} Crítica Retrô: 1986

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Saturday, January 27, 2024

O Nome da Rosa (1986) / The Name of the Rose (1986)

 

Fato curioso: eu sou formada em Biblioteconomia! Mesmo trabalhando como crítica de cinema, tenho orgulho de dizer que me formei em 2022, depois de muito esforço. Dito isto, é óbvio que filmes - e livros - sobre bibliotecários me interessam muito. Por isso eu escolhi revisitar o filme “O Nome da Rosa”, e também ler o livro, tendo como foco o retrato do bibliotecário nestas obras.

 

Fun fact: I hold a degree in Library Science! Even though I work as a film critic, I’m proud to say I finished the degree in 2022, after a lot of hard work. That being said, it’s obvious that movies - and books - about librarians are of utmost interest to me. That’s why I chose to revisit the movie “The Name of the Rose”, and also read the novel, focusing on the portrayal of the librarian in these works.

A história se passa durante sete dias em 1327, mas é na verdade narrada por um Adso mais velho. Em 1327, Adso de Melk (Christian Slater) e seu mentor William de Baskerville (Sean Connery) chegam a uma abadia onde algo terrível havia acontecido: um dos monges havia morrido em circunstâncias misteriosas. William, sendo um homem sábio, é chamado para investigar o caso. Logo depois de sua chegada, mais mortes misteriosas acontecem.  

 

The story takes place during seven days in 1327, but is actually being narrated by an older Adso. In 1327, Adso de Melk (Christian Slater) and his mentor William of Baskerville (Sean Connery) arrive in an abbey where a terrible thing has happened: one of the monks had died in obscure circumstances. William, being the wise man he is, is asked to investigate the case. Right after he arrives, more complicated deaths occur.

O que todos os monges mortos tinham em comum era alguma ligação com a biblioteca da abadia. A biblioteca é um local trancado, quase sagrado, e palco de intrigas. O lugar é protegido pelo bibliotecário-chefe Malaquias (Volker Prechtel) e seu assistente Berengário (Michael Habeck). É um local não para preservar e obter conhecimento, mas para manter o conhecimento cativo.

 

What all the dead monks had in common was that they all had some kind of link with the library of the abbey. The library is a locked, almost sacred, place and the stage for intrigues. The place is protected by chief librarian Malachia (Volker Prechtel) and his assistant Berengar (Michael Habeck). It’s a place not to preserve and obtain knowledge, but to hold knowledge captive.

Na Idade Média, o mais perto das modernas bibliotecas que existia eram os monastérios, onde livros não eram apenas guardados, mas estudados e copiados pelos monges. Isto é descrito em “O Nome da Rosa”, com muitos segredos sendo guardados pelos monges no scriptorium - onde os livros eram copiados -, especialmente pelos monges que sabiam línguas estrangeiras como árabe e grego. Os manuscritos eram sobre assuntos religiosos ou escritos por religiosos, e algumas obras seculares também eram guardadas - no livro, para servir de exemplo do que não pensar - e até mesmo emprestar e pegar emprestados manuscritos era possível devido aos monges itinerantes como William e Adso. No tempo em que se passam o livro e o filme, já havia bibliotecas sendo construídas dentro das novas universidades.  

 

In the Middle Ages, the closest we had to modern libraries were monasteries, where books were not only kept, but also studied and copied by monks. This is described in “The Name of the Rose”, with many secrets being held by the monks in the scriptorium - where the books were copied -, especially the monks who knew foreign languages such as Arab and Greek. Manuscripts were about religious issues or by religious figures, and some secular writings were kept - in the book, to be an example of what not to think - and even lending and borrowing manuscripts was made possible because of travelling monks such as William and Adso. By the time book and movie are set, there were already libraries being constructed inside the new universities.

O filme define a si mesmo como “um palimpsesto do romance de Umberto Eco. Palimpsesto significa, de acordo com o dicionário Merriam-Webster, “material escrito usado uma ou mais vezes depois que o escrito anterior foi apagado.” É um jeito elegante de dizer que se trata de uma adaptação mais ou menos fiel do livro. Duas diferenças principais: o personagem Salvatore (Ron Perlman) não é corcunda no livro; e no filme os inquisidores ficam por mais tempo, inclusive usando o pátio da abadia para queimar as pessoas consideradas culpadas após julgamento. Além disso, no filme, William é ainda mais perspicaz do que no livro, e muitas discussões sobre fé não estão no filme, embora sejam importantes para a trama.

