Além do Dia
dos professores, comemorado neste quinze de outubro, os mestres têm outro dia
este mês para comemorar, embora a maioria não saiba disso: o Dia Mundial do Professor,
5 de outubro. Como uma imagem vale mais que mil palavras, ao invés de escrever
longamente deixo um vídeo e uma galeria com 16 professores notáveis da sétima
arte e mais alguns que aparecem no vídeo que abre esta postagem.
Um grande estratagema cômico, em qualquer época, é a troca de papéis e de figurino entre homens e mulheres. Desde o cinema mudo, temos exemplos de pequenas comédias com personagens, normalmente masculinas, travestidas. De fato o homem se vestir de mulher causa muitas risadas. Prova disso são os divertidos “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959) e “Tootsie” (1982). Mas uma inversão na história causa imenso desconforto. A mulher desempenhando papel masculino incomodava a sociedade que viveu a época de ouro do cinema. Quem não se lembra de Marlene Dietrich, escandalosamente vestindo um smoking e beijando uma mulher em “Marrocos / Morocco” (1931)? Ao mesmo tempo em que chocava, a mulher travestida gerava uma série de situações interessantes a serem exploradas. O visual naturalmente andrógino de algumas atrizes também ajudava na construção de filmes com esse tipo de trama, dando origem a produções notáveis.
Em 1935, o diretor George Cukor reuniu pela primeira vez a dupla Katharine Hepburn e Cary Grant, no simpático filme “Vivendo em dúvida / Sylvia Scarlett”. Katharine é Sylvia, uma garota que, após a morte da mãe, decide se unir ao pai (Edmund Gwenn) para aplicar pequenos golpes. Para isso, ela corta os longos cabelos e se veste de homem, adotando o nome de Sylvester. Durante uma viagem de navio, eles conhecem a personagem de Grant, que também se junta à dupla. O filme é fotografado em preto-e-branco, mas fica difícil imaginar se os olhos claros e o cabelo ruivo de Hepburn não denunciariam que ela é uma mulher. Outro aspecto que incomoda é a maneira como todos reagem ao descobrir que Sylvester é Sylvia: com risadas, como se não se importassem em terem sido enganados. Neste filme, a construção de screwball comedy ainda é falha, pois partes cômicas se intercalam com momentos dramáticos. Em todo caso, o filme vale pela primeira parceria de Kate e Cary, que mais tarde fariam outros trabalhos fantásticos, e pelas boas surpresas que encontramos no caminho, afinal, não se trata de um desenrolar previsível.
Passados quase cinquenta anos, surgiu outro filme com uma grande estrela vestida de homem: “Yentl” (1983). Barbra Streisand é uma moça judia vivendo no século XIX que, após perder o pai, decide frequentar uma universidade. O problema é que isso era um privilégio dos homens. Então, Yentl se veste de homem e se vê em um universo 100% masculino, onde conhece seu melhor amigo e confidente, Avigdor (Mandy Patinkin) e, ainda por cima, fica noiva de Hadass (Amy Irving), uma garota rica!
Além de cantar, Barbra também dirige este filme. A história surgiu em um conto e foi para a Broadway em 1975. Apesar de todo o trio principal ter experiência cantando, apenas Streisand solta a voz em uma série de canções memoráveis, embora bastante semelhantes (os compositores disseram que as músicas refletem o Talmude, livro sagrado dos judeus, em que uma lição recapitula as anteriores). De qualquer forma, Barbra convence como um garoto de cabelos loiros e curtos, sempre de boina e óculos. E neste filme, ao contrário do anterior, a revelação do gênero de Yentl é recebida com surpresa e raiva.
As conquistas das mulheres em diversos campos durante o último século causaram uma reviravolta na sociedade. Mesmo assim, são muitas as situações criativas em que se podem colocar mulheres travestidas sem perder a classe e sem cair no ridículo. Com um pouco de inteligência e bom gosto, podem ser feitos bons filmes explorando este tema, mesmo que o tempo aja para dar a cada um a marca característica de sua época.
Quem o conhece não esquece jamais. Prova disso é que o número de fãs de Cary Grant continua crescendo e muitos jovens cinéfilos clássicos o apontam como ator favorito. Com uma longa carreira e um charme indestrutível, Cary interpretou os mais diferentes papeis e, abusando de seu carisma, tornou os clássicos muito mais acessíveis e adoráveis.
