} Crítica Retrô: Hattie McDaniel

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Tuesday, July 29, 2025

Magnólia: O Barco das Ilusões (1936) / Show Boat (1936)

 

Um dos meus atores / cantores favoritos é Paul Robeson. Eu sempre fiquei intrigada com a letra de uma música comumente associada à Robeson: Ol’ Man River. A letra é assim: “Estou cansado de viver mas com medo de morrer”. Já ouvi alguns idosos dizendo que estavam cansados de viver, mas ouvir um adulto saudável dizendo isso me chocou. Isso aconteceu porque eu não conhecia o contexto, algo que corrigi quando finalmente assisti ao filme “Magnólia: O Barco das Ilusões” (1936).

One of my favorite singers / actors is Paul Robeson. I’ve always been intrigued with the lyrics of one tune commonly associated with Robeson: Ol’ Man River. The lyrics are those: “I’m tired of living but scared of dying”. I’ve heard quite a few old people saying they were tired of living, but a healthy adult saying this shocked me. It was because I didn’t get the context, something I fixed by finally watching “Show Boat” (1936).

Você sabe que a sessão vai ser boa quando um verdadeiro desfile traz os créditos.

You know you’re in for a treat when a whole parade brings the credits.

A família Hawks administra um barco de espetáculos cuja aparição no horizonte é suficiente para deixar todas as pessoas - e os animais! - de uma cidade alvoroçados. Os Hawks só têm um desejo: que sua filha Magnólia (Irene Dunne) se torne uma pessoa respeitável, isso é, que ela nunca se apresente no barco de espetáculos. Mas Magnólia, ou Nola, sonha em cantar, dançar e se apresentar para o público.

The Hawks are the managers of a show boat whose sighting is enough to make all the people - and the animals! - of a town excited. They only have one wish: that their daughter Magnolia (Irene Dunne) becomes a respectable person, that is, that she never becomes a show boat attraction. But Magnolia, or Nola, dreams about singing, dancing and acting for the public.

Ela tem sua grande chance após um episódio triste: descobre-se que Steve (Donald Cook) e Julie (Helen Morgan), as estrelas do show, são um casal interracial, algo proibido no Mississipi. Num país em que “uma gota de sangue negro faz de você um negro”, ter pele clara não faz uma pessoa ser considerada branca. O episódio pode soar como um problema de um passado distante, mas não se engane: a última lei de segregação foi abolida apenas em 1965 e a genética ainda dita quem é branco e quem não é. Em “Magnólia: O Barco das Ilusões”, Julie e Steve têm que abandonar o espetáculo.

She gets her big chance after a shameful episode: it’s discovered that Steve (Donald Cook) and Julie (Helen Morgan), the stars of the show, are a mixed-race couple, a thing forbidden in Mississippi. In a country where “one drop of negro blood makes you a negro”, having fair skin doesn’t make a person be seen as white. The whole episode might sound as a problem from a distant past, but don’t be fooled: the last segregation law only fell in 1965 and genetics still dictate who is white and who isn’t. In “Show Boat”, Julie and Steve have to leave the show.

Como ela era próxima de Julie, Magnólia conhecia o papel principal e podia substituí-la, o que faz sua mãe se desesperar. Para o papel masculino principal, os Hawks contratam um viajante, Gaylord Ravenal (Allan Jones) do Tennessee. Ele e Magnólia têm uma química incrível, afinal, estão apaixonados! Mas este é um melodrama musical, então você pode esperar que muitos obstáculos aparecerão em seus caminhos.

Since she was close to Julie, Magnolia knew the lead part and could replace her, to her mother’s desperation. As the leading man, the Hawks hire a passerby, Gaylord Ravenal (Allan Jones) from Tennessee. He and Magnolia have a magnificent chemistry, after all, they’re in love! But this is a musical melodrama, so you can expect that many hardships will come their way.

A escolha do diretor pode parecer estranha: James Whale, o mesmo cara que dirigiu “Frankenstein” (1931), entre outros filmes de monstro. Na sequência de Ol’ Man River, há alguns ângulos de câmera inspirados e sombras que contam uma história. “Magnólia: O Barco das Ilusões” acabou sendo o filme favorito de Whale entre suas próprias obras.