 

The movie defines itself as “a palimpsest of Umberto Eco’s novel”. Palimpsest means, according to the Merriam-Webster dictionary, “writing material used one or more times after earlier writing has been erased”. It’s a fancy way to say that the movie is a somewhat-faithful adaptation of the novel. Two main differences: character Salvatore (Ron Perlman) doesn’t have a hunchback in the novel; and in the film the inquisitors stay for a longer time, even using the abbey’s patio to set fire to those found guilty in the judgments. Also, in the movie, William of Baskerville is even more perceptive than in the novel, and many discussions about faith are not in the movie, even though they are important to the plot.

Este é um filme que não passa no Teste de Bechdel, ou seja, um filme que não tem ao menos duas personagens femininas com nome e que conversam entre si sobre um assunto que não seja sobre homens. A garota no filme não tem nome, não tem falas nem poder. Isto é esperado de um filme cuja trama acontece dentro de uma abadia, e considerando toda a história da exclusão das mulheres pela religião católica. Há inclusive um momento em que William cita a Bíblia, dizendo: “mais amarga que a morte é a mulher”.

 

This is a movie that doesn’t pass the Bechdel Test, that is, a movie that doesn’t have at least two female characters with names and who talk to each other about a subject that is not men. The girl in the film is both nameless, lineless and powerless. This is expected, as a movie whose action happens in an abbey, and considering the whole history of female exclusion in the Catholic religion. There is even a moment when William quotes the Bible, saying: “bitterer than death is the woman”.

De acordo com o IMDb, Sean Connery estava em um momento difícil da carreira quando fez este filme. Mas seu retorno ao sucesso viria logo: no ano seguinte ele faria “Os Intocáveis”, pelo qual ganharia um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Por “O Nome da Rosa” Connery ganhou um BAFTA de Melhor Ator.

 

According to IMDb, Sean Connery was in a very low point of his career when he made this movie. But his comeback was just around the corner: the following year he would make “The Untouchables”, for which he would win an Oscar for Best Supporting Actor. For “The Name of the Rose” Connery won a BAFTA for Best Actor.


Para a faculdade, eu tinha de escrever um artigo de 15 páginas sobre qualquer assunto dentro da Biblioteconomia. Meu primeiro impulso foi escrever sobre “O Nome da Rosa”, comparando livro, filme e vida real. Em vez disso, eu escolhi escrever sobre adaptações necessárias para uma biblioteca atender usuários com deficiência. Eu fico feliz que tenha mudado de ideia, pois agora posso escrever, num artigo para o blog simples mas - espero - informativo, sobre “O Nome da Rosa” - o mais famoso romance de Umberto Eco, mas ao mesmo tempo aquele que ele considerava seu pior trabalho de ficção. Sobre o filme, em 2013 Eco foi sucinto: “é um bom filme”.  

 

For college, once I had to write a 15-page paper on any topic of Library Science. My first urge was to write about “The Name of the Rose”, comparing novel, movie and real life. I chose instead to write about adaptations a library needs to accommodate users with disabilities. I’m glad I changed my mind, so now I can write, in a simple but I hope informative blog post, about “The Name of the Rose” - Umberto Eco’s most famous novel, but the one he considered his worst work of fiction. About the movie, in 2013 Eco was succinct: “it’s a nice movie”.

 

This is my contribution to the On the Job blogathon, hosted by Hamlette’s Soliloquy and The Midnite Drive-In.

Saturday, August 17, 2019

Variações sobre um mesmo tema: A Mosca da Cabeça Branca (1958) e A Mosca (1986)


Variations on the same theme: The Fly (1958 & 1986)

Uma das melhores surpresas que tive vendo filmes e escrevendo no blog envolve o filme “A Mosca da Cabeça Branca”,de 1958. Tendo encontrado o filme por acaso na TV e ido ver sem expectativas, eu acabei embasbacada pelo suspense. Mais tarde, escrevi uma crítica sobre o filme para o blog, e o post se tornou um grande sucesso, recebendo dúzias de visitas semanalmente. E, como minha admiração por Jeff Goldblum e Geena Davis – protagonistas do remake de 1986 – só vem aumentando, percebi que era hora de ver o remake e comparar os dois filmes.

