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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Book review: Miss D & Me, by Kathryn Sermak and Danelle Morton


Algumas vezes eu me pergunto como algumas estrelas do cinema clássico eram na vida pessoal. É fácil imaginar algumas estrelas e apontar quais eram tímidas e quais eram extrovertidas graças à persona cinematográfica que interpretavam. Outras eram um mistério para mim. Bette Davis era um destes mistérios. Ela geralmente interpretava mulheres fortes nas telas, e ao mesmo tempo podemos encontrar fotos fofas dela em momentos de descanso. Eu não conseguia imaginar se ela era forte e exigente em sua vida pessoal ou fofa e relaxada. Agora, graças ao incrível livro “Miss D & Me”, eu aprendi que Bette era, ao mesmo tempo, forte e doce.

Sometimes I wonder how some classic film stars were in their private lives. Some are easy to imagine, to pinpoint which were shy and which were outgoing thanks to their film persona. Some were a mystery to me. Bette Davis was one of those mysteries. She often portrayed strong leading ladies on screen, and at the same time there are sweet pictures of her in moments of rest. I couldn’t imagine if she was strong and exigent in her private life or sweet and laid back. Now, thanks to the amazing book “Miss D & Me”, I could learn that Bette was, at the same time, both strong and sweet.


“Miss D & Me” foi escrito por Kathryn Sermak, assistente pessoal de Bette Davis no final dos anos 70 e início dos anos 80. Kathryn também estava com Bette quando a estrela sofreu um derrame quase fatal em 1983, e era a única pessoa presente no quarto de hospital quando Bette faleceu em 1989. Mais do que uma funcionária, Kathryn se tornou uma amiga e uma confidente. Ela presenciou o que houve de bom e de ruim na vida de Bette Davis, e com todo o respeito dividiu essas memórias conosco.

“Miss D & Me” was written by Kathryn Sermak, Bette Davis’ personal assistant in the late 1970s and early 1980s. Kathryn was also with Bette when the star suffered a near fatal stroke in 1983, and was the only person present in the hospital room when Bette passed away in 1989. More than an employee, Kathryn became a friend and a confident. She saw the good, the bad and the ugly of Bette Davis’ life, and with all due respect shared those memories with us.
 
Bette and Kathryn
A memória de Kathryn é admirável. Mesmo tendo ela escrito que anotava o que acontecia em seus dias com Bette, sua atenção ao detalhe e habilidade de se lembrar de pequenas coisas me impressionou. Estes detalhes foram o que mais me interessaram e surpreenderam – como o fato de Bette Davis sempre rearrumar a mobília em quartos de hotel e adicionar fotos e pequenos objetos decorativos trazidos de casa para que o local tivesse ares de lar.

Kathryn’s memory is admirable. Even though she says she kept notes of her days working with Bette, her attention to detail and ability to remember little things that happened decades ago impressed me. Those details also were what interested and amazed me the most – like how Bette Davis used to rearrange the furniture in hotel rooms and add photos and knickknacks she would bring from her house to make the place feel like home.


Eu pude ter perspectivas diferentes de Bette Davis durante a leitura. Eu imagino, agora, que ela era muito desconfiada e insegura, pois proibiu Kathryn de conversar com qualquer pessoa “abaixo dela” no set de filmagem e também com empregados como a faxineira ou o motorista, com medo de que aquelas pessoas fizessem perguntas sobre ela e vendessem informações para tabloides. Ela certamente fez isso por causa de experiências desagradáveis no passado. Ela aprendeu com o tempo a não confiar em ninguém quando se é estrela de cinema.

I got to have different perceptions of Bette Davis through the book. I imagine, now, that she was very suspicious and insecure, as she forbade Kathryn from talking to anything “lesser than her” on set, and also to household people such as the maid or the driver, afraid that those people were asking about her and collecting info to sell to tabloids. She certainly did this because of previous bad experiences. She learned with time to not trust anyone if you’re a film star.


Kathryn descreve Bette como perfeccionista. Kathryn teve de ser humilde e aprender com os erros nos seus primeiros anos com Bette, e aceitar muitas críticas. Bette decidiu moldá-la assim como ela havia sido moldada pela Warner Brothers quando ela chegou a Hollywood. Bette mudou o nome de Kathryn (era originalmente Catherine), seu estilo, seu cabelo e em especial suas maneiras. Era algo frustrante para Kathryn em muitas ocasiões, mas ela escreve que é muito grata até hoje pelas lições.

Kathryn describes Bette as a perfectionist. Kathryn had to be meek and learn through mistakes in his first years with Bette, and accept a lot of criticism. Bette decided to shape her just as she had been shaped by Warner Brothers when she arrived in Hollywood. Bette changed Kathryn’s name (it was originally Catherine), her wardrobe, her hair and in special her manners. It was frustrating to Kathryn in many occasions, but she writes about how grateful she is until today for the lessons.