The director choice may look odd: James Whale, the same guy who directed “Frankenstein” (1931), among other monster movies. In the Ol’ Man River sequence, there are some inspired camera angles and shadows telling the story. “Show Boat” ended up being the favorite among Whale’s own films.

A música é de Jerome Kern e as letras de Oscar Hammerstein II. As canções são mais o estilo de uma ópera, como aquelas nos filmes de Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Elas são perfeitas para o estilo de Allan Jones, que também foi estrela do filme dos Irmãos Marx “Uma Noite na Ópera” (1935).

The music is by Jerome Kern and the lyrics by Oscar Hammerstein II. The songs are more operatic, such as the ones in the Nelson Eddy and Jeanette MacDonald movies. They suit perfectly the style of Allan Jones, who also starred in the Marx Brothers vehicle “A Night at the Opera” (1935).

Falamos dos pontos positivos, agora vem a parte negativa: o racismo. Quando Irene Dunne começa a fazer uma dança chamada cakewalk, é simplesmente ofensivo. E aí fica pior: ela canta com blackface. Mais do que isso, Hattie McDaniel faz um papel de empregada (“Mamie”). O Joe de Paul Robeson é retratado como preguiçoso - mesmo com suas canções sendo as melhores do filme.

We talked about the good, now comes the bad and the ugly: racism. When Irene Dunne starts doing the cakewalk it’s simply offensive. And then it gets worse: she sings while doing blackface. Moreover, Hattie McDaniel is stuck in a Mamie kind of role. Paul Robeson’s Joe is portrayed as lazy - even though his songs are the best in the movie.

Agora que eu assisti a “Magnólia: O Barco das Ilusões”, eu sei que a letra de Ol’ Man River vai além: Paul Robeson canta expressando seu desejo de cruzar o Rio Jordão, o que significa que ele está em busca de liberdade e redenção. Morrer numa vida para começar de novo. No final das contas, o filme pode ser uma saga focada numa família do ramo do entretenimento, mas o que se perpetua e sobrevive através do tempo é o grande número de Paul Robeson.

Now that I have watched “Show Boat”, I know there is more to the Ol’ Man River lyrics: Paul Robeson sings about his wish to cross the Jordan River, meaning he’s looking for freedom and redemption. Dying in one life to start anew. In the end, the film might be a saga focusing on a white family in the entertainment business, but what remains and shall survive through the ages is Paul Robeson’s big number.

Wednesday, January 16, 2019

Quando Elas Teimam (1938) / The Mad Miss Manton (1938)


Todo gênero cinematográfico tem algumas pérolas bem conhecidas e algumas joias escondidas. E todo gênero tem também muitos filmes irregulares, pedras brutas que só precisariam de um pouco mais de polimento para se tornarem joias. “Quando elas Teimam” entra na segunda categoria. Assim como “Levada da Breca”, também de 1938, trata-se de uma comédia amalucada cuja protagonista é uma herdeira doidinha. E o filme tem também um enredo de mistério, assim como “A Ceia dos Acusados” (1934). Uma mistura curiosa, não?

Every genre has a few well-known gems and a few hidden gems. And every genre also has a lot of irregular films that needed just a little more polishing to become gems. “The Mad Miss Manton” falls in the second category. Just like “Bringing Up Baby”, also from 1938, it is a screwball comedy whose main character is a zany heiress. And it has a mystery plot, just like “The Thin Man” (1934). An odd mix, isn’t it?


Depois de uma festa à fantasia, a herdeira Melsa Manton (Barbara Stanwyck) decide levar seus cachorros para passear mesmo sendo tarde da noite. Ela está em um beco quando vê um homem saindo de uma casa que está para alugar. Ela entra na casa e encontra um homem morto lá dentro, e junto com ele uma joia. Ela chama a polícia, mas como ela é conhecida por pregar peças, ninguém acredita nela – até porque a polícia não encontra nenhum corpo na casa.

After a costume party, heiress Melsa Manton (Barbara Stanwyck) decides to walk her dogs late at night. She is in an alley when she sees a man running out of a house that is up for rent. She enters the house and finds a dead man inside, together with a beautiful jewel. She calls the police, but since she is a well-known prankster, nobody believes her – even more when the police find no dead man.


