} Crítica Retrô: 1929

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Saturday, June 10, 2023

Glorificação da Beleza (1929) / Glorifying the American Girl (1929)

 

Se existisse uma máquina do tempo que funcionasse, que experiência do passado você gostaria de ter? Você escolheria ir a uma festa luxuosa em Versalhes? Ou talvez participar de um banquete romano regado a muito vinho? Você estaria na plateia da primeira apresentação de uma nova peça de Shakespeare ou preferiria assistir a uma tragédia grega? Eu escolheria a experiência de assistir a uma revista dos Ziegfeld Follies na Broadway do começo do século XX. Para minha alegria, nós temos algo semelhante a uma máquina do tempo para realizar meu desejo: o cinema. “Glorificação da Beleza”, uma famosa revista dos Ziegfeld Follies, foi adaptada para o cinema com os primeiros filmes falados e sobreviveu para ser um vislumbre do que Ziegfeld costumava fazer no teatro.

 

If there was a functional time machine, which experience from the past would you like to have? Would you choose attending a lavish party at Versailles? Or maybe experience a Roman banquet with lots of wine? Would you attend the first presentation of a new Shakespeare play or prefer to see a Greek tragedy live? For me, the chosen experience would be watching one of the Ziegfeld Follies revues on early 20th century Broadway. Lucky for me that we do have something similar to a time machine to fulfill my desire: the movies. “Glorifying the American Girl”, a famous Ziegfeld revue, was made into a film in the early talkie era and survived to serve as a glimpse to what Ziegfeld used to do in the theater.


Gloria Hughes (Mary Eaton) trabalha na parte de música de uma loja de departamentos, cantando as canções junto a um pianista para vender partituras. Ela é explorada pela mãe e quer viajar e ver coisas diferentes antes de se casar com seu namorado Buddy (Edward Crandall). Gloria é a garota 100% americana: uma sonhadora e batalhadora.

 

Gloria Hughes (Mary Eaton) works in the music shop inside a department store, singing the songs with a piano player to sell the music sheets. She’s exploited by her mother and wants to go places and see things before finally settling down with her boyfriend Buddy (Edward Crandall). Gloria is the all-American girl: a hardworking dreamer.


Um dia, num piquenique organizado pela loja de departamentos, Gloria é descoberta, enquanto está dançando, por um artista de teatro, Miller (Dan Healy), e na mesma hora ela se junta a uma revista itinerante como parceira de dança de Miller. Acontece que Miller tinha segundas intenções com Gloria, e por isso ela o coloca no lugar dele, o que desagrada à mãe de Gloria (Sarah Edwards), uma verdadeira “overbearing stage mother”. O filme então acompanha Gloria até que ela se junta aos Ziegfeld Follies. O clímax é uma versão filmada em Technicolor da revista dos Ziegfeld Follies, completa com a presença de artistas como Eddie Cantor e Rudy Vallee.

 

One day, at a picnic organized by the department store, Gloria is discovered by a theater artist, Miller (Dan Healy), while she’s dancing and at the spot she joins a touring revue as Miller’s dancing partner. Turns out Miller has second intentions with Gloria, so she puts him on his place, which displeases her mother (Sarah Edwards), a real overbearing stage mother. The film then accompanies Gloria until she joins the Ziegfeld Follies. The climax is a filmed version of a Ziegfeld Follies revue in Technicolor, with special appearances of names such as Eddie Cantor and Rudy Vallee.


A maioria dos números musicais é filmada parada, como se a câmera fosse um de nós na plateia. Isto muda no grande número final, no qual a câmera é colocada em outras posições e passeia por todo o cenário. Mesmo com esses posicionamentos de câmera tradicionais, o diretor Millard Webb e o diretor de fotografia George Folsey compreenderam as possibilidades fílmicas que não eram possíveis no teatro e fizeram algumas belas cenas: uma no lago, uma com uma multidão no piquenique e uma com a câmera emulando a visão de um motorista de ambulância numa rua movimentada.

 

Most of the musical numbers are shot stationary, as if the camera was one of us in the audience. This changes in the big final number, in which the camera is put in other positions and strolls down the whole scenery. Even with these traditional camera placements, director Millard Webb and cinematographer George Folsey understood the filmic possibilities that couldn’t be met in theater and made beautifully shot scenes: one in the lake, one with a crowd at the picnic, and one where the camera matched the vision an ambulance driver had in a busy street.

Não há músicas muito memoráveis em “Glorificação da Beleza”. Um dos quatro nomes creditados pela “música e letra” é Irving Berlin, naquele que é apenas seu segundo crédito num filme – sendo o primeiro por música e letra de “No Hotel da Fuzarca”, do mesmo ano. Berlin alcançou a fama quando compôs “Alexander’s Ragtime Band” em 1911, e os filmes, agora falados e cantados, eram um passo natural para ele.