Nascido Archibald Alexander Leach, em 18/01/1904, em Bristol, na Inglaterra, ele teve uma infância difícil. Sua mãe, sofrendo de depressão, foi internada em uma clínica quando o filho tinha nove anos e, aos dez, o futuro astro foi abandonado pelo pai após este casar-se novamente. Na verdade, Cary pensou que a mãe estivesse morta, até encontrá-la internada, quando ele tinha 31 anos. Cary foi filho único e, aos 16, imigrou para a América como parte de uma trupe teatral, aprendendo, nos primeiros anos no palco, um inconfundível timing cômico.
Em 1931, ele foi da Broadway para Hollywood, onde mudou seu nome artístico de Archie Leach para Cary Grant, escolhendo as iniciais C e G porque tais letras também estavam presentes nos nomes de grandes atores da época: Clark Gable e Gary Cooper. Nos anos seguintes ele atuou ao lado de lindas mulheres como Marlene Dietrich, Mae West (duas vezes em um único ano, 1933) e Katharine Hepburn (com quem faria quatro filmes) até o imenso sucesso de “Cupido é moleque teimoso / The Awful Truth” (1937), em que contracena com Irene Dunne e concretiza sua persona cinematográfica elegante e espirituosa. Mais tarde, ele diria que a personalidade do personagem foi baseada na do diretor Leo McCarey.
Mas não é só de comédias que foi feita a carreira de Grant. Suas contribuições com o diretor Alfred Hitchcock, seu amigo, são também notáveis. Bem menos taciturno que seu antigo companheiro de cena perturbado pela guerra James Stewart, Cary levou muito charme aos suspenses hitchcockianos, como os inesquecíveis “Suspeita / Suspicion” (1941), “Interlúdio / Notorius” (1946), “Ladrão de Casaca / To catch a thief” (1954) e “Intriga Internacional / North by Northwest” (1959).
Além de um grande ator, ele foi também empreendedor, fundando sua produtora Granart nos anos 50 e sendo o primeiro ator a sair do sistema de estúdio e trabalhar por conta própria. Felizmente, propostas de trabalho não faltaram e ele só encerrou sua carreira em 1966 pela vontade de dedicar-se à criação de sua única filha, Jennifer. Cary casou-se cinco vezes e faleceu em 1986, aos 82 anos.
Símbolo máximo do galã simpático e divertido, mesmo no fim da carreira recebia propostas para grandes trabalhos, que teve de recusar por conta da idade. Entre os personagens pensados para ele estão James Bond e Jonathan Hart, da série “Casal 20”, ambos bastante refinados e perspicazes. É inegável que tenha inspirado muitos personagens igualmente elegantes e que ainda inspire seus fãs, cada vez mais jovens e ainda encantados por seu magnetismo.
É só procurar pela Internet que constatamos facilmente que o ator continua conquistando fãs de diferentes idades e de vários lugares do mundo. Carismático ao extremo, ele foi indicado duas vezes ao Oscar, em 1941 e 1944, só ganhando um Honorário em 1970. Mas o mais importante ele não para de conquistar: o carinho do público e a certeza que temos de que todo mundo ama Cary Grant.
Funcionando como uma espécie de prévia para o Oscar, televisionado dias antes das indicações para o maior prêmio do cinema, o Globo de Ouro atrai cada vez mais atenção, desde sua primeira edição, em 1943. Reunindo grandes produções do cinema e da televisão, os vencedores são escolhidos pela Hollywood Foreign Press Association e, como em toda premiação, os acertos e as injustiças dão o que falar. Os indicados para este prêmio diferem um bocado daqueles nomeados para o Emmy (prêmio exclusivo para as produções televisivas) e o próprio Oscar. Um dos motivos é a união de seis categorias do Emmy em apenas duas, Melhor Ator e Atriz Coadjuvantes, valendo tanto para séries cômicas quanto dramáticas. Outras indicações mesmo existindo categorias idênticas em ambas as premiações, resultaram em vencedores diferentes, como Melhor Atriz em Série Dramática para Claire Danes (por “Homeland”, também escolhida como Melhor Série Dramática), Melhor Atriz e Ator de Comédia, para Laura Dern por “Enlightened” e Matt LeBlanc por “Episodes”. Esse foi, aliás, um prêmio de retornos, pois, além de LeBlanc (o inesquecível Joey da série FRIENDS), Kelsey Grammer (o Dr. Frasier Crane das séries “Cheers” e “Frasier”) ganhou como Melhor Ator em Série Dramática.