Em 1983, Bette Davis fez uma mastectomia e mais tarde teve um derrame que quase a matou. Durante sua recuperação, tanto no hospital quanto fora dele, Kathryn está ao lado dela, usando tudo o que havia aprendido para cuidar da melhor maneira possível da querida Miss D. Aliás, “Miss D” é como ela se referia a Bette, um apelido bonitinho que ambas escolheram quando Bette aconselhou Kathryn a mudar de nome.

In 1983, Bette Davis underwent a mastectomy and later had a stroke that nearly killed her. During her recovery, both in the hospital and out of it, Kathryn is by her side, using all she had learned to take the best care possible of her dear Miss D. By the way, “Miss D” was how she addressed Bette, a cute nickname they both agreed on when Bette advised Kathryn to change her name.


Você deve conhecer “Mamãezinha Querida”, o livro que a filha de Joan Crawford escreveu sobre Joan, mas a única filha biológica de Bette, Barbara ‘Bede’ (B.D.) Merrill, também escreveu um livro difamatório sobre a mãe. Como narrado por Kathryn, ela provavelmente decidiu escrever o livro após o derrame de Bette, quando os médicos deram apenas mais três semanas de vida para a estrela. Bette se recuperou, mas ficou de coração partido quando descobriu sobre o livro. Bede se tornou uma fanática religiosa, vendeu sua fazenda e se mudou com a família para as Bahamas sem contar nada para Bette, por isso o livro foi apenas a cereja do bolo de decepções. Embora Kathryn escreva que “Bede e Miss D claramente amavam uma à outra”, a ganância e a nova religião de Bede foram mais poderosas que o amor materno.

You must be aware of “Mommie Dearest”, the book Joan Crawford’s daughter wrote about Joan, but Bette’s only biological daughter, Barbara ‘Bede’  (B.D.) Merrill, also wrote a defamatory book about her mother. As narrated by Kathryn, she probably decided to write the book after Bette’s stroke, when doctors gave the film star only three weeks to live. Bette recovered, but was left broken-hearted when she was informed about the book. Bede had became a religious fanatic, sold her farm and moved with her family to the Bahamas without telling Bette, so the book was only the icing of the cake of Bette’s disappointment. Even though Kathryn writes that “Bede and Miss D clearly loved each other”, the greed and Bede’s new religion were more powerful than the motherly love.
Bette and Bede
Bette certamente amava sua família, e isso incluía seus dois filhos adotivos. Kathryn passa um capítulo narrando um feriado de Quatro de Julho particularmente difícil na casa de Bette, quando toda a família estava reunida. Perto de seus entes queridos, Bette era mais insegura e hesitante, como diz Kathryn: “Só se ela fosse perfeita ela se sentia digna do amor deles”.

Bette certainly loved her family, and that included her two adoptive children. Kathryn spends a chapter narrating a particularly difficult Fourth of July holiday on Bette’s house, when the whole family was reunited. Near her loved ones, Bette Davis was more insecure and hesitant, as Kathryn says: “Only if she was perfect would she feel worthy of their love.”
 
Bette's family
Não há muito sobre a carreira de Bette no livro, pois a partir de 1979 ela fez filmes para a TV e interpretou papéis menores no cinema. Eu gostaria de mais informações sobre estes trabalhos. Eu adoraria ler, por exemplo, sobre como foi a filmagem de “Direito de Morrer”, pois foi a única vez em que Bette trabalhou com James Stewart. Eu também gostaria de saber se Bette e Lillian Gish ficaram amigas durante as filmagens de “Baleias de Agosto”, o último filme de Bette.

There isn’t a lot about Bette’s work in the book, as in the period starting in 1979 she did films for TV or played minor roles in features. I missed more info on those gigs. I’d love to have read, for instance, how the shooting of “Right of Way” went, as it was the only time Bette worked with James Stewart. I also wanted to know if Bette and Lillian Gish were friendly towards each other during the shooting of “The Whales of August”, Bette’s last film.


Kathryn diz que Miss D e ela foram empregadora e funcionária, mentora e discípula, mãe e filha, até que se tornaram melhores amigas. O livro começa e tem seu clímax com uma viagem de carro que elas fizeram pela França em 1985. É uma pequena aventura, cuja crônica aquecerá seu coração. E, de fato, o livro “Miss D & Me” é de aquecer o coração.

Kathryn says that Miss D and she had been employer and employee, mentor and protégé, mother and daughter, until they became best friends. The book starts and climaxes with their road trip through France in 1985. It’s a little adventure, a heart-warming one to be read. Indeed, “heart-warming” is a great word to describe the book “Miss D & Me”.

