} Crítica Retrô: Gregory Peck

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Thursday, November 21, 2019

Teu Nome é Mulher (1957) / Designing Woman (1957)


Lauren Bacall provou que era ótima na comédia em 1953 com “Como Agarrar um Milionário”. Em 1957, ela substituiu Grace Kelly em uma comédia ao lado de um ator que foi uma escolha incomum para protagonista cômico: Gregory Peck! Com isso, é fácil ver, desde o início, que “Teu Nome é Mulher” não é um filme comum.

Lauren Bacall had proved that she was great at comedy in 1953 with “How to Marry a Millionaire”. In 1957, she replaced Grace Kelly in a comedy alongside an unusual choice for comic leading man: Gregory Peck! With this, it’s easy to see, from the beginning, that “Designing Woman” is not a common film.


“Teu Nome é Mulher” começa com cinco personagens quebrando a quarta parede e falando sobre certo “caso de Boston”. Finalmente, o primeiro personagem, interpretado por Gregory Peck, começa a contar o que aconteceu. Mike Hagen (Peck) está de ressaca após uma noite da qual ele não se lembra. Os efeitos sonoros são altos e exagerados, para que o espectador se sinta como o Mike de ressaca se sente: mesmo um alfinete tocando no fundo de uma lata de lixo o incomoda.

Designing Woman” starts with five characters breaking the fourth wall and talking about a certain “Boston affair”. Finally, the first character, played by Gregory Peck, starts telling what happened. The flashback begins. Mike Hagen (Peck) is hung-over after a wild night that is not stored in his memory. The sound effects are loud and exaggerated, in order to make us feel like hung-over Mike feels: even a pin hitting the bottom of a trash can bothers him.


Na noite anterior, enquanto estava bêbado, Mike conheceu e levou Marilla Brown (Lauren Bacall) para um bar. Lá ela o ajudou a escrever um artigo para sua coluna esportiva num jornal, e ele deu a ela 700 dólares como recompensa. Na manhã seguinte, ela devolve o dinheiro para Mike e, agora sóbrio, ele percebe que gosta da companhia dela. Logo – logo mesmo – eles estão casados.

The night before, while drunk, Mike had met and taken Marilla Brown (Lauren Bacall) to a bar. There she helped him write an article for his sports column at the newspaper, and he gave her 700 dollars as a reward. The morning after, she returns Mike the money and, now sober, he realizes he enjoys her company. Soon – too soon – they're married.


Mike e Marilla não sabem muito um sobre o outro. Quando eles voltam para Nova York, descobrem que não poderiam ser mais diferentes. Mike é colunista esportivo, Marilla é estilista. Mike morava em um apartamento que era como uma caixa de sapatos, Marilla o convenceu a se mudar para o apartamento dela, um lugar chique onde ela recebe seus amigos da alta sociedade. Mike tinha um relacionamento complicado com a atriz e cantora Lori Shannon (Dolores Gray), enquanto o produtor teatral Zachary Wilde (Tom Helmore) queria se casar com Marilla.

Mike and Marilla don't know much about each other. When they fly back to New York, they find out they couldn't be more different. Mike is a sports columnist, Marilla is a clothes designer. Mike lived in an apartment that is like a shoebox, Marilla convinces him to move to her place, a chic apartment where she receives her high society friends. Mike had a thing going on with actress / singer Lori Shannon (Dolores Gray), while theater producer Zachary Wilde (Tom Helmore) wanted to marry Marilla.


Marilla não suporta o fato de que Mike precisa assistir a lutas de boxe para o trabalho, e acha o amigo dele, Maxie (Mickey Shaughnessy), um ex-boxeador, muito estranho. Mike também não aprova os amigos de Marilla que estão montando uma peça de teatro, em especial o extravagante coreógrafo Randy (Jack Cole, coreógrafo do filme). Mas as coisas só começam a se complicar quando Marilla, Zach e Lori passam a trabalhar na mesma peça, e Mike desagrada o magnata do boxe Mart Daylor (Edward Platt) e começa a receber ameaças.

