} Crítica Retrô: Mickey Rooney

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Saturday, September 24, 2022

As Aventuras Cinematográficas de Huckleberry Finn

The Cinematic Adventures of Huckleberry Finn

De acordo com o IMDb, a novela de Mark Twain “As Aventuras de Huckleberry Finn” já foi adaptada para o cinema e a TV mais de 20 vezes, começando com “Huck and Tom” – com Jack Pickford como Tom Sawyer – em 1918. Eu escolhi assistir e resenhar três destas adaptações, todas feitas antes de 1940, e comparar com o livro, que eu li há alguns anos. Por isso este post também é por si só, uma aventura – literária e cinematográfica.

According to IMDb, Mark Twain’ novel “The Adventures of Huckleberry Finn” has been adapted to movies and TV shows, so far, more than 20 times, starting with “Huck and Tom” – that had Jack Pickford as Tom Sawyer – in 1918. I chose to watch and review three of those adaptations, all made before 1940, and compare with the book that I have read a few years ago. That’s why this post is, in itself, an adventure – a literary and cinematographic adventure, that is.

O livro, publicado em 1884, conta as muitas aventuras de Huckleberry Finn, camarada de Tom Sawyer, junto ao escravo em fuga Jim ao longo do rio Mississippi. Antes que a aventura comece, Huck é sequestrado pelo pai, um alcoólatra, que quer o dinheiro que Huck ganhou no livro anterior. Todas as versões que eu vi seguem esta história.

The book, published in 1884, tells the many adventures of Huckleberry Finn, Tom Sawyer’s comrade, alongside the runaway slave Jim through the Mississippi River. Before the adventures start, Huck is kidnapped by his alcoholic father, who wants the money Huck got in the previous book. All versions I’ve watched follow this plot.

Encontrei no Internet Archive apenas a primeira metade da versão de 1920, um filme dirigido por William Desmond Taylor que se destaca por ter sido a primeira adaptação do livro solo para o cinema. Aqui, Huck é interpretado por Lewis Sargent, Tom por Gordon Griffith e Jim por George Reed. Esta primeira metade mostra como Huck foi sequestrado por seu pai alcoólatra e como escapou do cativeiro, e termina quando ele encontra Jim, que havia sido vendido para um homem mau e também escapou. Um ponto importante é que a senhora Watson maltrata Jim, se transformando ela própria em um tipo de vilã.

I could find on the Internet Archive only the first half of the 1920 version, a film directed by William Desmond Taylor that was important for being the very first adaptation exclusively of the novel to the big screen. Huck here is played by Lewis Sargent, Tom by Gordon Griffith and Jim by George Reed. This first half shows how Huck was kidnapped by his alcoholic father and escaped captivity, and it ends when he meets Jim, who had been sold to a bad man and also escaped. Something that calls the attention is how harsh Mrs Watson treats Jim, becoming a villainess in her own right.

A versão de 1931 da Paramount, intitulada no Brasil “Mocidade Feliz”, tem Jackie Coogan como Tom Sawyer, Junior Durkin como Huck e Clarence Muse como Jim. Dirigida por Norman Taurog, esta versão toma um bom tempo mostrando as desventuras de Huck na escola antes do sequestro. Jim e Tom resgatam Huck e os três partem para viver aventuras – afinal, não dava para desperdiçar o poder do nome de Jackie Coogan, ainda um grande astro 10 anos após ser descoberto por Chaplin em “O Garoto”. Coogan, Durkin e a maioria do elenco repetem os papéis que interpretaram em “Aventuras de Tom Sawyer” em 1930. Já que Tom é parte da aventura, muitas mudanças foram feitas na história do livro, e apenas uma história é contada: dois homens que dizem ser um Duque e um Rei fingem ser os tios estrangeiros de duas garotas órfãs. Mesmo assim, esta versão conta com um bom elenco, com Coogan, Durkin (que tragicamente morreu poucos anos depois em um acidente de carro), Jane Darwell e Eugene Pallette.

