Quando eu tinha treze anos, a escola exigiu a
leitura de uma versão resumida de duas obras-primas de Homero: a Ilíada e a
Odisseia. Já naquela época, a leitura não era uma obrigação para mim, era um
prazer. Eu fiquei surpresa com a presença e a intervenção dos deuses gregos nas
histórias e suas tramas ficaram marcadas na minha mente.
When I was thirteen, school made us read an abridged version of Homer’s two masterpieces: the Iliad and the Odyssey. Already at the time, reading wasn’t an obligation for me, it was a pleasure. I was surprised by the presence and intervention of the Greek gods in the stories and their plots were glued to my mind.
No meu primeiro ano de faculdade surgiram os MOOCs - sigla em inglês para Cursos Abertos Online em Massa. O primeiro que eu fiz era sobre a Ilíada e a Odisseia, com um professor especialista nestas duas obras da literatura. Dá para imaginar ser especialista numa obra de arte? Isso mexeu comigo e o curso foi exigente, mas foi um prazer fazê-lo.
In my first year of college MOOCs - Massive Open Online Courses - became a thing. The first I took part in was about the Iliad and the Odyssey, taught by a professor with a degree in these two works of literature. Can you imagine having a degree in a work of art? It puzzled my mind and the course was demanding, but also rewarding.
Semana passada vi um post no Instagram da Le Giornate del Cinema Muto sobre o filme de 1911 “A Odisseia / L’Odissea”. A publicação nos contava que essa adaptação do poema épico de Homero foi feita após o sucesso de “L’Inferno” (1911), um filme sobre o qual já escrevi AQUI. Por isso, em vez de marchar para os cinemas para assistir à nova adaptação de Christopher Nolan, eu decidi escrever sobre a adaptação vintage de uma das maiores histórias de todos os tempos.
Last week I saw a post on the Instagram account of the Pordenone Silent Film Festival about the 1911 film “The Odyssey / L’Odissea”. The publication told us that this adaptation of Homer’s epic tale was made after the success of “L’Inferno” (1911), a film I previously reviewed HERE. So, instead of marching to the cinemas to watch Christopher Nolan’s new adaptation, I decided to review the vintage retelling of one of the greatest stories ever told.
Ulisses ou Odisseu (Giuseppe de Liguoro) deixa sua família na ilha de Ítaca para lutar na guerra de Troia. Começam os rumores de que Odisseu morreu e pretendentes começam a fazer fila esperando que a viúva Penélope decida com quem se casará em seguida. Com o intuito de adiar essa decisão, Penélope tece uma mortalha para o marido de dia e desfaz o trabalho de noite - essa noite sendo representada por um filtro azul na película.
Odysseus (Giuseppe de Liguoro) leaves his family on the island of Ithaca to fight the war in Troy. People start the rumor that Odysseus is dead and suitors start to line up waiting for widow Penelope to decide whom she will remarry. Wanting to postpone the decision, Penelope weaves a shroud for her husband by day and unweaves at night - night being represented by a blue tinting.
A guerra em Troia acaba - sem nenhum cavalo à vista - e Odisseu, vivíssimo, começa sua viagem de volta. É verdade que quando estamos voltando a viagem parece mais rápida, mas não para nosso herói: antes de chegar a Ítaca ele vai encontrar um ciclope, sereias, todo tipo de monstros e a fúria dos deuses.
The war in Troy ends - no horse in sight - and Odysseus, very much alive, starts his voyage home. It’s true that when you’re coming back the trip seems quicker, but not for our hero: before reaching Ithaca he’ll encounter a cyclop, sirens, all kinds of monsters and the rage of the gods.
Você deve achar que em 1911 o cinema era muito rudimentar, certo? ERRADO! Em “A Odisseia” há efeitos especiais como dupla exposição para revelar a deusa Atena e o gigante de um olho só Polifemo é convincentemente assustador. Agora é um bom momento para contar que o episódio do gigante já havia sido contado antes nas telas, por ninguém menos que nosso velho amigo Méliès em 1905.
You think that in 1911 cinema was very rudimentary, right? WRONG! In “The Odyssey” there are special effects such as double exposure to reveal the goddess Athena and the one-eyed giant Polyphemus is seen as convincingly menacing. Here it’s a good moment to tell that the episode of the giant had been told before on screen, by none other than our old friend Méliès in 1905.
“A Odisseia” foi feita pela Milano Filmes, então uma das mais importantes companhias produtoras italianas. Fundada em 1908, continuou firme até o final da década de 1920. Em 1919, ela surpreendentemente se recusou a se
juntar ao conglomerado Unione Cinematografica Italiana.
“The Odyssey” was made by Milano films, then one of the most important Italian film production companies. Founded in 1908, it remained strong until the late 1920s. In 1919, it surprisingly refused to join the conglomerate Unione Cinematografica Italiana.
O filme foi feito para
ser exibido na Feira Mundial de Turin, um evento que durou seis meses e recebeu
quse 7,5 milhões de visitantes. O evento também celebrava os 50 anos da
Unificação Italiana. Uma competição de filmes foi levada a cabo dentro da feira
e “A Odisseia” ganhou um prêmio na categoria de filmes educativos.
The film was made to be exhibited in the Turin
World Fair, an event that lasted six months and received almost 7,5 million visitors.
The event was also celebrating 50 years of the Italian Unification. A film
competition was held in the fair and “The Odyssey” won an award in the
educational films category.
Apesar de durar apenas 44 minutos, o filme cobre quase todas as histórias de dentro da Odisseia, com a ausência óbvia do encontro de Odisseu com a feiticeira Circe. A Odisseia é a história de um homem sábio, e sua primeira adaptação completa para a tela só podia ser assim: cheia de sabedoria.
Despite being only 44 minutes long, the movie covers almost all tales inside of the Odyssey, with the obvious absence being the encounter between Odysseus and the witch Circe. The Odyssey is all about a clever man, and its first full adaptation to the screen could only be that: clever.





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