 

There are no catchy songs in “Glorifying the American Girl”. One of the four credited for “music and lyrics” is Irving Berlin, in only his second credit in a movie – the first being for music and lyrics in “The Cocoanuts”, from the same year. Berlin had rose to fame when he composed “Alexander’s Ragtime Band” in 1911, so the movies, now talking and singing, were a natural step for him.

Mary Eaton é mais conhecida hoje como irmã de Doris Eaton Travis, a Ziegfeld Girl que viveu até os 106 anos. A carreira de Mary começou com a irmã numa produção de “O Pássaro Azul” em 1911, quando Mary tinha 10 anos de idade. Mary juntou-se aos Ziegfeld Follies em 192, participando das revistas por três anos consecutivos. Tal estrela era a escolha natural para ser a protagonista da versão para os cinemas de “Glorificação da Beleza”. Naquele mesmo ano de 1929, Mary se casou com Millard Webb, diretor e roteirista do filme. Alcóolatra, Mary deixou de aparecer em filmes depois de “Glorificação da Beleza” e abandonou os palcos em 1932. Ela morreu aos 47 anos, vítima de ataque cardíaco.

 

Mary Eaton is best known today as the sister of Doris Eaton Travis, the Ziegfeld Girl who lived to be 106. Mary’s career began with her sister in a production of “The Blue Bird” in 1911, when Mary was only 10. Mary became part of the Ziegfeld Follies in 1920, appearing in their revues for three consecutive years. It was a no-brainer that such a star would be chosen to be the lead in the film version of “Glorifying the American Girl”. That same year of 1929, Mary got married to Millard Webb, the director and writer of the film. An alcoholic, Mary ended her film career after “Glorifying the American Girl” and her stage career in 1932. She died at 47 from a heart attack.

A Wikipedia diz que “Glorificação da Beleza” foi um fracasso quando estreou, e ainda hoje não arranca elogios de críticos que o veem em retrospectiva. Eu me atrevo a discordar. Como um dos primeiros filmes falados e um filme feito antes do Código Hays, é uma curiosidade bacana, um musical com uma trama sólida e um raro vislumbre do que era a apoteose de uma revista dos Ziegfeld Follies. A máquina do tempo existe, e foi inventada pelos irmãos Lumière: a maior máquina do tempo do mundo é o cinema.

 

Wikipedia says that “Glorifying the American Girl” was a flop when released, and still hasn’t met success with retrospective critics. I dare to disagree. As an early talkie and a pre-Code film, it’s a nice curiosity, a musical with a solid plot and a rare glimpse of what was the apotheosis of a Ziegfeld Follies revue. The time machine exists, and it was invented by the Lumière brothers: the world’s biggest time machine is cinema.

 

This is my contribution to the Sixth Annual Broadway Bound blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room.

Thursday, October 25, 2018

Estrela Ditosa (1929) / Lucky Star (1929)


A Primeira Guerra Mundial é um período fantástico para ser estudado – e uma experiência terrível para ser vivida. Muitos soldados que sobreviveram voltaram para casa desfigurados ou permanentemente incapacitados. “Estrela Ditosa” conta a história de um destes soldados – e também é provavelmente o único filme da história a ter uma briga entre duas pessoas no topo de um poste de telefonia.

World War I is a fascinating period to be studied - and a horrible experience to have been lived. Many of the soldiers who came back returned permanently disabled or disfigured. “Lucky Star” is a story of one of these soldiers - and also probably the only film ever to have two people fighting while hanging up in a telephone line post.


Em uma área rural pobre vivem Mary e Tim. Mary (Janet Gaynor) é uma garota que precisa cuidar dos irmãos mais novos e ainda ajudar a mãe com as tarefas da fazenda. Tim (Chares Farrell) trabalha consertando postes de telefonia, e com ele trabalha o preguiçoso Martin Wrenn (Guinn Williams). Mary e Tim se conhecem quando ela entrega dois galões de leite para os rapazes, e enquanto ela está lá tentando arrancar cinco centavos a mais de Wrenn, Tim ouve a notícia de que foi declarada guerra.

In a poor rural area live Mary and Tim. Mary (Janet Gaynor) is a girl who has to take care of her younger siblings and also help her mom with the duties in the farm. Tim (Charles Farrell) works repairing telephone posts, and his coworker is the lazy Martin Wrenn (Guinn Williams). Mary and Tim meet when she delivers two gallons of milk to the boys, and while she is in there trying to get an extra nickel from Wrenn, Tim hears the news that war has been declared.


O primeiro encontro deles não foi muito agradável. Quando Tim percebe que Mary estava mentindo sobre não receber os cinco centavos de Wrenn, ele dá uma surra nela, e a deixa possessa. Mesmo assim, ela sente falta dele e dos outros homens quando eles vão para a França. Ela escreve para Tim e Wrenn, mas é mais educada com Wrenn. Mesmo na guerra, Wrenn não mudou: ele não está interessado em seu dever cívico, mas sim em conhecer moças francesas. O contraste é claro quando temos cortes rápidos entre Wrenn, dirigindo um caminhão para encontrar mulheres, e Tim, usando um vagão movido a cavalo para levar sopa para  os soldados nas trincheiras.

