} Crítica Retrô: Robert Walker

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Saturday, June 8, 2024

O Ponteiro da Saudade (1945) / The Clock (1945)

 

Ela tinha 23 anos e estava apaixonada quando chegou a oportunidade de mostrar que ela era mais que uma carinha bonita com uma voz maravilhosa. Estamos falando de Judy Garland e seu filme romântico “O Ponteiro da Saudade” (1945).

 

She was twenty-three and in love when the opportunity arrived to show that she was more than a pretty face with a marvelous voice. We are talking about Judy Garland and her 1945 romantic movie “The Clock”.

Joe Allen (Robert Walker) é um soldado que tem dois dias de licença para explorer Nova York. Ele sequer havia deixado a estação de trem Pennsylvania Station quando Alice (Judy Garland) tropeça nele e quebra o salto do sapato. Você sabe, o jeito mais fofo de conhecer alguém. Ele a ajuda a consertar o sapato, e os dois passeiam juntos naquela tarde de domingo, indo ao Zoológico do Central Park e ao Metropolitan Museum of Art. Eles combinam de se encontrar novamente naquela noite.

 

Joe Allen (Robert Walker) is a soldier during his two-day leave in New York. He hasn’t left the Pennsylvania Station when Alice (Judy Garland) stumbles upon him and breaks the heel in her shoe. You know, it’s just the cutest of all meet-cutes. He helps her repair the shoe, and the two hang out that Sunday afternoon, going to the Central Park Zoo and the Metropolitan Museum of Art. They agree to meet again that night.

A colega de quarto de Alice, Helen (Ruth Brady), não se mostra animada quando ouve que Alice conheceu um soldado e vai sair com ele. Helen quase convence Alice a nunca mais ver Joe, mas o coração da garota fala mais alto e eles partem juntos em uma aventura.

 

Alice’s flatmate Helen (Ruth Brady) is less than thrilled when she hears that Alice met a soldier and is going out with him. Helen almost convinces Alice to never see Joe again, but the girl’s heart speaks louder and they go on an adventure together.

Se a premissa deste filme soa familiar, é porque você é fã de cinema clássico. Ela de fato tem coisas em comum com o filme musical de 1949 “Um Dia em Nova York”, que tem três marinheiros numa licença de dois dias explorando e se apaixonando em Nova York. O musical original “On the Town” estreou na Broadway em 1944.

 

If the premise of this movie sounds familiar, it’s because you’re a classic film fan. It indeed shares similarities with the 1949 musical movie “On the Town”, that has three sailors on a two-day leave enjoying life and love in New York. The original musical “On the Town” opened on Broadway in 1944.

“O Ponteiro da Saudade” é baseado numa história de Paul e Pauline Gallico. A dupla com um nome auspicioso vendeu a história antes da publicação para o produtor Arthur Freed, que sabia que Judy Garland estava à procura de um papel mais dramático, e mostrou à estrela a história. Ela gravou algumas cenas com o diretor Fred Zinnemann mas não ficou feliz com o resultado. Ela então pediu que Vincente Minnelli fosse o diretor, e durante as filmagens o romance entre os dois se aprofundou. Eles se casaram após o fim das filmagens.

 

“The Clock” is based on a story by Paul and Pauline Gallico. The duo with an auspicious name sold their unpublished story to producer Arthur Freed, who knew Judy Garland was looking for a more dramatic role to play, and showed her the story. She shot some scenes with director Fred Zinnemann but wasn’t happy with the results. She then asked for Vincente Minnelli to direct the movie, and throughout filming their romance blossomed. They got married after the film wrapped.

Roubando a cena exatamente na metade do filme como um bêbado inconveniente – numa cena gravada num impressionante take contínuo – temos Keenan Wynn. Um prolífico ator coadjuvante, Wynn nasceu em Nova York em 1916, filho de um ator de vaudeville, Ed Wynn. Como contratado da MGM nas décadas de 1940 e 1950 e depois como ator convidado na TV, ele apareceu em quase 300 produções.