I’d like to thank Raquel and Hachette Books for this book that I won in a giveaway. This post is part of Raquel’s Summer Reading Classic Film Book Challenge.


sábado, 7 de setembro de 2019

Scaramouche (1923)


Podia acontecer de tudo durante a Revolução Francesa – e, de fato, todos os tipos de coisas que pareciam impossíveis aconteceram durante a Revolução Francesa. O povo primeiro tomou a Bastilha, depois o Palácio das Tulherias, depois as ruas. O rei e a rainha perderam suas cabeças. Então o terror tomou conta, e a guilhotina trabalhou noite e dia. Enquanto tudo isso acontecia, as pessoas continuaram vivendo e amando, buscando vingança, justiça e procurando pela verdade. Em “Sacaramouche”, uma aventura ambientada durante a Revolução Francesa, nosso herói faz tudo isso que eu descrevi – mais do que muitas pessoas fazem durante a vida toda.

Everything could happen during the French Revolution – and, indeed, all kinds of things that seemed impossible did happen during the French Revolution. The people first took the Bastille, then took the Tuileries, then took the streets. A king and a queen lost their heads.  Then terror took over, and the guillotine worked night and day. While all this was happening, people kept on living and loving, seeking revenge, justice and looking for the truth. In “Scaramouche”, an adventure set during the French Revolution, our hero does all those things I’ve just described – more than many people do in a lifetime.  


No vale de Gavrillac, os melhores amigos André-Louis Moreau (Ramon Novarro) e Philippe de Vilmorin (Otto Matiesen) veem a pobreza, a fome e a morte infligidas no povo por um nobre local, o Marquês de La Tour D’Azyr (Lewis Stone). O eloquente Philippe desafia o Marquês e é morto em uma luta de esgrima. André promete vingança, usando a eloquência como sua arma contra o Marquês.

In the valley of Gavrillac, best friends André-Louis Moreau (Ramon Novarro) and Philippe de Vilmorin (Otto Matiesen) see the poverty, starvation and death that are inflicted upon the locals by a nearby nobleman, the Marquis de La Tour D’Azyr (Lewis Stone). The eloquent Philippe defies the Marquis and is killed in a sword fight. André vows to seek revenge, using eloquence as his weapon against the Marquis.


O padrinho de André, Quintin de Kercadiou (Lloyd Ingraham), tenta dissuadi-lo da busca por justiça contra o Marquês – na verdade, Quintin espera que o Marquês se case com sua filha, Aline (Alice Terry). Agora tudo ficou ainda mais pessoal para André, pois ele também está apaixonado por Aline.

André's godfather, Quintin de Kercadiou (Lloyd Ingraham), tries to dissuade him from seeking justice against the Marquis – in fact, Quintin hopes that the Marquis marries his daughter, Aline (Alice Terry). Now things get even more personal to André, as he, too, is in love with Aline.


A Revolução Francesa está acontecendo, e tudo está mudando muito rápido. André carrega consigo a cópia da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que Philippe levava sempre. André nunca perde uma oportunidade de fazer um discurso sobre a Declaração e sobre como a nobreza não pode mais oprimir o povo.

The French Revolution is underway, and things are changing fast. André carries with him the copy of the Declaration of the Rights of the Man and of the Citizen that Philippe used to carry. André never wastes an opportunity to make a speech about this Declaration and how the nobility can no longer oppress the people.


Agora perseguido pelos soldados do rei, André se junta a um grupo de artistas itinerantes como dramaturgo, depois de mostrar a todos sua eloquência e sabedoria. Agora chamado simplesmente de Monsieur X, André está com o grupo há um ano quando ele termina de escrever a ousada peça “Figaro – Scaramouche”. A peça estreia em um enorme teatro de Paris, e o próprio André interpreta Scaramouche, mas seu rosto é ocultado por uma máscara com um longo nariz.

Now being persecuted by the King's soldiers, André joins a group of travelling artists as a playwright, after he shows all his eloquence and wit. Now called simply Monsieur X, André has been with the group for a year when he finishes writing the daring play “Figaro – Scaramouche”. The play premieres in a huge theater in Paris, and André himself plays Scaramouche, but his face is hidden from the public by a mask with a long nose.


Tanto Aline quanto o Marquês de La Tour estão na estreia da peça, mas apenas Aline reconhece André. Acreditando que os dois estão juntos, André decide se casar com a atriz Climène (Edith Allen)... mas ela também é seduzida pelo Marquês! Mais sofrimento para André.

Both Aline and the Marquis de La Tour attend the premiere of the play, but only Aline recognizes André. Believing they are together, André decides to marry a fellow actress, Climène (Edith Allen)... but she is seduced by the Marquis as well! Heartache follows.


