} Crítica Retrô: 2006

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Friday, February 20, 2026

Kenneth Williams: Fantabulosa! (2006)

 

Eu venho escrevendo sobre filmes antigos há 16 anos. O próprio cinema tem pouco mais de 130 anos. E todos os dias eu aprendo alguma coisa nova sobre a Sétima Arte. Por exemplo: através de minha amiga Virginie, que escreve majoritariamente no site The Wonderful World of Cinema, eu descobri uma série de filmes que nunca havia ouvido falar anteriormente: a franquia Carry On. Trinta e um filmes da franquia foram feitos na Inglaterra entre 1958 e 1992, além de vários spin-offs na televisão e nos palcos. Um nome recorrente no elenco destes filmes foi Kenneth Williams. Acredito que não há jeito melhor de conhecer alguém do que aprendendo sobre sua vida, e felizmente houve uma cinebiografia feita para a TV de Kenneth Williams, filme que vi e agora escrevo sobre em honra ao seu centenário.   

I’ve been writing about old movies for sixteen years now. Cinema itself is a little over 130 years old. And everyday I learn something new about the movie world. For instance: through my friend Virginie who writes mainly at The Wonderful World of Cinema I got to know a film series I had never heard about before: the Carry On movie franchise. Thirty-one movies of the franchise were made in England between 1958 and 1992, plus several spin-offs on television and on stage. A recurring name in the cast was Kenneth Williams. I believe there is no better way to get to know someone than learning about their life, and luckily there is a biopic made for TV about Kenneth Williams, the movie I watched and now review, as part of his centennial celebration.

Começamos com Kenny (Michael Sheen), um exuberante solteirão vivendo num apartamento com o mínimo de mobília. Um flashback começa e somos apresentados ao pequeno Kenny, um garotinho que tem seu cabelo cortado pelo próprio pai. Sua mãe fala assim sobre seu pai: “ele é um menino, não é como nós” e mostra para Kenny um vestido que ela estava costurando para ele. Usando o vestido, Kenny desempenha um papel nos palcos e recebe elogios de um jornal. 

We start with Kenny (Michael Sheen), a flamboyant bachelor living in an apartment with minimal furniture. A flashback begins and we’re introduced to little Kenny, a boy having his hair cut by his father. His mother tells him about the father: “he’s a man, not like us” and shows Kenny a dress she made for him. Wearing the dress, Kenny appears on stage and receives praise from a local newspaper.


Já adulto, Kenneth se junta a uma trupe de teatro e demonstra ser um grande comediante, mesmo ao tentar ser um ator dramático. Ele então consegue um trabalho no rádio. É interessante notar como a trajetória de Kenneth até então se assemelha com a de muitos atores e atrizes de Hollywood das décadas de 1930 em diante, especialmente daqueles que faziam comédia.

Now an adult, Kenneth joins a theater group and proves himself to be a great comedian, even when he’s trying to be a serious actor. He then finds a job on the radio. It’s interesting to notice how Kenneth’s trajectory so far is similar to many Hollywood actors of the 1930s onwards, especially those in comedy.

O programa de rádio é um sucesso e o próximo passo é óbvio: a televisão! Vale lembrar que a TV apareceu e se popularizou na Inglaterra antes de isso acontecer nos EUA. Sua fama televisiva dura pouco, pois ele é criticado por seu colega Tony (Martin Trenaman) e os produtores da BBC que queriam um programa mais sério, sem as vozes e as personagens de Kenny. 

The radio show becomes popular and the next step was clear: television! Let’s remember that TV appeared and popularized sooner in England then it did in the US. His television fame doesn’t last long, as he is criticized by both his coworker Tony (Martin Trenaman) and the BBC producers who wanted to make a more realistic show, without Kenny’s voices and characters.

A tristeza não dura muito porque ele é recrutado para o cinema! Sua aparição nos filmes da franquia Carry On começa em 1958 com “Carry On Sergeant” e segue em frente em outros 25 filmes. Podemos ver referências a eles na cinebiografia através dos diferentes figurinos que Kenneth usa no set junto à amiga Joan Sims (Beatie Edney). Além de seu trabalho no cinema, podemos vê-lo em ação nos palcos e televisão, e também fazendo e perdendo amigos e se envolvendo em novos relacionamentos.