One of my best film / blogging surprises involves the 1958 film “The Fly”. Catching it on TV without any expectations, I was blown away by how suspenseful the film was. Later, I wrote about the film for my blog, and the post became a huge success, receiving dozens of views weekly. And, as my admiration for both Jeff Goldblum and Geena Davis – the leads of the 1986 remake – grew, I knew it was time to see the remake and compare the two films.


No filme de 1958, Andre Delambre (David Hedison) é um cientista que vivia feliz com sua família – até que um dia ele decidiu testar sua máquina de teletransporte ele mesmo, sem saber que havia uma mosca dentro da máquina. Andre e a mosca se fundem, o que lhe causa horror.

In the 1958 film, Andre Delambre (David Hedison) is a scientist who lived happily with his family – until one day he decided to test his teleportation machine himself, not knowing that there was also a fly inside the machine. Andre and the fly morph, to his complete horror.


No filme de 1986, “A Mosca”, Seth Brundle (Jeff Goldblum) é um cientista que mostra sua mais nova invenção, uma máquina de teletransporte, para a jornalista Veronia 'Ronnie' Quaife (Geena Davis”. Ronnie fica encantada com a experiência e fica interessada em fazer uma reportagem sobre a descoberta de Seth. Eles também começam a namorar. Um dia, Seth decide testar a máquina de teletransporte sozinho, sem saber que uma mosca também embarcou na experiência...

In the 1986 film, Seth Brundle (Jeff Goldblum) is a scientist who shows his newest invention, a teleportation machine, to journalist Veronica ‘Ronnie’ Quaife (Geena Davis). Ronnie is amazed by the experience and gets interested in reporting about his discovery. They also start dating. One day, Seth decides to experiment the teleportation machine himself, without knowing that a fly also embarked in the experience…


A metamorfose de Andre é imediata. Nós não vemos muito do resultado, mas podemos imaginá-lo – e esta é a grande vantagem da versão de 1958. Ao “sugerir, e não mostrar”, o filme evita apelar para o grotesco – afinal, é um filme colorido, e tudo parece mais palpável e cores do que em preto e branco.

Andre’s metamorphosis is immediate. We don’t see much of the result, but we can imagine it – and this is the big advantage of the 1958 version. By using the “tell, do not show” approach, the film avoids being too disgusting – after all, it’s a color film, and everything looks more palpable in color than in black and white.


A metamorfose de Seth é gradual. À primeira vista parece que a experiência foi um sucesso, mas pouco a pouco Seth começa a mostrar mais “comportamentos de mosca” - como a vontade de comer açúcar, uma força incomum nos braços e o crescimento de pelos de inseto nas costas. O filme de 1986 não tem medo de nos causar nojo – e a metamorfose de Seth é puro nojo e alguns sustos.

Seth’s metamorphosis is gradual. At first it looks like the experiment was a success, but little by little Seth starts showing “fly behavior” – like the drive to eat sugar, an unlikely strength in his arms and the growth of insect hair on his back. The 1986 film is not afraid of disgusting us – and Seth’s metamorphosis is pure gore with a few jump scares.


Quando Andre se torna meio-mosca, ele implora para que sua esposa, Helene (Patricia Owens), mate-o – e ela o faz. Na verdade, toda a história é contada em flashback por Helene para um inspetor e para o irmão de Andre, François (Vincent Price). Andre é uma figura trágica, ao contrário de Seth no filme de 1986.

As Andre becomes half-fly, he begs his wife, Helene (Patricia Owens), to kill him – and she does it. In fact, the whole story is told in flashback by Helene to an inspector and also to Andre’s brother, François (Vincent Price). Andre is a tragic figure, unlike Seth in the 1986 film.


Conforme Seth vai se tornando mosca, ele se torna um vilão. Primeiro ele deseja que Ronnie o deixe, dizendo que ela não merece passar por aquilo com ele, mas mais tarde ele decide usá-la para tentar se tornar humano novamente. Seth também maltrata, diminui e trai Ronnie. No final, Seth é um monstro por dentro – mais mosca do que humano – e por fora, considerando como ele tratou Ronnie.