Alguns resultados, no entanto, foram idênticos ao Emmy, como Melhor Atriz em Minissérie para Kate Winslet (por “Mildred Pierce”), Melhor Ator em Série Dramática para Peter Dinklage (por “Game of Thrones”); além de Melhor Série de Comédia para “Modern Family” e Melhor Minissérie para “Downtown Abbey”. Se na TV já havia algumas certezas, o mesmo não pode ser dito do cinema, pois esta é a primeira da série de premiações que culminará no dia 26 de fevereiro. Ele serve como um morno termômetro para o prêmio principal, pois os filmes cômicos e dramáticos são julgados em categorias diferentes. O resultado disso foi a vitória de Michelle Williams por “Minha semana com Marilyn” e Meryl Streep por “A Dama de Ferro”, ambas Melhores Atrizes. Entre as boas surpresas da noite, houve o reconhecimento do veterano Christopher Plummer como Melhor Ator Coadjuvante (a Melhor Atriz Coadjuvante foi Octavia Spencer) e do filme iraniano “Uma Separação”. Nem tão surpreendente assim, pois já havia sido anunciado, foi a reverência a Morgan Freeman, recebendo o prêmio Cecil B. DeMille, apresentado por Helen Mirren e Sidney Poitier.
Como esperado, alguns favoritos levaram o troféu, a exemplo de Madonna, Melhor Canção Original por W.E., Woody Allen, Melhor Roteiro por “Meia-Noite em Paris”, George Clooney, Melhor Ator por “The Descendants” (também Melhor Filme), e Martin Scorsese, Melhor Diretor por “A invenção de Hugo Cabret”. O filme mais comentado do momento, “O Artista”, ganhou nas categorias Melhor Trilha Sonora (Kim Novak está se remoendo por dentro agora), Melhor Ator para Jean Dujardin e Melhor Filme de Comédia ou Musical. Será que vai dar filme mudo pela primeira vez no Oscar desde 1928? É esperar para ver!
A censura foi usada, desde a Antiguidade, como instrumento de coerção e manipulação intelectual por uma classe de indivíduos ou mesmo por governos autoritários. Na história do Brasil, ela sempre esteve presente, fosse como forma de controle da Coroa Portuguesa nos tempos de Colônia e Império, fosse como limitação da liberdade de imprensa durante o Estado Novo e a Ditadura Militar. Estes dois períodos existiram quando já havia cinema e controlaram ou proibiram a exibição de diversos filmes em território nacional.
Na ditadura militar, muitas produções nacionais tiveram sua exibição vetada ou proibida para menores de 18 anos. Os censores, de maneira um bocado paranoica, retiravam de circulação qualquer filme que pudesse fazer menção negativa aos militares. Foi isso que aconteceu com “A Falecida” (1965), baseado em um texto de Nelson Rodrigues, “O Justiceiro” (1967), filme de Nelson Pereira dos Santos que teve até mesmo seus negativos destruídos e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha. De maneira curiosa, muitos censores, em seu relatório, escreveram verdadeiras críticas cinematográficas dos filmes censurados, analisando, por exemplo, a atuação do elenco. Mais estranho ainda foi o fato de que, a partir da década de 1970, embora os filmes com temática política fossem proibidos, os que tratavam de sexo passavam tranquilamente pela censura. Esta foi a época de ouro das chamadas pornochanchadas e das produções da “Boca do Lixo”, que afastaram uma parte do público dos cinemas.
Durante a ditadura franquista na Espanha, foram banidos filmes de cunho revolucionário, como “O Encouraçado Potemkin” (1925) e “O Grande Ditador / The Great Dictator” (1941), também proibidos na Itália fascista e na Alemanha nazista. Outros filmes, que satirizavam a guerra e o Exército, também sofreram censura, a exemplo de “Ardil 22 / Catch 22” (1970). Durante a Guerra eram proibidos filmes como “A Rosa de Esperança / Mrs Miniver” (1942), “Sem novidades no front / All Quiet on the Western Front (1930) e outras propagandas antiguerra ou e outras propagandas de apoio aos Aliados.
A censura no Brasil não se limitou a filmes nacionais. Exemplos célebres foram “Laranja Mecânica / A Clockwork Orange” (1971) e “O massacre da serra elétrica / The Texas Chainsaw Massacre” (1974), filmes que foram censurados em diversos países. Curiosamente, na Inglaterra, foi o próprio diretor Stanley Kubrick que tirou “Laranja Mecânica” dos cinemas, devido às ameaças que sua família vinha recebendo de espectadores. E este fenômeno não se restringe ao passado, haja vista a polêmica proibição da exibição, em 2011, de “A Serbian Film”.