Their first encounter is not that pleasant. When Tim realizes Mary was lying about not receiving Wrenn’s nickel, he spanks her, and this drives her crazy. Nevertheless, she misses him and the other guys when they leave to France. She writes to both Tim and Wrenn, but is more polite to the later. Even in war, Wrenn hasn’t changed: he is not interested in his civic duty, but in seeing French girls. The contrast is clear when we have quick cuts between Wrenn, driving a truck to see the ladies, and Tim, using a wagon propelled by a horse to take soup to the soldiers in the trenches.


Depois de um ano a França e outro ano no hospital, Tim volta para casa em uma cadeira de rodas. Mary se surpreende ao vê-lo assim, e fica mais surpresa ainda ao ver como ele já se adaptou à cadeira de rodas – ele gira, vai para todo canto dentro de casa e até dá marcha à ré. Mary começa a visitá-lo sempre, animada para ver as coisas que ele está inventando. Tim primeiro quer protegê-la e zoá-la, como se faz com uma irmãzinha, mas depois ele percebe que está apaixonado por ela.

After a year in France and another year in the hospital, Tim comes home in a wheelchair. Mary is surprised to see him like that, and even more surprised by how skilled he already is with the wheelchair - doing loops, going everywhere inside his house and even moving backwards. Mary starts going to his house often, excited to see the things he is doing as an inventor. Tim first wants to both protect and tease her, as if she was a younger sister, but then he realizes he is in love with her.


E Wreen ainda não aprendeu nada. Ele foi expulso do exército, mas ainda usa seu uniforme – pior, ele diz à mãe de Mary que foi promovido de sargento a major. Ele usa o uniforme e promessas falsas de casamento para enganar garotas, e escolheu Mary como a próxima vítima.

And Wrenn still hasn’t learned a thing. He was expelled from the Army, but still wears the uniform – worse, he tells Mary’s mother that he has been promoted from a Sergeant to a Major. He uses the uniform and fake wedding promises to get girls, and he has chosen Mary as his next victim.


Tim se entristece porque se sente solitário. Ele fica em casa 24 horas por dia porque não há acessibilidade do lado de fora. As coisas ficam ainda piores quando começa a nevar – algo que é um desafio para as pessoas em cadeiras de rodas ainda hoje. Logo após a Primeira Guerra Mundial, as cadeiras de rodas eram só cadeiras modificadas, e fica claro que o modelo usado por Tim se popularizou a partir de 1880, por causa da roda traseira. É prática, sim, mas não é suficiente para promover a socialização, como o filme mostra.

Tim is sad because he is lonely. He is in his house 24/7 because there is no accessibility at all outside. Things get even worse when it starts snowing – something that is still a challenge for people in wheelchairs today. Right after World War I, the wheelchairs were just modified chairs, and it’s clear that the model Tim has was common from the 1880s onward, because of the rear wheel. Practical, yes, but not enough to promote the socialization, as the film shows.


Tim não quer que as pessoas tenham pena dele. E esta é a primeira coisa que precisamos saber ao lidar com deficientes: eles não querem pena. Tratá-los de maneira diferente, especial, é mais um insulto que um favor. Eles não querem privilégios. Eles querem ser tratados como seres humanos, com algumas necessidades especiais. Mesmo que o termo “necessidades especiais” não seja bem aceito, é a verdade: alguém como Tim, em uma cadeira de rodas, precisa de algumas mudanças no local em que vivem para que possam viver normalmente. Estas mudanças são pequenas, coisas que podem ser feitas facilmente e que beneficiam a todos, porque conviver com pessoas diferentes é enriquecedor para todos.

Tim doesn’t want people to pity him. And this is the first thing we should know as we deal with the disabled: they don’t want pity. Treating them in a different way, in a special way, is more of an insult than a favor. They don’t want privileges. They want to be treated as human beings, but with a few special needs. Although the term “special needs” is not very cherished, it is the truth: someone like Tim, in a wheelchair, needs some special changes in the place they live in order to live normally. Those special changes are small changes, things that can be done and help everybody, because socializing with different people is enriching for everybody.


Além de termos Tim convivendo com a deficiência, temos Mary vivendo em uma família abusiva. Ela é explorada pela mãe (Hedwiga Reicher) e apanha com frequência. A mãe também detesta Tim e o chama de “aleijado”. Ela só está interessada nos presentes que Wrenn traz e nas falsas promessas dele de dinheiro para a família se Mary se casar com ele.

