Quem o conhece não esquece jamais. Prova disso é que o número de fãs de Cary Grant continua crescendo e muitos jovens cinéfilos clássicos o apontam como ator favorito. Com uma longa carreira e um charme indestrutível, Cary interpretou os mais diferentes papeis e, abusando de seu carisma, tornou os clássicos muito mais acessíveis e adoráveis.
Nascido Archibald Alexander Leach, em 18/01/1904, em Bristol, na Inglaterra, ele teve uma infância difícil. Sua mãe, sofrendo de depressão, foi internada em uma clínica quando o filho tinha nove anos e, aos dez, o futuro astro foi abandonado pelo pai após este casar-se novamente. Na verdade, Cary pensou que a mãe estivesse morta, até encontrá-la internada, quando ele tinha 31 anos. Cary foi filho único e, aos 16, imigrou para a América como parte de uma trupe teatral, aprendendo, nos primeiros anos no palco, um inconfundível timing cômico.
Em 1931, ele foi da Broadway para Hollywood, onde mudou seu nome artístico de Archie Leach para Cary Grant, escolhendo as iniciais C e G porque tais letras também estavam presentes nos nomes de grandes atores da época: Clark Gable e Gary Cooper. Nos anos seguintes ele atuou ao lado de lindas mulheres como Marlene Dietrich, Mae West (duas vezes em um único ano, 1933) e Katharine Hepburn (com quem faria quatro filmes) até o imenso sucesso de “Cupido é moleque teimoso / The Awful Truth” (1937), em que contracena com Irene Dunne e concretiza sua persona cinematográfica elegante e espirituosa. Mais tarde, ele diria que a personalidade do personagem foi baseada na do diretor Leo McCarey.
Mas não é só de comédias que foi feita a carreira de Grant. Suas contribuições com o diretor Alfred Hitchcock, seu amigo, são também notáveis. Bem menos taciturno que seu antigo companheiro de cena perturbado pela guerra James Stewart, Cary levou muito charme aos suspenses hitchcockianos, como os inesquecíveis “Suspeita / Suspicion” (1941), “Interlúdio / Notorius” (1946), “Ladrão de Casaca / To catch a thief” (1954) e “Intriga Internacional / North by Northwest” (1959).
Além de um grande ator, ele foi também empreendedor, fundando sua produtora Granart nos anos 50 e sendo o primeiro ator a sair do sistema de estúdio e trabalhar por conta própria. Felizmente, propostas de trabalho não faltaram e ele só encerrou sua carreira em 1966 pela vontade de dedicar-se à criação de sua única filha, Jennifer. Cary casou-se cinco vezes e faleceu em 1986, aos 82 anos.
Símbolo máximo do galã simpático e divertido, mesmo no fim da carreira recebia propostas para grandes trabalhos, que teve de recusar por conta da idade. Entre os personagens pensados para ele estão James Bond e Jonathan Hart, da série “Casal 20”, ambos bastante refinados e perspicazes. É inegável que tenha inspirado muitos personagens igualmente elegantes e que ainda inspire seus fãs, cada vez mais jovens e ainda encantados por seu magnetismo.
É só procurar pela Internet que constatamos facilmente que o ator continua conquistando fãs de diferentes idades e de vários lugares do mundo. Carismático ao extremo, ele foi indicado duas vezes ao Oscar, em 1941 e 1944, só ganhando um Honorário em 1970. Mas o mais importante ele não para de conquistar: o carinho do público e a certeza que temos de que todo mundo ama Cary Grant.