E engana-se quem pensa que a censura é privilégio dos governos totalitários e ditatoriais. Embora seja mais frequente nestes casos, a proibição de filmes acontece em diversos países e em diferentes épocas.
Entre os países mais rígidos estão o Kuwait e a Malásia. Neste último, muitas cenas de beijo são cortadas (pena que não são re-exibidas depois, ao estilo “Cinema Paradiso”) e filmes com temática tocante são proibidos. Alguns casos bizarros de censura são “À Beira do Abismo / The Big Sleep” (1946), “Embalos de Sábado à Noite / Saturday Night Fever” (1977) e “Babe: o porquinho atrapalhado / Babe” (1995).
Às vezes, a temática religiosa se mostra um empecilho para a exibição de algumas produções. Foi o que aconteceu com “Os Dez Mandamentos / The Tem Commandments” (1956), “Ben-Hur” (1959) e “A Paixão de Cristo / The Passion of Christ” (2004) em países de religião não-católica. Até “O Código Da Vinci / The Da Vinci Code” (2006) entrou na dança, sendo proibido nas Ilhas Salomão, em Samoa e no Sri Lanka, além de algumas províncias indianas. Alguns povos também ficaram furiosos com a maneira como foram retratados na tela, causando, para citar um caso, a censura de “Anna e o Rei / Anna and the King” (1999) na Tailândia
Alguns títulos são unanimidade no assunto “barrados no cinema”, como “Nosferatu” (1922), “Pink Flamingos” e “Último Tango em Paris”, ambos de 1972, “O exorcista / The exorcist” (1973), “Salò ou os 120 dias de Sodoma” (1976), “Calígula” e “Monty Python´s Life of Brian”, os dois de 1979, “Holocausto Canibal / Cannibal Holocaust” (1980), “A última tentação de Cristo / The last temptation of Christ” (1988) e os trabalhos recentes de Sacha Baron-Cohen, como “Borat” (2006) e “Brüno” (2009).
O estado da Geórgia acabou banindo o filme
Nos Estados Unidos, país que em 1934 estabeleceu o Código Hays para a censura prévia das produções cinematográficas, cada estado tem sua jurisdição para banir certos filmes. O mesmo ocorre no Canadá. Por conta disso, algumas cidades se sentiram ofendidas e proibiram “O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation” (1915), “Monstros / Freaks”, “Scarface” e O Fugitivo / I´m a Fugitive from a Chain Gang”, ambos de 1932. Isso também aconteceu no Reino Unido, onde, surpreendentemente, ficaram engavetados por muitos anos os filmes “Encouraçado Potemkin”, “Monstros”, “O Proscrito / The Outlaw” (1945), “Alma em Suplício / Mildred Pierce” (1945), também banido na Irlanda, e “O Selvagem / The Wild One” (1954).
A censura pode variar de lugar para lugar e conforme a época, mas é certo que os filmes censurados atraem maior atenção do que atrairiam se fossem exibidos sem problema, ou seja, acabam se beneficiando com a condição de censurados. Hoje, nos cinemas e redes de televisão, há apenas a classificação indicativa, às vezes também questionável, mas muito mais democrática.
Não acredito que toda censura seja burra, pois é necessária muita reflexão para realizar uma autocensura. Censurar é um ato que sempre existirá na sociedade, em maior ou menor escala, dentro de casa ou no governo. Cabe a cada um conhecer suas limitações e saber o que consegue aguentar ver nas telas.
Bem vindos ao último artigo de 2011! Este foi um excelente ano para o blog, que ganhou seguidores e notoriedade, o que não foi alcançado em outros sete anos de trabalho não muito duro. Com um pouco de dedicação e profissionalismo, foi possível, em menos de 365 dias, conseguir 143 seguidores, mais de 500 comentários e, o mais importante, muitas trocas culturais com outros excelentes amigos blogueiros. Agora é hora de olhar para trás, destacar o que aconteceu de bom, aprender com alguns deslizes e continuar fazendo um trabalho de qualidade e prazeroso em 2012. Vamos lá?
Janeiro
O blog muda seu nome, endereço e visual, tornando-se “Crítica Retrô”, uma ideia que tive enquanto fazia uma prova (?!). É neste mês também que são publicadas Astros nas Trincheiras: Parte 1 e Parte 2.Um curioso apanhado de histórias de artistas combatendo no front.