Besides having Tim facing disability, we have Mary living in an abusive household. She is exploited by her mother (Hedwiga Reicher), and beaten by her. Her mother also dislikes Tim and calls him a “cripple”. She is only interested in the gifts Wrenn brings and his empty promises of money for the family if Mary marries him.


Charles Farrell era um ator muito bonito, mas hoje está quase esquecido. Em “Estrela Ditosa”, ele mostra que também era excelente ator. Seus esforços com as muletas me lembraram da atuação de Lon Chaney, ao mesmo tempo difícil de ver e hipnotizante. Obviamente, para que o roteiro funcione, o progresso de Tim é muito rápido, mas “Estrela Ditosa” foi feito para ganhar dinheiro em cima da química da dupla Farrell e Gaynor, e não para dar esperança para as pessoas que se tornaram deficientes após a guerra.

Charles Farrell was a very handsome leading man, even though forgotten today. In “Lucky Star”, he shows he also could act. His efforts to use crutches reminded me of Lon Chaney’s acting, at the same time painful to watch and hypnotizing. Of course, for the film’s sake Tim’s progress is too quick, but Lucky Star was made to capitalize on the duo’s screen chemistry, and not in order to give hope to people who became disabled after the war.


A direção de arte é hipnotizante desde o primeiro segundo de projeção. As casas podem ser pobres, mas são construídas de maneira estilizada, e criam um contraste interessante com as montanhas e o céu ao fundo. Borzage fez alguns filmes visualmente maravilhosos nos anos 20 e 30 – eu particularmente aprecio o subestimado “Liliom”, de 1930. “Estrela Ditosa” é mais um desses belos filmes.

The art direction is mesmerizing since the very first second of the film. The houses may be poor, but they are built in a stylized way, and make an interesting contrast with the mountains and the sky in the background. Borzage made some visually beautiful films in the 1920s and 1930s - I particularly like the underrated “Liliom”, from 1930. “Lucky Star” is another one in this list of beautiful films.


A “Estrela Ditosa” que conhecemos hoje não é a versão original entregue pelo mestre Frank Borzage. De acordo com resenhas de 1929, o filme era parcialmente falado, com efeitos sonoros e diálogos perto do final. Entretanto, “Estrela Ditosa” foi considerado perdido durante muitas décadas. Felizmente, uma cópia foi encontrada em um arquivo da Holanda, e os intertítulos foram reconstruídos através de pesquisa e com ajuda do roteiro original. Uma nova trilha sonora foi composta, mas infelizmente a trilha original com diálogos ainda não foi encontrada.

The “Lucky Star” we have now is not the original one delivered by master director Frank Borzage. According to reviews from 1929, the film was a part-talkie with sound effects and dialogues near the end. However, “Lucky Star” was considered completely lost for many decades. Luckily, a print was found in the Netherlands Film Archive, and the intertitles were reconstructed from research using the original screenplay. A new soundtrack was composed, but unfortunately the original soundtrack with dialogue is yet to be found.


“Estrela Ditosa” é uma das 12 colaborações entre Charles Farrell e Janet Gaynor. Eles eram tão convincentes como um casal que vários presentes chegavam todas as semanas aos estúdios da Fox para o “aniversário de casamento” deles. Obviamente, eles não eram casados. E obviamente, um homem em uma cadeira de rodas não consegue se recuperar com aquela rapidez. Mas “Estrela Ditosa” é um destes filmes em que devemos suspender o senso muito crítico para apreciá-lo por completo. É belo, romântico e nos dá esperança. Ditosos somos nós!

“Lucky Star” is one of 12 collaborations between Charles Farrell and Janet Gaynor. They were so convincing as a couple that several gifts arrived every week to the Fox Studios lot for their “wedding anniversary”. Of course, they were not married. And of course, a man in a wheelchair can’t recover that quickly. But “Lucky Star” is one of those films that we must stop being too critical to enjoy. It’s beautiful, romantic and gives us hope. Lucky us!

This is my contribution to the 2nd Disability in Film blogathon, hosted by Crystal and Robin at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Pop Culture Reverie.


Friday, May 18, 2018

The Hollywood Revue of 1929

O que era moda em 1929? E o que era novidade? Para responder a ambas as perguntas, você apenas tem de assistir a “Hollywood Revue”, de 1929, que foi de fato o primeiro grande musical da MGM. O filme traz todas as grandes estrelas que tinham contrato com o estúdio – exceto Greta Garbo, Ramon Novarro e Lon Chaney, que prezavam muito pela privacidade – e ele apresenta sequências em two-strip Technicolor, efeitos especiais de encolhimento e muita música e dança.