Marilla can't stand the fact that Mike needs to watch boxing matches to work, and finds his friend Maxie (Mickey Shaugnessy), a former boxer, a weird guy. Mike also disapproves Marilla's friends from a theater play, in special the extravagant choreographer Randy (Jack Cole, the film's real choreographer). But things only start getting complicated when Marilla, Zach and Lori start working in a theater play, and Mike displeases boxing mogul Mart Daylor (Edward Platt) and starts receiving threats.


Isso não é algo que você escuta todo dia, mas Gregory Peck está hilário neste filme. Como Mike, ele tem a oportunidade de mostrar seu talento tanto na comédia física quanto na hora de reagir a um acidente bastante incomum. Infelizmente, nem tudo é divertido: um elemento que envelheceu mal foi o tratamento de Maxie. Maxie é um homem que certamente teve danos cerebrais causados pela violência do boxe, e não foi certo usá-lo para causar riso.

This is not something you read every day, but Gregory Peck is hilarious in this film. As Mike, he has the opportunity to show his talent both in slapstick comedy and by doing deadpan faces as a reaction to a very uncommon incident. Unfortunately, not everything is fun: a bit that has aged badly is Maxie's treatment. Maxie is a man who certainly has had brain damage thanks to his boxing career, and it was not nice to use him to make the public laugh.


“Teu Nome é Mulher” deveria ser um projeto para Grace Kelly e James Stewart. Grace deixou Hollywood para se casar com o príncipe Rainier de Mônaco, e Stewart abandonou o projeto. Lauren Bacall e Gregory Peck, os novos protagonistas, se tornaram grandes amigos, uma amizade que durou o resto da vida. Mas o grande destaque do filme é mesmo o coreógrafo Jack Cole como Randy.

“Designing Woman” was meant to be a vehicle for Grace Kelly and James Stewart. Grace left Hollywood to marry Prince Rainier of Monaco, and Stewart abandoned the project. Lauren Bacall and Gregory Peck, the new leads, became good friends, a friendship that last until the end of their lives. But the MVP in this film is indeed choreographer Jack Cole as Randy.


“Teu Nome é Mulher” tem uma história curiosa: o filme foi escrito por George Wells, também produtor associado, e foi baseado em uma ideia da estilista Helen Rose! Wells ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, embora muitas pessoas na indústria do cinema acreditassem que a trama era muito parecida com outro filme, “A Mulher do Dia”, de 1942 – o que eu não acredito. Há uma coisa, entretanto, com a qual todos concordamos: “Teu Nome é Mulher”, assim como todos os filmes de Vincente Minnelli, é uma delícia.

“Designing Woman” has a very unique background: this film was written by George Wells, also associate producer, and based on an idea given by stylist Helen Rose! Wells won the Oscar for Best Original Screenplay, although many people in the industry believed the plot followed too closely another film, 1942’s “Woman of the Year” – I don’t think so. There is one thing, however, that we all can agree with: “Designing Woman”, as all of Vincente Minnelli’s films, is delightful.

This is my contribution to the Third Annual Lauren Bacall blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.


Sunday, October 1, 2017

Duelo ao Sol (1946) / Duel in the Sun (1946)

Eu amo a velha Hollywood. Eu amo cinema clássico. Eu fico animada ao ler, nos créditos iniciais, nomes como Joseph Cotten, Jennifer Jones, Gregory Peck, Lillian Gish, Herbert Marshall, Lionel Barrymore e Butterfly McQueen. Mas graças a Deus eu também sou uma mulher moderna, ilustrada e progressista e sou capaz de ver um filme clássico não com viés de nostalgia e um senso de que aquela é uma obra intocável, e assim eu posso perceber quando um filme clássico pisa na bola. 