Acaba a série de cinebiografias e saem duas listas: uma sobre diferenças de idade entre atores e seus personagens e outra sobre atrizes baixinhas como esta que vos escreve. O Júri de Cinéfilos faz umahomenagem a Sidney Lumet, falecido em abril.
Além de elencar os melhoresfinais do cinema, faço uma lista de coisas assustadoras dos filmes antigos, por ocasião do Halloween. E um filme mudo muito bom me impressiona, gerando uma crítica de tirar o fôlego, assim como a atuação de Lillian Gish em “Inocente Pecadora / Way down east”, de 1920. Outra estrela a dar as caras é Carole Lombard, acompanhada de seus dois amores reais e um “inventado”.
Novembro
A Literatura e o cinema se entrelaçam na análise comparativa de Myra, de “A ponte de Waterloo / The Waterloo bridge” (1940) e Anna Karenina. Também é o mês em que discuto sobre a figura masculina no western e o grande astro do gênero, John Wayne. Fico com inveja dos felizardos que puderam ir ao TCM Classic Film Cruise. E há um desfile de estrelas em uma lista de all-star movies.
Foi isso que aconteceu de melhor em 2011. E que venha para todos os blogueiros e cinéfilos um 2012 cheio de novidades, alegrias, boas surpresas e excelentes filmes, de ontem e de hoje.
Baseado em um post da Lorena do blog Burburinho de Outrora sobre o TCM Classic Film Festival
O canal TCM americano está organizando um evento que promete ser o plano de férias perfeitas para qualquer cinéfilo: um cruzeiro com o tema cinema clássico! De 8 a 12 de dezembro, partindo de Miami e chegando a Cozumel (México), o cruzeiro será uma experiência inesquecível que contará com a exibição de diversos clássicos e a ilustre presença de apresentadores do TCM americano e alguns atores remanescentes da velha Hollywood.
Ernest Borgnine
Entre os filmes exibidos, os destaques ficam por conta de “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935), dos irmãos Marx, com uma sequência antológica e muito divertida envolvendo uma multidão espremida em uma cabine de navio; “Tarde Demais para Esquecer / An Affair to Remember” (1957), um romance com Cary Grant e Deborah Kerr, que será exibido à beira da piscina. Outras atrações são “Key Largo” (1948), com o casal Humphrey Bogart e Lauren Bacall, exibido durante a passagem do navio pela cidade homônima na Flórida, e “Speedy” (1928), filme mudo estrelado por Harold Lloyd com acompanhamento musical da (banda de três músicos) Alloy Orchestra. Um luxo!
Será que vai ser assim?
Os anfitriões do canal TCM, Robert Osborne e Ben Mankiewicz, serão responsáveis pelo comentário antes das atrações e servirão como mediadores para esperadas conversas. Entre os convidados mais que especiais estão as duas loiras geladas hitchcockianas sobreviventes, Tippi Hedren (estrela de “Marnie” e “Os Pássaros”, este a ser exibido no evento) e Eva Marie Saint (protagonista de “Intriga Internacional”), que falarão sobre suas memórias de trabalho com Hitchcock, além do simpático nonagenário Ernest Borgnine, convidado para um bate-papo.
Eva Marie Saint
Outras atrações bem divertidas incluem a exibição de “Casablanca” (1942) em uma noite temática de gala e um baile elegante como mostrado no filme “Ritmo Louco / Swing Time” (1936). Além, é claro, de todas as mordomias possíveis em um luxuoso navio. É muita coisa para se fazer em apenas quatro dias!
Milhões de fãs ficaram animados com a notícia do evento. Em poucas semanas todos os lugares esgotaram e muita gente ficou a ver navios. A lista de espera já é enorme e certamente esta incrível viagem aparecerá na lista de desejos de inúmeros cinéfilos mundo afora. Todo mundo que adora filme não perderia essa oportunidade. Você perderia?
Quem não tem uma lembrança sinistra de um filme? Mesmo aqueles mais bobos ou que não causariam medo algum às vezes fazem as crianças ficarem noites sem dormir. O próprio Gregory Peck, por exemplo, disse certa vez que sua primeira memória relacionada ao cinema era de quando foi ver “O Fantasma da Ópera / The Phantom of the Opera” (1925) e ficou tão assustado que sua avó teve de dormir com ele aquela noite.
Comigo não foi diferente. Em uma época de menos maturidade e quase nenhuma cinefilia, alguns contatos com o cinema clássico foram amedrontadores...