What was in vogue in 1929? And what was brand new? To answer both these questions, you just have to watch “The Hollywood Revue of 1929”, truly MGM’s first ever extravaganza. The film brings all the big stars under contract with the studio – except Greta Garbo, Ramon Novarro and Lon Chaney, who were very worried with privacy – and it also presents sequences in two-strip Technicolor, downsizing special effects and a lot of singing and dancing.
“Hollywood Revue” é vaudeville filmado para a tela do cinema – e completo com um pequeno intervalo entre os atos. E deveria ser assim mesmo: os shows do chamado “teatro de revista” não tinham uma história única, mas sim apresentavam diversas atrações. Em um palco gigantesco e impressionante, os mestres de cerimônia Conrad Nagel e Jack Benny – representando, respectivamente, o mundo do cinema e o mundo do teatro – apresentam vários números, alguns cheios de piadas, mas a maioria musical. É como se a MGM quisesse dizer: “nossas maiores estrelas conseguem cantar, dançar e falar!”

“The Hollywood Revue of 1929” is vaudeville on the screen – complete with intermission. And of course it is this way: a “revue” is a theatrical show without a plot, presenting several attractions. In a huge, impressive stage, masters of ceremonies Conrad Nagel and Jack Benny – representing, respectively, the movie world and the theater world – present several numbers, some of them full of jokes, but the majority is all about music. It's like MGM wanted to say: “our greatest stars CAN SING, CAN DANCE AND CAN TALK!”
Joan Crawford
Não podemos negar que o tempo não foi bom com o filme, e muitas das piadas hoje não têm graça. Entretanto, Marie Dressler, Polly Moran e Bessie Love formam um trio divertido, e o Gordo e o Magro estão engraçados como sempre ao interpretarem dois mágicos atrapalhados – sendo que o Magro não fala uma palavra! Quem também não fala nada é Buster Keaton, que substitui Carla Laemmle – que usava um provocante biquíni de duas peças – como a filha dançarina de Poseidon, deus dos mares.

We can't deny that time hasn't been kind to the film, and many of the jokes fall flat nowadays. However, Marie Dressler, Polly Moran and Bessie Love make a funny trio, and Laurel and Hardy are they usual selves as two clumsy magicians – even though Laurel doesn't say a word! Another one who doesn't say a word is Buster Keaton, who replaces Carla Laemmle – who was in a risky two-piece swimsuit – as the dancing daughter of Poseidon, the god of the sea.
Joan Crawford é fofa cantando e dançando “Gotta Feeling for You”. Joan é melhor dançarina que cantora, e é óbvio que ela não canta e dança ao mesmo tempo, porque, mesmo havendo a música, seus lábios não se mexem. Não há nada de extraordinário no número de Joan, mas quando as dezenas de dançarinos se juntam no palco, tudo fica melhor: o trabalho de coreografia com o grupo é maravilhoso, e os dançarinos comumente chamam mais atenção que as músicas e os cantores.

Joan Crawford is cute singing and dancing “Gotta Feeling for You”. Joan is a better dancer than singer, and it’s obvious that she is not singing and dancing at the same time, because her mouth does not move, even though the song goes on. There is nothing extraordinary in Joan's number, but when the dozens of dancers join any number, things get much better: the chorus is very well-coordinated and choreographed, and they often distract us from the music and the singers.
Mas o que é aquilo no número “Lon Chaney is Gonna Get You If You Don’t Watch Out?” E uma coreografia ao estilo de Busby Berkeley! Este é um momento interessante, provavelmente influenciado pela Broadway, que é onde Berkeley trabalhava na época. É também uma coincidência curiosa, considerando que Busby Berkeley trabalhou na MGM na década de 1940.

But what is that in the number “Lon Chaney is Gonna Get You If You Don’t Watch Out”? It is a Busby Berkeley-style choreography! It's an interesting bit, much probably coming from Broadway, where Berkeley worked at the time, and a curious coincidence, considering that Berkeley worked at MGM in the 1940s.
Regular Broadway
Berkeley Broadway
O popular cantor de vaudeville Charles King diz ao galã de cinema Conrad Nagel que “hoje, você precisa fazer amor com palavras e música”. Charles menciona uma música que ele interpretara em “Melodia da Broadway” (1929) chamada “You Were Meant For Me”. Para a surpresa de todos, e em especial de Charles, Nagel senta em um piano e interpreta lindamente a música para Anita Page. Mas era tudo um truque, nunca revelado durante o filme: na verdade, era o próprio Charles King que dublou Conrad Nagel na cena! Com ou sem dublagem, Nagel sobreviveu à chegada do cinema falado e teve uma longa carreira como coadjuvante no cinema e na televisão até 1967.

