} Crítica Retrô: Elizabeth Taylor

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Monday, February 26, 2018

There's One Born Every Minute (1942)


Em qualquer carreira, é raro começar no topo. No cinema, em especial, é raro começar como protagonista de um filme. A maioria, se não todas, as lendas do cinema começaram em papéis secundários, alguns até sem fala. Elizabeth Taylor também começou pequena – de ambas as maneiras: ela tinha apenas 10 anos quando fez seu primeiro filme, “There’s One Born every Minute”, que é um exemplo perfeito de filme B.

You rarely get to start on top in any career. In film, especially, it's rare to start as the star of a big picture. Most, if not all, film legends started in secondary roles, some of them as extras, others as walk-on roles. Elizabeth Taylor also started small – in both meanings: she was only 10 when she did her first film, and this film, “There's One Born Every Minute”, is a perfect example of a B-picture.


Curiosamente, a personagem de Elizabeth, Gloria, diz a primeira frase do filme: “Este cara engraçado é meu tataravô Claudius?”. Ela se refere a uma pintura que sua mãe, Minerva (Catherine Doucet) está pendurando na parede. A pintura está ali para inspirar grandeza, porque o pai de Gloria, Lemuel Twine (High Herbert), se candidatou ao cargo de prefeito da cidade de Witumpka Falls.

Curiously, Elizabeth's character, Gloria, says the very first sentence in the movie: “Is that funny-looking bloke (=man) my great-great-grandfather Claudius?”. She is referring to the painting her mother, Minerva (Catherine Doucet) is hanging on the wall. The painting is there to evoke greatness, because Gloria's father, Lemuel Twine (Hugh Herbert), is running for the position of mayor of the city of Witumpka Falls.


Gloria é a filha mais nova. Sua irmã mais velha Helen Barbara (Peggy Moran) é uma adolescente e seu irmão Junior (Carl ‘Alfalfa’ Switzer) é pouco mais velho que ela. O papai Lemuel ganha dinheiro fazendo pó para preparo de pudim – e age como um cientista maluco enquanto mistura os ingredientes, em busca do pudim perfeito. O pudim perfeito pode não existir, mas pode ser anunciado – e é isso que o marketeiro de Lemuel, Jimmy Hanagan (Tom Brown) faz: ele inventa uma nova vitamina, chamada Zumf, que é extremamente benéfica e que só é encontrada nos pudins de Lemuel.

Gloria is the youngest kid. Her older sister Helen Barbara (Peggy Moran) is a teenager and her brother Junior (Carl 'Alfalfa' Switzer) is just a little older than her. Daddy Lemuel makes pudding powder for a living – acting like a mad scientist while mixing the ingredients in search of a perfect pudding. The perfect pudding may not exist, but you can certainly advertise it – and that's what Lemuel's advertising assistant, Jimmy Hanagan (Tom Brown) does: he makes up a new vitamin, called Zumf, that is extremely beneficial and can only be found at Lemuel's puddings.


As vendas do pó para pudim aumentam vertiginosamente – e a popularidade de Lemuel também. O rico vendedor Lester Cadwalader (Guy Kibbee) não fica feliz com isso, porque ele está do lado do atual e estúpido perfeito, e precisa arranjar um jeito de sabotar a campanha de Lemuel. Lemuel não é um homem muito esperto, e deverá contar com a ajuda de seus ancestrais para fugir da sabotagem e continuar a ter chance na eleição.

The sales of pudding powder skyrocket – and so does Lemuel's popularity. Rich shop owner Lester Cadwalader (Guy Kibbee) is not happy with it, because he is supporting the current stupid mayor for re-election and must find a way of sabotaging Lemuel's campaign. Lemuel is not a very bright man, and must count with the help of his ancestors to escape the sabotage and compete fairly in the election.


Por causa do tema da eleição, podemos dizer que “There’s One Born Every Minute” é como uma versão pobre de “Herói de Mentira” – se “Herói de Mentira” estivesse drogado. É um filme engraçado, com um final muito machista e diversos momentos esquisitos.

By the election theme, you can say “There's One Born Every Minute” is like a poor version of “Hail the Conquering Hero” - if “Hail the Conquering Hero” was in an acid trip. It's a humorous film, with a very sexist ending and many weird moments.