Primeiros filmes (ou melhor, “Serpentine Dance”): Os primeiros filmes me dão uma sensação desagradável, talvez por pensar que aqueles pioneiros viveram há tanto tempo e não tiveram a oportunidade de ver em que a arte que estavam desenvolvendo se transformou. Isso acontece no breve “Rounday Garden Scene” (1888) e na dança com figurinos bizarros “Serpentine Dance”.
Os Vampiros / Les Vampires (1915): A primeira vez em que folheei uma edição de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” levei um susto com a foto de página inteira da atriz Musidora. Embora seja a imagem-símbolo do longuíssimo filme, ela ainda não me agrada.
Nosferatu (1922): O cinema mudo de terror lida com as emoções mais primitivas de qualquer ser humano. As produções causam medo através de sons estranhos e imagens assustadoras. Quem não teve medo daquela sombra que atire a primeira pedra!
Closes no cinema mudo: Também pelo motivo do primeiro tópico. Além disso, o olhar das moças da década de 1910 parece-me bastante forte, mesmo em fotografias (como se elas fossem capazes de enxergar lá dentro de nós...). Meu close menos favorito é o de Constance Talmadge, logo no início de sua bela atuação em “Intolerância” (1916).
Até ela teve medo do próprio close
Monstros / Freaks (1932): O primeiro contato com esse filme se deu quando eu nem era tão cinéfila assim. Em uma lista dos 10 filmes mais impressionantes, este vinha em décimo. A imagem do Torso ficou em minha mente, durante dias, me assombrando...
O Homem Elefante (1980): A triste trajetória real de Joseph Merrick é, por si só, assombrosa. Contada pelo cinema, então, tem seu impacto elevado à milésima potência. Uma produção em preto-e-branco, em plena década de 80, só podia sair das mãos de David Lynch... E é outro que eu ainda não criei coragem para assitir.
Como toda regra tem exceção...
O lanchinho é cortesia do Bates Motel
Aí está um exemplo de quem algumas pessoas passam a temer depois de assistir a “Psicose” (1960). Eu não tive essa reação. Na verdade, continuei achando Norman Bates uma fofura. Que importa se ele é um pouco perturbado? Sua “adorável psicose” compensa tudo!
Carole Lombard foi uma das maiores, mais bonitas e mais engraçadas atrizes do cinema clássico. Sua atuação em excelentes comédias eternizou-a entre as lendas da sétima arte. Seu cabelo loiro e seu olhar penetrante hipnotizavam o público e, é claro, seus colegas de profissão. No entanto, mesmo vivendo e amando na liberal Hollywood, Carole se casou apenas duas vezes. Se tivesse vivido mais de 33 anos, provavelmente a conta de matrimônios não seria tão facimente alterada. Seu segundo e último marido, Clark Gable, era, sem dúvida, o amor de sua vida. Carole viveu pouco, mas amou intensamente seus dois companheiros.
William Powell: Eles se conheceram em 1930 e se casaram no ano seguinte, apesar dos olhares de desconfiança pelos 16 anos de diferença e pelas personalidades opostas. Eles permaneceram juntos por apenas dois anos, mas continuaram grandes amigos depois do divórcio, protagonizando juntos a famosa comédia “Irene, a teimosa / My man Godfrey” (1936). Ela se culpava pelo fim do casamento, pois estava mais preocupada com a carreira em ascensão que com a vida conjugal. Depois de William, Carole namorou brevemente Gary Cooper, George Raft e Russ Columbo, que morreu em um acidente com uma arma antes de pedi-la em casamento.
Clark Gable: Gable e Lombard já haviam atuado juntos como extras em “Ben-Hur”, “The Plastic Age” (ambos de 1925) e no filme “No man of her own” (1932). Mas foi em 1936 que o romance começou para valer. A intenção inicial dela era filmar o recém-lançado livro “E o vento levou...”, por isso enviou um sugestivo bilhete a Gable: “vamos fazer juntos?”. Ele interpretou o escrito de forma maliciosa e não gostou de saber que realmente se tratava de uma proposta de trabalho, mas aí o destino já estava traçado. Em 1939, três semanas após o fim do terceiro casamento de Clark Gable, ele e Carole se casaram. Carismáticos e queridos pelo público, eles viviam alegres entre os compromissos de Hollywood e o sossego de uma fazenda, onde fizeram diversos vídeos caseiros. Apesar do bom-humor que reinava no cotidiano do casal, um fato os chateava: eles não conseguiam ter filhos. O desfecho desse romance todos conhecem: em 1942, voltando de uma viagem para promover bônus de guerra e ajudar os Estados Unidos, Carole Lombard faleceu quando o avião em que viajava se chocou contra uma montanha. Clark Gable nunca se recuperou totalmente do ocorrido.