Popular vaudeville singer Charles King says movie star Conrad Nagel that “today, you've got to make love with words and music”. Charles mentions a song he interpreted in “Broadway Melody” (1929) called “You Were Meant For Me”. For everybody’s surprise, and especially Charles’, Nagel sits in a piano and sings the song beautifully to Anita Page. But it all was a trick, not revealed in the movie: actually, it was King himself who dubbed Conrad Nagel’s singing voice! With or without dubbing, Nagel survived the talkie revolution, and had a long career as a supporting player on film and TV until 1967.
E se falamos sobre a transição do cinema mudo para o falado, precisamos mencionar a surpreendente e inteligente sequência de Romeu e Julieta. Filmada em two-strip Technicolor, suas estrelas são John Gilbert e Norma Shearer. A voz de Gilbert é boa, e esta pequena sequência já é suficiente para nos mostrar que a história sobre “a voz de taquara rachada” que é usada para justificar o fracasso de Gilbert no cinema falado é uma falácia. A sequência, já interessante, se torna ainda mais legal quando o diretor da cena, interpretado por Lionel Barrymore, diz aos atores para modernizar as falas, e eles refazem a cena da sacada de Romeu e Julieta usando gírias dos anos 1920.

If we're talking about the silent-to-talkie transition, we must mention the impressive and clever Romeo and Juliet sequence. Shot in two-strip Technicolor, it stars John Gilbert and Norma Shearer. Gilbert's voice is fine, and this simple sequence is enough to show us that the “funny voice story” that is used to justify his short career in talkies is a myth. The already cool sequence becomes even nicer when the scene's director, played by Lionel Barrymore, tells them to modernize the dialogue, and they redo the balcony scene in Romeo and Juliet with 1920's slang.
A MGM foi o primeiro estúdio a apresentar uma revista como esta, cheia de estrelas, e a fórmula foi rapidamente copiada por outros estúdios. A Warner Brothers foi o estúdio seguinte, fazendo “A Parada das Maravilhas / The Show of Shows”, filmado quase totalmente em two-strip Technicolor. Depois veio a Fox, com “Dias Felizes”, e então a Paramount com “Paramount em Grande Gala / Paramount on Parade” (1930). A Fox também fez as revistas menores “Fox Movietone Follies” em 1929 (antes da MGM, este filme foi perdido) e em 1930 (o filme sobrevive).

MGM was the first studio to present an all-star revue, and the formula was quickly copied by other studios. Warner Brothers followed with “Show of Shows”, almost fully shot in two-strip Technicolor. The next studio to make a revue was Fox, with “Happy Days”, followed by Paramount with “Paramount on Parade”, from 1930. Fox did also the smaller revues “Fox Movietone Follies” in 1929 (before “Hollywood Revue of 1919”, this film is now lost) and 1930 (still extant).
Se você não gosta de musicais, não chegue perto de “Hollywood Revue”. Quer dizer, se você não suporta um musical com uma história, você é capaz de se imaginar vendo um musical SEM uma história? Caso contrário, se você ama musicais, história do cinema ou se você é um historiador amador e curioso, “The Hollywood Revue of 1929” é um documento interessante – na falta de termos melhores. Afinal, se não é por causa das coisas estranhas que você encontra no processo, por que você estuda história?

If you don’t like musicals, don’t go near “The Hollywood Revue of 1929”. I mean, if you can’t stand a musical with a plot, can you imagine yourself sitting through a musical WITHOUT a plot? On the contrary, if you love musicals, film history or if you are a curious history buff, “The Hollywood Revue of 1929” is an interesting document – for lack of better terms. Because, if not for the weird things you find along the way, why do you study history?

This is my contribution to The MGM Musical Magic Blogathon, hosted by Annette at Hometowns to Hollywood.

Tuesday, May 12, 2015

Fritz Lang e a ficção científica

O cineasta mais criativo do cinema mudo, a quem devemos toda a estética inventiva dos filmes, foi Georges Méliès. Ele foi o pai da arte cinematográfica como um todo e da ficção científica em particular, com sua “Viagem à Lua” em 1902. O outro pai da ficção científica durante a era muda foi Fritz Lang. Depois da saga dos Nibelungos, ele presenteou o mundo com os dois mais influentes filmes de ficção científica da história.
Metropolis” poderia ser uma história de amor, mas não é. Poderia ser sobre um conflito de gerações, mas não é. Poderia ser apenas mais uma distopia. Mas não é. “Metropolis” é uma mistura de todos estes temas com a maior beleza possível. Em um futuro distante para Lang, mas não tão distante para nós, Freder Fredersen (Gustav Fröhlich), o filho do chefe de Metropolis, vive com todos os privilégios que sua classe de garotos mimados tem. O lugar de diversão de Freder lembra muito a imagem que sempre foi pintada do Monte Olimpo, com a adição dos moços / heróis / atletas praticando esportes vestindo roupas incrivelmente brancas. Freder toma contato com a realidade dos trabalhadores de Metropolis quando Maria (Brigitte Helm) invade o tal clube de recreação e mostra para as crianças pobres que os ricos são seus irmãos.