 

Stealing the scene exactly halfway through the movie as an inconvenient drunk – in a scene recorded in an impressive countinuous shot – we have Keenan Wynn. A prolific character actor, Wynn was born in New York City in 1916, the son of a vaudeville actor, Ed Wynn. As a contract player on MGM in the 1940s and 1950s and later as a TV guest star, he appeared in almost 300 productions.

Ambos os protagonistas de “O Ponteiro da Saudade” tiveram vidas tragicamente curtas. Robert Walker tinha recebido a notícia, logo antes do começo das filmagens, de que sua esposa Jennifer Jones o estava deixando para se casar com o produtor David O. Selznick. Walker recorreu à bebida para esquecer sua dor e não era raro que Judy Garland o encontrasse bêbado à noite num bar próximo do estúdio. Ele morreria em 1951, aos 32 anos. Durante as filmagens de “O Ponteiro da Saudade”, Garland ficou mais viciada nas pílulas que o estúdio lhe dava para manter o peso. Ela morreria em 1969, aos 47 anos.

 

Both leads of “The Clock” had tragically short lives. Robert Walker had learned, just before the shooting of this film started, that his wife Jennifer Jones was leaving him to marry producer David O. Selznick. Walker drank to forget his sorrows and it wasn’t rare for Judy Garland to find him drunk at night in a bar near the studio. He would die in 1951, aged 32. During filming “The Clock”, Garland got more and more addicted to the prescription drugs she was given by the studio to keep her figure. She would die in 1969, aged 47.

Alguns detalhes no enredo não fariam sentido hoje, quando quase todo mundo tem um smartphone. O aparelho ajudaria Alice a avisar Joe que se atrasaria para o encontro debaixo do relógio no Hotel Astor, e todo o problema do casal separado no metrô seria resolvido com uma troca de mensagens de texto.

 

Some plot points wouldn’t make sense today, now that almost everybody has a smartphone. The device would help Alice tell Joe that she would be late for their encounter under the clock on the Astor Hotel, and the whole problem of the two separated in the subway could be solved with an exchange of text messages.

O título no Brasil para este filme é “O Ponteiro da Saudade”. “Saudade” é uma palavra que só existe em português. Quando Joe e Alice se separam, uma separação inevitável que o filme todo vinha anunciando, é isso que permanece: saudade. Para nós, que apreciamos uma hora e meia de um adorável romance, o que sobre é o desejo de que eles se verão novamente. Só nos resta esta esperança.

 

The title in Brazil for this film is “O Ponteiro da Saudade”. “Saudade” is a word that exists only in Portuguese and means something like longing and missing something or someone. When Joe and Alice part, an inevitable separation that the whole movie had been announcing, is this that remains: saudade. For us, who enjoyed an hour and a half of a lovely romance, what remains is the wish that they will be reunited. We can only hope.

 

This is my contribution to the Third Judy Garland blogathon, hostred by Crystal and Kristen at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Hoofers and Honeys.

Monday, December 24, 2018

Vênus, a Deusa do Amor (1948) / One Touch of Venus (1948)


Há muitas atrizes do cinema clássico que poderiam ser chamadas de deusas – atrizes demais para citar aqui. Mas foram poucas que de fato interpretaram deusas nas telas. Uma delas foi Rita Hayworth em “Quando os Deuses Amam” (1947). No ano seguinte, outro filme sobre uma deusa que vem à Terra e se apaixona por uma mortal foi feito: “Vênus, a Deusa do Amor”. A atriz sabiamente escolhida para interpretar a deusa foi Ava Gardner.

There were many classic film actresses that could be called goddesses – like, too many to mention. But only a handful of them went on to actually play goddesses on screen. One of them was Rita Hayworth in “Down to Earth” (1947). The following year, another movie about a goddess who comes to Earth and falls in love with a mortal was made: “One Touch of Venus”. The actress wisely chosen to play the love goddess was Ava Gardner.