Mas e a Revolução Francesa? Agora a Assembleia Nacional está reunida, e a nobreza desesperada pode apenas usar sua habilidade com a espada para desafiar deputados do povo. Por isso, Danton (George Siegman) convida André – não mais artista, mas agora assistente de um professor de esgrima – para fazer parte da Assembleia. Então, haverá lutas de espada, reviravoltas na trama e um monte de pessoas nas ruas de Paris, incluindo esta mulher muito exaltada:

But the French Revolution was underway, wasn't it? Now the National Assembly is reunited, and the desperate nobility can only use their ability with the sword to fight deputies who speak for freedom. So, Danton (George Siegman) invites André – no longer an artist, but a fencing teaching assistant – to take part in the Assembly. Then, there will be sword fights, plot twists and a lot of fed up people on the streets of Paris, including this overly excited woman:
 
GIF via Movies, Silently
Feito pela Metro Pictures um ano antes da fusão que a transformou em MGM, “Scaramouche” é baseado num livro de 1921 escrito por Rafael Sabatini. O diretor Rex Ingram escolheu seus colaboradores frequentes Novarro, Stone e Alice Terry para os três papéis principais – e é interessante ver Lewis Stone como vilão, considerando que anos depois ele interpretaria o afável Juiz Hardy, pai de Andy Hardy em uma série de filmes.

Made by Metro Pictures one year before it merged to become MGM, “Scaramouche” is based on a 1921 novel written by Rafael Sabatini. Director Rex Ingram chose his usual collaborators Novarro, Stone and Alice Terry for the three main roles – and it’s interesting to see Lewis Stone as a villain, considering that years later he would play the affable Judge Hardy, Andy Hardy’s father in a series of movies.


Ramon Novarro, embora tenha seus olhos brilhantes capturados pela câmera de Ingram, infelizmente não está tão bonito como estaria dois anos depois em “Ben-Hur” (1925). Alice Terry, por outro lado, não tem uma personagem com muitas camadas para interpretar, mas está charmosa em todos os seus momentos em cena.

Ramon Novarro, although with glowing eyes captured by Ingram’s camera, unfortunately, is not as handsome here as he would be two years later in “Ben-Hur” (1925). Alice Terry, on the other hand, doesn’t have a character with many layers to play, but is charming every time she’s on screen.


“Scaramouche” é um filme com muitas cartelas de texto, o que é compreensível: uma história tão complexa não poderia ser contada com poucas cartelas. A história é tão complexa e cheia de reviravoltas que em alguns momentos ela se torna enfadonha – e todos sabemos que filmes mudos NÃO são chatos, tomando como exemplo o conto pacifista de 1919 “Eu Acuso!”. Como bônus, o filme é muito fiel ao livro, ao contrário do remake colorido de 1952.

“Scaramouche” is a film with lots of intertitles, which is understandable: such a complex story couldn't be told with only a few title cards. The tale is so complex and so full of twists that sometimes the film gets a bit boring – and we all know that silent films are NOT boring, take for instance the 1919 pacifistic tale “J’Accuse!”. As a bonus point, the film is very faithful to the novel, unlike the 1952 color remake.


Assim como em todos os dramas históricos, “Scaramouche” também tem muitos cenários lindamente decorados e incríveis figurinos, cabelos e maquiagens – detalhe: todo mundo tem uma pinta no rosto, algumas delas desenhadas em forma de coração ou estrela! Mas o destaque é para a reconstituição perfeita da Assembleia Nacional.

As it happens to most historical films, “Scaramouche” also has many beautifully decorated sets and amazing costumes, hair and make-up – detail: everybody has a beauty mark, some of them are drawn as hearts or stars! But the highlight is the perfect reconstitution of the National Assembly.


Com poucas lutas de espada emocionantes e alguns momentos chocantes – uma participação histórica especial te surpreenderá – “Scaramouche” é um filme que mostra como o cinema mudo podia ser visualmente belo. Na época, eles não precisavam de diálogos, eles tinham rostos – e cenários e figurinos para impressionar qualquer um.

With few exciting sword fights and a few shocks – one historical cameo will surprise you – “Scaramouche” is a film that shows how visually beautiful silent films can be. At the time, they didn’t need dialogue, they had faces – and sets, and costumes to amaze anyone.

This is my contribution to the Costume Drama blogathon, hosted by Debbie at Moon in Gemini.



quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A Besta de Berlim (1939) / Hitler – Beast of Berlin (1939)


Alguns dias atrás lembramos os 80 anos desde o começo da Segunda Guerra Mundial. O filme de baixo orçamento “A Besta de Berlim” estreou um mês após o início da guerra. Trata-se de um artefato histórico muito curioso, e é também interessante por trazer Alan Ladd em um papel secundário. A história por trás do filme também mostra como simpatizantes do nazismo agiam nos EUA – não no sentido de colaboração total com o nazismo, mas, mesmo assim, como pessoas que representavam algum perigo para a liberdade de expressão.

A few days ago we remembered the 80 years since World War II began. The B-movie “Hitler – Beast of Berlin” was released a month after the war started. It’s a very curious historical artifact, and it’s also of interest because it brings Alan Ladd in a secondary role. The film’s background also shows how Nazi sympathizers have walked in America – not in the sense of full-on collaboration with Nazism, but as dangerous people nonetheless.


“A Besta de Berlim” – por vezes exibido com o título “Hell’s Devils” – é a história de um grupo da Resistência na Alemanha. O filme começa com imagens reais de desfiles dos nazistas e corta para um desfile encenado, no qual o povo faz a saudação nazista e, quando o desfile acaba, balança a cabeça, consternado – o povo não concorda com a ideologia que está no poder, mas fingir obediência é a única coisa que o povo pode fazer para sobreviver.