Freder vai atrás de Maria, e vê a moça pregar para os pobres e cansados trabalhadores sobre a vinda de um mediador que resolverá os problemas entre os pensadores e os operários. Ao mesmo tempo, o pai de Freder, Joh “Alfred Abel), está possesso com a influência de Maria, e persuade o cientista Rotwang (Rudolf Klein-Rogge) a modelar seu robô para que ele fique parecido com Maria e possa ser usado para causar discórdia na Metropolis. É uma mistura inebriante de ficção científica e épico bíblico.
Metropolis” nos arrebata em menos de dez minutos. Em um piscar de olhos já estamos hipnotizados pelos cenários suntuosos, criados com muita ilusão de óptica (alguns cenários eram apenas miniaturas, e espelhos eram usados para dar a impressão de que eram prédios enormes com pessoas ao redor, através do inovador “processo Schüfftan”) e técnicas de stop motion.
Este link traz mais informações sobre os bastidores

A Mulher na Lua” conta a história de (adivinha?) uma viagem à Lua em que uma mulher é uma das tripulantes da missão. Esta mulher é a bela Friede (Gerda Maurus), que acaba de ficar noiva de Windegger (Gustav von Wangenhein), mas por quem Wolf Helius (Willy Fritsch), melhor amigo de Windegger, também era apaixonado. Quem propôs a expedição foi o maluco professor Manfeldt (Klaus Pohl), que acredita que o subsolo da Lua contém ouro – muito ouro. Manfeldt foi humilhado por seus colegas da universidade, mas Helius acredita nele.

A Mulher na Lua” acerta em algumas previsões, como os foguetes que têm de abandonar partes de sua estrutura após a decolagem, e a imensa pressão que os tripulantes do foguete teriam de aguentar ao sair da Terra (nada de traje de astronauta! Mas eles compensam a gravidade zero de uma maneira bem criativa). E há inclusive uma imagem sensacional da Terra vista do espaço (Yuri Gagarin ainda não tinha falado que a Terra era azul, mas isso não foi problema porque o filme era em preto e branco).


O grande problema de “A Mulher na Lua” é que o prólogo, que reúne todos os personagens que partem rumo à Lua e explica suas relações, poderia durar quinze minutos, mas se estende por uma hora e vinte minutos! Mas, a partir daí, é mágica pura, com cenas que até hoje nunca foram superadas em grandeza nos filmes de ficção científica.


Durante décadas o público só teve acesso a uma versão truncada de “Metropolis”, com 90 minutos de duração (que H.G. Wells disse ser “o filme mais bobo que já vi”). Em 2008 tudo mudou: a versão (quase) original do filme foi encontrada na cinemateca de Buenos Aires e restaurada. Hoje podemos ver toda a glória dos 150 minutos de projeção, em que nada é simplista, em que a história de amor fica em segundo plano, em que há profunda ligação entre os temas diametralmente opostos. “Metropolis” é um filme mais poderoso, mais incrível do que se imaginava. É uma obra-prima completa, parida pelo casal Thea von Harbou e Fritz Lang.
Você gostaria que outros filmes mudos fossem redescobertos, restaurados e devolvidos à sua glória original, assim como “Metropolis”? Pois você pode ajudar! Clique no link abaixo para doar para o National Film Preservation Association e garantir a restauração de “Cupid in Quarantine” (1918), que depois de restaurado será disponibilizado para ser visto online!

Clique aqui! Doe!

This is my contribution to the For the Love of Film: The Film Preservation blogathon, hosted by Ferdy on Films, This Island Rod and Wonders in the Dark. Join us if you love film!

Friday, July 22, 2011

Dez vezes Cantando na Chuva / Ten times Singing in the Rain


Além do melhor musical de todos os tempos, “Cantando na Chuva” é uma música composta, pasmem, em 1927 por Arthur Freed (letra) e Nacio Herb Brown (melodia), responsáveis por todas as outras canções apresentadas no filme de 1952. É parte da cultura popular norte-americana e (por que não?) mundial. Talvez o filme estrelado por um lânguido Gene Kelly tenha sido o veículo principal para tamanha popularidade, mas “Cantando na Chuva” faz ponto no cinema há muito tempo. São versões diferentes na velocidade, no tom e no intérprete, porém com uma música inconfundível.

Besides being the name of the best musical ever, “Singin’ in the Rain” is a song composed, mind you, in 1927 by Arthur Freed (lyrics) and Nacio Herb Brown (song), the musicians responsible for all the other songs presented in the 1952 film. The song is part of pop culture in the USA and (why not?) all over the world. Maybe the film starring a languid Gene Kelly was the main vehicle for the popularity of the song, but “Singin’ in the Rain” has been part of cinema for many years. There are different versions with different speeds, tone and singer, but the song is unmistakable.

1 - Doris Eaton Travis, a Ziegfeld Girl que mais tempo viveu, foi a primeira a gravar a música, em 1929, no espetáculo musical “The Hollywood Music Box Revue”. Talvez o fato de que tivesse um romance com Nacio Herb Brown a tenha ajudado nessa empreitada.

