} Crítica Retrô: Rosalind Russell

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Rosalind Russell. Show all posts
Showing posts with label Rosalind Russell. Show all posts

Tuesday, April 17, 2018

William Holden’s guide to a Picnic (1955)

  Um guia de William Holden para ter "Férias de Amor" (1955)

 
A primeira vez em que eu vi William Holden foi em uma propaganda do filme “Férias de Amor”. Eu me lembro bem de seu peito nu. Mas eu não me apaixonei por Holden naquele instante. Demoraria algum tempo até que eu fosse ver os seus filmes, incluindo “Férias de Amor”. A visão do peito dele não mudou minha vida, mas mudou a de Kim Novak, Rosalind Russell, Berry Field e Susan Strasberg.

The first time I ever saw William Holden, it was in a commercial for “Picnic”. I remember well his bare torso. But I didn't fall in love with him right then. It would take me some time to watch his films, including “Picnic”. The sight of his torso didn't change my life like it did for Kim Novak, Rosalind Russell, Betty Field and Susan Strasberg.
Em “Férias de Amor”, William Holden interpreta Hal Carter, um homem sem rumo que acaba de chegar a uma cidadezinha do Kansas, onde more um velho amigo da faculdade que ele acredita que poderá ajudá-lo. A primeira pessoa que se torna amiga de Hal é a senhora Helen Potts (Verna Felton), vizinha da família Owens. A senhora Potts, as Owens e praticamente todos na cidade irão a um piquenique para comemorar o Dia do Trabalho naquela tarde, e Hal é também convidado para o evento – e nem imagina que isso mudará sua vida.

In “Picnic” William Holden plays Hal Carter, a man without a plan that has just arrived to a small city of Kansas, going after his friend from college, who may help him. The first person Hal befriends is the nice Mrs Helen Potts (Verna Felton), neighbor to the Owens family. Mrs Potts, the Owens and basically everybody else in town will attend the Labor Day Picnic that afternoon, for which Hal is invited – not knowing it'd change his life.
Aqui está o guia de William Holden de como se comportar em um piquenique:
Here it is William Holden's guide on how to behave in a picnic:

1- Convide uma garota para ir ao piquenique com você – mesmo se você a tiver conhecido apenas algumas horas atrás. Seja muito legal com ela. Se ela é uma moleca, assim como Millie (Susan Strasberg), é uma boa ideia apostar corrida até o carro e ir cantando músicas populares até o local do piquenique.

1- Invite a girl to go to the Labor Day Picnic with you – no matter if you have met her f0r only a few hours. Be very nice to her. If she is a tomboy, like Millie (Susan Strasberg), it's a good idea to race her to the car and to sing old folk songs from home until the picnic.
2- Não se envergonhe por ter de pedir emprestadas as roupas de outra pessoa. Talvez você precise da ajuda de um colega da faculdade para ficar bonito! E ninguém te julgará se você tirar o paletó no meio do evento.

2- Don't be ashamed to ask for someone else's clothes. Maybe you'll need the help from a friend from college to look dapper! And nobody will judge you if you take off your blazer in the middle of the party.

3- Veja se as mães estão de olho nos seus filhos – se cordas forem necessárias para garantir a segurança, tudo bem.

3- Be sure that mothers are keeping an eye on their kids – if ropes are necessary for this to happen, OK.
4- Participe de jogos divertidos, mesmo que eles pareçam bobos. A corrida com três pernas é um clássico!

4- Engage in fun games, no matter if they look silly. The three-legged race is a classic!

5- Saiba que, para algumas pessoas, o piquenique é um evento social que pode mudar a vida delas para sempre. É o caso de Flo (Betty Field), uma mulher simples que quer que sua filha se case com um herdeiro.

5- Know that, for some people, the picnic means a social gathering in which their lives can change forever. This happens to Flo (Betty Field), a simple woman who wants her daughter to get married to a heir.
6- Saiba que, para outras pessoas, um piquenique traz tristeza e ressentimento. É o caso de Madge (Kim Novak), que está cansada de ser considerada apenas uma garota bonita, e Alan Benson (Cliff Robertson), que tem problemas com o pai e vai falar umas verdades para seu velho amigo da faculdade.