The 1931 version, from Paramount Pictures, has Jackie Coogan as Tom Sawyer, Junior Durkin as Huck and Clarence Muse as Jim. Directed by Norman Taurog, this version takes a good time showing us Huck’s misadventures at school before his kidnapping. Jim and Tom rescue Huck and the three go on to live adventures - after all, you can’t waste Jackie Coogan’s star power, still strong 10 years after his discovery in Chaplin’s “The Kid”. Coogan, Durkin and most of the cast are repeating the roles they played in “Tom Sawyer” in 1930. Since Tom is part of the whole adventure, a lot of changes were made from the book, and only one story is told: two men who say they are a Duke and a King pose as the foreign uncles for two orphaned girls. Nevertheless, this version brings a good cast, with Coogan, Durkin (who tragically died only a few years later in a car crash), Jane Darwell and Eugene Pallette.

E em 1939 a MGM tinha o astro perfeito para ser o protagonista de “As Aventuras de Huck”: Mickey Rooney. Com Rex Ingram como Jim e nada de Tom Sawyer à vista, Rooney é brilhante como o menino-herói. Nesta versão, Huck não é sequestrado pelo pai, mas aceita ir com ele pois Huck está prestes a desapontar a viúva Douglass (Elizabeth Risdon) e a senhorita Wtason (Clara Blandick), que estavam tomando conta dele. Quando Huck deixa o pai, Jim é falsamente acusado de assassinar o garoto, e os dois descem o Mississippi, até que encontram o Rei e o Duque, que primeiro fazem um show e depois fingem ser os tios das órfãs. Este filme tem algumas escolhas estranhas – se vistas com os olhos de hoje – como mostrar como algo positivo o fato de Huck fumar cachimbo e todo um discurso de Huck sobre Jim ser escravo porque foi esse o destino dado a ele por Deus. Há também dois momentos em que Mickey Rooney se veste de menina.

And in 1939 MGM had the perfect star to be the lead of “The Adventures of Huckleberry Finn”: Mickey Rooney. With Rex Ingram as Jim and no Tom Sawyer in sight, Rooney is outstanding as the boy-hero. In this version, Huck isn’t kidnapped by his father, but agrees to go with him as he’s about to disappoint the Widow Douglass (Elizabeth Risdon) and Miss Watson (Clara Blandick), who had been taking care of him. When Huck escapes his father, Jim is falsely accused of murdering the boy, and the two go down the Mississippi, until they meet the King and the Duke, who first put on a show and later impersonate the orphans’ uncles. This movie has some odd choices – as seen nowadays – like showing Huck smoking a pipe as something nice and a whole speech by Huck about Jim being a slave because this was what God intended for him. There are also two moments in which Mickey Rooney dresses in drag.

Houve uma adaptação da história para o programa de TV Climax em 1955, na qual Jim foi completamente apagado. E então, no final dos anos 50, um cão azul andarilho que cantava Querida Clementina foi criado, e batizado de Dom Pixote – Huckleberry Hound no original. William Hanna e Joseph Barbera quase batizaram Zé Colmeia de Huckleberry Bear, mas mudaram de ideia no último minuto. Além do estilo de vida aventureiro, Dom Pixote tem pouco em comum com Huckleberry Finn.

There was an adaptation of the story for the TV show Climax in 1955, in which Jim was completely erased. And then, in the late 1950s, a blue dog wandering and singing Oh My Darling Clementine was created, and baptized Huckleberry Hound. William Hanna and Joseph Barbera almosted baptized Yogi Bear as Huckleberry Bear, but changed their minds in the last minute. Other than his lifestyle, Huckleberry Hound has little in common with Huckleberry Finn.

E então outras adaptações foram feitas. Houve uma em 1960 dirigida por Michael Curtiz (abaixo), com Buster Keaton em um pequeno papel. J. Lee Thompson dirigiu uma versão em 1974 para a tela grande  e no ano seguinte uma adaptação foi feita para a TV, com Ron Howard como Huck. A versão mais recente da história é um curta-metragem de 2020, mas uma nova adaptação para o cinema já está em pré-produção!