1- Doris Eaton Travis, the Ziegfeld girl who lived the longest, was the first person to record the song, in 1929, in the musical show “The Hollywood Music Box Revue”. Maybe the fact that she was dating Nacio Herb Brown has helped her to do this feat.

2 - No mesmo ano, naquela que talvez seja a primeira extravaganza da história do cinema, “Cantando na Chuva” estava presente. O cantor Ukelele Ike apresentou-a tocando no instrumento havaiano que lhe rendeu o apelido. No final do filme “Hollywood Revue”, feito em Technicolor, todos cantam a música, vestidos com capas de chuva. Estrelas como Joan Crawford e Buster Keaton estão na multidão e é fácil reconhecê-los.

2- The same year, in what can be considered the first extravaganza in cinema history, “Singin’ in the Rain” was there. Singer Ukelele Ike introduced it playing the Hawaiian instrument that gave him his nickname. In the end of the film “The Hollywood Revue of 1929”, made in Technicolor, everybody sings the song, dressed in raincoats. Stars like Joan Crawford and Buster Keaton are in the crowd and it’s easy to point them out.

 3 - Um ano depois, a versão instrumental pode ser ouvida no início de “A Divorciada”, que rendeu um Oscar de Melhor Atriz a Norma Shearer.

3- One year later, the instrumental version can be heard in the beginning of “The Divorcee”, the film that gave Norma Shearer a Best Actress Oscar.

4 - Em 1932, Jimmy Durante senta em um piano e toca a música no filme “Pernas dePerfil”.

4- In 1931, Jimmy Durante sits by a piano and plays the song in the movie “Speak Easily”.

5 - Oito anos depois foi a vez de Judy Garland entoar a canção em ritmo acelerado em “Um Amor de Pequena”, o trabalho em que ela desvencilhou-se da imagem de garotinha dando seu primeiro beijo.

5- Eight years later, it was time for Judy Garland to sing the song in an accelerated rhythm in “Little Nellie Kelly”, the movie in which she parted from the little girl image by giving her first kiss.


6 - No mais famoso musical metalingüístico, Gene Kelly, ardendo em febre e com um terno de lã que encolhia com a umidade, literalmente cantou sob uma chuva feita de água e leite. Devidamente equipados com capas amarelas, Donald O’Connor e Debbie Reynolds se juntam a Gene em um coro para a abertura do filme.

6- In the most famous metalinguistic musical, Gene Kelly, running a fever and wearing a wool suit that got tighter with humidity, literally sang under a rain made of a mix of water and milk. Wearing yellow raincoats, Donald O’Connor and Debbie Reynolds join Gene to sing the song together in the film’s opening.

7 - Em 1959 “Cantando na Chuva” já aparecia como uma melodia casual, fácil de assobiar ou cantarolar. É isso que Cary Grant faz num quarto de hotel ao preparar-se para um banho em “Intriga Internacional”

7- In 1959 “Singin’ in the Rain” already appeared as a casual melody, easy to whistle or hum. This is what Cary Grant does in a hotel room while getting ready for a shower in “North by Northwest”.

8- No drama baseado no romance de F. Scott Fitzgerald, “Suave é a Noite”, de 1962, perto do final do filme, a música é tocada em uma vitrola a bordo de um iate, quando Dick (Jason Robards) está esquiando na água, deixando sua esposa Nicole (Jennifer Jones) apreensiva.

8- In the drama based on a F. Scott Fitzgerald novel, “Tender is the Night”, from 1962, near the end of the movie, the song is played in a record player on board of a yacht, when Dick (Jason Robards) is doing water skiing, leaving his wife Nicole (Jennifer Jones) apprehensive.

9 - Quem disse que a canção só embala momentos alegres? Mais de quarenta anos depois de surgir, ela foi a trilha sonora para o horror: o ataque e estupro provocados pela gangue de “Laranja Mecânica”(1971). Nos créditos finais ela também é tocada.

9- Who said that the song is only for happy moments? More than forty years after it appeared, the song was chosen as soundtrack for horror: the attack and rape by the gang in “A Clockwork Orange” (1971). The song is played again in the closing credits.

10 - Finalmente, na recente animação “Robôs” (2005), o robozinho Fender canta sua versão denominada “Singin’ in the Oil”, na mesma melodia de “Singin’ in the Rain”.

10- Finally, in the recent animation “Robots” (2005), Fender, the little robot, sings his version called “Singing in the Oil”, using the same tune as “Singin’ in the Rain”.

Além de todas essas interpretações na tela grande, “Cantando na Chuva” virou musical na década de 80 e esteve presente em incontáveis séries televisivas, provando que clássicos nunca são esquecidos.

Besides all those interpretations on the big screen, “Singing in the Rain” became a stage musical in the 1980s and could be heard in innumerable TV shows, proving that classics are never forgotten.
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