço. E sem vida.
Com um orçamento minúsculo, a versão de 1942 foi filmada em apenas 18 dias, e quem for observador poderá perceber que alguns dos cenários foram reaproveitados do filme “Soberba / The Magnificent Ambersons”, de Orson Welles. Com maestria, o produtor Val Lewton conseguiu fazer grandes filmes de terror de baixo orçamento e muito suspense. Foi o próprio Lewton, aliás, que teve a ideia para o filme, escrevendo-a em 1930 no conto “The Bagheeta” e baseando-se em seu próprio medo de gatos. O filme ficou muitos meses em cartaz, e gerou a sequência “A maldição do sangue de pantera / The curse of the cat people”, em 1946, novamente com os personagens Ollie e Alice. Tom Conway voltaria no ano seguinte como o doutor Judd em “A sétima vítima”. Como neste filme não há data específica, imagino que a ação tenha acontecido antes da ação de “Sangue de Pantera”, pois (SPOILER) tenho a nítida impressão de que Irena matou doutor Judd. Outro que caiu nas graças de Val Lewton foi o felino Dynamite, que apareceu também em “O homem leopardo” (1943).

Por mais que haja ovelhas no Central Park (o que de fato acontecia até 1934), “Sangue de Pantera” de 1942 mostra-se superior a seu remake, conhecido no Brasil como “A marca da pantera”. O próprio diretor Paul Scrader se arrependeu de dar o nome “Cat People” ao filme, uma vez que vieram muitas comparações negativas. De fato, apenas a famosa cena da piscina é repetida, todo o resto da história muda muito na película de 1982. Como eu normalmente torço pelos vilões, em especial se eles têm forma de animal, preferi o final de 1982, mas, considerando que a história original tem uma sequência que eu ainda preciso ver, há a chance de que o destino de Irena não tenha sido tão nefasto... 
 

Tuesday, April 12, 2011

Gandhi (1982)

O exemplo máximo de pacifista do nosso tempo, uma das maiores personalidades do século XX, um benfeitor indiano sem o qual seu país não sairia do jugo neocolonial da Inglaterra. Assim como os feitos do biografado, Gandhi é um filme grande, tanto em questões técnicas (cenários, figurantes, duração) quanto em apelo popular.
Com vocês, o biografado: Mohandas Kharamchand Gandhi (1869 - 1948) foi um advogado e ativista político indiano. Lutou contra a discriminação, a segregação e o domínio inglês no território da Índia. Suas táticas de luta eram alternativas e diferentes: pregava a não-violência e a desobediência civil frente às leis e soldados ingleses. Ironicamente, essas táticas muitas vezes levavam multidões à morte. Foi apelidado de “Mahatma” (a grande alma) e tido como símbolo da lua dos mais humildes.
Licença Cinematográfica: Alguns detalhes passaram em branco, como modelos de carros de época e determinados hábitos e comportamentos.
 Quando Gandhi é mandado para a classe econômica do trem, logo no início do filme, note que a primeira classe, de onde ele sai, é um dos primeiros vagões. Isso seria impossível, pois a proximidade das caldeiras tornaria a classe VIP infernal, literalmente. 
Coisa de Cinema: O ator Bem Kingsley, que interpreta Gandhi, nasceu na mesma província que Mahatma. Ele emagreceu, fez ioga e tentou viver segundo os preceitos do grande líder para vivê-lo nas telas. Deu resultado: além de ganhar o Oscar de Melhor Ator, a semelhança foi tão grande que muitos indianos acreditaram que Ben era o fantasma de Gandhi.
Coincidentemente, o hotel em que Gandhi se hospedou na Inglaterra se chamava “Kingsley Hall”!
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