James Stewart (?!): Carole e Jimmy protagonizaram em 1939 o filme “Made for each other”. Nada de mais aconteceu entre os dois, mas uma revista da época criou uma espécie de fanfic (história fictícia sobre um filme, uma série ou mesmo uma personalidade de sucesso) imaginando como seria um relacionamento entre os dois. A primeira parte é um tanto confusa por não separar as falas de Carole das de sua amiga Fieldsie. No entanto, o escrito vai ficando cada vez mais charmoso, mostrando que eles formariam um casal simpático e divertido. A história trata, de modo geral, de uma reunião na casa dos pombinhos e, mais tarde, nas inseguranças despertadas em ambos pela probabilidade e o desejo de terem um filho. Clique para ampliar.
O Dia das Crianças pode já ter passado, mas isso não é motivo para nos
esquecermos do chamado “futuro da nação”. Principalmente se é possível garantir
que esse futuro seja recheado de filmes cássicos. Não é fácil, mas há algumas
formas de introduzir as crianças ao maravilhoso mundo do cinema antigo!
Children’s Day may be over, but this is no reason
to forget about the future. Especially if you can guarantee that this future
will know about classic movies. It’s not easy, but there are some ways to
introduce children to the wonderful world of classic movies!
1- Charles Chaplin: O humor de Chaplin é atemporal. Abusando da
comédia corporal, do carisma e das boas intenções do adorável Vagabundo, seus
filmes agradam a todos e ultrapassam gerações, sendo um ótimo começo para o
amor pelo cinema.
1- Charles Chaplin: Chaplin’s humor
is timeless. Overusing (not in a bad way) slapstick, charisma and the good
intentions of his beloved Tramp, his movies please all of us and perpass
generations, being a great start for the love for cinema.
2- Irmãos Marx: Comediantes com o mesmo apelo atemporal de
Chaplin, mas desta vez usando o som como recurso, o tresloucado quarteto (e,
mais tarde, trio) foi capaz de criar situações engraçadíssimas, usando o
nonsense com maestria.
2- The
Marx Brothers: Comedians with the same timeless approach as Chaplin, but
this time using the sound as a resource, the zany quartet (and later, a trio)
was able to create very funny situations, using nonsense like no other.
3- Filmes mudos: Crianças pequenas tendem a ser mais tolerantes
que as mais velhas. Assim, elas provavelmente não torcerão o nariz de cara para
os filmes mudos. Além de Chaplin, as comédias de Buster Keaton, Harold Lloyd e
O Gordo e o Magro são ótimas pedidas. Só não vale passar Griffith para o
pimpolho.
3- Silent movies: Little children are usually more tolerant than the
older ones. Being like that, they probably won’t deny watching silent movies.
Besides Chaplin, the comedies by Buster Keaton, Harold Lloyd and Laurel and
Hardy are great starting points. You only can’t show little ones Griffith
melodramas or you’ll traumatize them.
4-O Mágico de Oz: Hoje no Brasil esse não é o clássico absoluto
da infância, mas em outros países ele é a porta para o mundo do cinema. A voz
de Judy Garland, a turma carismática, a história comovente e a mensagem
edificante o transformaram em um filme incrível e adorado por pessoas de todas
as idades em todos os lugares,
4- The Wizard of Oz: Today in Brazil
this isn’t the absolute classic film associated with childhood, but in other
places it’s the opening door to the world of cinema. Judy Garland’s voice, the
charismatic troupe, the moving plot and the uplifting message make it a great
movie beloved by people of all ages in all places.
5- Filmes de Walt
Disney: Disney produziu longas
de 1937 a 1967, a Era de Ouro de seu estúdio. Assim como eu fui,
milhões de crianças são familiarizadas com essas produções desde cedo e, posso
dizer por experiência própria, é uma ótima maneira de se tornar cinéfilo.
5- Films by Walt
Disney: Disney himself made features from 1937 to 1967,
the Golden Age of his studio. Like I was, millions of children are introduced
to these productions since an early age and, as I can say from my own
experience, it’s a great way to become a cinephile.
6- A Noviça
Rebelde: Uma freira bondosa conquista sete
crianças determinadas a infernizar todas as governantas que o pai contrata. Ela
também amolece o coração do severo viúvo Capitão Von Trapp. Em meio aos perigos
do nazismo e às paisagens deslumbrantes da Áustria, o filme conquistou milhões
de fãs e tem especial apelo junto ao público infantil.