“Hitler – Beast of Berlin” - sometimes also presented as “Hell's Devils” - is the story of a Resistance group in Germany. The film starts with real footage of Nazi parades and cuts to a staged parade, in which the people give the Nazi salute and shake their heads in disbelief once the parade is over – they do not agree with the ideology in power, but pretending to obey is what they can do to survive.


Karl (Alan Ladd) e dois amigos fazem a saudação nazista para dois oficiais da SS que entram no restaurante em que eles estão. Um dos amigos inclusive fala alto sobre “queimar museus”, o que agrada aos dois oficiais. Mas não se engane: os três amigos são parte de um movimento pacifista de resistência.

Karl (Alan Ladd) and his two fellows also give the Nazi salute when two SS officers enter the restaurant they're in. One of the friends even talks out loud about “burning museums”, which delights the two officers. But don't be mistaken: the three friends are part of an underground pacifistic movement.


Karl é o mais novo membro do movimento – e está com medo. Ele acredita que Hitler é perigoso e um dia irá começar uma guerra, mas ele olha para o passado e percebe que nenhum reinado de terror durou muito, então se pergunta: por que eles devem arriscar suas vidas distribuindo propaganda antinazista? Hitler cairá um dia, ele diz. Ele tem de ser lembrado de que seus amigos não estão sozinhos combatendo o bom combate – há muitos núcleos de resistência que, juntos, podem fazer a diferença.

Karl is the newest member in the movement – and he's afraid. He believes that Hitler is dangerous and will eventually initiate a war, but he looks at the past and sees that no reign of horror lasted forever, so why risk their lives distributing propaganda? Hitler will fall some day, he says. He has to be reminded that they are not alone in this good fight – there are many underground groups that, together, can make a difference.


Eles imprimem um folheto dizendo que “o mundo inteiro está horrorizado com as brutalidades que vêm acontecendo nessa nação que já foi civilizada”. Bem, a palavra certa não é “horrorizado”: na verdade, os outros países eram ou coniventes ou indiferentes com as atrocidades que já aconteciam na Alemanha, com poucos grupos de pessoas preocupados de fato.
 
They print a leaflet saying that “the entire world is horrified by the brutalities that have been visited upon our once civilized nation.” Well, the word here is not “horrified”: in fact, the other countries were either accomplice or indifferent to the atrocities already going on in German, with few groups of people really concerned.


A técnica do grupo é usar o vendo para distribuir o panfleto, mas dois oficiais da SS percebem e confiscam os panfletos de todos os cidadãos que porventura os acham no chão. Mas eles não podem censurar tudo: em lojas e ferrovias, as pessoas estão reclamando da inflação e das condições de trabalho, no rádio e na igreja as pessoas estão ouvindo mensagens pacifistas.

The group's technique is to use the wind to distribute the leaflet, but two SS officers see it and start confiscating the leaflet from all citizens that catch one from the floor. But they can't censor everything: in shops and railroads, people are complaining about the inflation and the work conditions, in the radio and in church people are listening to pacifist messages.


Na resistência há homens de todas as idades, uma mulher, Anna (Greta Granstedt) e até mesmo um padre. Puxa, um dos membros do grupo está infiltrado na Gestapo! Anna é uma mulher esperta: mesmo namorando Karl, ele se recusa a se casar porque “na nova Alemanha, é para isso que as mulheres servem: para ter filhos”, e ela sabe que pode muito mais que isso atuando na resistência. Hans (Roland Drew), o líder do grupo, vive um dilema: ele está dividido entre o trabalho com a resistência e a possibilidade de sair do país com a esposa grávida, Elsa (Steffi Duna).

In the underground there are men of all ages, one woman, Anna (Greta Granstedt) and even a priest. Damn, one of the members of the group is infiltrated in the Gestapo! Anna is a smart woman: even though she dates Karl, she refuses to marry because “in the new Germany, that's what women are for: having children” and she knows she can do much more working with the resistance. Hans (Roland Drew), the leader of the group, lives a dilemma: he is torn between working with the resistance and leaving the country with his pregnant wife, Elsa (Steffi Duna).


Schultz (John Ellis), outro membro da resistência, diz: “campos de concentração estão cheios de pessoas como nós”, e nós somos lembrados de que os primeiros campos de concentração foram construídos em 1933 para presos políticos. E, ao contrário do que se acredita, o mundo já sabia dos campos de concentração antes do final da guerra, porque aqui temos um filme norte-americano de 1939 falando sobre eles e recriando o interior de um deles.

Schultz (John Ellis), another resistance member, says: “concentration camps are full of people like us”, and we're reminded that the first concentration camps were built in 1933 for political prisoners. And, contrary to popular belief, the world did know about concentration camps before the end of the war, because here it is a 1939 American film talking about them and recreating the interiors of one.


