} Crítica Retrô: O Sheik

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Wednesday, March 22, 2017

“A Gata e o Rato” e a paródia de Casablanca / Moonlighting and the Casablanca parody

Nos anos 80 e 90, era comum que as séries de TV, em especial sitcoms, tivessem “episódios de antologia”. Estes episódios não faziam a trama avançar e podiam até ser ignorados pelo público. Alguns deles eram simples coleções de clipes de episódios anteriores. Outros eram paródias de filmes famosos. Vamos falar de um episódio deste último tipo.

In the 1980s and 1990s, it was common for TV series, in special sitcoms, to have some “anthology episodes”. These episodes didn't advance the plot and could even be skipped by the public. Some of them were a collection of clips from previous episodes. Others were parodies of famous movies. We're talking about an example of the later.
Os personagens principais da série romântica / de suspense / de comédia “A Gata e o Rato” eram Madelyn ‘Maddie’ Hayes (Cybill Shepherd) e David Addison (Bruce Willis), os dois principais investigadores da agência de detetives Blue Moon, da qual Maddie é proprietária. Entre os personagens coadjuvantes recorrentes estava a secretária atrapalhada e adorável, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).

The main characters in the romantic / thriller / comedy Moonlighting were Madelyn 'Maddie' Hayes (Cybill Shepherd) and David Addison (Bruce Willis), the two main detectives in the Blue Moon agency, that Maddie also owns. Among the recurrent characters there was the clumsy secretary with a heart of gold, Agnes DiPesto (Allyce Beasley).
O público aprendeu a amar Agnes DiPesto. Ela ganhou mais tempo em cena, um par romântico – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – e alguns episódios focados só nela. Bem, isso aconteceu porque ela era popular, obviamente, mas também porque aconteceram alguns atrasos nas gravações quando Bruce Willis machucou o ombro e Cybill Shepherd deu à luz gêmeos. Curiosamente, os dois episódios mais marcantes para mim têm tudo a ver com filmes clássicos.

The public learned to love Agnes DiPesto. She got more screen time, she got a romantic interest – Herbert ‘Bert’ Viola (Curtis Armstrong) – and she got some episodes focused on herself. Well, this happened because she was popular, sure, but also because there were some delays when Willis broke his shoulder and Shepherd had twins. Curiously, the two episodes I remember best have everything to do with classic movies.
Um deles é “In ‘N Outlaws” (temporada 5, episódio 11), uma espécie de “12 Homens e uma Sentença” com um toque romântico. Nele Agnes é parte de um júri e é a única que acredita na inocência do réu. Ela então conta sua teoria e narra suas experiências com a relação complicada de Maddie e David para convencer os outros jurados da inocência do réu.

One of them, “In ‘N Outlaws” (S5E11), is some kind of romantic “12 Angry Men”. In it Agnes is part of a jury and is the only one who believes in the man's innocence. She then tells her theories and her experience with the on-again off-again couple Maddie and David to convince the other jurors of his innocence.
O outro episódio também foi romântico, e lidou com a relação de Agnes e Herbert. Eles eram ambos tímidos, loucamente apaixonados um pelo outro, mas não tinham coragem para dizer o que realmente sentiam, nem para dar grandes passos e avançar o relacionamento. No episódio “Here’s Living with You, Kid” (temporada 4, episódio 13), Herbert sugere que ele e Agnes vão morar juntos. Bert meio que recebe um não como resposta, e a partir daí tem fantasias envolvendo filmes clássicos.

The other episode was romantic as well, and dealt with Agnes and Herbert's relationship. They were both shy people, madly in love with each other, but without the necessary courage neither to tell what they really felt nor to take risks in the relationship. In the episode “Here’s Living with You, Kid” (S4E13), after asking if Agnes wants to move in with him and kind of receiving “no” as an answer, Herbert has fantasies involving classic films.
Primeiro Bert fantasia com “O Sheik” (1921), provavelmente o primeiro filme da história a glorificar a síndrome de Estocolmo. O sonho acordado é um filme mudo completo, sem diálogos mas com intetítulos.

First Bert fantasizes with “The Sheik” (1921), probably the first film to glorify the Stockholm syndrome in the history of movies. The daydream is a complete silent movie without dialog and with intertitles.
Então Bert fantasia com Casablanca. Herbert é Rick, Agnes é Ilsa. De todos os bares de todas as cidades do mundo, ela teve de entrar logo no dele. Este devaneio é mais longo, e também mais divertido, pois zoa com as cenas mais famosas de Casablanca. Veja abaixo, com legendas:

Then Bert fantasizes with Casablanca. Herbert is Rick, Agnes is Ilsa. Of all the gin joints in all the towns in all the world, Agnes walks into his. This daydream sequence is longer, and also funnier, because of the way it mocks with the most famous scenes in Casablanca. See below, with Portuguese subtitles:



“A Gata e o Rato” teve cinco temporadas, de 1985 a 1989. Eu assistia às reprises no canal TCM a partir de 2011. Eu adorava a série, em especial as paródias, os momentos em que a quarta parede era quebrada e as deliciosas situações em que os personagens demonstravam que sabiam que faziam parte de um programa de TV.

Moonlighting lasted five seasons, from 1985 to 1989. I watched the reruns from 2011 onwards. I really, really loved the show, and I adored their spoofs, whenever they broke the fourth wall and the amazing tongue-in-cheek moments when the characters made clear they knew it was only a show.
Agora as séries não têm mais episódios de antologia. Agora as séries transmitidas na TV têm entre 22 e 23 episódios por temporada, enquanto as séries via streaming têm 13 ou 10 episódios ou até menos. Eu também aprecio a maneira moderna de se fazer séries, mas fico pensando: como minhas séries atuais favoritas lidariam com episódios de antologia e quais clássicos eles se atreveriam a parodiar?

