Quem não tem uma lembrança sinistra de um filme? Mesmo aqueles mais bobos ou que não causariam medo algum às vezes fazem as crianças ficarem noites sem dormir. O próprio Gregory Peck, por exemplo, disse certa vez que sua primeira memória relacionada ao cinema era de quando foi ver “O Fantasma da Ópera / The Phantom of the Opera” (1925) e ficou tão assustado que sua avó teve de dormir com ele aquela noite.
Comigo não foi diferente. Em uma época de menos maturidade e quase nenhuma cinefilia, alguns contatos com o cinema clássico foram amedrontadores...
Primeiros filmes (ou melhor, “Serpentine Dance”): Os primeiros filmes me dão uma sensação desagradável, talvez por pensar que aqueles pioneiros viveram há tanto tempo e não tiveram a oportunidade de ver em que a arte que estavam desenvolvendo se transformou. Isso acontece no breve “Rounday Garden Scene” (1888) e na dança com figurinos bizarros “Serpentine Dance”.
Os Vampiros / Les Vampires (1915): A primeira vez em que folheei uma edição de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” levei um susto com a foto de página inteira da atriz Musidora. Embora seja a imagem-símbolo do longuíssimo filme, ela ainda não me agrada.
Nosferatu (1922): O cinema mudo de terror lida com as emoções mais primitivas de qualquer ser humano. As produções causam medo através de sons estranhos e imagens assustadoras. Quem não teve medo daquela sombra que atire a primeira pedra!
Closes no cinema mudo: Também pelo motivo do primeiro tópico. Além disso, o olhar das moças da década de 1910 parece-me bastante forte, mesmo em fotografias (como se elas fossem capazes de enxergar lá dentro de nós...). Meu close menos favorito é o de Constance Talmadge, logo no início de sua bela atuação em “Intolerância” (1916).
| Até ela teve medo do próprio close |
Monstros / Freaks (1932): O primeiro contato com esse filme se deu quando eu nem era tão cinéfila assim. Em uma lista dos 10 filmes mais impressionantes, este vinha em décimo. A imagem do Torso ficou em minha mente, durante dias, me assombrando...
O Homem Elefante (1980): A triste trajetória real de Joseph Merrick é, por si só, assombrosa. Contada pelo cinema, então, tem seu impacto elevado à milésima potência. Uma produção em preto-e-branco, em plena década de 80, só podia sair das mãos de David Lynch... E é outro que eu ainda não criei coragem para assitir.
Como toda regra tem exceção...
| O lanchinho é cortesia do Bates Motel |
Aí está um exemplo de quem algumas pessoas passam a temer depois de assistir a “Psicose” (1960). Eu não tive essa reação. Na verdade, continuei achando Norman Bates uma fofura. Que importa se ele é um pouco perturbado? Sua “adorável psicose” compensa tudo!
P.S.: De onde eu tirei minha inspiração: http://flickchick1953.blogspot.com/2010/10/stars-who-scare-me-halloween-tribute.html