Os créditos passam por cima de um anfiteatro grego. Quando eles acabam, Eddie Hatch (Robert Walker) aparece por trás do anfiteatro, revelando que este era um modelo em uma vitrine. O atrapalhado Eddie é então chamado por seu chefe Savory (Tom Conway) para consertar as pregas de uma cortina que cobre a estátua da deusa do amor, Vênus. Eddie fica encantado com a estátua e, depois de tomar uma taça de champanhe, a beija. Um trovão se escuta e a estátua se torna viva. Agora, Eddie está com problemas e Vênus, a deusa do amor (Ava Gardner) só vai criar mais confusão.

The credits roll over a Greek amphitheatre. When we’re done with the credits, Eddie Hatch (Robert Walker) appears behind the amphitheatre, revealing that it was a window shop model. Clumsy Eddie is then called by his boss Savory (Tom Conway) to fix a curtain drape that covers a statue of the love goddess Venus. Eddie becomes infatuated by the statue and, after one glass of champagne, he kisses it. A thunder is heard and the statue comes to life. Now Eddie is in trouble, and Venus, the love goddess (Ava Gardner) will only bring him more problems.


Primeiro, Eddie é acusado por seu chefe de ter roubado a estátua. Ele diz a verdade ao chefe e à polícia, mas ninguém acredita que uma estátua de mármore simplesmente saiu andando. Eddie é mandado para casa, onde recebe cuidados do amigo Joe (Dick Haymes) e da namorada Gloria (Olga San Juan). Logo Vênus reaparece, e eles têm de fugir para escapar da fúria ciumenta de Gloria.

First, Eddie is accused by his boss of stealing the statue. He tells him and the police the truth, but nobody believes that a marble statue simply walked away. Eddie is sent home, where he is helped by his friend Joe (Dick Haymes) and his girlfriend Gloria (Olga San Juan). Soon Venus reappears there, and they have to run away to escape Gloria’s jealous fury.

Na sua forma humana, Vênus não usa seus poderes com frequência – só em momentos cruciais. Seu maior poder é a sedução, e quando ela descende do Olimpo, o amor fica no ar. Além disso, ela só quer se divertir aqui na Terra durante alguns dias. Considerando sua beleza, sex appeal e personalidade de amante da diversão, podemos dizer que a escolha da jovem Ava Gardner, então com 23 anos, foi perfeita.

In her human form, Venus doesn’t use her powers often – only in crucial moments. Her biggest power is seduction, and when she descends from the Olympus, love gets in the air. Moreover, she just wants to have fun while she is spending a few days on Earth. Considering her beauty, sex appeal and fun-loving personality, we can say that choosing young Ava Gardner, then 23, was a perfect move.


Se você só conhece Robert Walker como o sinistro Bruno de “Pacto Sinistro” (1951), você terá uma grande surpresa. Ele é muito engraçado como Eddie, fazendo caras e boas exageradas e parecendo tão desconcertado com o que acontece quanto Cary Grant em “Este Mundo é um Hospício” (1944). Outra boa performance é de Eve Arden, que interpreta a secretária de Savory, Molly, que é apaixonada pelo patrão. Ela tem várias frases de efeito engraçadas e também brilha com suas expressões faciais.

If you’re only familiar with Robert Walker as the sinister Bruno in “Strangers on a Train” (1951), you’re in for a huge surprise. He is very funny as Eddie, making exaggerated faces and appearing as flabbergasted by all the action as Cary Grant is in “Arsenic and Old Lace” (1944). Another great performance is Eve Arden’s, who play Savory’s secretary Molly, who is in love with her boss. She has many hilarious one-liners and also shines with her facial expressions.