Sadness doesn’t last long as he’s recruited to the movies! His appearance in the Carry On films begins in 1958 with “Carry On Sergeant” and went on in 25 more movies. We can see them referenced in the biopic by the various costumes Kenneth is wearing on set alongside his friend Joan Sims (Beatie Edney). Besides his work in cinema, we see him starring on stage and TV, and also making and losing friends and forging new relationships.

Como muitos outros atores - como muitas outras PESSOAS - Kenneth tinha uma relação complicada com os pais. Ele era muito próximo de sua mãe, Lou (Cheryl Campbell), que sempre o apoiou, mas era distante do pai, Charlie (Peter Wight). O pai falava para o filho conseguir um bom trabalho desde menino e não aprovava que ele fosse um ator, mesmo ouvindo os programas de rádio de Kenny quando estava sozinho em casa. Numa noite, Kenneth está passando aspirador em seu apartamento vestindo só uma sunga e impede que o pai entre e faça uma visita, algo que fez grande mal à já pouco saudável relação deles.  

Like many other actors - like many other PEOPLE - Kenneth had a complicated relationship with his parents. He was very close with his supportive mother, Lou (Cheryl Campbell), but distant from his father, Charlie (Peter Wight). The father talked about him getting a good job since he was little and disapproved of him being an actor, even though he would listen to Kenneth’s radio shows when alone at home. One night, Kenneth is vacuuming his apartment only in swimming suits and refuses to let his father in, something that harmed their already poor relationship for good.

Kenneth ouve pela primeira vez falar de “ser queer” no livro “The City and the Pillar”. Para ele, beijar e transar são coisas nojentas, mas ele dissipa sua energia se masturbando. Ele seria hoje considerado um assexual homorromântico. A mãe dele já o via assim.

Kenneth first learns about “queerness” in the book “The City and the Pillar”. For him, kissing and having sex are totally disgusting, but he dissipates his energy by masturbating. He would be considered now a homorromantic asexual individual. His mother already understood that.

Baseado no livro “The Diaries of Kenneth Williams”, publicado postumamente em 1992, “Fantabulosa” é um bom filme feito para a TV, categoria que até alguns anos atrás era sinônimo de algo malfeito. Embora sua atuação possa parecer um bocado afetada e irritante no começo, o camaleônico Michael Sheen faz um bom trabalho.

Based on the book “The Diaries of Kenneth Williams”, posthumously published in 1992, “Fantabulosa” is a good made-for-TV movie, a category that, until recent years, has been associated with poorer production values. Although his acting is a bit affected and even annoying in the beginning, the chameleon Michael Sheen does a good job.

Há citações de Shakespeare e George Bernard Shaw no filme. Mas eu escolho terminar esta crítica com uma citação dele mesmo, Kenneth Williams: “A citação, como a oportunidade, a comida, e o amor, tem que vir no momento certo. Gritada, pode mandar seu ego lá para o tornozelo”.

There are quotes from Shakespeare and George Bernard Shaw in the movie. But I choose to end this review with a quote from the man himself, Kenneth Williams: “The quote, like opportunity, food and love, has got to come at the right moment. Blurted out, it can send your ego round your ankles.”

This is my contribution to the Carry On Kenny blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema.

Saturday, October 22, 2022

Variações sobre um mesmo tema: Casino Royale (1967 e 2006)

 
Variations on the same theme: Casino Royale (1967 and 2006)


Quem é seu James Bond favorito? Sean Connery? Daniel Craig? Roger Moore? Talvez aquele que interpretou Bond só uma vez, George Lazenby? Ou que tal... David Niven? Sim, você leu certo: David Niven foi James Bond, enquanto Sean Connery já interpretava o espião, mas Niven fez o papel numa paródia: o filme de 1967 “Casino Royale”, filme com grande elenco e dirigido por John Huston – entre outros.


Who is your favorite Bond? Sean Connery? Daniel Craig? Roger Moore? Maybe the one-time Bond George Lazenby? Or how about… David Niven? Yes, you’ve read it right: David Niven was Bond, while Connery was already playing the role, but Niven portrayed the character in a parody: the 1967 film “Casino Royale”, with an all-star cast, directed – among others – by John Huston.

James Bond (Niven) é um agente aposentado. Ele gagueja e é conhecido por ser abstêmio e casto – a única mulher que ele realmente amou foi Mata Hari, ao contrário deste novo 007, chamado de “incompetente” pelo velho Bond. Mas o mundo a espionagem precisa mais uma vez dele, porque espiões de diversos países foram mortos. Os chefes de quatro importantes agências de espionagem ao redor do mundo vão encontrar Bond em sua casa de campo e, após uma tragédia, Bond está de volta ao jogo.