Elizabeth Taylor não tem muito que fazer. Ela é a irmã levada, que vive correndo e importunando o irmão. Ela é fofa e divertida, e nada mais. De fato, seu primeiro empregador, Universal Pictures, não sabia o que fazer com ela – um diretor de elenco disse que ela tinha “olhos velhos demais para uma criança” e Elizabeth achava que ela intimidava os adultos no set – e após apenas um filme o estúdio a dispensou.

Elizabeth Taylor doesn't do much. She is the brat sister, running around and teasing her brother. She is cute and funny, and nothing else. Yet, she is wasted in this film. Indeed, her first studio, Universal Pictures, didn’t know what to do with her – one casting director said she had “eyes too old for a child” and Elizabeth thought she intimidated the adults on set – and after only one film they let her go.


Elizabeth era perfeita para ser uma estrela de cinema desde a infância: com cabelos pretos e olhos violeta, ela era uma criança que se parecia com um anjo único e exclusivo. Seu pai, Francis, era dono de uma galeria de arte. Sua mãe, Sara Sothern, foi atriz da Broadway e deixou os palcos quando se casou. Ambos os pais eram americanos, mas Elizabeth e seu irmão mais velho nasceram em Londres. A família voltou para os EUA em abril de 1939, devido ao clima político tenso na Europa. Dois anos depois, Elizabeth deu início a sua carreira no cinema.

Elizabeth was tailor-made (HA!) to be a movie star since childhood: with black hair and violet eyes, she was a kid that resembled an unusual angel. Her father, Francis, was an art dealer and gallery owner. Her mother, Sara Sothern, was a Broadway actress who left the stage after getting married. Both were Americans, but Elizabeth and her older brother were born in London. The family left for the US in April 1939, because of the tense political situation in Europe. Two years later, Elizabeth started her screen career.

Elizabeth, mother Sara and brother Howard 
Em 1943, já contratada pela MGM, a pequena Elizabeth apareceria, mais uma vez sem receber créditos, em “Jane Eyre” como uma garota sofredora no orfanato, e como Priscilla em “A força do coração”. Seu maior sucesso viria no ano seguinte. Elizabeth Taylor dizia que sua infância acabou quando ela se tornou uma estrela, e ela com certeza sofreu um bocado durante a carreira – mas isto é uma história a ser contada em outra ocasião.

In 1943, already signed by MGM, little Elizabeth would appear, once again uncredited, in “Jane Eyre” as an ill-fated girl at the orphanage, and as Priscilla in “Lassie Come Home”. Her biggest success yet would come the following year. Elizabeth Taylor said that her childhood ended when she became a star, she certainly suffered during her career – but that’s another story.

This is my contribution to the Elizabeth Taylor blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Sunday, October 19, 2014

Variações sobre um mesmo tema: “O Pássaro Azul” (1918, 1940 e 1976)

Maurice Maeterlinck foi um filósofo belga. Pode parecer estranho que um filósofo tenha deixado como principal legado um conto de fadas, mas, quando conhecemos “O Pássaro Azul”, percebemos que a situação é lógica. Só um filósofo poderia criar uma obra tão poderosa e brilhante sobre o sentido da vida, e foi isto que Maurice fez em 1908, quando escreveu a peça “O Pássaro Azul”, adaptada para o cinema dois anos depois como curta-metragem, e servindo de ponto de partida para três longa-metragens aqui discutidos (e também um desenho animado de 2011). Maurice ganhou o Nobel de Literatura em 1911, e atrevo-me a dizer que talvez seu “Pássaro Azul” seja mais bonito e inspirador que “O Pequeno Príncipe”.

Maurice Maeterlink was a Belgian philosopher. It may seem odd that a philosopher left as his main legacy a fairy tale but, when we get to know “The Blue Bird”, we see that this is only logical. Only a philosopher could create such a powerful and brilliant work about the meaning of life, and it was exactly this that Maurice did in 1908, when he wrote the play “The Blue Bird”, adapted to the screen two years later as a short film. It was also the source for three feature films discussed here (and also an animated film from 2011). Maurice won the Nobel Prize of Literature in 1911, and I dare to say that maybe his “The Blue Bird” is more beautiful and inspiring than “The Little Prince”.
Durante a noite, os irmãos Tyltyl e Mytyl são acordados pela fada Berylune, que tem uma missão para eles: encontrar o raro pássaro azul da felicidade. Claro que eles não partem nesta jornada sozinhos: as almas de todas as coisas ao redor também entram na aventura! Tyltyl, que até então gozava do quem pensava que as coisas tinham alma, fica maravilhado ao descobrir a alma do Leite, do Fogo, da Água, do Ar, do Açúcar, da Luz, do Gato e do Cão. Procurando pelo pássaro, eles passam pelo Castelo da Noite, pela casa dos avós das crianças (que já estão mortos!), por um Palácio de Luxos e pela Morada do Tempo.

