} Crítica Retrô: Catherine Deneuve

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Monday, August 12, 2013

Catherine Deneuve: a bela de sempre


Resolvi escrever este post após ver Catherine Deneuve na foto acima, com um boneco de Mike, personagem de “Universidade Monstros”, animação na qual ela dubla uma personagem. Fiquei impressionada com sua jovialidade e elegância. Mas esses são apenas alguns dos fatores que fazem desta talentosa atriz francesa um ícone fashion.
É difícil imaginar que Catherine completa 70 anos em 2013. Filha de atores de teatro e um ano mais nova que outra atriz, Françoise Dorléac, Catherine entrou no cinema através da irmã, que a convenceu a fazer um teste em 1957. Ela provou ser mais do que um rosto bonito em 1964, ao protagonizar “Os guarda-chuvas de Cherbourg” (1964), um filme completamente cantado que refletia muito da vida pessoal da atriz, recém-separada do cineasta Roger Vadim e com um filho pequeno. Sucessos como “Repulsa ao sexo / Repulsion” (1965) e “A bela da tarde / Belle de Jour”(1967) se seguiram.
Foi com esse filme de 1967, dirigido por Luis Buñuel, que a imagem de Catherine como ícone da moda nasceu. Os figurinos da reprimida Séverine, uma mulher infeliz no casamento que decide trabalhar como garota de programa na parte da tarde, foi criado por Yves Saint-Laurent.

Ela já foi o rosto associado à Chanel nos anos 1970 e, mesmo depois de se tornar sexagenária, assinou contratos com marcas famosas mundialmente, a exemplo de Louis Vuitton e dos cosméticos Mac.
Na vida pessoal, embora seja cética quanto ao casamento, ela se relacionou com homens poderosos. Dentro da indústria do cinema, dois de seus companheiros foram François Truffaut, com quem fez dois filmes, “A sereia do Mississippi” (1969) e o excelente “O último metrô” (1981), e Marcello Mastroianni, seu companheiro de cena em cinco filmes e pai de sua filha Chiara, também atriz.
Em seus primeiros filmes, seu estilo era mais de menininha, inocente e com direito a muitos laços. Aliás, a moça que, surpresa, não é loira natural, gosta muito de acessórios na cabeça.

Ela não fez grande sucesso no cinema americano, mas felizmente também não ficou estereotipada com a idade. Por isso Catherine Deneuve é um exemplo de elegância para todas as idades.
This is one of my contributions to the Summer Under the Stars Blogathon, hosted by Jill at Sittin’ on a Backyard Fence and Michael at ScribeHard on Film

Monday, January 30, 2012

Pele de Asno (1970): um conto de fadas musicado

O título pode não parecer muito atraente, mas este filme é um belo e surpreendente trabalho, pioneiro em sua concepção, produzido em meio à moda da “Nouvelle Vague” e estrelada por uma das mais famosas atrizes francesas, Catherine Deneuve, que mais uma vez solta a voz e encanta o público.
Num reino distante vivia um rei (Jean Marais) que não tinha do que reclamar. Quando sua esposa morre, ela o faz prometer que ele só se casará novamente se encontrar uma mulher mais bonita que ela. O problema é que esta mulher está bem próxima: é a própria filha do rei! Para escapar do desejo incestuoso do pai, a princesa contará com a ajuda da fada madrinha e precisará fugir e se passar por pobre camponesa.
A história é uma adaptação do conto de fadas homônimo, que encantou o diretor Jacques Demy em sua infância. Catherine foi escolhida para viver a princesa, protagonista que passará por um aprendizado, e ainda deverá cantar, o que já havia mostrado que sabia fazer bem em ”Os Guarda-Chuvas do Amor”, filmado seis anos antes e também dirigido por Demy (ele e Catherine trabalharam juntos em quatro filmes).
O enredo vem de um conto de fadas escrito no século XVII por Charles Perrault, que hoje pode estar esquecido, mas que foi responsável por criar histórias inesquecíveis como Cinderela. Há uma interessante repetição aqui, pois o príncipe procura entre as mulheres aquela em que sirva um anel bem pequeno, pertencente à princesa. Em Cinderela, o anel é trocado por um sapatinho de cristal. Em “Pele de Asno”, tal situação dá origem ao número musical mais engraçado de todos, que mostra o que as moças foram capazes de fazer para afinar o dedo anular, a fim de caber o anel.
Muito do clima de contos de fadas vem da bela fotografia a cores, contando ainda com belos figurinos medievais e até cavalos coloridos que me lembraram de “O Mágico de Oz”.  O filme também é carregado de momentos de comédia, trazidos em especial pela fada madrinha (Delphine Seyrig) que, além de ter um momento de glória cantando uma música, também diverte ao propor à princesa que ela exija presentes absurdos ao pai.
Os contos de fadas são histórias do folclore de vários países e que se espalharam pelo mundo graças à imprensa e ao cinema. Assim como nas fábulas há uma “moral da história”, nos contos há também muitos ensinamentos para as crianças, embora estes estejam mais velados dentro da história. Por exemplo, em “Pele de Asno” temos o tratamento do incesto por parte do rei e o preconceito que a princesa sofre enquanto está vestida com a pele do animal. Assuntos importantes para pessoas de qualquer idade, diga-se de passagem.
Veículo de aprendizado, escapismo, diversão despretensiosa ou obtenção de conhecimento, este peculiar filme francês capta com perfeição um mundo de imaginação nostálgica e simpática; um mundo de onde os adultos desejam nunca terem saído.
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