And then other adaptations were made. There was one in 1960 directed by Michael Curtiz (below), with Buster Keaton in a small role. J. Lee Thompson directed a version in 1974 for the big screen and the next year a version was made for the small screen, with Ron Howard as Huck. The most recent version of the story is a short film from 2020 and there is another adaptation in the works!

O relacionamento e a camaradagem entre Huck e Jim é uma das coisas mais importantes no livro, e foi traduzida para as telas de maneiras diferentes. Não houve momentos suficientes de Huck-e-Jim no fragmento de 1920 para que eu pudesse ver como os dois personagens interagiam. Na versão de 1931, a presença de Tom Sawyer por todo o filme eclipsou a relacão de Jim e Huck. Há uma verdadeira amizade retratada no filme de 1939, mesmo que o roteiro reforce que Jim não é uma pessoa muito esperta, sendo inclusive infantil algumas vezes.

The rapport and the camaraderie between Huck and Jim is one of the most important things in the book, and it was translated to the screen in different ways. There wasn’t enough of Huck-and-Jim moments in the 1920 fragment for us to see how the two characters interacted. In the 1931 version, the presence of Tom Sawyer all through the movie eclipsed Jim and Huck’s relationship. There is a true friendship portrayed in the 1939 film, even though they reinforce that Jim is a not-so-bright person, even childish at times.

Eu entendo que “As Aventuras de Huckleberry Finn” é um clássico norte-americano e leitura obrigatória em muitas escolas  - mesmo o livro tendo sido envolvido em polêmicas e até mesmo banido em alguns lugares! Eu li o livro já adulta, tentando agigantar meus horizontes quando o assunto é literatura mundial. Eu gostei muito do livro e agora, dando o veredicto sobre as duas adaptações e meia que vi, tenho que dizer que a versão de 1939 com Mickey Rooney é a melhor delas. E a MGM faz magia novamente!

I understand that “The Adventures of Huckleberry Finn” is an American classic and mandatory reading in many schools – even though the book has been involved in polemics and even banned in some places! I read the novel when I was already an adult, broadening my understanding of world literature. I really enjoyed the novel and now, giving the verdict about the two-and-a-half adataptations I watched, I have to say that the 1939 version with Mickey Rooney is the best of them. MGM does it again, folks!

This is my contribution to the Classic Literature in Film blogathon, hosted by Paul at Silver Screen Classics.

Saturday, December 30, 2017

Com os Braços Abertos / Boys Town (1938)

Nós precisamos desesperadamente de heróis.

We're in desperate need of heroes.

Mas não é qualquer herói que serve. Nós dispensamos o Batman, o Aquaman, o Super-Homen, o Homem de Ferro, a Mulher-Maravilha – se bem que ela é demais – e continuamos procurando por outro tipo de herói. Um herói – ou heroína – cujo superpoder é ser, acima de tudo, humano. Nós precisamos destas pessoas.

But not any hero can do. We'll pass Batman, Aquaman, Superman, Iron Man, Wonder Woman – even though she is a badass – and keep on looking for another kind of hero. A hero – or heroine – whose superpower is being, above all, human. These are the people we need.
Será que o padre Flanagan é bom o suficiente para a vaga? Vejamos seu dossiê de herói:

Will Father Flanagan be good enough for the position? Let's see his hero file:


Nome: Edward Joseph Flanagan
Name: Edward Joseph Flanagan

Data e local de nascimento: 13 de julho de 1886, Irlanda.
Date and place of birth: July 13th 1886, Ireland

Foto (com disfarce):
Photo (undercover):

Foto (pronto para entrar em ação): ele se parece um pouco com Spencer Tracy, não?

Photo (ready for action): looks like Spencer Tracy, right?


Superpoderes:
Paciência – super paciência
Acreditar que “não há maus meninos no mundo”
Cuidar de garotos órfãos ou sem-teto e construir uma comunidade para eles.
Dar aos meninos liberdade de crença – qualquer religião poderia ser professada na vila de Boys Town.
Ensinar aos meninos lições de cidadania e disciplina.
Provar que jornalistas ambiciosos, céticos e “cidadãos de bem” estavam errados quando duvidaram de seu projeto.