During the night, the siblings Tyltyl e Mytyl are waken up by the fairy Berylune, who has a mission for them: to find the rare blue bird of happiness.Of course they don't go alone: the souls of all the things laying around also go on the adventure! Tyltyl, who used to make fun of people who thought things had a soul, is marvelled to find out about the souls of Milk, Fire, Water, Air, Sugar, Light, Cat and Dog. Looking for the vird, they go through the Night Castle, their grandparents' house (even though granny and grandpa are already dead!), through a Palace of Luxury and through the House of Time.
Passei a maior parte do tempo boquiaberta vendo a versão de 1918. Meus olhos viram poucas coisas tão belas quanto este filme. Maurice Tourneur era um excelente artesão das telas e fez filmes muito bonitos visualmente, mas não seria exagero classificar este “O Pássaro Azul” (1918) como sua obra-prima. São vários os momentos em que as lágrimas poderiam rolar, e destaco aqui um: o reencontro das crianças com seus avós e com os irmãozinhos mortos (são SETE irmãozinhos mortos. Esta é a cena mais importante sobre mortalidade infantil na história do cinema).

I spent most part of the time watching the 1918 version without words to describe it. My eyes have seen few things as beautiful as this movie. Maurice Tourneur was an excellent artisan of the screen and made very beautiful movies, but it's not an exaggeration to classify “The Blue Bird” (1918) as his masterpiece. There are many moments in which tears could drop, and I highlighht one: when the children meet again their grandparents and dead siblings (there are SEVEN dead siblings. This is the most important scene about child mortality in film history).
Todos os efeitos especiais desenvolvidos de Méliès a D.W. Griffith são usados no filme, e com resultados estupendos. Tudo é crível: as roupas que voam e se ajeitam nas crianças, o jogo de luz e sombra, as mudanças de ambiente. Ajuda muito o fato de Tula Belle (intérprete de Mytyl), Lillian Cook (fada Berylune) e Gertrude McCoy (alma da Luz) serem lindas como anjos. Lillian Cook morreria logo após as filmagens, com apenas 19 anos. Quem também faleceu em 1918 foi John van der Broek, o genial cinegrafista responsável pelo visual mágico do filme (sério, ele merecia o Oscar de Melhor Fotografia!).

All the special effects developed from Méliès to D.W. Griffith are used in the film, and with stupend results. Everything is believable: the clothes that fly and fit the children, the chiaroscuro, the setting changes. It helps that Tula Belle (who plays Mytyl), Lillian Cook (fairy Berylune) and Gertrude McCoy (the sould of the Light) are as beautiful as angels. Lillian Cook would die rigt after filming ended, she was just 19. Who also died in 1918 was John van der Broek, the genius cinematographer who is responsible by the look of the film (really, he deserved the Best Cinematography Oscar!).
A versão de 1940 foi o que sobrou para Shirley Temple depois do sucesso de “O Mágico de Oz” na MGM. Este filme conta inclusive com uma sequência de passagem (abrupta, é bem verdade) das cenas em preto e branco para o Technicolor mágico. Assim, quando Mytyl (Shirley) e Tyltyl (Johnny Russel) são acordados pela fada, é como se eles entrassem em sua terra de Oz particular. Os cenários são maravilhosos e os efeitos especiais, apesar de terem envelhecido pior que os de Oz, são bem utilizados. Mas parece que os gastos foram muitos, porque tivemos um corte nas almas: aqui, os irmãos são acompanhados somente pela Luz (Helen Ericson), pelo cão Tylo (Eddie Collins) e pela gata Tylette (Gale Sondergaard). Também fica de fora a sequência no Castelo da Noite, e no lugar temos árvores iradas.