James Bond (Niven) is a retired agent. He stutters and is known for being a teetotaler and for his chastity - the only woman he has ever loved was Mata Hari, unlike this new 007, who the old Bond calls “incompetent”. But the espionage world needs him again, as spies from several countries have been killed. The heads of four important espionage agencies around the world go find Bond in his country home and, after tragedy strikes, Bond comes back to the game.

Uma surpresa vem logo no início: David Niven não é o primeiro na lista de créditos. O primeiro lugar pertence a Peter Sellers, que interpreta o vigarista Evelyn Tremble. É para o personagem de Sellers que é tocada a música “The Look of Love” por Dusty Springfield. Há uma razão para isso: em 1967, Sellers era um astro mais em destaque do que David Niven. Podemos dizer que Niven compartilhava com seu Bond o status de ultrapassado. No meio do filme, Evelyn Tremble praticamente se torna o protagonista, sendo treinado pelo MI-6 e chamado de James Bond para uma missão especial: enfrentar Número (Orson Welles) em um cassino. E Sellers até se apresenta oficialmente como 007 com “Meu nome é Bond. James Bond”!


A surprise comes right in the beginning: David Niven is not first billed. Top billing belongs to Peter Sellers, who plays the swindler Evelyn Tremble. It’s for Sellers’s character that the song “The Look of Love” is performed by Dusty Springfield. This has a reason: in 1967, Sellers was a bigger star than Niven. We could say that Niven shared with his Bond the situation of being outdated. In the middle of the movie, Evelyn Tremble practically becomes the lead, being trained by MI-6 and called James Bond for a special mission: to face the Le Chiffre (Orson Welles) in a casino. And Sellers even manages to utter the official Bond introduction: “My name is Bond, James Bond”!

Ainda antes de David Niven, o segundo nome nos créditos é o de Ursula Andress. Sua presença aqui é de interesse, afinal, ela foi a primeiríssima Bond girl em “007 contra o satânico Dr No” (1962). Mas ela não foi a única pessoa a aparecer em um filme de 007 e na paródia “Casino Royale”, pois muitos outros atores secundários partilham deste feito.


Also before David Niven, the second billed is Ursula Andress. Her presence here is interesting, as she was the first ever Bond girl in “Dr No” (1962). But she wasn’t the only Bond cast member to appear in “Casino Royale”, as many other secondary players were also, one time or another, in a Bond film.

Uma das coisas mais bacanas nos filmes de 007 é ver toda a parafernália tecnológica que o MI-6 inventa para seu agente. Em “Casino Royale”, muitas engenhocas são mencionadas, mas um relógio que se parece muito com um smart watch moderno é o destaque. Outro elemento divertido relacionado à espionagem é a Escola de Espionagem Mata Hari, um prédio que tem seus interiores completamente inspirados pelo Expressionismo Alemão, nos fazendo lembrar de “O Gabinete do Dr Caligari” (1920).


One of the coolest things in Bond movies is seeing all the technological stuff MI-6 comes up with for their agent. In “Casino Royale”, lots of tools are mentioned, but a watch that looks a lot with modern smart watches is the highlight. Another fun espionage-related element is the Mata Hari School of Espionage, a building that has its interiors completely inspired by German Expressionism, reminding us of “The Cabinet of Doctor Caligari” (1920).

O que realmente valoriza este filme é a brincalhona e psicodélica trilha sonora. Falando sério, a trilha sonora é fantástica! Além da já mencionada “The Look of Love”, há o tema de Casino Royale tocado por Herb Alpert e The Tijuana Brass. Ambas as músicas foram compostas por Burt Bacharach, que estava ainda praticamente no começo de sua carreira, mas a apenas dois anos de compor a famosa “Raindrops Keep Falling on my Head”.


What really enhances the film is the playful and groovy soundtrack. Seriously, the soundtrack is amazing! Besides the aforementioned “The Look of Love”, there is the Casino Royale theme played by Herb Alpert and The Tijuana Brass. Both songs were composed by Burt Bacharach, who was practically in the beginning of his career then, but only two years before he composed the famous “Raindrops Keep Falling on my Head”.