I love old Hollywood. I love classic film. I get goosebumps reading, in the opening credits, names like Joseph Cotten, Jennifer Jones, Gregory Peck, Lillian Gish, Herbert Marshall, Lionel Barrymore and Butterfly McQueen. But thanks God I'm also a modern, woke, progressive woman and I'm able to look at classic film not with nostalgia and a sense of flawlessness, but with criticism, and then I can see when a classic film screws up.


Pearl Chavez (Jennifer Jones) é uma mestiça, filha de pai branco e mãe índia. Numa noite, a mãe dela está dançando em um bar e deixa o local com um homem após um breve jogo de sedução. O pai de Pearl (Herbert Marshall) os segue e os mata a tiros. Ele se declara culpado pelo assassinato, e diz que o primeiro crime que cometeu foi se envolver com uma índia. Ele é enforcado e envia Pearl para viver com a prima de segundo grau, Laura Belle (Lillian Gish).

Pearl Chavez (Jennifer Jones) is a half-breed, that is, the daughter of a white father and an Indian mother. One night, her mother is dancing at a bar and leaves the place with a man who she had seduced. Pearl's father (Herbert Marshall) follows them and shoots them. He pleads guilty for murder, and says that the first guilty thing he did was getting involved with an Indian. He is hung and sends Pearl to live with his second cousin, Laura Belle (Lillian Gish).


O marido de Laura Belle é chamado por todos – inclusive pela própria Laura – de Senador McCanles (Lionel Barrymore). Laura tem também dois filhos: o mais velho e sensato Jesse (Joseph Cotten) e o mais novo e mulherengo Lewton (Gregory Peck). O mais recente problema na imensa propriedade dos McCanles no Texas é a chegada de uma ferrovia, que trará aquilo que o Senador considera pior que uma praga: IMIGRANTES!

Laura Belle has a husband, who everybody – including herself – calls senator McCanles (Lionel Barrymore) and two sons: eldest and sensible Jesse (Joseph Cotten) and younger and womanizer Lewton (Gregory Peck). The latest problem in the mammoth property the McCanles family has in Texas is the arrival of a railway, that will bring something the senator considers worse than a plague: IMMIGRANTS!


Além da questão da ferrovia, a chegada de Pearl aumenta a rivalidade entre os irmãos. Num primeiro momento, Pearl gosta mais de Jesse, porque ele a trata melhor, e Lewton vê esta preferência como um desafio – Lewton tentará conquistá-la com brutalidade, mesmo não querendo nada sério com ela.

Besides the railroad problem, Pearl's arrival makes the rivalry between the brothers more intense. At first, Pearl likes Jesse better, because he's a more polite man, and Lewton sees her preference as a challenge – Lewton will try to conquer her with brutality, even if he doesn't want anything serious with her.



Não é nenhum segredo que Selznick queria fazer um filme ainda mais grandioso que “E o Vento Levou…”. E este foi seu erro: ao seguir à risca a fórmula de “E o Vento Levou...”, as comparações foram inevitáveis. Você tem um triângulo amoroso, uma história que se passa no passado, um ótimo elenco de coadjuvantes e até mesmo a paleta de cores é semelhante. Selznick inclusive repetiu os problemas dos bastidores e contratou seis diretores diferentes para seu novo épico! Mas “Duelo ao Sol” perde feito na comparação.

It's no secret that Selznick wanted to make a film that would be bigger and better than “Gone with the Wind”. And this was his mistake: by following the GWTW formula verbatim, the comparisons were unavoidable. You have a love triangle, a story set in the past, a great supporting cast and even the color palette is similar. Selznick even mimicked his on-set troubles and hired six different directors for his new epic! But “Duel in the Sun” pales in comparison.