The 1940 version was what had left for Shirley Temple after “The Wizard of Oz” was a success at MGM. This film also has a transition scene (a very abrupt one) from black and white scenes to the ones in magical Technicolor. So, when Mytyl (Shirley) and Tyltyl (Johnny Russel) are awaken by the fairy, it is ifthey had entered their particular land of Oz. The sets are wonderful and the special effects, even aging worse than the ones from Oz, are well used. But it looks like the budget was huge, because we have a cut in the souls: here, the siblings have only the company of Light (Helen Ericson), the dog Tylo (Eddie Collins) and the cat Tylette (Gale Sondergaard). The Night Castle was also cut, and in its place we have angry trees.
O que mais me chamou a atenção nesta versão de 1940 é a presença da garotinha Caryll Ann Ekelund, que tenta nascer antes da hora pela terceira vez na sequência do futuro. Este foi o único filme de Caryll. Pouco depois das filmagens, ela morreu queimada em um acidente durante o Halloween.

What called the most my attention in this version is the presence of the little girl Caryll Ann Ekelund, who tries to be born before time by the third time in the future sequence. This was Caryll's only film. A little after filming wrapped, she died from burns in a Halloween accident.
Bastidores / Backstage
Em 1976, voltam as almas de todas as coisas, e com acréscimo: agora elas falam em rimas, têm efeitos sonoros e sotaque (porque alguns atores eram soviéticos). Com a volta do Palácio da Noite como cenário, temos a oportunidade de ver críticas pontuais às doenças e às guerras. Isso tudo é muito interessante, mas não chega perto do interesse despertado pelo star cast: Elizabeth Taylor (em QUATRO papéis), Jane Fonda, Ava Gardner e Robert Morley (o rei Luís XVI de “Maria Antonieta”, 1938). Katharine Hepburn e Shirley MacLaine recusaram o convite para fazer parte do elenco.

In 1976, all the souls of the things are back, and with a plus: now they talk in rhymes, have sound effects and accents (because some actors were Russian). With the comeback of the Night Castle, we have the opportunity to see some criticism to disease and wars. Everything is very interesting, but not as interesting as the all star cast: Elizabeth Taylor (in FOUR roles), Jane Fonda, Ava Gardner and Robert Morley (king Louis XVI from “Marie Antoinette”, 1938). Katharine Hepburn and Shirley MacLaine refused roles in the film.
A melhor parte da versão de 1976 sem dúvida é o ballet do pássaro azul (você não leu errado). Aliás, há bastante música nesta versão, e também um ballet performático abstrato envolvendo o Fogo e a Água. E, embora ninguém tenha morrido logo após o filme, os sets estavam cheios de problemas: George Cukor e toda a equipe foram mandados para filmar na União Soviética. Jane Fonda queria discutir o comunismo com a população local. James Coco, que interpretaria o cachorro, só comia pão e engordou tanto que o figurino não servia mais. Cukor acusou a atriz Cicely Tyson (a gata) de usar vudu para atrapalhar as filmagens.

The best part in the 1976 version is without a doubt the blue bird ballett (you didn't read it wrong). There is plenty of music in this version, and also an abstract performatic ballett with Fire and Water. And, even though nobody died right after filming ended, the sets were full of trouble: George Cukor and his crew were sent to shoot in Soviet Union. Jane Fonda wanted to discuss communism with the local population. James Coco, who would play the dog, only ate bread and got too fat for his canine outfit. Cukor accused Cicely Tyson (the cat) of using voodoo to  disturb the shooting.
Do do that voodoo that you do so well
Os filmes de 1940 e 1976 contam com uma sequência em que as árvores atacam as crianças, o que faz muito sentido, pois o pai de Tyltyl e Mytyl é lenhador. Em 1940, há um incêndio digno de Rhett e Scarlett. Ambos têm efeitos especiais um pouco datados. A versão de 1940, entretanto, conta com cenários maravilhosos, enquanto a de 1976 é mais... campestre. Com exceção de Jane Fonda que, de acordo com um usuário do IMDb, parece “Darth Vader travestido”.

The versions from 1940 and 1974 have sequences in which the trees attack the children, which makes sense, because Tyltyl's and Mytyl's dad is a lumberjack. In 1940, there is a fire that would please Rhett and Scarlett. Both have dated special effects. The 1940 version has wonderful sets, while the 1976 one is more... country-ish. Only Jane Fonda doesn't look country: according to an IMDb user, she looks like “Darth Vader in drag”.
Todas as versões de “O Pássaro Azul” foram um fracasso de bilheteria. Entretanto, todas as pessoas que viram um desses filmes quando crianças se lembram deles com carinho e nostalgia. Fica óbvio que foram produções pensadas para crianças... e também para aquele adulto especial que ainda tem uma criança dentro de si e que sabe que o mais importante na vida pode ser o mais banal.