Oficiais da SS e da Gestapo são retratados como pessoas rudes, sádicas e depravadas – como eram de fato. Eles torturam os presos para que eles confessem que são “comunistas”, e riem dos homens que são largados quase sem vida nas prisões. Um deles diz ao Padre Pommer (Friederick Giermann) que não há Deus, é Hitler quem toma conta deles.

SS and Gestapo officers are shown as rude, sadistic and depraved – as it should be. They torture the people they arrest, in order to make them confess that they're “communists”, and laugh at the men who are left nearly lifeless in prison cells. One of them says to Father Pommer (Friederick Giermann) that there is no God, Hitler is the one taking care of them.


Foram necessários 10 anos para que Alan Ladd estourasse em Hollywood: ele começou como figurante em 1932, e conseguiu notoriedade apenas em 1942 com “Capitulou Sorrindo”. Antes disso, ele ficou muitos anos fazendo papéis sem receber créditos e até interpretou um animador da Disney na parte em live-action de “O DragãoRelutante” (1941). Em “A Besta de Berlim”, Ladd tem um papel coadjuvante, mas seu personagem é quem faz a coisa mais ousada.

It took 10 years for Alan Ladd to get his big break in Hollywood: he started as an extra in films in 1932, and only got notoriety in 1942 with “The Glass Key”. Before that, he spent many years playing uncredited roles and even acted as a Disney animator in the live-action part of “The Reluctant Dragon” (1941). In “Hitler – Beast of Berlin”, Ladd plays a supporting role, but his character is the one who does the most daring act of them all.
 
"O Dragão Relutante" / "The Reluctant Dragon"
Você deve estar se perguntando: se este filme “A Besta de Berlim” é tão ousado, por que eu nunca ouvi falar dele? Há muitas razões. A mais óbvia é que este não é um filme feito por um grande estúdio, por isso foi facilmente esquecido com o tempo. O filme foi feito por um produtor independente com objetivos de explorar o tema – não com o objetivo mais humano de denunciar os nazistas. Há uma razão ainda pior: quando o filme estreou, muitos cinemas que apoiavam a Alemanha nazista se recusaram a exibir o filme. Muitos estados proibiram sua exibição e a Associação dos Produtores e o escritório do Código Hays se recusaram a dar o selo de aprovação para o filme. Foram os simpatizantes do nazismo que impediram que o filme ficasse mais conhecido.

You must be wondering: if this film “Hitler – Beast of Berlin” is so daring, why haven't I heard of it yet? There are a few reasons. The most obvious one is that this is not a movie made by a big studio, so it was easily forgotten with time. The film was made by an independent producer for exploitation purposes – not the more human purpose of denouncing Nazis. There is an even uglier reason: when the film premiered, many movie theaters that supported Nazi German refuse to screen the film. Many state boards prohibited the film and the MPPA and the Hays office refused to give it a seal of approval. The Nazi sympathizers were the ones that prevented the movie from getting a wide release.


Mesmo tendo sido feito com um orçamento mínimo – o que se nota facilmente – “A Besta de Berlim” consegue alertar, surpreender e inspirar. O filme mostra que ficar de cabeça erguida ao enfrentar o mal é uma virtude, e que todos podem fazer a diferença, onde quer que estejam, na luta do bem contra o mal.

Although made with a minimum budget – and it shows – and not with the best intentions, “Hitler – Beast of Berlin” manages to alert, surprise and inspire. It shows that standing still when facing evil is a virtue and that everybody can make a difference, wherever they are, in the fight of good versus evil.

"Hitler - Beast of Berlin" is avbailable on YouTube.

This is my contribution to The Man who Would Be Shane: The Alan Ladd Blogathon, hosted by Gabriela at Pale Writer.


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Documentário: Magician: The Astonishing Life and Work of Orson Welles (2004)


Aos dez anos, a inteligência de Orson era notícia de jornal. Aos treze, ele interpretava a Virgem Maria em uma peça da escola. Aos 19, ele dirigiu sua primeira peça. Aos 23, sua performance de “Guerra dos Mundos” no rádio chocou Nova York. Aos 26, ele dirigiu e protagonizou um dos melhores filmes já feitos. E então ele tomou um choque de realidade. Hollywood não estava preparada para Orson Welles – então ele levou sua mágica para outros lugares e outras telas. Seu início brilhante, sua demissão a jato e os posteriores altos e baixos de sua carreira fazem de Welles um assunto perfeito para um documentário.

At age ten, Orson’s intelligence was highlighted in a newspaper note. At age 13, he was playing the Virgin Mary in a school play. At age 19, he directed his first play. At age 23, his radio performance of “War of the Worlds” shook New York. At age 26, he directed and starred in one of the best films ever made. And then reality struck. Hollywood wasn’t ready for Orson Welles – so he took his magic to other places and other screens. His brilliant start, his quick demise and all the subsequent ups and downs in his career make Welles a perfect subject for a documentary.