Superpowers:
Patience – super patience
Believing “there is no such a thing in the world as a bad boy”
Taking care of orphaned or homeless boys and building a community for them
Giving the boys freedom of worship – any religion was valid at Boy's Town
Teaching the boys notions of citizenship and discipline
Proving wrong greedy journalists, skeptics and angry “fine citizens”


Ajudante: o lojista Dave Morris (Henry Hull) é ajudante “sem querer” do padre Flanagan, e contribui com empréstimos de dinheiro.
Sidekick: Shop owner Dave Morris (Henry Hull) is Father Flanagan's reluctant sidekick, helping with the money needed.

Atos heroicos:
Fundou a primeira casa de meninos órfãos em 1917.
Desafiou o círculo vicioso de abandono, abuso, violência e criminalidade na vida dos meninos.
Fundou a vila de Boys Town em 1921.
Ajudou pessoalmente mais de 6 mil pessoas com sua obra – muitos deles eram meninos durões como o personagem Whitey (Mickey Rooney), que, se não tivesse ajuda do padre Flanagan, teria se tornado um criminoso.
Depois de sua morte em 1948, seu trabalho se expandiu por 10 estados. Hoje, mais de 1,4 milhões de pessoas recebem cuidados e apoio da Boys Town.


Heroic actions:
Founded the first Boys Town in 1917
Challenged the vicious cycle of abandonment, child abuse, violence and crime
Founded the current Village of Boys Town in 1921
Personally helped 6000 people with his program – many of them hard-boiled boys like character Whitey (Mickey Rooney), who, without Father Flanagan, would turn into crime.
After his death in 1948, his work expanded through 10 states. As for today, more than 1,4 million people are helped by Boys Town.


Reconhecimentos:
Spencer Tracy ganhou seu Segundo Oscar pela performance como o Padre Flanagan na cinebiografia “Com os Braços Abertos”. A esposa de Tracy recebeu o prêmio no lugar dele durante a cerimônia.
O padre Flanagan é membro do Hall da Fama do estado de Nebraska. Seu processo de canonização foi aberto em 2012.

Accolades:
Spencer Tracy won his second Oscar for his portrayal of Father Flanagan in the biopic “Boys Town”. Tracy’s wife received the prize in his behalf during the ceremony.
Father Flanagan is a member of the Nebraska Hall of Fame. His canonization process started in 2012.
Heroína à altura: Você já percebeu que para todo herói há uma heroína semelhante – mesmo que eles não sejam romanticamente ligados? Bem, a primeira pessoa que me veio à mente quando conheci a história do padre Flanagan foi a missionária Gladys Aylward. Esta inglesa notável cuidou de crianças chinesas na Guerra Sino-Japonesa de meados dos anos 30 e também virou personagem de filme: em “A Morada da Sexta Felicidade” (1958), ela é interpretada por Ingrid Bergman.

Female counterpart: Have you realized that all heroes have a female counterpart – even if they are not romantically linked? Well, the first person I thought about when I first got to know Father Flanagan's story was missionary Gladys Aylward. This notable English lady took care of Chinese kids during the 1930s war against Japan and was also portrayed in film: in “The Inn of the Sixth Happiness” (1958), she is played by Ingrid Bergman.
Precisamos de pessoas como o padre Flanagan – e também Gladys Aylward – que acreditam no potencial do ser humano, que querem acabar com as desigualdades e não perpetuar os privilégios. Como o próprio padre Flanagan disse:

We need people like Father Flanagan – and also Gladys Aylward – who believe in the human potential, want to fight inequality and put a stop in privileges. As Father Flanagan himself said:

“Custa tão pouco ensinar uma criança a amar, e custa tanto ensiná-la a odiar”.

“It costs so little to teach a child to love, and so much to teach him to hate”.

This is my contribution to the Inspirational Heroes blogathon, hosted by Quiggy and Hamlette at The Midnite Drive-In and Hamlette’s Soliloquy.

Saturday, September 20, 2014

Mickey Rooney: Andy Hardy cresceu!