As Seth is becoming a fly, he becomes a villain. At first he wants Ronnie to leave him, saying she doesn’t deserve to go through it with him, but later he decides to use her to try to become human again. Seth also bullies, belittles and cheats on poor Ronnie. In the end, Seth is a monster on the outside – more fly than human – and on the inside, considering how he treated Ronnie.


De acordo com o IMDb, Jeff Goldblum enviou uma carta para Vincent Price quando o remake estreou. A carta dizia: “Espero que você goste do meu filme tanto quanto eu gostei do seu”. Emocionado, Vincent Price foi ao cinema ver a nova versão, e a descreveu como “maravilhosa até certo ponto... ela foi um pouco longe demais”. E Vincent estava certo!

According to IMDb, Jeff Goldblum sent a letter to Vinent Price when the remake was ready. The letter went like this: “I hope you like it as much as I liked yours”. Moved, Price went to the movies to watch the new version, and described it as “wonderful right up to a certain point… it went a little too far”.  And Mr. Price was so right!


David Cronenberg aposta no nojo e no susto para o filme de 1986, enquanto o original de 1958 depende do suspense para funcionar – e funciona bem. O romance também é muito importante no filme de 1986 e, embora Jeff Goldblum e Geena Davis fossem namorados na época, não vemos química entre eles. Seth Brundle, o cientista, está mais preocupado com a ciência do que com sua vida amorosa, e isso fica evidente.

David Cronenberg bets on the gore and the scary in the 1986 film, while the original 1958 production relies on suspense to work – and it works well. The romance is also very important in the 1986 film and, although Jeff Goldblum and Geena Davis were dating at the time, we don’t feel their chemistry. Seth Brundle, the scientist, is more worried about his science than with his love life, and it shows.


A versão de 1958 sempre será minha favorita, e mesmo quem só assistiu ao remake deve procurar o original para experimentar outra visão da história, mais sutil e com mais suspense.

The 1958 version will forever be my favorite, and even those who only saw the remake should seek the original in order to experience another take on the tale, with more subtlety and suspense.

O veredicto: “A Mosca da Cabeça Branca”, de 1958, é o filme superior.

The verdict: the 1958 “The Fly” is the superior movie.

This is my contribution to the Jeff Goldblum blogathon, hosted by Gill at RealWeegieMidgetReviews and Emma at Emma K Wall Explains It All.


Wednesday, October 18, 2017

The Spencer Tracy Legacy: a tribute by Katharine Hepburn (1986)

Em 1986, um documentário feito para a TV celebrou “o legado de Spencer Tracy” – e foi maravilhosamente apresentado por sua companheira dentro e fora das telas, Katharine Hepburn. Katharine é muito franca o tempo todo, mesmo ao abordar o vício em bebida de Spencer. Você pode ver em seus olhos, olhos de 79 anos de idade, um brilho especial, e perceber que o que havia entre Kate e Spence era amor verdadeiro.

In 1986, a documentary made for television celebrated “The Spencer Tracy Legacy” – and it was beautifully presented by his companion in an off-screen, Katharine Hepburn. Katharine is very candid all the time, even about Spencer’s drinking problem. You can see her 79-year-old eyes sparkle, and realize that what Kate and Spencer had was true love.
Com depoimentos curtos de diretores, produtores e outros atores, o documentário consegue condensar a carreira de Spencer, que durou 37 anos, em menos de uma hora e meia. O simples, mas emocionante, documentário ganhou dois Emmys e me ensinou muitas coisas incríveis sobre Spencer Tracy:

With short interviews with directors, producers and other actors, the documentary manages to condensate Spencer’s career, one that lasted 37 years, in less than one hour and a half. The simple yet heartfelt documentary won two Primetime Emmys and taught me some cool things about Spencer Tracy:
- Foi John Ford que viu Spencer em uma peça de teatro e o levou para Hollywood. Tipo, dá para imaginar o que é ser descoberto por John Ford- que àquela altura, em 1930, já trabalhava há 13 anos no cinema?

- John Ford was the one that saw Spencer on a play and took him to Hollywood. I mean, can you imagine being discovered by John Ford - who in 1930 had already been working for 13 years in the movie business?
- Assim como muitos outros, Tracy ficou insatisfeito com os roteiros que recebia da Fox em 1935. Isso o levou a se comportar mal de propósito, sendo em seguida despedido do estúdio... e ele ficou desempregado por apenas duas horas: após ouvirem que ele havia sido mandado embora, executivos da MGM logo foram atrás de Tracy e o contrataram.