Welles vai de “garoto prodígio” a “forasteiro” a “cigano”, depois toma “o caminho de volta” até se tornar “o mestre”. Estes são os títulos dados aos cinco capítulos do documentário “Magician: The Astonishing Life and Work of Orson Welles”. Eu já escrevi sobre como eu me vejo em Orson Welles, e por que ser uma criança prodígio é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Se minha vida realmente espelha a dele, o documentário me mostrou o que virá a seguir para mim – mesmo eu, aos 26 anos, ainda não tendo criado meu “Cidadão Kane”.

Welles goes from being a “wonder boy” to an “outsider” to a “gypsy” to catching “the road back” until he becomes “the master”. These are the titles given to the five chapters of the documentary “Magician: The Astonishing Life and Work of Orson Welles”. I’ve written before about how I see myself in Orson Welles, and why being a child prodigy is at the same time a blessing and a curse. If my life really mirrors his, the documentary showed me what I can expect next – even if I’m 26 and haven’t made my “Citizen Kane” yet.


A mãe de Orson acreditava que uma criança precisava ser interessante para poder socializar com os adultos. E não havia ninguém mais interessante que o pequeno Orson: ainda criança ele era pianista, autor, poeta, cartunista, conhecedor de diversos assuntos, de Shakespeare à China. Orson perdeu a mãe quando tinha nove anos, e alguns anos depois ele foi para um internato, onde ninguém conseguiu impor limites a ele. Formado aos 16 anos, ele logo se tornou estrela de uma peça, mesmo sendo seu primeiro papel, e depois começou a dirigir peças, se tornando o maior diretor de teatro experimental dos Estados Unidos antes de completar 25 anos.

Orson’s mother believed a child needed to be interesting in order to be able to socialize with the adults. And there was nobody more interesting than little Orson: as a kid he was a piano player, author, poet, cartoonist, well versed in several subjects, from Shakespeare to China. Orson lost his mother when he was nine, and a few years later he went to boarding school, where nobody was able to establish limits for him. Graduated at 16, he quickly became the star of a play in his very first acting job, and then started directing plays as well, becoming the greatest experimental theater director in the US before he turned 25.


É interessante ver as reações à famosa performance de rádio de “Guerra dos Mundos” num domingo de 1938. Muitas cartas chegaram à estação de rádio, algumas delas parabenizando Welles for sua criatividade e pela diversão que ele propiciou, enquanto outras condenavam seu ato, chamando-o de “desumano” e irresponsável por causa do pânico que a brincadeira causou. Felizmente, houve mais consequências positivas do que negativas, como o próprio Orson notou: “Eu não fui para a cadeia. Eu fui para Hollywood.”

It’s interesting to see the reactions to the infamous “War of the Worlds” radio performance on a Sunday evening in 1938. Many letters arrived at the radio station, some of them congratulating Welles for his creativity and for the fun he provided, while others condemned his act, calling him “inhuman” and irresponsible because of the panic the prank caused. Fortunately, there were more positive consequences than negative ones, as Orson himself said: “I didn’t go to jail. I went to Hollywood.”


O primeiro projeto em que Welles tentou trabalhar foi em uma adaptação de “Heart of Darkness”, que se provou impossível por muitas razões, entre elas a censura do Código Hays... e o fato de a RKO querer trabalhar com figurantes em blackface. Essa não foi a única vez em que a RKO atrapalhou os planos de Welles: mesmo dando carta branca para ele fazer “Cidadão Kane”, o estúdio mutilou sua obra-prima seguinte, “Soberba”, para tornar o filme mais curto, e o estúdio o demitiu de sua missão documental na América do Sul depois que os executivos viram que ele havia “filmado muitos negros” no Brasil.

The first project Welles tried to do in Hollywood was directing an adaptation of “Heart of Darkness”, which proved impossible for many factors, including Hays Code censorship... and RKO wanting to work with extras on blackface. This wasn’t the only time RKO messed up with Welles: even though they gave him free reign for “Citizen Kane”, they mutilated his next masterpiece, “The Magnificent Ambersons”, in order to make it shorter, and fired him from his documental mission in South America after seeing that he had “filmed too many black people” in Brazil.


Welles trouxe sua técnica experimental para Hollywood. Como um diretor de cinema novato – “O primeiro dia em que dirigi um filme foi o primeiro dia em que pisei num estúdio de cinema” – ele sabia muito pouco sobre convenções e técnicas e, provavelmente sem querer, ele desafiou e quebrou essas convenções, criando uma obra-prima arrebatadora. Surpreendentemente, anos mais tarde, Welles confessou que acreditava que “Rosebud” não era um bom elemento da trama.

Welles brought his experimental approach to art to Hollywood. As a newcomer film director – “The first day I directed a film was the first day I’d ever been in a movie set” –he knew little about screen conventions and, probably without wanting to do so, he defied and broke these conventions, creating a riveting masterpiece. Surprisingly, later in life Welles confessed he thought “Rosebud” wasn’t a good device for the plot.