No dia seguinte ela vira assunto de um artigo de jornal escrito por Peter Ames (Henry Fonda), que a ridiculariza e critica seu grupo de herdeiras que gostam de pregar peças para chamar a atenção para a caridade. Ela fica muito brava com ele e decide investigar o caso com a ajuda de suas amigas ricas. Quando elas encontram um segundo corpo, Peter e a polícia se envolvem também na investigação, mas as garotas querem solucionar o mistério sem a ajuda deles.
  
The following day she is the subject of a newspaper article written by Peter Ames (Henry Fonda), ridiculing her and her group of heiresses / pranksters who like to call the attention for charity. She gets mad at him and decides to investigate the case alongside her rich girl friends. As they find a second body, Peter and the police also enter the investigation, but the girls want to solve the mystery without their help.


É interessante notar que, em “Quando Elas Teimam”, o homem é quem se apaixona primeiro. Depois de dois encontros peculiares, Peter diz que está começando a gostar de Melsa, e logo ele afirma que vai se casar com ela. Ele então se torna um jornalista correndo atrás de uma garota, e não de um furo de reportagem, enquanto a garota passa a maior parte do tempo relutante em relação às investidas dele.

It’s interesting to notice that, in “The Mad Miss Manton”, the man is the first one to fall in love. After a couple of crazy meetings, Peter says he’s starting to like Melsa, and soon he says he’ll marry her. He then becomes a journalist running after a girl, not a scoop, while the girl spends most of the time reluctant to let him woo her.


Melsa e as outras garotas são as principais investigadoras, deixando a polícia para trás em questão de esperteza e rapidez. As garotas são inteligentes, engraçadas, às vezes covardes e sempre vestidas com os melhores vestidos de noite. É como se Nora Charles tivesse chamado suas amigas da alta sociedade para resolver crimes em vez de deixar Nick fazer isso.

Melsa and the other girls are the lead investigators, leaving the police behind in both wisdom and quickness. The girls are clever, funny, sometimes coward and always dressed with the best evening gowns. It is as if Nora Charles had called her high society friends to solve crimes instead of letting Nick do it.


Interpretando Hilda, a empregada, está Hattie McDaniel – creditada como “McDaniels”. Hilda trabalha para Melsa e não suporta mais o comportamento excêntrico da patroa. Sim, Hilda é o estereótipo da empregada sem cultura, mas uma empregada furiosa que normalmente reclama de seu trabalho e das ordens que recebe – como a ordem de jogar água na cara de Henry Fonda se ele aparecer na porta do apartamento de Melsa.

We have, as Hilda the maid, Hattie McDaniel – billed as “McDaniels”. Hilda works for Melsa and can’t take her antics anymore. Yes, Hilda is the uncultured mammy stereotype, but an angry mammy that is often complaining about her job and the orders she receives – like to throw water at Henry Fonda’s face if he appears in Melsa’s door.


Aliás, podemos falar em como Henry Fonda era fofo no final dos anos 30 e começo dos anos 40? Em “Quando Elas Teimam” ele não alcança o mesmo nível de fofura de “As Três Noites de Eva” (1941), porque seu Peter não é um personagem fofo e desprotegido, mesmo tendo, em determinado momento, sido feito de refém pelas garotas.

By the way, can we talk how cute Henry Fonda was in the later 1930s and early 1940s? In “The Mad Miss Manton” he doesn’t achieve the same level of cuteness as in “The Lady Eve” (1941), because his Peter Ames is not a cute clueless character, even if he is, in a particular moment, a gentleman in distress as the girls keep him hostage.


Mesmo assim, com todos estes ótimos ingredientes, há algo faltando – ou talvez algo sobrando – em “Quando Elas Teimam”. O timing cômico é problemático, e eu pude perceber que estava perdendo algumas piadas que eram contadas enquanto eu ainda estava rindo da última piada. A mistura de comédia e mistério, entretanto, é boa, e o diretor de fotografia Nicholas Musuraca já mostra seu talento para trabalhar com contraste, talento que seria explorado mais tarde no filme noir. Só é uma pena que o diretor Leigh Jason não tenha um toque de Midas como o de Prestonb Sturges!