- Just like many others, Tracy became dissatisfied with the scripts he received at Fox by 1935. This led him to misbehaving on purpose, being fired from the studio... and his unemployment lasted only two hours: after hearing about his firing, he was quickly approached by and signed with MGM.
- Spencer estava no hospital quando ganhou o primeiro Oscar – por isso quem recebeu a estatueta foi sua esposa.

- Spencer was in the hospital when he received his first Oscar - that is why the statue was actually collected by his wife.

- Spencer deu seu Segundo Oscar ao padre Flanagan, o religioso que inspirou a história do filme “Com os Braços Abertos / Boys Town” (1938).

- Spencer gave his second Oscar to Father Flanagan, the priest who inspired the movie “Boys Town” (1938).
- Eu sabia que Katharine Hepburn queria Spencer para um dos papéis de “Núpcias de Escândalo” (1940), mas eu não sabia que ela era fã dele desde que o viu no teatro, em 1930, na mesma peça que impressionou John Ford.

-I knew Katharine Hepburn had wanted Spencer for a role in “The Philadelphia Story” (1940), but I didn’t know she had been a fan of his since she saw him in the theater, back in 1930, in the same play that impressed John Ford.
- Spencer só conseguiu um papel em “A Mulher do Dia” (1942) – o primeiro filme que ele fez com Kate – porque as gravações de uma versão de “The Yearling” na Flórida foram canceladas devido a um ataque de insetos.

- Spencer was only cast in “Woman of the Year” (1942) - the first film he did with Kate - because a production of “The Yearling” on location in Florida had to be called off due to a mosquito attack.

- Spencer parecia sempre estar se divertindo no set, Segundo Elizabeth Taylor. Sua simplicidade era admirada por Frank Sinatra e Richard Widmark.

- Spencer seemed to be was always enjoying his time and work on set, as Elizabeth Taylor says. His simplicity was admired by Frank Sinatra and Richard Widmark.
- O primeiro filme mencionado na década de 1930 foi “Glória e Poder” (1933), que eu vi recentemente. Eu gostei em especial do comentário de Joanne Woodward, que disse que Spencer interpretou o personagem em sua velhice da mesma maneira que ele próprio envelheceu: com muita força e energia.

- The first film from the 1930s mentioned is “The Power and the Glory”(1933), one that I watched recently. I especially liked Joanne Woodward’s comment that Spencer played the older character in the same way he aged: with a lot of strength and energy.
- Eu adorei descobrir um pouco sobre os passatempos de Spencer – por exemplo, jogar polo – e ver seus filmes caseiros.

- I loved to learn about Spencer’s hobbies - like playing polo - and seeing some home movies.

- Spencer esteve envolvido em causas sociais, como a cura da poliomielite e tratamento e educação para surdos, por causa de seu filho, que nasceu surdo.

- Spencer was an advocate for polio cure and deafness treatment and learning, because of his son, who was born deaf.
- Há um momento com a filha de Spencer, Susan Tracy, mostrando cadernos nos quais o pai fazia anotações entre 1937 e 1942. Foi bonito ver a curta nota que ele escreveu no dia da morte de Jean Harlow: “grande garota”.

- There is a moment with his daughter, Susan Tracy, showing notebooks with notes her dad took from 1937 until 1942. It was sweet to see his short entry on the diary on the day Jean Harlow died: “grand girl”.
- Você vai chorar com a carta de Kate no final. Não há dúvida.

- You’ll cry with Kate’s letter in the end. There is no doubt about it.