Em todos os outros filmes em que ele trabalhou como ator nos anos 1940, Welles também trabalhou um pouco como diretor – e nunca foi creditado. Nos anos 1950, Orson deixou Hollywood porque estava sendo investigado pelo FBI – as pessoas acreditavam que ele poderia ser um “comunista”. Na Europa, ele trabalhou sobretudo de forma independente.

In all the other films he appeared in the 1940s as an actor, Welles also worked a bit as a director – and always went uncredited. In the 1950s, Orson left Hollywood as he was being investigated by the FBI – people believed he could be a “communist”. In Europe, he worked mostly as an independent filmmaker.


Orson foi incompreendido em um lugar onde os diretores raramente tinham controle sobre seus filmes, e teve de enfrentar problemas financeiros para completar a maior parte de seus filmes, levando anos para terminar cada projeto. Para conseguir dinheiro para seus filmes, ele aceitava papéis em produções para o cinema e a TV, alguns deles bem curiosos – por exemplo, quem haveria de pensar em juntar Welles com os Muppets?

Orson was misunderstood in a place where directors rarely had control over their films, and struggled financially to complete most of his movies, taking years to finish each project. In order to make money for his films, he would accept parts in movies and television, some of them pretty weird – I mean, who would have thought of putting Welles with The Muppets?


Assim como a maioria dos perfeccionistas, Orson Welles deixou muitos projetos inacabados, como o conhecido projeto “Don Quixote” e “O Outro Lado do Vento”, que foi finalmente lançado em 2018. Welles faleceu em 1985, enquanto trabalhava em, por incrível que pareça, um programa de TV sobre um mágico – ele se interessara por ilusionismo ainda na infância e mostrou muitos truques em “Verdades e Mentiras” (1973).

Like most perfectionists, Orson Welles left many unfinished projects, like the well known “Don Quijote” project and “The OtherSide of the Wind”, that was finally released in 2018. Welles died in 1985, while he was working, of all things, on a TV show about a magician – he had been interested in illusionism from an early age, and showed many tricks in “F for Fake” (1973).


O documentário usa imagens de arquivo, cartazes de teatro, recortes de jornais, entrevistas e muito mais para pintar um retrato completo de Orson. No meio deste material está a primeira experiência de Orson com uma câmera, em um curta-metragem que ele e sua companhia de teatro fizeram por diversão no começo dos anos 1930.

The documentary uses archive footage, theater posters, newspaper prints, past interviews and more to build a complete portrait of Orson. Among the material, there is Orson’s first experience with the camera, in a short film he and his theater company shot for fun in the early 1930s.


Partes de conversas com Oja Kodar, a última companheira de Welles, são reveladoras, como quando ela diz que Orson teria sido o homem mais feliz do mundo se Geraldine Fitzgerald – Oja se refere a ela como “Geraldine qualquer-que-seja-o-nome” – tivesse confirmado que Orson era pai do filho dela, Michael Lindsay-Hogg – pelo menos a semelhança é inegável. Ela também conta que viu Orson assistindo a “Soberba” no fim da vida e chorando, ainda ressentido com o resultado final.

Little bits of conversation with Oja Kodar, Welles’s last companion, are revealing, as she says Orson would have been the happiest man in the if Geraldine Fitzgerald – Oja refers to her as “Geraldine whatever-her-name-is” – had confirmed that her son Michael Lindsay-Hogg was Orson’s son – at least the resemblance is uncanny. She also tells that she witnessed Orson watching “The Magnificent Ambersons” late in life and crying, still angry at the final film.


A atriz Jeanne Moreau define Welles como “um rei destituído” – pois não havia reino no mundo bom o suficiente para ele. Já que o documentário diz – e eu concordo – que Orson era um homem à frente de seu tempo, a definição de Jeanne está correta: o reino que deveria ser governado por Welles ainda não existia quando ele estava vivo. Eu me pergunto que truques e experimentos ele faria hoje, com as mídias digitais.

Actress Jeanne Moreau defines Welles as “a destitute king” – as there was no kingdom in the world good enough for him. Since the documentary says – and I agree – that Orson was a man ahead of his time, Jeanne’s definition is correct: the kingdom Welles was meant to reign over didn’t exist yet when he was alive. I wonder what tricks and experiments he would have made today, with digital media.


No final, se você já sabe um bocado sobre Orson Welles, o documentário não traz nada de novo, e seu título termina sendo mais impressionante que o próprio documentário. Mas é um bom filme para os iniciantes que acabam de começar a desvendar Orson, esta figura gigantesca em muitos sentidos.

In the end, if you already know a good amount about Orson Welles, the documentary doesn’t bring anything new, and its title ends up being more astonishing than the documentary itself. But it is a good movie for beginners who have just started learning about Orson, this larger-than-life figure in many senses.

This is my contribution to the Some Kind of a Man: the Orson Welles blogathon, hosted by Sean Munger.

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