6- Know that, for other people, a picnic brings sorrow and resentment. This happens to Madge (Kim Novak), who is tired of being just a pretty girl and nothing else, and Alan Benson (Cliff Robertson), who has troubles with his father and is ready to tell what he really thinks about his old college friend.

7- Não tenha medo de mostrar os passos de dança que você conhece.

7- Don't be afraid to show the moves you've got.
8- Saiba que haverá um momento em que você pensará que existem no mundo somente você e a pessoa por quem você se apaixonou.

8- Know that there will be a moment when you'll think that there are only you and the person you fell in love with in the world.

9- Entenda que algumas pessoas sofrem muita pressão durante um piquenique e podem beber demais. A senhorita Rosemary Sydney (Rosalind Russell), uma professora solteirona, passa por isso durante seu encontro com o comerciante Howard (Arthur O'Connell). Tenha paciência com pessoas que se embebedam em piqueniques.

9- Understand that some people are in a lot of  pressure during a picnic and may drink too much. Miss Rosemary Sydney (Rosalind Russell), a spinster schoolteacher, goes through this in her date with businessman Howard (Arthur O'Connell). Be patient with people who get drunk at picnics.
10 – Tudo é muito divertido até que você é acusado de fazer algo que não fez e tudo sai do controle. Quando isso acontece, escolha bem quem será sua companhia na fuga, com quem você dividirá seus segredos.

10- Everything is all fun and games until you're accused of doing stuff you haven't done and everything spirals out of control. When this happens, choose wisely who will be your escape companion with which you'll share your secrets.
As coisas começam a esquentar a partir daqui. “Férias de Amor” é um filme charmoso, com um clima agradável até a metade e um ritmo completamente diferente a partir de então. Devemos prestar atenção a Rosalind Russell, em uma performance perfeita com boa dose de ridículo – não no sentido engraçado, mas no sentido de que sentimos pena de sua personagem. O piquenique pode ser o destaque do filme, mas é também só o ponto de partida para mudanças em muitas vidas.

Things will just start heating from here. “Picnic” is a charming movie, with a nice feeling until half the projection, and a completely different pace from then on. We must pay attention to Rosalind Russell, in a perfect performance with a good amount of ridiculousness – not in the humorous sense, but in the sense that we may feel sorry for her character. “Picnic” may be the title of the movie, but it's just the starting point for changes in many human lives.

This is my contribution to the 3rd Golden Boy Blogathon, hosted by Virginie, Michaela and Emily at The Wonderful World of Cinema, Love Letters to Old Hollywood and The Flapper Dame.