Now the series have no more anthology episodes. Now the series airing on TV have about 22 or 23 episodes per season, while the ones on streaming have 13, 10 or even fewer. I like the modern model as well, but sometimes I wonder how some of my favorite series would tackle anthology episodes and which classics they could spoof.

You can watch the full “Here’s Living with You, Kid” episode on Dailymotion.

This is my contribution to the 3rd Annual Favourite TV Show Episode Blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts.

Friday, February 7, 2014

10 motivos para gostar de cinema clássico

1- A beleza era... diferente: Não era necessariamente natural. Garbo e Rita Hayworth, por exemplo, tiveram de se submeter a várias transformações para se tornarem as divas que conhecemos. Eram cirurgias plásticas primitivas, muitas vezes dolorosas, mas que moldaram os rostos e as carreiras de muitas estrelas. E se há uma coisa que não podemos negar, é que a Golden Age está cheia de belas mulheres (e homens!).
2- A importância dos detalhes: Cada pessoa gosta de prestar atenção em uma coisa enquanto vê um filme. Eu noto o fluir da história, e outros notam os detalhes: os figurinos, os cenários, os penteados. Homens e mulheres se vestiam melhor naquela época, e a moda de décadas atrás ainda pode ser encontrada desfilando nas ruas. E o que falar dos cenários nos épicos e musicais? Cada detalhe era pensado milimetricamente no cinema clássico.
3- Uma nova percepção da história: Quem gosta de filmes antigos normalmente gosta de história. Ou seja, não é uma daquelas pessoas que pensa que a avó vivia nos tempos dos dinossauros. Aos olhos da história, filmes feitos 80 anos atrás são bastante recentes. E com eles você aprende que o mundo não era tão primitivo no início do século passado. É só observar o grau de técnica das filmagens e efeitos especiais em filmes de 1920 ou 1930.
4- Você fica mais esperto: Bons diretores e roteiristas vivem fazendo referências aos clássicos. Conhecê-los faz você entender a piada em Os Simpsons e Modern Family. Mostra que Brian De Palma retirou a sequência do tiroteio na escadaria em “Os Intocáveis / The Untouchables” (1987) de um filme soviético de 1925. E não te deixa pensar que “Shrek Para Sempre” foi super criativo ao mostrar como seria o mundo sem Shrek: a ideia é do clássico mais amado, “A Felicidade não se Compra / It’s a Wonderful Life” (1946).
5- As músicas, ah, as músicas!: Esqueça os refrões idiotas de hoje: músicas com conteúdo podem ser encontradas nos musicais de antigamente. As valsas, operetas, melodias de jazz e fox trot eram cantadas por artistas de verdade, às vezes sem treinamento formal algum, mas com vozes extraordinárias. Ainda há gente boa cantando hoje? Sim, mas as canções do Great American Songbook estão lá no passado, prontas para dialogar com nossas almas.
6- Nada se cria, tudo se copia: Não há novos gêneros no cinema. Tudo o que nós vemos hoje foi criado há mais de 80 anos. Dramas, comédias, musicais, sci-fi, terror, biografia. A gênese de todos os tipos de filmes, de clichês e de técnicas pode ser encontrada na Golden Age. Com a onda dos remakes, então, a originalidade caiu a quase zero. Sabe “A Guerra dos Mundos”, com Tom Cruise? É remake de um filme de 1953, que, por sinal, é bem melhor.
7- Sutileza é tudo: Devo dizer que a sociedade de 50 anos atrás era um pouco retrógrada (assim como, espero, nossa sociedade atual será considerada ultrapassada daqui a 50 anos), e a censura dominou Hollywood de 1934 a 1965, aproximadamente. Com certeza alguns bons filmes deixaram de ser feitos, mas vários assuntos conseguiram ser abordados graças à perspicácia e insistência de roteiristas e diretores, que mascaravam os diálogos e as cenas, passando, assim, com folga pelos idiotas censores.
8- Like fine wine...: Some films just get better with time. É difícil para uma crítica de cinema falar isso, mas os críticos muitas vezes são bestas sem visão. Um espectador de 1938 poderia ler uma crítica negativa de “Levada da Breca / Bringin’ Up Baby” e não iria ver o filme. Assim, perderia uma comédia deliciosa. Algumas produções são à frente de seu tempo, e são necessárias décadas para que alguém aponte a genialidade delas. Vê-las é olhar para o passado sabendo mais que todos que viram o filme na estreia, podendo, assim, apreciá-las melhor. 
9- Ars gratia artis: O lema da MGM, em latim, significa “a arte saúda os artistas”. Nada mais correto que isso, porque os filmes não seriam nada sem atores inigualáveis (que deveriam servir de exemplo para qualquer aspirante), diretores, roteiristas, figurinistas, compositores... Todas essas funções eram diferentes décadas atrás. Havia gente ruim na indústria? Com certeza! Mas, para que tantas obras-primas tenham sido realizadas, tenha a certeza de que equipes talentosíssimas estavam trabalhando nos bastidores.

10- Você estará na companhia de pessoas incríveis: Como eu. Brincadeirinha! Mas é grande a chance de conhecer gente bacana nessa fandom. Na escola, eu nunca conseguia falar sobre os meus filmes favoritos com a galera fútil. Quando eu descobri, na internet, que há pessoas com as mesmas preferências, foi um momento lindo. Porque não são pessoas que se preocupam com futilidades, com popularidade, com pegação. Tirando um ou outro chato saudosista ou um pseudo-cinéfilo, o resto da comunidade é só alegria. Prepare-se para fazer novos melhores amigos!
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