} Crítica Retrô: Annie Hall

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Tuesday, December 6, 2011

Woody Allen: seu segredo é simplicidade

Fãs de carteirinha são os mais fiéis seguidores e admiradores do trabalho de um artista. Alguns conseguem reunir um séquito considerável de tietes mundo afora. Os segredos para tal façanha podem ser carisma, beleza, saber falar com as massas ou satisfazer o ego do público. A fórmula mágica de Woddy Allen, no entanto, não envolve nada disso. Seu segredo é a simplicidade.
Simplicidade que lhe permite fazer um filme por ano, com orçamento relativamente baixo e lucros relativamente altos. Que já lhe fez trabalhar com algumas das maiores estrelas de cada época e eleger uma série de musas memoráveis. Que o fez ganhar três prêmios Oscar, um de diretor (“Annie Hall”) e dois de roteiro (“Annie Hall” e “Hannah e suas Irmãs”). Que fez surgir nas telas filmes tocantes e criativos.
Woody começou aos 15 anos como escritor de colunas para jornais e programas de rádio. Em 1965, já famoso comediante, ele escreveu e estrelou em “Que é que há, gatinha? / What’s new, pussicat?”. No ano seguinte ele dirigiria seu primeiro filme, “O que é que há, tigresa / What’s up, Tiger Lily?”. Mas ainda demoraria para que Woody sentisse o gostinho da fama. Seu maior reconhecimento veio com a simpática comédia “Annie Hall”, em 1977, que conta com Allen e Diane Keaton nos papéis principais. Keaton ganhou o Oscar de Melhor Atriz na ocasião e seu estilo, levado às telas como parte do figurino da personagem, virou moda. E, mais do que isso: este filme inaugurou a história de amor de Woody Allen com Nova York.
A paixão pela Big Apple se viu refletida, mais ou menos explícita, em obras subsequentes, como “Manhattan” (1979), “A Era do Rádio / Radio Days” (1982) e “Hannah e suas Irmãs / Hannah and her Sisters” (1986). Outra marca registrada do diretor é seu alter-ego que se torna personagem. Muitas vezes foi ele mesmo que deu vida ao seu outro eu cinematográfico, um judeu baixinho, neurótico, irônico e com problemas de relacionamentos.
Em minha opinião, entretanto, não são esses filmes tão típicos de Woody Allen os seus melhores. Para mim, as honras cabem a seus dois filmes mais criativos: “Zelig” (1983) e “A Rosa Púrpura do Cairo / The Purple Rose of Cairo” (1985). Zelig, também o nome do personagem principal, é um documentário fictício em preto-e-branco sobre um estranho homem que, sendo muito inseguro, mimetiza a forma física e a personalidade de quem se encontra ao seu redor. “A Rosa Púrpura”, sem Allen atuando, é sobre uma modesta dona-de-casa (Mia Farrow) que tem como único prazer ir ao cinema. Após ver cinco vezes um filme, um personagem sai da tela para conhecê-la. Que cinéfilo não gostaria de estar no lugar dela?
A prova maior da simplicidade de Allen é a maneira como seus filmes são feitos. Os créditos iniciais e finais, ao contrário de outras produções contemporâneas e até mesmo anteriores, são apenas listas de nomes escritos em branco sobre fundos negros, ao som de jazz de primeira qualidade. Ele é, aliás, também clarinetista, apresentando-se com frequência em um clube nova-iorquino.

Woody Allen é um homem de diversas facetas. Combinando todas elas, criou filmes que entraram para a História do cinema, homenageando, em diversos deles, seus cineastas favoritos, como Bergman e Fellini. Simples e criativo, ele continua na ativa, deixando seus fãs sempre ansiosos por seus novos projetos.

Saturday, September 10, 2011

Top Five – Péssimas traduções de títulos

Nós, amantes do cinema clássico, vira-e-mexe nos deparamos com títulos esdrúxulos. Muitas vezes encontramos termos pomposos da época do lançamento, como “Marujo Intrépido”, “Idílio em Dó Ré Mi”, “Bravura Indômita” e “Os Bravos Morrem de Pé”. Outras vezes, gírias da época foram usadas, como em “Levada da Breca” e “Essa pequena é uma parada”, sendo, aliás, o segundo uma refilmagem do primeiro (só trocam o leopardo que causa toda a confusão por uma maleta). Porém, algumas traduções descaracterizam totalmente o título e dão uma idéia errada ao espectador. Vamos a uma pequena lista desse último caso:

5.       Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977): Título ótimo para um filme sobre um casamento... coisa que certamente nunca passou pelas cabeças das personagens de Woody Allen e Diane Keaton
4.       Jules e Jim – Uma mulher para dois (Jules et Jim, 1962): Regra básica da língua portuguesa: aposto é uma explicação ou restrição de um termo já citado. Pois bem, o subtítulo “uma mulher para dois” é o aposto, mas “Jules e Jim” são os dois para quem é a mulher, logo, nada têm a ver com o subtítulo. Confuso.
3.       Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story , 1940): Não haveria perda se o filme tivesse o nome de “Uma história da Filadélfia” (“A história”pareceria algo sério demais). Só que o nome pelo qual ficou conhecido recentemente (na época da péssima dublagem para exibição original, o nome era “Casamento Grã-Fino”. Hoje ninguém mais usa esse adjetivo) nos leva a crer que não é uma comédia, mas sim um drama, ou talvez algo mais picante.
2.       Daunbailó (Down by Law, 1986): Provavelmente um tradutor em crise criativa precisou dar conta desse título. Leu em inglês e copiou a pronúncia exata. Esse título não dá nenhuma interpretação errada, mas, convenhamos: é péssimo.
1.       Uma Rua chamada Pecado (A Streetcar named Desire, 1951): Estava me esquecendo desta que é, sem dúvida, a PIOR TRADUÇÃO já feita! Pode até ser que, pelo enredo pesado e pelas situações-limite mostradas, o nome pareça adequado, não fosse um pequeno detalhe: Blanche chega à casa de sua irmã, que não fica na “rua Pecado”,  ao tomar um bonde (a streetcar) chamado (named) desejo (desire)!!!  

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