“Vênus, a Deusa do Amor” é um filme de fantasia e comédia romântica e é também um musical. Há três números musicais, e em todos eles a voz de Ava Gardner é dublada por Eileen Wilson. Em sua curta carreira de apenas 12 filmes, Eileen dublou atrizes como Jane Russell em “Os Homens Preferem as Loiras” (1953) e Ava em três ocasiões: “Mercador de Ilusões” (1947), “Lábios que Escravizam” (1949) e aqui em “Vênus, a Deusa do Amor”.

One Touch of Venus” is a romantic comedy-fantasy and also a musical. There are three musical numbers, and in all three Ava Gardner’s singing voice is dubbed by Eileen Wilson. In her short career that lasted only 12 films, Eileen dubbed actresses like Jane Russell in “Gentlemen Prefer Blondes” (1953) and Ava in three occasions: in “The Hucksters” (1947), “The Bribe” (1949) and here in “One Touch of Venus”.


A trama tem origem em um fato histórico misturado a um mito grego. A influência histórica é o templo de Vênus na cidade grega de Tessalônica, construído no século VI a.C. - e ainda preservado. O mito em questão é o mito de Pigmaleão, um escultor talentoso que se apaixonou por uma de suas criações. Vênus, a deusa do amor, foi ao seu estúdio ver as estátuas e, comovida com a estátua em questão, chamada Galateia, deu vida a ela.

The plot is originated in a historical fact mixed with a Greek myth. The historical influence is the temple of Venus in the Greek city of Thessaloniki, built in the 6th century B.C. - and  preserved until today. The myth in question is the myth of Pygmalion, a talented sculptor who fell in love with one of his creations. Venus, the goddess of love, went to his studio to see his statues and, moved by his devotion to the statue named Galatea, brought it to life.

With director William A. Seiter
É inevitável a comparação entre “Vênus, a Deusa do Amor”, e “Quando os Deuses Amam”. “Quando os Deuses Amam” foi feito em 1947 pela Columbia e trazia Rita Hayworth como Terpsícore, a musa da música e da dança, que se apaixona por um mortal que num primeiro momento ela queria punir. Em “Vênus, a Deusa do Amor”, feito pela Universal em 1948, Vênus se apaixona pelas pequenas coisas que um mortal – que já estava apaixonado por ela – dá a ela. Além disso, “Quando os Deuses Amam” é em Technicolor, e “Vênus, a Deusa do Amor” é em preto e branco – embora o plano inicial era que fosse em cores, quando Mary Pickford comprou os direitos da peça de teatro original para produzir o filme.
  
We can't avoid comparing “One Touch of Venus” with “Down to Earth”. “Down to Earth” was made in 1947 by Columbia and starred Rita Hayworth as Terpsichore, the muse of music and dance, who falls in love with a mortal who she was at first going to punish. In “One Touch of Venus”, released by Universal in 1948, Venus falls in love with the little things a mortal – who was already in love with her – provides her. Moreover, “Down to Earth” is in Technicolor, and “One Touch of Venus” is in black and white – although it was first supposed to be shot in color, when Mary Pickford bought the rights of the original play to produce a movie in 1945.



“Vênus, a Deusa do Amor” é um filme subestimado que podia ser mais longo. Mesmo assim, ele tem mais pontos positivos que negativos, e é um filme que te fará sorrir e desejar a possibilidade de experimentar um amor inspirado por ninguém mais ninguém menos que Vênus, a deusa do amor.

“One Touch of Venus” is an underrated movie that could have been longer. However, it has more positive aspects than negative ones, and it is a movie that will make you smile and wish you could experience a love inspired by Venus herself.


This is my contribution to the Ava Gardner blogathon, hosted by Maddy at Maddy Loves Her Classic Films.