Pearl não é uma heroína tão marcante quanto Scarlett O’Hara. O primeiro erro de Selznick com a personagem foi escolher uma atriz branca para interpretar uma mestiça... com um sutil Brownface. Obviamente, a velha Hollywood nunca permitiria que uma índia autêntica fosse protagonista – e eu imagino que a Hollywood moderna também não faria isso. Além deste fato, Pearl não é complexa como Scarlett. Ela não é decidida, esforçada, corajosa e não algo pelo que lutar, como Scarlett tem Tara. Pearl age por luxúria e um estranho senso de moralidade – algo que pode ser interpretado como uma característica de sua origem mestiça.

Pearl is not as bold a heroine as Scarlett O'Hara. The first way Selznick screwed up with her character was by allowing a white woman to play a half-Indian… in brownface. Of course, classic Hollywood would never have an authentic Indian as a leading lady – and I imagine modern Hollywood wouldn't as well. Besides this, Pearl is not as complex as Scarlett. She isn't industrious and brave and she doesn't have something to fight for like Scarlett has with Tara. Pearl is moved by lust and a weird sense of morality – something that can be interpreted as a characteristic of her ‘half-breed’ origin.



Gregory Peck não é nenhum Clark Gable. Claro, Peck ainda estava no começa da carreira, e se pensarmos em seus papéis posteriores, é estranho vê-lo como vilão. Mas Peck convence como Lewton – eu o odiei para valer em muitos momentos. Lillian Gish e Lionel Barrymore estão simplesmente fantásticos, em especial na última cena juntos. Butterfly McQueen interpreta Vashti, o mesmo tipo de criada pouco esperta e de voz esganiçada que ela interpretou em “E o Vento Levou...”. Laura Belle inclusive diz que Vashti não pode ser treinada – sim, treinada como um cão.

Gregory Peck is no Clark Gable. Sure, Peck was still in the beginning of his career, and if we think about his later roles, it's weird to see him as a villain. But Peck is very convincing as Lewton – I truly hated him in many moments. Lillian Gish and Lionel Barrymore are simply outstanding, especially in their last scene together. Butterfly McQueen plays Vashti, the usual kind of empty-headed, high-pitched maid she played in “Gone with the Wind”. Laura Belle even says that Vashti can't be “trained” - yes, trained like a dog.


1939
1946
A fotografia é sem dúvida o melhor elemento do filme, mesmo que muitas cenas com silhuetas pareçam copiadas de “E o Vento Levou...”. As cenas exteriores são em geral fotografadas em tons de vermelho, o que me fez pensar em “Legião Invencível”, de 1949, de Jon Ford – com a diferença que o filme de Selznick foi filmado no Texas, e o de Ford no Arizona.

The cinematography is without a doubt the best thing in the movie, even though many scenes with silhouettes look like copies of “Gone with the Wind”. The exteriors are mostly photographed in red tones, something that made me think of John Ford's “She Wore a Yellow Ribbon”, from 1949 – with the difference that Selznick's movie was filmed in Texas, and Ford's in Arizona.


Como faroeste, “Duelo ao Sol” funciona bem. Temos dois duelos perto do fim, e o mais inesperado é o melhor deles. O filme não é um épico como “E o Vento Levou...”, e é mais datado que o predecessor feito em 1939, especialmente na caracterização da criada Vashti e na visão muito, muito errada acerca da miscigenação.

As a western, “Duel in the Sun” works well. We have actually two duels near the end, and the most unexpected is the best one. It's no epic like “Gone with the Wind”, and it is more dated than the Civil War era movie made in 1939, especially in the portrayal of maid Vashti and the very, very wrong take on miscegenation.

This is my contribution to the Texas Blogathon, hosted by The Midnight Drive-In.