Yet, with all those great ingredients, there is something missing – or rather something in excess – in “The Mad Miss Manton”. The comedic timing is problematic, and I could tell I was missing some jokes that were being told while I was till laughing from the last joke. The mix of comedy and mystery is good, though, and cinematographer Nicholas Musuraca already shows the talents for contrast he would later explore in film noir. It’s just a pity that director Leigh Jason didn’t have the same Midas touch and Preston Sturges!


“Quando Elas Teimam” é uma produção da RKO. O filme deveria ser estrelado por Katharine Hepburn, mas ela o recusou, pois havia acabado de fazer “Levada da Breca” – um filme que foi, na época, um fracasso de bilheteria. Stanwyck herdou o papel, e Fonda foi pego emprestado do pequeno estúdio Walter Wanger Productions. Fonda detestou fazer o filme, e mais tarde disse “Eu estava tão bravo com esse filme – eu estava ressentido”.

“The Mad Miss Manton” is an RKO production. It was supposed to star Katharine Hepburn, but she refused, having just finished “Bringing Up Baby” – a film that was, then, a box-office failure. Stanwyck inherited the role, and Fonda was borrowed from the small Walter Wanger Productions studio. Fonda just hated doing the film, and later said “I was so mad on this picture – I resented it”.


Fofo e interessante, mas não perfeito, “Quando Elas Teimam” bebe da fonte de “A Ceia dos Acusados” e “Levada da Breca” e acaba sendo inferior a ambos. Barbara Stanwyck é a estrela e faz a personagem mais interessante e, ao lado de suas amigas, herdeiras da Park Avenue, pregadoras de peças / detetives, ele é vivaz e esperta. E quem não gostaria de ver garotas da alta sociedade solucionando crimes?

Cute and interesting, but not perfect, “The Mad Miss Manton” drinks from both “The Thin Man” and “Bringing Up Baby” and ends up being inferior to both. Barbara Stanwyck is the clear star and most interesting character, and, alongside her Park Avenue Pranksters / detectives, she is vivacious and smart. And who wouldn’t want to see eight society girls solving crimes?

 This is my contribution to the Second Remembering Barbara Stanwyck Blogathon, hosted by Crystal and Maddy at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Maddy Loves Her Classic Films.

Wednesday, May 11, 2016

A Mulher que Soube Amar / Alice Adams (1935)

Se você gosta de cinema clássico, já deve ter ouvido falar do renascimento da carreira de Katharine Hepburn em 1940, dois anos depois de ela ter sido chamada de “veneno de bilheteria”. Mas talvez você não saiba que este foi o segundo renascimento da carreira da moça de pouco mais de 30 anos. Em 1934 ela ganhou seu primeiro de quatro Oscars, mas a RKO continuou lhe oferecendo péssimos papéis. Em 1935 ela conseguiu se recuperar de vários fracassos com uma performance emocionante que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. O filme responsável por este primeiro renascimento foi “A Mulher que Soube Amar”.

If you like classic movies, you must have heard about Katharine Hepburn’s career Renaissance in 1940, two years after she was labeled “box-office poison”. But maybe you don’t know that this was the second Renaissance in the career of the actress in her early thirties. In 1934 she won her first of four Oscars, but RKO Studios kept offering her terrible roles. In 1935 she recovered from a series of film flops with an emotional performance and a second Oscar nomination. The film responsible for this first Renaissance was “Alice Adams”.
Alice Adams (Katharine Hepburn) é filha de um operário que está doente e, por isso, afastado do trabalho. Alice tem um desejo na vida: ser como as garotas ricas da cidade. Ela vai à badalada festa dos Palmer com um vestido que tem há dois anos, e com um buquê de violetas apanhadas na praça. Na festa, apesar de menosprezada pelas meninas, ela mantém o sorriso no rosto. Até me lembrou de mim mesma na adolescência.