Friday, June 28, 2013

“Jejum de Amor / His girl Friday”: Rosalind Russell em seu melhor momento

Melhor que uma boa comediante, só uma boa atriz dramática que também atua em excelentes comédias. Exemplos não faltam: Barbara Stanwyck, Katharine Hepburn, Sophia Loren ou mesmo Myrna Loy e Carole Lombard, que começaram com papéis mais sérios. A exemplo de suas duas colegas da década de 1930, Rosalind Russell também fez dramas, mas se destacou em comédias. “Jejum de Amor / His Girl Friday” (1940) talvez seja a melhor delas.
Hildegarde ‘Hildy’ Johnson (Russell) é uma intrépida repórter e ex-esposa do chefe do jornal, Walter Burns (Cary Grant). Após o divórcio e alguns meses de férias, ela está de volta apenas par avisar que não voltará. Ela decidiu levar uma vida normal, de dona de casa, se casando com o pacato vendedor de seguros Bruce Baldwin (Ralph Bellamy). Hildy chega com a notícia no dia em que a redação do jornal está em polvorosa devido ao iminente enforcamento de Earl Wlliams, um cidadão qua, ao ver-se desempregado, atirou em um policial. Isso seria corriqueiro se muitos interesses políticos não estivessem por trás do enforcamento.
Foi inevitável minha sensação de déja vù: o roteiro é baseado na peça “The Front Page”, e já foi levado às telas em outras duas ocasiões. Novamente, esses remakes não fariam diferença não fosse o fato de o diretor Howard Harks ter feito uma mudança crucial: no original, Hildy é um homem. Enquanto fazia testes, Hawks pediu que sua secretária lesse as falas de Hildy para ele acompanhar e acabou gostando da ideia de adicionar um toque de romance ao filme. Entretanto, essa mudança repentina foi seguida de várias negativas de grandes comediantes, como Jean Arthur, Carole Lombard, Ginger Rogers, Claudette Colbert e Irene Dunne. Rosalind, aparecendo para fazer o teste logo após um mergulho na piscina, ficou um pouco chateada por não ter sido a primeira opção.
Catherine Rosalind Russell nasceu em 1907 e começou no cinema em 1934. Seu primeiro passo para o estrelato em comédias foi em “As Mulheres / The Women” (1939), em que rouba a cena ao morder Paulette Goddard. Durante as filmagens de “Jejum de Amor / His Girl Friday”, Rosalind acreditava que suas falas não eram muito engraçadas, e por isso contratou um publicitário para criar frases espirituosas. Como Howard Hawks permitia que seus atores improvisassem, Roz usou vários desses gracejos. Emprestada pela MGM para a Columbia, além de um papel excelente, Roz também conseguiu um marido através das filmagens: foi seu colega Cary Grant que a apresentou ao produtor Frederick Brisson, o pai de seu único filho, com quem ficou por 35 anos.
De fato, um dos atores mais engraçados do cinema é Cary Grant, e seu mérito é nunca ter sido considerado primeiramente um comediante, como acontecia com Groucho Marx, W. C. Fields, Harold Lloyd ou Charles Chaplin. Assim, Grant empresta parte de seu charme e graça às suas protagonistas, como acontece aqui com Rosalind. Outros exemplos notáveis são as parcerias com Ann Sothern em “A noiva era ele / I was a male war bride” (1949), com Leslie Caron em “Papai Ganso / Father Goose” (1955) e com Audrey Hepburn em “Charada” (1963), além dos quatro inesquecíveis filmes com Katharine Hepburn de 1934 a 1940.
Novamente Grant se coloca entre a ex-esposa e um pretendente, tentando sabotar o relacionamento, como faz seu personagem em “Cupido é moleque teimoso / The awful truth” (1937). Neste filme Grant também atrapalhou as intenções amorosas de Ralph Bellamy (indicado então ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) com sua ex-esposa, aqui interpretada por Irene Dunne. Durante "His girl Friday", em uma das vezes em que o personagem de Ralph vai preso, Cary Grant liga para a delegacia e descreve-o como "parecendo-se com aquele ator, Ralph Bellamy", em uma das melhores piadas do filme. 
“The Front Page” estreou na Broadway em 1928, com Osgood Perkins (pai de Anthony Perkins) no papel de Walter e Lee Tracy como Hildy. Os autores haviam sido jornalistas em Chicago. A peça foi adaptada para cinema em 1930, com Pat O’Brien e Adolphe Menjou, e em 1974, com Jack Lemmon e Walter Matthau (e dirigida por Bill Wilder), sendo esta última a versão responsável por meu déja vù. Pode soar estranho o final, em que (SPOILER) Lemmon desiste do casamento para voltar a trabalhar com Matthau, mas tendo em consideração a histórica parceria da dupla, relevei o fato e até considerei o final justo. Em “Jejum de Amor / His girl Friday”, obviamente o final soa bem melhor e, apesar de previsível, é providencial e delicioso. Hawks acertou mais uma vez com sua pequena mudança. Aliás, o título enigmático original, "His Girl Friday", é bem mais perspicaz do que o original "The Front Page". No livro Robinson Crusoé, de William Defoe, o náufrago protagonista encontra ajuda no índio sexta-feira (Friday), de onde surge a expressão "his man Friday", que significa "o braço direito", "o maior ajudante" de alguém. Como Hildy é de Walter. 
Em 1988, novamente Hildy virou mulher, interpretada por Kathleen Turner em "Troca de Maridos / Changing Channels", ao lado de Burt Reynolds. Novamente, uma conexão: Kathleen Turner é a narradora do documentário: "Life is a banquet: The life of Rosalind Russell", feito em 2009.
Ainda com alguns jornalistas em busca de furos, mas sem atos inescrupulosos como em outros filmes sobre o tema ("A montanha dos sete abutres / Ace in the hole", de 1951 sendo talvez o mais emblemático), este filme de diálogos frenéticos e muito divertidos, este filme não seria o mesmo sem a excelente e divertida Rosalind Russell, ganhadora de cinco Globos de Ouro e uma das mais notáveis atrizes de Hollywood.
 "Jejum de Amor / His girl Friday" está disponível no YouTube e no Internet Archive. Abaixo, uma versão com legendas em português.