Saturday, December 5, 2015

A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday (1953)

Se você gosta de filmes antigos, já deve ter passado por esta situação: na ânsia de compartilhar sua paixão com as pessoas ao seu redor, recebeu como resposta uma careta e a recusa veemente de parar para ver um filme “velho”, em preto e branco. Este preconceito com o cinema clássico é infundado e frustrante, porque quem não dá uma chance para um filme “pré-histórico” está dando as costas para um mundo maravilhoso. Então, como você, evangelizador do cinema clássico, poderia trazer mais adeptos para o modo de vida Old Hollywood? Por onde começar?

Deixe-me contar um segredo: o amor pelo cinema não é genético. Embora meu bisavô tenha sido gerente de cinema, meu avô não perca um filme de John Wayne e minha avó seja fissurada por Bruce Willis e CinemaScope (não nesta ordem), o gene cinéfilo pulou uma geração. Minha mãe é uma pessoa totalmente normal, que não gosta de filmes em preto e branco. Mas ela é uma boa mãe, e por isso foi com um misto de surpresa e alegria que eu reagi quando ela aceitou assistir a “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” comigo. 
A princesa Ann (Audrey Hepburn) está entediada com os muitos compromissos oficiais e burocráticos de sua visita a Roma. Ela quer mesmo é se divertir, e para isso foge no meio da noite, logo encontrando o repórter Joe Bradley (Gregory Peck). A princípio, Joe não a reconhece, até que seu colega fotógrafo Irving (Eddie Albert) mostra uma foto da princesa, e é aí que começa a aventura, e também o dilema moral: Joe deve aproveitar a companhia da princesa disfarçada para conseguir um grande furo de reportagem? 


A princesa Ann se assemelha muito mais à Audrey da vida real do que a mais famosa personagem da atriz, a acompanhante de luxo Holly Golightly de “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s”, de 1961. Ann é doce e aventureira, cheia de classe e divertida, bondosa e determinada, delicada e moleca. E é com adjetivos tão diferentes que podemos descrever Audrey Kathleen Ruston, a menina que nasceu na Bélgica, passou fome durante a Segunda Guerra Mundial, virou bailarina e atriz de teatro, brilhou em Hollywood e tornou-se embaixatriz da UNICEF.

 
Há muito mais no filme do que suspeita nossa vã filosofia: encapsulado no roteiro está uma das histórias mais importantes e indignantes de Hollywood: a do roteirista Dalton Trumbo. Em 1947, Trumbo foi acusado de ser comunista e, apesar de continuar contribuindo com bons roteiros para o cinema, não podia ser creditado. Ele então usava pseudônimos ou deixava que algum de seus amigos recebesse crédito pelo seu trabalho. O roteiro de “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” foi assinado por Ian MacLellan Hunter, e recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original (veja no vídeo abaixo). Em 1993, a viúva de Trumbo finalmente recebeu a estatueta que lhe era devida. Dez anos depois o nome de Trumbo foi adicionado aos créditos. E apenas em 2011 o Sindicato dos Roteiristas devolveu o crédito a Trumbo, após um apelo que o filho dele, o também roteirista Christopher Trumbo, fez antes de morrer.

Filmado totalmente em locação, “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” se torna um perfeito roteiro para férias em Roma, com destaque para todos os pontos turísticos importantes. Afinal, quem, depois de ver todas as maravilhas na tela, não quis ir ver pessoalmente os cafés italianos, as escadarias, as fontes e a carranca esculpida na pedra? Até a Via Margutta 51, endereço de Joe Bradley, realmente existe em Roma. Curiosamente, o filme foi feito em preto e branco não apenas para diminuir os custos, mas também para impedir que a bela paisagem italiana chamasse mais atenção que a história em si. Esta foi a primeira produção de Hollywood filmada totalmente em Roma.

Confissão: já imitei esta cena com o canudo
 
Como é possível apreciar um filme em preto e branco? Acredito que o grande trunfo do bom cinema é contar uma história tão boa que você esquece que está vendo um filme em preto e branco – a fotografia “bicromática” se torna apenas um detalhe de algo muito maior e mais significativo. Filme algum deve ter sua qualidade julgada pela presença ou ausência de cores. “Casablanca” e “Cidadão Kane” não seriam melhores se fossem coloridos, e “E o Vento Levou... / Gone With the Wind” não seria pior se fosse filmado em preto e branco.