6- The Sound of Music: A kind nun
steals the hearts of seven children who used to make a hell of the lives of all
nannies their father hires. She also softens the heart of the rigid widower
Captain Von Trapp. Amidst the dangers of Nazism and the breathtaking
backgrounds in Austria, the film conquered millions of fans and has a special
appeal for the children.
7- Clássicos
infantis: Vale “As aventuras de Huckleberry Finn”, “Lassie”, “A mocidade é assim mesmo”, “A felicidade não se
compra” e outros filmes inspiradores. Há sempre uma série de clássicos da
infância que são indispensáveis na formação de qualquer ser humano (e não só “O
Pequeno Príncipe”).
7- Childhood
classics: Here you can use “The Adventures of Huckleberry Finn”, “Lassie”, “National Velvet”, “It’s a Wonderful Life” and other inspiring
movies. There is always a list of childhood classics that are necessary to
build up any human being (and not only “The Little Prince”).
8- Musicais: Esteticamente apelativos; coloridos e singelos, os
musicais antigos tendem a agradar às crianças. Através de belas músicas, grandes
coreografias e intérpretes, filmes como “Agora seremos felizes”, “Desfile de
Páscoa” e “Sete noivas para sete irmãos” são boas opções.
8- Musicals: Aesthetically pleasing; colorful and charming, the
old-time musicals usually conquer the children. Through beautiful songs, great
choreographies and amazing singers, films like “Meet Me in St Louis”, “Easter
Parade” and “Seven Brides for Seven Brothers” are good options.
9- Faroestes (não
muito sangrentos): Talvez essa
sugestão agrade mais aos meninos. Num episódio da série “Modern Family” o
garoto Luke faz amizade com um senhor da vizinhança que lhe aconselha assistir
a filmes como “Matar ou Morrer” ou “Os brutos também amam”. E não é que é um
bom conselho?
9- Westerns (but not very bloody): Maybe this
suggestion will please more boys than girls. In an episode of the series
“Modern Family” the boy Luke becomes friends with a senior from his
neighborhood who suggests him to watch movies like “High Noon” and “Shane”. And
it’s good advice!
10- Filmes de Gene
Kelly: Responsável por alguns dos
maiores e melhores musicais da História, Gene era talentoso, carismático,
bonito e se dava muito bem com crianças! Prova disso é o número “I´ve got
rhythm” de “Sinfonia de Paris”.
10- Gene Kelly
movies: Responsible for some of the biggest and best
musicals in History, Gene was talented, charistmatic, handsome and great with
children! Proof: the number “I’ve got rhythm” from “An American in Paris”.
11- Filmes de Mickey
Rooney: Hoje ele é um velhinho simpático,
mas Mickey foi uma espécie de criança prodígio, protagonizando sua própria
série de filmes singelos e vários musicais alto-astral com Judy Garland.
11-Mickey Rooney movies: Today he is a
nice old man, but Mickey was a kind of prodigious child, as the lead of his own
series of charming movies and many high-spirited musicals with Judy Garland.
12- Filmes de
Shirley Temple: Quer exemplo melhor para uma
criança que ver outra criança se divertindo nas telas? Shirley foi queridinha
de uma geração, ganhou um Oscar aos seis anos e, de certa forma, ajudou um país
inteiro a passar pela recessão econômica durante a Grande Depressão. Talvez ela
ajude os mais novos a gostar de cinema!
12- Shirley Temple movies: Do you want a
better example for children than another child having fun on screen? Shirley
was the darling of a generation, won an Oscar at age six and, in a way, helped
a whole country go through the economic recession during the 1930s. Maybe she
could help youngsters like cinema!
Tomara que essas ideias possam dar origem a uma nova geração de amantes
dos clássicos. Agora é só colocar em prática. Se você não tem
fillhos, pegue aquele sobrinho, priminho, vizinho ou criança mais quietinha que
você conheça e ponha em prática essa saudável maratona cinematográfica com sua
cobaia infantil. Ou (por que não?) redesperte a sua infância e aproveite esses
clássicos para todas as idades.
I hope these ideas can kickstart a new generation
of young classic film lovers. Now it’s your turn. If you don’t have children,
get that nephew, young cousin, neighbor or another quiet children you know and
do a healthy marathon with your young guinea pig. Or (why not?) relive your
childhood and enjoy these classics for all ages.