This is my contribution to the Spencer Tracy and Katharine Hepburn blogathon, hosted by my pal Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Sunday, September 15, 2013

Oliver Stone: cinema & política

Desde o cinema mudo ficou comprovado que a sétima arte era uma forte arma de propaganda política (D. W. Griffith sabia bem disso) e todos os momentos críticos do século XX, em qualquer país, espelharam e inspiraram obras cinematográficas. Entretanto, se durante as duas guerras mundiais os filmes eram feitos sempre para a exaltação dos Estados Unidos, isso estava para mudar. Já durante o Macarthismo, a perseguição louca aos comunistas, os políticos não encontraram apoio total em Hollywood e isso se refletiu em grandes obras alegóricas sobre o assunto. Mas são casos isolados na filmografia de um ou outro diretor. Na década de 1970 chega Oliver Stone, pronto para mudar a política de seu país através de filmes inesquecíveis.
Stone é o diretor de “Platoon” (1986), “Wall Street” (1987) e “Nascido em Quatro de Julho” (1989), mas este post se concentra em “Salvador – O martírio de um povo” também de 1986. Em um enfoque pouco usual dos problemas de um país estrangeiro e tão estranho ao público quanto El Salvador, Stone mostra muito da política externa de seu país não apenas para um público às vezes distante no tempo, mas também para os próprios americanos.
O jornalista Richard Boyle (James Woods) e seu amigo DJ drogado Doctor Rock (James Belushi) têm em suas mentes a mesma imagem da América Latina que milhões de americanos na época tinham: seu quintal, sua área de lazer, local para diversão sem lei e, claro, antro de prostituição. Eles passam pela Guatemala e chegam a El Salvador, onde Richard já esteve, e descobrem que lá há uma guerra civil. Reencontrando-se com seus velhos conhecidos, entre eles voluntários que ajudam os desabrigados, Richard, que acabou de sair da prisão, resolve fotografar a guerra e vender suas fotos para a imprensa americana. Quando a situação fica grave e muito perigosa, Richard percebe que não pode deixar o país sem sua companheira, María (Elpidia Carrillo).   
Desde o começo somos avisados de que estamos diante de uma explosão de pólvora e adrenalina. Os créditos por si só são eletrizantes. Os banhos de sangue são constantes. Os jornalistas fotográficos podem ter a melhor foto em troca da própria vida. Os fracos não tinham vez em El Salvador e em nenhum outro país que os Estados Unidos invadiram no século XX com a intenção de impedir o avanço do comunismo.
Antes de seus grandes trunfos, dos quais “Salvador” é o primeiro, Oliver Stone foi roteirista de grandes filmes como “O Expresso da Meia-Noite” (1978) e “Scarface” (1983). Antes disso, ele foi aluno de Martin Scorsese na Universidade de Nova York e dirigiu dois filmes de terror no início dos anos 70. Entretanto, ele havia vivenciado o horror real entre 1967 e 1968, quando combateu na Guerra do Vietnã.
A Guerra Civil de El Salvador se iniciou em 1980, em um embate entre o governo de direita (portanto, apoiado pelos EUA) e a guerrilha de esquerda. Antes do filme de Stone, nunca o cinema tinha agido de forma tão contundente para acabar com um conflito em andamento. Sim, “O Franco-Atirador” é um dos filmes que se mostram contra a Guerra do Vietnã, mas a película estreou três anos após o fim do conflito. Aliás, há durante toda a projeção de Stone a possibilidade sinistra de que El Salvador seja para os Estados Unidos um novo Vietnã.
Além de mostrar a presença americana, o filme também faz uma análise do impacto da guerra para os personagens. Há a pertinente reflexão sobre como ambos os lados estão errados ao usarem violência extrema, mostrando que não devemos sentir pena quando a barbárie não tem lado. Por vezes o filme adquire tons de documentário, em especial no final, quando adota uma narrativa semelhante à das produções sobre pessoas reais. De fato, as experiências do jornalista Rick Boyle serviram de inspiração para o filme, e ele foi responsável pelo roteiro. Entretanto, não se deu bem com James Woods, que o interpreta no filme. 

“Salvador” foi bem recebido entre os críticos, mas não foi um sucesso de público. Após o triunfo na cerimônia do Oscar de outro filme do diretor, “Platoon”, lançado no mesmo ano, “Salvador” ganhou mais atenção e voltou aos cinemas, desta vez atraindo mais espectadores. Mesmo que muitos deles ficassem chocados com o horror na América Central, a opinião popular não pressionou o suficiente para acabar com o conflito, que durou até 1992. Mesmo assim, Oliver Stone mostrou bem que tinha chegado para mudar os rumos da história e do cinema.

This is my contribution to the Oliver Stone Blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimar - Diary of a Movie Lover. 

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