Alice Adams (Katharine Hepburn) is the daughter of a sick, out of work factory worker. Alice has one desire in her life: to be like the rich girls in her city. She goes to the trendy Palmer ball wearing a dress she’s had for a couple of years and a bouquet of violets she has gathered from the local square. At the party, she is ignored by the girls, but keeps a huge smile on her face. She even reminded me of my teenage self!
Alice Adams é uma garota otimista, e que acredita com toda força na vida perfeita que ela diz ter. Dentro de casa, despida da falsa extroversão, ela é uma filha carinhosa e preocupada. A mãe de Alice (Ann Shoemaker) insiste que o pai, Virgil (Fred Stone), ganhe mais dinheiro para que a filha possa competir com as meninas ricas da cidade. Ela sugere que Virgil abra uma fábrica para comercializar uma cola superpotente que ele inventou com o patrão, muitos anos atrás.

Alice Adams is an optimistic girl, and she really believes in the perfect life she has invented. When she is with her family, without her fake extroversion, she is a worried and affectionate daughter. Alice's mother (Ann Shoemaker) insists that Alice's father, Virgil (Fred Stone), should earn more money so his daughter can compete with the rich girls from the city.  She suggests that Virgil should open a factory to sell the superglue he has invented with his boss, many years earlier.
“Alice Adams” funciona muito bem como uma fábula, resumida na moral da história: “seja você mesma”. Alice aprenderá que jogar o “jogo do contente” de Poliana só serve para jovens órfãs. Para moças enfrentando a dura realidade das diferenças entre as classes sociais, fingir não é a solução.

“Alice Adams” works very well as a fable, or a cautionary tale. It can be resumed in the moral lesson “be yourself”. Alice will learn that playing Pollyanna's “glad game” only works for young orphans. If you are a young lady facing the tough reality of social differences, to pretend that everything is OK is not the best solution.
O filme pertence a Katharine Hepburn. Fred MacMurray interpreta Arthur Russell, que se apaixona por Alice, mas não tem muito a fazer além de sorrir e ser muito bonito. Há também a presença breve de Hattie McDaniel. Ela é a última a aparecer nos créditos, e seu nome ainda é escrito como “Hattie McDaniels”. Hattie interpreta a empregada contratada para servir o jantar que Alice organiza para Arthur conhecer a família Adams.

The film belongs to Katharine Hepburn. Fred MacMurray plays Arthur Russell, who falls in love with Alice, but he has few to do in the film besides smiling and being very handsome. There is also Hattie McDaniel in a short appearance. She is the last billed, and her name even appears as “Hattie McDaniels”. Hattie plays the made hired to serve the dinner Alice organizes so Arthur can meet the Adams family.


É impossível não se apaixonar por Alice Adams. Se você já teve problemas para se enturmar, como eu, o filme pode ser um pouco doloroso, mas há também comédia na medida certa na sequência do jantar. Mas a força do filme está em sua protagonista: Katharine Hepburn, linda, nos faz torcer por Alice, e prova pela primeira vez que é capaz de interpretar toda e qualquer emoção.

It's impossible to not fall in love with Alice Adams. If you already had troubles to fit in a group, like I did, the film can be a little painful, but there is also comedy during the dinner sequence. The force of the film, however, is the protagonist: Katharine Hepburn, looking gorgeous, makes us root for Alice, and for the first time she proves that she is able to play all and any emotion on screen.

This is my contribution to The 3rd Annual Great Katharine Hepburn Blogathon, hosted by Kate expert Margaret at MargaretPerry.org

Saturday, February 15, 2014

Com a palavra, os vencedores

A noite da entrega do Oscar cria novas estrelas, alavanca a carreira de outras e sempre acaba cheia de momentos memoráveis. Quando o vencedor é anunciado, ele geralmente corre emocionado até o palco, segura as lágrimas e agradece a todos, desde à mãe até o maquiador do filme. Alguns discursos, entretanto, fogem à regra e se tornam memoráveis, por serem importantes, emocionantes, ou simplesmente engraçados. Estes são alguns deles:

Hattie McDaniel, Melhor Atriz Coadjuvante por “E o Vento Levou”, 1940: A primeira negra a ganhar o Oscar sequer pôde ir à estreia de seu filme em Atlanta devido às leis segregacionistas. Seu discurso no Oscar, em contrapartida, foi uma bonita premonição:
Humphrey Bogart, Melhor Ator por “Uma Aventura na África”, 1953: Bogie é simples ao agradecer o diretor John Huston e Katharine Hepburn, mas o destaque é o que acontece ao redor: quando seu nome é anunciado, o público vibra e a apresentadora Greer Garson fica muito feliz, tocando no ombro do astro ao lhe dar o Oscar.