This is my contribution for the "Funny Lady Blogathon", hosted by Movies, Silently, one of the most amazing blogs I've discovered lately. 
Marion Davies

Thursday, May 30, 2013

What’s my Line?

A fórmula é muito simples: adivinhar o que a pessoa faz podendo fazer apenas perguntas a serem respondidas com “sim” ou “não”. Essa brincadeira simples e até infantil de adivinhação deu origem a um dos mais duradouros a amados programas de televisão: o original “What’s my Line?” ficou no ar por 17 anos, entre 1950 e 1967, não sem passar por algumas situações curiosas e trágicas.
A televisão ainda era um meio de comunicação jovem e raro quando surgiu o programa de meia hora nas noites de domingo. Quatro pessoas sentadas em um painel deveriam adivinhar a profissão do convidado. Quando vinha o convidado misterioso, alguém facilmente reconhecível, os competidores usavam máscaras e o travesso convidado disfarçava a voz. Quanto mais diferente a profissão ou quanto mais o convidado enganasse os competidores, melhor para o público. Eu, pessoalmente, adoro quando os competidores não acertam!


Vários esportistas, em especial do mundo do beisebol, foram direto do campo, onde haviam jogado minutos antes, para o estúdio, aparecendo ao vivo no programa. Com certeza os mais divertidos são os artistas convidados, e eu recomendo que vocês vejam os clipas das participações de Yul Brynner e Rosalind Russell.
Uma das principais competidoras no painel era a jornalista Dorothy Kilgallen, que foi morta em 1965. Horas antes, ela havia aparecido ao vivo no episódio em que Tony Randall participa do painel. Tendo várias informações sobre o caso entre Marilyn e John Kennedy, e também havendo a possibilidade de ela saber algo sobre a morte do presidente, a morte de Dorothy foi considerada uma queima de arquivo. Mesmo assim, havia rumores de que ela sofrera uma overdose, pois não eram poucos os boatos de que Dorothy tinha problemas com drogas e bebida, e algumas pessoas garantem que ela aparece um pouco bêbada em alguns episódios. Em todo caso, Dorothy não era a competidora mais querida, uma vez que era muito competitiva e preferia acertar logo a satisfazer o público.
Arlene Francis talvez seja a competidora mais querida e, muitas vezes, a mais divertida. Ela ficou do segundo ao último programa, e só o apresentador John Daly apareceu em mais episódios do que ela.

Ao assistir a esse adorável programa de TV, temos a mesma sensação de ver filmes antigos, e podemos até falar o mesmo: os programas não são mais como antigamente!  

Thursday, December 15, 2011

As Mulheres / The Women (1939)

Muito mais do que uma suntuosa reunião do melhor do elenco feminino da MGM na década de 1930, tal filme é um verdadeiro campo de batalha em que essas talentosas mulheres se engalfinham. Em um all-star movie apenas com intérpretes do chamado “sexo frágil”, foi possível construir uma história divertida em que não poderia faltar ciúme, traição, fofoca, clichês do mundo das mulheres, mas também muito charme. 
Mary (Norma Shearer) fica sabendo, por meio de boatos espalhados em um salão de beleza, que seu marido está tendo um caso com a vendedora Crystal (Joan Crawford, nossa antagonista favorita). Já Sylvia (Rosalind Russell) tem como plano casar-se para em seguida se divorciar, sobrevivendo da pensão do marido. Quando Mary sai de casa, levando a filha em uma viagem de trem, ela conhece Mirian (Paulette Goddard), amante do marido de Sylvia, e a Condessa DeLave (Mary Boland) que, saindo de seu quarto casamento e usando como lema a expressão “l’amour, l’amour”, convida Mary a passar um tempo em um rancho, onde as mulheres vão para conseguir o divórcio mais rápido.
Só faltaram Greta Garbo e Myrna Loy
O filme se originou de uma peça de mesmo nome que estreou dois anos antes da produção cinematográfica. Para a adaptação, uma valiosa contribuição foi o escritor e por vezes roteirista F. Scott Fitzgerald que, contudo, não foi creditado. Outra responsável pelo roteiro foi Anita Loos, que escrevia desde os tempos do cinema mudo e pôs suas mãos em sucessos como “San Francisco” (1936) e “Os Homens preferem as Loiras / Gentlemen prefer Blondes” (1953).