All the versions of “The Blue Bird” were box-office failures. However, everybody who has seen one of those films as a child rememvers them with happiness and nostalgia. It is obvious that they were movies targeted to children... and also to that special adult who still has a child inside and knows that the most important in life can be the simplest thing.

P.S.: Para uma análise mais profunda e bem-escrita da versão de 1918, leia este post maravilhoso da Nitrate Diva.

P.S.: To a deeper and better-written analysis of the 1918 version, read this marvellous post from The Nitrate Diva.

This post is my contribution to the Stage to Screen blogathon, hosted by Rosie and Rachel at The Rosebud Cinema and Rachel’s Theatre Reviews.  

Friday, September 2, 2011

Assim caminha a humanidade / Giant (1956)


Em enquete feita pelo blog sobre os filmes de James Dean, os leitores escolheram (surpresa!) “Assim caminha a humanidade / Giant”, épico de 1956 baseado no romance homônimo de Edna Ferber e que conta com um grandioso elenco. Dividem a tela com Dean: Rock Hudson, Elizabeth Taylor, Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (seu primeiro papel no cinema foi em “Juventude Transviada”, também com James Dean), Carroll Baker e Sal Mineo.

Jordan “Bick” Benedict (Rock Hudson) vai até Maryland,na casa da família de Leslie (Elizabeth Taylor) para comprar um cavalo premiado. Acaba saindo de lá com o equino e uma esposa geniosa. Quem não gosta das novas aquisições é a irmã solteira de Bick, Luz (Mercedes McCambridge), responsável pela propriedade da famíla, o rancho Reata no Texas. Além de causar desconfiança em Luz, Leslie desperta a paixão de Jett Rink (James Dean), trabalhador que herda de Luz um pequeno pedaço de terra. Ao longo de três horas e 17 minutos (um filme realmente “gigante”) vemos as mudanças causadas pelo petróleo encontrado por Jett e como isso afeta Leslie, Bick e seus descendentes.

O petróleo é o principal tema do filme. Jett fica rico com sua companhia JetTexas e tem o mundo a seus pés para divertir-se, namorar, aproveitar a vida e tentar compensar o amor não-correspondido que tem por Leslie. Jett domina as cenas em que aparece, seja indo coberto de petróleo esnobar a família Benedict ou afundando no alcoolismo com o passar dos anos.No “futuro”, já bem mais velho, Jett tem um breve romance com Luz Benedict II (Carroll Baker), avoada filha caçula dos vizinhos e ex-patrões. Bick se recusa a explorar petróleo, apesar de ser quase certo que há ouro negro também em sua propriedade. Ele quer manter a tradição rancheira de Reata, tendo ainda atitudes conservadores em relação ao futuro dos filhos.

Outro tema é o preconceito com relação aos mexicanos. Na propriedade dos Benedict trabalham muitos mexicanos. Em contraste com a opulência dos patrões, eles vivem em condições precárias em uma vila próxima ao rancho. Isso decepciona Leslie, uma mulher forte e decidida. Ela se preocupa com os imigrantes, chegando a “apadrinhar” Angel Obregon (vivido por Sal Mineo, quando adulto), que ela ajuda a salvar ainda bebê e recebe entusiamada em uma festa de Natal anos mais tarde, dando-lhe um relógio. A tensão só aumenta quando Jordy (Dennis Hopper) decide se casar com uma mexicana, para desespero do pai. O caminho não é fácil para o casal inter-racial e será com a aceitação de Bick e a luta deste pela igualdade da nora e dos netos que Leslie afirmará, encerrando esta odisseia cinematográfica, que ela o respeita e que a família deles é um orgulho.

O resultado da equação grande elenco + boa história + temática social só podia ser sucesso. É um filme que assusta pela duração, mas que prende a atenção do início ao fim, não deixando o espectador sequer bocejar. É uma reconstrução precisa do período entreguerras em um local quase inóspito e muito conservador, feito em uma época em que os movimentos pela igualdade ainda não tinham estourado.

É bom saber: Do fim das filmagens até sua estréia, o filme gastou um ano na sala de edição. Valeu a pena: além de ganhar o Oscar de Melhor Direção e ser indicado em mais 8 categorias, também foi a maior bilheteria da Warner por 22 anos.