Rex Harrison, Melhor Ator por “Minha Bela Dama”, 1965: Sua colega de cena, Audrey Hepburn, ficou em êxtase ao anunciar Rex como vencedor. Ele fez o discurso abraçado a ela, e no final agradeceu às duas “belas damas” (two fair ladies), referindo-se a Audrey e a Julie Andrews, que contracenou com Rex na Broadway e que ganharia o prêmio de Melhor Atriz naquela mesma noite por Mary Poppins.

Ruth Gordon, Melhor Atriz Coadjuvante por “O Bebê de Rosemary”, 1969: Como ela mesma fez questão de citar, ela começou a trabalhar em 1915 como extra. Depois de trabalhar no teatro e escrever roteiros inspirados com o marido, ela se tornou uma velhinha Cult e fez filmes inesquecíveis.

Ingrid Bergman, Melhor Atriz Coadjuvante por “Assassinato no Expresso do Oriente”, 1975: Surpresa por ter vencido mais uma vez, a bela e modesta Ingrid elogiou outra indicada ao prêmio que também estava ótima: Valentina Cortese.

Louise Fletcher, Melhor Atriz por “Um estranho no Ninho”, 1976: Quase todo mundo sabe que Louise fez parte do discurso em língua de sinais para que seus pais deficientes entendessem a emoção do momento. Mas antes ela foi muito sincera e surpreendentemente divertida.

Barbara Stanwyck, Oscar Honorário, 1982: Depois de seguir o protocolo e agradecer a todos que trabalhavam atrás das câmeras, Missy fala com emoção de William Holden, morto no ano anterior, que sempre quis que ela ganhasse o Oscar (seu “Golden Boy”, que é o filme que eles estrelaram em 1939).

Shirley MacLaine, Melhor Atriz por “Laços de Ternura”, 1984: Shirley não economizou nas palavras. Falante e muito divertida, ela elogiou seus companheiros de cena e fez todos rirem muito.

Kate Winslet, Melhor Atriz por “O Leitor”, 2009: Depois de dizer que treinava o discurso desde criança em um pote de xampu, Kate pediu que seu pai assobiasse, agradeceu aos produtores mortos do filme e terminou com uma piada amigável com a sempre indicada Meryl Streep.

Christopher Plummer, Melhor Ator Coadjuvante por “Toda Forma de Amor”,2012: Plummer é o mais velho ganhador do Oscar. Ele decidiu fazer piada sobre isso perguntando à estatueta: “você só é dois anos mais velha que eu. Onde você esteve toda minha vida?”.  

Jean Dujardin, Melhor Ator por “O Artista”, 2012: Na chance que aparece uma vez só na vida, Jean se tornou o primeiro francês a ganhar um Oscar de Melhor Ator. Ele agradeceu à sua inspiração e fundador da Academia, Douglas Fairbanks, e depois extravasou a emoção gritando: merci!

Daniel Day-Lewis, Melhor Ator por “Lincoln”, 2013: O Oscar é o momento em que podemos ver um pouco como os astros são na vida real. Julgando pelo discurso, deve ser ótimo ter Day-Lewis como companhia. Engraçado e adorável, ele arrancou risos da plateia e da apresentadora, Meryl Streep.

P.S. 1: Apenas os que foram receber o Oscar pessoalmente estão nesta lista. Por mais que tenha sido lindo Cary Grant aceitar por Ingrid Bergman em 1957, ele não pôde entrar na lista. E isso também exclui o episódio bizarro de Marlon Brando e sua falsa índia em 1973.

P.S. 2: Apenas atores ganhadores do Oscar entraram na lista. Outros tantos discursos foram lindos e emocionantes, mas o melhor de todos é ESTE.


This is my contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Wonder girls Kellee, Aurora and Paula at Outspoken & Freckled, Once Upon a Screen and Paula’s Cinema Club.

Já que estamos falando de vencedores, que tal demonstrarem que gostaram do blog me ajudando em uma premiação? O Crítica Retrô está no TOP 100 de blogs de Arte e Cultura. Para votar no blog, vá no link abaixo ou no símbolo dourado na barra lateral :)

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