Eu mencionei que John Huston foi um dos diretores. “Casino Royale” teve cinco diretores e estourou em muito o orçamento, com Peter Sellers infernizando todos no set, até mesmo Orson Welles, que estava se divertindo à beça fazendo truques de mágica.


I mentioned that John Huston was one of the directors. “Casino Royale” had five directors and went extremely over budget, with Peter Sellers pestering everyone on set, even Orson Welles, who was having the time of his life doing magic tricks to the camera.

Vamos para 2006, quase quarenta anos após “Casino Royale” ter sido feito. Em seu primeiro filme como 007, Daniel Craig tem de enfrentar, no Casino Royale de Montenegro, Le Chiffre (Mads Mikkelsen), um banqueiro ligado a grupos terroristas. Neste filme, o jogo de cartas é uma sequência cheia de suspense, ao contrário do que acontece no filme de 1967, no qual a sequência principal do jogo se torna secundária com toda a maluquice que acontece ao seu redor.   


Cut to 2006, nearly forty years after “Casino Royale” was made. In his first movie as 007, Daniel Craig has to face, in the Casino Royale of Montenegro, Le Chiffre (Mads Mikkelsen), a banker who is tied to terrorist groups. In this, the game sequence is very suspenseful, contrary to what happens in the 1967 movie, in which the main game sequence becomes secondary with all the mayhem happening around.

“Casino Royale”, a paródia, só podia ter sido feita nos anos 60. Por vezes datado, às vezes nem um pouco engraçado, é um produto curioso de seu tempo. É quase um crime comparar este filme com a versão de 2006, que segue mais fielmente o livro de Ian Fleming. “Casino Royale”, então, deve permanecer assim: como uma curiosidade, uma anomalia no universo de 007 – e algo que todos nós devemos experimentar pelo menos uma vez.


“Casino Royale”, the parody, could only have been made in the swinging 1960s. Sometimes dated, at times not even funny, it’s a most curious product of its era. It’s almost a crime to compare this film with the 2006 version, one that was much more faithful to Ian Fleming’s book. “Casino Royale”, then, must remain this: a curiosity, an anomaly in the Bond universe – and something we all should experience at least once.

This is my contribution to The “Take Two!” blogathon, hosted by Annette at Hometowns to Hollywood.

Tuesday, May 10, 2011

A Rainha / The Queen (2006)

Passados alguns dias da febre Real que tomou conta das notícias, vamos a um dos mais famosos filmes recentes sobre a realeza britânica, que rendeu a Helen Mirren o Oscar de Melhor Atriz. Aqui, Elizabeth II é retratada como a maioria de nós a imaginamos: uma mulher sóbria e séria, sempre seguindo o protocolo real.
God save the Queen: Elizabeth Alexandra Mary (1926) é a atual rainha da Inglaterra. Subiu ao trono há 59 anos, em 1952, após o falecimento de seu pai, o rei George VI (o rei gago do filme O Discurso do Rei). Chegou a servir, antes da coroação, no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial. É a monarca inglesa que mais tempo viveu até hoje e a segunda com o mais longo reinado. Foi também a primeira rainha a enviar um e-mail, em 1976 e, dizem, é fã de produtos de alta tecnologia.
Licença Cinematográfica: Tudo o que é mostrado em “A Rainha” veio de informações e conversas com pessoas próximas à família real na época da morte de Diana. No entanto, a emblemática e simbólica sequência da caça ao veado é fictícia. Segundo o diretor brasileiro Fernando Meirelles, ela não tem simbologia definida: cada telespectador tira sua própria conclusão sobre ela.
Muitos erros já esperados aconteceram, por exemplo, o uso de equipamentos e modelos de carro inexistentes na época. No entanto, há algo curioso sobre os telefones: a maioria deles é muito obsoleta pra a época!
É bom saber: Para dar um ar de contraste, as cenas da família real foram gravadas com câmeras 35mm (próprias e comuns do cinema, mais grandiosas) e as da família de Tony Blair com câmeras 16mm (próprias e comuns da televisão, mais próximas do telespectador).   
Helen Mirren se transformava de tal maneira na Rainha que os componentes da equipe técnica costumavam ficar calados e em posição rígida e respeitosa quando ela estava presente no set.
Embora já tenha se encontrado com Helen Mirren duas vezes, a Rainha Elizabeth nunca assistiu ao filme.
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