Um dos grandes desafios dos atores mirins de sucesso é continuar em destaque ao passarem para papéis adultos. Às vezes a idade adulta chega e leva embora a fofura da infância. Às vezes o ator é estereotipado e não tem papéis que o desafiem. Às vezes eles cansam do show business e simplesmente se aposentam. Nada disso aconteceu com Mickey Rooney. Ele conseguiu ficar em evidência durante oito décadas, nos mais diversos papéis, na comédia e no drama, porque desde criança mostrou sua versatilidade em frente às câmeras.
Em meados dos anos 20, quando o futuro de Jackie Coogan era incerto e Shirley Temple ainda nem tinha nascido, surgiu Mickey Rooney, protagonizando vários curtas-metragens como Mickey McGuire por sete anos, e, com a chegada do som, dublando alguns episódios do desenho “Oswald, the lucky rabbit” (Oswald é o antecessor de Mickey Mouse no universo Disney). Mas o grande momento do pequeno Mickey chegou em 1937, quando ele protagonizou o primeiro dos 19 filmes de Andy Hardy.
Andrew ‘Andy’ Hardy é um garoto simpático que se apaixona facilmente. Ele é filho do juiz James Hardy (Lewis Stone) e de Emily Hardy (Fay Holden). Em “A Paixão de Andy Hardy / Love Laughs at Andy Hardy” (1946), o penúltimo filme da série, Andy volta do exército muito ansioso, pois retornar à faculdade significa rever seu grande amor, Kay Wilson (Bonita Granville), e tem mais: Andy quer pedi-la em casamento! O plano de Andy não dá muito certo, e tudo caminha para o clímax: o grande baile da faculdade, em que o pequeno Mickey Rooney (1,57m) dança com Dorothy Ford (1,88m):
Andy Hardy personificava a juventude americana dos anos 30 e 40: romântico, divertido, patriota e comportado. A ideia perfeita para um encontro romântico era tomar milk-shake na lanchonete mais próxima. A cada filme Andy tinha uma nova conquista (e que lista!): Ann Rutherford, Judy Garland, Lana Turner, Esther Williams, Donna Reed, Bonita Granville. Os flertes e as relações familiares eram cercados de inocência e respeito. Bons tempos aqueles!
Mickey estava acostumado a alternar trabalhos dramáticos e cômicos, por isso não foi problema se inserir no gênero noir. “Areia Movediça / Quicksand” (1950) é um noir estranho: Rooney é o protagonista masculino, vitimado pela femme fatale Vera (Jeanne Cagney). Mickey em nada tinha a ver com os atores que melhor personificaram o protagonista do filme noir, como Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e Victor Mature. Podemos nos perguntar se ele foi escolhido apenas por ter o mesmo tamanho do antagonista, Peter Lorre, com quem tem uma boa cena de briga.
Em “Quicksand”, Dan (Rooney) rouba 20 dólares da oficina mecânica em que trabalha. Ele usa o dinheiro para sair com Vera, uma moça perigosa e caprichosa. Devolver o dinheiro ao caixa não será nada fácil, pois a situação de Dan vira uma bola de neve: ele tem se comprometer cada vez mais para agradar Vera e fugir das chantagens de Nick (Lorre).  
Sem dúvida “Quicksand” foi o ápice da carreira de Mickey nos anos 50. Sua baixa estatura, ao mesmo tempo em que permitiu que ele interpretasse adolescentes por muitos anos, poderia ser um empecilho quando ele chegou aos 30. Mas seu talento lhe garantiu bons papéis em westerns, dramas e comédias. Nenhum desses filmes tem o mesmo status de seus musicais com Judy Garland ou de clássicos absolutos como “Com os Braços Abertos / Boys Town” (1938) e “Marujo Intrépido / Captains Courageous” (1937).
O próprio Mickey prefere discordar de mim, pois em sua autobiografia “Life is too short”, ele “prefere não comentar” o filme “Quicksand”. Um fracasso de bilheteria na época e uma ovelha negra no gênero noir, o filme ficou melhor com o passar do tempo, e comprova o que nomes como Robert Osborne, Cary Grant, Lucille Ball, Robert Mitchum e Anthony Quinn disseram: o ator mais versátil e talentoso de Hollywood foi Mickey Rooney.
Para saber mais sobre a carreira de Rooney nos anos 50, leia ESTE excelente artigo.
This post is part of The getTV Mickey Rooney Blogathon hosted by Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club taking place throughout the month of September. Please visit the getTV schedule for details on Rooney screenings throughout the month and any of the host sites for a complete list of entries.