Assim como na peça, no filme todo o elenco é do sexo feminino (incluindo os animais!), somando cerca de 130 mulheres em cena. As únicas exceções, bem pequenas, são o desenho de um touro no desfile de moda e um anúncio em uma revista. Com tantas garotas no mesmo lugar, não podia deixar de acontecer uma rixa: Norma Shearer e Joan Crawford não se deram muito bem. Quando as duas eram chamadas para fotografarem juntas para cartazes do filme, nenhuma atendia o chamado até George Cukor ir chamá-las pessoalmente, quando, então, se tratavam cordialmente. Joan fazia barulho tricotando enquanto Norma precisava de silêncio para rodar suas cenas. Quem disse que a primeira briga de Joan foi com Bette Davis em “O que teria acontecido a Baby Jane / Whatever happened to Baby Jane”? 

O diretor responsável por todas essas moças foi George Cukor, que um mês antes do início das filmagens foi despedido do elenco de “E o vento levou...”. Enquanto dirigia este filme, as atrizes Viven Leigh e Olivia de Havilland iam secretamente à casa dele para ensaiarem seus papéis no épico sobre a Guerra Civil. Curiosamente, ele estava dirigindo Joan Fontaine, irmã de Olivia, em “As Mulheres”.
Norma Shearer, já viúva do poderoso Irving Thalberg (morto prematuramente em 1936), era uma das maiores estrelas da época, sendo, em 1939, a única do elenco a ter um Oscar. Alguns de seus momentos são exagerados, bem ao estilo do cinema mudo, a exemplo da cena em que chora no colo da mãe. Em minha opinião de feminista, sua melhor fala é “I´ve had two years to grow claws, mother. Jungle red!” (Eu tive dois anos para as garras crescerem, mãe. Vermelho selvagem!”), indo lutar pelo marido. 

O elenco coadjuvante dá um show à parte. Paulette Goddard tem um de seus grandes momentos ao ser mordida por Rosalind Russell, quando esta descobre que ela é quem vai se casar com seu ex-marido. Para a divertida cena ambas as atrizes entraram no espírito: Paulette dispensou uma dublê e Roz mordeu-a com força, deixando uma cicatriz em sua perna.
Mesmo se tratando de uma comédia, o filme tem seus méritos ao mostrar a sociedade da época. De um lado estão as mulheres que caçam maridos, casam-se diversas vezes ou vivem de fofocas nos salões de beleza. De outro estão aquelas que decidem deixar uma vida infeliz a dois e recomeçar, não importa quão difícil isso seja, procurando um emprego e novos relacionamentos. Afinal, na década de 1930 as mulheres divorciadas ainda eram um pouco mal-vistas pela sociedade, em especial em lugares mais conservadores (o que nunca foi o caso de Hollywood).
Tendo estreado em 1939, o excelente filme ficou à sombra de estreias maiores, como “E o vento levou / Gone with the Wind”, “Gunga Din”, “O Morro dos ventos uivantes / Wuthering Heights” e “Ninotchcka”. Por isso, o filme não levou uma indicação sequer no Oscar.  Seu visual, porém, é muito belo, contando, ainda, com uma sequência primorosa a cores mostrando um desfile de modas. 

Em 1956 foi filmada uma versão musical do filme com o título “O Belo Sexo / The Opposite Sex”, tendo no elenco Agnes Moorehead, June Allyson e Ann Miller. No ano de 2008, mais uma vez a história foi levada às telas, com um elenco que incluía Debra Messing, Anette Bening, Meg Ryan e Bette Midler. Mesmo assim, nenhuma das duas produções conseguiu o mesmo charme do original. Mas elas mostram uma coisa: divas duelando são sempre bem vindas no cinema.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...