Monday, May 12, 2014

Sonata de Amor / Song of Love (1947)

Aqui no blog eu já falei muitas vezes sobre meu ator favorito (James Cagney), meu diretor favorito (OrsonWelles) e meu filme favorito (Nasce uma Estrela, de 1937). Mas nunca havia dedicado um post sequer à minha atriz favorita. Nunca, mas isso muda agora. E por que eu não havia me atrevido a escrever sobre Katharine Hepburn? Simples: porque, mesmo para uma pessoa que tem afinidade com as palavras, eu não sabia como expressar corretamente e com a real intensidade o que eu sinto quando vejo Kate na tela. A vitalidade, o talento inigualável, a independência, a irreverência, o exemplo maior de mulher que um dia eu sonho ser. Vou tentar, mas não sei se conseguirei demonstrar toda minha admiração por Kate nesse filme em que ela, oportunamente, interpreta uma grande mulher: Clara Schumann.
O ano é 1839. A pianista Clara Wieck está se apresentando para o rei e, ousadamente, desobedece ao pai e toca a nova composição do homem por quem está apaixonada, Robert Schumann (Paul Henreid). O pai dela não fica nem um pouco satisfeito, e a raiva aumenta quando Clara diz que quer se casar com Robert. Mr. Wieck protesta, dizendo que ela precisa de um marido rico e não um pianista que está tentando fazer sucesso. Mas, se o sucesso era necessário, ele veio na figura do homem que defendeu a união de Clara e Robert: o já famoso pianista e compositor Franz Liszt (Henry Daniell).
Dez anos mais tarde, o jovem Johanness Brahms (Robert Walker) chega à casa de Schumann, professor de piano, onde encontra uma empregada mal-humorada, oito crianças e uma galinha. Ele é recebido pelo casal Schumann, e ambos ficam encantados com a composição de Brahms que, além de ser convidado a morar e estudar com eles, ainda ajuda a cozinhar durante a festa de Ano Novo.
Uma crise conjugal começa a se delinear quando Clara faz um concerto para pagar as contas, de modo que Robert possa compor suas melodias. Como ela mesma diz, “o que eu faço está aqui hoje e amanhã sumiu. Sua música é para o futuro!”. Enquanto isso, Robert passa a sentir fortes dores de cabeça e Brahms precisa esconder seus sentimentos por Clara.
Clara Schumann (1819-1896) também foi compositora, embora a obra de eu marido seja mais famosa que a dela. O caso dos Schumann foi um exemplo clássico em que a mulher fez o homem: foi apresentando as canções de Robert em seus concertos que Clara tornou-o conhecido e admirado.
No início do filme, Clara deveria ter 20 anos, o que não parece verdade, pois Katharine Hepburn tinha 40 na época da filmagem. É interessante como o pai de Clara reclama por Robert ser dez anos mais velho e sem perspectiva, pois Paul Henreid, além de ser um ator respeitado, era um ano mais novo que Hepburn. Apesar de não ter filhos, Kate brilha nas cenas emocionantes com as crianças, embora o mais à vontade com os pequenos seja mesmo Robert Walker, já que Brahms se transforma em um “tio querido”. E, por falar em homens importantes, Paul Henreid conta em sua autobiografia que todas as manhãs Spencer Tracy visitava o set de filmagem e perguntava a Henreid se Kate estava se comportando bem.
Quando eu me sentei para ver este filme, fazia já alguns meses que eu não via uma película com Hepburn. E como eu senti falta dela! Daquela voz inconfundível, dos olhos que se enchem de lágrimas nos momentos tristes, do rosto firme e enérgico, das bochechas inigualáveis, da vulnerabilidade em cena, do porte ao andar, do talento! Como eu sentia saudade da mulher que disse “If you obey all the rules, you’ll miss all the fun”!
Como a maioria dos filmes de época, este também tem figurinos lindos e uma trilha sonora clássica ainda mais linda. Com “Sonata de Amor”, eu aprendi a admirar Clara Schumann, não apenas porque ela foi uma mulher extraordinária, mas porque Katharine Hepburn foi ela. Ou será que Clara é que foi Katharine Hepburn?


This is my contribution to the Great Katharine Hepburn blogathon, hosted by Margaret Perry, the most knowledgeable Kate Hepburn expert on the internet.
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