Thursday, October 20, 2011

Como formar novos cinéfilos clássicos no Dia das Crianças

How to make children care about classic movies

 

O Dia das Crianças pode já ter passado, mas isso não é motivo para nos esquecermos do chamado “futuro da nação”. Principalmente se é possível garantir que esse futuro seja recheado de filmes cássicos. Não é fácil, mas há algumas formas de introduzir as crianças ao maravilhoso mundo do cinema antigo!

Children’s Day may be over, but this is no reason to forget about the future. Especially if you can guarantee that this future will know about classic movies. It’s not easy, but there are some ways to introduce children to the wonderful world of classic movies!


1- Charles Chaplin: O humor de Chaplin é atemporal. Abusando da comédia corporal, do carisma e das boas intenções do adorável Vagabundo, seus filmes agradam a todos e ultrapassam gerações, sendo um ótimo começo para o amor pelo cinema.

1- Charles Chaplin: Chaplin’s humor is timeless. Overusing (not in a bad way) slapstick, charisma and the good intentions of his beloved Tramp, his movies please all of us and perpass generations, being a great start for the love for cinema.

2- Irmãos Marx: Comediantes com o mesmo apelo atemporal de Chaplin, mas desta vez usando o som como recurso, o tresloucado quarteto (e, mais tarde, trio) foi capaz de criar situações engraçadíssimas, usando o nonsense com maestria.

2- The Marx Brothers: Comedians with the same timeless approach as Chaplin, but this time using the sound as a resource, the zany quartet (and later, a trio) was able to create very funny situations, using nonsense like no other.

3- Filmes mudos: Crianças pequenas tendem a ser mais tolerantes que as mais velhas. Assim, elas provavelmente não torcerão o nariz de cara para os filmes mudos. Além de Chaplin, as comédias de Buster Keaton, Harold Lloyd e O Gordo e o Magro são ótimas pedidas. Só não vale passar Griffith para o pimpolho.

       3- Silent movies: Little children are usually more tolerant than the older ones. Being like that, they probably won’t deny watching silent movies. Besides Chaplin, the comedies by Buster Keaton, Harold Lloyd and Laurel and Hardy are great starting points. You only can’t show little ones Griffith melodramas or you’ll traumatize them.

         4-O Mágico de Oz: Hoje no Brasil esse não é o clássico absoluto da infância, mas em outros países ele é a porta para o mundo do cinema. A voz de Judy Garland, a turma carismática, a história comovente e a mensagem edificante o transformaram em um filme incrível e adorado por pessoas de todas as idades em todos os lugares,

   4- The Wizard of Oz: Today in Brazil this isn’t the absolute classic film associated with childhood, but in other places it’s the opening door to the world of cinema. Judy Garland’s voice, the charismatic troupe, the moving plot and the uplifting message make it a great movie beloved by people of all ages in all places.


 5- Filmes de Walt Disney: Disney produziu longas de 1937 a 1967, a Era de Ouro de seu estúdio. Assim como eu fui, milhões de crianças são familiarizadas com essas produções desde cedo e, posso dizer por experiência própria, é uma ótima maneira de se tornar cinéfilo.

 5- Films by Walt Disney: Disney himself made features from 1937 to 1967, the Golden Age of his studio. Like I was, millions of children are introduced to these productions since an early age and, as I can say from my own experience, it’s a great way to become a cinephile.

6- A Noviça Rebelde: Uma freira bondosa conquista sete crianças determinadas a infernizar todas as governantas que o pai contrata. Ela também amolece o coração do severo viúvo Capitão Von Trapp. Em meio aos perigos do nazismo e às paisagens deslumbrantes da Áustria, o filme conquistou milhões de fãs e tem especial apelo junto ao público infantil.