George Stevens, diretor com mão-de-ferro, queria Alan Ladd no papel de Jett. Sua esposa não gostou da ideia. James Dean foi escalado no lugar e teve de suar para mostrar o método de atuação improvisado que usava.

Lace a Liz, Rock!
Grace Kelly foi a primeira opção para o papel de Leslie. Rock Hudson preferiu Elizabeth Taylor, que mais tarde tornou-se sua amiga íntima. Grace foi filmar “Janela Indiscreta / Rear Window”. Audrey Hepburn também foi considerada. Para o papel de Bick, algumas opções foram John Wayne, William Holden, Sterling Hayden, Robert Mitchum e Forrest Tucker.

Tudo entre amigos: outra opção para o papel de Jett era Montgomery Clift, também amicíssimo de Elizabeth Taylor.

Carrol Baker, apesar de interpretar a filha de Elizabeth Taylor, é um ano mais velha que a estrela de olhos violeta.

Em uma noite, no início das filmagens, Taylor e Hudson saíram para beber e conversar. A confraternização acabou depois das três da manhã. Às cinco horas eles estavam no estúdio gravando a cena do casamento, felizmente sem falas. Ficaram tão concentrados tentando não parecer bêbados que levaram muitos membros da equipe às lágrimas, emocionados com a expressão de paixão no rosto dos atores.

Jett Rink foi inspirado em uma figura real: o magnata do petróleo Glenn McCarthy. A autora Edna Ferber o conheceu no Shamrock Hotel, propriedade do ricaço que serviu de inspiração para a parte final da trama.

James Dean faleceu oito dias após a filmagem de sua última cena. Ele recebeu uma nomeação póstuma ao Oscar de Melhor Ator. 

Monday, March 28, 2011

Para Sempre Liz Taylor

Ser fã de cinema clássico implica admirar vários artistas que já não estão mais entre nós. É não ver notícias e entrevistas recentes ou não ter a chance de encontrá-los em uma visita a Hollywood. Talvez isso nos poupe do sofrimento de perder nossos ídolos. No entanto, muitos dos representantes dessa era ainda estão entre nós, e sua perda é inevitável.
Nesses quase dois anos de iniciação à cinefilia clássica, vi perdermos muitos grandes nomes. Mas talvez Jennifer Jones, Jean Simmons, Lena Horne, Dennis Hopper, Blake Edwards, Betty Garrett ou Jane Russel não tenham doído tanto. O triste acontecimento desta semana significou o fim da época em que o cinema era mais inteligente e as estrelas eram mais interessantes.
Curiosamente, vários de seus filmes apresentam mortes iminentes. A pequena órfã tem uma pneumonia fatal em “Jane Eyre” (idem, 1944). A Rebecca de “Ivanhoé” (idem, 1952), acusada de bruxaria, está prestes a ser condenada à fogueira. A apaixonada sulista sofre de uma loucura que põe em risco a vida de toda a sua família em “A Árvore da Vida” (Raintree County, 1957). O patriarca tem uma doença terminal em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat in a Hot Tin Roof, 1958). A única testemunha da morte do primo é atormentada pelas lembranças em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959). Na vida real, ela foi uma batalhadora, uma sobrevivente, uma mulher maior que a vida.
Quando ela nasceu,em 1932, outras grandes lendas já estavam há tempos na ativa, como Mary Pickford, Lillian Gish, Greta Garbo e Katharine Hepburn. Mas Elizabeth Taylor não perdeu tempo: aos dez anos estrelava seu primeiro filme: “A Mocidade é Assim Mesmo” (National Velvet), ao lado de Mickey Rooney. Nos anos seguintes, foi dona de Lassie, jovem comportada do século XIX e uma garotinha encantadora. Aos 17 fez um ensaio nua. A garotinha estava crescendo.
E cresceu, transformando-se numa das mais belas mulheres do cinema. Ganhou dois Oscars, por “Butterfield 8”, em 1961, após três indicações infrutíferas consecutivas, e por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”em 1968.Casou-se oito vezes, teve sete maridos, enviuvou aos 27 anos, roubou o marido de Debbie Reynolds, encontrou o amor de sua vida em Richard Burton. E tudo isso fez dela uma lenda.
Não digo que o cinema ficou órfão, mas, sim, viúvo: quem nunca se enamorou com o rosto de Liz Taylor? 
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