E quanto à minha mãe, você se perguntam? Ela gostou do filme! Depois da sessão, ela destacou a beleza de Gregory e Audrey (sem contar que as roupas e o penteado da princesa são moderníssimos) e a despretensão do filme. Sem querer passar uma mensagem, o filme conquista o espectador. Sem ter de apelar para vulgaridades ou humor baixo, “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” dá a quem não está acostumado com os clássicos uma introdução sobre tempos mais simples – quando era possível sair do cinema com um sorriso no rosto e a alma mais leve.

This is my contribution to the “Try It, You'll Like It!” Blogathon, hosted by classic film ambassadors Fritzi at Movies, Silently and Janet at Sister Celluloid. Alert: classic film viewing may cause addiction.

Friday, October 28, 2011

Halloween & coisas assustadoras do cinema clássico (na minha opinião)

Quem não tem uma lembrança sinistra de um filme? Mesmo aqueles mais bobos ou que não causariam medo algum às vezes fazem as crianças ficarem noites sem dormir. O próprio Gregory Peck, por exemplo, disse certa vez que sua primeira memória relacionada ao cinema era de quando foi ver “O Fantasma da Ópera / The Phantom of the Opera” (1925) e ficou tão assustado que sua avó teve de dormir com ele aquela noite.
Comigo não foi diferente. Em uma época de menos maturidade e quase nenhuma cinefilia, alguns contatos com o cinema clássico foram amedrontadores...

Primeiros filmes (ou melhor, “Serpentine Dance”): Os primeiros filmes me dão uma sensação desagradável, talvez por pensar que aqueles pioneiros viveram há tanto tempo e não tiveram a oportunidade de ver em que a arte que estavam desenvolvendo se transformou. Isso acontece no breve “Rounday Garden Scene” (1888) e na dança com figurinos bizarros “Serpentine Dance”. 

Os Vampiros / Les Vampires (1915): A primeira vez em que folheei uma edição de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” levei um susto com a foto de página inteira da atriz Musidora. Embora seja a imagem-símbolo do longuíssimo filme, ela ainda não me agrada.

Nosferatu (1922): O cinema mudo de terror lida com as emoções mais primitivas de qualquer ser humano. As produções causam medo através de sons estranhos e imagens assustadoras. Quem não teve medo daquela sombra que atire a primeira pedra!

Closes no cinema mudo: Também pelo motivo do primeiro tópico. Além disso, o olhar das moças da década de 1910 parece-me bastante forte, mesmo em fotografias (como se elas fossem capazes de enxergar lá dentro de nós...). Meu close menos favorito é o de Constance Talmadge, logo no início de sua bela atuação em “Intolerância” (1916). 
Até ela teve medo do próprio close

Monstros / Freaks (1932): O primeiro contato com esse filme se deu quando eu nem era tão cinéfila assim. Em uma lista dos 10 filmes mais impressionantes, este vinha em décimo. A imagem do Torso ficou em minha mente, durante dias, me assombrando...

O Homem Elefante (1980): A triste trajetória real de Joseph Merrick é, por si só, assombrosa. Contada pelo cinema, então, tem seu impacto elevado à milésima potência. Uma produção em preto-e-branco, em plena década de 80, só podia sair das mãos de David Lynch... E é outro que eu ainda não criei coragem para assitir.

Como toda regra tem exceção...
O lanchinho é cortesia do Bates Motel


Aí está um exemplo de quem algumas pessoas passam a temer depois de assistir a “Psicose” (1960). Eu não tive essa reação. Na verdade, continuei achando Norman Bates uma fofura. Que importa se ele é um pouco perturbado? Sua “adorável psicose” compensa tudo!


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