 6- The Sound of Music: A kind nun steals the hearts of seven children who used to make a hell of the lives of all nannies their father hires. She also softens the heart of the rigid widower Captain Von Trapp. Amidst the dangers of Nazism and the breathtaking backgrounds in Austria, the film conquered millions of fans and has a special appeal for the children.

 7- Clássicos infantis: Vale “As aventuras de Huckleberry Finn”, “Lassie”, “A mocidade é assim mesmo”, “A felicidade não se compra” e outros filmes inspiradores. Há sempre uma série de clássicos da infância que são indispensáveis na formação de qualquer ser humano (e não só “O Pequeno Príncipe”).

7- Childhood classics: Here you can use “The Adventures of Huckleberry Finn”, “Lassie”, “National Velvet”, “It’s a Wonderful Life” and other inspiring movies. There is always a list of childhood classics that are necessary to build up any human being (and not only “The Little Prince”). 

8- Musicais: Esteticamente apelativos; coloridos e singelos, os musicais antigos tendem a agradar às crianças. Através de belas músicas, grandes coreografias e intérpretes, filmes como “Agora seremos felizes”, “Desfile de Páscoa” e “Sete noivas para sete irmãos” são boas opções.   

 8- Musicals: Aesthetically pleasing; colorful and charming, the old-time musicals usually conquer the children. Through beautiful songs, great choreographies and amazing singers, films like “Meet Me in St Louis”, “Easter Parade” and “Seven Brides for Seven Brothers” are good options.


9- Faroestes (não muito sangrentos): Talvez essa sugestão agrade mais aos meninos. Num episódio da série “Modern Family” o garoto Luke faz amizade com um senhor da vizinhança que lhe aconselha assistir a filmes como “Matar ou Morrer” ou “Os brutos também amam”. E não é que é um bom conselho?

9-  Westerns (but not very bloody): Maybe this suggestion will please more boys than girls. In an episode of the series “Modern Family” the boy Luke becomes friends with a senior from his neighborhood who suggests him to watch movies like “High Noon” and “Shane”. And it’s good advice!

10- Filmes de Gene Kelly: Responsável por alguns dos maiores e melhores musicais da História, Gene era talentoso, carismático, bonito e se dava muito bem com crianças! Prova disso é o número “I´ve got rhythm” de “Sinfonia de Paris”.

 10- Gene Kelly movies: Responsible for some of the biggest and best musicals in History, Gene was talented, charistmatic, handsome and great with children! Proof: the number “I’ve got rhythm” from “An American in Paris”.


 11- Filmes de Mickey Rooney: Hoje ele é um velhinho simpático, mas Mickey foi uma espécie de criança prodígio, protagonizando sua própria série de filmes singelos e vários musicais alto-astral com Judy Garland.

 11- Mickey Rooney movies: Today he is a nice old man, but Mickey was a kind of prodigious child, as the lead of his own series of charming movies and many high-spirited musicals with Judy Garland.

12- Filmes de Shirley Temple: Quer exemplo melhor para uma criança que ver outra criança se divertindo nas telas? Shirley foi queridinha de uma geração, ganhou um Oscar aos seis anos e, de certa forma, ajudou um país inteiro a passar pela recessão econômica durante a Grande Depressão. Talvez ela ajude os mais novos a gostar de cinema!

12- Shirley Temple movies: Do you want a better example for children than another child having fun on screen? Shirley was the darling of a generation, won an Oscar at age six and, in a way, helped a whole country go through the economic recession during the 1930s. Maybe she could help youngsters like cinema!

 


Tomara que essas ideias possam dar origem a uma nova geração de amantes dos clássicos. Agora é só colocar em prática. Se você não tem fillhos, pegue aquele sobrinho, priminho, vizinho ou criança mais quietinha que você conheça e ponha em prática essa saudável maratona cinematográfica com sua cobaia infantil. Ou (por que não?) redesperte a sua infância e aproveite esses clássicos para todas as idades.

I hope these ideas can kickstart a new generation of young classic film lovers. Now it’s your turn. If you don’t have children, get that nephew, young cousin, neighbor or another quiet children you know and do a healthy marathon with your young guinea pig. Or (why not?) relive your childhood and enjoy these classics for all ages.

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